{"id":7283,"date":"2014-12-22T16:14:27","date_gmt":"2014-12-22T16:14:27","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7283"},"modified":"2017-08-25T01:02:18","modified_gmt":"2017-08-25T04:02:18","slug":"o-brasil-e-a-politica-do-neoliberalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7283","title":{"rendered":"O Brasil e a pol\u00edtica do neoliberalismo"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201c<em>A terapia de choque de (Joaquim) Levy intensificar\u00e1 a tens\u00e3o de classe e inevitavelmente resultar\u00e1 na ruptura do pacto social entre o regime do assim chamado Partido dos Trabalhadores e os sindicatos, os trabalhadores rurais sem terra e os movimentos sociais urbanos.\u201d <\/em><\/p>\n<p><em><strong>(por James Petras)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A classe trabalhadora brasileira est\u00e1 a enfrentar o mais selvagem assalto aos seus padr\u00f5es de vida em mais de uma d\u00e9cada. E n\u00e3o s\u00e3o apenas os trabalhadores industriais que est\u00e3o sob ataque. Os trabalhadores rurais sem terra, os empregados assalariados do sector p\u00fablico e privado, professores, profissionais da sa\u00fade, desempregados e pobres est\u00e3o a enfrentar cortes maci\u00e7os no rendimento, nos empregos e nos pagamentos de pens\u00f5es.<\/p>\n<p>Quaisquer que tenham sido os ganhos obtidos entre 2003-2013, ser\u00e3o revertidos. Os trabalhadores brasileiros enfrentam uma &#8220;d\u00e9cada de inf\u00e2mia&#8221;. O regime Rousseff abra\u00e7ou a pol\u00edtica do &#8220;capitalismo selvagem&#8221; tal como personificado na nomea\u00e7\u00e3o de dois dos mais extremos advogados de pol\u00edticas neoliberais.<\/p>\n<p><strong>O &#8220;Partido dos Trabalhadores&#8221; e a ascend\u00eancia do capital financeiro <\/strong><\/p>\n<p>No princ\u00edpio de Dezembro de 2014, a presidente Rousseff nomeou Joaquim Levy como o novo ministro das Finan\u00e7as \u2013 de facto o novo czar econ\u00f3mico para dirigir a economia brasileira. Levy \u00e9 um importante membro da oligarquia financeira brasileira. Entre 2010-2014 foi presidente do Bradesco Asset Management, um bra\u00e7o de gest\u00e3o de ativos do gigantesco conglomerado Bradesco que administra mais de 130 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Desde os seus tempos de doutoramento na Universidade de Chicago, Levy \u00e9 um leal seguidor do supremo neoliberal, o professor Milton Friedman, antigo conselheiro econ\u00f3mico do ditador militar chileno Augusto Pinochet. Como antigo respons\u00e1vel de topo no Fundo Monet\u00e1rio Internacional (1992-1999), Levy foi um forte advogado de duros programas de austeridade os quais uma d\u00e9cada depois empobreceram o Sul da Europa e a Irlanda. Durante a presid\u00eancia de Henrique Cardoso, Levy atuou como estratega econ\u00f4mico de topo, envolvido diretamente na maci\u00e7a privatiza\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas lucrativas \u2013 a pre\u00e7os de saldo \u2013 e na liberaliza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, a qual facilitou a sa\u00edda financeira il\u00edcita de US$15 mil milh\u00f5es por ano. A presen\u00e7a de Levy como membro eminente da oligarquia financeira do Brasil e seus profundos e antigos la\u00e7os a institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais \u00e9 precisamente a raz\u00e3o porque a presidente Rousseff o colocou como respons\u00e1vel da economia brasileira. A nomea\u00e7\u00e3o de Levy \u00e9 parte integral da adop\u00e7\u00e3o por Rousseff de uma nova estrat\u00e9gia de aumentar amplamente os lucros do capital financeiro estrangeiro e interno, na esperan\u00e7a de atrair investimentos em grande escala e findar a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>Para a presidente Rousseff e seu mentor, o ex-presidente Lula da Silva, toda a economia deve ser direcionada para obter a &#8220;confian\u00e7a&#8221; da classe capitalista.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas sociais que foram implementadas anteriormente s\u00e3o agora sujeitas \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o, pois o novo czar financeiro, Joaquim &#8220;Jack o Estripador&#8221; Levy, avan\u00e7a na aplica\u00e7\u00e3o da sua &#8220;terapia de choque&#8221;. Cortes profundos e abrangentes na parte do rendimento nacional que cabe ao trabalho est\u00e3o no topo da sua agenda. O objetivo \u00e9 concentrar riqueza e capital nos dez por centos superiores na esperan\u00e7a de que invistam e aumentem o crescimento.<\/p>\n<p>Se bem que a nomea\u00e7\u00e3o de Levy represente decididamente uma viragem para a extrema-direita, as pol\u00edticas e pr\u00e1ticas econ\u00f3micas dos doze anos anteriores prepararam os fundamentos para o retorno de uma vers\u00e3o virulenta da ortodoxia neoliberal.<\/p>\n<p><strong>Os fundamentos econ\u00f3micos para o retorno de capita\u00e7\u00f5es selvagens <\/strong><\/p>\n<p>Durante a campanha eleitoral em 2001, Lula da Silva assinou um acordo econ\u00f3mico com o FMI que garantia um excedente or\u00e7amental de 3%. Lula quis tranquilizar banqueiros, financistas internacionais e multinacionais assegurando que o Brasil pagaria seus credores, aumentaria as reservas [de divisas] estrangeiras para remessa de lucros e fluxos financeiros il\u00edcitos para o exterior.<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o por Lula de pol\u00edticas or\u00e7amentais conservadoras foi acompanhada pelas suas pol\u00edticas de austeridade, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios de funcion\u00e1rios p\u00fablicos e de pens\u00f5es, bem como de proporcionar apenas aumentos marginais no sal\u00e1rio m\u00ednimo. Acima de tudo, Lula apoiou todas as privatiza\u00e7\u00f5es corruptas que tiveram lugar sob o anterior regime Cardoso. No fim do primeiro ano de Lula no governo, em 2003, Wall Street louvou-o como o &#8220;Homem do ano&#8221; pelas suas &#8220;pol\u00edticas pragm\u00e1ticas&#8221; e a sua desmobiliza\u00e7\u00e3o e desradicaliza\u00e7\u00e3o dos principais sindicatos e movimentos sociais. Em Janeiro de 2003, o presidente Lula da Silva nomeou Levy como secret\u00e1rio do Tesouro, uma posi\u00e7\u00e3o que ele manteve at\u00e9 2006 \u2013 o mais socialmente regressivo per\u00edodo da presid\u00eancia Lula da Silva. Este per\u00edodo tamb\u00e9m coincidiu com uma s\u00e9rie de esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o enormemente lucrativos, de muitos milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares, envolvendo d\u00fazias de altos respons\u00e1veis do PT no regime Lula que recebiam comiss\u00f5es clandestinas das principais companhias de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dois acontecimentos em meados dos anos 2000 permitiram a Da Silva moderar suas pol\u00edticas e introduzir reformas sociais limitadas. O boom das <em>commodities <\/em>\u2013 um aumento agudo na procura e nos pre\u00e7os das exporta\u00e7\u00f5es agro-minerais \u2013 encheu os cofres do Tesouro. E a press\u00e3o acrescida dos sindicatos, dos movimentos rurais e dos pobres por uma fatia na prosperidade econ\u00f3mica levou a aumentos em gastos sociais, sal\u00e1rios e cr\u00e9dito f\u00e1cil sem afetar a riqueza, propriedade e privil\u00e9gios da elite. Com o boom econ\u00f3mico, Lula podia tamb\u00e9m satisfazer o FMI, o sector financeiro e a elite dos neg\u00f3cios com subs\u00eddios, isen\u00e7\u00f5es fiscais, juros baixos nos empr\u00e9stimos e lucrativos contratos estatais com &#8220;sobrepre\u00e7os&#8221;. Os pobres receberam 1% do or\u00e7amento atrav\u00e9s de uma &#8220;subven\u00e7\u00e3o familiar&#8221;, uma esmola de US$60 por m\u00eas, e trabalhadores mal pagos receberam um sal\u00e1rio m\u00ednimo mais alto. O custo do bem-estar social <em>(social welfare) <\/em>foi uma fra\u00e7\u00e3o dos 40% do or\u00e7amento que os bancos receberam em pagamentos do principal e de juros na d\u00fabia d\u00edvida p\u00fablica incorrida pelos anteriores regimes neoliberais.<\/p>\n<p>Com o fim do boom, o governo de Rousseff voltou \u00e0s pol\u00edticas ortodoxas de Lula no per\u00edodo 2003-2005 e renomeou Levy para execut\u00e1-las.<\/p>\n<p><strong>A terapia de choque de Levy e suas consequ\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p>A tarefa de Levy de reconcentrar rendimento, ascender lucros e reverter pol\u00edticas sociais ser\u00e1 muito mais \u00e1rdua em 2014-2015 do que foi em 2003-2005. Principalmente porque, anteriormente, ele estava simplesmente a continuar as pol\u00edticas do regime Cardoso \u2013 e Lula prometeu aos trabalhadores que isso era apenas tempor\u00e1rio. Hoje Levy deve cortar e retalhar ganhos que os trabalhadores e os pobres consideravam como garantidos. De facto, em 2013-2014 movimentos de massa urbanos pressionavam por maiores despesas sociais em transportes, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Para a terapia de choque de Levy avan\u00e7ar, em algum ponto ser\u00e1 necess\u00e1ria repress\u00e3o, como foi o caso no Chile e na Europa do Sul quando pol\u00edticas de austeridade semelhantes deprimiram rendimentos e multiplicaram o desemprego.<\/p>\n<p>Levy prop\u00f5e resgatar os interesses do capital financeiro tomando v\u00e1rias medidas cruciais, as quais estar\u00e3o alinhadas com a agenda de Wall Street, da City de Londres e dos potentados financeiros brasileiros. Consideradas na sua totalidade, as pol\u00edticas financeiras de Levy equivalem a &#8220;tratamento de choque&#8221; \u2013 medidas econ\u00f3micas duras e r\u00e1pidas aplicadas contra os padr\u00f5es de vida dos trabalhadores, o equivalente a choques el\u00e9ctricos em pacientes com perturba\u00e7\u00f5es aplicados por psic\u00f3logos dementes a afirmarem que &#8220;sofrimento \u00e9 ganho&#8221;, mas que mais frequentemente transformam os pacientes em zumbis ou coisa pior.<\/p>\n<p>A primeira prioridade de Levy \u00e9 cortar e retalhar investimentos p\u00fablicos, pens\u00f5es, pagamentos por desemprego e sal\u00e1rios do sector p\u00fablico. Sob o pretexto de &#8220;estabilizar a economia&#8221; (para os grupos financeiros) ele desestabilizar\u00e1 a economia familiar de dezenas de milh\u00f5es. Ele cancelar\u00e1 isen\u00e7\u00f5es fiscais para a massa de consumidores que compra carros, electrodom\u00e9sticos e &#8220;produtos da linha branca&#8221;, aumentando, portanto os custos para milh\u00f5es de fam\u00edlias da classe trabalhadora ou expulsando-as do mercado atrav\u00e9s dos pre\u00e7os. O objetivo de Levy \u00e9 desequilibrar or\u00e7amentos familiares (aumento da d\u00edvida em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento) a fim de aumentar o excedente do or\u00e7amento do Estado e assegurar plenos e prontos pagamentos de d\u00edvidas a credores como o seu pr\u00f3prio conglomerado Bradesco.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, Levy &#8220;ajustar\u00e1&#8221; pre\u00e7os. Mais especificamente o controle do pre\u00e7o final de combust\u00edveis, energia e transportes de modo que os oligarcas financeiros com milh\u00f5es de a\u00e7\u00f5es naqueles sectores possam elevar pre\u00e7os e &#8220;ajustar&#8221; sua riqueza ascendente para os milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares. Em consequ\u00eancia, a classe trabalhadora e a m\u00e9dia ter\u00e3o de gastar uma maior fatia do seu rendimento declinante com combust\u00edvel, transporte e energia.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, Levy provavelmente deixar\u00e1 a divisa enfraquecer a fim de promover exporta\u00e7\u00f5es agro-minerais sob o disfarce da maior &#8220;competitividade&#8221;. Mas uma divisa mais barata aumentar\u00e1 o custo de importa\u00e7\u00f5es, especialmente de alimentos b\u00e1sicos e bens manufaturados. A desvaloriza\u00e7\u00e3o de facto atingir\u00e1 mais duramente os milh\u00f5es que n\u00e3o podem proteger suas poupan\u00e7as e favorecer\u00e1 os especuladores financeiros que capitalizar\u00e3o nos movimentos da divisa. E estudos comparativos demonstram que uma divisa mais barata n\u00e3o aumenta necessariamente os investimentos produtivos.<\/p>\n<p>Em quarto lugar, \u00e9 prov\u00e1vel que Levy afirme que as falhas de energia devidas \u00e0 seca, a qual reduziu a produ\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas do Brasil, exigem &#8220;reforma&#8221; do sector da energia, eufemismo de Levy para privatiza\u00e7\u00e3o. Ele propor\u00e1 a liquida\u00e7\u00e3o do gigante semi-p\u00fablico Petrobr\u00e1s e acelerar\u00e1 a privatiza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de s\u00edtios offshore, em termos favor\u00e1veis a grandes bancos de investimento.<\/p>\n<p>Em quinto lugar, \u00e9 prov\u00e1vel que Levy retalhe e incinere regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais e de neg\u00f3cios, incluindo aquelas que afetam a floresta tropical, direitos do trabalho e dos \u00edndios, a fim de facilitar a entrada e sa\u00edda r\u00e1pida de capital financeiro.<\/p>\n<p>A &#8220;terapia de choque&#8221; de Levy ter\u00e1 um profundo impacto social e econ\u00f3mico sobre a sociedade brasileira. Toda indica\u00e7\u00e3o, de experi\u00eancias passadas e presentes, \u00e9 que em todo o pa\u00eds onde &#8220;Chicago boys&#8221;, como Levy, aplicaram sua f\u00f3rmula de &#8220;choque&#8221;, o resultado foi profunda recess\u00e3o econ\u00f3mica, regress\u00e3o social e intranquilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das expectativas da presidente Rousseff, cortes em cr\u00e9dito, sal\u00e1rios e investimento p\u00fablico deprimir\u00e3o a economia \u2013 remetendo-a da estagna\u00e7\u00e3o para a recess\u00e3o. A retr\u00f3grada equilibragem do or\u00e7amento diminui a procura e n\u00e3o induz fluxos de capital produtivo. Os sectores de crescimento mais din\u00e2mico na manufatura, ind\u00fastria automobil\u00edstica, ser\u00e3o dr\u00e1stica e adversamente afetados pelos aumentos nos impostos sobre compras. E o mesmo se passa quanto a electrodom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora a expans\u00e3o do investimento p\u00fablico fora a principal for\u00e7a condutora do magro crescimento econ\u00f3mico. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o racional para acreditar que vastos fluxos de capitais privados subitamente preencher\u00e3o a lacuna, especialmente num mercado em contra\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 especialmente verdadeiro se, como \u00e9 prov\u00e1vel que aconte\u00e7a, o conflito de classe se intensificar na generalidade devido a redu\u00e7\u00f5es em sal\u00e1rios e padr\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>Levy, como todos os fan\u00e1ticos do mercado livre, argumentar\u00e1 que a recess\u00e3o e regress\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias a curto prazo e que &#8220;no longo prazo&#8221; ter\u00e1 \u00eaxito. Mas em todos os pa\u00edses contempor\u00e2neos que seguiram sua f\u00f3rmula de choque, o resultado foi a regress\u00e3o prolongada. A Gr\u00e9cia, Espanha, It\u00e1lia e Portugal est\u00e3o no s\u00e9timo ano de austeridade que induziu a depress\u00e3o e a sua d\u00edvida p\u00fablica est\u00e1 em crescimento.<\/p>\n<p><strong>As efetivas consequ\u00eancias reais da terapia de choque <\/strong><\/p>\n<p>Temos de por de lado as afirma\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas de &#8220;estabilidade e crescimento&#8221; dos Levyistas e olhar para os resultados reais das pol\u00edticas que ele promete.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar e acima de tudo, as desigualdades aumentar\u00e3o porque quaisquer ganhos no rendimento ser\u00e3o a seguir concentrados no topo. As pol\u00edticas do governo de desregulamenta\u00e7\u00e3o or\u00e7amental e das taxas de c\u00e2mbio aprofundar\u00e3o os desequil\u00edbrios na economia, favorecendo credores em rela\u00e7\u00e3o a devedores, a finan\u00e7a estrangeira em rela\u00e7\u00e3o a manufaturas locais, os propriet\u00e1rios de capital em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores assalariados, o sector privado em rela\u00e7\u00e3o ao sector p\u00fablico.<\/p>\n<p>Levy na verdade &#8220;assegurar\u00e1 a confian\u00e7a do capital&#8221; porque o que \u00e9 alcunhado como &#8220;confian\u00e7a do investidor&#8221; repousa sobre uma licen\u00e7a sem empecilhos para pilhar o ambiente, reduzir sal\u00e1rios e explorar um crescente ex\u00e9rcito de reserva de desempregados.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>A terapia de choque de Levy intensificar\u00e1 a tens\u00e3o de classe e inevitavelmente resultar\u00e1 na ruptura do pacto social entre o regime do assim chamado Partido dos Trabalhadores e os sindicatos, os trabalhadores rurais sem terra e os movimentos sociais urbanos.<\/p>\n<p>Rousseff e a lideran\u00e7a do pretenso &#8220;Partido dos Trabalhadores&#8221;, confrontada com a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica resultante do decl\u00ednio nos pre\u00e7os das <em>commodities <\/em>e da decis\u00e3o do capital privado de evitar investimentos, podia ter optado por socializar a economia, acabar com o capitalismo de compadrio <em>(crony capitalism) <\/em>e aumentar o investimento p\u00fablico. Ao inv\u00e9s disso, eles capitularam. Rousseff reciclou as pol\u00edticas neoliberais ortodoxas que Lula implementou durante os primeiros dois anos do seu regime.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de mobilizar trabalhadores e profissionais para mudan\u00e7as estruturais mais profundas, Rousseff e Lula da Silva est\u00e3o a contar com a &#8220;ala esquerda&#8221; do PT para lamentar, criticar e conformar-se. Eles est\u00e3o a contar com l\u00edderes cooptados da confedera\u00e7\u00e3o sindical (CUT) para limitarem-se a protestos simb\u00f3licos inconsequentes os quais n\u00e3o abalar\u00e3o a &#8220;terapia de choque&#8221; de Levy. Contudo, o \u00e2mbito, profundidade e extremismo do assim chamado programa de ajustamento e estabiliza\u00e7\u00e3o de Levy provocar\u00e3o greves gerais, sobretudo no sector p\u00fablico. Os cortes na ind\u00fastria automobil\u00edstica e o aumento do desemprego resultar\u00e3o em a\u00e7\u00f5es de protesto no sector manufatureiro. Os cortes no investimento p\u00fablico e o aumento nos custos do transporte, cuidados de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o revitalizar\u00e3o os movimentos de massa urbanos.<\/p>\n<p>Dentro de um ano, as pol\u00edticas de choque de Rousseff e Levy converter\u00e3o o Brasil num caldeir\u00e3o fervente de descontentamento social. Os gestos pseudo-populistas de Lula e a ret\u00f3rica vazia n\u00e3o ter\u00e3o efeitos. Rousseff n\u00e3o ser\u00e1 capaz de convencer o povo trabalhador a aceitar o vi\u00e9s de classe do programa de &#8220;austeridade&#8221; de Levy, seus incentivos para &#8220;ganhar a confian\u00e7a dos mercados internacionais&#8221; e sua pol\u00edtica de contra\u00e7\u00e3o do rendimento da vasta maioria do povo trabalhador.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas de Levy aprofundar\u00e3o a recess\u00e3o. Ap\u00f3s um ano de &#8220;mais sofrimento e nenhum ganho&#8221; (exceto quanto a lucros mais altos para financistas e exportadores agro-minerais), a presidente Rousseff enfrentar\u00e1 o inevit\u00e1vel resultado pol\u00edtico negativo de ter perdido o apoio dos trabalhadores, da classe m\u00e9dia e dos pobres rurais sem ganhar o apoio dos neg\u00f3cios e da elite financeira \u2013 eles t\u00eam os seus pr\u00f3prios l\u00edderes confi\u00e1veis. Uma vez tendo posto em pr\u00e1tica suas radicalmente regressivas pol\u00edticas de mercado livre, e tendo provocado maci\u00e7o descontentamento popular, Levy demitir-se-\u00e1 e retornar\u00e1 \u00e0 presid\u00eancia do Bradesco, do fundo de investimento de muitos milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares, declarando &#8220;miss\u00e3o cumprida&#8221;.<\/p>\n<p>Rousseff pode substituir Levy e tentar &#8220;moderar&#8221; sua &#8220;terapia de choque&#8221;. Mas nessa altura ser\u00e1 demasiado pouco e demasiado tarde. O Partido dos Trabalhadores acabar\u00e1 na lata de lixo da hist\u00f3ria. A decis\u00e3o de Rousseff de nomear Levy como czar econ\u00f3mico \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de guerra de classe. E a fim de vencer a guerra de classe, n\u00e3o podemos excluir que as pol\u00edticas radicalmente regressivas ser\u00e3o impostas pela viol\u00eancia estatal \u2013 a repress\u00e3o de protestos da massa urbana, o desalojamento selvagem de pac\u00edficos trabalhadores rurais sem terra que ocuparem terras devolutas.<\/p>\n<p>A viragem do regime do &#8220;Partido dos Trabalhadores&#8221; do &#8220;neoliberalismo inclusivo&#8221; para o extremismo friedmanista do livre mercado radicalizar\u00e1 e polarizar\u00e1 a sociedade brasileira. A oligarquia pressionar\u00e1 pela remilitariza\u00e7\u00e3o da sociedade civil. Isto por sua vez, estimular\u00e1 o crescimento da consci\u00eancia de classe dos movimentos sociais, como aqueles que terminaram vinte anos de dom\u00ednio militar. Talvez desta vez a revolu\u00e7\u00e3o social <em>(social upheaval) <\/em>possa n\u00e3o acabar numa democracia liberal, talvez a luta que vem a\u00ed traga o Brasil mais pr\u00f3ximo de uma rep\u00fablica socialista.<\/p>\n<p>14\/Dezembro\/2014<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em <\/strong><a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/brazil-and-the-politics-of-neoliberalism-president-rousseff-declares-war-on-the-working-class\/5419732\"><strong>www.globalresearch.ca\/&#8230;<\/strong> <\/a><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em <\/strong><a href=\"http:\/\/resistir.info\/\"><strong>http:\/\/resistir.info\/<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nPresidente Rousseff declara guerra \u00e0 classe trabalhadora\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7283\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-7283","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Tt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7283"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7283\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}