{"id":7302,"date":"2015-01-04T22:16:03","date_gmt":"2015-01-04T22:16:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7302"},"modified":"2015-01-04T22:16:03","modified_gmt":"2015-01-04T22:16:03","slug":"ha-21-anos-o-exercito-zapatista-reivindicou-os-direitos-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7302","title":{"rendered":"H\u00e1 21 anos o Ex\u00e9rcito Zapatista reivindicou os direitos ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"\n<p>31 de dezembro de 2014<\/p>\n<p>O EZLN nasceu em 1983, quando foi criado o primeiro acampamento guerrilheiro na Selva Lacandona, em Chiapas.<\/p>\n<p><strong>No M\u00e9xico, h\u00e1 21 anos os direitos dos ind\u00edgenas e dos camponeses foram defendidos mediante armas e palavras pelo Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (EZLN), que corajosamente enfrentaram um Estado mexicano repressivo e ditador, que ignorava as necessidades das minorias \u00e9tnicas. <\/strong><strong>Realidade que hoje n\u00e3o mudou de todo.<\/strong><\/p>\n<p>Para demandar democracia, liberdade, justi\u00e7a e melhorias para os povos ind\u00edgenas e camponeses de Chiapas e todo o M\u00e9xico, h\u00e1 21 anos, o Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (EZLN) fez sua primeira apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica em 1\u00b0 de janeiro de 1994.<\/p>\n<p>Seu objetivo era claro: repudiar o sistema pol\u00edtico neoliberal mexicano com suas promessas de moderniza\u00e7\u00e3o, que mantinha ap\u00e1tica a comunidade ind\u00edgena e camponesa, assim como estabelecer uma democracia participativa.<\/p>\n<p>O EZLN exigia a reivindica\u00e7\u00e3o de propriedade sobre as terras tiradas das comunidades ind\u00edgenas, uma melhor divis\u00e3o da riqueza e a participa\u00e7\u00e3o das diferentes etnias tanto na organiza\u00e7\u00e3o de seu estado (Chiapas) como do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas, talvez, as palavras do Subcomandante Marcos resumam melhor o objetivo deste grupo insurgente: <strong>\u201cA tomada do poder? N\u00e3o, apenas algo mais dif\u00edcil: um novo mundo\u201d<\/strong>, expressou em um comunicado em 2 de fevereiro de 1994.<\/p>\n<p><strong>Ainda que a EZLN tenha feito sua apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica em 1\u00b0 de janeiro de 1994, na realidade, nasceu em 1983, quando foi criado o primeiro acampamento guerrilheiro na Selva Lacandona, em Chiapas. Seu nome \u00e9 em homenagem ao her\u00f3i e figura da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, Emiliano Zapata.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A primeira luta armada do EZLN, 1994<\/strong><\/p>\n<p>No dia de sua primeira apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (EZLN) surpreendeu o M\u00e9xico e o mundo inteiro com uma insurrei\u00e7\u00e3o armada imprevista no estado de Chiapas (sudeste), que passou para a hist\u00f3ria como o Levante Zapatista.<\/p>\n<p>Um grupo de ind\u00edgenas armados ocuparam sete cabe\u00e7as municipais de Chiapas: San Crist\u00f3bal de Las Casas, Altamirano, Las Margaritas y Ocosingo, Oxchuc, Huixt\u00e1n e Chanal.<\/p>\n<p>A batalha foi implac\u00e1vel. A ocupa\u00e7\u00e3o dos diversos munic\u00edpios foi respondida com o envio de tropas federais, cujo n\u00famero e brutal arremetida fez com que o objetivo dos zapatistas n\u00e3o se cumprisse em sua totalidade e tiveram que se retirar para a selva.<\/p>\n<p>Os combates, que duraram 12 dias, ocasionaram dezenas de mortos, a grande maioria zapatistas. No entanto, a batalha serviu para que se abrisse um processo de di\u00e1logo sobre as reivindica\u00e7\u00f5es da insurg\u00eancia, que reclamava o direito \u00e0 terra, habita\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e emprego.<\/p>\n<p>Em 16 de fevereiro, iniciam as primeiras conversas entre o EZLN e o governo federal, que terminaram com a <strong>assinatura, em 1996, dos acordos de San Andr\u00e9s sobre o \u201cDireito e Cultura Ind\u00edgena\u201d<\/strong>, que comprometiam o Estado a reconhecer os povos ind\u00edgenas constitucionalmente e que estes gozariam de autonomia. <strong>At\u00e9 a data, os acordos n\u00e3o haviam sido cumpridos pelo Estado mexicano<\/strong>.<\/p>\n<p>Os di\u00e1logos tamb\u00e9m deram origem \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional Ind\u00edgena (CNI), em outubro de 1996.<\/p>\n<p><strong>Declara\u00e7\u00e3o da Selva Lacandona, 1994<\/strong><\/p>\n<p>No dia de sua apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o EZLN tamb\u00e9m pronunciou a Primeira Declara\u00e7\u00e3o da Selva Lacandona, onde informaram as causas de seu levante: exigiam terra, trabalho, teto, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, liberdade, independ\u00eancia, democracia, justi\u00e7a e paz.<\/p>\n<p><strong>Masaacre de Acteal, 1997<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da disposi\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Zapatista em dialogar e entregar as armas, o Estado mexicano nunca deixou de assedi\u00e1-los. Prova disto foi o massacre em 1997 da comunidade de Acteal, da etnia Tzotzil, em Chiapas, por parte de paramilitares militantes do Partido Revolucion\u00e1rio Institucional (PRI), que assassinaram 45 pessoas e tr\u00eas por nascer.<\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios dos governos local e federal acusados pelo EZLN e pelas organiza\u00e7\u00f5es civis de propiciar o massacre,<strong> jamais foram julgados<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Marcha da Cor da Terra, 2001 <\/strong><\/p>\n<p>A Marcha da Cor da Terra, realizada em dezembro de 2001, liderada pelo Ex\u00e9rcito Zapatista, \u00e9 recordada como uma mobiliza\u00e7\u00e3o sem precedentes na hist\u00f3ria do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>\u201c37 dias caminhamos. 6000 quil\u00f4metros. Nesse caminho passamos por 13 estados da rep\u00fablica mexicana e, depois, entramos na terra que cresce para cima, a Cidade do M\u00e9xico\u201d, assim a descreveu o Subcomandante Marcos.<\/p>\n<p>Um milh\u00e3o de pessoas deram as boas vindas aos zapatistas em sua chagada \u00e0 Cidade do M\u00e9xico, entre eles o escritor Jos\u00e9 Saramago; a ativista francesa, Danielle Miterrand; o porta-voz da organiza\u00e7\u00e3o internacional Via Campesina, Jos\u00e9 Bov\u00e9; assim como outras personalidades.<\/p>\n<p>2001 tamb\u00e9m foi o ano em que todos os <strong>partidos pol\u00edticos do M\u00e9xico aprovaram, por unanimidade, uma reforma constitucional que desconheceu os Acordos de San Andr\u00e9s<\/strong>, tornando assim oficial o desconhecimento dos direitos e cultura ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Nada voltaria a ser igual desde a aprova\u00e7\u00e3o dessa fat\u00eddica reforma. Para o Ex\u00e9rcito Zapatista, a autonomia e a autogest\u00e3o seriam o passo seguinte.<\/p>\n<p><strong>Cria\u00e7\u00e3o de Los Caracoles e das Juntas de Bom Governo, 2003<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a trai\u00e7\u00e3o do governo ao n\u00e3o cumprir os Acordos de San Andr\u00e9s, o EZLN decidiu exerc\u00ea-la unilateralmente mediante a cria\u00e7\u00e3o, em 2003, de Los Caracoles e das Juntas de Bom Governo, que refor\u00e7ara o princ\u00edpio do \u201cmandar obedecendo\u201d.<\/p>\n<p>Desde sua cria\u00e7\u00e3o, foram formados professores e m\u00e9dicos zapatistas e se constru\u00edram escolas e cl\u00ednicas. Al\u00e9m disso, se desenvolveu um sistema de justi\u00e7a que congrega tanto zapatistas como outros membros da sociedade por ser mais eficaz que o institucional.<\/p>\n<p>\u201c<strong>A Outra Campanha\u201d: uma luta pr\u00f3pria, 2006<\/strong><\/p>\n<p>Em 2006, durante as elei\u00e7\u00f5es presidenciais do M\u00e9xico, os zapatistas embarcaram em uma viagem de seis meses por 32 estados, uma iniciativa chamada \u201cA Outra Campanha\u201d. O prop\u00f3sito era dizer aos partidos pol\u00edticos que para construir um novo pa\u00eds n\u00e3o era necess\u00e1rio apoiar seus candidatos, mas que empreenderiam uma luta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o d\u2019 \u201cA outra Campanha\u201d era escutar o povo mexicano que queria uma sociedade democr\u00e1tica e acabar com o capitalismo e o racismo.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2006, foi vencedor o candidato do direitista Partido A\u00e7\u00e3o Nacional, Felipe Calder\u00f3n Hinojosa, lembrado por militarizar a guerra contra narcotraficantes e gerar uma onda de viol\u00eancia que assola o M\u00e9xico te hoje.<\/p>\n<p><strong>O Subcomandante Marcos \u201cdesaparece\u201d da cena p\u00fablica, 2014<\/strong><\/p>\n<p>Na madrugada de 25 de maio de 2014, o Subcomandante Marcos, lend\u00e1rio l\u00edder do Ex\u00e9rcito Zapatista, anunciou seu \u201cdesaparecimento\u201d. O anuncio foi feito do Caracol de La Realidad, sede do governo aut\u00f4nomo zapatista, nas profundezas da Selva Lacandona. Seu substituto seria o Subcomandante Mois\u00e9s.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o era que as m\u00eddias focassem mais sua aten\u00e7\u00e3o na EZLN e n\u00e3o no Subcomandante Marcos, cujas po\u00e9ticas palavras tiveram forte repercuss\u00e3o no mundo, sobretudo na imprensa nacional e internacional.<\/p>\n<p>Marcos n\u00e3o foi um de seus fundadores, mas sua chegada ao grupo foi nove meses depois da cria\u00e7\u00e3o do mesmo. Seu verdadeiro nome era Rafael Sebasti\u00e1n Guill\u00e9n Vicente e era um professor de comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Aut\u00f4noma Metropolitana (UAM), antes de encabe\u00e7ar o EZLN.<\/p>\n<p>Com a sa\u00edda de Marcos, o EZLN come\u00e7ou a transformar-se e, hoje, continua vigente. Sua luta pelos direitos dos ind\u00edgenas e camponeses n\u00e3o cessou. Mostra disto \u00e9 seu apoio aos jovens normalistas desaparecidos de Ayotzinapa.<\/p>\n<p>Apesar da invisibilidade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, o lend\u00e1rio Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional continua mudando a hist\u00f3ria do M\u00e9xico a 21 anos de sua primeira apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>V\u00eddeo: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=OZ6MHrucXZQ<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.telesurtv.net\/telesuragenda\/Ejercito-Zapatista-20141225-0008.html<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"teleSUR Agenda\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7302\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[90],"tags":[],"class_list":["post-7302","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c103-mexico"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1TM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7302","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7302"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7302\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}