{"id":7326,"date":"2015-01-13T23:42:05","date_gmt":"2015-01-13T23:42:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7326"},"modified":"2015-01-13T23:42:05","modified_gmt":"2015-01-13T23:42:05","slug":"a-defesa-do-imperialismo-do-dolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7326","title":{"rendered":"A defesa do imperialismo do d\u00f3lar"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;A &#8216;necessidade&#8217; de o Fed ter um papel ainda mais activo, enquanto os estrangeiros abrandam ainda mais a compra da nossa divisa, \u00e9 para travar a corrida da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial que ocorre no mundo desenvolvido \u2013 uma corrida que est\u00e1 a precipitar-nos para o fim do actual regime de divisas&#8221;.<\/p>\n<p>\u2013 Stephanie Pomboy, MacroMavens<\/p>\n<p>&#8220;Seja o que for que os nossos correspondentes ocidentais nos digam,<\/p>\n<p>podemos ver o que se est\u00e1 a passar. A NATO est\u00e1 a montar<\/p>\n<p>descaradamente as suas for\u00e7as na Europa de Leste,<\/p>\n<p>incluindo as \u00e1reas do Mar Vermelho e do Mar B\u00e1ltico.<\/p>\n<p>As suas actividades operacionais e de treino em combate est\u00e3o a aumentar&#8221;.<\/p>\n<p>\u2013 Presidente russo Vladimir Putin<\/p>\n<p>Se houvesse uma forma de os Estados Unidos poderem concretizar os seus objectivos a longo prazo e, simultaneamente, evitarem uma guerra com a R\u00fassia, fa-lo-iam. Infelizmente, isso n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o e por isso vai haver um confronto entre os dois advers\u00e1rios com armas nucleares em algum momento no futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Passo a explicar: A administra\u00e7\u00e3o Obama est\u00e1 a tentar reequilibrar a pol\u00edtica dos EUA mudando o foco da aten\u00e7\u00e3o do M\u00e9dio Oriente para a \u00c1sia, que, segundo se prev\u00ea, ser\u00e1 a regi\u00e3o de maior crescimento no pr\u00f3ximo s\u00e9culo. Chama-se a esta mudan\u00e7a de pol\u00edtica o &#8220;piv\u00f4&#8221; para a \u00c1sia. A fim de beneficiar do grande crescimento da \u00c1sia, os EUA planeiam incrementar a sua presen\u00e7a neste continente, expandir as suas bases militares, refor\u00e7ar alian\u00e7as bilaterais e acordos comerciais e assumir o papel-chave da seguran\u00e7a regional. O objectivo nada secreto desta pol\u00edtica \u00e9 a &#8220;conten\u00e7\u00e3o&#8221; da China, ou seja, Washington quer preservar a sua posi\u00e7\u00e3o de \u00fanica superpot\u00eancia mundial, controlando o crescimento explosivo da China. (Os EUA querem uma China fraca, dividida, que fa\u00e7a o que lhe mandarem).<\/p>\n<p>A fim de atingir os seus objectivos na \u00c1sia, os EUA precisam de empurrar a NATO mais para Leste, apertar o seu cerco \u00e0 R\u00fassia e controlar o fluxo do petr\u00f3leo e do g\u00e1s de Leste para Oeste. Estas s\u00e3o as pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para instituir o dom\u00ednio hegem\u00f3nico no continente. E \u00e9 por isso que a administra\u00e7\u00e3o Obama est\u00e1 t\u00e3o interessada em apoiar o governo torpe da junta de Kiev; \u00e9 porque Washington precisa das tropas de choque neonazis de Poroshenko para arrastar a R\u00fassia a um conflito na Ucr\u00e2nia que esgote os seus recursos, desacredite Putin aos olhos dos seus parceiros comerciais da UE e crie o pretexto para posicionar a NATO na fronteira ocidental da R\u00fassia.<\/p>\n<p>A ideia de que o ex\u00e9rcito pr\u00f3-Obama na Ucr\u00e2nia est\u00e1 a defender a soberania do pa\u00eds \u00e9 uma charlatanice pura. O que se passa nos bastidores \u00e9 que os EUA est\u00e3o a tentar combater um decl\u00ednio econ\u00f3mico irrevers\u00edvel e uma parte sempre contrac\u00e7\u00e3o do PIB global, em permanente redu\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da for\u00e7a militar. Assistimos hoje na Ucr\u00e2nia a uma vers\u00e3o do s\u00e9culo XXI do Grande Jogo, implementado por fantasistas pol\u00edticos e com dificuldades financeiras, que acham que podem atrasar o rel\u00f3gio para o tempo do apogeu p\u00f3s II Guerra Mundial do Imp\u00e9rio americano, quando o mundo era a p\u00e9rola da Am\u00e9rica. Gra\u00e7as a Deus, esse per\u00edodo acabou.<\/p>\n<p>N\u00e3o se esque\u00e7am que as gloriosas for\u00e7as armadas americanas passaram os \u00faltimos 13 anos a lutar no Afeganist\u00e3o com pastores de cabras cal\u00e7ados com sand\u00e1lias num conflito que, na melhor das hip\u00f3teses, pode ser caracterizado como um impasse. E agora a Casa Branca quer conquistar a R\u00fassia?<\/p>\n<p>Est\u00e3o a ver a loucura desta pol\u00edtica?<\/p>\n<p>Foi por isso que o secret\u00e1rio da Defesa, Chuck Hagel, foi demitido na semana passada, porque n\u00e3o se mostrou suficientemente ansioso para prosseguir nesta pol\u00edtica louca de refor\u00e7ar as guerras no Afeganist\u00e3o, no Iraque, na S\u00edria e na Ucr\u00e2nia. Toda a gente sabe que \u00e9 verdade, a administra\u00e7\u00e3o nem sequer tentou neg\u00e1-lo. Preferem agarrar-se a palha\u00e7os enraivecidos, como Susan Rice e Samantha Power, do que a um veterano condecorado que tem mais credibilidade e intelig\u00eancia no dedo mindinho do que toda a equipa de Seguran\u00e7a Nacional de Obama, em conjunto.<\/p>\n<p>Portanto, Obama est\u00e1 agora totalmente rodeado por imbecis defensores da guerra, que subscrevem o mesmo conto de fadas de que os EUA v\u00e3o reduzir a R\u00fassia a p\u00f3, derrubar Assad, redesenhar o mapa do M\u00e9dio Oriente, controlar o fluxo de g\u00e1s e de petr\u00f3leo do M\u00e9dio Oriente para os mercados da UE, e estabelecer mir\u00edades de bases pela \u00c1sia onde podem manter um controlo apertado sobre o crescimento da China.<\/p>\n<p>Diga-me, caro leitor, isso n\u00e3o lhe parece um pouco improv\u00e1vel?<\/p>\n<p>Claro que a claque de Obama pensa que tem tudo sob controlo, porque, bem, porque \u00e9 o que lhe t\u00eam dito para pensar e porque isso \u00e9 o que os EUA t\u00eam de fazer se quiserem manter a sua posi\u00e7\u00e3o excelsa enquanto \u00fanica superpot\u00eancia mundial, quando o seu significado econ\u00f3mico no mundo est\u00e1 a declinar paulatinamente. Este \u00e9 o problema. A na\u00e7\u00e3o excepcional est\u00e1 a tornar-se cada vez menos excepcional e \u00e9 isso que tem preocupado a classe pol\u00edtica, porque v\u00eaem os graffiti nas paredes e eles dizem: &#8220;Gozem enquanto dura, porque j\u00e1 n\u00e3o v\u00e3o ser o n\u00famero um por muito mais tempo&#8221;.<\/p>\n<p>Os EUA tamb\u00e9m t\u00eam aliados nesta louca cruzada, nomeadamente Israel e a Ar\u00e1bia Saudita. Os sauditas t\u00eam sido especialmente prestimosos ultimamente, inundando o mercado com petr\u00f3leo para fazer baixar os pre\u00e7os e esmagar a economia russa. (Na sexta-feira, os pre\u00e7os de refer\u00eancia do crude ca\u00edram ao n\u00edvel do pre\u00e7o de h\u00e1 quatro anos, com o pre\u00e7o do crude Brent a baixar para os 69,11 d\u00f3lares por barril). A administra\u00e7\u00e3o Obama est\u00e1 a usar o cl\u00e1ssico golpe duplo das san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e da quebra das receitas do petr\u00f3leo para for\u00e7ar Moscovo a retirar-se da Crimeia, para que Washington possa avan\u00e7ar com o seu arsenal nuclear para uma dist\u00e2ncia m\u00ednima de Moscovo. Aqui est\u00e1 algo do <em> Guardian: <\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Pensem em como a administra\u00e7\u00e3o Obama v\u00ea o estado do mundo. Quer que Teer\u00e3o desista do seu programa nuclear. Quer que Vladimir Putin se retire da Ucr\u00e2nia oriental. Mas, depois das recentes experi\u00eancias no Iraque e no Afeganist\u00e3o, a Casa Branca n\u00e3o est\u00e1 interessada em p\u00f4r as botas americanas no terreno. Em vez disso, e com a ajuda do seu aliado saudita, Washington est\u00e1 a tentar baixar o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, inundando de crude um mercado j\u00e1 d\u00e9bil. Como os russos e os iranianos s\u00e3o profundamente dependentes das exporta\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo, a presun\u00e7\u00e3o \u00e9 que assim ser\u00e1 mais f\u00e1cil lidar com eles.<\/p>\n<p>John Kerry, o secret\u00e1rio de Estado dos EUA alegadamente fechou um acordo com o rei Abdullah em Setembro, segundo o qual os sauditas venderiam o crude abaixo do pre\u00e7o de mercado. Isso ajudaria a explicar porque \u00e9 que o pre\u00e7o tem estado a descer numa altura em que, dadas as convuls\u00f5es no Iraque e na S\u00edria provocadas pelo &#8216;estado isl\u00e2mico&#8217;, o natural seria que estivesse a subir&#8221;.<\/p>\n<p>( <a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/business\/economics-blog\/2014\/nov\/09\/us-iran-russia-oil-prices-shale\" target=\"_new\"> Stakes are high as US plays the oil card against Iran and Russia<\/a> , Larry Eliot, <em> Guardian <\/em> )<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E h\u00e1 mais, de Patrick L. Smith, do <em> Salon: <\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Menos de uma semana depois da assinatura do Protocolo Minsk, Kerry fez uma viagem pouco noticiada a Jed\u00e1 para se encontrar com o rei Abdullah na sua resid\u00eancia de Ver\u00e3o. Quando acabou por ser noticiada, foi justificada como fazendo parte da campanha de Kerry para garantir o apoio \u00e1rabe na luta contra o &#8216;estado isl\u00e2mico'&#8221;.<\/p>\n<p>Alto l\u00e1. A visita n\u00e3o foi s\u00f3 por causa disso, \u00e9 o que me dizem minhas fontes de confian\u00e7a. A outra metade da visita teve a ver com o desejo inabal\u00e1vel de Washington de arruinar a economia russa. Para isso, Kerry disse aos sauditas 1) para aumentar a produ\u00e7\u00e3o, e 2) para reduzir o pre\u00e7o do crude. N\u00e3o se esque\u00e7am destes n\u00fameros pertinentes: os sauditas precisam de um pre\u00e7o de menos de 30 d\u00f3lares\/barril para equilibrar o or\u00e7amento nacional, enquanto os russos precisam de 105 d\u00f3lares<\/p>\n<p>Pouco depois da visita de Kerry, os sauditas come\u00e7aram de facto a aumentar a produ\u00e7\u00e3o \u2013 em mais 100 mil barris por dia durante o resto de Setembro, segundo parece, para virem a aumentar ainda mais\u2026<\/p>\n<p>Pensem nisto. O Inverno est\u00e1 a chegar, h\u00e1 graves interrup\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o no Iraque, na Nig\u00e9ria, na Venezuela e na L\u00edbia, h\u00e1 outros membros da OPEP aos gritos a pedir um al\u00edvio e os sauditas fazem movimentos de recuo que levam a uma maior descida dos pre\u00e7os? Fa\u00e7am as contas, pensando no itiner\u00e1rio oculto de Kerry e, para vos ajudar, ofere\u00e7o-vos isto de uma fonte extremamente bem posicionada nos mercados de produtos: &#8216;H\u00e1 agora m\u00e3os muito poderosas a pressionar o petr\u00f3leo na oferta global, escreveu noutro dia essa fonte num e-mail&#8221;.<\/p>\n<p>( <a href=\"http:\/\/www.informationclearinghouse.info\/article40239.htm#.VGpRxAsoKPo.email\" target=\"_new\"> What Really Happened in Beijing: Putin, Obama, Xi And The Back Story The Media Won&#8217;t Tell You<\/a> , Patrick L. Smith, Salon)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A equipa de Obama conseguiu convencer os nossos bons amigalha\u00e7os, os sauditas, a inundar o mercado de petr\u00f3leo, a baixar os pre\u00e7os e a precipitar a economia russa no abismo. Simultaneamente, os EUA intensificaram as san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, fizeram tudo o que puderam para sabotar o gasoduto South Stream da Gazprom (que contornaria a Ucr\u00e2nia e forneceria o g\u00e1s natural \u00e0 Europa atrav\u00e9s dum caminho pelo Sul) e convenceu o parlamento ucraniano a leiloar 49 por cento dos direitos de <em> leasing <\/em> e das instala\u00e7\u00f5es de armazenagem subterr\u00e2neas a empresas estrangeiras pertencentes a privados.<\/p>\n<p>Gostam disto? Assim, os EUA desencadearam uma guerra devastadora contra a R\u00fassia que tem sido totalmente omitida pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidental. Est\u00e3o surpreendidos?<\/p>\n<p>Washington est\u00e1 determinado a bloquear ainda mais a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica da R\u00fassia na Uni\u00e3o Europeia, a fim de fazer desabar a economia russa e p\u00f4r o capital estrangeiro a controlar a distribui\u00e7\u00e3o regional da energia. Tem tudo a ver com o eixo. Os rapazes do grande capital acham que os EUA t\u00eam que ser o eixo para a \u00c1sia. para poderem manter o seu papel no pr\u00f3ximo s\u00e9culo. Todos estes ataques n\u00e3o provocados a Moscovo baseiam-se nessa estrat\u00e9gia louca.<\/p>\n<p>Mas as pessoas na UE n\u00e3o v\u00e3o ficar irritadas quando n\u00e3o puderem obter a energia de que precisam (aos pre\u00e7os que querem) para os seus neg\u00f3cios e para aquecer a casa?<\/p>\n<p>Washington acha que n\u00e3o. Washington acha que os seus aliados no M\u00e9dio Oriente podem satisfazer as necessidades de energia da UE sem qualquer dificuldade. Vejam este trecho de um artigo do analista F. William Engdahl:<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;\u2026 est\u00e3o a aparecer pormenores dum novo segredo e de um acordo bastante est\u00fapido Ar\u00e1bia Saudita-EUA sobre a S\u00edria e o chamado &#8216;estado isl\u00e2mico&#8217;. Envolve o controlo do petr\u00f3leo e do g\u00e1s de toda a regi\u00e3o e o enfraquecimento da R\u00fassia e do Ir\u00e3o, pela inunda\u00e7\u00e3o saudita do mercado mundial com petr\u00f3leo barato\u2026<\/p>\n<p>A 11 de Setembro, o secret\u00e1rio de estado Kerry encontrou-se com o rei saudita Abdullah no seu pal\u00e1cio do Mar Vermelho. O rei convidou o antigo chefe dos servi\u00e7os secretos sauditas, o pr\u00edncipe Bandar, para assistir. Foi preparado um acordo que previa o apoio saudita a ataques a\u00e9reos s\u00edrios contra o ISIS com a condi\u00e7\u00e3o de Washington dar apoio aos sauditas para derrubar Assad, um firme aliado da R\u00fassia e tamb\u00e9m do Ir\u00e3o, e um obst\u00e1culo aos planos sauditas e dos Emirados \u00c1rabes Unidos para controlar o mercado emergente do g\u00e1s natural da UE e destruir o com\u00e9rcio lucrativo da R\u00fassia com a UE. Uma not\u00edcia no <em> Wall Street Journal <\/em> fazia notar que tinha havido meses de trabalho nos bastidores entre os l\u00edderes americanos e \u00e1rabes, que acordaram na necessidade de cooperar contra o &#8216;estado isl\u00e2mico&#8217; mas n\u00e3o como nem quando.<\/p>\n<p>O processo deu aos sauditas a possibilidade de arrancar aos EUA o compromisso de refor\u00e7ar o treino para os rebeldes lutarem contra o Sr. Assad, cuja queda os sauditas continuam a considerar uma prioridade absoluta&#8221;. ( <a href=\"http:\/\/www.boilingfrogspost.com\/2014\/10\/24\/the-secret-stupid-saudi-us-deal-on-syria\/\" target=\"_new\"> The Secret Stupid Saudi-US Deal on Syria<\/a> , F. William Engdahl, BFP)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Portanto, as guerras na Ucr\u00e2nia e na S\u00edria n\u00e3o s\u00e3o conflitos separados de modo algum. Fazem parte da mesma guerra global por recursos que os EUA t\u00eam desencadeado nos \u00faltimos 15 anos. Os americanos planeiam cortar o fluxo de g\u00e1s russo e substitui-lo pelo g\u00e1s do Qatar que atravessar\u00e1 a S\u00edria e entrar\u00e1 no mercado da UE depois de Assad ser derrubado.<\/p>\n<p>Eis o que se est\u00e1 a passar: os problemas da S\u00edria come\u00e7aram pouco depois de ela ter anunciado que ia participar de um &#8220;gasoduto isl\u00e2mico&#8221; para transferir o g\u00e1s natural do reservat\u00f3rio de g\u00e1s de South Pars, ao largo da costa do Ir\u00e3o, atrav\u00e9s do Iraque e da S\u00edria, que viria a ligar ao lucrativo mercado da Gr\u00e9cia e da UE. Segundo o autor Dmitri Minin:<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Um gasoduto a partir do Ir\u00e3o seria altamente lucrativo para a S\u00edria. A Europa tamb\u00e9m ganharia com isso, mas h\u00e1 nitidamente no ocidente quem n\u00e3o goste da ideia. Os fornecedores de g\u00e1s, aliados do ocidente no Golfo P\u00e9rsico, tamb\u00e9m n\u00e3o ficaram satisfeitos, nem a Turquia, o transportador de g\u00e1s n\u00famero um, porque ficaria fora do jogo&#8221;.<\/p>\n<p>( <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/the-geopolitics-of-gas-and-the-syrian-crisis-syrian-opposition-armed-to-thwart-construction-of-iran-iraq-syria-gas-pipeline\/5337452\" target=\"_new\"> The Geopolitics of Gas and the Syrian Crisis: Syrian &#8220;Opposition&#8221; Armed to Thwart Construction of Iran-Iraq-Syria Gas Pipeline<\/a> , Dmitri Minin, Global Research)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Dois meses depois de Assad ter assinado o acordo com o Iraque e o Ir\u00e3o, rebentou a rebeli\u00e3o na S\u00edria. \u00c9 uma grande coincid\u00eancia, n\u00e3o acham? \u00c9 curioso como este tipo de coisas acontece t\u00e3o frequentemente quando os l\u00edderes estrangeiros n\u00e3o afinam com Washington.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais de Minin:<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;O Qatar est\u00e1 a fazer tudo o que pode para torpedear a constru\u00e7\u00e3o do gasoduto, incluindo armar os combatentes de oposi\u00e7\u00e3o na S\u00edria, muitos dos quais v\u00eam da Ar\u00e1bia Saudita, do Paquist\u00e3o e da L\u00edbia\u2026<\/p>\n<p>O jornal \u00e1rabe <em> Al-Akhbar <\/em> cita informa\u00e7\u00f5es segundo as quais h\u00e1 um plano aprovado pelo governo dos EUA para criar um novo gasoduto para transportar g\u00e1s de Qatar para a Europa, envolvendo a Turquia e Israel\u2026<\/p>\n<p>Este novo gasoduto dever\u00e1 come\u00e7ar em Qatar, atravessar o territ\u00f3rio saudita e depois o territ\u00f3rio da Jord\u00e2nia, ultrapassando assim o Iraque xiita, e chegar \u00e0 S\u00edria. Perto de Homs o gasoduto dividir-se-\u00e1 em tr\u00eas direc\u00e7\u00f5es: para Lataquia, Tr\u00edpoli no norte do L\u00edbano, e Turquia. Homs, onde tamb\u00e9m h\u00e1 reservas de hidrocarbonetos, \u00e9 a principal encruzilhada do projecto, e n\u00e3o \u00e9 para admirar\u2026 que ocorra a\u00ed a luta mais feroz. O destino da S\u00edria est\u00e1 a ser decidido a\u00ed. As partes do territ\u00f3rio s\u00edrio onde est\u00e3o a operar os destacamentos de rebeldes, com o apoio dos EUA, Qatar e Turquia, ou seja, o Norte, Homs e os arredores de Damasco, coincidem com o caminho que o gasoduto dever\u00e1 seguir para a Turquia e Tr\u00edpoli, no L\u00edbano. Uma compara\u00e7\u00e3o de um mapa das hostilidades armadas e um mapa da rota do gasoduto de Qatar indica um elo entre as actividades armadas e o desejo de controlar estes territ\u00f3rios s\u00edrios. Os aliados de Qatar est\u00e3o a tentar atingir tr\u00eas objectivos: quebrar o monop\u00f3lio do g\u00e1s da R\u00fassia na Europa; libertar a Turquia da sua depend\u00eancia do g\u00e1s iraniano; e dar a Israel a hip\u00f3tese de exportar o seu g\u00e1s para a Europa por terra a um custo menor&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Que tal, gostam disto, mais uma coincid\u00eancia: &#8220;A luta mais feroz (na S\u00edria) est\u00e1 a ocorrer&#8221; onde h\u00e1 enormes &#8220;reservas de hidrocarbonetos&#8221; e ao longo da rota planeada para o gasodutobr \/&gt;<\/p>\n<p>Portanto, o conflito na S\u00edria n\u00e3o tem nada a ver com terrorismo. Trata-se do g\u00e1s natural, de gasodutos concorrentes e do acesso aos mercados na UE. Trata-se de dinheiro e de poder. Toda essa hist\u00f3ria do ISIS \u00e9 uma grande mistifica\u00e7\u00e3o para esconder o que se est\u00e1 realmente a passar, que \u00e9 uma guerra global pelos recursos, mais sangue para o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Mas como \u00e9 que os EUA beneficiam de tudo isto, afinal as receitas do g\u00e1s n\u00e3o v\u00e3o para Qatar e para os pa\u00edses por onde transita o gasoduto, em vez de irem para os EUA?<\/p>\n<p>Claro que v\u00e3o. Mas o g\u00e1s tamb\u00e9m vai ser denominado em d\u00f3lares que aumentar\u00e3o brutalmente a procura do d\u00f3lar americano, perpetuando assim o sistema de reciclagem do petrod\u00f3lar, o que cria um grande mercado para a d\u00edvida dos EUA e que ajuda a manter as ac\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos dos EUA na sec\u00e7\u00e3o da hemorragia (apenas) nasal. \u00c9 disto que se trata, de preservar a supremacia do d\u00f3lar for\u00e7ando as na\u00e7\u00f5es a manterem quantidades excessivas de d\u00f3lares americanos para usar nas transac\u00e7\u00f5es de energia e para servir suas d\u00edvidas denominadas em d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Enquanto Washington puder controlar os abastecimentos mundiais de energia e for\u00e7ar o mundo a comerciar em d\u00f3lares, pode gastar muito mais do que produz e n\u00e3o ser responsabilizado por isso. \u00c9 como ter um cart\u00e3o de cr\u00e9dito que nunca seja preciso reembolsar.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 uma trapa\u00e7a que o Tio Sam est\u00e1 preparado para defender com tudo o que tiver, incluindo bombas nucleares.<\/p>\n<p>01\/Dezembro\/2014 <\/p>\n<p><strong>[*] Vive no estado de Washington, EUA, <a href=\"mailto:fergiewhitney@msn.com\"> fergiewhitney@msn.com<\/a> , colaborou em <a href=\"http:\/\/www.bookdepository.com\/Hopeless-Jeffrey-St-Clair\/9781849351102\" target=\"_new\"> <em>Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion<\/em><\/a> , AK Press. <\/strong><\/p>\n<p><strong> O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.counterpunch.org\/2014\/12\/01\/defending-dollar-imperialism\/\" target=\"_new\"> www.counterpunch.org\/2014\/12\/01\/defending-dollar-imperialism\/<\/a> . Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira. <\/strong><\/p>\n<p><strong> Este artigo encontra-se em <a target=\"_new\"> http:\/\/resistir.info\/<\/a> . <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n por Mike Whitney* \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7326\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7326","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Ua","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7326","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7326"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7326\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}