{"id":7201,"date":"2014-12-01T15:34:26","date_gmt":"2014-12-01T15:34:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7201"},"modified":"2014-12-01T15:34:26","modified_gmt":"2014-12-01T15:34:26","slug":"os-capitalistas-ja-votaram-e-escolheram-o-podemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7201","title":{"rendered":"Os capitalistas j\u00e1 votaram e escolheram o Podemos"},"content":{"rendered":"\n<p>O Podemos espanhol come\u00e7a a assemelhar-se a outras coisas j\u00e1 vistas, nomeadamente com o Syriza grego: partidos que cavalgam movimentos sociais inorg\u00e2nicos, constru\u00eddos \u00e0 volta de uma figura intensamente promovida mediaticamente, com o r\u00f3tulo de \u201cradicais\u201d e exteriores ao \u201csistema\u201d, mas que o mesmo \u201csistema\u201d acarinha e coopta. Partidos que s\u00e3o contra \u201cos Partidos e contra \u201cas ideologias\u201d. E cujas propostas \u201cradicais\u201d se v\u00e3o diluindo \u00e0 medida que lhes acenam com a proximidade do poder.<\/p>\n<p><em>\u201cNada revive o passado com tanta for\u00e7a como um odor ao qual esteve alguma vez associado.\u201d (Vladimir Nabokov)<\/em><\/p>\n<p><strong>1.- O rastilho, a gasolina e o fogo:<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s vezes somos tentados a bater com a cabe\u00e7a na parede quando observamos o modo simplista com que muita gente se limita a n\u00e3o descortinar a realidade social, econ\u00f3mica e pol\u00edtica espanholas mais al\u00e9m de onde chega a ponta do seu nariz. Fa\u00e7am o exerc\u00edcio de olhar o referido ap\u00eandice e comprovar\u00e3o que aquilo que Valle Incl\u00e1n fazia dizer a um Max Estrella b\u00eabado \u00e9 muito certo: \u201cOs her\u00f3is cl\u00e1ssicos reflectidos em espelhos c\u00f4ncavos d\u00e3o o Esperpento. O sentido tr\u00e1gico da vida espanhola apenas pode apresentar-se por meio de uma est\u00e9tica sistematicamente deformada.\u201d<\/p>\n<p>A realidade da sociedade espanhola j\u00e1 n\u00e3o passa nem pelo olhar cr\u00edtico da selvagem explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e pela penosa situa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de desempregados &#8211; isso importa pouco no ru\u00eddo nacional desde h\u00e1 anos -, nem sequer pela mais comedida cr\u00edtica da crescente desigualdade ou pela vis\u00e3o das limita\u00e7\u00f5es das liberdades por parte de um governo liberticida e criminoso que est\u00e1 a criar um Estado totalit\u00e1rio de direito, nem t\u00e3o pouco por esse mesmo governo que encara o processo soberanista da Catalunha a partir da perspectiva do louco ao qual pouco importa o choque dos comboios desde que a outra parte fracasse e isso lhe d\u00ea votos do lado de c\u00e1 do Ebro.<\/p>\n<p>N\u00e3o. A \u00fanica coisa que parece acender a raiva nacional \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o, evidentemente apenas dos pol\u00edticos que foram corrompidos e n\u00e3o daqueles que os compraram, os seus corruptores: o apodrecido empresariado deste pa\u00eds que, atendendo \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de classe, n\u00e3o ignora que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00f3leo que lubrifica a engrenagem deste sistema econ\u00f3mico ao qual quase ningu\u00e9m parece opor-se.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma atitude de sucesso. Parece que apenas \u00e9 indecente o corrupto pol\u00edtico mas que quem compra esse pol\u00edtico deve sair quase sempre ileso. A corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica est\u00e1 associada a centenas de pessoas mas o corruptor econ\u00f3mico tem apenas um nome, \u201ca doutrina Bot\u00edn\u201d e voc\u00eas j\u00e1 sabem como aquilo acabou. A ideologia dominante leva a que o pessoal queira triunfar a qualquer pre\u00e7o dentro da iniciativa privada.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 a luz ofuscante que encobre qualquer outra realidade nacional: a pobreza de milh\u00f5es de espanh\u00f3is, o subs\u00eddio de desemprego esgotado por tanto trabalhador quarent\u00e3o ou cinquent\u00e3o que j\u00e1 ficou definitivamente desprovido de futuro, os filhos dos filhos do desamparo que n\u00e3o s\u00e3o universit\u00e1rios amplamente preparados e n\u00e3o ter\u00e3o oportunidades de sair para o estrangeiro porque n\u00e3o adquiriram t\u00edtulo acad\u00e9mico, nem sabem outras l\u00ednguas sen\u00e3o a pr\u00f3pria, nem tiveram sequer a possibilidade de conhecer por uma primeira vez na sua vida o que \u00e9 essa coisa chamada trabalho.<\/p>\n<p>A realidade nacional tem na corrup\u00e7\u00e3o o rastilho da raiva colectiva. E na demagogia que a converte em quase o \u00fanico problema de que o pa\u00eds padece encontra a gasolina que faz de acelerador do inc\u00eandio. No ambiente de taberna dos meios de manipula\u00e7\u00e3o (mass media e redes sociais) o fogo que liga com as anteriores. O que fica menos \u00e0 vista \u00e9 a m\u00e3o dos poderes f\u00e1cticos que maneja o rastilho incendi\u00e1rio: o poder econ\u00f3mico em primeiro lugar e outros que seguramente n\u00e3o s\u00e3o j\u00e1 a Igreja nem o ex\u00e9rcito porque perderam influ\u00eancia na pir\u00e2mide do pr\u00f3prio poder mas que constituem a m\u00e3o invis\u00edvel que embala o ber\u00e7o. Deixo a sua identifica\u00e7\u00e3o ao vosso crit\u00e9rio.<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o que, sendo os principais partidos t\u00e3o sol\u00edcitos na hora de cumprir os menores desejos do capital, n\u00e3o se tenha at\u00e9 ao momento produzido uma reivindica\u00e7\u00e3o imperativa de limpeza da corrup\u00e7\u00e3o e esta n\u00e3o tenha sido levada a cabo. Talvez se tenha que procurar uma parte da explica\u00e7\u00e3o no pestilento odor que a CEOE e a AEB emanam e no car\u00e1cter de isco &#8211; leia-se engodo, reclame &#8211; da corrup\u00e7\u00e3o, capaz de ocultar o resto dos problemas colectivos.<\/p>\n<p><strong>2.- Um olhar sobre o passado recente:<\/strong><\/p>\n<p>Algum tempo antes daquilo que logo foi apelidado de 15M, o mainstream em que este movimento foi desenhado exprimiu-se claramente quanto aos seus objectivos (1): eram constituintes\/substituintes do regime de partidos imperante, um sai tu para me dares o lugar; negadores da representa\u00e7\u00e3o, sempre que n\u00e3o fosse a sua; partid\u00e1rias do Estado m\u00ednimo e do \u201cempoderamento cidad\u00e3o\u201d, uma categoria que, \u00e0 margem do movimento feminista de que \u00e9 origin\u00e1ria, foi historicamente promovida pelas ag\u00eancias ianques de inger\u00eancia, disfar\u00e7adas de ONGs, na sua luta por colonizar grupos sociais para os afastar de posi\u00e7\u00f5es que tivessem a ver com a luta de classes. Em nenhum momento se questionava nem o sistema capitalista nem o de rela\u00e7\u00f5es laborais ou sociais de produ\u00e7\u00e3o. Muito pelo contr\u00e1rio. Tratava-se de fazer da pol\u00edtica o idiota \u00fatil que permitisse que o sistema econ\u00f3mico em que o Tea Party indignado espanhol acreditava marchasse sobre esferas.<\/p>\n<p>O que lhe interessava, como agora sucede com Podemos, era a quest\u00e3o das listas, elei\u00e7\u00f5es, maiorias, mudan\u00e7as de caras governantes e, sobretudo, das cr\u00edticas ao sistema de representa\u00e7\u00e3o e aos representantes existentes. J\u00e1 ent\u00e3o, em 2010 (2), o apelidavam de casta. Mas quem empregava essa linguagem eram a direita e a extrema-direita espanholas. Por muito que houvesse antecedentes mais remotos na acep\u00e7\u00e3o do termo, n\u00e3o os procurem em P\u00e9rez Gald\u00f3s para quem a express\u00e3o nunca chegou a ser um mantra na sua ideologia republicana. Se desejam antecedentes do termo menos contempor\u00e2neos do que o de h\u00e1 quatro anos, busquem-nos na Europa de entre guerras e nos movimentos ascendentes que levaram \u00e0 II Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Entre os pais ideol\u00f3gicos menos conhecidos do 15M a palavra sistema adquiria o mesmo significado que teve na altura para um sujeito como Mario Conde: limitava-se apenas a certas coniv\u00eancias entre o sistema pol\u00edtico e o empresarial-financeiro. Mas o problema n\u00e3o era o sistema econ\u00f3mico, mas o demasiado poder que o sistema pol\u00edtico tinha, e isso tinha que ser \u201ccorrigido\u201d. Em nenhum caso se questionava o capitalismo entendido globalmente. A coisa viria a abrir espa\u00e7o aos aventureiros da ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>E chegou o 15M assumindo toda a parafern\u00e1lia ideol\u00f3gica previamente criada, e acrescentando uma horizontalidade negada na cafeteria da frente da assembleia de turno pelo comit\u00e9 de espertos e pela wikidemocracia 2.0, de onde logo nasceriam o partido, o Partido da Internet, o Partido X e Podemos, entre outras genialidades.<\/p>\n<p>No mundo da classe media e do aspirante sem classe a criar um nicho em tal espa\u00e7o, a sua guerra era virtualmente uma \u201c\u00e1gora\u201d &#8211; express\u00e3o grega que n\u00e3o apenas alude \u00e0 pra\u00e7a como espa\u00e7o de actividade pol\u00edtica mas tamb\u00e9m ao com\u00e9rcio e \u00e0 economia- na qual qualquer disparate podia alcan\u00e7ar n\u00edveis de categoria te\u00f3rica: inclusividade, inimigo o governo, n\u00e3o o capital, e limita\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica econ\u00f3mica aos bancos a partir de um discurso de cliente, que capturaria os desalojados desviando as suas cr\u00edticas do capitalismo e das suas crises para a simplista ideia da vigarice.<\/p>\n<p>Este conceito de vigarice conduziu a uma vis\u00e3o da crise capitalista como conspira\u00e7\u00e3o mundial \u201cdos poderosos\u201d, desdenhando a realidade da que \u00e9 a contradi\u00e7\u00e3o fundamental do capitalismo, o antagonismo entre produ\u00e7\u00e3o colectiva de bens e a apropria\u00e7\u00e3o privada dos lucros, que est\u00e1 na origem tanto das crises econ\u00f3micas c\u00edclicas como das sist\u00e9micas. Os sectores das classes m\u00e9dias afectados em maior ou menor medida pela crise, rejeitaram as quest\u00f5es ideol\u00f3gicas porque, segundo eles, dividiriam um movimento que se tem mostrado incapaz de avan\u00e7ar dentro do seu escudo e de radicalizar a sua cr\u00edtica ao conjuntural num horizonte mais amplo do que o das circunst\u00e2ncias vividas.<\/p>\n<p>Mas o certo \u00e9 que, para n\u00e3o dividir por quest\u00f5es ideol\u00f3gicas o movimento indignado, a consigna de \u201csem bandeiras e sem partidos\u201d, a lengalenga de que as ideologias est\u00e3o superadas e de que las classes sociais s\u00e3o algo difuso que corresponde com uma linguagem do passado, acabou de m\u00e3os dadas com a tese de Fukuyama do fim da hist\u00f3ria e com pensamentos pol\u00edticos de direita, anarcocapitalistas, de liberalismo disfar\u00e7ado de n\u00e3o ideologia e, no melhor dos casos, de solu\u00e7\u00f5es keynesianas que j\u00e1 fracassaram quando foram aplicadas na crise de 29.<\/p>\n<p>Classe, para os vendedores de \u201cdispositivos\u201d neutrais para o protesto colectivo, era um termo proibido porque se assumia que todo o protesto devia representar as classes medias &#8211; seguindo a reaccion\u00e1ria teoria de que no meio est\u00e1 a virtude &#8211; e, por conseguinte, luta de classes era uma express\u00e3o, para al\u00e9m de antiga, tosca, ser\u00f4dia e cheia de ressentimento.<\/p>\n<p>A essa performance jogaram n\u00e3o apenas os evidentes (DRY, 15M, Juventud Sin Futuro e toda o bando de Anonymous e Erasmus fazendo o franchising do 15M e DRY pela Europa fora (na Gr\u00e9cia sa\u00edram-se mal na Pra\u00e7a de Sintagma e a classe trabalhadora helena mandou-os em 2011 pentear macacos) e pelas supostas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. E estas desde antes do primeiro dia (estavam na montagem pr\u00e9via a DRY e tinham gente j\u00e1 instalado no projecto). Refiro-me a Izquierda Unida, Izquierda Anticapitalista, a fauna anarca &#8211; que quando v\u00ea cr\u00edticas \u00e0 autoridade se imagina uma comuna aragonesa -, a mais ampla variedade de pequenos grupos de esquerda mais ou menos radical. Isto sem esquecer as seitas tipo Partido Humanista, os Zeitgeist, Testemunhas de Jeov\u00e1 ou grup\u00fasculos como o MCRC.<\/p>\n<p>O \u201ccomando \u00e0 dist\u00e2ncia\u201d, as \u201cferramentas digitais para a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d (3) n\u00e3o estavam nas pra\u00e7as mas fora de elas, em multimilion\u00e1rios que deram cobertura da Internet \u00e0s acampadas da Puerta del Sol (4), em globalistas cujas entidades ingerencistas proporcionam forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as num movimento supostamente carente de l\u00edderes (5) ou no financiamento de projectos digitais que a Open Society Foundation do magnata e especulador financeiro internacional tem angariado desde h\u00e1 anos para a EDRi (European Digital Rights), organiza\u00e7\u00e3o \u00e0 qual pertencem entre, outras entidades, a Nodo50, um fornecedor de servi\u00e7os de Internet orientado para os movimentos sociais.<\/p>\n<p>As esquerdas foram pescar ao 15M. Pensavam fortalecer-se em milit\u00e2ncia e acabaram \u201cpescando\u201d\u2026o v\u00edrus da cidadanite (os termos oper\u00e1rios e trabalhadores foram desterrados e proscritos da linguagem das esquerdas), o \u00e9bola da democratite e o cancro de um \u201caggiornamento\u201d t\u00e3o moderno, t\u00e3o moderno que, renunciando \u00e0 sua origem em 1917, acabou por regressar a 1789 com toda a bazofia constituinte, esquecendo a luta de classes como motor da historia.<\/p>\n<p>Pois bem, todo aquele descontentamento &#8211; porque apelid\u00e1-lo de mais do que isso seria excessivo &#8211; dado o esfor\u00e7o de umas velhas classes medias que se negavam a morrer e de umas novas que se criam largamente preparadas e tinham uma enorme ambi\u00e7\u00e3o empreendedora, acabou deixando um rasto de inc\u00f3modo ambiental profundo &#8211; s\u00e3o as \u00fanicas classes que os media do capital referem como grandes vitimas da crise \u2013 e misturou-se com o crescente encabrestamento colectivo face \u00e0s pauladas de uns pol\u00edticos que pareciam ser os decisores das desgra\u00e7as colectivas das chamadas classes populares. Evidentemente, a repulsa face ao pol\u00edtico corrupto n\u00e3o teve a sua correspond\u00eancia em rep\u00fadio face ao empres\u00e1rio corruptor. Isso foi desde o princ\u00edpio rejeitado por uma sociedade fortemente direitizada para a qual o capitalista apenas \u00e9 malvado se \u00e9 banqueiro ou se \u00e9 um dos homens mais ricos do mundo. No melhor dos casos a cr\u00edtica ao capitalismo limita-se \u00e0 sede de lucro do capitalista mas n\u00e3o ao sistema de rela\u00e7\u00f5es de desigualdade profunda, \u00e0 injusti\u00e7a de base da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o ou \u00e0 estrutura social que esse mesmo capitalismo gera.<\/p>\n<p>O paradoxo \u00e9 que a crise mais profunda que o capitalismo j\u00e1 viveu na sua historia, com um brutal incremento da pobreza, n\u00fameros do desemprego como n\u00e3o havia mem\u00f3ria, perda galopante de direitos e conquistas sociais da classe trabalhadora significou o refor\u00e7o do capitalismo como \u00fanico horizonte sist\u00e9mico, a viragem da sociedade no sentido de posi\u00e7\u00f5es cada vez mais conservadoras e a aceita\u00e7\u00e3o de facto do modelo liberal como exclusiva alternativa econ\u00f3mica \u201crealista\u201d, a n\u00e3o ser que algu\u00e9m ainda engula que a bazofia da filosofia e da economia do bem comum ou da economia colaborativa, m\u00e1s vers\u00f5es actualizadas das teorias utilitaristas de Bentham y Stuart Mill, t\u00eam algo de revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao vendedor de bancos de tempo, moedas sociais e outras patranhas que pretenda argumentar que no Equador se est\u00e3o guiando pela filosofia e economia do Bem Comum, conv\u00e9m deixar claro que desde h\u00e1 anos o Governo do Presidente Correa n\u00e3o faz outra coisa sen\u00e3o virar \u00e0 direita e no sentido do capital (6). Mas como a economia equatoriana ainda cresce e h\u00e1 pol\u00edticas assistenciais, o protesto tem pouco eco. Quando se esvaziar o bal\u00e3o econ\u00f3mico aqueles que em Espanha a acolheram como modelo e viajam para se fotografar com o actual Presidente repudi\u00e1-lo-\u00e3o como agora fazem com a revolu\u00e7\u00e3o bolivariana, que chegou muito mais longe e em maior profundidade nas suas mudan\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f3micas.<\/p>\n<p><strong>3.-Algo falhou para que n\u00e3o se tenha dado at\u00e9 hoje outro tipo de protesto<\/strong><\/p>\n<p>Os pequeno-burgueses de classe m\u00e9dia, com os seus programas de democracia radical, s\u00e3o dados a dar li\u00e7\u00f5es a quem n\u00e3o as pediu de que os seus estratos sociais s\u00e3o os que buscam aut\u00eanticas mudan\u00e7as e que a classe trabalhadora se aburguesou e acomodou, fal\u00e1cia que esconde o facto de que as classes n\u00e3o s\u00e3o sujeitos hist\u00f3ricos espont\u00e2neos quando carecem de sujeitos pol\u00edticos; isto \u00e9, de organiza\u00e7\u00f5es que representem realmente os seus interesses.<\/p>\n<p>Hoje, entretanto, essa pequena e m\u00e9dia burguesias n\u00e3o s\u00e3o motor de nenhuma revolu\u00e7\u00e3o social, mas de um movimento involutivo cujo alcance se ir\u00e1 vendo no decurso dos pr\u00f3ximos anos. E n\u00e3o o s\u00e3o porque n\u00e3o podem s\u00ea-lo.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o a classe ascendente que mudar\u00e1 a historia mas a descendente que luta por sobreviver no meio da voragem capitalista, sabendo que a direc\u00e7\u00e3o da historia caminha em sentido inverso \u00e0 sua sobreviv\u00eancia como estrato social corta-fogos de uma aut\u00eantica transforma\u00e7\u00e3o social. Quando as classes medias se sentem amea\u00e7adas as suas ac\u00e7\u00f5es caminham na mesma direc\u00e7\u00e3o que na Europa dos anos 30.<\/p>\n<p>O drama para a classe trabalhadora \u00e9 que as esquerdas com algum peso e o sindicalismo que um dia foi de classe se tornaram sist\u00e9micos; quer dizer, parte do sistema. O seu objectivo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 acabar com o capitalismo, nem sequer reform\u00e1-lo. Os partidos autodenominados socialistas &#8211; Manuel Valls, primeiro-ministro do PSF j\u00e1 fala em abandonar a palavra \u201csocialista\u201d no nome do seu partido &#8211; s\u00e3o hoje direita democr\u00e1tica desde que o trabalhismo de Blair e o socialismo do ex. colaboracionista de Vichy, Miterrand, optaram por abrir uma etapa que enterrasse a social-democracia em nome do pragmatismo social-liberal. As esquerdas de matriz comunista, salvo honrosas excep\u00e7\u00f5es, s\u00e3o mera social-democracia cujo \u00fanico objectivo \u00e9 gerir keynesianamente a crise e salvar os restos do naufr\u00e1gio do Estado de Bem-estar, esquecendo cinicamente que o comboio da social-democracia j\u00e1 partiu e que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a social-democracia porque o capitalismo n\u00e3o quer pacto social nenhum.<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno que hoje conhecemos como Podemos vem de h\u00e1 muito tempo sendo adubado por essas \u201cesquerdas\u201d claudicantes que negaram a classe trabalhadora em nome do cidad\u00e3o como sujeito hist\u00f3rico, a luta de classes em nome da escolha da classe media como base social e que abandonaram o horizonte socialista em nome da gest\u00e3o eficaz de um capitalismo de rosto humano e de gerir os sistemas fiscais como meio de realizar pol\u00edticas moderadamente redistributivas num mundo globalizado em que o Estado perdeu os comandos da economia.<\/p>\n<p>As palavras da moda dentro dessas pseudo-esquerdas s\u00e3o \u201creinventar-se\u201d, \u201cmodernizar o discurso\u201d, \u201crefundar-se\u201d; em definitivo, mil eufemismos para tratar de ocultar o que a todos os t\u00edtulos \u00e9 inocult\u00e1vel, que h\u00e1 j\u00e1 muito tempo que deixaram de ser o que ainda dizem que s\u00e3o, quando o ritual eleitoral o exige.<\/p>\n<p><strong>4.- E nisto chegou Podemos, mas quem o trouxe?<\/strong><\/p>\n<p>Podemos trouxe-o a renuncia das esquerdas a cumprir o papel hist\u00f3rico para que nasceram, a ser nesta hora do capitalismo agentes de aut\u00eantica transforma\u00e7\u00e3o social, que se n\u00e3o passa por criar consci\u00eancia de que o capitalismo tem de ser derrubado antes que a sua barb\u00e1rie acabe com a humanidade, n\u00e3o pode passar por nenhum outro sitio porque a via eleitoral e ganhar os governos atrav\u00e9s do voto \u00e9 j\u00e1 uma armadilha eleitoral para ca\u00e7ar elefantes, porque os governos nunca como hoje foram t\u00e3o Conselhos de Administra\u00e7\u00e3o dos interesses da classe burguesa, apesar de Marx o ter dito em 1848. (7)<\/p>\n<p>Podemos trouxe-o todo o discurso antipol\u00edtica, antipartidos (vendeu-se inicialmente como um n\u00e3o-partido, como um movimento e uma iniciativa cidad\u00e3), negador do antagonismo de interesses entre a classe trabalhadora e os capitalistas, negador da luta de classes, negador das ideias de esquerda (\u201cn\u00e3o somos de esquerda nem de direita. Somos os de baixo e vamos tratar dos de cima\u201d), negador da representa\u00e7\u00e3o (at\u00e9 a classe media ter encontrado quem os representasse), negador de \u201ca casta\u201d mas n\u00e3o do capitalismo, rejeitador de designar o seu anti capitalismo de slogan pelo seu nome (socialismo), na base de que \u201cas etiquetas dividem e afugentam as pessoas\u201d e de que \u00e9 uma linguagem \u201cdesfasada\u201d.<\/p>\n<p>Ao Podemos trouxeram-no, tal como ao 15M, os poderes f\u00e1cticos do capitalismo que sabem que, se a crise n\u00e3o traz uma sa\u00edda que acalme as causas do descontentamento e da raiva sociais, de pouco valer\u00e3o as medidas necess\u00e1rias, mas cosm\u00e9ticas por insuficientes, para regenerar o sistema pol\u00edtico pela via da transpar\u00eancia e de uma luta contra a corrup\u00e7\u00e3o cuja bandeira Podemos empunha hoje nominalmente, porque a pobreza, o desemprego, a desigualdade, a desprotec\u00e7\u00e3o social continuar\u00e3o a\u00ed e seguramente crescendo. E ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o valer\u00e1 que a classe media participe nos diferentes formatos de dissid\u00eancia controlada que at\u00e9 agora se v\u00eam sucedendo.<\/p>\n<p>O capitalismo j\u00e1 ungiu Podemos como o seu filho bem-amado do momento, como passo necess\u00e1rio e em previs\u00e3o desse dia em que um hipot\u00e9tico governo de Podemos possa causar desilus\u00e3o, que \u00e9 o que vem quando se acaba a \u201cilus\u00e3o\u201d, e frustra\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 esse o momento em que o cen\u00e1rio pol\u00edtico estar\u00e1 maduro para outros actores pol\u00edticos, quando o discurso social j\u00e1 n\u00e3o se dirija contra uma ou outra representa\u00e7\u00e3o concretas, contra partidos determinados, mas contra todo o sistema democr\u00e1tico formal e que o que se reivindique aos gritos seja um caudilho que acabe com todos os pol\u00edticos e decida por todos. Nos tiques autorit\u00e1rios e messi\u00e2nicos do macho alfa j\u00e1 se adivinha um futuro mais al\u00e9m da configura\u00e7\u00e3o actual de Podemos.<\/p>\n<p>Estamos assistindo \u00e0 farsa de uma nova transi\u00e7\u00e3o gattopardiana na qual se aparenta demolir todo o edif\u00edcio quando, na realidade, apenas assistimos ao remo\u00e7ar da fachada com novas molduras, baixos-relevos e saneamento do p\u00f3rtico do Congresso da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>5.- Mas \u00bfporque digo que Podemos foi o capital que o trouxe?<\/strong><\/p>\n<p>Na realidade, o que estou a dizer \u00e9 que o capital j\u00e1 votou, que os capitalistas optaram e escolheram Podemos como a sua melhor op\u00e7\u00e3o de momento, dentro de que tudo se move muito depressa nesta crise, de que o capitalismo nunca disp\u00f4s de solu\u00e7\u00f5es definitivas mas que tem vindo a aplicar remendos em andamento.<\/p>\n<p>\u00bfAcreditam que se o senhor Pablo Iglesias fosse um perigoso bolivariano, ou mais, um marxista-leninista cl\u00e1ssico, um perigoso anti-sistema, como afirma a Brunete medi\u00e1tica, a televis\u00e3o Intereconom\u00eda teria contado com ele durante todo um ano desde 2013, sendo esta a primeira a dar-lhe o baptismo da TDT?<\/p>\n<p>\u00bfAcreditam acaso que os senhores Iglesias, Monedero, Errej\u00f3n e, em menor medida Alegre ou a senhora Bescansa saltam continuamente e sem parar de plateau em plateau de televis\u00e3o, como s\u00edmios de liana em liana, porque Podemos d\u00e1 audi\u00eancia \u00e0s televis\u00f5es, como respondeu o senhor Iglesias ao senhor \u00c9vole no seu programa \u201cSalvados\u201d? N\u00e3o estou a negar que possa d\u00e1-la mas, em primeiro lugar, quando La Sexta e o jornal P\u00fablico lan\u00e7aram Pablo Iglesias para o estrelato este n\u00e3o era precisamente algu\u00e9m muito conhecido que pudesse dar \u00e0s televis\u00f5es grande audi\u00eancia. E em segundo e principal lugar \u00bfAcaso s\u00e3o t\u00e3o ing\u00e9nuos que cr\u00eaem que os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o empresas capitalistas que t\u00eam entre os seus accionistas bancos e outras corpora\u00e7\u00f5es n\u00e3o medi\u00e1ticas? \u00bfCr\u00eaem na verdade que se o capital estivesse minimamente preocupado com Podemos ia dar-lhe uma exposi\u00e7\u00e3o t\u00e3o impressionante que quase supera a soma do tempo concedido a todos os demais partidos, sem ter mais do que 5 eurodeputados e nem um s\u00f3 ainda no Congresso dos Deputados? \u00bf Cr\u00eaem na verdade que os capitalistas iam fazer hara-kiri para ganhar audi\u00eancia? \u00a1Gente, por favor! Deixem em paz as pastilhas da avozinha.<\/p>\n<p>Analisemos como mudou Podemos desde as elei\u00e7\u00f5es europeias at\u00e9 hoje:<\/p>\n<p>a) Come\u00e7ou assegurando que os C\u00edrculos eram a base do poder cidad\u00e3o e que compatibilizariam a efic\u00e1cia da organiza\u00e7\u00e3o do seu movimento com a horizontalidade e a democracia de assembleias e acabou registando-se como partido pol\u00edtico no Minist\u00e9rio do Interior com a cara de Pablo Iglesias nos boletins de voto e criando um partido vertical, com secretario geral-porta-voz (PIT, que n\u00e3o Brad) e deixando aos C\u00edrculos a m\u00ednima autonomia poss\u00edvel, ou seja, a de aplicar o que decida o Conselho de Coordena\u00e7\u00e3o de Podemos.<\/p>\n<p>b) Come\u00e7ou proclamando um difuso republicanismo (o importante era que a cidadania decidisse, mais do que a forma de governo em s\u00ed), mas em Madrid n\u00e3o os vimos nas manifesta\u00e7\u00f5es realizadas ap\u00f3s a abdica\u00e7\u00e3o de Juan Carlos I, para passar mais tarde a declarar que n\u00e3o veriam inconveniente em aceitar a actual bandeira vermelha e amarela (ser\u00e1 por aquilo de a I Rep\u00fablica, mas n\u00e3o a II, a ter mantido) ou as declara\u00e7\u00f5es do senhor Iglesias de que \u201ca rainha Letizia tem interesse em conhecer-me\u201d \u00bfSer\u00e1 porque o seu ex. marido simpatiza com Podemos ou porque a sua tia Henar Ort\u00edz, processada por desvio de fundos, \u00e9 do C\u00edrculo Podemos de Cangas de Onix? A continuar esta progress\u00e3o vejo o \u201crepublicano\u201d cidad\u00e3o Iglesias emparentando com a Fam\u00edlia Real. Ficaria bem de pajem nas fotos.<\/p>\n<p>c) Come\u00e7ou por oferecer o \u201cdireito a um Rendimento B\u00e1sico para todos os cidad\u00e3os pelo mero facto de o serem\u201d (8) no seu programa para as elei\u00e7\u00f5es europeias e acabou por distinguir entre direito e recebedores nas palavras da senhora Bescansa &#8211; a que diz que os empres\u00e1rios deste pa\u00eds s\u00e3o gente honrada e que o aborto n\u00e3o \u00e9 um tema que construa pot\u00eancia pol\u00edtica &#8211; e com anteced\u00eancia de PIT, que n\u00e3o Brad. O car\u00e1cter do Rendimento B\u00e1sico Universal (assim se denomina no logotipo de Podemos no Facebook. Acabar\u00e3o por o mudar) n\u00e3o d\u00e1 lugar a equ\u00edvocos: o rendimento b\u00e1sico para todos ou universal \u00e9-o porque se trata de um direito que opera positivamente, isto \u00e9, que \u00e9 recebido por toda a gente. Quando n\u00e3o \u00e9 universal \u00e9 um rendimento de inser\u00e7\u00e3o id\u00eantico ao que o PSOE apresentou h\u00e1 dois anos no Congresso e que Pedro S\u00e1nchez actualmente defende. \u00a1Veja-se, Podemos convertido num PSOE bis como o de \u201cOTAN de entrada n\u00e3o\u201d! Por certo, a recusa de Podemos Rota em participar na marcha contra a presen\u00e7a da Base Naval da OTAN nesta localidade \u00e9 bastante esclarecedora acerca do que h\u00e1 a esperar desta \u201cgente\u201d (9) Sugiro-lhes que leiam detidamente as raz\u00f5es de Podemos na referida localidade para n\u00e3o secundar a marcha.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 quest\u00e3o do Rendimento B\u00e1sico para Todos e \u00e0 mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o de Podemos relativamente \u00e0 mesma: \u00bfter\u00e1 algo a ver com o facto de uma das novas contrata\u00e7\u00f5es estrela de Podemos para a \u00e1rea econ\u00f3mica ser o inconfesso keynesiano Juan Torres, que h\u00e1 um ano escreveu na sec\u00e7\u00e3o de Andaluzia de El Pa\u00eds uma cr\u00edtica feroz contra a proposta de Rendimento B\u00e1sico para a Andaluzia que a Esquerda Unida tinha apresentado? (10)<\/p>\n<p>d) Podemos come\u00e7ou dizendo que se o Governo suspendesse o referendo soberanista na Catalunha, que agora a Generalitat transformou em consulta n\u00e3o vinculante e n\u00e3o convocada por meios escritos, apelaria \u00e0 desobedi\u00eancia civil mas no passado dia 23 de Outubro o senhor \u00ef\u00f1igo Errej\u00f3n afirmava que \u201cA decis\u00e3o do caso catal\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas catal\u00e3 mas de todos os espanh\u00f3is\u201d (11) \u00bfSoa-lhes bem isto? \u00c9 a cantilena que Rajoy e o PP v\u00eam repetindo todos os dias desde antes da convocat\u00f3ria do citado referendo. \u00bfPodemos Catalunha disse recentemente outra coisa? Pode dizer missa em latim, porque quem manda em Podemos \u00e9 PIT o macho alfa. \u00bfOu \u00e9 que o v\u00e3o desafiar? De momento, n\u00e3o convocaram nenhuma desobedi\u00eancia civil nas ruas, a n\u00e3o ser que entendam, como o senhor Junqueras, que desobedi\u00eancia civil \u00e9 acorrer ao 9-N para votar. \u00c9 terr\u00edvel o car\u00e1cter insubmisso e insurgente de Podemos. \u00a1Uyyyy, que medo!\u2026 me d\u00e3o estes \u201cpatriotas\u201d espanhola\u00e7os.<\/p>\n<p>e) Podemos come\u00e7ou proclamando no seu Manifesto as suas posi\u00e7\u00f5es relativamente \u00e0 auditoria cidad\u00e3 da d\u00edvida \u201cMovimentar as pe\u00e7as: converter a indigna\u00e7\u00e3o em mudan\u00e7a pol\u00edtica\u201d em que afirmava \u201cH\u00e1 que revogar o artigo 135 da Constitui\u00e7\u00e3o espanhola e [exercer] uma morat\u00f3ria para levar a cabo uma auditoria cidad\u00e3 da d\u00edvida que determine que partes da mesma n\u00e3o s\u00e3o leg\u00edtimas; as d\u00edvidas ileg\u00edtimas n\u00e3o se pagam.\u201d (12) Passou a falar de uma \u201cauditoria p\u00fablica\u201d, que n\u00e3o \u00e9 o mesmo que \u201cauditoria cidad\u00e3\u201d porque o sujeito auditor muda, e a substituir a express\u00e3o \u201cas d\u00edvidas ileg\u00edtimas n\u00e3o se pagam\u201d por \u201creestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida\u201d, termo muito do agrado dos econ\u00f3metras que falam para n\u00e3o dizer nada, e que significa que podes organizar e remodelar a d\u00edvida tudo o que queiras mas que quanto a pagar a pagas na \u00edntegra. Est\u00e1 claro que o efeito Tsipras, ou Gonz\u00e1lez de 82, \u00e9 igual \u2013 viro \u00e0 direita conforme me aproximo das expectativas de governo &#8211; cala fundo no Podemos. D\u00e3o-se um banho de \u201crealismo pol\u00edtico\u201d, que n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um vergonhoso possibilismo reformista. Negociar\u00e3o e assinar\u00e3o o que o capital lhes ponha \u00e0 frente, com ou sem artigo 135 da Constitui\u00e7\u00e3o, que aposto a barba em como nem sequer nesse ponto reformam.<\/p>\n<p>Estas mudan\u00e7as em apenas uns poucos meses, n\u00e3o j\u00e1 sem chegar ao poder mas mesmo sem ter tirado ainda um s\u00f3 ticket para a Carrera de San Jer\u00f3nimo [Congresso dos Deputados]. Imagine-se se chegassem ao Governo. At\u00e9 o bolo-Rei que adoptaram por logotipo mudavam.<\/p>\n<p>Bom, isso n\u00e3o, que n\u00e3o os vejo muito republicanos \u00bfSurpreende-vos que diga que Podemos \u00e9 a aposta actual do capital? \u00bfSim, surpreende-vos?<\/p>\n<p>Bem, continuemos.<\/p>\n<p>\u00bfRecordam em alguma altura durante o passado 2013, quando foram divulgadas sondagens da Metroscopia (El Pa\u00eds) que apontavam para um not\u00e1vel incremento do voto na IU, que isso fosse destacado com a insist\u00eancia e o n\u00edvel de difus\u00e3o com que se t\u00eam vindo a dar a conhecer as que apontavam para avan\u00e7os de Podemos ap\u00f3s as europeias?<\/p>\n<p>Bastou que se \u201cfiltrasse\u201d na altura que Podemos aparecia j\u00e1 nas sondagens de Metroscopia, nas respostas abertas, dentro da sec\u00e7\u00e3o \u201coutro partido\u201d, para que El Pa\u00eds passasse de ignorar Podemos a trat\u00e1-lo como uma for\u00e7a pol\u00edtica a ter em conta. Apesar dos artigos cr\u00edticos de Antonio Elorza sobre Podemos e de que El Pa\u00eds informasse sobre um sinal de rebeli\u00e3o em Junho passado nos C\u00edrculos madrilenos deste partido, o grupo Prisa prontamente derramaria sobre ele a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, em forma enc\u00edclica-editorial. Com efeito, o editorial do jornal madrileno de 19 de Setembro n\u00e3o deixava lugar a d\u00favidas, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio t\u00edtulo \u201cBem-vindos ao sistema\u201d (13). E o seu subt\u00edtulo era ainda mais clarificador: \u201cPodemos merece a oportunidade de defender o seu projecto, sempre que respeite a democracia\u201d.<\/p>\n<p>O que El Pa\u00eds estava fazendo em ambos era n\u00e3o uma subtil maldade mas amparar o seu pintainho. Este \u00e9 o di\u00e1rio m\u00e1s lido entre aqueles que expressam inten\u00e7\u00e3o de voto em Podemos e o media conhece muito bem a ideologia dos seus leitores. N\u00e3o est\u00e1 a vender jornais mas a detectar o que h\u00e1 a esperar da nova forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>E se restassem d\u00favidas acerca da postura em rela\u00e7\u00e3o a Podemos do principal di\u00e1rio defensor do regime econ\u00f3mico capitalista espanhol, as palavras do decano do \u201cjornalismo respeit\u00e1vel\u201d, senhor Gabilondo, acabariam por as clarificar na sua homilia em forma de videoblog de 16 de Outubro na qual critica o silenciamento e a caricaturiza\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do senhor Iglesias sob o t\u00edtulo de \u201cPodemos, um respeito\u201d(14) Podemos j\u00e1 havia alcan\u00e7ado a grave responsabilidade que Pablo Iglesias exprimia em palavras suas quando afirmava h\u00e1 apenas alguns dias: \u201cPassei de provocador \u00e0 responsabilidade de Estado\u201d.<\/p>\n<p>O burgu\u00eas gentil-homem atingiu a maioridade &#8211; perder\u00e1 a sua cabeleira, como Sans\u00e3o, e acabar\u00e1 como eunuco pol\u00edtico -, convertendo-se o pir\u00f3mano (nunca o foi) de incendi\u00e1rio em bombeiro\u2026toureiro.<\/p>\n<p>\u00bfCompreendem agora porque \u00e9 que o senhor PIT, que n\u00e3o Brad, fez a sua apresenta\u00e7\u00e3o no Hotel Ritz (navio-almirante da plutocracia) para falar no F\u00f3rum Nova Economia. Ia apresentar as suas credenciais de novo parvenu no clube dos que comem na m\u00e3o dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Hoje, segunda-feira 3 de Novembro, Cayo Lara, Coordenador de IU, fez o que tinha a fazer. Isto para aqueles que afirmam que perten\u00e7o \u00e0 casta por criticar Podemos e que sou da IU. Defendi em tempos a IU e o seu Coordenador. \u00c0 primeira por ser nela que persistem os \u00faltimos restos do fio vermelho que n\u00e3o deve perder-se nas lutas sociais e ao segundo pela sua honestidade pessoal e pelo seu empenho em manter o dito fio vermelho e n\u00e3o renunciar \u00e0 mem\u00f3ria do que em tempos foi uma organiza\u00e7\u00e3o na qual ser-se marxista merecia respeito. Pelo que vou vendo na deriva de IU com Ganemos, uma esp\u00e9cie de Podemos em ponto pequeno que em muitos lugares praticar\u00e1 o \u201cconfluying\u201d com estes \u00faltimos, o meu afastamento da IU \u00e9 cada vez maior. Nego-me a avalizar com o meu voto qualquer tipo de pacto secreto entre a companheira de Pablo Iglesias Tania S\u00e1nchez para a Comunidade Aut\u00f3noma de Madrid e Monedero para alcalde, com um sujeito t\u00e3o inapresent\u00e1vel como \u00c1ngel P\u00e9rez para senador (15). Na minha dignidade e no meu voto mando eu.<\/p>\n<p>\u00bfRecordam quando o CIS deixou de perguntar pela Monarquia porque a sua imagem se havia deteriorado enormemente com os esc\u00e2ndalos de saias, cornos, saltos de tigre, ca\u00e7as de elefantes e corrup\u00e7\u00f5es? Pois houve v\u00e1rias das suas sondagens em que n\u00e3o houve perguntas sobre a mesma. \u00bfAcreditam que se Podemos fosse realmente um perigo para o sistema estas sondagens n\u00e3o teriam sido cozinhadas de um modo menos favor\u00e1vel para o dito partido? Pelo contr\u00e1rio, primeiro filtrou-se o dado que o situava em primeira posi\u00e7\u00e3o nas inten\u00e7\u00f5es de voto, depois Metroscopia ratificou-o, depois passeou-se por todas as televis\u00f5es e pelo resto dos media para ir acostumando o votante a aceitar e refor\u00e7ar os dados; refor\u00e7o que em pol\u00edtica se parece muito com o que realiza o adepto de futebol n\u00e3o catal\u00e3o (este \u00e9 muito mais fiel ao seu clube), que muda as suas prefer\u00eancias entre o Bar\u00e7a, o Real Madrid e inclusivamente o Atl\u00e9tico de Madrid conforme vai o campeonato.<\/p>\n<p>H\u00e1 uns dias conheci numa aldeia da serra de Madrid um jovem hoteleiro h\u00e1 muitos anos filiado no PP, que me disse que ia votar Podemos porque este ia ganhar. Depois esclareceu que a raz\u00e3o era estar farto da corrup\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos. Este jovem \u00e9 como Leonor Watling que afirma: \u201ccompartilho ideias com o PP e com o Podemos\u201d (16). N\u00e3o me surpreende. \u00c9 o que t\u00eam os partidos nem de direita nem de esquerda, que no seu empoderamento todo-o-terreno entontecem o pessoal. N\u00e3o tenho melhor imagem de muitos votantes, especialmente daqueles que, quando argumentas o que \u00e9 Podemos na realidade, te perguntam em quem votar ent\u00e3o. Tanto lhes faz que lhes digas que hoje o espa\u00e7o eleitoral \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o sem carris porque ganhar umas elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o serve de nada se n\u00e3o se derruba o poder econ\u00f3mico do sistema, que isso n\u00e3o se faz com decretos-lei nem com acordos parlamentares mas \u00e0 bruta e que, se mesmo assim querem votar, que olhem para a sua esquerda. Eles, tal como o capital, j\u00e1 optaram, ou este \u00faltimo convenceu-os de que est\u00e3o a optar e decidiram que n\u00e3o suportam o horror do vazio. T\u00eam obstina\u00e7\u00e3o eleitoral e entre quem os rouba e quem os engana decidiram pelos que os enganam, como se a \u00fanica op\u00e7\u00e3o apenas fosse ficar manco ou coxo.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 sist\u00e9mica e de que se acomoda ao governo de turno porque \u00e9 o modo de funcionamento actual do capitalismo: o da Mafia. \u00bfOu acreditam que as propostas da Transpar\u00eancia Internacional de regular os l\u00f3bis s\u00e3o algo diferente de legalizar a corrup\u00e7\u00e3o de modo que j\u00e1 n\u00e3o exista como delito porque tem um amparo legal? As limpezas t\u00eam que ser peri\u00f3dicas, com sacudidelas, grande dota\u00e7\u00e3o de meios para os ju\u00edzes e os inspectores das finan\u00e7as e actuando em duas frentes: a pol\u00edtica e a econ\u00f3mica. O resto, entretenimento para tontos.<\/p>\n<p>Como entre os programas de \u201cS\u00e1lvame\u201d e as entrevistas de \u201cSalvados\u201d o sentido cr\u00edtico foi anulado ou redirigido, quase ningu\u00e9m em Espanha parece conhecer ou recordar-se de algo que h\u00e1 uns dias me assinalava Pedro Garc\u00eda Bilbao: a semelhan\u00e7a entre a utiliza\u00e7\u00e3o que a corrup\u00e7\u00e3o tem hoje em Espanha e a que teve h\u00e1 apenas 20 anos em It\u00e1lia com o assunto Tangent\u00f3poli e os ju\u00edzes de M\u00e3os Limpas (Mani Pulite). Por certo, um \u201csindicato\u201d de extrema-direita espanhol designa-se assim e apresenta-se em todos os casos de corrup\u00e7\u00e3o de alta resson\u00e2ncia medi\u00e1tica. Talvez haja que procurar nesse grupo e noutros parecidos o elenco que venha depois de Podemos. Mas entretanto, \u00bfsabem quem chegou depois de Tangentopoli em It\u00e1lia? O amigo Berlusconi.<\/p>\n<p><em>NOTAS:<\/em><\/p>\n<p><em> <\/p>\n<p>(1) <a href=\"http:\/\/www.elsemanaldigital.com\/blog.asp?idarticulo=110339&amp;cod_aut=\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elsemanaldigital.com\/blog.asp?idarticulo=110339&amp;cod_aut=<\/a><\/p>\n<p>(2) <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=sLYZ-ioX8GA&amp;list=PL1CABF0E9DDFEC074\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=sLYZ-ioX8GA&amp;list=PL1CABF0E9DDFEC074<\/a><\/p>\n<p>(3) <a href=\"https:\/\/n-1.cc\/file\/download\/233173\" target=\"_blank\">https:\/\/n-1.cc\/file\/download\/233173<\/a> e tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/marat-asaltarloscielos.blogspot.com.es\/2011\/06\/en-democracia-real-ya-siguen-sin.html\" target=\"_blank\">http:\/\/marat-asaltarloscielos.blogspot.com.es\/2011\/06\/en-democracia-real-ya-siguen-sin.html<\/a><\/p>\n<p>(4) <a href=\"http:\/\/spanish.martinvarsavsky.net\/general\/ofreciendo-wifi-a-la-spanishrevolution.html\" target=\"_blank\">http:\/\/spanish.martinvarsavsky.net\/general\/ofreciendo-wifi-a-la-spanishrevolution.html<\/a><\/p>\n<p>(5) <a href=\"http:\/\/marat-asaltarloscielos.blogspot.com.es\/2012\/06\/vinculos-entre-globalistas-y-mundo.html\" target=\"_blank\">http:\/\/marat-asaltarloscielos.blogspot.com.es\/2012\/06\/vinculos-entre-globalistas-y-mundo.html<\/a><\/p>\n<p>(6) <a href=\"https:\/\/www.diagonalperiodico.net\/global\/24184-interminable-viaje-la-derecha-rafael-correa.html\" target=\"_blank\">https:\/\/www.diagonalperiodico.net\/global\/24184-interminable-viaje-la-derecha-rafael-correa.html<\/a> Diagonal \u00e9 um media muito pr\u00f3ximo do 15M e de Podemos e o autor deste artigo, Decio Machado, foi assessor pessoal do Presidente Correa. Nada suspeita, pois, a fonte de bolchevismo e irredut\u00edvel e \u201cantiquado\u201d comunismo.<\/p>\n<p>(7) \u201cO Manifesto Comunista\u201d. K. Marx e F. Engels<\/p>\n<p>(8) <a href=\"http:\/\/podemos.info\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Programa-Podemos.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/podemos.info\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Programa-Podemos.pdf<\/a><\/p>\n<p>(9) <a href=\"http:\/\/rotaaldia.com\/not\/12686\/podemos-rota-rechaza-la-invitacion-a-participar-en-la-marcha-contra-la-base-naval\/\" target=\"_blank\">http:\/\/rotaaldia.com\/not\/12686\/podemos-rota-rechaza-la-invitacion-a-participar-en-la-marcha-contra-la-base-naval\/<\/a><\/p>\n<p>(10) <a href=\"http:\/\/ccaa.elpais.com\/ccaa\/2013\/12\/05\/andalucia\/1386274193_418617.html\" target=\"_blank\">http:\/\/ccaa.elpais.com\/ccaa\/2013\/12\/05\/andalucia\/1386274193_418617.html<\/a><\/p>\n<p>(11) <a href=\"http:\/\/www.elsingular.cat\/cat\/notices\/2014\/10\/podemos_com_el_pp_la_decisio_sobre_el_cas_catala_no_es_sols_catalana_tambe_es_espanyola_104012.php\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elsingular.cat\/cat\/notices\/2014\/10\/podemos_com_el_pp_la_decisio_sobre_el_cas_catala_no_es_sols_catalana_tambe_es_espanyola_104012.php<\/a><\/p>\n<p>(12) <a href=\"http:\/\/www.anticapitalistes.net\/spip.php?article4575\" target=\"_blank\">http:\/\/www.anticapitalistes.net\/spip.php?article4575<\/a><\/p>\n<p>(13)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/elpais.com\/elpais\/2014\/09\/18\/opinion\/1411066185_286642.html\" target=\"_blank\">http:\/\/elpais.com\/elpais\/2014\/09\/18\/opinion\/1411066185_286642.html<\/a><\/p>\n<p>(14) <a href=\"http:\/\/blogs.elpais.com\/la-voz-de-inaki\/2014\/10\/podemos-un-respeto.html\" target=\"_blank\">http:\/\/blogs.elpais.com\/la-voz-de-inaki\/2014\/10\/podemos-un-respeto.html<\/a><\/p>\n<p>(15) <a href=\"http:\/\/marat-asaltarloscielos.blogspot.com.es\/2014\/09\/converger-no-es-follarse-la-democracia.html\" target=\"_blank\">http:\/\/marat-asaltarloscielos.blogspot.com.es\/2014\/09\/converger-no-es-follarse-la-democracia.html<\/a><\/p>\n<p>(16) <a href=\"http:\/\/www.diariovasco.com\/gente-estilo\/201411\/01\/comparto-ideas-podemos-20141101001151-v.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.diariovasco.com\/gente-estilo\/201411\/01\/comparto-ideas-podemos-20141101001151-v.html<\/a><\/p>\n<p> <\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Fonte: La Haine<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nMarat\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7201\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[97],"tags":[],"class_list":["post-7201","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c110-espanha"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1S9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7201","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7201\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}