{"id":7328,"date":"2015-01-13T23:51:25","date_gmt":"2015-01-13T23:51:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7328"},"modified":"2017-08-25T00:47:57","modified_gmt":"2017-08-25T03:47:57","slug":"o-atentado-ao-qcharlie-hebdoq-foi-um-filme-mal-produzido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7328","title":{"rendered":"O atentado ao &#8220;Charlie Hebdo&#8221; foi um filme mal produzido?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Como em todos eventos agudos que envolvem a intermin\u00e1vel \u201cguerra contra o terrorismo\u201d, muitos analistas apontam inconsist\u00eancias, ambiguidades e lacunas na cobertura midi\u00e1tica ao atentado contra o jornal &#8220;Charlie Hebdo&#8221; em Paris. S\u00e3o tantas que parece que estamos diante de um roteiro de um filme mal produzido: uma a\u00e7\u00e3o militar profissionalmente cir\u00fargica feita por jovens que esquecem um cart\u00e3o de identidade no carro da fuga. Coincid\u00eancias e conveni\u00eancias para muitos lados (e at\u00e9 para a grande m\u00eddia brasileira) envolvem a chacina dos jornalistas e cartunistas franceses, gerando uma espiral de especula\u00e7\u00f5es e conspira\u00e7\u00f5es. Ser\u00e1 que alcan\u00e7amos o est\u00e1gio mais avan\u00e7ado do terrorismo, o \u201cmeta-terrorismo\u201d? <\/em><em>O relato midiaticamente amb\u00edguo de um atentado pode se tornar t\u00e3o letal quanto o pr\u00f3prio atentado. <\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/outras-opinioes\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Como diria a personagem Church Lady (feita pelo comediante Dana Carvey no programa <em>Saturday Night Live<\/em>, sempre preocupada com as conspira\u00e7\u00f5es sat\u00e2nicas por tr\u00e1s das coincid\u00eancias): \u201cHow Con-VEEN-ient!\u201d (\u201cT\u00e3o conVEEEniente!\u201d).<\/p>\n<p>Numa primeira an\u00e1lise, o ataque terrorista (alguns afirmam que foi na verdade uma a\u00e7\u00e3o militar pela precis\u00e3o) ao jornal sat\u00edrico franc\u00eas <em>Charlie Hebdo<\/em> em Paris, que vitimou 12 pessoas entre eles cartunistas, editores e colunistas do ve\u00edculo franc\u00eas, tem se revelado bem conveniente para tr\u00eas personagens do atual cen\u00e1rio internacional e, de quebra, para o senso de oportunismo da grande m\u00eddia brasileira: <a name=\"14adee8fe38c2c67_14ad9492033b09b5_more\"><\/a><\/p>\n<p>(a) <em><strong>Para o politicamente desgastado presidente da Fran\u00e7a Fran\u00e7ois <\/strong><\/em><em><strong>Hollande<\/strong><\/em> \u2013 85% dos franceses declaram que Hollande n\u00e3o deveria se candidatar \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o e 50% o acusam de n\u00e3o cumprir promessas da campanha, segundo o Instituto Franc\u00eas de Opini\u00e3o P\u00fablica. Com a economia estagnada e falando para a m\u00eddia em \u201cpacto de responsabilidade\u201d onde cada um teria sua cota de sacrif\u00edcio (aumento de taxa\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o dos custos dos trabalhos), Hollande acenava com \u201cuni\u00e3o\u201d para uma \u201cFran\u00e7a forte\u201d. Medo e infelicidade s\u00e3o importantes ingredientes para a unifica\u00e7\u00e3o diante de um suposto inimigo externo. O 11 de setembro nos EUA provou isso.<\/p>\n<p>(b) <em><strong>Para o fascismo europeu<\/strong><\/em> \u2013 com dezenas de milhares indo \u00e0s ruas das capitais europeias desde o ano passado no movimento chamado Pegida (sigla em alem\u00e3o para Europeus Patriotas Contra a Islamiza\u00e7\u00e3o do Ocidente), isso sem falar no crescimento eleitoral da extrema-direita de Marine Le-Pen na Fran\u00e7a, o atentado d\u00e1 for\u00e7as \u00e0 xenofobia alimentada pela crise econ\u00f4mica continental. O atentado cairia midiaticamente como uma luva pois representaria um ataque \u00e0quilo que supostamente distinguiria o Ocidente do \u201cobscurantismo\u201d isl\u00e2mico: a liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>(c) <em><strong>Para os EUA<\/strong><\/em> \u2013 Enquanto em Paris os supostos terroristas faziam uma chacina na reda\u00e7\u00e3o do <em>Charlie Hebdo<\/em>, um carro bomba explodia em frente \u00e0 Academia de Pol\u00edcia no centro de San\u00e1, capital do I\u00eamen, resultando em 37 mortos. Informou-se que o bra\u00e7o jihadista da Al-Qaeda do I\u00eamen reivindicou a autoria. Quase ao mesmo tempo em Paris, os terroristas encapu\u00e7ados gritavam na rua para todos que pudessem ouvir: \u201cDigam para a imprensa que somos da rede Al-Qaeda do I\u00eamen\u201d.<\/p>\n<p>Por que agora o I\u00eamen? O que agora o mundo (ou os EUA) querem com esse pa\u00eds pobre fronteiri\u00e7o da Ar\u00e1bia Saudita? Leia esse trecho do documento <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/the-yemen-hidden-agenda-behind-the-al-qaeda-scenarios-a-strategic-oil-transit-chokepoint\/16786\" target=\"_blank\">\u201cA Agenda Secreta do I\u00eamen: por tr\u00e1s dos cen\u00e1rios da Al-Qaeda, o gargalo estrat\u00e9gico do petr\u00f3leo\u201d<\/a> de 2010 do Centre of Research on Globalization (CRG):<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA import\u00e2ncia estrat\u00e9gica da regi\u00e3o entre o I\u00eamen e a Som\u00e1lia torna o ponto de interesse geopol\u00edtico. L\u00e1 est\u00e1 o estreito de Bab el-Mandeb, um dos sete pontos que os EUA consideram gargalos para o transporte de petr\u00f3leo \u2013 um gargalo entre o cabo da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio, e uma liga\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre o Mar do Mediterr\u00e2neo e o Oceano \u00cdndico\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>O impactante atentado de uma suposta ramifica\u00e7\u00e3o da Al-Qaeda no I\u00eamen seria um pretexto perfeito para a militariza\u00e7\u00e3o da \u00e1guas em torno de Bab el-Mandeb pelos EUA ou OTAN. Os EUA buscam o controle desses gargalos cr\u00edticos no mundo. Essa regi\u00e3o seria estrat\u00e9gica em um futuro pr\u00f3ximo pela possibilidade de controle do petr\u00f3leo para a China, Uni\u00e3o Europeia ou qualquer regi\u00e3o que se oponha \u00e0 pol\u00edtica norte-americana.<\/p>\n<p>(d) <strong><em>Para<\/em> a g<\/strong><em><strong>rande m\u00eddia brasileira<\/strong> <\/em>\u2013 diante do fantasma da regulamenta\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica atrav\u00e9s da possibilidade da implementa\u00e7\u00e3o Lei dos Meios, oportunisticamente colunistas brasileiros d\u00e3o o ponta p\u00e9 inicial na transforma\u00e7\u00e3o do atentado em combust\u00edvel para sua agenda. Diogo Mainardi e Felipe Moura Brasil, por exemplo, tentam associar a trag\u00e9dia de Paris a uma onda ofensiva contra a liberdade de imprensa do qual faria parte \u201cos ataques petistas\u201d.<\/p>\n<p>E ainda, a inacredit\u00e1vel &#8220;jornalista&#8221; Rachel Sherazade, em coment\u00e1rio na R\u00e1dio Jovem Pan, comparou a revista <em>Veja<\/em> ao <em>Charlie Hebdo<\/em>. Para ela, o ve\u00edculo estaria sendo v\u00edtima n\u00e3o do radicalismo isl\u00e2mico, mas do &#8220;radicalismo de esquerda&#8221;.<\/p>\n<h3><strong>Um filme mal produzido?<\/strong><\/h3>\n<p>O historiador norte-americano Daniel Boorstin, talvez o primeiro pesquisador a compreender o papel da simula\u00e7\u00e3o como elemento dominante da cultura, chamou a aten\u00e7\u00e3o da \u201cera do artif\u00edcio\u201d atual onde a vida p\u00fablica estaria sendo dominada pelos \u201cpseudo-eventos\u201d: fatos deliberadamente planejados e roteirizados para serem \u201cnotici\u00e1veis\u201d, ganhando a aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica \u2013 e isso Boorstin escreveu em 1963 no seu livro <em>The Image \u2013 a guide of pseudo-events in America<\/em>.<\/p>\n<p>Para Boorstin, um dos crit\u00e9rios para podermos diferenciar um pseudo-evento de um \u201cevento produzido por Deus\u201d \u00e9 a sua \u201cambiguidade\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade subjacente. Enquanto diante de um evento real (terremotos, enchentes, desastres a\u00e9reos) o interesse est\u00e1 em saber o que aconteceu e as consequ\u00eancias, no pseudo-evento h\u00e1 uma ambiguidade presente atrav\u00e9s de inconsist\u00eancias, detalhes inveross\u00edmeis e conveni\u00eancias ou coincid\u00eancias que tornam o evento notici\u00e1vel. O pseudo-evento obedece o timing dos ritmo midi\u00e1tico da transmiss\u00e3o das not\u00edcias.<\/p>\n<p>Somado ao timing e conveni\u00eancia a m\u00faltiplos interesses que o atentado veio aparentemente de forma involunt\u00e1ria atender, acrescenta-se uma narrativa com diversas ambiguidades. Um roteirista de cinema experiente condenaria a produ\u00e7\u00e3o como um filme mal produzido. Vamos analisar sete das in\u00fameras ambiguidades que analistas e te\u00f3ricos da conspira\u00e7\u00e3o est\u00e3o discutindo:<\/p>\n<p>(a) <strong>Apesar da proximidade do Centro de Paris<\/strong>, as ruas pr\u00f3ximas ao atentado estavam vazias. O atentado ocorreu no primeiro dia dos \u201cSoldes\u201d (temporada de liquida\u00e7\u00e3o de inverno dos saldos do Natal que ocorre de 7 de janeiro a 17 de fevereiro), caracterizado pelo frenesi de turistas, grande movimenta\u00e7\u00e3o de carros. O Citro\u00ebn dos terroristas estava parado no meio da rua. Particularmente nesses dias de \u201cSoldes\u201d voc\u00ea n\u00e3o consegue ficar parado sem, em quest\u00e3o de segundos, formar-se uma fila de carros;<\/p>\n<p>(b) <strong>A suposta execu\u00e7\u00e3o de um policial <\/strong>numa cal\u00e7ada de concreto foi um ato arriscado para o terrorista: ningu\u00e9m atira numa superf\u00edcie de concreto, a n\u00e3o ser que queira ser morto por um ricochete;<\/p>\n<p>(c) <strong>Problemas com o \u201cfigurino\u201d dos policiais:<\/strong> intrigante \u00e9 que os policiais anti-terroristas n\u00e3o estavam com capacetes e m\u00e1scaras. Aparecem no v\u00eddeo com bon\u00e9 e roupa casual;<\/p>\n<p>(d) <strong>O ponto positivo cinem\u00e1tico<\/strong> \u00e9 o bom efeito de realidade conseguido com a imagem da execu\u00e7\u00e3o do policial ferido e indefeso ca\u00eddo na cal\u00e7ada. Apesar do fator inverossimilhan\u00e7a (o ricochete da bala), o roteirista deve ter achado necess\u00e1rio inserir uma imagem de execu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as imagens liberadas para as redes de TV do mundo seriam muito \u201cfrias\u201d \u2013 apesar das informa\u00e7\u00f5es de 20 v\u00edtimas (mortos e feridos) simplesmente n\u00e3o vemos urg\u00eancia: apenas duas ambul\u00e2ncias e a foto de uma pessoa ferida. N\u00e3o h\u00e1 declara\u00e7\u00e3o de testemunhas oculares.<\/p>\n<p>A imagem da execu\u00e7\u00e3o do policial consegue dar uma amostra da suposta crueldade e frieza dos terroristas que invadiram uma reda\u00e7\u00e3o para matar um por um por chamada atrav\u00e9s do nome de cada v\u00edtima. Comparado com as imagens do atentado de 11 de setembro em Nova York, l\u00e1 houve mais esmero na produ\u00e7\u00e3o: um grande n\u00famero de \u201cextras\u201d correndo em p\u00e2nico pelas ruas e imagens apocal\u00edpticas de urg\u00eancia ;<\/p>\n<p>(e) <strong>A narrativa \u00e9 extremamente conveniente<\/strong> para as autoridades: policiais encontram um documento de identifica\u00e7\u00e3o de um dos terroristas no Citro\u00ebn abandonado ruas acima. Mas com que diabos, por que terroristas do bra\u00e7o iemenista da Al-Qaeda andam com documentos de identidade?<\/p>\n<p>(f) <strong>O suposto \u201catentado terrorista\u201d foi<\/strong>, na verdade, uma \u201ccir\u00fargica\u201d a\u00e7\u00e3o militar metodicamente planejada contra v\u00edtimas pr\u00e9-selecionadas. Foram treinados militarmente, o que, pela log\u00edstica de assalto demonstrada (prote\u00e7\u00e3o em \u201cala\u201d \u2013 quem n\u00e3o dispara \u201cgira\u201d, fechando a sa\u00edda do alvo \u2013 deslocam-se para o ve\u00edculo de fuga sem correr, atiraram bem com fuzis sem extens\u00e3o de ombro e apoio axilar), n\u00e3o se encaixam com o perfil que a m\u00eddia agora come\u00e7a a fazer dos jovens \u2013 o mais novo dos irm\u00e3o Kouachi era f\u00e3 de rap (v\u00eddeo dele em shows agora s\u00e3o exibidos), \u201cum aprendiz de perdedor\u201d como declarou seu antigo advogado Vincent Ollivier, lim\u00edtrofes sociais que viviam de bicos em pizzarias e peixarias.<\/p>\n<p>Surgem informa\u00e7\u00f5es que ficaram alguns meses no I\u00eamen sendo treinados (sim! sempre I\u00eamen), o que lembra o script do atentado de 11 de setembro \u2013 os terroristas que jogaram o Boeing 747 contra o WTC teriam feito um curso em um Aeroclube na Fl\u00f3rida&#8230;<\/p>\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o militar precisa com o <em>modus operandi<\/em> de mercen\u00e1rios ou profissionais a servi\u00e7o da CIA ou Mossadi levada a cabo por jovens que esquecem o cart\u00e3o de identidade no carro da fuga&#8230; o que lembra o erro crasso de todo roteiro mal feito, chamado pelos roteirista de \u201cDeus ex-machina\u201d \u2013 termo para designar solu\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias, sem nexo ou plausibilidade na narrativa para solucionar becos sem sa\u00edda em roteiros mal conduzidos.<\/p>\n<p>(g) <strong>Embora caricato e canastr\u00e3o<\/strong>, o roteiro segue o padr\u00e3o \u201csujos, feios e malvados\u201d para caracterizar os protagonistas: a aproxima\u00e7\u00e3o meton\u00edmica entre rap, mu\u00e7ulmanos e armas russas (nas primeiras informa\u00e7\u00f5es da grande m\u00eddia destacava-se que os terroristas teriam utilizado \u201carmas russas\u201d). Por isso, os protagonistas se encaixam no padr\u00e3o RAV hollywoodiano: Russos, \u00c1rabes e Vil\u00f5es em geral. Se o epis\u00f3dio fosse no Brasil, o perfil dos terroristas certamente seria o de funqueiros.<\/p>\n<h3><strong>Teorias Conspirat\u00f3rias<\/strong><\/h3>\n<p>Todas essas ambiguidades est\u00e3o ajudando a turbinar duas principais teorias conspirat\u00f3rias: o \u201cTrabalho Interno\u201d (<em>Inside Job <\/em>\u2013 governos estimulam ou permitem determinada a\u00e7\u00e3o do inimigo pela conveni\u00eancia das consequ\u00eancias &#8211; algo como foi o ataque de Pearl Harbor para os EUA na II Guerra Mundial) e a teoria da \u201cFalsa Bandeira\u201d (<em>False Flag<\/em> \u2013 opera\u00e7\u00e3o conduzida por governo, corpora\u00e7\u00e3o ou organiza\u00e7\u00e3o que simula serem a\u00e7\u00f5es do inimigo para tirar proveito das consequ\u00eancias resultantes):<\/p>\n<p>(a) <em><strong>Foi um \u201cTrabalho Interno\u201d<\/strong><\/em> \u2013 os supostos terroristas sabiam quando e como atacar a sede do <em>Charlie Hebdo<\/em>. Todos foram assassinados juntos, em uma reuni\u00e3o de pauta do jornal. Os funcion\u00e1rios mais importantes do ve\u00edculo estavam l\u00e1 reunidos naquele momento. Os \u201cterroristas\u201d lidaram com a situa\u00e7\u00e3o como profissionais, o que contraria a pr\u00e1tica at\u00e9 aqui do terrorismo \u2013 destrui\u00e7\u00e3o e mortes em larga escala para produzir p\u00e2nico e repercuss\u00e3o midi\u00e1tica. Foi um assassinato. Os te\u00f3ricos dessa linha se perguntam: como os terroristas sabiam que os mais importantes nomes do <em>Charlie Hebdo<\/em> estariam l\u00e1, reunidos naquele momento?<\/p>\n<p>(b) <strong><em>Foi uma \u201cFalsa Bandeira\u201d<\/em><\/strong>&#8211; a equipe do jornal estava sob sistem\u00e1tica prote\u00e7\u00e3o policial desde 2013 e o editor Stephanie Charbonnier (Charb) estava numa hipot\u00e9tica lista negra da Al-Qaeda. Como, ent\u00e3o, foi poss\u00edvel uma a\u00e7\u00e3o metodicamente planejada? Os te\u00f3ricos dessa linha levantam a quest\u00e3o de que no v\u00eddeo n\u00e3o h\u00e1 tr\u00e1fego vis\u00edvel no centro de Paris. Onde foram parar as armas da a\u00e7\u00e3o e para onde foram as balas da execu\u00e7\u00e3o do policial? Ao explorar a teoria da Falsa Bandeira \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o trazer \u00e0 tona a a\u00e7\u00e3o de mercen\u00e1rios contratados por ag\u00eancia como CIA ou Mossad. Alguns mais radicais falam de simula\u00e7\u00e3o cenogr\u00e1fica pura e simples, assim como teria ocorrido no atentado \u00e0 Maratona de Boston em 2013.<\/p>\n<p>Hip\u00f3teses finais<\/p>\n<p>A narrativa informada pela grande m\u00eddia sobre o atentado ao <em>Charlie Hebdo<\/em> est\u00e1 t\u00e3o carregada de lacunas, ambiguidades e inverossimilhan\u00e7as que podem resultar em duas hip\u00f3teses:<\/p>\n<p>(a) <strong>Estamos diante de mais uma pe\u00e7a de propaganda<\/strong> dominada pela canastrice dos atuais dispositivos de propaganda: v\u00eddeos e mensagens excessivamente saturadas, over, melodram\u00e1ticos (imagine a cena da funcionaria chegando com sua filha pequena e coagida pelos terroristas armados a digitar o c\u00f3digo que abria a porta do jornal) e com \u201cappeal\u201d ou \u201clook\u201d semelhante \u00e0s produ\u00e7\u00f5es medianas de Hollywood. Hip\u00f3tese comprovada pela estereotipagem RAV dos supostos terroristas.<\/p>\n<p>(b) <strong>Hip\u00f3tese ainda mais sinistra:<\/strong> as ambiguidades e lacunas foram propositalmente deixadas na produ\u00e7\u00e3o. Desde os estudos feitos por Gordon Allport e Leo Postman em 1947 (leia <em>A Psicolog\u00eda del Rumor<\/em>, Psique, 1988), o fator ambiguidade \u00e9 considerado o fator mais importante na transforma\u00e7\u00e3o de uma informa\u00e7\u00e3o em boato ou meme. A d\u00favida entre a realidade e a mentira d\u00e1 ainda mais alcance \u00e0 not\u00edcia, produzindo uma espiral especulativa. Portanto, estar\u00edamos diante de um meta-terrorismo: um terrorismo autoconsciente onde o relato midiaticamente amb\u00edguo do atentado se torna mais uma arma letal.<\/p>\n<p><em>Fonte: P\u00e1tria Latina<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nWilson Roberto Vieira Ferreira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7328\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-7328","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Uc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7328"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7328\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}