{"id":733,"date":"2010-08-12T15:12:17","date_gmt":"2010-08-12T15:12:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=733"},"modified":"2010-08-12T15:12:17","modified_gmt":"2010-08-12T15:12:17","slug":"a-legitimidade-do-estado-sionista-e-a-contrucao-de-uma-palestina-livre-laica-e-soberana-com-o-retorno-dos-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/733","title":{"rendered":"A LEGITIMIDADE DO ESTADO SIONISTA E A CONTRU\u00c7\u00c3O DE UMA PALESTINA LIVRE, LAICA E SOBERANA COM O RETORNO DOS REFUGIADOS"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"justify\">Acabo de voltar dos territ\u00f3rios palestinos, onde vivenciei experi\u00eancias fant\u00e1sticas. Viv\u00eancias que outros militantes internacionalistas devem adquirir. Esta ser\u00e1 uma das tarefas do Comit\u00ea de Solidariedade: estimular e ajudar caravanas de ativistas a conhecerem de perto a situa\u00e7\u00e3o da luta na Palestina.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dificilmente um militante comprometido com a causa internacionalista n\u00e3o \u00e9 tomado por uma imensa vontade de tornar p\u00fablica, de compartilhar o retrato de uma Palestina real, viva, vista ao vivo e com cores bastante fortes, compartilhar os lamentos e discuss\u00f5es desse bravo povo que resiste a tantas e tamanhas dificuldades, e ainda assim, consegue se redescobrir, se reinventar, cuidar um do outro e reconstruir mais forte sua resist\u00eancia contra o poderoso inimigo externo e o interno.<\/p>\n<p align=\"justify\">Meu desejo \u00e9 que este pequeno e singelo trabalho seja uma contribui\u00e7\u00e3o em aberto, no sentido de suscitar discuss\u00e3o na esfera do internacionalismo prolet\u00e1rio, que fa\u00e7a avan\u00e7ar a solidariedade e, portanto, contribua dessa forma com a luta do povo palestino.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este texto n\u00e3o pretende ser uma reconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, apesar de contar com a liberdade de faz\u00ea-lo, toda vez que for necess\u00e1rio. Ele \u00e9, t\u00e3o somente, o ponto de partida de um longo caminho de discuss\u00e3o sobre an\u00e1lise pol\u00edtica, conjuntura e caracteriza\u00e7\u00e3o das estruturas pol\u00edticas, sociais e ideol\u00f3gicas, onde se localiza a atual etapa da luta desse bravo povo, luta que se mant\u00e9m h\u00e1 62 anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sobretudo \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o ao debate sobre a legitimidade e o car\u00e1ter do Estado sionista e a constru\u00e7\u00e3o de uma Palestina \u00fanica, laica e democr\u00e1tica, com o retorno dos refugiados.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o tenho a pretens\u00e3o da neutralidade pol\u00edtica, at\u00e9 por que n\u00e3o acredito nela. Desde j\u00e1 esclare\u00e7o meu compromisso com a teoria marxista e dos partidos situados no campo internacionalista de reconstru\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es comunistas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><em> A luta por livrar a Palestina da ocupa\u00e7\u00e3o sionista encontra-se numa encruzilhada.<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A grave crise econ\u00f4mica do capitalismo que atingiu os EUA e, agora, a Europa, desencadeando o desemprego estadunidense e europeu que vem tomando propor\u00e7\u00f5es assustadoras, sinaliza que a supera\u00e7\u00e3o da crise n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o aconteceu, como ela pode dar um salto e se transformar numa crise pol\u00edtica de propor\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por sua vez, o crescimento dos investimentos no complexo industrial-militar, a crise energ\u00e9tica e a constata\u00e7\u00e3o de que a produ\u00e7\u00e3o petroleira, que move literalmente o capitalismo, bateu no teto, potencializam com mais for\u00e7a os graves e imorais problemas enfrentados h\u00e1 62 pelo povo palestino, na luta pol\u00edtica e social que travam.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Palestina pode n\u00e3o ser o centro da luta de classes, mas, podemos considerar, sem d\u00favida, que sua situa\u00e7\u00e3o particular exprime a s\u00edntese da crise moral e pol\u00edtica do capital.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi transformada ao longo desses anos em um grande laborat\u00f3rio e campo de treinamento onde o imperialismo lida com a guerrilha urbana, movimento de massas, faz grandes experi\u00eancias militares, forma seus quadros e testa sua armas experimentais.<\/p>\n<p align=\"justify\">O ex\u00e9rcito\/Estado de Israel exporta, inclusive para o Brasil e a Col\u00f4mbia, al\u00e9m de armas, servi\u00e7os ligados \u00e0 \u00e1rea de seguran\u00e7a e estrat\u00e9gia militar\/terrorista contra povos. Na Col\u00f4mbia, por exemplo, os assessores militares sionistas s\u00e3o parte do terror que o Estado lan\u00e7a m\u00e3o contra a resist\u00eancia camponesa, os estudantes e sindicalistas colombianos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dito de outra forma, o principal produto de exporta\u00e7\u00e3o do Estado de Israel \u00e9 o terror. Companhias de soldados mercen\u00e1rios, assessoria militar, empresas de seguran\u00e7a em pres\u00eddios, empresas especializadas em informa\u00e7\u00e3o, atividades terroristas estrat\u00e9gicas, etc&#8230;<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesse contexto, a causa palestina est\u00e1 distante de ser apenas uma singela causa nacional.<\/p>\n<p align=\"justify\">O enfrentamento com o qual se depara o povo palestino se desenvolve em dois n\u00edveis: No campo do imperialismo, no qual o grande capital financeiro-industrial-b\u00e9lico monopolista se materializa na forma do Estado sionista e, imbricada a\u00ed, se encontra a velha luta de classes, a luta social que se movimenta no interior do Estado Palestino entre as for\u00e7as sociais hist\u00f3ricas, que pode fazer a diferen\u00e7a se resolvida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta conex\u00e3o entre a luta nacional, cujo inimigo central \u00e9 o imperialismo, representado pela entidade sionista (Estado) e a luta de classes interna \u00e9 cada vez mais percebida por amplos setores populares.<\/p>\n<p align=\"justify\">A luta de classes se manifesta em todos os n\u00edveis, social, pol\u00edtico e inclusive no encaminhamento e no desenrolar da luta nacional, na qual a burguesia palestina, tradicional dire\u00e7\u00e3o do processo, por conta de seus interesses de classe, acaba travando a luta do povo por sua emancipa\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Aprofundar essa compreens\u00e3o e se por em marcha \u00e9 o maior desafio para o povo e o conjunto das dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias da Palestina ocupada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na Europa, os trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es tentam recuperar, atrav\u00e9s das lutas e resist\u00eancias contra a violenta investida do capital na superexplora\u00e7\u00e3o, o elo perdido na constru\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o e na luta pela destrui\u00e7\u00e3o do Estado capitalista, \u00e9 o que temos visto, em particular na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas em que pese a disposi\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora europ\u00e9ia, n\u00e3o observamos, at\u00e9 aqui nenhuma fissura na estrat\u00e9gica da burguesia para sa\u00edda da crise. A unidade da burguesia tem sido a marca dessa etapa da luta de classes.<\/p>\n<p align=\"justify\">A entrada em cena dos trabalhadores, o aprofundamento da crise econ\u00f4mica e a recomposi\u00e7\u00e3o da esquerda pode precipitar a temida crise pol\u00edtica, quando a burguesia perde inteiramente o controle da situa\u00e7\u00e3o, e a luta de classes pode confluir para uma nova configura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, o capital avalia e trabalha para a possibilidade de um outro cen\u00e1rio que lhe favore\u00e7a. A recente movimenta\u00e7\u00e3o b\u00e9lica dos EUA e de Israel, no canal de Suez, em torno de um poss\u00edvel ataque ao Iran e ao L\u00edbano, sinaliza e confirma o empenho na mudan\u00e7a de cen\u00e1rio pela sa\u00edda b\u00e9lica, alimentando a gan\u00e2ncia da ind\u00fastria armamentista e fazendo a festa do capital especulativo. Os la\u00e7os de Israel com o capital estadunidense e europeu est\u00e3o firmes e seguros nesse sentido.<\/p>\n<p><strong><em> O ataque a Flotilla<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Aqui passo a descrever a repercuss\u00e3o, nos territ\u00f3rios ocupados em 1948 (Israel), do criminoso ataque a Flotilla humanit\u00e1ria que assassinou militantes internacionalistas e feriu outros.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na manh\u00e3 friorenta do dia 31 de maio est\u00e1vamos indo de Bem Sawhur, lugar onde nos hospedamos, em dire\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m, a caminho de Silwan, parte oriental de Jerusal\u00e9m, onde participar\u00edamos de uma reuni\u00e3o com o Comit\u00ea Popular do bairro El-Bustan, amea\u00e7ado de demoli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Silwan \u00e9 onde os moradores palestinos resistem bravamente \u00e0 demoli\u00e7\u00e3o de suas casas. Neste momento, Shadi, o jovem palestino, cuja tarefa era nos acompanhar e traduzir para o espanhol a po\u00e9tica l\u00edngua \u00e1rabe, recebe um e-mail em seu celular que o deixou transtornado:<\/p>\n<p align=\"justify\">O Estado de Israel havia atacado a Flotilla, n\u00e3o permitia nenhuma aproxima\u00e7\u00e3o da imprensa e nem dava not\u00edcias do que acontecera, nem confirmava o n\u00famero de feridos e mortos. Mas, os militantes internacionalistas conseguiram produzir pela internet informa\u00e7\u00f5es e v\u00eddeos importantes, antes do Estado judeu confiscar todos os equipamentos de m\u00eddia e isolar os acontecimentos do resto do mundo, enquanto produzia a sua hist\u00f3ria oficial.<\/p>\n<p align=\"justify\">A situa\u00e7\u00e3o era por demais grave, havia not\u00edcias de muitos mortos e de um ataque assassino e covarde a flotilla desarmada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Obviamente, mudamos nossos planos e fomos para uma cidade portu\u00e1ria pr\u00f3xima a Tel-aviv &#8211; territ\u00f3rio ocupado em 1948 -, para onde, os rumores davam conta, iriam levar os barcos, os presos, os feridos e os mortos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta cidade tem o nome \u00e1rabe de Ashdod, mas foi alterada para Asdud. Essa \u00e9 uma t\u00e1tica do sionismo para todas as cidades ocupadas, mudam seu nome, sua paisagem, sua hist\u00f3ria e seus habitantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando l\u00e1 chegamos foi assustador: Havia um clima de festa, do tipo Copa do Mundo: jovens enrolados na bandeira de Israel pulavam e cantavam enquanto esfregavam a bandeira na cara das pessoas que desconfiavam serem \u00e1rabes ou estrangeiros solid\u00e1rios; fam\u00edlias bem nutridas disputavam o lugar com os religiosos judeus ortodoxos, aqueles com cachinho, grandes chap\u00e9us e capa preta, todos ostentando felicidade. Na rua, carros com bandeiras de Israel buzinavam. Sentimos repulsa e medo, muito medo.<\/p>\n<p align=\"justify\">O lugar ficava no alto de uma pequena colina de onde poder\u00edamos avistar todo o mar. L\u00e1 estavam, tamb\u00e9m, todas as emissoras de TVs do mundo, que se ocupavam entrevistando os oficiais do ex\u00e9rcito sionista, prontos para dar declara\u00e7\u00f5es ao mundo sobre a \u201cverdade oficial\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O clima era de confian\u00e7a, a popula\u00e7\u00e3o se sentia segura, seu ex\u00e9rcito, o Estado, havia mais uma vez afastado a amea\u00e7a assustadora: uma flotilla que vinha carregada de mantimentos, rem\u00e9dios e aparelhos hospitalares, cimento e outros materiais de constru\u00e7\u00e3o e, \u00e9 claro, muita solidariedade no cora\u00e7\u00e3o para o povo aprisionado de Gaza, que vive num campo de concentra\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto e que s\u00e3o v\u00edtimas da pol\u00edtica de limpeza \u00e9tnica da ileg\u00edtima ocupa\u00e7\u00e3o sionista.<\/p>\n<p><strong><em>A bem armada juventude sionista<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Esse n\u00e3o foi um momento particular, especial ou nascido de um setor marginal da sociedade sionista, n\u00e3o! O cheiro e os elementos que qualificam de fascista o Estado judeu est\u00e3o presentes por todo lado: em todo territ\u00f3rio ocupado em 1948, nos territ\u00f3rios ocupados em 67 e nos checkpoints das estradas e os que ficam entre as cidades palestinas, nos territ\u00f3rio palestino.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando se chega nos territ\u00f3rios ocupados em 48, nas cidades cujas paisagens foram ocidentalizadas, a primeira impress\u00e3o \u00e9 a de que estamos numa grande cidade-base militarizada. Bandeira, bandeirolas ou bandeirinhas de Israel enfeitam as janelas, os pr\u00e9dios, o com\u00e9rcio, etc. Uma boa parte da popula\u00e7\u00e3o destes territ\u00f3rios \u00e9 composta pelos ortodoxos judeus ou militares, que ostentam sua metralhadora com orgulho, satisfa\u00e7\u00e3o e superioridade, estes s\u00e3o em muita quantidade, sendo a maioria absoluta de jovens.<\/p>\n<p align=\"justify\">A massa da juventude \u00e9 respons\u00e1vel por resguardar a p\u00e1tria amada e m\u00edstica do ataque dos anti-semitas, dos n\u00e3o judeus. O ex\u00e9rcito \u00e9 fonte de emprego da classe m\u00e9dia e de seus filhos das col\u00f4nias, dos Kibutz e dos judeus de todas as nacionalidades que s\u00e3o constantemente captados mundo afora pelo sionismo, para vir colonizar a terra estranha.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 s\u00e3o algumas gera\u00e7\u00f5es de jovens marcados para sempre pela ideologia do fascismo. Andar pelas ruas dos territ\u00f3rios ocupados em 1948 d\u00e1 medo e remete a Alemanha de Hitler.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o homogenia ou de poucos tipos, pelo contr\u00e1rio: s\u00e3o percept\u00edveis as diferentes origens europ\u00e9ias desde biol\u00f3gico-f\u00edsica, como cor do cabelo at\u00e9 a l\u00edngua que se comunicam, mas esta \u00e9 uma divis\u00e3o aparente. Segundo alguns, o russo \u00e9 o terceiro idioma falado a\u00ed. Uma curiosidade: eu vi um jovem oriental com o kiba usado pelos judeus. H\u00e1 jovens de origem latina, como os argentinos e brasileiros, mas a maioria \u00e9 de origem europ\u00e9ia.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que de fato importa nessa an\u00e1lise \u00e9 que o aparelho repressivo do Estado dirige e comanda a imensa massa de jovens, mantendo-os coesos ideologicamente, preparados militar e tecnicamente para os interesses do grande capital na regi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo as defini\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas do fascismo, a caracter\u00edstica militarista \u00e9 a conjun\u00e7\u00e3o do aspecto nacionalista exacerbado e da face autorit\u00e1ria, hier\u00e1rquica no interior do Estado, \u201cde acordo com os interesses do grande capital expansionista\u201d (Nikos Poulantza).<\/p>\n<p align=\"justify\">Israel atua, em parceria com os EUA, na conten\u00e7\u00e3o do status quo das ditaduras da regi\u00e3o, no apoio log\u00edstico e humano nas opera\u00e7\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o, como foi o caso do Iraque, do Afeganist\u00e3o, do L\u00edbano, e da S\u00edria e, mant\u00e9m, o dom\u00ednio de um certo equil\u00edbrio \u201cinst\u00e1vel\u201d da regi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Obviamente, h\u00e1 cr\u00edticas internas, mas estas s\u00e3o poucas e combatidas com rigor. O surgimento da menor cr\u00edtica ao sagrado Estado, ou a sua pol\u00edtica, \u00e9 criminalizada, marginalizada e o cr\u00edtico, exclu\u00eddo das oportunidades oferecidas pela sociedade, recebe o desprezo do grupo social e o r\u00f3tulo de traidor da p\u00e1tria, colaborador dos anti-semitas. S\u00e3o muito, muito poucos os bravos que se aventuram nessa rebeldia.<\/p>\n<p><strong><em>A esquerda israelense<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">As manifesta\u00e7\u00f5es contra o ataque \u00e0 Flotilla dentro do territ\u00f3rio de 1948 (Israel) foram p\u00edfias e inexpressivas. A esquerda israelense, salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, pressionada pela m\u00edstica fascista, n\u00e3o consegue se libertar da figura do sagrado e necess\u00e1rio Estado de Israel.<\/p>\n<p align=\"justify\">Algumas organiza\u00e7\u00f5es e personalidades fazem campanhas exigindo basta ao terror, na perspectiva de que ao continuar dessa forma, o preju\u00edzo ser\u00e1 a pr\u00f3pria desconstru\u00e7\u00e3o do Estado judeu, ou seja, do conquistado at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 outros setores da esquerda que levantam a discuss\u00e3o do car\u00e1ter autorit\u00e1rio dos governos, da direita israelense, estes direcionam a solu\u00e7\u00e3o do \u201dconflito\u201d para a perspectiva eleitoral e democr\u00e1tica burguesa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Da mesma forma, ambas as perspectivas, jogam para o fortalecimento do Estado judeu.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 queixas de grupos de judeus contra a prefeitura da cidade de Jerusal\u00e9m que liberou a cidade santa para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que deu in\u00edcio a constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios com muitos andares. Esse grupo n\u00e3o concordava com o Projeto Urban\u00edstico para cidade. O texto cr\u00edtico, reproduzido no Jornal H\u00e1\u2019arezt, ainda citava o profeta Isa\u00edas, falava da falta de zelo dos que retornavam para a cidade santa, reproduzindo a cantilena ideol\u00f3gica do \u201ceterno retorno\u201d. Lembrou que a humilha\u00e7\u00e3o promovida contra outro povo n\u00e3o bastava a Israel, e vaticinou que a ocupa\u00e7\u00e3o aos territ\u00f3rios palestinos \u2013 que o autor considerou apenas os de 67 \u2013 vai se tornar um problema para os israelenses.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ora, estamos diante de um t\u00edpico exerc\u00edcio da democracia israelense: O sistema absorve, numa boa, as cr\u00edticas e as discord\u00e2ncias sobre a forma como a prefeitura administra a ocupa\u00e7\u00e3o do solo \u00e1rabe, sem problemas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Repare como as quest\u00f5es caras aos palestinos como: o genoc\u00eddio, o massacre, a ocupa\u00e7\u00e3o sionista, a derrubada de casas, as pris\u00f5es e torturas, enfim, a limpeza \u00e9tnica produzida pelo Estado fascista \u00e9 reproduzida como \u201chumilha\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Repare que a preocupa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica s\u00e3o os exageros na est\u00e9tica que podem trazer problemas para os seus novos habitantes. (Esse texto foi reproduzido pela Caros Amigos sob o t\u00edtulo \u201cNo ano que vem, em Jerusal\u00e9m\u201d)<\/p>\n<p align=\"justify\">Em todos os casos, n\u00e3o vi movimento em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 discuss\u00e3o sobre o car\u00e1ter, a natureza e as defini\u00e7\u00f5es que podem rigorosamente clarificar e classificar o Estado judeu. Defini\u00e7\u00f5es importantes e necess\u00e1rias que sirvam de base ao entendimento, desmistifiquem o car\u00e1ter democr\u00e1tico, que o Estado tenta imprimir, e ajude a massa e o proletariado judeu a dar passos no sentido de se libertar da ideologia fascista\/sionista dominante e a abrir m\u00e3o dos seus privil\u00e9gios de \u201cra\u00e7a eleita\u201d, garantidos pelo Estado sionista e pelo imperialismo numa santa alian\u00e7a; isso significa devolver ao povo palestino suas terras, direitos e suas vidas aprisionadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Lamento muito por isso!<\/p>\n<p><strong><em>A estrat\u00e9gia da limpeza \u00e9tnica<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Territ\u00f3rios Palestinos: Cisjord\u00e2nia<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Definitivamente, n\u00e3o h\u00e1, em toda palestina hist\u00f3rica, lugar que n\u00e3o tenha col\u00f4nias judias. Est\u00e3o presentes nos territ\u00f3rios ocupados em 67 e no territ\u00f3rio \u00e1rabe que \u201crestou\u201d, os 22% da Palestina Hist\u00f3rica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em todas as cidades, inclusive Hamallah, onde se encontra a Autoridade Palestina, cidade que ostenta um ritmo de normalidade aparente, h\u00e1 col\u00f4nias judias na periferia da cidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em Hebron e Jerusal\u00e9m as col\u00f4nias judias s\u00e3o constru\u00eddas no centro das cidades \u00e1rabes, s\u00e3o lugares de confrontos covardes. A\u00ed concorre o Estado fascista\/sionista com sua juventude armada e as mil\u00edcias legais dos colonos contra os moradores \u00e1rabes desarmados, sem mil\u00edcias e ex\u00e9rcitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m das terras e casas roubadas para constru\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias, o Estado sionista pode desapropriar, ao seu bel prazer, extens\u00f5es enormes de terras para \u201cfins militares\u201d. Passei por uma dessas \u00e1reas militares a caminho da aldeia de <strong><em> Kafer Malek.<\/em><\/strong> Nela se encontram enormes torres de transmiss\u00e3o e antenas gigantescas, muito bem guardadas por arames farpados e a juventude do ex\u00e9rcito sionista bem armada.<\/p>\n<p align=\"justify\">A partir de 1993, ano do fat\u00eddico tratado de Oslo, os palestinos foram proibidos de transitar de um lugar para outro em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Nenhuma pessoa que more em Hamallah pode ir rezar ou trabalhar, ou visitar um parente em Jerusal\u00e9m, ou Jeric\u00f3, ou Jenin, ou Hebron. S\u00e3o proibidos de sair do lugar que moram, se saem n\u00e3o podem voltar.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Estado confina as pessoas em suas localidades e as isola uma das outras. As aldeias foram transformadas em ilhotas afastadas umas das outras, entrecortadas por novas col\u00f4nias judias, que por sua vez s\u00e3o interligadas por estradas bem constru\u00eddas, por onde somente os judeus podem transitar.<\/p>\n<p align=\"justify\">No meio desse emaranhado de col\u00f4nias judias, estradas judias e checkpoints judeus sobrevive o povo palestino com menos trabalho dispon\u00edvel. A conseq\u00fc\u00eancia se reflete diretamente no que conseguem ganhar para garantir sua subsist\u00eancia. Isso \u00e9 dram\u00e1tico!<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o raro, grupos de trabalhadores arriscam a vida de madrugada para furar a cerca de arame farpado, em busca de qualquer trabalho numa col\u00f4nia, nos territ\u00f3rios ocupados em 48 (Israel). Alguns tombam a\u00ed, assassinados pelos disparos da juventude do ex\u00e9rcito sionista.<\/p>\n<p align=\"justify\">As administra\u00e7\u00f5es civis locais judias operam no sentido de transformar a vida de cada fam\u00edlia palestina num inferno:<\/p>\n<p align=\"justify\">Se uma fam\u00edlia tem um terreno ou uma pequena casa e precisa construir mais c\u00f4modos, ou uma casinha para uma nova fam\u00edlia que se forma, a administra\u00e7\u00e3o sionista n\u00e3o lhe d\u00e1 autoriza\u00e7\u00e3o para esta obra.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se, porventura, come\u00e7am as obras sem permiss\u00e3o do Estado, s\u00e3o obrigados a destruir o que constru\u00edram nos seus terrenos ou nas suas casas, al\u00e9m de pagarem uma grande multa por isso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas o fato de n\u00e3o estarem utilizando o terreno \u00e9 motivo legal para sua desapropria\u00e7\u00e3o, assim, o Estado cumpre a \u201clei do eterno retorno judaico\u201d, ou seja, o im\u00f3vel \u00e9 ocupado por uma fam\u00edlia judia, n\u00e3o importando sua nacionalidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A primeira etapa da estrat\u00e9gia de ocupa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica foi expulsar o povo origin\u00e1rio e construir col\u00f4nias de imigrantes judeus de modo que o territ\u00f3rio \u00e1rabe fosse absolutamente fragmentado. Agora, o projeto \u00e9 transformar as col\u00f4nias interligadas por estradas em corredores ou blocos bem policiados, que sistematicamente v\u00e3o se juntando.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste sentido, n\u00e3o existe de fato e na realidade a famosa \u201clinha verde\u201d, o territ\u00f3rio palestino est\u00e1 totalmente entrecortado pela ocupa\u00e7\u00e3o. Na agenda, as prioridades s\u00e3o Jerusal\u00e9m e Hebron.<\/p>\n<p align=\"justify\">As estradas adquirem uma import\u00e2ncia peculiar na estrat\u00e9gia de limpeza \u00e9tnica. Elas s\u00e3o terrivelmente controladas por checkpoints que impedem a livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas (palestinos) e mercadorias, asfixiando dessa forma toda organiza\u00e7\u00e3o social poss\u00edvel para os palestinos. Na verdade, \u00e9 por onde se d\u00e1 o controle fundamental e por onde criam as condi\u00e7\u00f5es de novas expuls\u00f5es e novas ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Cada cidade do territ\u00f3rio habitado pela popula\u00e7\u00e3o palestina da Cisjord\u00e2nia, desconectados uns dos outros, \u00e9 uma GAZA, com bloqueios que visam destruir, a teia social, a economia do lugar e a vida de seus habitantes. O que difere \u00e9 que na Cisjord\u00e2nia a estrat\u00e9gia \u00e9 implementada de forma mais lenta da que usam em Gaza.<\/p>\n<p align=\"justify\">A parte da Palestina, ocupada em 67, somando a \u00e1rea que est\u00e1 sendo ocupada sistematicamente, foi transformada pelo Estado \u00e9tnico em um grande canteiro de obras: Amplia\u00e7\u00e3o de estradas e novas redes de estradas d\u00e3o sinais expl\u00edcitos que os assentamentos judeus n\u00e3o v\u00e3o parar e que a asfixia das reduzidas e fragmentadas cidades palestinas v\u00e3o aumentar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 sistem\u00e1tica e permanente. Seu ponto central \u00e9, t\u00e3o somente, expulsar o povo \u00e1rabe de suas terras, limpar o territ\u00f3rio da presen\u00e7a \u00e1rabe. N\u00e3o \u00e9 somente a anexa\u00e7\u00e3o das terras que interessa, \u00e9, sobretudo, a limpeza \u00e9tnica do territ\u00f3rio!<\/p>\n<p align=\"justify\">O Muro est\u00e1 inserido neste contexto perverso de anexa\u00e7\u00e3o de terras, principalmente as terras mais f\u00e9rteis, das expuls\u00f5es de fam\u00edlias inteiras, do impedimento ao acesso ao trabalho nas f\u00e1bricas, do impedimento da ida \u00e0 escola, do acesso aos aq\u00fc\u00edferos e \u00e0s oliveiras. O Muro foi condenado pelo Tribunal Internacional de Haia, mas Israel tem como uma de suas caracter\u00edsticas, cl\u00e1ssica do fascismo, o aspecto \u201cantijur\u00eddico\u201d, levando em considera\u00e7\u00e3o somente a lei e a ordem imperialista.<\/p>\n<p align=\"justify\">O grande problema ainda \u00e9 o n\u00famero de habitantes \u00e1rabes que insistem em resistir e n\u00e3o abandonam suas terras:<\/p>\n<p align=\"justify\">Existem cerca de 3,5 milh\u00f5es de palestinos na Cisjord\u00e2nia, 1,5 milh\u00f5es de palestinos que ainda conseguem viver nos territ\u00f3rios ocupados em 1948 (Israel). Mais 1,5 milh\u00f5es em Gaza. Al\u00e9m disso, \u00e9 observado que \u00e9 muito maior a taxa de natalidade do povo \u00e1rabe do que a verificada nas col\u00f4nias judias dos territ\u00f3rios ocupados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Logo, isso significa que se fosse um problema de simples anexa\u00e7\u00e3o de terras com a incorpora\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o submetida, como acontece nas ocupa\u00e7\u00f5es tipicamente coloniais, os \u00e1rabes seriam maioria.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel no Estado fascista! Por isso \u00e9 necess\u00e1ria a limpeza \u00e9tnica, segundo a ideologia sionista, n\u00e3o se pode conviver com o inimigo, neste caso, os \u00e1rabes, donos das terras roubadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Existem mais de 5 milh\u00f5es de refugiados palestinos, cuja maioria vive em campos de refugiados acolhidos nas fronteiras dos Estados \u00e1rabes, como o L\u00edbano, a S\u00edria e a Jord\u00e2nia. Seus direitos n\u00e3o s\u00e3o considerados sob nenhum aspecto. Para o Estado fascista e o Imperialismo, esse j\u00e1 foi um problema, est\u00e1 resolvido.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Jerusal\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Amea\u00e7a sionista ao patrim\u00f4nio da humanidade:<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p><strong>A Cidade velha de Jerusal\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Dentro das muralhas da hist\u00f3rica cidade \u00e1rabe, centro e lugar sagrado de 3 religi\u00f5es monote\u00edstas: crist\u00e3, mu\u00e7ulmana e judia, est\u00e1 sendo cometido um verdadeiro crime contra a humanidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A m\u00edstica sionista do \u201cdireito de retorno\u201d \u00e9 a m\u00e1xima ideol\u00f3gica fundamental para uma obra que esburaca o espa\u00e7o externo da Mesquita Al Aqsa, a segunda mais importante da religi\u00e3o isl\u00e2mica. Essa obra, sem nexo aparente, compromete toda sua estrutura hist\u00f3rica. Os buracos est\u00e3o sendo realizados em uma grande extens\u00e3o e com bastante profundidade. Os soldados que montam guarda por ali, n\u00e3o nos deixam aproximar para ver a obra e seus imensos buracos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O objetivo do Estado \u00e9 achar ind\u00edcios de que ali havia uma sinagoga. At\u00e9 aqui, est\u00e3o cavando e aprofundando e nada encontram! Alguns acreditam que o Estado forjar\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de um s\u00edtio arqueol\u00f3gico capaz de justificar ainda mais os postulados que fundamentam ideologicamente a constru\u00e7\u00e3o do Estado sionista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os mu\u00e7ulmanos n\u00e3o t\u00eam acesso livre para sua Mesquita, para entrar e rezar na Al Aqsa h\u00e1 um checkpoint israelense, guardado pela juventude do ex\u00e9rcito sionista. O mesmo n\u00e3o acontece com os crist\u00e3os. Estes t\u00eam livre acesso a seus lugares sagrados.<\/p>\n<p align=\"justify\">A cidade velha \u00e9 uma t\u00edpica constru\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, com suas casas e com\u00e9rcio. Seus moradores est\u00e3o aos poucos e sistematicamente sendo expulsos de suas casas e abandonando seu com\u00e9rcio: Ali j\u00e1 se apropriaram de algumas resid\u00eancias. A maioria desta col\u00f4nia judia \u00e9 de origem russa e o confronto covarde \u00e9 a regra.<\/p>\n<p align=\"justify\">A estrat\u00e9gia \u00e9 que Jerusal\u00e9m se torne uma cidade de maioria judia at\u00e9 2020, nesse sentido se apressam para cumprir a agenda da limpeza \u00e9tnica. O projeto urban\u00edstico da prefeitura sionista muda radicalmente a paisagem do lugar. A cidade est\u00e1 sendo descaracterizada, edif\u00edcios enormes est\u00e3o sendo constru\u00eddos, para colonos judeus, o cemit\u00e9rio \u00e1rabe hist\u00f3rico profanado para constru\u00e7\u00e3o do Museu do holocausto, bairro ap\u00f3s bairro tem suas casas derrubadas e as fam\u00edlias engrossam o n\u00famero dos que v\u00e3o viver nos campos de refugiados.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Em Silwan\/Jerusal\u00e9m: Um Bairro que resiste \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o de suas casas<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Bairro constru\u00eddo em 1948, El-Bustan \u00e9 o foco atual da ocupa\u00e7\u00e3o. O Estado sionista considerou o bairro ilegal, o que significa dizer que n\u00e3o t\u00eam autoriza\u00e7\u00e3o para continuar sua exist\u00eancia e, portanto, deve ser demolido.<\/p>\n<p align=\"justify\">Fundamenta sua decis\u00e3o em mais uma hist\u00f3ria m\u00edstica, nome bonito para manipula\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, de que h\u00e1 3 mil anos atr\u00e1s o rei Davi passeava e brincava naquela esplanada.<\/p>\n<p align=\"justify\">No bairro, como em toda Palestina ocupada, os palestinos s\u00e3o obrigados pelo Estado sionista a pagarem os impostos \u00e0 municipalidade, no entanto, em nenhum lugar, onde moram os palestinos, isto se reverte em servi\u00e7os como: lixo, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, etc. Em Silwan n\u00e3o \u00e9 diferente!<\/p>\n<p align=\"justify\">Os servi\u00e7os do Estado sionista s\u00f3 valem e est\u00e3o dispon\u00edveis para os judeus, nas col\u00f4nias judias e nos territ\u00f3rios ocupados em 1948.<\/p>\n<p align=\"justify\">A prefeitura tem uma agenda e um compromisso claro: a limpeza \u00e9tnica de Jerusal\u00e9m at\u00e9 2020.<\/p>\n<p align=\"justify\">No documento de desapropria\u00e7\u00e3o n\u00e3o consta o nome do propriet\u00e1rio \u00e1rabe, que passa a ser identificado pelo Estado com um n\u00famero no mapa do bairro. A desumaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 proposital, o palestino n\u00e3o \u00e9 visto pelo Estado como um ser humano, que participa do corpo social, que t\u00eam direitos iguais a qualquer outro cidad\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 destru\u00edram e expulsaram mais de 10 fam\u00edlias, mas a resist\u00eancia est\u00e1 aumentando. Os moradores se organizaram em Comit\u00ea Popular, onde tudo \u00e9 discutido e resolvido e onde discutem a estrat\u00e9gia de luta que vai defender seu bairro e suas casas.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 uma cren\u00e7a geral de que est\u00e3o defendendo o s\u00edmbolo de sua dignidade e orgulho e, por isso, est\u00e3o dispostos a dar a vida, se necess\u00e1rio for, para defender sua fam\u00edlia, suas casas e suas terras da ocupa\u00e7\u00e3o. \u00c9 com firmeza que o principal l\u00edder do bairro fala: \u201cN\u00e3o vamos a lugar nenhum, aqui \u00e9 nosso lugar, aqui ficamos. A destrui\u00e7\u00e3o das nossas casas representa a destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e do futuro dos palestinos em sua terra natal\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">A press\u00e3o psicol\u00f3gica \u00e9 muito grande, sobretudo, sobre as crian\u00e7as. O Estado fascista tenta minar a resist\u00eancia dos moradores efetuando pris\u00f5es sistem\u00e1ticas das crian\u00e7as quando v\u00e3o ou voltam da escola. Esta \u00e9 uma estrat\u00e9gia que tem deixado marcas profundas nas fam\u00edlias: uma crian\u00e7a de 5 anos de idade foi presa e ficou durante dias incomunic\u00e1vel, sem que seus pais soubessem onde estava; um menino de 10 anos j\u00e1 foi preso 4 vezes e um outro jovem de 14 anos, ap\u00f3s ser solto depois de alguns dias, foi condenado a n\u00e3o poder sair de casa, est\u00e1 cumprindo pena domiciliar.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Profana\u00e7\u00e3o dos cemit\u00e9rios mu\u00e7ulmanos<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O hist\u00f3rico Cemit\u00e9rio mu\u00e7ulmano, campo santo de Ma\u00e1m Allah, situado pr\u00f3ximo a cidade velha de Jerusal\u00e9m, onde est\u00e3o enterrados os restos mortais dos guerreiros de Saladino e dos companheiros do Profeta Mahoma, est\u00e1 sendo profanado pelo Estado apesar dos protestos internacionais, das cr\u00edticas internas e do pronunciamento da ONU. O cemit\u00e9rio, de exist\u00eancia milenar &#8211; do s\u00e9culo VII, ser\u00e1 transformado em Museu do Holocausto, pela Funda\u00e7\u00e3o Simon Wiesenthal. O Estado transferiu sem o consentimento das fam\u00edlias, os corpos dos mais de 1.500 jazigos para lugar desconhecido.<\/p>\n<p align=\"justify\">Vi a mesma falta de respeito em Hebron e em outros cemit\u00e9rios avistados da estrada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa pol\u00edtica deliberada vai no sentido de apagar do mapa e da hist\u00f3ria os vest\u00edgios milenares que provam para todos os efeitos que naquela terra sempre viveu um povo, o povo palestino. Coisa que a ideologia m\u00edstica de cunho religioso n\u00e3o consegue esconder com facilidade.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Hebron<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Fomos conhecer a col\u00f4nia de ocupa\u00e7\u00e3o judia em Hebron, conhecida pela sua extrema viol\u00eancia. A ocupa\u00e7\u00e3o sionista na regi\u00e3o se deu em 1967.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi em Hebron que um colono americano judeu entrou numa Mesquita e descarregou uma metralhadora nas pessoas que ali estavam rezando, assassinando 69 palestinos. Quando descarregou todas as balas, os palestinos, sobreviventes, pegaram ele. No dia seguinte, sua esposa denunciava o massacre de seu marido por um bando de palestinos raivosos!?<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa col\u00f4nia, na d\u00e9cada de 80, ocupou parte da cidade velha e expulsou os moradores desta parte e do entorno, por \u201cseguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para alcan\u00e7armos a col\u00f4nia passamos por um bem armado checkpoint, onde fomos revistados, e seguimos a \u00fanica rua dentro desta \u00e1rea ocupada. Ela exibe uma s\u00e9rie de casas de dois andares, t\u00edpicas dos \u00e1rabes e onde, outrora, a vida corria solta e livre. Se deixarmos a imagina\u00e7\u00e3o fluir, podemos sentir a sua majestade e import\u00e2ncia no contexto social anterior ao sionismo, anterior \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o fascista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Seguimos a rua at\u00e9 encontrar 3 carros enormes da pol\u00edcia sionista, com policiais armados de metralhadoras e vestidos de coletes \u00e0 prova de balas, impedindo o acesso \u00e0 col\u00f4nia. Na verdade, pretend\u00edamos passar pelo entorno, na parte \u201cdesapropriada para fins militares\u201d, rodeando a col\u00f4nia. Um pouco \u00e0 frente t\u00ednhamos que subir uma pequena colina.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nossa aproxima\u00e7\u00e3o suscitou neles uma certa agita\u00e7\u00e3o: abruptamente tomaram nossa frente e subiram a escadaria que d\u00e1 acesso \u00e0 parte interditada pelo ex\u00e9rcito, a uma escola para meninas e algumas sobreviventes casas palestinas. No final da estreita escadaria fizeram um corredor polon\u00eas por onde t\u00ednhamos que passar. Tentei o m\u00e1ximo ignorar suas presen\u00e7as mortais, ato imposs\u00edvel! Tive muito medo!<\/p>\n<p align=\"justify\">No alto da colina, encontramos a escola cercada de arames e algumas casas de fam\u00edlias palestinas que sobrevivem ali, apesar de toda provoca\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e dificuldades.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando est\u00e1vamos descendo, do outro lado, em dire\u00e7\u00e3o a cidade velha, parte \u00e1rabe, voltamos a encontrar a rua deserta. De um lado da rua vimos os pr\u00e9dios \u00e1rabes de dois andares abandonados, aqui e ali havia sinal de que algumas fam\u00edlias estavam resistindo no inferno, na qual foi transformado o bairro, nesta \u00e1rea perigosa e t\u00e3o exposta aos assassinos sionistas&#8230;<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesses pr\u00e9dios, as varandas foram fechadas com telas e madeiras para proteger as fam\u00edlias palestinas das maldades dos colonos. Do outro lado da rua larga, um enorme cemit\u00e9rio \u00e1rabe violado, apresentando tumbas remexidas, quase totalmente destru\u00eddas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mais adiante havia toneladas de arames farpados espalhados nas \u00e1reas livres entre os pr\u00e9dios, nas suas entradas e naquilo que um dia foi os espa\u00e7os de brincar. Isso \u00e9 feito para impedir o retorno dos moradores expulsos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nas paredes, desenhos de crian\u00e7as judias mostravam o tipo de ideologia que lhes s\u00e3o ensinados. Desgra\u00e7adamente, as crian\u00e7as judias s\u00e3o v\u00edtimas de seus pais fascistas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apressamos-nos para sair deste ponto des\u00e9rtico e sem vida, est\u00e1vamos sozinhos numa \u00e1rea fantasma, onde \u00e9ramos alvos f\u00e1ceis para os soldados, para os milicianos e para os colonos sionistas armados de sentinela nas v\u00e1rias torres ao longo do trajeto. Tivemos receios e medo!<\/p>\n<p align=\"justify\">Pr\u00f3ximo ao fim, a rua \u00e9 dividida por um muro de 1 metro de altura. A pequena e estreita parte \u00e9 por onde os palestinos podem andar e o resto da rua \u00e9 destinado aos judeus.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entramos na cidade velha por a\u00ed. Parece muito com as constru\u00e7\u00f5es que vimos dentro das muralhas de Jerusal\u00e9m. Tamb\u00e9m nesta parte vivem alguns colonos judeus, que transformam a vida dos moradores palestinos num inferno.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os colonos judeus jogam objetos nas telas colocadas no espa\u00e7o a\u00e9reo das ruelas. Essas telas foram colocadas pelos palestinos para proteger seus moradores e as pessoas que buscam o com\u00e9rcio \u00e1rabe, das investidas dessas col\u00f4nias judias.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando passamos pelas ruelas onde se encontram tais col\u00f4nias e os armados jovens milicianos, o cheiro \u00e9 insuport\u00e1vel. Os colonos judeus jogam, nas telas, todo tipo de lixo dom\u00e9stico, incluindo de banheiro, fazendo as telas cederem com o peso. Essa \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p align=\"justify\">Os moradores ou comerciantes que moram em baixo ficam muito expostos \u00e0s doen\u00e7as, aos l\u00edquidos e a falta de compradores para suas mercadorias, j\u00e1 que muitos evitam essas \u00e1reas. Isso sem falar, nas constantes demonstra\u00e7\u00f5es de for\u00e7a, que colocam a popula\u00e7\u00e3o palestina na mira das metralhadoras do ex\u00e9rcito sionista ou das mil\u00edcias violentas dos colonos.<\/p>\n<p><strong><em>O Problema alimentar e de sa\u00fade na Palestina<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Agricultura<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>UNION FoR AGRICULTURAL WORK COMMITEES \u2013 UAWC<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Fundada em 1986, a organiza\u00e7\u00e3o nasceu da preocupa\u00e7\u00e3o com a grave crise alimentar e a posi\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, como efeito direto da ocupa\u00e7\u00e3o sionista, do confisco de terras e da \u00e1gua.<\/p>\n<p align=\"justify\">O objetivo desta organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 promover e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida das aldeias palestinas, nesses aspectos:<\/p>\n<ul type=\"DISC\">\n<li>Amparo as fam\u00edlias despossu\u00eddas para que voltem \u00e0 produ\u00e7\u00e3o,<\/li>\n<li>Melhoramento das sementes criolllas. Manuten\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o do Banco de sementes,<\/li>\n<li>Distribui\u00e7\u00e3o das sementes e melhor aproveitamento da \u00e1gua,<\/li>\n<li>Produzir retorno financeiro com a produ\u00e7\u00e3o,<\/li>\n<li>Proteger a terra, contra a ocupa\u00e7\u00e3o e os desastres naturais,<\/li>\n<li>Garantir o acesso \u00e0 \u00e1gua,<\/li>\n<li>Promover a\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas ao muro: plantar e construir hortas, por exemplo,<\/li>\n<li>Elaborar planos de emerg\u00eancias nos casos de despejos for\u00e7ados,<\/li>\n<li>Organizar as mulheres camponesas para obten\u00e7\u00e3o de renda pr\u00f3pria na cria\u00e7\u00e3o de pequenos animais e abelhas,<\/li>\n<li>Orientar as organiza\u00e7\u00f5es dos camponeses em torno dessas e outras quest\u00f5es que lhes afligem.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">A ocupa\u00e7\u00e3o do solo palestino pelo sionismo n\u00e3o foi aleat\u00f3ria. O Estado quando promoveu a limpeza \u00e9tnica no campo, se apropriou de 70% das terras agricult\u00e1veis, as terras mais f\u00e9rteis.<\/p>\n<p align=\"justify\">A partir dessa organiza\u00e7\u00e3o, os palestinos est\u00e3o conseguindo reorganizar a produ\u00e7\u00e3o do azeite de oliva, mas deram curtos passos na parte da distribui\u00e7\u00e3o e venda do produto para o mercado externo. O Jap\u00e3o, alguns pa\u00edses da Europa, Canad\u00e1 e os EUA s\u00e3o alguns pa\u00edses que compram o azeite palestino, mas como a moeda \u00e9 israelense e o com\u00e9rcio dos palestinos \u00e9 totalmente dependente do Estado \u00e9tnico, as dificuldades s\u00e3o muitas.<\/p>\n<p align=\"justify\">A solidariedade internacional \u00e9 a base que sustenta esse pequeno com\u00e9rcio externo<\/p>\n<p align=\"justify\">Os produtos palestinos, em especial o azeite, t\u00eam tratamento secundarizado e inferior aos produtos produzidos nas col\u00f4nias judias. Os constantes descumprimentos de prazos contratuais para entrega s\u00e3o uma dessas dificuldades enfrentadas, que aumentam os custos, tornando o produto pouco competitivo no mercado. Outros produtos perec\u00edveis estragam nos corredores da burocracia sionista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta organiza\u00e7\u00e3o palestina \u00e9 filiada internacionalmente ao Comit\u00ea Internacional pela Soberania Alimentar. A Via Campesina recusou sua filia\u00e7\u00e3o pelo crit\u00e9rio de n\u00e3o serem uma organiza\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n<p align=\"justify\">O esfor\u00e7o dessa organiza\u00e7\u00e3o tem o apoio de todas as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da Palestina, sua tarefa \u00e9 minimamente manter o povo produzindo alimentos e resgatando sua dignidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">O trabalho deles est\u00e1 longe de ser uma simples interven\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, \u00e9 um trabalho pol\u00edtico de grande monta. A estrat\u00e9gia principal do grupo \u00e9 a sobreviv\u00eancia do povo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Eles t\u00eam muita clareza da import\u00e2ncia desse trabalho e do contexto pol\u00edtico da ocupa\u00e7\u00e3o que transformou o povo em v\u00edtima da limpeza \u00e9tnica, sem liberdade para ir e vir, sem direitos pol\u00edticos, legislativos e sociais, onde o Estado ocupante n\u00e3o permite que produzam o m\u00ednimo para suprir suas diversas necessidades b\u00e1sicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O trabalho \u00e9 junto aos camponeses sem terras que vivem com muitas dificuldades. Durante as atividades de colheitas t\u00eam que enfrentar as armas dos colonos e do Estado invasor que passam o dia atirando para o campo.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>SA\u00daDE<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os palestinos se organizam em v\u00e1rios comit\u00eas que, como o agr\u00edcola, t\u00eam a tarefa de promover uma vida mais digna para o povo, no contexto da ocupa\u00e7\u00e3o sionista e tudo que isso implica, na \u00e1rea da sa\u00fade coletiva.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Comit\u00ea da Sa\u00fade re\u00fane a coordena\u00e7\u00e3o e o monitoramento de projetos para sa\u00fade das crian\u00e7as, das mulheres e dos idosos, nos territ\u00f3rios \u00e1rabes.<\/p>\n<p align=\"justify\">O comit\u00ea da Crian\u00e7a e da Adolesc\u00eancia se dedica em especial a cuidar das crian\u00e7as v\u00edtimas da ocupa\u00e7\u00e3o feroz, crian\u00e7as que j\u00e1 foram presas, ou que viram seus pais serem humilhados, ou que j\u00e1 foram elas pr\u00f3prias humilhadas, feridas ou torturadas. Trabalha por mostrar \u00e0 sociedade palestina os direitos das crian\u00e7as e a import\u00e2ncia da defesa desses direitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A preocupa\u00e7\u00e3o de manter o povo vivo e ativo, de cuidar de seus velhos, das mulheres, da juventude e das crian\u00e7as \u00e9 constante nas discuss\u00f5es com os v\u00e1rios tipos de organiza\u00e7\u00f5es da qual participei.<\/p>\n<p align=\"justify\">A solidariedade interna \u00e9 um tra\u00e7o forte no perfil da sociedade palestina. Em algumas ocasi\u00f5es ouvi a frase: \u201cCom uma m\u00e3o eu resisto, com a outra tenho que sobreviver\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Acho que esses Comit\u00eas espec\u00edficos materializam de certa forma no campo social a perspectiva da sobreviv\u00eancia, no contexto de sua luta permanente contra a ocupa\u00e7\u00e3o sionista.<\/p>\n<p><strong><em>Presos Pol\u00edticos<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Nos \u00faltimos 42 anos de resist\u00eancia, os palestinos contabilizam que foram presos cerca de 800 mil palestinos, dos quais 8 mil permanecem nos c\u00e1rceres sionistas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na Palestina ocupada, todas as formas de luta levam \u00e0 pris\u00e3o. Ser um ativista comunit\u00e1rio e defender seu bairro contra a demoli\u00e7\u00e3o de casas \u00e9 crime, atirar pedras nos tanques e caveir\u00f5es sionistas \u00e9 crime, organizar e promover manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 crime! Resistir \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 um crime!<\/p>\n<p align=\"justify\">Ser palestino ou palestina \u00e9 um crime grav\u00edssimo, sujeito \u00e0 pris\u00e3o, ao desterro ou ao exterm\u00ednio, na Palestina ocupada pelo sionismo.<\/p>\n<p align=\"justify\">O direito de lutar e resistir \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o, contra o exterm\u00ednio de seu povo, \u00e9 reconhecido pelas leis do Direito Internacional e pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Entretanto, os palestinos n\u00e3o est\u00e3o lidando com um Estado de direito mas com um Estado fascista cl\u00e1ssico, que faz das leis letras mortas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por todos os lugares h\u00e1 fam\u00edlias que perderam seus filhos, ou maridos, ou mulheres ou m\u00e3es para as temidas pris\u00f5es israelenses. Mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo! Al\u00e9m das pris\u00f5es, o Estado de Israel toma as casas dos presos e o direito das suas fam\u00edlias viverem a\u00ed.<\/p>\n<p align=\"justify\">A campanha pela liberta\u00e7\u00e3o dos presos e de amparo as suas fam\u00edlias desabrigadas \u00e9 permanente. H\u00e1 v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es envolvidas que se preocupam em dar suporte jur\u00eddico aos presos e suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p align=\"justify\">As crian\u00e7as presas n\u00e3o t\u00eam direito aos estudos e s\u00e3o, constantemente, v\u00edtimas de torturas psicol\u00f3gicas, f\u00edsicas e de abuso sexual.<\/p>\n<p align=\"justify\">As den\u00fancias de maus tratos e tortura n\u00e3o param de chegar. Os presos s\u00e3o muitas vezes colocados incomunic\u00e1veis, durante muito tempo, e em lugares distantes de suas fam\u00edlias. Como n\u00e3o podem transitar livremente de uma cidade para outra, na pr\u00e1tica, as fam\u00edlias s\u00e3o impedidas de visit\u00e1-los. S\u00e3o v\u00edtimas de todo tipo de press\u00e3o, o objetivo \u00e9 quebrar sua moral revolucion\u00e1ria e mudar sua opini\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os l\u00edderes e ativistas reconhecidos da causa palestina s\u00e3o os principais alvos. \u00c9 o caso do Secret\u00e1rio da Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, membro eleito do Conselho Legislativo Palestino, Ahmad Saadat.<\/p>\n<p align=\"justify\">Preso pela pol\u00edcia da Autoridade Nacional Palestina, em 2002, a pedido de Israel e uma exig\u00eancia dos EUA, foi colocado sob cust\u00f3dia dos agentes norte americanos e ingleses na pris\u00e3o de Jeric\u00f3, territ\u00f3rio da ANP.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sua pris\u00e3o detonou uma s\u00e9rie de apela\u00e7\u00f5es de todas as entidades e organiza\u00e7\u00f5es palestinas, inclusive da Corte Suprema Palestina de Justi\u00e7a, pela sua liberdade. Mas Arafat manteve a pris\u00e3o do l\u00edder da resist\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 2006, o ex\u00e9rcito sionista montou uma opera\u00e7\u00e3o militar que culminou com o seq\u00fcestro dos prisioneiros ligados \u00e0 FPLP sob cust\u00f3dia dos agentes americanos e ingleses nas pris\u00f5es da Autoridade Nacional Palestina. Desde ent\u00e3o, Saadat encontra-se em c\u00e1rcere sionista. A cada 3 meses ele \u00e9 mudado de pris\u00e3o e posto em solit\u00e1ria. Dessa forma dificultam as visitas de sua mulher e filhos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, sempre que pode, reafirma suas firmes convic\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7a na luta travada por seu povo em defesa de suas vidas, dignidade e de suas terras.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><em>Conclus\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>I &#8211;<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A composi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social que hoje se apresenta como herdeira daqueles que 1897 projetaram a constru\u00e7\u00e3o de um Estado judeu mudou.<\/p>\n<p align=\"justify\">A entidade sionista votada pela ONU em 1948 n\u00e3o \u00e9 mais dirigida pela pequeno burguesia judia em alian\u00e7a de fogo com o capital pela defesa dos interesses imperialistas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O sionismo \u00e9 a pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do capital financeiro, produtivo e do complexo industrial militar. Det\u00e9m o controle sobre os principais bancos privados e os bancos centrais dos pa\u00edses; controlam os maiores ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de massas no mundo, a ind\u00fastria b\u00e9lica e os arsenais nucleares.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sua religi\u00e3o \u00e9 o capital, sua nacionalidade \u00e9 norte americana e europ\u00e9ia.<\/p>\n<p align=\"justify\">O sionismo construiu o Estado de Israel para a fun\u00e7\u00e3o de ser uma poderosa base militar, com poder nuclear, para proteger os interesses das grandes corpora\u00e7\u00f5es, do grande capital transnacional e das companhias de petr\u00f3leo no Oriente. Os Estados Unidos da Am\u00e9rica gasta 25% da produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera mundial de petr\u00f3leo para uma popula\u00e7\u00e3o que representa 3% da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p align=\"justify\">Israel existe para manter os governos t\u00edteres sob controle, colaborar com a pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00f5es imperialistas no Iraque e no Afeganist\u00e3o e ampliar as fronteiras ocidentais para a S\u00edria, o L\u00edbano e o Iran.<\/p>\n<p align=\"justify\">O sionismo tem o dom\u00ednio ideol\u00f3gico total de amplas massas comprometidas e dispostas a matar o inimigo interno, indigno, mesmo quando esse inimigo \u00e9 uma crian\u00e7a \u00e1rabe, tudo em nome do nacional-sionismo. \u00c9 em Israel que se conforma e se forma o ex\u00e9rcito de homens mercen\u00e1rios e prontos para invadir, ocupar ou controlar as riquezas dos povos oprimidos ou que lutam contra a opress\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Seu car\u00e1ter fascista, que mal consegue disfar\u00e7ar com algumas maquiagens \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d, se apresenta em todos os aspectos da vida social.<\/p>\n<p align=\"justify\">As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam autonomia e se sustentam sob o pilar da ideologia militar e religiosa.<\/p>\n<p align=\"justify\">A limpeza \u00e9tnica e o genoc\u00eddio que promovem, cotidianamente, contra o povo palestino \u00e9 parte fundamental da constru\u00e7\u00e3o desse Estado militar fascista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Lembremos de Gaza e do ataque assassino, em dezembro de 2008 , quando, durante 22 dias, Israel despejou centenas de bombas experimentais que v\u00e3o marcar para sempre a vida de seus habitantes e seus descendentes com muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas. Ato cont\u00ednuo, imp\u00f4s um bloqueio criminoso a 1,5 milh\u00f5es de palestinos, transformando Gaza no maior campo de concentra\u00e7\u00e3o do mundo. E ainda hoje, Israel faz incurs\u00f5es militares por ar, atirando e matando os palestinos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A luta no campo midi\u00e1tico n\u00e3o \u00e9 negligenciada, ao contr\u00e1rio, o sionismo manipula a hist\u00f3ria descaradamente. Nisso, contam com a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, do entretenimento e com as grandes cadeias de TVs e jornais, a maioria de propriedade do capital sionista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por tr\u00e1s do discurso de v\u00edtimas que repetem ao extremo e \u00e0 exaust\u00e3o se esconde a mais poderosa m\u00e1quina de fazer lucros e corpos do mundo, ou seja, a burguesia transnacional, a mesma que sustenta com sua m\u00e1quina lucrativa a guerra, o genoc\u00eddio dos povos oprimidos e a usurpa\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o das riquezas naturais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na atualidade, a rigor, os ex\u00e9rcitos da burguesia n\u00e3o se enfrentam uns contra os outros na disputa por mercados. O que se observa \u00e9 o conflito b\u00e9lico covarde: Os poderosos ex\u00e9rcitos que se somam aos ex\u00e9rcitos privados, compostos por mercen\u00e1rios, que se lan\u00e7am contra os povos e suas resist\u00eancias para garantir o dom\u00ednio das riquezas locais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Muito se tem escrito sobre o significado do ataque de Israel \u00e0 Flotilha humanit\u00e1ria, alguns dizem que esse fato deixou seq\u00fcelas no relacionamento com os EUA e com a Europa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Acho que ainda \u00e9 prematuro para as certezas, mas a princ\u00edpio n\u00e3o vejo nenhum sinal que identifique uma ruptura. Por \u00f3bvio, existem contradi\u00e7\u00f5es na administra\u00e7\u00e3o e nos encaminhamentos pol\u00edticos e militares do grupo representante do sionismo que comp\u00f5e o governo de plant\u00e3o. Mas, s\u00e3o contradi\u00e7\u00f5es absorvidas plenamente no jogo dos interesses compartilhados. Israel n\u00e3o tomaria atitude militar sem o conhecimento e o consentimento dos EUA.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outra coisa \u00e9 a esfera dos discursos encomendados e necess\u00e1rios. Nesse caso, os EUA cumprem o papel de acalmar as expectativas de seus aliados e principalmente, das massas desses pa\u00edses aliados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s o criminoso ataque \u00e0 Flotilha, as massas dos pa\u00edses \u00e1rabes foram \u00e0s ruas exigindo o rompimento das rela\u00e7\u00f5es com Israel. Obviamente, que os governos do Egito e da Turquia ficaram numa situa\u00e7\u00e3o complicada e problem\u00e1tica, em seus pa\u00edses. Esse fato novo os for\u00e7ou a tomar medidas e posi\u00e7\u00f5es que antes n\u00e3o estavam colocadas no cen\u00e1rio. Isso cria contradi\u00e7\u00f5es, por certo, mas ainda n\u00e3o \u00e9 sinal de ruptura.<\/p>\n<p align=\"justify\">Senhores e senhoras, este \u00e9 o drama palestino! Eles est\u00e3o na al\u00e7a de mira do canh\u00e3o mais moderno que o capital especulativo pode apresentar \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p align=\"justify\">II \u2013<\/p>\n<p align=\"justify\">Na Palestina, n\u00e3o existem condi\u00e7\u00f5es objetivas para a coexist\u00eancia de dois Estados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mesmo que houvesse, de fato, essa inten\u00e7\u00e3o, os territ\u00f3rios palestinos est\u00e3o absolutamente fragmentados para supor tal proposi\u00e7\u00e3o. Este Estado seria absurdamente controlado pela ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o teria sequer um espa\u00e7o cont\u00edguo. Conformar um Estado ao lado, cercado, e sob a tutela da ocupa\u00e7\u00e3o sionista, sem o retorno dos refugiados, \u00e9 na pr\u00e1tica legitimar o Estado fascista, \u00e9tnico e racista, \u00e9 legitimar a injusti\u00e7a, a ocupa\u00e7\u00e3o e legitimar o poder do sionismo na Palestina e no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os palestinos perderam a soberania de todas suas riquezas naturais. L\u00e1 existem 3 aq\u00fc\u00edferos e todos est\u00e3o sob o controle do sionismo. Roubaram de Gaza sua reserva off shore de g\u00e1s natural. Os palestinos n\u00e3o t\u00eam controle sobre a distribui\u00e7\u00e3o da energia, da venda de seus produtos, das suas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para sobreviver, s\u00e3o obrigados a vender sua for\u00e7a de trabalho para o ocupante e fazem isso se arriscando a ganhar um tiro ao tentar atravessar a cerca, ou o muro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Trabalham em empreitadas para qual n\u00e3o encontram quem as fa\u00e7am, no meio judaico e recebem ou n\u00e3o, por isso. Depende do humor do judeu que o contratou. Se n\u00e3o recebe, vai reclamar com quem? No tribunal Israelense, cujo juiz \u00e9 um bem remunerado funcion\u00e1rio p\u00fablico do Estado sionista morador do Kibutz ou das col\u00f4nias? Preocupado e interessado, ele pr\u00f3prio, com a manuten\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9tnico que lhe garante os privil\u00e9gios?<\/p>\n<p align=\"justify\">Ouvimos muitas hist\u00f3rias tristes das experi\u00eancias dos palestinos com a ocupa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 de cortar o cora\u00e7\u00e3o a hist\u00f3ria de um jovem que se arriscou para tentar arrumar qualquer trabalho numa col\u00f4nia, conseguindo, justamente, na demoli\u00e7\u00e3o de uma casa que outrora era a casa de seus pais, que foram expulsos do lugar,<\/p>\n<p align=\"justify\">O Estado corta sem piedade as oliveiras milenares, chamadas de romanas; apropria-se das terras f\u00e9rteis; destr\u00f3i os bairros; derruba as casas e expulsa as fam\u00edlias. Provoca a fuga de milhares de pessoas que fogem da morte para campos de refugiados, depois de terem suas terras saqueadas e roubadas, seus cemit\u00e9rios profanados, suas escolas destru\u00eddas e seus filhos e pais assassinados ou presos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os palestinos, em sua pr\u00f3pria terra, n\u00e3o gozam dos benef\u00edcios das leis para os judeus, n\u00e3o t\u00eam direitos civis e direitos humanos, nem direitos sociais. Por outro lado, esse mesmo Estado articula a migra\u00e7\u00e3o de uma massa de judeus de diversas nacionalidades, garante para eles uma boa casa ou apartamento numa col\u00f4nia constru\u00edda sob os escombros de um bairro palestino, garante sa\u00fade de primeiro mundo, escola barata e de qualidade para seus filhos e um emprego nas For\u00e7as Armadas, cuja tarefa \u00e9 garantir a reprodu\u00e7\u00e3o desse sistema perverso, fascista.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>A proposta de dois Estados muda o que e onde nessa hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Israel n\u00e3o vai mudar, pelo convencimento, seu car\u00e1ter, sua natureza e sua fun\u00e7\u00e3o no projeto do capital sionista para o Oriente M\u00e9dio. Portanto, mesmo que fosse poss\u00edvel ou vi\u00e1vel a discuss\u00e3o de dois Estados, a situa\u00e7\u00e3o dos palestinos n\u00e3o mudaria. Toda cadeia de injusti\u00e7a na qual est\u00e1 baseada a constru\u00e7\u00e3o do Estado fascista se manteria por uma simples raz\u00e3o: a Palestina fragmentada em cidades estanques continuaria ser um Estado dependente econ\u00f4mica e politicamente e impedido de reconstruir sua teia social. Nada mudaria para os trabalhadores que se arriscam diariamente para trabalhar, os checkpoints, as estradas continuariam controladas por Israel, o Ex\u00e9rcito sionista bem armado controlando tudo e todos, as pris\u00f5es, as incurs\u00f5es, enfim&#8230;<\/p>\n<p align=\"justify\">Para ser franca, come\u00e7o a achar que os que defendem essa solu\u00e7\u00e3o fazem, mesmo que inocentemente, o jogo do sionismo.<\/p>\n<p><strong><em>Nesse sentido, a \u00fanica forma de confrontar e ati\u00e7ar as contradi\u00e7\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de crise moral, do fascismo, \u00e9 contrapor a luta por um Estado Palestino Livre, laico e soberano para todos os povos, com o retorno dos refugiados.<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">S\u00f3 desta forma, podemos destruir o Estado fascista e impedir sua reprodu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 outra via.<\/p>\n<p align=\"justify\">Muitas tarefas se imp\u00f5em at\u00e9 l\u00e1 e os palestinos, em particular a esquerda, que conta com um grande e precioso capital, tem pela frente a urg\u00eancia de acelerar o processo de constru\u00e7\u00e3o da unidade neste campo, acelerar a percep\u00e7\u00e3o popular do car\u00e1ter duplo da opress\u00e3o e enfrentar a direita que trai a luta do povo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Que fique claro, a luta pela destrui\u00e7\u00e3o do Estado fascista n\u00e3o ser\u00e1 obra dos palestinos sozinhos. Essa luta requer o envolvimento de todos os setores antiimperialistas na maioria dos pa\u00edses. Essa \u00e9 uma tarefa de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesse sentido, vem l\u00e1 da Palestina a proposta unit\u00e1ria da esquerda de darmos in\u00edcio a constru\u00e7\u00e3o de uma <strong>ampla frente para confrontar a alian\u00e7a do imperialismo com o sionismo.<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nMaristela R. 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