{"id":7032,"date":"2014-11-08T02:00:42","date_gmt":"2014-11-08T02:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7032"},"modified":"2014-12-01T18:38:35","modified_gmt":"2014-12-01T18:38:35","slug":"recados-eleitorais-para-a-nova-etapa-do-jogo-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7032","title":{"rendered":"Recados eleitorais para a nova etapa do jogo pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Correio da Cidadania<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<em><strong>A esquerda precisa dar um passo adiante, livrar-se dessa inc\u00f4moda extors\u00e3o praticada a cada elei\u00e7\u00e3o, por uma suposta esquerda que se alia na maior parte do tempo com a direita, age igual \u00e0 direita e, s\u00f3 nos momentos eleitorais, evoca sentimentos racionais e emocionais da esquerda para socorrer o seu projeto de poder amea\u00e7ado por algo mais \u00e0 direita ainda. Passado o risco eleitoral, adeus aos compromissos com a esquerda e com os movimentos sociais populares aut\u00eanticos\u201d.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Dilma Rousseff foi reeleita presidente da Rep\u00fablica com o apoio de 38% do eleitorado. De um total de 142.822.046 eleitores, 54.501.118 votaram nela. A maioria, 62% dos eleitores, n\u00e3o votou nela. Ou votou em A\u00e9cio Neves (51.041.155), ou em branco (1.921.819), ou anulou (5.219.787), ou simplesmente deixou de votar. A absten\u00e7\u00e3o chegou a 21,1% do eleitorado, mais de 30 milh\u00f5es n\u00e3o se manifestaram nas urnas. Assim, o bloco dos que n\u00e3o se comprometeram com as duas candidaturas do 2\u00ba turno atinge 27,4% do eleitorado, o que corresponde a um total de 39.133.228 eleitores. \u00c9 muita gente que ficou de fora da escolha presidencial.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros falam por si. A presidente, o seu partido e a coliga\u00e7\u00e3o eleitoral n\u00e3o contam, pelo menos expressamente, com o respaldo da maioria dos brasileiros. A oposi\u00e7\u00e3o de direita, mais identificada com o discurso ortodoxo do neoliberalismo e mais conservadora na vis\u00e3o moralista que emana das elites e das classes m\u00e9dias, praticamente dividiu o eleitorado, ultrapassou os 50 milh\u00f5es de votos. A se considerar a direita que integra a pr\u00f3pria coliga\u00e7\u00e3o vencedora, que est\u00e1 no PMDB, PP, PR, PSD, PRB etc., e que nas quest\u00f5es do dia a dia cerra fileiras com a oposi\u00e7\u00e3o de direita (PSDB, DEM, PTB etc.), a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma acaba sendo um grande cavalo de Tr\u00f3ia contra as for\u00e7as que desejam as transforma\u00e7\u00f5es estruturais no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Lula e os marqueteiros petistas podem at\u00e9 mobilizar as torcidas organizadas na luta dos pobres contra os ricos, dos assistidos contra o abandono social, dos progressistas contra o retrocesso conservador, do Estado contra o mercado, da difusa esquerda petista contra o balaio da direita. Mas, na verdade, no bloco liderado pelo PT est\u00e3o tamb\u00e9m os representantes do capital, as grandes empresas, os banqueiros e o agroneg\u00f3cio; est\u00e3o as velhas oligarquias entranhadas nos estados e munic\u00edpios, aquelas que reproduzem as pr\u00e1ticas seculares de oferecer os currais eleitorais em troca dos favores patrocinados pelo Estado. Desnecess\u00e1rio citar a longa lista de caciques e coron\u00e9is que contribu\u00edram triunfalmente para a vit\u00f3ria da Dilma e que, agora, ir\u00e3o exigir a contrapartida.<\/p>\n<p>Mais uma vez os trabalhadores, os movimentos sociais aut\u00eanticos e a juventude inconformada foram sensibilizados a dar sangue, suor e l\u00e1grimas para barrar o retrocesso pol\u00edtico e o avan\u00e7o da direita. Mais uma vez a mesma ladainha de outras elei\u00e7\u00f5es surtiu efeito para impedir que o pov\u00e3o deixe de ser contemplado com Bolsa Fam\u00edlia, Prouni, Minha Casa Minha Vida, Mais M\u00e9dicos. A consci\u00eancia dos que s\u00e3o solid\u00e1rios com os mais pobres falou mais alto. A consci\u00eancia de esquerda, inclusive dos que j\u00e1 desistiram do PT h\u00e1 muito tempo, foi atingida pela amea\u00e7a aterrorizadora da volta dos privatistas que escancararam as portas do pa\u00eds para a exclus\u00e3o social e a super-explora\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Muitos setores da esquerda que n\u00e3o acreditam nem em Dilma e nem no resgate do PT para o campo da esquerda acabaram por votar na Dilma acreditando estar votando contra retorno ao passado, contra os fantasmas que rondam a incipiente democracia brasileira.<\/p>\n<p>Esses eleitores sens\u00edveis ao significado hist\u00f3rico da esquerda precisam escapar da armadilha e da chantagem se n\u00e3o quiserem repetir o gesto, mecanicamente, pela eternidade. Fantasmas verdadeiros, fantasmas criados e fantasmas realimentados sempre estar\u00e3o \u00e0 espreita da luta dos trabalhadores e do povo.<\/p>\n<p>A esquerda precisa dar um passo adiante, livrar-se dessa inc\u00f4moda extors\u00e3o praticada a cada elei\u00e7\u00e3o, por uma suposta esquerda que se alia na maior parte do tempo com a direita, age igual \u00e0 direita e, s\u00f3 nos momentos eleitorais, evoca sentimentos racionais e emocionais da esquerda para socorrer o seu projeto de poder amea\u00e7ado por algo mais \u00e0 direita ainda. Passado o risco eleitoral, adeus aos compromissos com a esquerda e com os movimentos sociais populares aut\u00eanticos.<\/p>\n<p>No primeiro governo Lula, a chantagem em cima dos setores de esquerda e dos movimentos sociais combativos utilizou o argumento de que se tratava de um governo em disputa, que era preciso atuar por dentro, apoi\u00e1-lo, para tentar conquistar uma hegemonia de esquerda no governo. Muita gente bem intencionada e de boa f\u00e9 acreditou mesmo que a disputa era um campo aberto que poderia favorecer as for\u00e7as empenhadas nas transforma\u00e7\u00f5es, nas reformas estruturais e nas grandes mudan\u00e7as demandadas pelos trabalhadores e a maioria do povo.<\/p>\n<p>N\u00e3o funcionou, o governo ficou empacado nas arapucas da governabilidade e afundou no mensal\u00e3o, de onde saiu com nova guinada para a direita. Vale lembrar que, em 2005, Lula trocou Z\u00e9 Dirceu por Dilma, na Casa Civil; Eduardo Campos por S\u00e9rgio Resende, na Ci\u00eancia e Tecnologia; Ol\u00edvio Dutra por M\u00e1rcio Fortes, no Minist\u00e9rio das Cidades, entre outros.<\/p>\n<p>No segundo mandato Lula, os programas sociais asseguraram apoio popular ao governo porque milh\u00f5es de pessoas deixaram a linha da mis\u00e9ria. Os programas sociais garantiram a elei\u00e7\u00e3o da Dilma em 2010, ao mesmo tempo em que o governo aprofundou o atendimento das demandas do capital, com juro em patamar de rentabilidade para os financistas e especuladores; novas privatiza\u00e7\u00f5es de estradas, portos e aeroportos; dinheiro subsidiado do BNDES para grandes grupos empresariais; desonera\u00e7\u00f5es de impostos para v\u00e1rios setores da economia; incentivos ao cr\u00e9dito e ao consumo; c\u00e2mbio favor\u00e1vel \u00e0s importa\u00e7\u00f5es de manufaturados. Tal receita inviabilizou o programa da direita na disputa eleitoral e deu respaldo para o primeiro governo Dilma.<\/p>\n<p>Agora as faturas do segundo governo Dilma s\u00e3o bem maiores, seja para assegurar a confian\u00e7a do capital (precisa resolver o desafio de conciliar a satisfa\u00e7\u00e3o dos rentistas e dos setores industriais produtivos, dos investidores estrangeiros e do desenvolvimento nacional, e do c\u00e2mbio ideal para importadores e exportadores), seja para construir um programa de agrado dos aliados (PMDB, PSD, PR, PRB), seja para atender as demandas sociais e populares dos setores que apoiaram a candidata do PT contra a \u201camea\u00e7a da direita\u201d, e tamb\u00e9m dos setores combativos dos movimentos populares e das esquerdas que n\u00e3o se deixaram levar pelo canto de sereia do lulismo e do dilmismo. Todos, movimentos governistas e oposi\u00e7\u00f5es de esquerda, tendem a ganhar as ruas para cobrar avan\u00e7os sociais efetivos e concretos.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, a equa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo governo n\u00e3o est\u00e1 nada f\u00e1cil. Isso sem contar as disputas internas por cargos entre os partidos aliados, as explos\u00f5es das ambi\u00e7\u00f5es pessoais, a indica\u00e7\u00e3o de minist\u00e9rios chave para o modelo econ\u00f4mico, as investiga\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras e outros casos pendentes que devem perturbar a condu\u00e7\u00e3o do governo. Al\u00e9m disso, o Lula j\u00e1 come\u00e7ou sua campanha presidencial para 2018, o que ser\u00e1 mais um fator perturbador no segundo governo Dilma, pois tende a agitar as torcidas organizadas e a acirrar as a\u00e7\u00f5es das oposi\u00e7\u00f5es, tanto \u00e0 direita quanto \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Tudo indica que o pa\u00eds viver\u00e1 um per\u00edodo de muita agita\u00e7\u00e3o social. A disputa maior n\u00e3o estar\u00e1 nos escaninhos institucionais. Estar\u00e1 nas ruas.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=10139:submanchete131014&amp;catid=25:politica&amp;Itemid=47\" target=\"_blank\"><strong>Al\u00e9m do duelo Dilma versus A\u00e9cio<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Hamilton Octavio de Souza \u00e9 jornalista e professor.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nHamilton Octavio de Souza \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7032\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[121],"tags":[],"class_list":["post-7032","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c134-eleicoes-2014"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Pq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7032","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7032"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7032\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7032"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7032"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7032"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}