{"id":7308,"date":"2015-01-06T00:44:58","date_gmt":"2015-01-06T00:44:58","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7308"},"modified":"2015-01-06T00:44:58","modified_gmt":"2015-01-06T00:44:58","slug":"perspectivas-para-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7308","title":{"rendered":"Perspectivas para 2015"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"http:\/\/resistir.info\/jf\/perspectivas.html\">http:\/\/resistir.info\/jf\/perspectivas.html<\/a><\/p>\n<p><strong>A banca foi concebida na iniquidade e nascida no pecado. Os banqueiros possuem a terra. Afastando-os, mas deixando-lhes o poder para criar dinheiro, com a ponta da caneta criar\u00e3o suficientes dep\u00f3sitos para comprar tudo outra vez. Entretanto, afastem-nos do poder de criar moeda e todas as grandes fortunas como a minha desaparecer\u00e3o e devem desaparecer pois isto seria um mundo mais feliz e melhor para nele viver. Mas se desejam permanecer escravos dos banqueiros e pagarem o custo da sua pr\u00f3pria escravid\u00e3o, deixem-nos continuar a criar moeda. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Josiah Stamp, Presidente do Banco da Inglaterra, d\u00e9cada de 1920 <\/strong><\/p>\n<p>O aumento cont\u00ednuo da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital \u00e9 um facto bem conhecido e n\u00e3o precisa ser demonstrado. A substitui\u00e7\u00e3o de trabalho vivo por trabalho morto constitui uma tend\u00eancia permanente e secular do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, pode-se dizer que uma tend\u00eancia sist\u00e9mica. Na nossa \u00e9poca esta atingiu n\u00edveis parox\u00edsticos e j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 nenhum sector de actividade que dela escape. O \u00faltimo deles, ap\u00f3s a ind\u00fastria e a agricultura, foi o de servi\u00e7os. Mas tamb\u00e9m a\u00ed a inform\u00e1tica fez o seu trabalho.<\/p>\n<p>O crescimento vertiginoso da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica teve e tem muitas consequ\u00eancias. A primeira, mais \u00f3bvia, \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o cria\u00e7\u00e3o) de postos de trabalho para popula\u00e7\u00f5es que assim se tornam excedent\u00e1rias. Mas o que nos interessa aqui \u00e9 a segunda consequ\u00eancia: a redu\u00e7\u00e3o da taxa de lucro (a qual varia inversamente \u00e0 composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica) nas actividades produtivas da economia real. A lei tendencial da queda da taxa de lucro, descoberta por Marx, tem na nossa \u00e9poca a sua comprova\u00e7\u00e3o plena na realidade efectiva (h\u00e1 numerosos estudos emp\u00edricos que o confirmam).<\/p>\n<p>No entanto, a mola real que faz funcionar este modo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a busca do lucro por parte dos capitalistas. Assim, a queda da taxa na economia real teve como efeito que o capital monopolista e financeiro passasse a buscar o lucro fora das actividades produtivas, sem a intermedia\u00e7\u00e3o da mercadoria. Tenta assim que o dinheiro gere dinheiro, provocando no \u00faltimo quarto de s\u00e9culo o fen\u00f3meno avassalador da <em>financiariza\u00e7\u00e3o. <\/em>\u00c9 in\u00fatil classificar tal fen\u00f3meno como &#8220;perverso&#8221; pois isto seria apenas uma cr\u00edtica moralista do sistema. Importa sim entender o como e o porque da sua exist\u00eancia, bem como as formas como se manifesta. As principais manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o a titulariza\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, a explos\u00e3o dos derivativos, a desregulamenta\u00e7\u00e3o da actividade banc\u00e1ria convencional, os hedge funds, os para\u00edsos fiscais, as bolhas, a especula\u00e7\u00e3o desenfreada que transformou o sector financeiro num casino e a cria\u00e7\u00e3o de uma actividade parabanc\u00e1ria totalmente desregulamentada. Esta \u00faltima movimenta um <em>volume de capital t\u00e3o grande ou maior do que o da banca convencional. <\/em>\u00c9 a esta gigantesca acumula\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos de d\u00edvida, ou &#8220;pretens\u00f5es a dinheiro&#8221; ( <em>claims, <\/em>em ingl\u00eas), que se pode chamar <em>capital fict\u00edcio. <\/em>Trata-se de capitais que giram pelo mundo pois n\u00e3o encontram aplica\u00e7\u00f5es produtivas \u00e0s taxas de lucro desejadas pelos seus detentores. O seu volume, hoje, \u00e9 muitas vezes maior do que o Produto Mundial Bruto <a href=\"http:\/\/resistir.info\/jf\/perspectivas.html#notas\">[1]<\/a> .<\/p>\n<p>Esta infesta\u00e7\u00e3o de capital fict\u00edcio no mundo todo representa um problema fatal para o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista na sua fase financiarizada. Ele j\u00e1 n\u00e3o pode crescer pois est\u00e1 tolhido pela camisa de for\u00e7a do endividamento, o qual jamais poder\u00e1 ser pago. O capital fict\u00edcio paira como uma nuvem negra sobre a economia mundial. Como notou <a href=\"http:\/\/resistir.info\/financas\/capital_ficticio_resenha.html\" target=\"_new\">Sapir<\/a> , &#8220;Ele trava os processos de investimento e deprime ao mesmo tempo o consumo, produzindo estas economias de desemprego em massa que se v\u00ea a desenvolverem-se nos pa\u00edses ocidentais&#8221;. Instalou-se assim nos pa\u00edses centrais o capitalismo rentista \u2013 mas j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 renda que chegue para tal volume de t\u00edtulos e \u00e9 imposs\u00edvel resgat\u00e1-los.<\/p>\n<p>Chega-se assim ao cerne do problema do capital fict\u00edcio: provoca a <em>estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica perene. <\/em>Como escapar \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o? Uma das maneiras \u00e9 transcender o modo de produ\u00e7\u00e3o de capitalista, o que elimina o rentismo parasit\u00e1rio e liberta o mundo do peso do endividamento geral \u2013 a aplica\u00e7\u00e3o de recursos em actividades \u00fateis j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 estrangulada pela obten\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de taxa de lucro. A outra, se se mantiver este modo de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 esteriliza\u00e7\u00e3o do excesso de capital fict\u00edcio. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas isto tem sido poss\u00edvel atrav\u00e9s de gastos governamentais in\u00fateis, como por exemplo a corrida armamentista. S\u00f3 que agora, dado o volume atingido, tais solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais suficientes. Tal como um drogado, o capital financeiro exige doses cada vez maiores do estupefaciente.<\/p>\n<p>Historicamente, nas \u00faltimas duas crises gerais do capitalismo que conduziram a depress\u00f5es, o restabelecimento da taxa de lucro que permitiu a retomada do crescimento foi feito atrav\u00e9s de destrui\u00e7\u00f5es provocadas por guerras mundiais. No s\u00e9culo XX ambas permitiram gloriosas <a href=\"http:\/\/resistir.info\/jf\/saidas_da_crise.html\" target=\"_new\">sa\u00eddas em &#8220;V&#8221;<\/a> . Mas na actual depress\u00e3o, iniciada em 2008, est\u00e1 a verificar-se uma sa\u00edda &#8220;em raiz quadrada&#8221; do tipo ondulante. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de tal modo catastr\u00f3fica que nem mesmo a baixa dr\u00e1stica do pre\u00e7o do petr\u00f3leo verificada nos \u00faltimos seis meses est\u00e1 a ser suficiente para a retomada do crescimento. Ainda que seja uma baixa artificial, provocada pelo imperialismo em conluio com a Ar\u00e1bia Saudita, ela deveria estar a ter algum efeito de reanima\u00e7\u00e3o. Mas at\u00e9 agora, nada. O sacrif\u00edcio da sua ind\u00fastria do shale pelos EUA n\u00e3o parece estar a ser suficiente. O doente continua nos cuidados intensivos em estado comatoso.<\/p>\n<p>A actual agressividade do imp\u00e9rio \u00e9 um ind\u00edcio do seu desespero. A imposi\u00e7\u00e3o de uma junta nazi na Ucr\u00e2nia, de cerco \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 China com bases militares, de sabotagem \u00e0 Venezuela, etc s\u00e3o ind\u00edcios alarmantes. E o servilismo da Uni\u00e3o Europeia chega at\u00e9 \u00e0 abjec\u00e7\u00e3o, submetendo-se totalmente aos des\u00edgnios imperiais. Esperemos que as guerras energ\u00e9ticas e monet\u00e1rias agora iniciadas pelo imperialismo para salvar a hegemonia do d\u00f3lar n\u00e3o se transformem em guerra nuclear. Nesse caso, a alternativa &#8220;Socialismo ou barb\u00e1rie&#8221; formulada por Rosa Luxemburgo teria de ser corrigida para &#8220;Socialismo ou exterm\u00ednio&#8221;.<\/p>\n<p>Neste mar tormentoso, para a pequena nau lusitana a melhor sa\u00edda ser\u00e1 retomar o seu destino nas suas pr\u00f3prias m\u00e3os: Recuperar a soberania monet\u00e1ria de que a classe dominante portuguesa abdicou; criar uma moeda nacional <em>de emiss\u00e3o estatal; <\/em>abandonar a UE e o seu tratado or\u00e7amental; libertar-se das peias de organismos internacionais e iniciar um programa de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds. Esta seria a melhor sa\u00edda poss\u00edvel diante da actual situa\u00e7\u00e3o desastrosa. Quando ser\u00e1?<\/p>\n<p>Votos de bom 2015.<\/p>\n<p><strong>1. Cerca de 12 vezes segundo Jorge Beinstein, v. <\/strong><a href=\"http:\/\/resistir.info\/crise\/beinstein_violencia_jun14.html\" target=\"_new\"><strong>Capitalismo, viol\u00eancia e decad\u00eancia sist\u00e9mica<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em <\/strong><a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_new\"><strong>http:\/\/resistir.info<\/strong><\/a><strong> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nJorge Figueiredo \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7308\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1TS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7308\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}