{"id":7243,"date":"2014-12-11T19:23:03","date_gmt":"2014-12-11T19:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7243"},"modified":"2014-12-11T19:23:03","modified_gmt":"2014-12-11T19:23:03","slug":"a-lenda-do-mal-menor-ou-a-arte-de-votar-util-e-ganhar-um-governo-inutil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7243","title":{"rendered":"A lenda do mal menor ou a arte de votar \u00fatil e ganhar um governo in\u00fatil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Indigna\u00e7\u00e3o. Frustra\u00e7\u00e3o. Decep\u00e7\u00e3o. <\/em>Este \u00e9 o sentimento da maior parte da esquerda brasileira que votou \u00fatil nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, ap\u00f3s o an\u00fancio da nova equipe ministerial do governo do Partido dos Trabalhadores (PT). N\u00e3o se deve esquecer que foi exatamente o voto da esquerda, o voto no mal menor, que fez a diferen\u00e7a e tornou poss\u00edvel a apertada vit\u00f3ria da candidata Dilma Roussef na mais acirrada disputa eleitoral dos \u00faltimos 30 anos, sem o qual estaria encerrado o ciclo do PT na presid\u00eancia da Rep\u00fablica, iniciado em 2002, com a elei\u00e7\u00e3o de Lula.<\/p>\n<p>Em sintonia com o tradicional imagin\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, herdado do per\u00edodo da ditadura militar, quando todas as for\u00e7as progressistas convergiam para o candidato comum contra o regime militar, a maior parte dessa esquerda votou na presidente Dilma, n\u00e3o porque concordasse com a trajet\u00f3ria dos governos petistas, mas para derrotar A\u00e9cio Neves, o mal maior, cujo partido governou o Brasil no per\u00edodo 1994-2002 e foi o respons\u00e1vel pela implanta\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais, pelas privatiza\u00e7\u00f5es, pela corrup\u00e7\u00e3o generalizada e pela ofensiva contra os direitos e garantias dos trabalhadores.<\/p>\n<p>No entanto, o pr\u00eamio por este gesto generoso, uma esp\u00e9cie de \u00faltima oportunidade ao PT, foi muito al\u00e9m daquilo que o mais pessimista dos observadores da pol\u00edtica poderia imaginar. Menos de um m\u00eas ap\u00f3s a vit\u00f3ria, o governo aumentou a taxa de juros duas vezes e depois anunciou a nomea\u00e7\u00e3o do banqueiro ultra-ortodoxo Joaquim Levy para o Minist\u00e9rio da Fazenda, da senadora latifundi\u00e1ria Katia Abreu para a pasta da agricultura e de Armando Monteiro, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Essas indica\u00e7\u00f5es n\u00e3o significam um recuo t\u00e1tico de um governo sitiado pelo conservadorismo e pela crise econ\u00f4mica, como poderia parecer \u00e0 primeira vista. Pelo contr\u00e1rio, essa foi a l\u00f3gica do PT desde o primeiro mandato de Lula quando, ap\u00f3s a vit\u00f3ria em 2002, nomeou Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco de Boston, para a presid\u00eancia do Banco Central, aumentou o super\u00e1vit prim\u00e1rio e a taxa de juros e manteve no governo Joaquim Levy, que era da administra\u00e7\u00e3o de Fernando Henrique Cardoso. Tudo muito semelhante ao que est\u00e1 acontecendo agora. S\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer ou quer se auto-enganar.<\/p>\n<p>Quem imaginava que o governo social-liberal do Partido dos Trabalhadores seria capaz de realizar alguma mudan\u00e7a de rumo com o segundo mandato de Dilma ou que votando \u00fatil estaria evitando o retorno das for\u00e7as do atraso, deve estar acumulando mais um ros\u00e1rio de frustra\u00e7\u00f5es. O que devemos esperar desse novo governo \u00e9 uma guinada mais \u00e0 direita, n\u00e3o s\u00f3 porque \u00e9 incapaz de romper com o modelo de governabilidade estruturada desde Lula, como tamb\u00e9m porque as for\u00e7as mais reacion\u00e1rias aprenderam que \u00e9 s\u00f3 aumentar a press\u00e3o que o governo cede aos seus interesses, fato que se alia \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica mundial para a qual o Brasil n\u00e3o est\u00e1 blindado.<\/p>\n<p><strong>Uma campanha emocional <\/strong><\/p>\n<p>Para compreendermos a conjuntura na qual se realizou as elei\u00e7\u00f5es no Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio dizer que a grande maioria dos companheiros de esquerda que votou \u00fatil nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es o fizeram de maneira sincera, na boa f\u00e9, com esperan\u00e7a de que este voto n\u00e3o s\u00f3 evitaria o retorno do governo do PSDB, como poderia haver ainda a possibilidade de um giro \u00e0 esquerda do novo governo, afinal no segundo mandato Dilma j\u00e1 n\u00e3o teria mais compromissos com reelei\u00e7\u00e3o e na pr\u00f3pria campanha a candidata prometeu um governo novo, com novas ideias e nova pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Vale lembrar ainda que os operadores de marketing da campanha Dilma foram muito competentes e h\u00e1beis em criar um clima de medo e p\u00e2nico entre as for\u00e7as progressistas, em fun\u00e7\u00e3o da possibilidade real de volta do PSDB ao governo. Essa opera\u00e7\u00e3o, muito bem sucedida, foi aos poucos, quebrando resist\u00eancias, dobrando os esp\u00edritos mais cr\u00edticos e envolvendo at\u00e9 parte da milit\u00e2ncia que estava adormecida em conseq\u00fc\u00eancia das frustra\u00e7\u00f5es e da passividade semeada pelo PT ao longo dos 12 anos de mandato.<\/p>\n<p>\u00c0 medida em que a elei\u00e7\u00e3o se aproximava e que o perigo de derrota do PT se tornava um dado da realidade, a opera\u00e7\u00e3o p\u00e2nico e medo se tornou mais aberta, estimulada diga-se de passagem pela postura da candidata Dilma que, vestida de vermelho e com o dedo em riste, radicalizava o discurso contra os banqueiros, contra as elites, contra o arrocho salarial, contra a independ\u00eancia do Banco Central, em defesa do desenvolvimento, do emprego, da renda, dos pobres e oprimidos.<\/p>\n<p>Criou-se assim um clima emocional como se <em>esquerda <\/em>e <em>direita <\/em>estivessem numa disputa acirrada. A partir da\u00ed, intelectuais progressistas, personalidades, sindicatos, movimentos sociais, ONGs, todos come\u00e7aram a se manifestar abertamente pelo voto \u00fatil. Passou\u2013se da avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ao voto apaixonado e adesista. Esqueceu-se as privatiza\u00e7\u00f5es mascaradas de parcerias p\u00fablico-privadas, o financiamento a juro real zero aos grandes grupos privados para formar oligop\u00f3lios internacionais, o financiamento aos grupos educacionais privados, atrav\u00e9s do Prouni e Pronatec, o leil\u00e3o privatista do campo de petr\u00f3leo de Libra, a privatiza\u00e7\u00e3o dos hospitais universit\u00e1rios, o fundo de previd\u00eancia dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e o pagamento exorbitante dos juros da d\u00edvida interna.<\/p>\n<p>Nessa conjuntura emocional e irracional, aqueles que ainda mantinham o senso cr\u00edtico eram criticados nas redes sociais e alguns espa\u00e7os da m\u00eddia corporativa. Eram os radicais, os politicamente irrespons\u00e1veis e insens\u00edveis \u00e0 correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, a ultra-esquerda fazendo o jogo da direita em fun\u00e7\u00e3o de sua cegueira pol\u00edtica. Buscava-se assim ofuscar a an\u00e1lise de classe e apagar da mem\u00f3ria a pol\u00edtica real dos governos petistas, como a coopta\u00e7\u00e3o do movimento sindical e social, o apassivamento dos trabalhadores e a despolitiza\u00e7\u00e3o da sociedade promovida nestes \u00faltimos 12 anos. Poucos mantiveram a postura cr\u00edtica, mesmo tendo que navegar temporariamente contra a mar\u00e9.<\/p>\n<p>Na verdade, avaliando agora mais friamente, sem as paix\u00f5es conjunturais, os companheiros da esquerda que votaram \u00fatil est\u00e3o se dando conta de que n\u00e3o estava em disputa <em>esquerda <\/em>e <em>direita <\/em>coisa nenhuma. Essa era apenas a apar\u00eancia de como o fen\u00f4meno se apresentava para as for\u00e7as progressistas, um enredo que as classes dominantes impuseram atrav\u00e9s da m\u00eddia corporativa. O que estava efetivamente em disputa eram os projetos de duas vari\u00e1veis das fra\u00e7\u00f5es do bloco dominante. Uma, representada por A\u00e9cio Neves, queria governar com liberdade total para o mercado e o capital financeiro e a outra, representada por Dilma, queria governar com um pouco mais de Estado para que o mercado funcionasse de maneira mais eficiente e com pouco riscos.<\/p>\n<p>Quando o PCB reuniu o Comit\u00ea Central, duas semanas antes do segundo turno, e se decidiu pelo voto nulo, sab\u00edamos que ir\u00edamos enfrentar uns tr\u00eas meses de cr\u00edticas de muitos setores de esquerda, assim como fomos criticados quando abandonamos o governo Lula em 2005 e quando rompemos com o etapismo com o XIII Congresso. Naquele per\u00edodo, passamos algumas dificuldades moment\u00e2neas, mas depois a realidade nos deu raz\u00e3o. Assim tamb\u00e9m aconteceu com as recentes elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Pens\u00e1vamos que ao longo de tr\u00eas meses remar\u00edamos contra a mar\u00e9, mas sab\u00edamos que 90 dias n\u00e3o \u00e9 um tempo longo para uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Basta ter paci\u00eancia e esperar o veredito da realidade.<\/p>\n<p>Sem nenhum exerc\u00edcio de arrog\u00e2ncia, s\u00f3 um partido revolucion\u00e1rio, que faz uma leitura concreta da realidade baseada no marxismo, tem seguran\u00e7a para tomar uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica t\u00e3o dif\u00edcil, num momento de tanta emocionalidade, de tanta tens\u00e3o da luta de classes, de tanta confus\u00e3o entre os revolucion\u00e1rios, remar contra a mar\u00e9 do voto \u00fatil e dizer abertamente que est\u00e1 na hora de acabar com o baile de m\u00e1scaras, com esse ritual masoquista de sempre optar pelo mal menor nas disputas acirradas e continuar sofrendo obsequiosamente pelos pr\u00f3ximos quatro anos, at\u00e9 a quest\u00e3o voltar novamente como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n<p>No entanto, desta vez a realidade se imp\u00f4s mais depressa. Alguns dias ap\u00f3s o resultado das urnas a presidente aumentou a taxa de juros e o pre\u00e7o da gasolina. Bom, mas juros altos \u00e9 algo que a sociedade brasileira j\u00e1 est\u00e1 acostumada e a gasolina n\u00e3o aumentava h\u00e1 bastante tempo, diziam os eternos otimistas. Mas enquanto crescia a expectativa e as press\u00f5es do mercado financeiro e da m\u00eddia para que o governo anunciasse logo os respons\u00e1veis pela \u00e1rea econ\u00f4mica, cresciam tamb\u00e9m os boatos de que a presidente Dilma, aconselhada por Lula, estaria cogitando ningu\u00e9m menos do que o presidente do Bradesco, o segundo maior banco privado do Pa\u00eds, para ministro da Fazenda. Mais uma vez a esquerda que votou \u00fatil creditou essas not\u00edcias a boatos que comumente aparecem \u00e0 v\u00e9speras de decis\u00f5es importantes.<\/p>\n<p>Para quem ainda nutria alguma ilus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos governos petistas, o golpe de miseric\u00f3rdia veio com o an\u00fancio da equipe econ\u00f4mica. Poucos poderiam imaginar que, depois de uma elei\u00e7\u00e3o na qual a esquerda e os movimento sociais jogaram um papel decisivo para a vit\u00f3ria de Dilma, seria anunciada uma equipe econ\u00f4mica t\u00e3o ortodoxa e conservadora, liderada por um banqueiro, como o trio constitu\u00eddo por Joaquim Levy, K\u00e1tia Abreu e Armando Monteiro Filho, o primeiro representante dos banqueiros nacionais e internacionais, o segundo representa os latifundi\u00e1rios mais atrasados do Pa\u00eds e o terceiro representante do grande capital. Quem s\u00e3o esses personagens?<\/p>\n<p><strong><em>Joaquim Levy <\/em><\/strong>\u00e9 o t\u00edpico Chicago Boy e um quadro de ideias neoliberais: formado em engenharia naval pela UFRJ, fez doutorado na Universidade de Chicago. Depois trabalhou no FMI e no Banco Interamericano de Desenvolvimento. Foi secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica na administra\u00e7\u00e3o de Fernando Henrique Cardoso, secret\u00e1rio do Tesouro do governo Lula no per\u00edodo do ultra-ortodoxo Ant\u00f4nio Palocci. Quando foi nomeado ministro da Fazenda era superintendente do Bradesco Asset Management. Foi ativo participante da equipe do programa de A\u00e9cio Neves, coordenado por Arm\u00ednio Fraga, e certamente estaria nesse governo caso tivesse vencido a disputa presidencial.<\/p>\n<p><strong><em>K\u00e1tia Abreu <\/em><\/strong>\u00e9 a representante t\u00edpica dos latifundi\u00e1rios e do agroneg\u00f3cio, ex-integrante do DEM, um partido de direita, ela \u00e9 contra a reforma agr\u00e1ria, contra a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e quilombolas, inimiga do MST e favor\u00e1vel a um c\u00f3digo florestal que libera os propriet\u00e1rios de terra a n\u00e3o rematarem as propriedades devastadas. <strong><em>Armando Monteiro <\/em><\/strong>\u00e9 presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria e foi candidato derrotado do PTB ao governo de Pernambuco. Um homem ligado aos neg\u00f3cios do grande capital. Como \u00e9 a \u00e1rea econ\u00f4mica que manda efetivamente na pol\u00edtica geral do governo, ent\u00e3o j\u00e1 se pode imaginar o que vem pela frente.<\/p>\n<p><strong>Um estelionato eleitoral <\/strong><\/p>\n<p>Por mais que se queira manter as apar\u00eancias, a nomea\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica liderada por Joaquim Levy significa, na pr\u00e1tica, um estelionato eleitoral. Todos lembram da campanha recente, quando Dilma esbravejava contra os banqueiros, contra as elites, contra os juros altos, prometia um governo novo com ideias novas, conclamava a milit\u00e2ncia a barrar o retorno do PSDB e capital financeiro ao poder. Tudo isso se esvaiu no ar como uma bruma passageira. Pode parecer irreal, incompreens\u00edvel, mas esta \u00e9 a realidade concreta da trajet\u00f3ria do PT no governo.<\/p>\n<p>Muitos companheiros de esquerda imaginavam que, diante de um gesto t\u00e3o generoso da milit\u00e2ncia nas elei\u00e7\u00f5es, que acreditou ser verdade as mensagens da presidente, Dilma poderia tomar algumas medidas para compensar aqueles que lhe salvaram o mandato. Mas a presidente fez exatamente o contr\u00e1rio: com seu &#8220;cora\u00e7\u00e3o valente&#8221; esnobou seus companheiros e os que lhe salvaram da forca, trocou de roupa, e foi se refastelar nos bra\u00e7os dos banqueiros, dos latifundi\u00e1rios, agroneg\u00f3cio e do grande capital, justamente os principais inimigos do povo brasileiro, que tanto Dilma jurou combater.<\/p>\n<p>Agora, resta aos companheiros de esquerda que votaram no mal menor apenas lamentar a capitula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e moral, a hipocrisia, a sencerim\u00f4mia e a forma com que foram tratados. Ou ent\u00e3o fazer manifestos moralmente corretos, mas sem nenhum efeito pr\u00e1tico, como um que est\u00e1 circulando nas redes sociais, assinados por personalidades sociais e pol\u00edticas e movimentos sociais, como o economista Luiz Gonzaga Beluzzo, o coordenador do MST, Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile e o te\u00f3logo Leonardo Boff.<\/p>\n<p>No manifesto eles afirmam que a presidente ganhou n\u00e3o porque cortejou as for\u00e7as do rentismo e do atraso, mas porque milhares de militantes volunt\u00e1rios, dos movimentos sociais e dos sindicatos foram capazes de reverter a amea\u00e7a de regress\u00e3o que seria o governo A\u00e9cio Neves. &#8220;A presidente parece levar mais em conta as for\u00e7as cujos representantes derrotou do que dialogar com as for\u00e7as que a elegeram &#8230; A sociedade brasileira n\u00e3o pode ser surpreendida depois das elei\u00e7\u00f5es e tem o direito de participar dos rumos do governo que elegeu&#8221;. Com todo respeito, \u00e9 muita ingenuidade pol\u00edtica acreditar que esse governo pode mudar de dire\u00e7\u00e3o com um simples manifesto pol\u00edtico. Fica registrado o direito de espernear!<\/p>\n<p>Essas nomea\u00e7\u00f5es podem ser consideradas t\u00e3o esdr\u00faxulas, que o pr\u00f3prio mercado foi tomado de surpresa com a indica\u00e7\u00e3o de Joaquim Levy e da senadora Katia Abreu, tanto que logo ap\u00f3s o an\u00fancio a Bolsa de Valores subiu 5% e a m\u00eddia mudou de posi\u00e7\u00e3o e passou a elogiar a escolha. De t\u00e3o inusitado, at\u00e9 mesmo A\u00e9cio Neves, o candidato derrotado, resolveu ironizar a escolha presidencial. &#8220;Como disse meu amigo Arm\u00ednio Fraga, escolher Joaquim Levy para o Minist\u00e9rio da Fazenda no governo do PT, \u00e9 o mesmo que convidar um quadro da CIA para comandar a KGB&#8221;.<\/p>\n<p>Com esta equipe econ\u00f4mica Dilma jogou na lata de lixo n\u00e3o s\u00f3 as promessas de campanha, mas na pr\u00e1tica ir\u00e1 implementar a agenda do candidato derrotado, com todas as consequ\u00eancias sociais e pol\u00edticas para os trabalhadores. Mas essa op\u00e7\u00e3o pode ser tamb\u00e9m perigosa para os interesses do PT, pois a estrat\u00e9gia de adular o mercado financeiro, o grande capital e o agroneg\u00f3cio pode se constituir numa canoa furada, pois esses setores v\u00e3o continuar pressionando por mais concess\u00f5es, mais medidas antipopulares. At\u00e9 o momento em que resolverem deixar de terceirizar o Planalto. Vender a alma ao diabo nunca foi um bom neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Pelo menos, esse epis\u00f3dio deixou uma grande li\u00e7\u00e3o: o voto \u00fatil, o voto no mal menor, est\u00e1 com seus dias contados no Brasil. A partir de agora, as pessoas est\u00e3o vacinadas, mais espertas quanto as verdadeiras inten\u00e7\u00f5es do Partido dos Trabalhadores. Essa talvez tenha sido a \u00faltima oportunidade em que o PT teve condi\u00e7\u00f5es de se apresentar como organiza\u00e7\u00e3o capaz de ainda sensibilizar setores de esquerda a lhe dar um voto de confian\u00e7a. O estelionato eleitoral n\u00e3o ter\u00e1 muito futuro a partir de agora.<\/p>\n<p>Isso ser\u00e1 melhor para toda a esquerda que quer realmente as transforma\u00e7\u00f5es sociais no Brasil. Agora, as ilus\u00f5es com o caminho puramente institucional est\u00e3o chegando ao fim. Torna-se necess\u00e1rio construir outras alternativas para enfrentar o per\u00edodo duro que se aproxima. E essa alternativa n\u00e3o passa mais por miragens como o &#8220;governo em disputa&#8221; ou que em algum momento do futuro o PT mudar\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o da crise. Quando maior a crise, maior ser\u00e1 sua guinada \u00e0 direita, maiores ser\u00e3o as concess\u00f5es feitas aos inimigos do povo brasileiro. Quem quiser se enganar pode continuar lutando por dentro do PT, mas a partir de agora isso representar\u00e1 acomoda\u00e7\u00e3o e oportunismo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A alternativa que se desenha com este novo governo, com a crise mundial e suas repercuss\u00f5es no Brasil, \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, a reconquista dos sindicatos dirigidos pelos pelegos cor-de-rosa da CUT e os pelegos amarelos da For\u00e7a Sindical, as greves \u00e0 revelia das dire\u00e7\u00f5es sindicais, como j\u00e1 ocorreu com os garis do Rio de Janeiro, os oper\u00e1rios do Complexo Petroqu\u00edmico tamb\u00e9m do Rio e os motoristas de \u00f4nibus de S\u00e3o Paulo, apenas para citar os tr\u00eas casos mais emblem\u00e1ticos. \u00c9 hora de retomar as manifesta\u00e7\u00f5es de rua como as de junho, s\u00f3 que agora mais organizadas e com dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e trabalhar pela constru\u00e7\u00e3o da <em>Frente Pelo Poder Popular, <\/em>de forma a reunir condi\u00e7\u00f5es para colocar o proletariado em movimento e transformar em plataforma pol\u00edtica o grande descontentamento da popula\u00e7\u00e3o contra a ordem do capital em frangalhos, apesar de sua apar\u00eancia monol\u00edtica.<\/p>\n<p>Para esta tarefa cremos que \u00e9 poss\u00edvel contar com a imensa maioria dos companheiros de esquerda que votaram \u00fatil para barrar o mal maior. Como podemos ler na resolu\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Central do PCB, elaborada duas semanas antes da elei\u00e7\u00e3o: &#8220;Respeitamos aqueles companheiros de esquerda que consideram que as diferen\u00e7as entre PSDB e PT ainda s\u00e3o relevantes e que votar\u00e3o em Dilma como um &#8220;mal menor&#8221;. Contamos com esses companheiros nas acirradas lutas que se aproximam&#8221;. Esta \u00e9 a tarefa que o proletariado espera de suas organiza\u00e7\u00f5es!<strong>*Diretor do Instituto Caio Prado Junior e um dos editores da revista <em>Novos Temas. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nEdmilson Costa*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7243\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[121],"tags":[],"class_list":["post-7243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c134-eleicoes-2014"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1SP","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7243\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}