{"id":7321,"date":"2015-01-11T12:25:19","date_gmt":"2015-01-11T12:25:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7321"},"modified":"2015-01-11T12:25:19","modified_gmt":"2015-01-11T12:25:19","slug":"domenico-losurdo-producao-das-emocoes-e-novo-estagio-do-controle-da-classe-dominante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7321","title":{"rendered":"Domenico Losurdo: \u201cProdu\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es \u00e9 novo est\u00e1gio do controle da classe dominante\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Jo\u00e3o Novaes e Rodolfo Machado | S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Para o fil\u00f3sofo marxista italiano, com a televis\u00e3o e as novas m\u00eddias, a burguesia n\u00e3o tem somente o monop\u00f3lio das ideias<\/p>\n<p>Para o fil\u00f3sofo marxista italiano Domenico Losurdo, o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico permitiu \u00e0 classe dominante alcan\u00e7ar um novo est\u00e1gio na domina\u00e7\u00e3o cultural. Se, no passado, ela j\u00e1 detinha o monop\u00f3lio da profus\u00e3o e difus\u00e3o das ideias, hoje ela tamb\u00e9m consegue fazer o mesmo com as emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na segunda parte da entrevista de Losurdo a <strong>Opera Mundi<\/strong>, ele descreve as no\u00e7\u00f5es modernas das lutas de classe, dos limites das manifesta\u00e7\u00f5es populares e da rela\u00e7\u00e3o entre o comunismo e as lutas anticoloniais, em especial a do movimento negro nos EUA.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/entrevistas\/31593\/eua+sao+o+pior+inimigo+da+democracia+nas+relacoes+internacionais+diz+filosofo+italiano.shtml\" target=\"_blank\">Leia aqui<\/a> a primeira parte da entrevista.<\/p>\n<p><strong>Opera Mundi: No final de \u201cDemocracia ou Bonapartismo\u201d, o senhor afirma que vivemos uma fase de \u201cdesemancipa\u00e7\u00e3o. A tal ponto em que a chamada \u2018Revolta de Los Angeles\u2019, de 1992 foi um caso de racismo institucional que mostra que os negros s\u00f3 podem protestar recorrendo a uma esp\u00e9cie de \u2018jacquerie\u2019 urbana, de revolta enraivecida e destrutiva, que, no entanto, em nada modifica o status quo existente\u201d. Num contexto de crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica na Europa, de ocaso da chamada Primavera \u00c1rabe, de guerra civil na S\u00edria: qual o sentido que deveriam tomar as mobiliza\u00e7\u00f5es populares para, de fato, modificar o estado de coisas existente no capitalismo do s\u00e9culo XXI?<\/strong><\/p>\n<p>Domenico Losurdo: Em \u201cDemocracia ou Bonapartismo\u201d, quando falo de desemancipa\u00e7\u00e3o fa\u00e7o refer\u00eancia ao Ocidente. Vejamos como exemplo o j\u00e1 falado desmantelamento do Estado de bem-estar social. Nessa situa\u00e7\u00e3o, e no seio do contexto do \u201cmonopartidarismo competitivo\u201d, as classes populares n\u00e3o tem mais representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Parlamento, est\u00e3o exclu\u00eddas. N\u00e3o sou eu que digo isso: h\u00e1 pesquisadores dos EUA que se referem a seu pa\u00eds como uma plutocracia, ou seja, o poder emanado da riqueza. Nesse contexto, as classes populares n\u00e3o t\u00eam possibilidade de serem representadas no Parlamento.<\/p>\n<p>Portanto, o que ocorreu em Londres em 2011 e em outras cidades recentemente, esses grandes protestos populares, j\u00e1 foi cantado o que aconteceria depois. Na \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, houve primeiro a explos\u00e3o de c\u00f3lera, com queimas de propriedades de aristocratas, mas em seguida a situa\u00e7\u00e3o sempre se voltava para o restabelecimento do poder da aristocracia. E hoje vemos exatamente a mesma coisa. Como foram os casos de Los Angeles em 1992 e mais recentemente em Londres e at\u00e9 Paris. Estou totalmente de acordo.<\/p>\n<p>Fernando Garcia\/divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Podemos acrescentar um exemplo parecido: quando os EUA come\u00e7aram a segunda Guerra do Golfo contra o Iraque, em 2003, houve grande base de oposi\u00e7\u00e3o e protestos contra a guerra. J\u00e1 em 2011, na guerra contra a L\u00edbia, n\u00e3o houve nada digno de nota. A\u00ed reside a fraqueza dos movimentos espont\u00e2neos (que se mostram cada vez mais fortes) porque a grande plutocracia controla a m\u00eddia, os jornais, a TV.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Oriente M\u00e9dio \u00e9 diferente. De um lado h\u00e1 grande movimentos populares; de outro temos tentativas de recoloniza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. E porque isso? De um lado, para favorecer Israel, que precisa da destrui\u00e7\u00e3o de todos os outros pa\u00edses. Do outro h\u00e1 o programa-chave dos EUA, e de Obama em particular, de concentrar o aparato militar contra a China na \u00c1sia. E com colabora\u00e7\u00e3o dos poderes coloniais europeus tradicionais, Fran\u00e7a e Reino Unido, que foram encorajados a restabelecer algum tipo de domina\u00e7\u00e3o neocolonial por l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>OM: Em suas pesquisas, o senhor destaca o racismo e a ind\u00fastria do anticomunismo, como componentes articulados da hist\u00f3ria norte-americana. \u201cA segrega\u00e7\u00e3o e o linchamento dos negros era um m\u00e9todo peculiar de combater os comunistas\u201d. O \u201cbonapartismo soft\u201d dos EUA refor\u00e7a a recorr\u00eancia de um estado racial e de uma democracia para o povo do senhor [termo de Losurdo para se referir ao povo opressor]? O senhor poderia desenvolver esse ponto?<\/strong><\/p>\n<p>DL: Devemos fazer uma distin\u00e7\u00e3o entre o plano hist\u00f3rico e o atual. Est\u00e1 claro que, para o povo do senhor norte-americano, os EUA foram uma democracia. \u00c9 rid\u00edculo quando [os ex-presidentes dos EUA] Bill Clinton e mesmo Barack Obama disseram que os EUA s\u00e3o a mais antiga democracia do mundo. \u00c9 uma teoria insustent\u00e1vel mesmo sob o ponto de vista hist\u00f3rico, o equivalente a considerar os negros escravos e os \u00edndios exterminados durante a hist\u00f3ria como descart\u00e1veis. \u00c9 a continua\u00e7\u00e3o do racismo sob o plano ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos pensar a hist\u00f3ria como o \u201ceterno retorno\u201d de Nietzschze, simplesmente dizendo que nada muda. Pois seria o mesmo que dizer que os grandes movimentos de protestos populares, mesmo as grande revolu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o serviram para nada. O que \u00e9 falso, eles mudaram muita coisa.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, tivemos um n\u00famero gigantesco de revolu\u00e7\u00f5es anticolonialistas em n\u00edvel planet\u00e1rio. A parcial emancipa\u00e7\u00e3o dos afro-americanos nos EUA \u00e9 um desses aspectos . Podemos especificar esse movimento de luta por emancipa\u00e7\u00f5es, por exemplo, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Pois \u00e9 nela que se come\u00e7a a desenvolver mais fortemente as organiza\u00e7\u00f5es de movimentos negros. Cito em meus livros a famosa frase de um de seus militantes: \u201cme acusam de ser bolchevique? Bem se ser bolchevique significa ser contra o linchamento e a supremacia branca, ent\u00e3o sou bolchevique\u201d.<\/p>\n<p>Podemos citar ainda nesse contexto o que se passa no primeiro ano da Guerra Fria. Em 1951, a Suprema Corte dos EUA estava debatendo se a segrega\u00e7\u00e3o racial era ou n\u00e3o constitucional. O Departamento de Estado enviou um relat\u00f3rio aos ju\u00edzes defendendo a inconstitucionalidade, caso contr\u00e1rio, a decis\u00e3o poderia \u201cfavorecer o crescimento de movimentos comunistas e revolucion\u00e1rios\u201d dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds. Mesmo essa emancipa\u00e7\u00e3o modesta n\u00e3o foi decidida de forma espont\u00e2nea pelas classes dominantes, mas por medo do movimento comunista, em resposta a uma grande revolu\u00e7\u00e3o que se desenvolvia no mundo.<\/p>\n<p>Mesmo Martin Luther King, em sua fase mais radical, falava positivamente das revolu\u00e7\u00f5es anticoloniais.<\/p>\n<p>Leia mais:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/noticias\/30860\/hoje+na+historia+1963+%96++luther+king+brada+eu+tenho+um+sonho+que+hoje+e+privatizado+e+tem+direitos+autorais.shtml\" target=\"_blank\"><em>Hoje na Hist\u00f3ria: 1963 \u2013 Luther King brada \u201cEu tenho um sonho\u201d, que hoje \u00e9 privatizado e tem direitos autorais<\/em><\/a><\/p>\n<p>Qual a situa\u00e7\u00e3o atual dos afro-americanos? Na popula\u00e7\u00e3o presidi\u00e1ria, a porcentagem \u00e9 terr\u00edvel, a popula\u00e7\u00e3o negra tem porcentagem muito superior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 total. O mesmo pode se notar para os condenados \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o livro de uma escritora negra dos EUA, Michelle Alexander, fala do encarceramento dos negros nos EUA,no livro<em> O novo Jim Crow<\/em> [The New Jim Crow: Mass Incarceration in the Age of Colorblindness (2010)]. Segundo ela, ainda existe uma discrimina\u00e7\u00e3o muito negativa contra os negros que n\u00e3o \u00e9 determinada pela lei, mas pelas rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas vigentes.<\/p>\n<p>Mas se queremos compreender a persist\u00eancia da democracia sobre os povos do senhor, devemos nos focar em outro aspecto: as rela\u00e7\u00f5es que os EUA desenvolvem com seus \u201cestrangeiros\u201d. Obama l\u00ea uma lista toda ter\u00e7a-feira preparada pela CIA para escolher os destino dos alvos dos drones. E os mais redut\u00e1veis terroristas s\u00e3o eliminados sem senten\u00e7a ou devido processo legal. Se, por um lado, ele atinge at\u00e9 cidad\u00e3os dos EUA, por outro tamb\u00e9m acerta estrangeiros no I\u00eamen e no Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Leia mais:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/noticias\/30858\/sem+tempo+para+sonhar+eua+tem+mais+negros+na+prisao+hoje+do+que+escravos+no+seculo+xix.shtml\" target=\"_blank\"><em>Sem tempo para sonhar: EUA t\u00eam mais negros na pris\u00e3o hoje do que escravos no s\u00e9culo XIX<\/em><\/a><\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s o golpe de Estado contra Hugo Ch\u00e1vez em 2002 os EUA rapidamente reconheceram o novo presidente. A democracia n\u00e3o se aplicava \u00e0 Venezuela. Mas dessa forma podemos compreender a democracia deles. Como quando atacaram Cuba dois anos depois da Revolu\u00e7\u00e3o na Ba\u00eda dos Porcos.<\/p>\n<p>Hoje a democracia para o povo dos EUA \u00e9 a do povo &#8220;eleito pela provid\u00eancia&#8221;, porque essa ideologia dura ainda, George W Bush falava muito dela, dos EUA \u201ccomo a na\u00e7\u00e3o eleita por Deus para dirigir o mundo\u201d. Mesmo Clinton dizia que os EUA tinham a tarefa \u201ceterna\u201d de governar o mundo.<\/p>\n<p>Podemos notar que essa ideologia n\u00e3o desapareceu e dever\u00e1 persistir.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\u00a0<\/p>\n<p><strong>OM: Quais s\u00e3o as principais modalidades de lutas de classes que encontramos nos dias de hoje?<\/strong><\/p>\n<p>DL: Sobre a luta de classes, no \u201cManifesto do Partido Comunista\u201d e em outros textos de Marx e Engels, ela \u00e9 sempre escrita no plural, pois pode se dar de v\u00e1rias formas. Por exemplo, Engels lembra da opress\u00e3o de classes contra a mulher como a primeira forma de opress\u00e3o de classes. Para os negros que foram escravos nos EUA, a luta contra a escravid\u00e3o \u00e9 certamente uma delas. Portanto, devemos considerar a opress\u00e3o de classes toda vez que um povo \u00e9 submetido e reduzido a alguma forma de escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 o nazismo foi uma tentativa de retomada e radicaliza\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o colonial, pois queria estabelecer na Europa Oriental um verdadeiro sistema de escravid\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 duvidas sobre isso. E a luta da URSS contra essa tentativa de escravid\u00e3o de um povo inteiro foi uma verdadeira luta de classes.<\/p>\n<p>Seria rid\u00edculo considerar luta de classes apenas como uma reivindica\u00e7\u00e3o pelo aumento de uma fra\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio de oper\u00e1rios e n\u00e3o uma luta de classes para erradicar a escravid\u00e3o de um povo inteiro.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas tipos de luta de classes atualmente. Quais s\u00e3o elas?<\/p>\n<p>Primeira: a luta popular contra a burguesia. Segunda: a das mulheres pela emancipa\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o devemos pensar somente no Ocidente, onde as primeiras a serem afetadas e demitidas em uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dif\u00edcil s\u00e3o as mulheres. E terceiro: a de todos os povos oprimidos.<\/p>\n<p>Wikimedia Commons<\/p>\n<p>Coloco a quest\u00e3o: a gigantesca revolu\u00e7\u00e3o anticolonial que se desenvolveu no s\u00e9culo XX, que significou o desmoronamento do colonialismo cl\u00e1ssico e da supremacia branca dos EUA. Podemos dizer que essa vers\u00e3o do colonialismo acabou ou continua? Minha resposta \u00e9: continua no caso cl\u00e1ssico, como por exemplo quando os palestinos s\u00e3o expropriados de suas terras sistematicamente, marginalizados etc. A luta nacional do povo palestino \u00e9 uma grande luta de classes. Nesse caso o colonialismo se manifesta de forma cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>Mas , para a maior parte do mundo a revolu\u00e7\u00e3o anticolonial se manifesta de forma diferente. L\u00eanin fez uma distin\u00e7\u00e3o entre \u201canexa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, essa cl\u00e1ssica do colonialismo, que se refere a um pa\u00eds que engloba a terra conquistada ao seu territ\u00f3rio; e a \u201canexa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u201d, refor\u00e7ada \u00e0s vezes por interven\u00e7\u00f5es militares ou simples amea\u00e7as de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que dizia Mao Ts\u00e9-tung na v\u00e9spera da conquista da tomada definitiva do poder na China pelo PCCh e na funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular da China?: Sim, conseguimos a independ\u00eancia pol\u00edtica, mas dependemos dos EUA no plano econ\u00f4mico. Se essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o acabar logo, seremos sempre dependentes. Nesse contexto, cito um importante autor anticolonialista dos anos 1960, Frantz Fanon, em sua obra, <em>Les Damn\u00e9s de la Terre<\/em>, sobre a luta da independ\u00eancia argelina. Ele diz que j\u00e1 que as grande pot\u00eancias coloniais s\u00e3o obrigadas a reconhecer a independ\u00eancia de alguns pa\u00edses no s\u00e9culo XX , passam a se comportar de outra maneira: \u201cvoc\u00eas queriam a independ\u00eancia? Voc\u00eas as t\u00eam. Agora morram de fome\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja, L\u00eanin, Mao e Fanon compreenderam que h\u00e1 centenas de etapas numa revolu\u00e7\u00e3o anticolonialista, sobretudo uma revolu\u00e7\u00e3o integrada ao plano econ\u00f4mico. O desenvolvimento econ\u00f4mico \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para tornar definitiva a independ\u00eancia conquistada no plano pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A luta da China pelo desenvolvimento econ\u00f4mico \u00e9 uma luta de classes, e mesmo a dos pa\u00edses emergentes para evitar a anexa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, tamb\u00e9m. Infelizmente, n\u00e3o foram todos os pa\u00edses que conseguiram.<\/p>\n<p>Podemos pensar no Haiti, local de uma das maiores lutas anticoloniais da hist\u00f3ria: vira primeiro pa\u00eds do continente americano a abolir a escravid\u00e3o. Ainda ajudou Sim\u00f3n Bolivar a combater a Espanha sob a condi\u00e7\u00e3o que este abolisse a escravid\u00e3o e ele o fez, por um certo per\u00edodo. O Haiti jogava um importante papel internacional na luta contra a escravid\u00e3o. Mas o que aconteceu depois? Sim, houve erros na administra\u00e7\u00e3o interna, mas tamb\u00e9m a Fran\u00e7a o amea\u00e7ou de interven\u00e7\u00e3o militar. Para se salvar dessa amea\u00e7a, o governo de Haiti aceita um acordo com o qual concorda em pagar pesada indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 Fran\u00e7a pela perda da propriedade p\u00f3s-independ\u00eancia. A situa\u00e7\u00e3o foi uma d\u00edvida gigantesca para o Haiti que, de uma semi-col\u00f4nia da Fran\u00e7a no passado, hoje \u00e9 semi-col\u00f4nia dos EUA.<\/p>\n<p>Leia mais:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/entrevistas\/30291\/volta+do+interesse+por+marx+explica+porque+a+historia+nao+acabou+diz+geografo+britanico.shtml\" target=\"_blank\"><em>&#8220;Volta do interesse por Marx explica porque a Hist\u00f3ria n\u00e3o acabou&#8221;, diz ge\u00f3grafo brit\u00e2nico<\/em><\/a><\/p>\n<p>Isso vale para o mundo \u00e1rabe tamb\u00e9m, e o exemplo \u00e9 o Egito. O pa\u00eds tinha um passado anticolonial remarc\u00e1vel. Qual a situa\u00e7\u00e3o atual? Infelizmente depende, de um lado do dinheiro norte-americano e de outro do dinheiro de pa\u00edses do Golfo como Catar e Ar\u00e1bia Saudita. O Egito poderia conduzir uma pol\u00edtica muito mais audaciosa e radical, mas n\u00e3o tem os meios econ\u00f4micos para isso.<\/p>\n<p><strong>OM: Marx dizia que as ideias da classe dominante s\u00e3o em cada \u00e9poca as pr\u00f3prias ideias dominantes, j\u00e1 que \u201ca classe que disp\u00f5e dos meios de produ\u00e7\u00e3o material disp\u00f5e com isso, ao mesmo tempo, dos meios de produ\u00e7\u00e3o intelectual\u201d. Preocupa esse absoluto controle da m\u00eddia de massa pelo poder burgu\u00eas, ainda mais forte hoje do que na \u00e9poca de Marx? Como lidar com tal monop\u00f3lio no avan\u00e7o das lutas populares?<\/strong><\/p>\n<p>DL: Tem raz\u00e3o em acrescentar que hoje a situa\u00e7\u00e3o se tornou ainda mais dif\u00edcil, podemos exprimi-la da seguinte maneira: Marx fala da classe dominante burguesa que, com o controle dos modos de produ\u00e7\u00e3o intelectual, tem o monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o e da difus\u00e3o das ideias.<\/p>\n<p>Mas hoje as coisas mudarem porque com a televis\u00e3o e as novas m\u00eddias, a classe dominante n\u00e3o tem somente esse monop\u00f3lio de produ\u00e7\u00e3o de ideias, mas tamb\u00e9m, o que \u00e9 muito importante, o monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es. Transmitem-se imagens horr\u00edveis que podem ter sido escolhidas em uma s\u00e9rie de outras imagens propositalmente ou que pode at\u00e9 ser falsa. [Atrav\u00e9s desse artif\u00edcio] se consegue provocar uma indigna\u00e7\u00e3o geral [na opini\u00e3o p\u00fablica] e esse monop\u00f3lio de produ\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es que \u00e9 muito importante para o in\u00edcio das guerras.<\/p>\n<p>Quer dizer, o Iraque, na ocasi\u00e3o da segunda Guerra do Golfo, dizia-se que Saddam [Hussein, ex-presidente do Iraque] tinha armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, que ele poderia empreg\u00e1-las a qualquer minuto. Ou pior, na ocasi\u00e3o da primeira guerra do Golfo, todos estavam convencidos que as for\u00e7as de Saddam mataram um sem n\u00famero de beb\u00eas, uma hist\u00f3ria totalmente inventada. Mas, com o monop\u00f3lio de produ\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es essa hist\u00f3ria enganou e provocou uma indigna\u00e7\u00e3o generalizada de parte da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Devemos tomar consci\u00eancia dessa nova situa\u00e7\u00e3o: das ideias e emo\u00e7\u00f5es, com uma tecnologia e psicologia muito refinadas e sofisticadas. Nesse sentido, o aparelho militar do imperialismo ficou mais forte n\u00e3o s\u00f3 no dom\u00ednio militar cl\u00e1ssico, mas no plano multimidi\u00e1tico. Armas midi\u00e1ticas provocam a opini\u00e3o p\u00fablica a ser favor\u00e1vel ao in\u00edcio de uma guerra.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/adm.operamundi.com.br\/conteudo\/opiniao\/29495\/o+namoro+do+desenvolvimentismo+com+o+neoliberalismo.shtml\" target=\"_blank\"><strong>O namoro do desenvolvimentismo com o neoliberalismo<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/adm.operamundi.com.br\/conteudo\/entrevistas\/30291\/volta+do+interesse+por+marx+explica+porque+a+historia+nao+acabou+diz+geografo+britanico.shtml\" target=\"_blank\"><strong>&#8220;Volta do interesse por Marx explica porque a Hist\u00f3ria n\u00e3o acabou&#8221;, diz ge\u00f3grafo brit\u00e2nico<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/adm.operamundi.com.br\/conteudo\/noticias\/31239\/nova+miss+eua+e+vitima+de+comentarios+racistas+e+xenofobos.shtml\" target=\"_blank\"><strong>Nova miss EUA \u00e9 v\u00edtima de coment\u00e1rios racistas e xen\u00f3fobos<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/adm.operamundi.com.br\/conteudo\/entrevistas\/31615\/losurdo+producao+das+emocoes+e+novo+estagio+do+controle+da+classe+dominante.shtml\" target=\"_blank\">http:\/\/adm.operamundi.com.br\/conteudo\/entrevistas\/31615\/losurdo+producao+das+emocoes+e+novo+estagio+do+controle+da+classe+dominante.shtml<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7321\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7321","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1U5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7321"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7321\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}