{"id":7272,"date":"2014-12-19T00:19:18","date_gmt":"2014-12-19T00:19:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7272"},"modified":"2014-12-19T00:19:18","modified_gmt":"2014-12-19T00:19:18","slug":"para-chomsky-aqui-se-articula-o-terror-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7272","title":{"rendered":"Para Chomsky, aqui se articula o terror mundial"},"content":{"rendered":"\n<p>Intelectual dissidente analisa campanhas de sabotagem deflagradas pelos EUA contra Angola, Cuba e Nicar\u00e1gua. E alerta: Washington continua a desestabilizar advers\u00e1rios<\/p>\n<p>Por Noam Chomsky | Tradu\u00e7\u00e3o: Mariana Bercht<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 oficial: os EUA s\u00e3o o maior Estado terrorista do mundo e se orgulham disso\u201d.<\/p>\n<p>Essa deveria ter sido a manchete da not\u00edcia principal do New York Times no dia 15 de outubro, que foi polidamente intitulada \u201cOs Estudos da CIA sobre ajuda secreta alimentam ceticismo sobre a ajuda aos rebeldes s\u00edrios\u201d. O artigo relata uma revis\u00e3o da CIA sobre as opera\u00e7\u00f5es secretas dos EUA para determinar sua efetividade. A Casa Branca concluiu que infelizmente os sucessos foram t\u00e3o raros que \u00e9 necess\u00e1rio repensar essa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O texto cita o Presidente Barack Obama, dizendo que ele solicitou \u00e0 CIA que conduzisse a revis\u00e3o para encontrar casos de \u201cfinanciamentos e fornecimento de armas para grupos insurgentes em um pa\u00eds que realmente tenham funcionado. E eles n\u00e3o encontraram muitos\u201d. Por isso, Obama reluta em manter tais esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>O primeiro par\u00e1grafo do artigo do Times cita tr\u00eas grandes exemplos de \u201cajuda secreta\u201d: Angola, Nicar\u00e1gua e Cuba. Na verdade, cada um desses casos foi uma grande opera\u00e7\u00e3o terrorista conduzida pelos EUA. Angola foi invadida pela \u00c1frica do Sul, que, segundo Washington, defendia-se de um dos \u201cmaiores grupos terroristas\u201d do mundo \u2013 o Congresso Nacional Africano, de Nelson Mandela.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o governo Reagan estava praticamente sozinho no seu apoio ao regime do apartheid, inclusive violando san\u00e7\u00f5es do congresso para aumentar o com\u00e9rcio com seu aliado sul africano. Washington juntou-se \u00e0 \u00c1frica do Sul para prover apoio crucial ao ex\u00e9rcito terrorista da Unita, chefiada por Jonas Savimbi, em Angola. Continuou a faz\u00ea-lo mesmo depois de Savimbi ser completamente derrotado em elei\u00e7\u00f5es livres cuidadosamente monitoradas, e da \u00c1frica do Sul retirar seu apoio. Savimbi era um \u201cmonstro cuja sede de poder trouxe uma mis\u00e9ria apavorante ao seu povo\u201d, nas palavras de Marrack Goulding, embaixador brit\u00e2nico em Angola.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias foram horrendas. Um inqu\u00e9rito de 1989 da ONU estimou que os atos hostis praticados por sul-africanos provocaram 1,5 milh\u00e3o de mortes nos pa\u00edses vizinhos, sem contar o que estava acontecendo internamente na \u00c1frica do Sul. Ao fim, for\u00e7as cubanas contra-atacaram os agressores sul-africanos e os compeliram a se retirar da Nam\u00edbia, ilegalmente ocupada. Apenas os EUA continuaram a apoiar o monstro Savimbi.<\/p>\n<p>Em Cuba, ap\u00f3s a invas\u00e3o frustrada da Ba\u00eda dos Porcos em 1961, o Presidente John F. Kennedy lan\u00e7ou uma campanha assassina e destrutiva para levar \u201cos terrores da terra\u201d \u00e0 ilha \u2013 nas palavras de um \u00edntimo aliado de Kennedy, o historiador Arthur Schlesinger, em sua biografia semi-oficial de Robert Kennedy, a quem foi atribu\u00edda a responsabilidade pela guerra terrorista.<\/p>\n<p>As atrocidades contra Cuba foram severas. Os planos eram de que o terrorismo culminasse em uma rebeli\u00e3o em outubro de 1962, que levaria a uma invas\u00e3o estadunidense. Agora, estudos acad\u00eamicos reconhecem que essa foi uma das raz\u00f5es pelas quais o primeiro-ministro russo Nikita Khruschev colocou m\u00edsseis em Cuba, iniciando uma crise que ficou perigosamente pr\u00f3xima de uma guerra nuclear. O secret\u00e1rio de Defesa dos EUA, Robert McNamara posteriormente admitiu que, se fosse uma lideran\u00e7a cubana na \u00e9poca, \u201cteria esperado uma invas\u00e3o dos EUA\u201d.<\/p>\n<p>Os ataques terroristas americanos a Cuba continuaram por mais de 30 anos. O custo disso aos cubanos foi, \u00e9 claro, muito grave. A contagem de v\u00edtimas, dificilmente vista nos EUA, foi relatada em detalhes pela primeira vez em um estudo do canadense Keith Bolender, \u201cVozes do Outro Lado: Uma Hist\u00f3ria Oral do Terrorismo Contra Cuba\u201d, em 2010.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o em vidas de uma longa guerra terrorista foi ampliado por um embargo esmagador, que continua at\u00e9 hoje, a despeito do resto do mundo. Em 28 de outubro, a ONU, pela 23\u00aa vez, endossou a \u201cnecessidade de dar um fim ao bloqueio econ\u00f4mico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba\u201d. A vota\u00e7\u00e3o foi de 188 a 2 (EUA e Israel) com tr\u00eas absten\u00e7\u00f5es, das depend\u00eancias dos EUA nas Ilhas do Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Existe hoje alguma oposi\u00e7\u00e3o ao embargo em lugares importantes dos EUA, relata o ABC News, por que ele \u201cn\u00e3o \u00e9 mais \u00fatil\u201d (citando o novo livro de Hillary Clinton, Hard Choices). O estudioso franc\u00eas Salim Lamrani revisa os amargos custos aos cubanos em seu livro de 2013, A Guerra Econ\u00f4mica Contra Cuba.<\/p>\n<p>Quase n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio mencionar Nicar\u00e1gua. A guerra terrorista do presidente Ronald Reagan foi condenada pela Corte Internacional, que ordenou que os EUA encerrassem seu \u201cuso de for\u00e7a il\u00edcito\u201d e pagassem repara\u00e7\u00f5es substantivas.<\/p>\n<p>Washington respondeu aprofundando a guerra e vetando resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU de 1986, que chamava todos os Estados \u2013 significando os EUA \u2013 a observarem a lei internacional.<\/p>\n<p>Outro exemplo de terrorismo foi lembrado em 16 de novembro, data do 25\u00ba anivers\u00e1rio do assassinato de seis padres jesu\u00edtas em S\u00e3o Salvador por uma unidade terrorista do ex\u00e9rcito salvadorenho, armada e treinada pelos EUA. Sob as ordens do alto comando militar, os soldados invadiram a Universidade Cat\u00f3lica para assassinar os padres e qualquer testemunha \u2013 incluindo uma governanta e sua filha.<\/p>\n<p>O evento marcou o fim das guerras terroristas dos EUA na Am\u00e9rica Central nos anos 80. Mas seus efeitos ainda est\u00e3o nas primeiras p\u00e1ginas de hoje, nos relatos sobre a fuga de \u201cimigrantes ilegais\u201d \u2014 uma medida das consequ\u00eancias dessa carnificina. No entanto, eles s\u00e3o deportados dos EUA para sobreviverem, se puderem, nas ru\u00ednas dos seus pa\u00edses de origem.<\/p>\n<p>Washington tamb\u00e9m emerge como o campe\u00e3o mundial em gerar terror. O ex-analista da CIA Paul Pillar alerta que \u201co impacto gerador de ressentimentos dos EUA atinge\u201d a S\u00edria, onde talvez induza, no futuro, as organiza\u00e7\u00f5es do Jihad Jabhat al-Nusra e o Estado Isl\u00e2mico a \u201creparar suas falhas no ano passado e fazer campanha em conjunto contra a interven\u00e7\u00e3o dos EUA, pintando-a como uma guerra contra o Isl\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma consequ\u00eancia j\u00e1 familiar das opera\u00e7\u00f5es dos EUA, que ajudaram a espalhar o jihadismo \u2014 antes restrito a um reduto do Afeganist\u00e3o, \u2014 para grande parte do mundo.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o do jihadismo mais alarmante hoje \u00e9 o Estado Isl\u00e2mico, ou ISIS, que estabeleceu seu califado assassino em grandes \u00e1reas do Iraque e da S\u00edria.<\/p>\n<p>\u201cPenso que os Estados Unidos s\u00e3o um dos criadores chave dessa organiza\u00e7\u00e3o\u201d, relata o ex-analista da CIA, Graham Fuller, comentarista destacado sobre assuntos na regi\u00e3o. \u201cOs Estados Unidos n\u00e3o planejaram a forma\u00e7\u00e3o do ISIS\u201d, acrescenta \u201cmas suas interven\u00e7\u00f5es destrutivas no Oriente M\u00e9dio e a guerra do Iraque foram as causas b\u00e1sicas do nascimento do ISIS\u201d.<\/p>\n<p>A isso n\u00f3s podemos incluir a maior campanha terrorista do mundo: o projeto global de assassinato de \u201cterroristas\u201d de Obama. O \u201cimpacto gerador de ressentimento\u201d desses drones e ataques de for\u00e7as especiais deveriam ser conhecidos demais para requerer mais coment\u00e1rios. Esse \u00e9 um registro a ser contemplado com certo pavor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nNOAM CHOMSKY &#8211; 15\/12\/2014\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7272\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7272","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Ti","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7272\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}