{"id":7207,"date":"2014-12-02T23:13:33","date_gmt":"2014-12-02T23:13:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7207"},"modified":"2017-08-25T00:59:59","modified_gmt":"2017-08-25T03:59:59","slug":"mauro-iasi-infelizmente-segundo-governo-dilma-sera-bem-mais-conservador-que-o-primeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7207","title":{"rendered":"Mauro Iasi: \u201cInfelizmente, segundo governo Dilma ser\u00e1 bem mais conservador que o primeiro\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Entrevista com Mauro Iasi feita pelo Correio da Cidadania sobre a guinada a direita nas ultimas gest\u00f5es do PT (com Dilma Roussef), sobretudo no mandato que se avizinha.<\/strong><\/p>\n<p>O ano est\u00e1 acabando, mas, contrariando a tradi\u00e7\u00e3o, o Brasil n\u00e3o vive clima de fim de expediente, ap\u00f3s uma das temporadas mais agitadas da hist\u00f3ria recente. Ao passo que os esc\u00e2ndalos na Petrobras e as pris\u00f5es de executivos de empreiteiras continuam na ordem do dia, a forma\u00e7\u00e3o da nova equipe ministerial de Dilma estica mais ainda o rastilho de p\u00f3lvora. Al\u00e9m disso, a reorganiza\u00e7\u00e3o das esquerdas, das for\u00e7as populares e a propalada reforma pol\u00edtica t\u00eam sido assuntos constantes.<\/p>\n<p><em>\u201cA ilus\u00e3o de a Dilma fazer inflex\u00e3o \u00e0 esquerda j\u00e1 foi desfeita, \u00e0 medida que ela n\u00e3o chamou ningu\u00e9m pra se reunir, desde o fim das elei\u00e7\u00f5es. Ela s\u00f3 se re\u00fane com os grandes bancos, as grandes bancadas, com o agroneg\u00f3cio e as grandes empresas. A nosso ver, esse car\u00e1ter dificilmente mudar\u00e1. Portanto, \u00e9 um perfil de governo que vai exigir dos movimentos sociais organizados, dos sindicatos e da classe trabalhadora uma posi\u00e7\u00e3o mais decisiva. Esperamos que finalmente, partam pra cima do governo\u201d<\/em>, analisou Mauro Iasi, em entrevista ao Correio.<\/p>\n<p>Na entrevista, a primeira de uma s\u00e9rie que faz um balan\u00e7o do desempenho da esquerda nas elei\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m projeta os olhares para 2015, o candidato a presidente do PCB ressalta o r\u00e1pido fim do mito de um segundo mandato dilmista mais \u00e0 esquerda, al\u00e9m de alertar para o car\u00e1ter conservador da reforma pol\u00edtica j\u00e1 articulada por PT e PMDB. Em sua vis\u00e3o, uma reforma que concentrar\u00e1 ainda mais o poder entre os tubar\u00f5es e poder\u00e1 significar uma \u201ccassa\u00e7\u00e3o virtual\u201d dos partidos program\u00e1ticos e ideol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>\u201c<em>Quanto aos partidos fisiol\u00f3gicos, institui\u00e7\u00f5es de compra e venda de mandatos, eles n\u00e3o t\u00eam o menor prurido em legaliz\u00e1-los e dar-lhes vida org\u00e2nica. J\u00e1 os partidos program\u00e1ticos, de esquerda, sem representa\u00e7\u00e3o no parlamento, v\u00e3o sofrer uma restri\u00e7\u00e3o extremamente dura. Mas n\u00e3o esper\u00e1vamos nada desse Estado, portanto, n\u00e3o temos direito de nos desiludir. O PCB, a meu ver, se credenciou com sua postura militante e a disposi\u00e7\u00e3o que mostrou nesse tempo. O cen\u00e1rio conjuntural, econ\u00f4mico e pol\u00edtico de 2015 vai permitir que j\u00e1 no primeiro semestre tentemos alguma coisa mais incisiva<\/em>\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A entrevista completa com Mauro Iasi pode ser lida a seguir.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre o resultado obtido pelo PCB nas urnas? Era esse resultado o esperado, ele representa o partido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> Fizemos um planejamento de elei\u00e7\u00e3o e campanha, no qual corremos todo o Brasil. Fizemos um percurso centrado na rela\u00e7\u00e3o com os movimentos sociais, como assentamentos da reforma agr\u00e1ria e universidades. Cumprimos a nossa parte na campanha, definida para demarcar uma pol\u00edtica de esquerda, que se diferenciasse do debate circunscrito \u00e0 quest\u00e3o eleitoral e conjuntural, ou seja, nos colocamos como alternativa dentro de um campo conservador.<\/p>\n<p>Nesse sentido, acreditamos ter atingido o que era o nosso principal objetivo. N\u00e3o foi muito diferente da perspectiva num\u00e9rica que imagin\u00e1vamos, devido ao momento do partido e \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o entre os grandes candidatos, inclusive refor\u00e7ada pela m\u00eddia. Sab\u00edamos que do ponto de vista num\u00e9rico o resultado n\u00e3o poderia ser muito diferente do que foi.<\/p>\n<p>A nossa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, no conjunto, a esquerda ficou com uma fatia muito pequena do eleitorado, abaixo de 2%. Pensamos que pod\u00edamos ter um crescimento maior, n\u00e3o especificamente do PCB, mas do conjunto da esquerda. Foi um resultado bastante pequeno do ponto de vista da express\u00e3o e do que a esquerda representou no \u00faltimo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 muito s\u00e9rio na nossa avalia\u00e7\u00e3o. A polariza\u00e7\u00e3o que se deu mais uma vez entre PSDB e PT, a nosso ver, mostra uma agudiza\u00e7\u00e3o da luta de classes que n\u00e3o aponta alternativa. Tal espa\u00e7o tem sido ocupado pelo descontentamento e pelo desgaste da pol\u00edtica de governo dos \u00faltimos doze anos, na dire\u00e7\u00e3o de um crescimento de uma alternativa \u00e0 direita, e n\u00e3o de uma perspectiva de esquerda, o que \u00e9 bastante preocupante.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Considerando-se a j\u00e1 relativamente longa participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es, por que o PCB n\u00e3o alcan\u00e7a um resultado eleitoral mais substancial a seu ver? O que este resultado diz sobre os erros e acertos da estrat\u00e9gia pol\u00edtica e eleitoral que voc\u00eas t\u00eam perseguido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> Avaliamos que no momento n\u00e3o dava pra ter resultados melhores. Porque n\u00f3s sa\u00edmos de um processo muito longo e dif\u00edcil de reconstru\u00e7\u00e3o. Desde 1992, com a cis\u00e3o que acabou produzindo o PPS, o partido teve de come\u00e7ar praticamente do zero. N\u00f3s reorganizamos o partido. Estamos organizados em praticamente todos os estados brasileiros, mas s\u00e3o projetos muito duros de reconstru\u00e7\u00e3o. Assim, j\u00e1 t\u00ednhamos a dimens\u00e3o de que tal dificuldade se expressaria tamb\u00e9m no n\u00famero de votos.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 evidente que h\u00e1 um espa\u00e7o muito minado pra fazer o debate pol\u00edtico no Brasil. E tende a piorar. \u00c9 uma legisla\u00e7\u00e3o eleitoral que, al\u00e9m de ser extremamente desigual nas condi\u00e7\u00f5es de acesso aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, coloca uma divis\u00e3o de tempo absurda, sob crit\u00e9rios absolutamente inconstitucionais, que ferem a igualdade prevista na Constitui\u00e7\u00e3o. Ainda temos uma cobertura jornal\u00edstica totalmente desigual. E o mais s\u00e9rio de tudo \u00e9 que o TSE parece n\u00e3o estar preocupado.<\/p>\n<p>N\u00f3s acionamos o TSE v\u00e1rias vezes sobre pontos como, por exemplo, a n\u00e3o distribui\u00e7\u00e3o do tempo de televis\u00e3o, que, apesar de injusto e at\u00e9 inconstitucional, \u00e9 regra. Alertamos sobre a quest\u00e3o da cobertura jornal\u00edstica, da participa\u00e7\u00e3o dos debates, mas o TSE parece muito mais preocupado com portarias e acompanhamento das campanhas do que com a legalidade delas. O TSE olha bovinamente para as elei\u00e7\u00f5es apenas como burocrata, para faz\u00ea-las chegarem ao fim e depois contar os votos.<\/p>\n<p>Uma legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria n\u00e3o pode se sobrepor \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. O TSE julga a participa\u00e7\u00e3o nos debates com base numa lei que \u00e9 inconstitucional e que ele julgou constitucional. \u00c9 algo que, na verdade, se volta \u00e0 garantia do interesse dos grandes partidos que controlam o parlamento e o governo federal, fazendo da disputa eleitoral um jogo de cartas marcadas. Um jogo que, absolutamente, n\u00e3o prima por v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es ison\u00f4micas de disputa.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 l\u00f3gico que, neste sentido, com o pouqu\u00edssimo tempo de televis\u00e3o, com a proibi\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas aparecerem no debate por crit\u00e9rios absurdos, tem-se a priva\u00e7\u00e3o do direito do eleitor de saber da exist\u00eancia de certas alternativas. Isso tem impacto profundo nos votos.<\/p>\n<p>Outra avalia\u00e7\u00e3o nossa \u00e9 que o sistema de segundo turno n\u00e3o tem funcionado no Brasil. Nas tr\u00eas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, operou numa din\u00e2mica de voto \u00fatil j\u00e1 no primeiro turno, com um deslocamento de votos para candidatos que pudessem ganhar ou entrar na disputa. Concentra-se em tr\u00eas ou quatro candidaturas, n\u00e3o permitindo que o primeiro turno promova, de fato, um voto de convic\u00e7\u00e3o, de certezas pol\u00edticas e concord\u00e2ncias com o programa do partido. Promove um voto que \u00e9 quase uma aposta no ranking de quem est\u00e1 na frente e tem a prioridade de receber mais ou menos votos.<\/p>\n<p>Assim, sofremos, por um lado, pelo voto \u00fatil na Dilma, que estava amea\u00e7ada de perder, e, por outro lado, na Marina, no momento em que ela ainda poderia derrotar a Dilma. Tudo isso acaba esvaziando o voto mais consistente, que poderia se dirigir \u00e0s propostas pol\u00edticas da esquerda mais radical.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: O monop\u00f3lio da m\u00eddia e dos recursos pelos partidos da ordem \u00e9 parte essencial das \u201celei\u00e7\u00f5es burguesas\u201d. A prioriza\u00e7\u00e3o da op\u00e7\u00e3o eleitoral nessas circunst\u00e2ncias, com participa\u00e7\u00e3o nas corridas para os cargos majorit\u00e1rios e para o parlamento, n\u00e3o refor\u00e7a o que muitos chamam de farsa eleitoral? O que fazer para super\u00e1-los?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> N\u00f3s sempre trabalhamos isso como um terreno extremamente dif\u00edcil, por conta das dificuldades que coment\u00e1vamos. A nossa decis\u00e3o de participar das elei\u00e7\u00f5es \u00e9 bastante consciente e limitada ao objetivo de levar tamb\u00e9m ao campo eleitoral propostas de rupturas socialistas, propostas de discuss\u00f5es mais profundas do Brasil e de alternativas que n\u00e3o se restrinjam aos temas mais superficiais da conjuntura.<\/p>\n<p>Nunca tivemos a expectativa ou a pretens\u00e3o de disputar poder, no sentido de fazer maiorias parlamentares e eleger pessoas. O jogo eleitoral, hoje, come\u00e7a com estruturas muito grandes, valores estratosf\u00e9ricos de doa\u00e7\u00e3o de campanha, tempo de televis\u00e3o, esquemas partid\u00e1rios com apoios de governos locais\u2026 \u00c9 algo que desvirtua a democracia brasileira e coloca para os partidos da esquerda uma dificuldade muito grande.<\/p>\n<p>N\u00f3s vamos ter que repensar nossa pr\u00e1tica no conjunto da esquerda e o que ser\u00e1, de fato, uma frente de esquerda para romper tal bloqueio. \u00c9 um desafio para o pr\u00f3ximo per\u00edodo, uma vez que, isolados, dificilmente os partidos de esquerda conseguir\u00e3o dar tamanho salto.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos nenhuma ilus\u00e3o com a reforma pol\u00edtica, desde a \u00e9poca da campanha pelo plebiscito que colheu assinaturas com este fim. Acreditamos que o plebiscito deixou de tocar em temas essenciais, a exemplo da forma sobre como deveria ser convocada uma assembleia constituinte exclusiva. N\u00e3o deveria ser para o sistema pol\u00edtico, mas para pensar transforma\u00e7\u00f5es mais profundas na estrutura pol\u00edtica brasileira. Agora, o espa\u00e7o se fechou ainda mais, pois estamos ref\u00e9ns de uma proposta de reforma pol\u00edtica pactuada entre o PT e PMDB, claramente dirigida pelo Michel Temer, o vice-presidente da Rep\u00fablica. Certamente, tal proposta vai restringir ainda mais o espa\u00e7o e concentrar ainda mais o poder nos grandes partidos que hoje controlam a Rep\u00fablica brasileira.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: A prop\u00f3sito da reforma pol\u00edtica, voc\u00eas t\u00eam alguma reflex\u00e3o quanto \u00e0 possibilidade de uma reforma mais conservadora colocar fora do p\u00e1reo partidos menores, como poderia ser o caso do pr\u00f3prio PCB? Nessas circunst\u00e2ncias, qual \u00e9 a base eleitoral do partido para prosseguir com sua atua\u00e7\u00e3o militante?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> Nesse processo de reconstru\u00e7\u00e3o que empreendemos, preparamos o partido, fundamentalmente, pra ter inser\u00e7\u00e3o social. Trabalhamos na constru\u00e7\u00e3o de frentes de massa, no sindicalismo, na juventude, na consolida\u00e7\u00e3o do partido em regi\u00f5es, e tamb\u00e9m nos preparamos pra depender cada vez menos \u2013 ou n\u00e3o depender mais \u2013 do fundo partid\u00e1rio. Um dos elementos que julgamos prov\u00e1vel na reforma pol\u00edtica \u00e9 a exclus\u00e3o dos menores do fundo partid\u00e1rio e sua concentra\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os de partidos que hoje conformam um campo bastante restrito, ou seja, aqueles que apoiam o governo ou est\u00e3o nas suas franjas.<\/p>\n<p>Quanto aos partidos fisiol\u00f3gicos, institui\u00e7\u00f5es de compra e venda de mandatos, eles n\u00e3o t\u00eam o menor prurido em legaliz\u00e1-los e dar-lhes vida org\u00e2nica. Mas os partidos program\u00e1ticos, de esquerda, sem representa\u00e7\u00e3o no parlamento, v\u00e3o sofrer uma restri\u00e7\u00e3o extremamente dura por conta do fundo partid\u00e1rio, tempo de televis\u00e3o\u2026 Ser\u00e1 uma virtual cassa\u00e7\u00e3o de tais partidos, sendo prov\u00e1vel o PCB entre eles. Mas n\u00e3o esper\u00e1vamos nada desse Estado, portanto, n\u00e3o temos direito de nos desiludir. Estamos nos preparando do ponto de vista da sobreviv\u00eancia financeira, que hoje j\u00e1 depende pouqu\u00edssimo do fundo partid\u00e1rio.<\/p>\n<p>No entanto, o espa\u00e7o eleitoral envolve outra reflex\u00e3o, que \u00e9 saber como a esquerda pode se expressar. A restri\u00e7\u00e3o, ao que tudo indica, colocada pela reforma pol\u00edtica \u00e9 de espa\u00e7o de participa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o de legalidade, ao menos por enquanto. N\u00e3o nos rendemos, n\u00e3o damos como fato consumado, queremos manter o registro legal do partido e disputar elei\u00e7\u00f5es quando necess\u00e1rio, mas certamente refletimos sobre a forma como faremos. Porque a mera repeti\u00e7\u00e3o do que tem prevalecido nos \u00faltimos anos parece ser um caminho que acumula muito pouco pra qualquer perspectiva de transforma\u00e7\u00e3o profunda.<\/p>\n<p>Como apostamos na combina\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os, nossa prioridade \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o social, a luta junto dos movimentos e da classe trabalhadora. Vislumbramos um cen\u00e1rio muito rico de crescimento, lutas e intensifica\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es no pr\u00f3ximo governo. \u00c9 nossa aposta no primeiro momento. E vamos pensar mais sobre o espa\u00e7o eleitoral, se ele se fecha de vez ou n\u00e3o. Nossa primeira avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que ainda h\u00e1 algum espa\u00e7o a ser ocupado, mas certamente com t\u00e1ticas muito diferentes das que temos utilizado.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Ainda sobre o processo eleitoral, o que pensa da marginaliza\u00e7\u00e3o do PCB e PSTU? Houve algum tipo de den\u00fancia dessa situa\u00e7\u00e3o, por parte dos pr\u00f3prios partidos, ou outras organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> Apresentamos junto ao TSE questionamentos sobre os crit\u00e9rios. Entramos com a\u00e7\u00f5es judiciais pra tentar entrar nos debates, denunciamos nos espa\u00e7os onde nos permitiam falar, mas encontramos uma intransig\u00eancia muito grande. Na verdade, o TSE acompanhou o crit\u00e9rio imposto pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o. Eu corri o Brasil todo, passei por todos os estados e sempre tivemos espa\u00e7os nas redes locais, inclusive em TVs. Mas os grandes monop\u00f3lios, que t\u00eam maior abrang\u00eancia de chegada ao p\u00fablico, criaram seus crit\u00e9rios, duvidosos, j\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de adequar o debate \u00e0 constitucionalidade, adequaram a constitucionalidade ao interesse das grandes corpora\u00e7\u00f5es de m\u00eddia, atrav\u00e9s de uma lei que torna legal aquilo que os grandes grupos de m\u00eddia exigiram. Assim, esse acerto jur\u00eddico amarrou o TSE, que resolveu respaldar tal acordo. Ele poderia questionar sua legalidade, ao menos abrindo um questionamento \u00e0 lisura do processo, mas preferiu se acomodar ao acordo feito entre as empresas de comunica\u00e7\u00e3o e a judicialidade forjada nos \u00faltimos anos, e nos exclu\u00edram do debate.<\/p>\n<p>\u00c9 muito ruim. Vemos debates insossos, sem conte\u00fado, com pessoas absolutamente desqualificadas para o debate pol\u00edtico, enquanto pessoas que t\u00eam alternativas e ideias realmente diferentes ficam fora. E ao estarem fora do espa\u00e7o caem numa esp\u00e9cie de inexist\u00eancia <em>de facto<\/em>. Ficam fora do espectro de visibilidade. O TSE resolveu se acomodar a isso. Acovardou-se, como \u00e9 t\u00edpico de seu presidente, uma pessoa sem nenhum brilho pr\u00f3prio para questionar qualquer coisa. \u00c9 um burocrata.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Quanto \u00e0 intelectualidade de esquerda, qual \u00e9 a estrat\u00e9gia do partido para traz\u00ea-la para dentro de sua organiza\u00e7\u00e3o? Houve, nas elei\u00e7\u00f5es, movimento de seu partido para atrair e organizar esses setores, em boa parte fora de qualquer partido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> Esse \u00e9 um caso bastante at\u00edpico do momento de reconstru\u00e7\u00e3o do PCB. Temos uma penetra\u00e7\u00e3o bastante boa nesse campo, sem dificuldades. Nossa prioridade \u00e9 o crescimento na juventude, onde crescemos bastante nos \u00faltimos 10 anos, e na classe trabalhadora, onde temos crescido um pouco sindicalmente. Temos presen\u00e7a na universidade, uma boa gama de quadros intelectuais de renome\u2026<\/p>\n<p>O PCB, historicamente, tem a tradi\u00e7\u00e3o de pensar a quest\u00e3o cultural. Temos enfatizado a cria\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas de base de cultura, onde temos difundido a reflex\u00e3o cultural na perspectiva que compreendemos, de uma renova\u00e7\u00e3o cultural no Brasil, por um ponto de vista de esquerda, e essa tem sido uma estrat\u00e9gia de atra\u00e7\u00e3o de militantes que d\u00e1 resultado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, temos o trabalho de difus\u00e3o cultural, liter\u00e1ria, de debates pol\u00edticos, atrav\u00e9s da funda\u00e7\u00e3o Dinarco Reis e do Instituto Caio Prado Junior. Mantemos uma regularidade de edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de livros e revistas, o que tem garantido a amplia\u00e7\u00e3o do partido neste campo.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: E qual \u00e9 a reflex\u00e3o que o partido faz hoje sobre a forma\u00e7\u00e3o social e a \u201crevolu\u00e7\u00e3o brasileira\u201d? Existe algum programa, mesmo geral, para a ideia de \u201crevolu\u00e7\u00e3o brasileira\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> Fazer tal reflex\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o nossa no momento, muito calcada na avalia\u00e7\u00e3o que fazemos da forma\u00e7\u00e3o social brasileira e seu desenvolvimento hist\u00f3rico mais recente. Priorizamos as formula\u00e7\u00f5es dos 13\u00ba, 14\u00ba e 15\u00ba Congressos, dentro do que chamamos de \u201cacerto estrat\u00e9gico\u201d, um acerto de contas com a leitura que tradicionalmente o PCB fazia do Brasil, a respeito do desenvolvimento social hist\u00f3rico do Estado e das classes sociais em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>A principal afirma\u00e7\u00e3o que trazemos para reflex\u00e3o \u00e9 a supera\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o que se manteve por muito tempo no PCB, de que o Brasil precisava realizar algum tipo de \u201cmomento democr\u00e1tico\u201d nacional, no curso de uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria socialista. A nosso ver, todas as raz\u00f5es que porventura tenham justificado essa estrat\u00e9gia, hoje, est\u00e3o superadas: o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de capitalismo completo, economicamente integrado, ainda que de maneira subordinada, \u00e0 ordem imperialista e monopolista do capitalismo mundial.<\/p>\n<p>Isso resultou na conforma\u00e7\u00e3o de uma sociedade burguesa que implica numa sociedade civil consolidada, forte, com aparatos privados de hegemonia extremamente eficientes no campo da ordem, o que gera uma sociabilidade burguesa e a hegemonia de uma ideologia burguesa no Brasil. A sociedade burguesa e o capitalismo do Brasil se consolidaram e est\u00e3o integrados \u00e0 ordem capitalista mundial. N\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de tarefa em atraso ou algum aspecto da \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d que n\u00e3o tenha se consolidado. Existem aspectos que ficaram para tr\u00e1s, que na consolida\u00e7\u00e3o da forma t\u00edpica do capitalismo central se deram diferentemente de como se deram aqui, em nossa avalia\u00e7\u00e3o. S\u00e3o particularidades da sociedade burguesa brasileira, o que implica na particularidade de seu caminho e tamb\u00e9m de sua supera\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a nossa primeira afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de que estamos convencidos, e os \u00faltimos 12 anos s\u00f3 deram elementos pra refor\u00e7ar a tese, de que se trata de construir uma alternativa fundada num programa de transforma\u00e7\u00f5es socialistas para o Brasil. O grande desafio s\u00e3o as media\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas pra tal programa, em meio ao momento que vivemos. A consolida\u00e7\u00e3o da ordem burguesa cria uma s\u00e9rie de problemas, do ponto de vista pol\u00edtico, da desorganiza\u00e7\u00e3o e derrota impostas \u00e0 classe trabalhadora pelos \u00faltimos 12 anos de governo de pacto social. O pacto social a desarmou e abriu um perigoso processo de organiza\u00e7\u00e3o de avan\u00e7o pol\u00edtico, social e at\u00e9 cultural da direita. Isso refor\u00e7a nossa tese da necessidade de contrapor ao bloco conservador um outro bloco, revolucion\u00e1rio e centrado na classe trabalhadora.<\/p>\n<p>A nosso ver, a a\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o de um bloco revolucion\u00e1rio demandam a capacidade de apresentar a proposta alternativa, n\u00e3o s\u00f3 de governo, pois n\u00e3o se restringe a saber o que fazer com elementos conjunturais (como Banco Central, pol\u00edtica econ\u00f4mica, combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o), mas a pensar, de fato, nos grandes gargalos da sociedade brasileira. Tais gargalos n\u00e3o fogem da necessidade de uma reforma agr\u00e1ria, de uma profunda reestrutura\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, combinada com profundo questionamento ao modelo que hoje determina as grandes cidades no Brasil. Portanto, reforma urbana e reforma agr\u00e1ria s\u00e3o dois elementos de um \u00fanico projeto estrat\u00e9gico, e base necess\u00e1ria da alian\u00e7a dos trabalhadores do campo e da cidade. Esses eixos t\u00eam de se traduzir, e temos trabalhado, numa s\u00e9rie de plataformas de luta, de indica\u00e7\u00f5es de novos eixos de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o simplesmente te\u00f3rica, que v\u00e1 da nossa capacidade de formula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 processo da luta de classes. Parte dos eixos centrais de tal constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 se dando nas lutas concretas que se intensificam de 2012 pra c\u00e1. Tiveram momento de acentuado crescimento em 2013, inflex\u00e3o em 2014, mas a base s\u00e3o as contradi\u00e7\u00f5es dessa forma que classicamente se esgotou. A necessidade de construir um bloco de esquerda se d\u00e1 pelo fato de que, se n\u00e3o for um movimento de esquerda a ocupar tal espa\u00e7o, conforme vemos em outros pa\u00edses, teremos uma altern\u00e2ncia entre regimes de pacto social, de concerta\u00e7\u00e3o, com alternativas de direita, e da\u00ed pra novas alternativas de concerta\u00e7\u00e3o, mantendo tudo no campo da ordem. Vemos isso na Espanha, na It\u00e1lia, em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, onde alternativas falsamente progressistas acabam abrindo espa\u00e7o para a perpetua\u00e7\u00e3o de ciclos conservadores, como no Chile, por exemplo.<\/p>\n<p>Estamos empenhados nessa constru\u00e7\u00e3o, sabemos que no momento \u00e9 um trabalho dif\u00edcil, de contracorrente, mas os elementos conjunturais devem favorecer tal constru\u00e7\u00e3o no m\u00e9dio prazo. Veja-se que, entre o final da elei\u00e7\u00e3o passada e essa, cresceu em alguns setores o mito de que o governo Dilma, diante do resultado apertado no segundo turno, e da tentativa de se apresentar uma polaridade entre esquerda e direita, na qual o PT seria a esquerda, faria um governo mais progressista, tentaria incorporar demandas dos movimentos sociais, para dar um grande salto, uma guinada, naquilo que marcou seu primeiro governo. Mas n\u00f3s apostamos que n\u00e3o. N\u00e3o por desejo, mas pela nossa avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente, seu segundo governo ser\u00e1 bem mais conservador que o primeiro. E j\u00e1 temos os primeiros sinais. Essa ilus\u00e3o toda durou at\u00e9 os primeiros an\u00fancios dos minist\u00e9rios, a exemplo de Katia Abreu na pasta da Agricultura, e Joaquim Levy, para representar os interesses dos grandes bancos, no centro da \u00e1rea financeira. \u00c9 muito pouco prov\u00e1vel que qualquer composi\u00e7\u00e3o a fim de contemplar movimentos sociais possa contrapor a linha-mestra do governo, de continuidade da pol\u00edtica conservadora.<\/p>\n<p>Mais do que isso: os ajustes cobrados pelo mercado, pelos acumuladores de capital e os grandes monop\u00f3lios v\u00e3o exigir muito sacrif\u00edcio da classe trabalhadora. E \u00e9 hora de construir uma alternativa de esquerda, que certamente n\u00e3o passa pelo que h\u00e1 no governo.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Como enxerga o pa\u00eds sob o governo Dilma em 2015, com toda a arquitetura pol\u00edtica e econ\u00f4mica que j\u00e1 se insinua pela frente, agora envolta no esc\u00e2ndalo Petrobras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> O que a grande burguesia sempre faz \u00e9 chantagear o governo entre o final de um mandato e o come\u00e7o de outro. Vemos um jogo de for\u00e7as de diferentes setores da burguesia, que querem se ver representados no minist\u00e9rio, alguns pessoalmente, outros atrav\u00e9s de suas demandas. Isso tem funcionado no Brasil, nos governos Lula e tamb\u00e9m Dilma. E deve funcionar neste, novamente.<\/p>\n<p>A ilus\u00e3o de a Dilma fazer inflex\u00e3o \u00e0 esquerda j\u00e1 foi desfeita, \u00e0 medida que ela n\u00e3o chamou ningu\u00e9m pra se reunir, desde o fim das elei\u00e7\u00f5es. Ela s\u00f3 se re\u00fane com os grandes bancos, as grandes bancadas, ainda mais conservadoras, com o agroneg\u00f3cio e as grandes empresas. S\u00e3o esses os interesses que v\u00e3o moldar o pr\u00f3ximo governo. N\u00e3o tenho not\u00edcia de que Dilma tenha se reunido com centrais sindicais, movimentos sociais, de luta pela terra\u2026 A n\u00e3o ser aqueles factoides de campanha, quando se recebiam algumas pessoas e demandas pra dizer que algum dia se levar\u00e1 em conta. Mas isso acabar\u00e1 jogado para aquelas pastas e secretarias especiais que na pr\u00e1tica n\u00e3o t\u00eam poder nenhum. Entrega o Minist\u00e9rio da Agricultura para o agroneg\u00f3cio e o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio para algu\u00e9m supostamente ligado aos movimentos de luta pela terra, sem poder nenhum de mudar a pol\u00edtica agr\u00e1ria no pa\u00eds. \u00c9 um especialista pra dizer n\u00e3o \u00e0 agricultura familiar, n\u00e3o \u00e0s demandas dos pequenos propriet\u00e1rios e n\u00e3o aos assentamentos da reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Esse car\u00e1ter dificilmente mudar\u00e1. O governo tende a ser mais conservador e ter\u00e1 de conceder mais ainda, dentro da din\u00e2mica do presidencialismo de coaliza\u00e7\u00e3o que se consolidou no pa\u00eds. Por\u00e9m, o pior \u00e9 que ser\u00e1 num cen\u00e1rio em que a crise do capital deve se manifestar de forma ainda mais intensa. A retomada da economia norte-americana deve atrair os recursos financeiros do mundo e deve levar \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da disponibilidade de recursos antes direcionados ao Brasil, seja por aplica\u00e7\u00f5es financeiras, seja por investimentos econ\u00f4micos diretos.<\/p>\n<p>Tudo isso leva a um quadro de conten\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. E o que o empresariado tira de suas bolsas de demandas em tais momentos? Ele tira o custo da for\u00e7a de trabalho, exige mudan\u00e7as na \u00e1rea, pra atacar o que chama de \u2018custo Brasil\u2019; exige ainda mais benef\u00edcios na pol\u00edtica tribut\u00e1ria, o que s\u00f3 pode sair de um lugar, j\u00e1 que a manuten\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de super\u00e1vit prim\u00e1rio \u00e9 intoc\u00e1vel. Ou seja, s\u00f3 poder\u00e1 sair de malandragens cont\u00e1beis, como o governo tentou fazer no final do ano, ou de cortes no or\u00e7amento, como j\u00e1 se anuncia claramente.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 um perfil de governo que vai exigir dos movimentos sociais organizados, dos sindicatos e da classe trabalhadora uma posi\u00e7\u00e3o mais decisiva. Esperamos que, finalmente, depois dessa li\u00e7\u00e3o, voltem a ter uma postura mais ofensiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s lutas sociais e partam pra cima do governo. O crescimento de n\u00famero de greves, de horas paradas, de movimentos de enfrentamento \u00e9 grande, mas precisa dar um salto pra se afirmar como alternativa pol\u00edtica de bom alcance.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Finalmente, como o PCB enxerga a sua rela\u00e7\u00e3o de hoje com a esquerda e com os movimentos sociais? Como isso deve seguir na complicada conjuntura do segundo governo Dilma, ainda mais em meio a um quadro que se considera efervescente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> O PCB sempre pautou sua rela\u00e7\u00e3o com os movimentos sociais, sindicais e outras for\u00e7as de esquerda pelo princ\u00edpio da transpar\u00eancia e firmeza de suas posi\u00e7\u00f5es. Nunca a transformamos em conflitos, barreiras e indisposi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o pudessem ser superadas. Criticamos, quando tivemos de criticar, mas sempre tivemos posturas de apoio e solidariedade quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nossa rela\u00e7\u00e3o com os partidos de esquerda sai fortalecida, tivemos boa conviv\u00eancia durante as elei\u00e7\u00f5es. Acredito que somos um interlocutor que pode ajudar nos debates da esquerda organizada no campo eleitoral, mas tamb\u00e9m temos sido presen\u00e7a permanente nos f\u00f3runs de luta, de articula\u00e7\u00e3o, de tentativa de unifica\u00e7\u00e3o de lutas, como as do ano passado e na sua continuidade. Porque, como parte das pessoas que se entusiasmaram com as ruas voltaram pra casa, s\u00e3o aqueles mesmos de sempre que d\u00e3o continuidade \u00e0s lutas contra as remo\u00e7\u00f5es, pela moradia, nos movimentos de favelas, periferias, de luta pela terra.<\/p>\n<p>O PCB, a meu ver, se credenciou com sua postura militante e a disposi\u00e7\u00e3o que mostrou nesse tempo. E j\u00e1 estamos operando no sentido de levarmos a tais espa\u00e7os a ideia de que precisamos dar um salto de qualidade nas lutas do ano que vem. Vamos ver como as coisas se desenham, todo governo costuma iniciar mais devagar, com expectativas, mas pensamos que o cen\u00e1rio conjuntural, econ\u00f4mico e pol\u00edtico de 2015 vai encurtar o tempo e permitir que, j\u00e1 no primeiro semestre, tentemos alguma coisa mais incisiva, no sentido de apresentar demandas da classe trabalhadora, que tendem a ser esquecidas na pauta pol\u00edtica. Ou, pior ainda, tendem a sofrer s\u00e9rios ataques contra seus direitos.<\/p>\n<p>Temos boas rela\u00e7\u00f5es com esses atores e n\u00e3o criamos nenhum tipo de incidente at\u00e9 entre aqueles que optaram por apoiar Dilma no segundo turno, com medo de uma vit\u00f3ria do PSDB. Apenas alertamos que o PCB n\u00e3o acompanharia essa posi\u00e7\u00e3o, defendemos o voto nulo e infeliz, ou felizmente, a cada dia se comprova que as raz\u00f5es pelas quais votamos nulo se confirmam.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Val\u00e9ria Nader (jornalista e economista, \u00e9 editora do Correio da Cidadania); Gabriel Brito (jornalista).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=10280%3Amanchete261114&amp;catid=34%3Amanchete\" target=\"_blank\">Correio da Cidadania<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7207\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-7207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Sf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7207\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}