{"id":7217,"date":"2014-12-08T00:28:47","date_gmt":"2014-12-08T00:28:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7217"},"modified":"2014-12-08T00:28:47","modified_gmt":"2014-12-08T00:28:47","slug":"obama-alimenta-no-g-20-a-nova-guerra-fria-contra-a-russia-e-a-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7217","title":{"rendered":"Obama alimenta no G-20 a nova \u201cGuerra Fria\u201d contra a R\u00fassia e a China"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>de Achille Lollo, de Roma, para o Correio da Cidadania \u2013 Dezembro de 2014<\/strong><\/p>\n<p>A reuni\u00e3o do Grupo dos 20, isto \u00e9, os 19 pa\u00edses mais industrializados e emergentes do mundo (1) e a Uni\u00e3o Europeia, que se realizou nos dias 15 e 16 de novembro na cidade australiana de Brisbane, n\u00e3o se limitou em debater as quest\u00f5es que deveriam contribuir na manuten\u00e7\u00e3o da estabilidade financeira no mundo e no consequente monitoramento do crescimento da economia global. Na realidade, esta reuni\u00e3o serviu para transformar o G-20 em um novo conselho permanente internacional bic\u00e9falo, onde uma \u201ccabe\u00e7a\u201d re\u00fane os ministros das finan\u00e7as e respectivos chefes dos bancos centrais para implementar os principais objetivos da pol\u00edtica neoliberal, notoriamente: a elimina\u00e7\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es legais e fiscais para o movimento dos capitais; a implementa\u00e7\u00e3o dos processos de desregulamenta\u00e7\u00e3o e de flexibiliza\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho; a realiza\u00e7\u00e3o constante dos processos de privatiza\u00e7\u00e3o; a progressiva liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio global atrav\u00e9s das negocia\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da OMC e, sobretudo, com acordos comerciais bilaterais.<\/p>\n<p>A segunda \u201ccabe\u00e7a\u201d reuniu apenas 12 chefes de Estados e respectivos ministros das rela\u00e7\u00f5es exteriores (EUA, Canad\u00e1, Reino Unido, Alemanha, Austr\u00e1lia, Jap\u00e3o, Cor\u00e9ia do Sul, Indon\u00e9sia, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Turquia e M\u00e9xico) para debater a evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos pa\u00edses industrializados e emergentes e os elementos geoestrat\u00e9gicos que podem provocar a ruptura do atual \u201cstatus quo\u201d. Foi nesse \u00e2mbito que ao enfocar o debate sobre a crise na S\u00edria, na Ucr\u00e2nia, na L\u00edbia e no Iraque o presidente Obama, com a ajuda da alem\u00e3 \u00c2ngela Merkel, conseguiu introduzir no G-20 um clima de moderna guerra fria para penitenciar a R\u00fassia de Vladimir Putin. Depois, com o suporte do primeiro-ministro do Jap\u00e3o, Shinzo Abe, o presidente dos EUA conseguiu reafirmar o papel estrat\u00e9gico dos EUA na complexa gest\u00e3o dos equil\u00edbrios pol\u00edticos na regi\u00e3o \u00c1sia\/Pac\u00edfico, repropondo um \u201c<em>Pivot to \u00c1sia n\u00ba2\u201d<\/em>, para minimizar o papel geoestrat\u00e9gico da China.<\/p>\n<p><strong>Mascara ambiental e crescimento simb\u00f3lico<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio lembrar que na v\u00e9spera do G-20 o governo dos EUA e em particular o presidente Barack Obama estavam bastante fragilizados por tr\u00eas quest\u00f5es: a) n\u00e3o ter pacificado ou pelo menos mantido sob controle os principais focos de insurg\u00eancia isl\u00e2mica no Oriente M\u00e9dio e na \u00c1frica; b) n\u00e3o ter conseguido convencer a R\u00fassia em deixar de sustentar os separatistas ucranianos; c) ter perdido a maioria no Senado que, durante estes anos, foi o elo de sustenta\u00e7\u00e3o do seu governo.<\/p>\n<p>Portanto, as excel\u00eancias da Casa Branca resolveram transformar esse G-20 em um palanque pol\u00edtico para recuperar a confian\u00e7a dos eleitores estadunidenses, al\u00e9m de mandar uma clara mensagem aos opositores republicanos, lembrando-lhes que faltam ainda dois anos ao fim do mandato de Obama.<\/p>\n<p>Assim, antes da realiza\u00e7\u00e3o do G-20, a quest\u00e3o ambiental se tornou o principal argumento pol\u00edtico do presidente, Barack Obama que, uma semana antes de desembarcar em Brisbane, viajou at\u00e9 Pequim para assinar com o seu homologo chin\u00eas, Xi Jinping, um vago acordo bilateral, que pretende promover at\u00e9 2030 a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de Co2 (di\u00f3xido de carbono), uma vez que a China \u00e9 recordista mundial no consumo de Co2 com 9.900 toneladas, contra as 6.826 dos EUA.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, esse acordo, juntamente \u00e0 quest\u00e3o da epidemia do ebola, foi o gancho para desviar a aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica mundial, enquanto os elementos bic\u00e9falos do G-20 realizavam suas manobras pol\u00edticas. Por exemplo, no momento em que Obama atualizava o projeto geoestrat\u00e9gico \u201c<em>Pivot to \u00c1sia n\u00ba2<\/em>\u201d para conter e at\u00e9 delimitar o expansionismo econ\u00f4mico e estrat\u00e9gico da China com o refor\u00e7o da ASEAN, a introdu\u00e7\u00e3o de um novo c\u00f3digo de conduta nas disputas territoriais e mar\u00edtimas, al\u00e9m de convidar a \u00cdndia para atuar com mais for\u00e7a na regi\u00e3o \u00c1sia\/Pac\u00edfico, o primeiro-ministro do Jap\u00e3o, Shinzo Abe, declarava que o Jap\u00e3o e os EUA destinavam 4,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao <em>Green Climate Fund<\/em>, que as Na\u00e7\u00f5es Unidas haviam criado para ajudar os pa\u00edses mais pobres na luta contra os efeitos nefastos da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p>No mesmo tempo, os ministros das finan\u00e7as presentes nesse G-20 finalizavam um \u201cpacote para o crescimento econ\u00f4mico\u201d com 800 medidas que, em 2018, devem permitir o aumento de 2,1% do PIB dos pa\u00edses do G-20. Algo que, segundo os ministros do G-20, dever\u00e1 permitir \u00e0 economia mundial produzir 2 trilh\u00f5es de d\u00f3lares a mais, gerando empregos em todos os lugares do mundo.<\/p>\n<p>Os analistas mais criteriosos admitiram que a maior parte das 800 medidas do G-20 \u00e9 uma verdadeira \u201clista de desejos\u201d que todos os governos ocidentais submetem os seus povos antes das elei\u00e7\u00f5es. De fato, elas j\u00e1 existem, por\u00e9m se tornam irrealiz\u00e1veis por causa da complexidade do modelo neoliberal e sobretudo pela diferen\u00e7as entre as estruturas econ\u00f4micas dos pa\u00edses industrializados. Argumentos, perfeitamente conhecidos nas chancelarias do Ocidente, que a grande m\u00eddia, para corresponder \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es da Casa Branca, apresentou como \u201ccondi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non<\/em>\u201d que salvar\u00e1 a humanidade da crise.<\/p>\n<p><strong>Isolar a China?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2001, os analistas do Pent\u00e1gono prognosticavam que em 2015 os Estados Unidos estariam em condi\u00e7\u00f5es de impor, definitivamente, seu poderio militar \u00e0 China, o que, em teoria, poderia promover in\u00fameras mudan\u00e7as de ordem geoestrat\u00e9gica na regi\u00e3o \u00c1sia\/Pacifico. Por\u00e9m, essa meta ficou desatualizada em fun\u00e7\u00e3o do progresso alcan\u00e7ado pela ind\u00fastria militar chinesa, de forma que os estrategistas do Pent\u00e1gono enviaram para a Casa Branca um outro relat\u00f3rio, em que se afirma que somente em 2030 os EUA poder\u00e3o impor um controle estrat\u00e9gico efetivo sobre a China.<\/p>\n<p>Por isso, a Comiss\u00e3o \u201c<em>US-China Economic and Security Review Commission\u201d<\/em>, em outubro desse ano, denunciava no Congresso o aumento do or\u00e7amento militar chin\u00eas em 131 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e a multiplica\u00e7\u00e3o das bases militares no interior da China. Esquecendo que os EUA gastam cerca de 1 trilh\u00e3o bilh\u00f5es de d\u00f3lares em despesas militares (incluindo os fundos extras e os secretos) e que a presen\u00e7a militar dos EUA no mundo se mant\u00eam ativa em 576 bases militares (sem considerar as que s\u00e3o colocadas a disposi\u00e7\u00e3o pelos \u201caliados\u201d). Apesar disso, a referida Comiss\u00e3o recomendava ao Congresso de \u201c<em>aumentar as verbas para a despesa militar de forma que os EUA poder\u00e3o refor\u00e7ar sua presen\u00e7a militar na regi\u00e3o \u00c1sia\/Pacifico e, assim, contrabalancear as crescentes capacidades militares da China<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A grande m\u00eddia n\u00e3o divulgou que Obama concordou com os programas do Pent\u00e1gono que, at\u00e9 2020, prev\u00ea concentrar no Pac\u00edfico 60% dos navios da Marinha (U.S. Navy), multiplicando, assim, o potencial b\u00e9lico do Comando do Pac\u00edfico que, atualmente disp\u00f5e de 360.000 soldados, 200 navios e 1500 jatos de guerra entre bombardeiros e ca\u00e7as.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio do Pent\u00e1gono se pede, tamb\u00e9m, \u00e0 Casa Branca promover nos pa\u00edses membros do ASEAN uma pol\u00edtica mais din\u00e2mica, para evitar que o aumento da presen\u00e7a militar dos EUA na regi\u00e3o \u00c1sia\/Pacifico seja criticada, alimentando as rea\u00e7\u00f5es nacionalistas e anti-estadunidenses.<\/p>\n<p>Consequentemente, Obama, transformou as cr\u00edticas da Comiss\u00e3o \u201c<em>US-China Economic and Security Review Commission\u201d <\/em>em agenda de trabalho para o G-20. Por isso tudo, o presidente dos EUA estimulou o governo da \u00cdndia em fazer sentir sua voz (militar) na regi\u00e3o \u00c1sia\/Pac\u00edfico, sabendo que entre a China e a \u00cdndia \u2013 apesar de estarem juntos nos BRICs \u2014 h\u00e1 profundas diverg\u00eancias sobre as defini\u00e7\u00f5es territoriais nas regi\u00f5es da cordilheira do Himalaia.<\/p>\n<p>A reformula\u00e7\u00e3o do programa \u201c<em>Pivot to \u00c1sia n\u00ba2<\/em>\u201d e a quest\u00e3o ambiental foram apresentadas pela grande m\u00eddia como um extraordin\u00e1rio sucesso pol\u00edtico e diplom\u00e1tico do presidente Barack Obama, que desta forma conseguiu recuperar parte da popularidade que perdeu recentemente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esse cen\u00e1rio feliz logo mudou quando o ministro da Energia da \u00cdndia, Piyush Goyal declarou: \u201c<em>as necessidades do desenvolvimento industrial da \u00cdndia n\u00e3o podem ser sacrificadas no altar de uma potencial mudan\u00e7a clim\u00e1tica que ir\u00e1 a acontecer daqui a muitos anos. O Ocidente dever\u00e1 reconhecer que somos n\u00f3s, e n\u00e3o eles, que devemos dar uma resposta \u00e0s necessidades da pobreza. Por isso a \u00cdndia passara a aumentar a extra\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o de 565 milh\u00f5es de toneladas para 1 bilh\u00e3o em 2019\u201d.<\/em><\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es do ministro Piyush Goyal tiveram um imediato efeito negativo, desmanchando a m\u00e1scara ambiental que Obama havia constru\u00eddo em Brisbane durante a reuni\u00e3o dos G-20. De fato, o primeiro-ministro da \u00cdndia, Narendra Modi, n\u00e3o desmentiu seu ministro da Energia, pelo contr\u00e1rio, sublinhou que o governo indiano realizar\u00e1, apenas, alguns projetos com centrais e\u00f3licas e solares, dando mais aten\u00e7\u00e3o e financiamento \u00e0 extra\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o. Declara\u00e7\u00f5es que frustraram as manobras da Casa Branca e a retomada da popularidade de Obama, do momento que o carv\u00e3o \u00e9 o principal respons\u00e1vel da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p>A queda de popularidade de Obama se tornou efetiva quando a Casa Branca e a \u201cgrande m\u00eddia\u201d se deram conta que o presidente chin\u00eas, Xi Jinping, logo ap\u00f3s o G20, devolveu a Barack Obama o golpe do \u201c<em>Pivot to \u00c1sia n\u00ba2<\/em>\u201d, assinando um importante acordo comercial com a Austr\u00e1lia, que, em termos pol\u00edticos, vai enfraquecer a ASEAN e, consequentemente, a estrat\u00e9gia dos EUA na regi\u00e3o \u00c1sia\/Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>De fato, sem ningu\u00e9m perceber, o primeiro ministro australiano, Tony Abbott, se reuniu com o homologo chin\u00eas, Xi Jinping, para assinar uma declara\u00e7\u00e3o comum para implementar, em 2015, um acordo de livre troca comercial (Free Trade Agreement \u2013 FTA), entre a China e a Austr\u00e1lia. Um acordo que dever\u00e1 eliminar em 95% as barreiras alfandeg\u00e1rias dos produtos australianos destinados \u00e0 China, dando facilita\u00e7\u00f5es n\u00e3o indiferentes aos investimentos chineses na Austr\u00e1lia. Desta forma as trocas comerciais entre os dois pa\u00edses dever\u00e3o passar dos atuais 150 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para 300. Valores que devem enterrar o aspecto econ\u00f4mico do Trans-Pacific Partnership &#8211; TPP idealizado pelos EUA e que, na realidade era o instrumento econ\u00f4mico para a afirma\u00e7\u00e3o do programa \u201c<em>Pivot to Asian\u00ba2<\/em>\u201d, com o qual Obama pretende obrigar os pa\u00edses da regi\u00e3o \u00c1sia\/Pacifico em aceitar o aumento da presencia militar dos EUA.<\/p>\n<p><strong>Nova guerra fria contra a R\u00fassia<\/strong><\/p>\n<p>Para o presidente dos EUA, Barack Obama, e a primeira-ministra da Alemanha, \u00c2ngela Merkel, era de fundamental import\u00e2ncia pol\u00edtica poder romper com Putin de forma estrondosa, captando a aten\u00e7\u00e3o da \u201cgrande m\u00eddia\u201d ocidental e asi\u00e1tica e assim poder denunciar a rebeli\u00e3o no leste da Ucr\u00e2nia como artimanha da pr\u00f3pria R\u00fassia. Foi nesse \u00e2mbito que as excel\u00eancias da Casa Branca transformaram o G-20 em um palanque onde o presidente Obama apareceu para promover o lan\u00e7amento de uma moderna \u201cguerra fria\u201d, que antes de chegar a amea\u00e7ar a R\u00fassia com repres\u00e1lias militares, como nos tempos de Ronald Reagan, vai utilizar os meandros das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas bilaterais e regionais e, sobretudo, as chantagens financeiras para dobrar o advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Com seu show no G-20, Obama conseguiu demonstrar \u00e0 maioria republicana do Congresso que n\u00e3o vai perdoar nada a Putin, reafirmando o \u201cConceito Estrat\u00e9gico da Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica (OTAN) para o s\u00e9culo XXI\u201d, que foi elaborado, em 1999, por Madeleine Albright (ex-Secret\u00e1ria de Estado no governo de Bill Clinton), apresentado o relat\u00f3rio program\u00e1tico \u201cOTAN 2020: Seguran\u00e7a Assegurada; Compromisso Din\u00e2mico\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, Obama garantiu \u00e0 maioria republicana do Congresso que n\u00e3o massacrar\u00e1 os contribuintes com novos impostos para financiar o rearmamento do Pent\u00e1gono. Motivo pelo qual a Casa Branca vai repassar aos aliados europeus os encargos financeiros do rearmamento da \u201cfrente oriental da OTAN\u201d, dando assim um impulso duplo \u00e0 identidade estrat\u00e9gica da OTAN que, desta forma, assume o papel de \u201ctrait d\u2019union dans la politique strategique\u201d (linha de unifica\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica estrat\u00e9gica).<\/p>\n<p>Um papel que os generais de Bruxelas &#8211; bem monitorados pelos oficiais superiores do Pent\u00e1gono &#8211; est\u00e3o cumprindo perfeitamente, explorando as amea\u00e7as do expansionismo russo. Um contexto alarmista que contribui em manter unidos os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, em um momento de crise aguda, onde as tem\u00e1ticas econ\u00f4micas e financeiras ditadas pela Alemanha e o BCE s\u00e3o consideradas imposi\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias e recessivas que contrariam o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>De fato, a maior parte dos analistas da \u201cgrande imprensa\u201d silencia a evolu\u00e7\u00e3o dessa nova guerra fria que o Pent\u00e1gono e a Casa Branca est\u00e3o construindo com a amplia\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses europeus do Programa de Defesa de M\u00edsseis Bal\u00edsticos em Teatro Ativo (Active Layered Theatre Ballistic Missile Defence Programme) e do Sistema Integrado de Defesa A\u00e9rea a Meio Alcance (Medium Extended Air Defense System \u2013 MEADS), que foi planejado j\u00e1 em 2009 para ser instalado nos EUA, na Alemanha e na It\u00e1lia com o objetivo de garantir o funcionamento de uma \u201cestrutura defensiva de m\u00edsseis dos EUA por toda a Europa e o Oriente M\u00e9dio\u201d. Al\u00e9m disso, o Pent\u00e1gono e os chamados \u201cdemocratas\u201d da Casa Branca concordaram em manter nas bases a\u00e9reas da B\u00e9lgica, da Alemanha, da It\u00e1lia, dos Pa\u00edses Baixos e da Turquia pelo menos 200 bombas nucleares.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o elemento mais devassante dessa \u201cmoderna guerra fria\u201d \u00e9 a subordina\u00e7\u00e3o da OTAN aos sistemas estadunidenses de m\u00edsseis e a chamada \u201cciberguerra\u201d com a qual o Pent\u00e1gono e a OTAN fingem proteger toda a Europa de poss\u00edveis ataques da R\u00fassia, para transferir suas unidades militares e suas infraestruturas de espionagem eletr\u00f4nica ao longo da fronteira ocidental russa, isto \u00e9, do Mar B\u00e1ltico at\u00e9 o Mar Negro.<\/p>\n<p>Nesse \u00e2mbito, o Pent\u00e1gono conseguiu instalar bases militares permanentes (a\u00e9reas, terrestres e para lan\u00e7amento de m\u00edsseis) nos territ\u00f3rios da Pol\u00f4nia, da Litu\u00e2nia, da Hungria, da Bulg\u00e1ria, da Rom\u00eania e logicamente no Kosovo, o pseudo-Estado criado pelos EUA ap\u00f3s os ataques que provocaram a desintegra\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Iugoslava. Al\u00e9m disso, a CIA est\u00e1 continuando a constru\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cs\u00edtios negros\u201d em diferentes territ\u00f3rios dos pa\u00edses europeus ligados \u00e0 OTAN para armazenar bombas nucleares estadunidenses. Apesar das nega\u00e7\u00f5es dos governos locais, sabe-se que a CIA e o Pent\u00e1gono j\u00e1 transferiram os artefatos nucleares para a base de Siauliai na Litu\u00e2nia, de Amari na Est\u00f4nia, de Swidwin na Pol\u00f4nia, de Mihail Kogalniceanu na Rom\u00eania e de Graf Ignatievo e Bezmer na Bulg\u00e1ria e sabe-se l\u00e1 onde mais!<\/p>\n<p>Se depois consideramos que, desde 2012, os ca\u00e7as F-15 Eagle dos EUA, estacionados na base a\u00e9rea de Siauliai, na Litu\u00e2nia, patrulham diariamente o espa\u00e7o a\u00e9reo ao longo do litoral russo no Mar B\u00e1ltico, enquanto no nordeste da Pol\u00f4nia, tamb\u00e9m em frente \u00e0 fronteira com a R\u00fassia, o governo polon\u00eas autorizou a instala\u00e7\u00e3o de tr\u00eas baterias de m\u00edsseis antibal\u00edsticos dos EUA (<em>Patriot Advanced Capability<\/em>) e que a Ucr\u00e2nia devia ser transformada na principal fortaleza da OTAN no Leste europeu, se entende porque a R\u00fassia apoiou primeiro o movimento separatista na Crim\u00e9ia e depois a rebeli\u00e3o no leste da Ucr\u00e2nia, onde as popula\u00e7\u00f5es, ainda por cima, s\u00e3o todas russ\u00f3filas.<\/p>\n<p>Assim, depois de ter articulado o isolamento da China nesse G-20, Obama, com a ajuda da Merkel, conseguiu congelar a presen\u00e7a de Putin em Brisbane, sem, por\u00e9m, ter obtido dele uma m\u00ednima flex\u00e3o, tanto que ap\u00f3s ter conversado duramente com \u00c2ngela Merkel optou voltar para Moscou. Diante disso, a crise ucraniana permanece tal e qual era antes do G-20, com um silencioso \u201c<em>status quo<\/em>\u201d que, de certa forma, legitima a exist\u00eancia pol\u00edtica do movimento separatista e a real impossibilidade por parte do governo de Kiev de derrot\u00e1-lo do ponto de vista militar, ou de desfaz\u00ea-lo, introduzindo tardias medidas federativas.<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong> (1) Uni\u00e3o Europeia; Grupo 1: Austr\u00e1lia, Canad\u00e1., Ar\u00e1bia Saudita, Estado Unidos; Grupo 2: \u00cdndia, R\u00fassia, \u00c1frica do Sul, Turquia; Grupo 3: Argentina, Brasil, M\u00e9xico; Grupo 4: Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia, Reino Unido; Grupo 5: China, Indon\u00e9sia, Jap\u00e3o, Coreia do Sul.<\/p>\n<p><strong>Achille Lollo \u00e9 jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na It\u00e1lia, editor do programa TV \u201cQuadrante Informativo\u201d e colunista do &#8220;Correio da Cidadania&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><strong>A publica\u00e7\u00e3o deste texto \u00e9 livre, desde que citada a fonte e o endere\u00e7o eletr\u00f4nico da p\u00e1gina do Correio da Cidadania.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7217\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7217","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Sp","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7217\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}