{"id":7258,"date":"2014-12-15T14:51:50","date_gmt":"2014-12-15T14:51:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7258"},"modified":"2014-12-16T02:50:07","modified_gmt":"2014-12-16T02:50:07","slug":"os-generais-tambem-choram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7258","title":{"rendered":"Os generais tamb\u00e9m choram"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Debate geral: Uma fotografia da guerra e da paz<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio da pris\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o do brigadeiro general Rub\u00e9n Dar\u00edo Alzate, despojado de suas caracter\u00edsticas macondianas, que fariam ruborizar nosso desaparecido Nobel, bem pode ser uma s\u00edntese do momento exato do desenvolvimento da guerra em nosso pa\u00eds e da dura luta pela conquista de uma sa\u00edda para mais de meio s\u00e9culo de confrontos. Digamos que todas as situa\u00e7\u00f5es ocorridas em torno deste fato configuram uma excelente fotografia do conflito social armado, apenas ofuscada pela eloquente imagem do comandante guerrilheiro Pastor Alape junto ao general oficial libertado no marco da miss\u00e3o humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da foto que irritou o fascismo, o retrato de fundo revela que a pris\u00e3o do general \u00e9 inocult\u00e1vel. A fal\u00e1cia da \u201cp\u00f3s-vit\u00f3ria\u201d e do \u201cp\u00f3s-conflito militar\u201d que chegou a pregar o controle territorial das For\u00e7as Armadas oficiais sobre a totalidade do territ\u00f3rio nacional, \u00e9 uma mentira catedr\u00e1tica, com o agravante de que as exig\u00eancias da nova espacialidade capitalista da reprimariza\u00e7\u00e3o financeira precisamente focam nestas zonas de grande opera\u00e7\u00e3o armada do conflito.<\/p>\n<p>O peculiar \u2013 e caso queira, fortuito \u2013 do caso n\u00e3o pode eclipsar a continuidade \u2013 n\u00e3o precisamente frustrada \u2013 da realidade hist\u00f3rica estrutural da a\u00e7\u00e3o insurgente. O debate sobre um estado em que se abole o exerc\u00edcio do monop\u00f3lio da coer\u00e7\u00e3o e luta uma guerra assim\u00e9trica, n\u00e3o pode ser o esfor\u00e7o militar de sua contraparte em clara inferioridade t\u00e9cnica e quantitativa: o problema n\u00e3o \u00e9 se o general foi capturado em combate ou em descanso, mas que n\u00e3o pode atuar plenamente em seu teatro de opera\u00e7\u00f5es, precisamente pela a\u00e7\u00e3o da insurg\u00eancia.<\/p>\n<p>O general Alzate e seus acompanhantes foram feitos prisioneiros n\u00e3o na selva densa, mas em um povoado situado a 15 minutos do rio Atrato \u2013 a principal via de comunica\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o de Quibd\u00f3. Mobilizaram uma For\u00e7a Tarefa com mais de 2500 homens e numerosas lanchas e avi\u00f5es. Durante quase uma semana de operativos de resgate, inclusive com bombardeios, e duas semanas de militariza\u00e7\u00e3o da zona com mais de cinco mil novos efetivos, as For\u00e7as Armadas oficiais n\u00e3o encontraram o general, como tampouco emboscaram for\u00e7as guerrilheiras.<\/p>\n<p>As paup\u00e9rrimas condi\u00e7\u00f5es de vida dos habitantes do Choc\u00f3 n\u00e3o possuem compara\u00e7\u00e3o. Estamos falando de uma zona que faz parte das prioridades pol\u00edticas e econ\u00f4micas da acumula\u00e7\u00e3o por despojo do grande capital na Col\u00f4mbia, considerando os numerosos megaprojetos de explora\u00e7\u00e3o florestal, direitos de minera\u00e7\u00e3o e transporte fluvial existente. O superintendente de Not\u00e1rios e Registro a situa como uma das regi\u00f5es de implanta\u00e7\u00e3o das chamadas Zidres, impulsionadas pelo projeto de lei 133, a fim de permitir a acumula\u00e7\u00e3o de terrenos para os grandes cons\u00f3rcios transnacionais.<\/p>\n<p>Nos eventos da captura em combate dos dois soldados profissionais da For\u00e7a Tarefa de Quir\u00f3n, no departamento fronteiri\u00e7o de Arauca, terceiro produtor de petr\u00f3leo do pa\u00eds, as farsas midi\u00e1ticas da vit\u00f3ria militar sobre a insurg\u00eancia e do pleno dom\u00ednio do territ\u00f3rio nacional por parte da For\u00e7a P\u00fablica s\u00e3o apresentadas ainda mais evidentes.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui onde empalidecem todos os analistas quantitativos do conflito, os assessores de seguran\u00e7a e vendedores de fumo, que tentam explicar a guerra para justificar seus contratos e n\u00e3o para compreend\u00ea-la em sua complexidade, produzindo estudos para deleitar ouvidos oficiais e da grande imprensa. Realidades t\u00e3o eloquentes, por\u00e9m dificilmente quantific\u00e1veis, como o epis\u00f3dio das duas pris\u00f5es em Choc\u00f3 e Arauca, deveriam obrigar olhares mais integrais sobre o desenvolvimento real do conflito, partindo de leituras qualitativas sobre as regi\u00f5es, constru\u00eddas in situ e n\u00e3o a partir da parcialidade de estat\u00edstica oficial, pr\u00e9-fabricada em prol do mito da vit\u00f3ria contrainsurgente.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dios como os de Arauca e Choc\u00f3 s\u00e3o a mostra irrefut\u00e1vel da fal\u00eancia dos objetivos estrat\u00e9gicos de quase 15 anos de reestrutura\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas, patrocinada pelo Plano Col\u00f4mbia e assessorada por ONGs, como a Funda\u00e7\u00e3o Seguran\u00e7a e Democracia, do senador uribista Alfredo Rangel.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o existe o controle territorial por um ex\u00e9rcito quadruplicado e amamentado com dinheiro imperialista por tr\u00eas d\u00e9cadas dos dois departamentos fundamentais para a nova forma\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, onde se condensam hoje as ambi\u00e7\u00f5es do grande capital, a corrida armamentista colombiana fracassou junto com a quimera pela sa\u00edda militar ao conflito armado. Entende-se, pois, porque os 50 mil rica\u00e7os que pagaram durante uma d\u00e9cada o chamado imposto ao patrim\u00f4nio, sob a promessa uribista de ganhar a guerra, se queixam de seu en\u00e9simo e infrut\u00edfero prolongamento.<\/p>\n<p>O segundo grande aspecto desnudado com a pris\u00e3o do general Alzate est\u00e1 relacionado aos discursos e roupagens falsamente filantr\u00f3picos que, mediante a chamada \u201cA\u00e7\u00e3o Integral\u201d, se converteram em um componente vertebral dos chamados planos de consolida\u00e7\u00e3o. Militares desenvolvendo tarefas civis e sem uniforme n\u00e3o s\u00e3o uma excepcionalidade nem um capricho de domingo do general Alzate, mas uma a\u00e7\u00e3o permanente da For\u00e7a P\u00fablica, que constitui parte de sua estrat\u00e9gia precisamente de controle territorial.<\/p>\n<p>Isto significa que a intercepta\u00e7\u00e3o por parte dos guerrilheiros do general e de seus acompanhantes encarna a impossibilidade da For\u00e7a de Tarefa Tit\u00e1n de exercer seus trabalhos em seu teatro de opera\u00e7\u00f5es e, tamb\u00e9m, o fracasso desta linha de tarefas por seus militares.<\/p>\n<p>A c\u00e2ndida vers\u00e3o do \u201camor aos chocoanos\u201d com termos militares embalando crian\u00e7as e, generosamente, presenteando turbinas no marco de uma messi\u00e2nica \u201cAgenda Estrat\u00e9gica Integral Choc\u00f3 2038\u201d fica para a galeria dos defensores com microfone. Em troca, revelam-se interessantes abordagens em torno desta velha t\u00e1tica de a\u00e7\u00f5es c\u00edvico-militares.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da funcion\u00e1ria do Mindefensa, Gloria Urrego, n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia: mostra a evidente conspira\u00e7\u00e3o de setores civis e econ\u00f4micos com os planos de guerra oficiais, dado o papel desempenhado pelo complexo militar industrial na economia colombiana. Bem mereceria uma discuss\u00e3o sobre se este tipo de funcion\u00e1rio mant\u00e9m sua categoria de pessoa protegida pelo Direito Internacional Humanit\u00e1rio, dada sua clara participa\u00e7\u00e3o no desenvolvimento da guerra, em trabalhos que as pr\u00f3prias For\u00e7as Armadas converteram em capital de sua aposta falida pelo controle territorial.<\/p>\n<p>Rompendo com qualquer defini\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria das For\u00e7as Armadas e com qualquer esbo\u00e7o institucional l\u00f3gico, em torno da A\u00e7\u00e3o Integral presenciamos o desenvolvimento de redes clientelistas assistencialistas, paralelas \u00e0s autoridades civis e manipuladas discretamente pela espada do comando das divis\u00f5es militares. Resta dizer que se o Plano Nacional de Desenvolvimento, de Simoncito Gaviria e de seu jardim de inf\u00e2ncia do DNP, n\u00e3o interessa atender realmente aos problemas do Choc\u00f3, muito menos estes programas, dado o seu insignificante sil\u00eancio, mais parecem populismo armado que aut\u00eanticas medidas em prol do bem-estar social da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, atrav\u00e9s deles e em franco desconhecimento das institui\u00e7\u00f5es locais, que contam com minguados or\u00e7amentos, os altos oficiais aproveitam para criar uma \u201cbase social\u201d civil para seus planos de guerra. Digamos que a A\u00e7\u00e3o Integral \u00e9 uma \u201cmarmelada camuflada\u201d dirigida a incorporar no conflito as camadas pauperizadas e jovens profissionais, mediante o assistencialismo vulgar e a contrata\u00e7\u00e3o com nossos recursos p\u00fablicos. Supondo que com o fim da guerra travada em Havana e a necess\u00e1ria desmilitariza\u00e7\u00e3o da vida social, ser\u00e1 uma nova institucionalidade civil e democr\u00e1tica impulsionada pelos verdadeiros programas requeridos para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas de todos os colombianos.<\/p>\n<p>O terceiro aspecto posto em evid\u00eancia pela conjuntura do general Alzate \u00e9 o manique\u00edsmo ordin\u00e1rio do governo, que coloca em risco o processo de paz ao levantar-se unilateralmente da mesa rompendo os crit\u00e9rios acordados pelos di\u00e1logos. Aparentemente, custa ao governo assimilar a realidade e seus membros continuam atados \u00e0s suas pr\u00f3prias mentiras: as conversa\u00e7\u00f5es de Havana s\u00e3o um processo de paz bilateral entre partes divergentes, n\u00e3o derrotadas no campo de batalha e n\u00e3o o deplor\u00e1vel processo de submiss\u00e3o unilateral \u00e0 justi\u00e7a do atual regime, tal qual o inventam funcion\u00e1rios, empres\u00e1rios e colunistas do status quo.<\/p>\n<p>A teimosia contumaz do estado colombiano, que tentou aplicar a t\u00e1tica sionista de dialogar em meio a ofensivas de exterm\u00ednio de seu interlocutor, n\u00e3o pactuou nem o cessar-fogo bilateral e nem os acordos de regulamenta\u00e7\u00e3o da guerra, o que propicia a continuidade e cotidianidade de atos do conflito armado, em um confronto imposs\u00edvel de ser resolvido pela via belicista.<\/p>\n<p>N\u00e3o se entende porque o presidente, como se fosse um menino rico, faz birra, chuta a mesa e at\u00e9 chama seu irm\u00e3o maior quando sua contraparte adere \u00e0s regras do jogo acordadas mutuamente. Ao que parece, Santos, seus militares e assessores pensavam que dialogar em meio \u00e0 guerra implicava imunidade de suas for\u00e7as oficiais, que acreditavam estar revestidas pelo manto invulner\u00e1vel de sua sofisticada tecnologia e outras fraudes.<\/p>\n<p>Esta indelicadeza talvez refreie momentaneamente o ru\u00eddo dos sabres do generalato e o furor da turba fascist\u00f3ide do uribismo, por\u00e9m n\u00e3o poder\u00e1 nunca ser bem vista ante a comunidade internacional, os pa\u00edses garantidores e facilitadores, testemunhas imparciais do processo de di\u00e1logo e das condi\u00e7\u00f5es iniciais acordadas pelas partes.<\/p>\n<p>\u00c9 apenas compreens\u00edvel que, ao cumprirem-se dois anos depois da instala\u00e7\u00e3o da Mesa, a opini\u00e3o p\u00fablica exija dar passos firmes para mitigar os efeitos do conflito armado com o necess\u00e1rio fim da guerra, assim como avan\u00e7ar para um cessar-fogo bilateral que suspenda o derramamento de sangue em um conflito onde as partes e todos os colombianos fazem frente para dar uma sa\u00edda pol\u00edtica. Est\u00e1 claro que os estrondos da guerra apenas alimentam os inimigos do processo, que aguardam qualquer drama pr\u00f3prio do conflito para agitar os \u00f3dios e desprestigiar os esfor\u00e7os de reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente, foi preciso prender um general j\u00e1 que n\u00e3o bastaram os sofrimentos das comunidades camponesas, prisioneiros pol\u00edticos ou combatentes rasos com os rigores da guerra, para que uma parte do governo entendesse a import\u00e2ncia fundamental deste debate, posto hoje na ordem do dia e no qual a Mesa se prepara para abordar em sua pr\u00f3xima retomada. Hoje, nitidamente, urgem um acordo humanit\u00e1rio especial e um armist\u00edcio, como preliminares da paz est\u00e1vel e duradoura.<\/p>\n<p>Um quarto aspecto relevante, expresso nesta conjuntura, alude \u00e0 velha m\u00e1xima que reza que em um conflito a primeira v\u00edtima \u00e9 a verdade. A forma com que o ministro da Guerra, Juan Carlos Pinz\u00f3n, e seu generalato calaram os soldados profissionais da For\u00e7a de Tarefa Quir\u00f3n, o cabo Rodr\u00edguez e a funcion\u00e1ria do batalh\u00e3o Gloria Urrego, e impediram as declara\u00e7\u00f5es do general Alzate at\u00e9 que o discurso, sem r\u00e9plicas e nem perguntas, claramente pr\u00e9-fabricado pelos assessores de imagem dos uniformizados fosse lido por este em um aut\u00eantico show midi\u00e1tico, n\u00e3o deixa nenhuma d\u00favida que se oculta da opini\u00e3o p\u00fablica o verdadeiro estado do conflito e a real situa\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Pretende-se apresentar como viciadas as declara\u00e7\u00f5es dos soldados Rivera e D\u00edaz \u00e0s FARC-EP, por\u00e9m fica mais que clara a coer\u00e7\u00e3o aos prisioneiros de guerra libertados para sua retrata\u00e7\u00e3o sob o quarteis e a hierarquia militar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da m\u00f3rbida com\u00e9dia que o epis\u00f3dio gerou, o certo \u00e9 que as sucessivas vers\u00f5es oficiais sobre a cadeia de fatos de reten\u00e7\u00e3o, liberta\u00e7\u00e3o e baixa do general Alzate n\u00e3o s\u00e3o convincentes para ningu\u00e9m, menos para o general Lasprilla e, pela primeira vez em muitos anos, o tradicional feixe de mentiras destiladas pelas vozes militares \u00e9 percebido inclusive pela grande m\u00eddia. Mais al\u00e9m da casu\u00edstica pr\u00f3pria do ocorrido, se evidenciam escusas manipula\u00e7\u00f5es informativas nas for\u00e7as oficiais e graves problemas de comunica\u00e7\u00e3o-coordena\u00e7\u00e3o entre as diferentes inst\u00e2ncias da cadeia de comando que incluem Santos e seu ministro Pinz\u00f3n.<\/p>\n<p>Preocupa mais ainda que, ao redor do mito da honra militar supostamente ofendida nesta conjuntura, se aprofundem as j\u00e1 vis\u00edveis inconformidades do generalato com o processo de paz, situa\u00e7\u00e3o esta que deveria ser prontamente resolvida e transparentemente apresentada ao pa\u00eds. Os amantes da paz n\u00e3o defenestram a esperan\u00e7a de que no marco da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se instale a necess\u00e1ria Comiss\u00e3o da Verdade e Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica, que permita elucidar as intrincadas intrigas tecidas contra a reconcilia\u00e7\u00e3o dos colombianos, por uma fac\u00e7\u00e3o da c\u00fapula militar forjada na Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional na mesm\u00edssima Escola das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Chegamos, pois, a um quinto elemento, desta fotografia da guerra e da paz, suscitada pelo general Alzate: os comandos militares n\u00e3o est\u00e3o prontos para a paz. Os mesmos que se fotografam entretidos com cad\u00e1veres de insurgentes, consideram tratamento indigno e reacionam virulentamente ante a foto de um cumprimento entre um prisioneiro de guerra prestes a ser libertado e o comandante guerrilheiro que a propicia. At\u00e9 a televis\u00e3o p\u00fablica brit\u00e2nica BBC avalia esta insanidade como sintoma de distanciamento da necess\u00e1ria reconcilia\u00e7\u00e3o nacional. Por tr\u00e1s da superestrutura ideol\u00f3gica da suposta \u201chonra militar\u201d e sua humilha\u00e7\u00e3o, existe uma raiz mais secular: o neg\u00f3cio da guerra.<\/p>\n<p>Digamos que retumbam nas for\u00e7as oficiais a frase do velho Marx no Manifesto, quando descreve que o capital despojou de sua aur\u00e9ola todas as profiss\u00f5es que tinham por vener\u00e1veis e dignas de piedoso respeito. A \u201cf\u00e9 na causa\u201d dos generais e sua firme ades\u00e3o \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o do conflito residem no lucrativo complexo militar industrial que controlam.<\/p>\n<p>Em uma deforma\u00e7\u00e3o nefasta do \u201ckeynesianismo militar\u201d, os oficiais de alta patente se decantaram em uma verdadeira fac\u00e7\u00e3o de classe com exorbitantes or\u00e7amentos diretos e de confronta\u00e7\u00e3o que consumir\u00e3o, em 2015, mais de 28 bilh\u00f5es de pesos; possuem aut\u00eanticos monop\u00f3lios, como o do mercado de explosivos para usos civis, que hoje representa 80% do meio bilh\u00e3o de renda do Indumil, de acordo com a produ\u00e7\u00e3o de muni\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00e3o de armas, al\u00e9m de uma alentada lista de mais de 480 mil homens, sendo mais de 226 mil aposentados com descomunais e onerosos privil\u00e9gios. Tudo isso somado ao fragor da Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional, na qual foram adestrados, e as resson\u00e2ncias do discurso fascista durante mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Os setores democr\u00e1ticos t\u00eam raz\u00e3o em assinalar que n\u00e3o existe acordo de paz poss\u00edvel que garanta a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a abertura democr\u00e1tica na Col\u00f4mbia sem incluir uma reforma estrutural das For\u00e7as Militares, sua doutrina e sua cadeia de comando, que ainda delira com uma poss\u00edvel vit\u00f3ria militar e seu anacr\u00f4nico discurso de amea\u00e7a terrorista. Esperamos que a Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Militar, com seu par, o Comando Guerrilheiro de Normaliza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 instalados na mesa de Havana, encaminhem prontamente o compromisso da alta oficialidade com a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e possibilitem o abandono das ambi\u00e7\u00f5es, orgulhos e preju\u00edzos da guerra que hoje cega o generalato.<\/p>\n<p>Assim, obrigado por seus superiores a pedir baixa, o ex-general Alzate teve a voz quebrada. Por\u00e9m, choram tamb\u00e9m todos os generais que se negam a aceitar a realidade da guerra e da paz. Choram porque levaram seu colega durante uma opera\u00e7\u00e3o militar; choram porque ele n\u00e3o foi libertado por seus operativos, mas por um gesto humanit\u00e1rio unilateral da insurg\u00eancia; choram porque os di\u00e1logos continuam e o conflito b\u00e9lico se esgota. Generais da p\u00e1tria: N\u00e3o chorem mais! N\u00e3o ganharam a guerra, por\u00e9m ainda podem ajudar a conquistar a paz.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, os militares como seres pensantes t\u00eam muito que opinar e contribuir com a nova Col\u00f4mbia da paz est\u00e1vel e duradoura. Para isso, t\u00eam de deixar para tr\u00e1s suas amarras a esta guerra fratricida. No grande pacto de reconcilia\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 a nova constitui\u00e7\u00e3o pela paz, devem estar representados todos os setores e express\u00f5es pol\u00edticas, inclusive voc\u00eas, militares. Ainda que neguem, sempre tiveram e t\u00eam poder deliberativo.<\/p>\n<p>Nos vemos na Constituinte!<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.feucolombia.co\/index.php\/pronunciamientos\/203-los-generales-tambien-lloran<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nPor Francisco Toloza\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7258\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-7258","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1T4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7258"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7258\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}