{"id":7212,"date":"2014-12-06T18:08:45","date_gmt":"2014-12-06T18:08:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7212"},"modified":"2014-12-06T18:08:45","modified_gmt":"2014-12-06T18:08:45","slug":"senhor-brigadeiro-general-ruben-dario-alzate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7212","title":{"rendered":"Senhor Brigadeiro General Rub\u00e9n Dar\u00edo Alzate:"},"content":{"rendered":"\n<p>Timoshenko ao General Alzate<\/p>\n<p>Escrito por Timole\u00f3n Jim\u00e9nez<\/p>\n<p>A grande imprensa e o anedot\u00e1rio colombiano, cada dia mais assimil\u00e1veis por obra do monop\u00f3lio na propriedade das grandes m\u00eddias, frequentemente constroem frases altissonantes com rela\u00e7\u00e3o ao conflito colombiano. Agora a moda \u00e9 aquela que, fazendo rela\u00e7\u00e3o com seu caso, fala do primeiro general em servi\u00e7o ativo que cai nas m\u00e3os das FARC em cinquenta anos de guerra.<\/p>\n<p>Trata-se de um caso excepcional e rar\u00edssimo, ainda que tamb\u00e9m possa indicar que a profundidade do confronto come\u00e7a a afetar as mais altas hierarquias do comando militar, algo impens\u00e1vel at\u00e9 agora. \u00c9 claro que esta \u00faltima interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o resulta do agrado do Estabelecimento, que prefere atribuir o fato ao azar ou, inclusive, a sua neglig\u00eancia pessoal.<\/p>\n<p>O primeiro a faz\u00ea-lo, curiosamente, foi o Presidente Santos, talvez afetado pelo fato do senador Uribe ter se encarregado de publicar a not\u00edcia. Antes de expressar algum tipo de preocupa\u00e7\u00e3o pela vida ou pela liberdade de um general da Rep\u00fablica, tinha que exigir explica\u00e7\u00f5es sobre seus motivos para estar expondo-se de tal modo.<\/p>\n<p>Sem reparar que dito questionamento colocava em evidencia uma verdade inocult\u00e1vel. Ningu\u00e9m que baixe a guarda um segundo, nem sequer o comandante de uma for\u00e7a multidisciplinar de combate, ainda em meio a sua \u00e1rea de opera\u00e7\u00f5es, se encontra a salvo de uma a\u00e7\u00e3o da guerrilha na Col\u00f4mbia. Mensagem desalentadora \u00e0 confian\u00e7a dos investidores.<\/p>\n<p>Diz-se que o senador Uribe pode mover-se com liberdade gra\u00e7as aos mais de 300 integrantes dos corpos de seguran\u00e7a do Estado que trabalham as vinte e quatro horas para proteg\u00ea-lo. Uma radiografia exata de sua seguran\u00e7a democr\u00e1tica. Algo muito s\u00e9rio deve acontecer em um pa\u00eds onde apenas se sente seguro quem est\u00e1 rodeado por dezenas de escoltas fortemente armadas.<\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s, na zona rural de Tame, uma patrulha da For\u00e7a de Tarefa Quiron, tamb\u00e9m tinha sido surpreendida pelas FARC, que tinham levado consigo dois soldados profissionais. O tenente e mais quatro policiais da delegacia da ilha Gorgona, no Pac\u00edfico, faleceram duas semanas depois, em uma a\u00e7\u00e3o rel\u00e2mpago das FARC que surpreendeu por sua aud\u00e1cia.<\/p>\n<p>E apenas menciono a\u00e7\u00f5es militares amplamente registradas pelas m\u00eddias. Voc\u00ea e eu sabemos que s\u00e3o muitas as a\u00e7\u00f5es que ocorrem por todo o pa\u00eds, cuja realiza\u00e7\u00e3o se evita noticiar. N\u00e3o quer afugentar capitais, nem dar destaque \u00e0s FARC, a quem se insiste em apresentar como vencidas. Sua captura contribuiu, sem d\u00favida, para colocar as coisas em um lugar mais justo.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, quanto a nossa redu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vou aqui engrandecer nossas for\u00e7as, por\u00e9m \u00e9 ineg\u00e1vel que s\u00e3o maiores que o dito pelo senhor Ministro de Defesa no jornal. Voc\u00ea teve a oportunidade de marchar com nossas unidades em meio a enorme persegui\u00e7\u00e3o ordenada, e sabe bem que tampouco s\u00e3o integradas pelos seres perversos descritos nos informes oficiais.<\/p>\n<p>Conversou tranquila e longamente com v\u00e1rios de nossos comandantes e combatentes, depois de ser detido e conduzido por eles. Estou certo de que o tema da paz e as conversa\u00e7\u00f5es de Havana fizeram parte dessas trocas. Pelo que dizem nossos garotos a respeito, voc\u00ea, tampouco, pareceu um homem intolerante e rude, mas algu\u00e9m com o qual se podia falar.<\/p>\n<p>Um general da Rep\u00fablica e seu objetivo de alto valor sentados, frente a frente, em meio ao inverno implac\u00e1vel da selva chocoana, talvez prefigurem o que podia ser a Col\u00f4mbia em um cen\u00e1rio de reconcilia\u00e7\u00e3o. Se o capturado tivesse sido nosso, as coisas teriam sido muito distintas. O desej\u00e1vel, j\u00e1 que queremos a paz, \u00e9 que as coisas deixem de ocorrer desse modo.<\/p>\n<p>Por outro lado, sua deten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m abriu espa\u00e7o para outras realidades. \u00c9 certo que o Presidente Santos agiu precipitadamente ao suspender os di\u00e1logos de paz, condicionando sua retomada \u00e0 r\u00e1pida liberta\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, paralelamente, enviou em segredo uma proposta pr\u00f3pria de alternativa. \u00c9 claro que n\u00e3o se trata da mesma maneira um general e alguns soldados.<\/p>\n<p>J\u00e1 t\u00ednhamos constatado isso com os policiais e militares que permaneceram durante longos anos na condi\u00e7\u00e3o de prisioneiros de guerra \u00e0 espera de uma troca pelos nossos. A op\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, foi difamar nossas propostas e a\u00e7\u00f5es, sem reparar no drama dos detidos, condenados a um prolongado cativeiro. Teria sido muito diferente caso existisse um di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Na realidade, tudo na Col\u00f4mbia seria muito diferente se a oligarquia liberal conservadora dominante tivesse aceitado dialogar em busca de solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas e democr\u00e1ticas aos problemas gerados na Col\u00f4mbia rural. Para a hist\u00f3ria ficaram as m\u00faltiplas peti\u00e7\u00f5es feitas, nesse sentido, pelos campesinos da col\u00f4nia agr\u00edcola de Marquetalia.<\/p>\n<p>Todavia, continuamos destinados a fornecer recursos energ\u00e9ticos, minerais e de biodiversidade aos grandes centros da economia mundial. Ao mesmo tempo, somos os receptores das mercadorias produzidas por eles, at\u00e9 o extremo de nossa economia camponesa e os alimentos locais produzidos no passado sejam condenados a desaparecer em benef\u00edcio da importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Interesses alheios a nossa realidade, como a guerra fria, impuseram a doutrina de seguran\u00e7a nacional \u00e0s for\u00e7as armadas colombianas, com suas correspondentes sequelas de viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos e o levante armado, situa\u00e7\u00e3o que se agravou ainda mais com a imposi\u00e7\u00e3o das chamadas guerras contra as drogas e o terrorismo, que n\u00e3o eram nem de perto nossas.<\/p>\n<p>\u00c9 fato comprovado que a no\u00e7\u00e3o de narco-guerrilhas, idealizada pelo embaixador norte-americano Lewis Tambs, em 1984, quando vinculou sem o menor respaldo comprobat\u00f3rio as FARC ao famoso complexo de coca\u00edna de Tranquilandia, n\u00e3o tinha outro prop\u00f3sito que dissimular a alian\u00e7a entre o Pent\u00e1gono, a CIA e as m\u00e1fias colombianas para fornecer armas contra a Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda que o pr\u00f3prio Congresso estadunidense tenha descoberto e publicado a trama que vinculava o governo de Ronald Reagan e Lewis Tambs aos cart\u00e9is de Medell\u00edn e Cali, em uma suja negociata que enriqueceu extremamente personagens, como Gonzalo Rodr\u00edguez Gacha e Pablo Escobar, foram as FARC que terminaram carregando a famosa difama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Triste papel coube desempenhar as for\u00e7as armadas colombianas, convertidas em um simples ap\u00eandice da Am\u00e9rica do Norte, em fen\u00f4menos criminosos como o desaparecimento for\u00e7ado, as execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais, o paramilitarismo, a remo\u00e7\u00e3o e o desterro de centenas de milhares de compatriotas, apenas para servir aos interesses dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Desde sempre as FARC-EP est\u00e3o empenhadas na reconstru\u00e7\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o nacional, sobre bases de soberania, independ\u00eancia, desenvolvimento econ\u00f4mico e justi\u00e7a social. Fomos obrigados a fazer a guerra, da qual estamos dispostos a deixar, caso realmente se garanta em nosso pa\u00eds o debate livre e aberto de ideias, sem \u00f3dios nem persegui\u00e7\u00f5es. Caso se abra a democracia real.<\/p>\n<p>Acreditamos, general Alzate, que alguma voz s\u00e1bia deve brotar do seio das for\u00e7as armadas, ap\u00f3s meio s\u00e9culo de falhas opera\u00e7\u00f5es para exterminar a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. As velhas concep\u00e7\u00f5es da guerra total devem ceder, diante de outras no\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a que enfatizem os verdadeiros interesses nacionais, os das grandes maiorias, n\u00e3o os de umas elites endinheiradas e ego\u00edstas.<\/p>\n<p>Nosso comandante Manuel Marulanda V\u00e9lez sempre mostrou interesse em dialogar com os comandos militares sobre o tema da paz, o que nunca foi permiti<\/p>\n<p>do, sob a desculpa de que as for\u00e7as armadas n\u00e3o s\u00e3o deliberativas. Voc\u00eas sabem t\u00e3o bem quanto n\u00f3s que n\u00e3o \u00e9 assim. Sua voz pesa e define muitas coisas. E muito poder\u00edamos falar sobre isso.<\/p>\n<p>TIMOLE\u00d3N JIM\u00c9NEZ<\/p>\n<p>COMANDANTE DO ESTADO MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP<\/p>\n<p>Montanhas da Col\u00f4mbia, 30 de novembro de 2014.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.pazfarc-ep.org\/index.php\/blogs\/2309-senor-brigadier-general-ruben-dario-alzate\" target=\"_blank\">http:\/\/www.pazfarc-ep.org\/index.php\/blogs\/2309-senor-brigadier-general-ruben-dario-alzate<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCarta aberta do Comandante\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7212\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-7212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Sk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7212\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}