{"id":7304,"date":"2015-01-04T22:27:07","date_gmt":"2015-01-04T22:27:07","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7304"},"modified":"2015-01-04T22:27:07","modified_gmt":"2015-01-04T22:27:07","slug":"a-politica-externa-de-lula-foi-progressista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7304","title":{"rendered":"A pol\u00edtica externa de Lula foi progressista?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Nota dos Editores do portal: Estamos publicando este texto, apesar de divulgado em novembro de 2010, porque tomamos conhecimento dele agora e nos parece atual, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica externa dos governos petistas. Temos concord\u00e2ncia com as raz\u00f5es e conclus\u00f5es do autor. Ressalvamos apenas nossa restri\u00e7\u00e3o ao uso da categoria \u201csubimperialismo\u201d. O PCB considera que o capitalismo brasileiro \u00e9 altamente desenvolvido e parte constitutiva do poder imperialista mundial.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>2 de novembro de 2010<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Jorge Nogueira (*)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa n\u00e3o est\u00e1 dissociada do projeto aplicado internamente por um governo. Ela \u00e9 parte integrante e complementar. Como em outras \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o e medidas do Governo Lula, a confus\u00e3o imperou tamb\u00e9m no debate sobre a sua pol\u00edtica externa. O governismo, de forma ufanista, busca apresent\u00e1-la como progressista, no sentido de ser de esquerda. O tucanato e a direita atabalhoada, com os seus arroubos, contribui para ajudar a pintar esse quadro enganoso.<\/p>\n<p>No entanto, quando se analisa mais de perto as principais linhas de a\u00e7\u00e3o do Governo Lula no plano externo tem-se outro cen\u00e1rio. Foi o que o presente trabalho encontrou.<\/p>\n<p><strong>Conselho de Seguran\u00e7a da ONU<\/strong><\/p>\n<p>Em 1999 o Governo Fernando Henrique Cardoso criou o Minist\u00e9rio da Defesa. Tinha in\u00edcio a caminhada por uma estrada que visava levar o Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. O pa\u00eds precisava sinalizar \u00e0s demais na\u00e7\u00f5es que a sua for\u00e7a militar era minimamente organizada, requisito que a pasta criada buscava preencher. (Zaverucha, 2004)<\/p>\n<p>Ainda no mesmo ano o Congresso Nacional deu o aval para o envio de soldados brasileiros para a Miss\u00e3o da ONU no Timor Leste. (Itamaraty &#8211; MRE &#8211; Timor Leste, p.3)<\/p>\n<p>Em 2004, os Estados Unidos e a Fran\u00e7a invadiram o Haiti, depuseram o seu presidente eleito, Jean-Bertrand Aristide, e ocuparam militarmente o pa\u00eds. Na \u00e9poca, enfrentando s\u00e9rias dificuldades no front iraquiano, os Estados Unidos buscavam um parceiro para dar sequ\u00eancia ao seu trabalho no Caribe. O Brasil, j\u00e1 governado por Lula, ambicionando o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, aceitou liderar a &#8220;terceiriza\u00e7\u00e3o&#8221; da ocupa\u00e7\u00e3o franco-americana organizada pela ONU.<\/p>\n<p>Foi mais um passo na caminhada rumo \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas. Afinal n\u00e3o era suficiente ter uma for\u00e7a militar minimamente organizada, era preciso provar que ela tinha condi\u00e7\u00f5es de enfrentar instabilidades e capacidade para manter a ordem desejada pelo imperialismo. E para isso, nada melhor do que uma opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds mais debilitado, militar e economicamente, da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, sem se comover com a situa\u00e7\u00e3o pauperizante do Haiti, sem sequer se importar se estava legitimando um golpe de Estado e a pol\u00edtica externa belicista de George W. Bush, o Governo Lula, dando sequ\u00eancia aos objetivos do seu antecessor, sujava suas m\u00e3os de sangue no plano externo, ao passo que tentava limp\u00e1-las no plano interno apresentando tal a\u00e7\u00e3o como uma &#8220;Miss\u00e3o de Paz&#8221; que estaria ajudando os haitianos a superar o pauperismo e a viol\u00eancia gangsteriana.<\/p>\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os sujos, o Brasil ainda n\u00e3o conseguiu a vaga permanente no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Em 2009 o pa\u00eds foi eleito, pela d\u00e9cima vez, para uma vaga n\u00e3o permanente para o per\u00edodo 2010-2011. Foi a segunda vez durante o Governo Lula &#8211; a outra foi no bi\u00eanio 2004-2005. Durante o Governo Fernando Henrique o Brasil tamb\u00e9m teve dois mandatos: 1993-1994 e 1998-1999. (UOL Not\u00edcias, 15\/10\/2009)<\/p>\n<p>Obviamente deve-se perguntar:<\/p>\n<p>1) O que h\u00e1 de progressista em uma pol\u00edtica externa que ambiciona adentrar em uma institui\u00e7\u00e3o desmoralizada por servir aos interesses dos pa\u00edses imperialistas?<\/p>\n<p>2) O que h\u00e1 de progressista em uma pol\u00edtica externa que, para atingir um motivo nada progressista, aceita o papel de colaborador de armas do imperialismo na opress\u00e3o a um povo sofrido e legitimando um golpe de Estado?<\/p>\n<p><strong>Internacionaliza\u00e7\u00e3o do capital nacional<\/strong><\/p>\n<p>Foi dito que Lula perdoou as d\u00edvidas que alguns pa\u00edses possu\u00edam com o Brasil. O governismo aponta essa medida como um ato de generosidade e solidariedade do governo petista, ao passo que setores de direita e alguns ligados ao tucanato esbravejam ferozmente contra o que consideram uma absurda caridade realizada com o dinheiro do necessitado povo brasileiro.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando investiga-se mais de perto percebe-se a inveridicidade de ambas as posi\u00e7\u00f5es dominantemente difundidas.<\/p>\n<p>Lula n\u00e3o perdoou os pa\u00edses devedores do Brasil, o que ele fez foi fechar acordos no sentido de converter as d\u00edvidas em benef\u00edcios (como isen\u00e7\u00f5es fiscais) para os empres\u00e1rios brasileiros atuarem nestes pa\u00edses, afinal como disse o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Celso Amorim: &#8220;<em>Quando se perdoa uma d\u00edvida, sempre deve haver um res\u00edduo<\/em>&#8220;. (Site do Itamaraty &#8211; MRE)<\/p>\n<p>E o &#8220;res\u00edduo&#8221;, depois de planejado (Not\u00edcias Lus\u00f3fonas, 31\/07\/2004), foi devidamente coletado, principalmente no continente africano: Gab\u00e3o (O Estado de S\u00e3o Paulo, 29\/07\/2004), Cabo Verde (P\u00e1gina Oficial do Governo de Cabo Verde, 04\/11\/2009) e Mo\u00e7ambique (Site do Itamaraty &#8211; MRE; G1, 21\/07\/09), entre outros. Na Bol\u00edvia o &#8220;perd\u00e3o&#8221; de US$ 52 milh\u00f5es (BBC Brasil, 09\/07\/2004) foi comemorado pela Odebrecht, que gra\u00e7as a ele, p\u00f4de voltar ao pa\u00eds vizinho e abocanhar um belo &#8220;res\u00edduo&#8221;. (Odebrecht Informa Online, 2007)<\/p>\n<p>O &#8220;res\u00edduo&#8221; da generosa caridade solid\u00e1ria do Governo Lula beneficiou os capitalistas verde-amarelos, como fica bem claro nas palavras do pr\u00f3prio Lula:<\/p>\n<p><em>&#8220;Quando o Brasil financia uma empreiteira brasileira fazendo uma hidrel\u00e9trica na \u00c1frica, n\u00f3s estamos exportando servi\u00e7os, estamos exportando engenharia, estamos ganhando dinheiro para o Brasil, e ajudando o pa\u00eds africano a se desenvolver. E eu acho que o Brasil n\u00e3o pode tratar o continente africano como se fosse uma coisa secund\u00e1ria; n\u00f3s precisamos dar prioridade ao continente africano.&#8221;<\/em> (G1, 12\/07\/2010)<\/p>\n<p>Estes &#8220;perd\u00f5es&#8221; fazem parte de uma pol\u00edtica de internacionaliza\u00e7\u00e3o do capital nacional estimulada pelo Estado brasileiro. O objetivo \u00e9 expandir os neg\u00f3cios dos capitalistas tupiniquins para que eles possam se inserir de forma mais vantajosa na competitiva globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal. O mercado africano, outrora praticamente desconhecido, se transformou em um dos grandes neg\u00f3cios para o empresariado brasileiro. Furnas, Odebrecht, Vale do Rio Doce, Camargo Correa, Andrade Gutierrez, entre outras, abocanharam expressivas fatias desse fil\u00e3o. (Vargem, 2008, p.9)<\/p>\n<p>Outra forma que vem sendo utilizada para a internacionaliza\u00e7\u00e3o do capital nacional s\u00e3o as linhas de financiamento do BNDES a pa\u00edses estrangeiros. O tomador do empr\u00e9stimo fica obrigado a contratar empresas brasileiras para a realiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e comprar, igualmente, de empresas verde-amarelas, os materiais necess\u00e1rios para a realiza\u00e7\u00e3o destes servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica subimperialista teve a sua base elaborada pelo Governo Fernando Henrique Cardoso. No \u00faltimo ano do seu mandato, mais precisamente em 2002, o estatuto do BNDES foi alterado para impulsionar este projeto expansionista. (Alem; Cavalcanti, 2005, p.69-70)<\/p>\n<p>Mas apesar da mudan\u00e7a ter ocorrido nesse ano, cabe salientar que j\u00e1 em 1999 o BNDES aportou um financiamento de US$ 400 milh\u00f5es para a Odebrecht atuar na Venezuela. (UOL Opera Mundi: Not\u00edcias, 23\/05\/2010)<\/p>\n<p>Bancos privados como o Ita\u00fa e o Bradesco t\u00eam feito parcerias com o BNDES para tamb\u00e9m se inserirem fora do pa\u00eds e por tabela beneficiar outras empresas brasileiras. Foi o caso da recente linha de cr\u00e9dito do Ita\u00fa feita em alian\u00e7a com o BNDES para pa\u00edses do Mercosul que &#8220;visa estimular a venda de bens de capital produzidos no Brasil para pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.&#8221; (Veja, 23\/08\/2010)<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas o BNDES, mas outras empresas p\u00fablicas t\u00eam sido utilizadas para levar capitalistas brasileiros para terras distantes. &#8220;Empreiteiras investem em projetos no exterior na carona da Eletrobr\u00e1s&#8221;, \u00e9 o t\u00edtulo de uma mat\u00e9ria do &#8220;O Globo&#8221; de 8 de fevereiro de 2010.<\/p>\n<p>O Banco do Brasil ajudou a levar o Bradesco para a \u00c1frica e o discurso do Presidente Lula na ocasi\u00e3o n\u00e3o deixa d\u00favidas quanto \u00e0 estrat\u00e9gia expansionista levada a cabo pelo Planalto:<\/p>\n<p><em>&#8220;Fiquei feliz com o acordo que o Banco do Brasil fez com o Bradesco e com o Banco Esp\u00edrito Santo. Todo mundo sabe que \u00e9 um desejo meu e que eu venho trabalhando para que os bancos brasileiros, n\u00e3o apenas os bancos p\u00fablicos, mas os bancos privados, adentrem para a Am\u00e9rica do Sul, Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica. Temos pretens\u00f5es de ir para outros lugares, para que a gente tenha uma presen\u00e7a maior.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><em>&#8220;O Brasil tem uma balan\u00e7a comercial razo\u00e1vel e a ida de um banco para l\u00e1 vai facilitar a vida dos brasileiros que moram l\u00e1, dos nossos importadores e dos nossos exportadores.&#8221;<\/em> (Isto\u00e9 Dinheiro, 09\/08\/2010)<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Central o empresariado verde-amarelo est\u00e1 adentrando ofensivamente:<\/p>\n<p>&#8220;O avan\u00e7o nos pa\u00edses centro-americanos e caribenhos veio acompanhado de oportunidades de neg\u00f3cios que ultrapassam US$ 1,5 bilh\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o de estradas, hidrel\u00e9tricas, termoel\u00e9tricas, destilarias de biocombust\u00edvel e f\u00e1bricas de roupas e tecidos. Al\u00e9m de seu mercado interno, o Caribe oferece tamb\u00e9m acesso privilegiado aos EUA por meio de dois tratados de livre com\u00e9rcio j\u00e1 existentes: a Iniciativa com Base no Caribe (CBI, na sigla em ingl\u00eas) e o Acordo de Livre Com\u00e9rcio com a Am\u00e9rica Central e a Rep\u00fablica Dominicana (Cafta-DR). Ambos permitem que produtos feitos na regi\u00e3o entrem nos EUA com taxa zero. A ideia brasileira \u00e9 fazer disso um trampolim livre de impostos para seus produtos.&#8221; (O Estado de S\u00e3o Paulo, 15\/11\/2009)<\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 uma tremenda oportunidade de expans\u00e3o para os brasileiros (&#8230;)&#8221;<\/em> afirmou Cl\u00e9ber Guarani, pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas. (idem)<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a mis\u00e9ria do povo haitiano \u00e9 vista como oportunidade de bons neg\u00f3cios, em especial para a ind\u00fastria t\u00eaxtil.<\/p>\n<p>&#8220;Outra \u00e1rea promissora \u00e9 a de t\u00eaxteis. O documento que norteia o avan\u00e7o dos empres\u00e1rios do setor diz que, &#8220;na aus\u00eancia de acordos de livre com\u00e9rcio com os EUA, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 obter acesso ao mercado americano com tarifa zero por meio de terceiros pa\u00edses que serviriam de ponte&#8221;.<\/p>\n<p>O coordenador da \u00e1rea internacional da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ind\u00fastrias T\u00eaxteis (ABIT), Domingos Mosca, esteve no Haiti no m\u00eas passado, liderando uma miss\u00e3o de empres\u00e1rios. (&#8230;) &#8220;Hoje, levamos 60 dias para levar de navio uma roupa da China para os EUA. Se usarmos o Haiti como ponte, faremos isso em dois dias de navega\u00e7\u00e3o.&#8221; (idem)<\/p>\n<p>Por esta ponte querem cruzar empresas como a fundada por Jos\u00e9 Alencar, vice-presidente do Brasil: &#8220;a Coteminas quer utilizar o Haiti como plataforma de exporta\u00e7\u00e3o de confec\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos (&#8230;)&#8221; (DefesaNet, 16\/08\/2008)<\/p>\n<p>&#8220;Apesar da confus\u00e3o institucional, o Haiti tem vantagens importantes para oferecer para uma empresa t\u00eaxtil: proximidade e acesso diferenciado ao maior mercado do mundo, os EUA, e m\u00e3o-de-obra barata. Uma costureira na capital Porto Pr\u00edncipe recebe US$ 0,50 por hora. \u00c9 uma remunera\u00e7\u00e3o inferior aos US$ 3,27 pagos no Brasil e muito abaixo dos US$ 16,92 dos EUA, conforme a consultoria Werner. O valor \u00e9 inferior at\u00e9 aos US$ 0,85 pagos no litoral da China e perde apenas para os US$ 0,46 do Vietn\u00e3 e os US$ 0,28 de Bangladesh.&#8221; (idem)<\/p>\n<p>&#8220;Para tornar vi\u00e1vel o projeto no Haiti, a Coteminas precisa convencer os deputados americanos a alterar o Hope, acordo de ajuda humanit\u00e1rio, que significa &#8220;esperan\u00e7a&#8221; na sigla em ingl\u00eas e equivale a um tratado de livre com\u00e9rcio. A empresa contratou o escrit\u00f3rio de lobby Sandler, Travis &amp; Rosenberg, de Washington. Na equipe a seu servi\u00e7o, atuam pelo menos cinco especialistas com bom tr\u00e2nsito no Congresso e no Executivo.&#8221; (idem)<\/p>\n<p>Falando de forma bem clara:<\/p>\n<p>&#8220;A Coteminas est\u00e1 fazendo lobby no Congresso dos Estados Unidos para viabilizar a constru\u00e7\u00e3o de uma confec\u00e7\u00e3o no Haiti. A empresa quer convencer os deputados a flexibilizar as regras de um acordo de ajuda humanit\u00e1ria. O principal argumento \u00e9 que o Brasil merece tratamento especial porque lidera a miss\u00e3o de paz da ONU no pa\u00eds mais pobre das Am\u00e9ricas.&#8221; (Minist\u00e9rio da Fazenda, 15\/08\/2008)<\/p>\n<p>H\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de internacionalizar at\u00e9 os usineiros, os novos her\u00f3is de Lula, no projeto de exporta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em pa\u00edses subdesenvolvidos do etanol. De olho na m\u00e3o-de-obra barata e nas terras agricult\u00e1veis desses pa\u00edses, busca-se expandir a pr\u00e1tica da monocultura de cana, sob o dom\u00ednio de empresas brasileiras, para a \u00c1frica e o Caribe, al\u00e9m de vizinhos sulamericanos. Por ora, a empresa Guarani atua em Mo\u00e7ambique desde 2007 e a Odebrecht estava previsto para iniciar suas atividades em Angola em 2010. Mas quem mais lucrou no per\u00edodo foi a Dedini que aumentou em 660% as suas exporta\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 5 anos. (Rep\u00f3rter Brasil, 09\/12\/2009)<\/p>\n<p>Al\u00e9m da superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores desses pa\u00edses ainda h\u00e1 registros de usinas de cana invadindo \u00e1reas destinadas a alimentos, como na Guatemala, e danos ambientais com perda de biodiversidade, elevado consumo de \u00e1gua e retirada de comunidades inteiras, como verificado em Mo\u00e7ambique. (idem)<\/p>\n<p>O que haveria de progressista em uma pol\u00edtica subimperialista de expans\u00e3o do capital da burguesia brasileira?<\/p>\n<p><strong>As rela\u00e7\u00f5es com alguns pa\u00edses<\/strong><\/p>\n<p>Aqui, mais do que em outras linhas da pol\u00edtica externa, \u00e9 onde o cinismo e a dissimula\u00e7\u00e3o mais se fazem presentes no debate. As rela\u00e7\u00f5es que o Brasil t\u00eam mantido com pa\u00edses que entram em choque com os interesses do imperialismo, como Bol\u00edvia, Venezuela, Equador e Ir\u00e3, entre outros, t\u00eam sido alvo de uma pol\u00eamica irracional, incoerente e dissimuladora.<\/p>\n<p>Para a direita atabalhoada e alguns tucanos, o Brasil n\u00e3o deveria manter rela\u00e7\u00f5es com estes pa\u00edses devido \u00e0s suas pol\u00edticas internas. J\u00e1 os governistas apontam nestas rela\u00e7\u00f5es a prova de que o Governo Lula \u00e9 progressista. Novamente uma observa\u00e7\u00e3o atenta mostra outro cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c0 direita atabalhoada e alguns tucanos, algumas poucas lembran\u00e7as s\u00e3o suficientes para mostrar a sua incoer\u00eancia e cinismo:<\/p>\n<p>&#8220;Em setembro de 1999, ele chegou para a sua quarta visita ao Brasil desde eleito. O Chanceler Felipe Lampreia listou os assuntos que estavam na pauta das conversas entre Ch\u00e1vez e Fernando Henrique. A coopera\u00e7\u00e3o operacional da Petrobr\u00e1s com a PDVSA, pela qual a Petrobr\u00e1s participaria da explora\u00e7\u00e3o e do refino de petr\u00f3leo na Venezuela e, na outra via, a PDVSA iniciaria atividade na distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis no Brasil. Outros neg\u00f3cios eram: um contrato de US$ 180 milh\u00f5es para a construtora Norberto Odebrecht para a constru\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 de Caracas e a participa\u00e7\u00e3o da Embraer na concorr\u00eancia para a venda de 30 avi\u00f5es de treinamento militar para a For\u00e7a A\u00e9rea Venezuelana. Vale destacar que, \u00e0quela altura o com\u00e9rcio bilateral entre os dois pa\u00edses havia pulado de US$ 800 milh\u00f5es em 1994 para mais de US$ 2 bilh\u00f5es, em 1998 e a Venezuela havia se tornado o segundo maior fornecedor de petr\u00f3leo do Brasil. Apoiado pelo governo brasileiro na \u00e9poca do malsucedido golpe de 2002 e na greve dos petroleiros que desabasteceu o pa\u00eds, Ch\u00e1vez se mostrou agradecido e o tornou confiante da futura alian\u00e7a. A sua estabiliza\u00e7\u00e3o no poder levou a uma intensifica\u00e7\u00e3o da agenda bilateral e regional.&#8221; (Fuccille, p.7-8)<\/p>\n<p>Em 2002, a II C\u00fapula Sul-Americana, realizada em Guayaquil, no Equador, debatia a associa\u00e7\u00e3o do Mercosul com a Comunidade Andina, do qual a Venezuela faz parte. O pa\u00eds vizinho desejava a ades\u00e3o ao Mercosul, assim como o presidente brasileiro que discursou no encontro em nome dos presentes. (Vizentini, 2005, p.386-387)<\/p>\n<p>Obviamente pode-se argumentar que Hugo Ch\u00e1vez ainda estava no in\u00edcio da sua gest\u00e3o e que algumas medidas, supostamente autorit\u00e1rias, ainda n\u00e3o tinham sido tomadas. Da\u00ed basta lembrar de um discurso de Fernando Henrique Cardoso, proferido em Lima, no Peru, em 27 de julho de 1995:<\/p>\n<p><em>&#8220;Estamos reunidos em Lima, Presidentes de pa\u00edses irm\u00e3os latino-americanos, para testemunhar uma vez mais o ritual mais elevado da democracia consolidada em nosso continente: o in\u00edcio de uma nova fase de Governo, produto da vontade livre e soberana do povo.<\/em><\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma das muitas ocasi\u00f5es memor\u00e1veis para todos os democratas latinoamericanos: mais uma vez, em um pa\u00eds irm\u00e3o e da mesma maneira renascido para a democracia, um ciclo de Governo chega ao final e outro se inicia, legitimado pelo voto popular. Reconduzido \u00e0 suprema magistratura da Na\u00e7\u00e3o, o Senhor reveste, Senhor Presidente, a vontade pr\u00f3pria do seu povo, e com ele assume o compromisso mais nobre que um ser humano pode receber, o de ser agente e guardi\u00e3o da soberania popular.<\/em><\/p>\n<p><em>Falando em nome de nossos amigos, trago-lhe a palavra de uma Am\u00e9rica intrinsicamente democr\u00e1tica, \u00e0 qual o Peru fortalece e dignifica. E essa Am\u00e9rica, Senhor Presidente, faz hoje o elogio do exemplo da cidadania e da maturidade pol\u00edtica que outra vez um povo latino-americano \u2013 o povo peruano \u2013 nos deu. Quero falar em nome de uma Am\u00e9rica que sabe que n\u00e3o h\u00e1 alternativa fora da democracia. Porque a democracia \u00e9 o instrumento fundamental que nos assegurar\u00e1 a paz, o desenvolvimento e a estabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica, sobre uma base firme e insubstitu\u00edvel de uma sociedade mais justa e equilibrada, e de um povo cidad\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><em>Ao reafirmar nossa condi\u00e7\u00e3o de democracias atuantes e de economias din\u00e2micas, est\u00e1veis e abertas ao mundo, estamos tamb\u00e9m reafirmando o nosso direito, o direito da Am\u00e9rica Latina a uma participa\u00e7\u00e3o decidida no aperfei\u00e7oamento dos instrumentos e institui\u00e7\u00f5es que h\u00e3o de garantir que, a um mundo mais globalizado corresponda a realidade de um mundo mais cooperativo, mais concertado, mais universalmente comprometido com a justi\u00e7a, com o respeito aos direitos humanos, a prote\u00e7\u00e3o ambiental e ao desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><em>Portanto, ao cumpriment\u00e1-lo esta noite, Senhor Presidente, quero pedir a todos os presentes que me acompanhem em um brinde \u00e0 prosperidade do povo irm\u00e3o do Peru, \u00e0 solidariedade fraterna entre os povos da Am\u00e9rica, \u00e0 amizade que nos une e associa, \u00e0 felicidade e ventura pessoal de Vossa Excel\u00eancia e de sua fam\u00edlia nesta nova jornada para conduzir o povo peruano ao seu melhor destino, ao destino que sonharam Bol\u00edvar, San Martin e Sucre.&#8221;<\/em> (Itamaraty &#8211; MRE, 2008, p.75)<\/p>\n<p>O &#8220;agente e guardi\u00e3o da soberania popular&#8221;, alvo do discurso acima, era Alberto Fujimori, governante que em 1992 deu um golpe de Estado, junto com as For\u00e7as Armadas, no qual fechou institui\u00e7\u00f5es como o parlamento e os tribunais de justi\u00e7a, algo n\u00e3o visto nos &#8220;pa\u00edses a serem evitados&#8221; como a Venezuela e a Bol\u00edvia. O ex-presidente brasileiro ainda apoiou o terceiro mandato do peruano.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca a Revista Veja, hoje uma das maiores difusoras do discurso dos &#8220;pa\u00edses evit\u00e1veis&#8221;, defendia as rela\u00e7\u00f5es de Fernando Henrique com Fujimori alegando que as rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses deveriam ser analisadas sob o prisma das vantagens obtidas n\u00e3o devendo ser levado em conta o que ocorre no plano dom\u00e9stico dos pa\u00edses &#8220;parceiros&#8221;, j\u00e1 que isso seria problema interno a ser resolvido pelo governante junto do seu pr\u00f3prio povo.<\/p>\n<p><em>&#8220;A visita ao Brasil de Alberto Fujimori, o presidente do Peru, propiciou o tipo de nhenhenh\u00e9m em que todo mundo mete a colher e n\u00e3o se chega a lugar algum.<\/em><\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><em>O presidente da Rep\u00fablica pode convidar para uma visita oficial um chefe de Estado estrangeiro com a ficha suja como Fujimori? Pode e deve se isso for bom para o Brasil. A pol\u00edtica externa \u00e9 feita para atender aos interesses nacionais permanentes, acima dos eventuais inquilinos do poder, embora n\u00e3o, evidentemente, \u00e0 deriva dos imperativos \u00e9ticos. Se, (&#8230;), o ultradireitista Pat Buchanan for eleito presidente dos Estados Unidos, algu\u00e9m imagina que Fernando Henrique Cardoso fa\u00e7a birra e se recuse a tratar de neg\u00f3cios com um sujeito reacion\u00e1rio como ele?<\/em><\/p>\n<p><em>Da mesma maneira, um pa\u00eds supostamente pouco relevante como o Paraguai, seja ele presidido por Gengis Khan ressuscitado ou Madre Teresa de Calcut\u00e1, sempre exige aten\u00e7\u00f5es especiais de qualquer governo do Brasil.&#8221;<\/em> (Veja, 06\/03\/1996)<\/p>\n<p>Desmascarada a direita atabalhoada e o tucanato restam as fal\u00e1cias do governismo. Aqui o olhar deve ser mais atento, at\u00e9 pelo o que a figura de Lula representa, e o foco deve se dar em dois aspectos das rela\u00e7\u00f5es externas.<\/p>\n<p>O primeiro aspecto \u00e9 o do plano econ\u00f4mico. Aqui, seguindo a estrat\u00e9gia de internacionaliza\u00e7\u00e3o do capital brasileiro, o Governo Lula tem feito uma s\u00e9rie de acordos com Bol\u00edvia, Equador, Venezuela, entre outros, altamente ben\u00e9ficos ao empresariado verde-amarelo. Em meio a pol\u00eamica do caso Brasil-Ir\u00e3, onde o governo brasileiro terminou por assinar as san\u00e7\u00f5es contra o pa\u00eds do Oriente M\u00e9dio, foi not\u00e1vel a manchete publicada em ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o que expressava o sentimento de uma comitiva de aproximadamente 80 empres\u00e1rios brasileiros que visitavam aquela regi\u00e3o: &#8220;Se os EUA n\u00e3o querem o Ir\u00e3, n\u00f3s queremos&#8221;. (IG, 12\/04\/2010)<\/p>\n<p>O segundo aspecto, o do plano pol\u00edtico, desmente de forma ainda mais contundente a fal\u00e1cia governista de uma pol\u00edtica progressista. Aqui, utilizando-se de sua origem pol\u00edtica, o Governo Lula tem atuado no sentido de domesticar a rebeldia dos processos mais radicalizados e concili\u00e1-los com o imperialismo. Foi assim quando criou o &#8220;Grupo de Amigos da Venezuela&#8221; com os pa\u00edses que apoiaram o golpe de Estado contra Hugo Ch\u00e1vez em 2002. Foi assim quando, em 2005, enviou ao Equador um helic\u00f3ptero para resgatar L\u00facio Gutierrez, presidente derrubado em uma insurrei\u00e7\u00e3o popular e que no momento do resgaste estava em sua casa cercada por manifestantes. Foi assim quando conseguiu evitar a condena\u00e7\u00e3o, pela Unasul, das bases americanas na Col\u00f4mbia, conforme desejavam os Estados Unidos. (BBC Brasil, 10\/08\/2009 e UOL Opera Mundi, 28\/08\/2009). Lembrando que as bases t\u00eam como motivo vigiar de perto pa\u00edses como a Venezuela, como deixou claro o documento do Pent\u00e1gono enviado ao Congresso americano em 2009. (Folha Online, 02\/11\/2009)<\/p>\n<p>Em 2005 a secret\u00e1ria americana, Condoleezza Rice, visitou o Brasil, em uma s\u00e9rie de vindas sucessivas de representantes do Governo Bush, para manifestar sua preocupa\u00e7\u00e3o com a Venezuela e pedir o apoio do Brasil, reconhecido como parceiro para a estabiliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Dirceu, na \u00e9poca o Ministro Chefe da Casa Civil, se dirigiu, \u00e0s pressas, a Caracas, antes ainda do desembarque de Rice em Bras\u00edlia, para levar as preocupa\u00e7\u00f5es de Washington com as aquisi\u00e7\u00f5es na \u00e1rea militar do governo venezuelano, no que teria retornado com a c\u00f4mica resposta: &#8220;<em>Ch\u00e1vez n\u00e3o me ouve, j\u00e1 mandei ele parar com isso.<\/em>&#8221; (AL\/RS, 27\/04\/2005)<\/p>\n<p>Em 2008 foram tornados p\u00fablicos relat\u00f3rios da Casa Branca com transcri\u00e7\u00f5es de conversas entre membros do governo brasileiro e do governo americano. Neles fica claro a atua\u00e7\u00e3o do governo Lula no sentido de tentar domesticar os governos que entram em atrito com os interesses de Washington.<\/p>\n<p>&#8220;Lula disse que o Brasil est\u00e1 seguindo a pol\u00edtica externa mais agressiva de sua hist\u00f3ria (citando a decis\u00e3o de enviar tropas para o Haiti como prova do seu novo papel de lideran\u00e7a). Ele quer usar seu bom relacionamento com figuras regionais (p. ex., Lucio Gutierrez no Equador, Nicanor Duarte Frutos no Paraguai, Evo Morales na Bol\u00edvia) como uma for\u00e7a pela estabilidade e pela democracia na regi\u00e3o.&#8221; (Relato da conversa de Lula com John Snow em 2004)<\/p>\n<p>&#8220;A secret\u00e1ria e Dirceu se reuniram, ent\u00e3o, privadamente por quinze minutos, quando discutiram a Venezuela e a Bol\u00edvia. Em resposta ao coment\u00e1rio da secret\u00e1ria de que o Brasil precisa mandar uma mensagem clara ao presidente venezuelano Ch\u00e1vez, Dirceu afirmou que Lula j\u00e1 tinha aconselhado Ch\u00e1vez sobre a necessidade de ser mais cuidadoso em sua ret\u00f3rica (dizendo a Ch\u00e1vez que ele estava \u2018brincando com uma arma carregada\u2019) e focar em prioridades econ\u00f4micas e sociais. (&#8230;) Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Bol\u00edvia, Dirceu comentou que o Brasil tem Evo Morales e a situa\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds \u2018sob controle\u2019.&#8221; (Relato da conversa de Dirceu com Rice em 2005. Relat\u00f3rios publicados pela Valor Econ\u00f4mico em 6 e 7\/05\/2008)<\/p>\n<p>N\u00e3o foi por acaso que Lula recebeu, em novembro de 2009, em Londres, o pr\u00eamio Chatham House, por ser o &#8220;motor-chave da estabilidade e da integra\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.&#8221; (Folha Online, 04\/11\/2009)<\/p>\n<p>N\u00e3o foi por acaso, tamb\u00e9m, que o Presidente Barack Obama chamou Lula de &#8220;o cara&#8221; em abril de 2009 no encontro do G20, assim como tamb\u00e9m n\u00e3o foi por acaso que ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o burgueses como The Economist, Der Spiegel, Financial Times, Newsweek, entre outros, se desmancharam em elogios ao presidente brasileiro.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2010 o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (f\u00f3rum dos ricos) concedeu o pr\u00eamio de Estadista Global a Lula, o qual foi considerado &#8220;um modelo a ser seguido&#8221;. (Folha Online, 20\/01\/2010)<\/p>\n<p>E \u00e9 este modelo de Estadista que a Secretaria de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, sugeriu que Hugo Ch\u00e1vez copiasse. (O Globo, 03\/03\/2010)<\/p>\n<p>Para a p\u00e1 de cal na fal\u00e1cia governista \u00e9 preciso lembrar que em abril de 2010 o Governo Lula selou um obscuro acordo militar com o imperialismo que prev\u00ea a realiza\u00e7\u00e3o de &#8220;exerc\u00edcios militares conjuntos&#8221;, &#8220;opera\u00e7\u00f5es internacionais de manuten\u00e7\u00e3o de paz&#8221;, &#8220;participa\u00e7\u00e3o em cursos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos de treinamento, orienta\u00e7\u00f5es, semin\u00e1rios, confer\u00eancias, mesas-redondas e simp\u00f3sios organizados em entidades militares e civis com interesse na Defesa&#8221; (outra Escola das Am\u00e9ricas?) e uma intrigante &#8220;coopera\u00e7\u00e3o em quaisquer outras \u00e1reas militares&#8221;. (DefesaNet, 12\/04\/2010)<\/p>\n<p>O que h\u00e1 de progressista em uma pol\u00edtica externa que se baseia no subimperialismo e na colabora\u00e7\u00e3o direta com o imperialismo no resguardo dos seus interesses na regi\u00e3o e no amansamento dos processos mais radicalizados e anti-imperialistas?<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>Desfeitas as confus\u00f5es dominantes difundidas tanto pelo governismo quanto por setores de direita atabalhoados e alguns tucanos, percebe-se ent\u00e3o que a pol\u00edtica externa do Governo Lula n\u00e3o tem nada, absolutamente nada, de progressista.<\/p>\n<p>Em alguns pontos nota-se uma continuidade e aprofundamento da pol\u00edtica elaborada por FHC. S\u00e3o os casos da busca da vaga permanente no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e da internacionaliza\u00e7\u00e3o do capital brasileiro no exterior estimulada pelo Estado.<\/p>\n<p>Tanto em um quanto em outro Lula foi mais ousado do que FHC: lidera a invas\u00e3o do Haiti, diferente do Timor Leste onde o Brasil foi uma for\u00e7a auxiliar; e aplicou a modalidade dos &#8220;perd\u00f5es&#8221; das d\u00edvidas dos pa\u00edses para expandir o capital nacional para o exterior, al\u00e9m de destinar vultuosos recursos do BNDES para este mesmo fim.<\/p>\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses em atrito com os EUA cumpre o papel de uma esp\u00e9cie de gerente representante dos neg\u00f3cios do imperialismo na regi\u00e3o, buscando apagar a chama da radicalidade destes processos e concili\u00e1-los com o imperialismo, ao mesmo tempo em que expande os neg\u00f3cios da burguesia brasileira nestes pa\u00edses via acordos, &#8220;perd\u00f5es&#8221; e financiamentos do BNDES.<\/p>\n<p>Como foi dito no in\u00edcio a pol\u00edtica externa de um governo n\u00e3o est\u00e1 dissociada da pol\u00edtica interna do mesmo, ela \u00e9 o seu complemento. Alguns reconhecem que a pol\u00edtica interna de Lula foi uma continuidade de FHC, mas dizem que a sua pol\u00edtica externa foi progressista. \u00c9 um grande equ\u00edvoco anal\u00edtico!<\/p>\n<p>Como disse Armando Boito Jr, professor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Unicamp, a pol\u00edtica externa de Lula \u00e9 uma extens\u00e3o do seu modelo econ\u00f4mico interno. (Boito Jr. A burguesia no Governo Lula, p.256) Assim, se na economia o governo n\u00e3o \u00e9 progressista como poderia s\u00ea-lo em um plano externo que busca complementar \u00e0quela?<\/p>\n<p><em>(*) <\/em><a href=\"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/17063761613138506218\"><em>Jorge Nogueira<\/em><\/a><em> \u00e9 Professor da rede p\u00fablica. Licenciado em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Fontes consultadas<\/strong><\/p>\n<p>ALEM, Ana Cl\u00e1udia; CAVALCANTI, Carlos Eduardo. O BNDES e o Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o das Empresas Brasileiras: Algumas Reflex\u00f5es. Revista do BNDES, v. 12, n\u00ba 24, p. 43-76. Rio de Janeiro, dezembro de 2005.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.bndes.gov.br\/SiteBNDES\/export\/sites\/default\/bndes_pt\/Galerias\/Arquivos\/conhecimento\/revista\/rev2403.pdf<\/p>\n<p>ASSEMBL\u00c9IA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Venezuela provoca redescoberta do Brasil. 27\/04\/2005.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.al.rs.gov.br\/Dep\/site\/materia_antiga.asp?txtIDMateria=105389&amp;txtIdDep=94<\/p>\n<p>BBC BRASIL. Brasil perdoa d\u00edvida de US$ 52 mi da Bol\u00edvia. 09\/07\/2004.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/economia\/story\/2004\/07\/040709_lulaboliviarg.shtml<\/p>\n<p>__________ . Unasul quer reuni\u00e3o com EUA para discutir bases na Col\u00f4mbia. 10\/08\/2009.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2009\/08\/090810_unasul_bases_fa_cq.shtml<\/p>\n<p>BOITO JR, Armando. A burguesia no Governo Lula.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.cibera.de\/fulltext\/16\/16049\/ar\/libros\/grupos\/basua\/C07Boito.pdf<\/p>\n<p>DEFESANET. Miss\u00e3o de paz abre oportunidades para empresas brasileiras no Haiti. Extra\u00eddo da Valor Online. 16\/08\/2008.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.defesanet.com.br\/ph1\/ix_4.htm<\/p>\n<p>__________ . Acordo entre Brasil e Estados Unidos sobre coopera\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de Defesa. 12\/04\/2010.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.defesanet.com.br\/md1\/br-usa.htm<\/p>\n<p>ELETROSUL. Empreiteiras investem em projetos no exterior na carona da Eletrobr\u00e1s. Extra\u00eddo de &#8220;O Globo&#8221;. 08\/02\/2010.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.eletrosul.gov.br\/gdi\/gdi\/index.php?pg=cl_abre&amp;cd=hhjZcc5!\/Wgkg<\/p>\n<p>FOLHA ONLINE. Ch\u00e1vez \u00e9 motivo para ter base na Col\u00f4mbia, afirma Pent\u00e1gono. 02\/11\/2009.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/mundo\/ult94u646451.shtml<\/p>\n<p>_____________ . Lula recebe pr\u00eamio em Londres por papel na Am\u00e9rica Latina. 04\/11\/2009.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/brasil\/ult96u647404.shtml<\/p>\n<p>_____________ . Lula conquista pr\u00eamio de Estadista Global do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial. 20\/01\/2010<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/brasil\/ult96u682217.shtml<\/p>\n<p>FUCCILLE, Lu\u00eds Alexandre. Seguran\u00e7a e defesa no cen\u00e1rio sul-americano: um balan\u00e7o das tens\u00f5es entre realidade dom\u00e9stica e plano externo.<\/p>\n<p>GLOBO.COM. Lula recebe presidente de Mo\u00e7ambique e reitera aposta do Brasil na \u00c1frica. 21\/07\/2009.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Mundo\/0,,MUL1238189-5602,00-LULA+RECEBE+PRESIDENTE+DE+MOCAMBIQUE+E+REITERA+APOSTA+DO+BRASIL+NA+AFRICA.html<\/p>\n<p>___________ . Brasil tem \u2018d\u00edvida hist\u00f3rica\u2019 com a \u00c1frica, diz Lula. 12\/07\/2010.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2010\/07\/brasil-tem-divida-historica-com-africa-diz-lula.html<\/p>\n<p>IG &#8211; ECONOMIA &#8211; EMPRESAS. &#8220;Se os EUA n\u00e3o querem o Ir\u00e3, n\u00f3s queremos&#8221;. 12\/04\/2010.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/economia.ig.com.br\/empresas\/comercioservicos\/se+os+eua+nao+querem+o+ira+nos+queremos\/n1237574964450.html<\/p>\n<p>ISTO\u00c9 DINHEIRO. Lula comemora ingresso de bancos brasileiros na \u00c1frica. 09\/08\/2010.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.istoedinheiro.com.br\/noticias\/30729_LULA+COMEMORA+INGRESSO+DE+BANCOS+BRASILEIROS+NA+AFRICA<\/p>\n<p>ITAMARATY &#8211; MINIST\u00c9RIO DAS RELA\u00c7\u00d5ES EXTERIORES. Entrevista do Ministro de Estado das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Eembaixador Celso Amorim, \u00e0 Ag\u00eancia Brasil &#8211; &#8220;Para Celso Amorim, Brasil vai redescobrir a \u00c1frica&#8221;.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.itamaraty.gov.br\/sala-de-imprensa\/discursos-artigos-entrevistas-e-outras-comunicacoes\/embaixador-celso-luiz-nunes-amorim\/entrevista-do-ministro-de-estado-das-relacoes<\/p>\n<p>___________ &#8211; Resenha de Pol\u00edtica Exterior do Brasil. N\u00famero 77, 2\u00ba semestre de 1995. Ano 22, ISSN 0101 2428. Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, 2008.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.itamaraty.gov.br\/divulg\/documentacao-diplomatica\/publicacoes\/resenha-de-politica-exterior-do-brasil\/resenhas\/resenha-n77-2sem-1995<\/p>\n<p>___________ &#8211; MINIST\u00c9RIO DAS RELA\u00c7\u00d5ES EXTERIORES. Timor Leste.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.itamaraty.gov.br\/temas\/temas-politicos-e-relacoes-bilaterais\/asia-e-oceania\/timor-leste-1\/pdf<\/p>\n<p>MINIST\u00c9RIO DA FAZENDA. O outro lado da ajuda do Brasil ao Haiti. Extra\u00eddo da Valor Econ\u00f4mico. 15\/08\/2008.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.fazenda.gov.br\/resenhaeletronica\/MostraMateria.asp?cod=485344<\/p>\n<p>NOT\u00cdCIAS LUS\u00d3FONAS. Governo estuda medidas para permitir a reconvers\u00e3o de d\u00edvidas africanas. 31\/07\/2004.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.noticiaslusofonas.com\/view.php?load=arcview&amp;article=7048&amp;catogory=CPLP<\/p>\n<p>ODEBRECHT INFORMA ONLINE. De volta para o futuro: Atua\u00e7\u00e3o nas obras da rodovia entre Santa Cruz de la Sierra e Puerto Su\u00e1rez marca o retorno da Odebrecht \u00e0 Bol\u00edvia. N\u00ba 132, setembro\/outubro de 2007.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.odebrechtonline.com.br\/materias\/01101-01200\/1178\/<\/p>\n<p>O ESTADO DE S\u00c3O PAULO. Brasil corteja Am\u00e9rica Central com ofensiva diplom\u00e1tica e biodiesel. 15\/11\/2009.<\/p>\n<p>O GLOBO. Hillary sugere que Ch\u00e1vez se espelhe no Brasil. 03\/03\/2010.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/mat\/2010\/03\/03\/hillary-sugere-que-chavez-se-espelhe-no-brasil-915980887.asp<\/p>\n<p>P\u00c1GINA OFICIAL DO GOVERNO DE CABO VERDE. Cabo Verde e Brasil querem parceria estrat\u00e9gica: Nova din\u00e2mica de coopera\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses. 04\/11\/2009.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.governo.cv\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=2015<\/p>\n<p>REP\u00d3RTER BRASIL. Brasil exporta modelo de produ\u00e7\u00e3o de etanol a pa\u00edses da \u00c1frica e do Caribe. 09\/12\/2009.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/agrocombustiveis\/exibe.php?id=111<\/p>\n<p>REVISTA VEJA. Vilma Gryzinski. O que \u00e9 bom para o Brasil. 06\/03\/1996.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/veja.abril.com.br\/especiais\/anos-fhc\/ebom-brasil-64089.shtml<\/p>\n<p>____________ . Ita\u00fa e BNDES oferecer\u00e3o linha de cr\u00e9dito para Mercosul. 23\/08\/2010.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/economia\/itau-e-bndes-oferecerao-linha-de-credito-para-mercosul<\/p>\n<p>UOL NOT\u00cdCIAS. Brasil eleito membro n\u00e3o-permanente do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. 15\/10\/2009.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/noticias.uol.com.br\/ultnot\/afp\/2009\/10\/15\/ult34u226890.jhtm<\/p>\n<p>UOL OPERA MUNDI: NOT\u00cdCIAS. Unasul exige n\u00e3o inger\u00eancia em assuntos internos, mas n\u00e3o condena bases na Col\u00f4mbia. 28\/08\/2009.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/operamundi.uol.com.br\/noticias_ver.php?idConteudo=1073<\/p>\n<p>___________________________ . Empresas brasileiras apostam na economia venezuelana. 23\/05\/2010.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/operamundi.uol.com.br\/materias_ver.php?idConteudo=4204<\/p>\n<p>VARGEM, Alex Andr\u00e9. A Pol\u00edtica Externa Brasileira para a \u00c1frica no Governo Lula. Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo. 2008.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.pucsp.br\/ponto-e-virgula\/n4\/artigos\/pdf\/2_Alex.pdf<\/p>\n<p>VIZENTINI, Paulo Fagundes. De FHC a Lula: Uma d\u00e9cada de pol\u00edtica externa (1995-2005). Civitas: Revista de Ci\u00eancias Sociais, v. 5. n. 2, julho-dezembro, 2005.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/revistaseletronicas.pucrs.br\/ojs\/index.php\/civitas\/article\/viewFile\/9\/1602<\/p>\n<p>ZAVERUCHA, Jorge. O Brasil no Haiti e o Haiti no Brasil. Bolet\u00edn de RESDAL N\u00ba 15, julio 2004.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.resdal.org\/haiti\/haiti-crisis-zaverucha.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7304\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-7304","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1TO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7304","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7304"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7304\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}