{"id":7335,"date":"2015-01-16T12:33:31","date_gmt":"2015-01-16T12:33:31","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7335"},"modified":"2015-01-16T12:33:31","modified_gmt":"2015-01-16T12:33:31","slug":"o-regresso-do-fascismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7335","title":{"rendered":"O regresso do fascismo"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/outras-opinioes\" border=\"0\" align=\"right\" \/>Como era de prever, o ataque contra o Charlie Hebd\u00f3 desencadeou uma onde medi\u00e1tica global de condena\u00e7\u00e3o ao &#8220;terrorismo isl\u00e2mico&#8221;. Sente-se um certo fedor de &#8220;11 de Setembro \u00e0 francesa&#8221; <strong>[1]<\/strong> . Como tamb\u00e9m era de prever, a direita ocidental capitaliza essa onda procurando orient\u00e1-la para uma combina\u00e7\u00e3o de islamofobia e autoritarismo, de justifica\u00e7\u00e3o da cruzada colonial contra a periferia mu\u00e7ulmana e ao mesmo tempo de impulso no ocidente \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o interna contra as minorias de imigrantes \u00e1rabes, turcos e outras. E como tamb\u00e9m era de prever, n\u00e3o faltaram cortes\u00e3os progressistas do sistema que \u2013 depois de abrir o guarda-chuva assinalando em primeir\u00edssimo lugar que o &#8220;ataque terrorista&#8221;&#8230; <em> &#8220;deve ser condenado sem atenuantes&#8221; <\/em> atribuindo-o ao <em> &#8220;fanatismo religioso&#8221; <\/em> (obviamente isl\u00e2mico) \u2013 passam sisudamente a enumerar algumas culpas ocidentais sem darem tempo para um m\u00ednimo de prud\u00eancia e decoro diante de um assunto que cheira a podre.<\/p>\n<p>O m\u00ednimo que se pode dizer \u00e9 que o caso Charlie Hebdo ingressou velozmente no p\u00e2ntano da confus\u00e3o. Os dois supostos atacantes foram liquidados dois dias depois dos ataque, ainda n\u00e3o se sabe bem como foram t\u00e3o facilmente identificados numas poucas horas \u2013 salvo se aceitarmos a incr\u00edvel vers\u00e3o policial de que um deles esqueceu o seu documento de identidade no autom\u00f3vel utilizado no atentado. Paul Craig Roberts, ex-subsecret\u00e1rio do Tesouro dos Estados Unidos, assinala que <em> &#8220;a pol\u00edcia encontrou o cart\u00e3o de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio (pr\u00f3ximo da sede do Charlie Hebdo). Soa familiar? Recordem que as autoridades (estado-unidenses) afirmaram haver encontrado o passaporte intacto de um dos supostos sequestradores do 11 de Setembro entre as ru\u00ednas das torres g\u00e9meas. Uma vez que as autoridades descobrem que os povos ocidentais est\u00fapidos v\u00e3o acreditar em qualquer mentira transparente, v\u00e3o recorrer \u00e0 mentira repetidas vezes&#8221; <\/em> <strong>[2]<\/strong> .<\/p>\n<p>N\u00e3o haver\u00e1 julgamento, os irm\u00e3os Kouachi n\u00e3o desmentir\u00e3o nem confessar\u00e3o nada. Por outro lado, em diferentes meios jornal\u00edsticos surge a informa\u00e7\u00e3o de que estes irm\u00e3os franceses filhos de imigrantes argelinos teriam sido recrutados h\u00e1 algum tempo pelo aparelho de intelig\u00eancia franc\u00eas que os encaminhou para o jihadismo na sua luta contra o governo s\u00edrio. Surge inclusive o nome do agente recrutador, um tal David Drugeon, assinalado desde h\u00e1 tempos como um personagem de alto n\u00edvel do aparelho de intelig\u00eancia franc\u00eas \u2013 que naturalmente desmentiu a referida informa\u00e7\u00e3o, reiterada antes e depois do desmentido por meios de comunica\u00e7\u00e3o estado-unidenses e europeus <strong>[3]<\/strong> .<\/p>\n<p>E como se isto fosse pouco, um dia depois do &#8220;atentado&#8221;, de modo muito marginal, deu-se a conhecer o estranho suic\u00eddio de Helric Fredou, comiss\u00e3o subdirector da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria de Limoges que trabalhava no caso Charlie Hebdo <strong>[4]<\/strong> .<\/p>\n<p><strong> Guerras e buf\u00f5es <\/strong><\/p>\n<p>Philippe Grasset assinala com raz\u00e3o que o ataque contra o Charlie Hebdo n\u00e3o \u00e9 um &#8220;atentado terrorista&#8221; e sim um &#8220;acto de guerra&#8221; perfeitamente orientado para um objectivo concreto realizado por meio de uma opera\u00e7\u00e3o tipo comando <strong>[5]<\/strong> .<\/p>\n<p>Mas de que guerra se trata?<\/p>\n<p>Uma primeira constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que a Fran\u00e7a tem actualmente, de maneira formal, cerca de 8 mil soldados em diferentes interven\u00e7\u00f5es militares na periferia, mais de 5 mil em \u00c1frica e importantes contingentes na \u00c1sia Central e no M\u00e9dio Oriente, a mais recente foi no Iraque com o argumento de combater o &#8220;Estado Isl\u00e2mico&#8221; <strong>[6]<\/strong> . A interven\u00e7\u00e3o no Afeganist\u00e3o, subordinada ao comando militar dos Estados Unidos, deslocava uns 4 mil soldados por volta de 2009 <strong>[7]<\/strong> .<\/p>\n<p>Ainda que a opera\u00e7\u00e3o mais ruidosa tenha sido realizada contra a L\u00edbia, os bombardeamentos franceses, factor decisivo na interven\u00e7\u00e3o da NATO, causaram milhares de mortes entre a popula\u00e7\u00e3o civil, importantes centros urbanos foram destru\u00eddos, o estado l\u00edbio foi liquidado. Segundo diferentes avalia\u00e7\u00f5es a seguir ao derrube de Kadafi, cerca de dois milh\u00f5es de l\u00edbios, um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o total, deixaram o pa\u00eds submerso no caos, disputado por bandos rivais. Tamb\u00e9m a Fran\u00e7a interv\u00e9m activamente na opera\u00e7\u00e3o da NATO contra a S\u00edria, introduzindo mercen\u00e1rios e armas.<\/p>\n<p>Dito de outro modo, o estado franc\u00eas \u00e9 hoje uma componente decisiva do dispositivo operacional da NATO que est\u00e1 empenhado numa estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o global destinada \u00e0 recoloniza\u00e7\u00e3o ocidental do planeta. O comando supremo cabe, naturalmente, aos Estados Unidos. A estrat\u00e9gia operat\u00f3ria da referida agress\u00e3o n\u00e3o se limita a um conjunto de ac\u00e7\u00f5es militares do tipo cl\u00e1ssico e sim a um leque completo de dispositivos destinados \u00e0 desestrutura\u00e7\u00e3o, \u00e0 caotiza\u00e7\u00e3o de diferentes \u00e1reas do &#8220;resto do mundo&#8221;, \u00e0 sua transforma\u00e7\u00e3o numa massa informe que seja presa f\u00e1cil para a depreda\u00e7\u00e3o. Assim o demonstra a longa s\u00e9rie de interven\u00e7\u00f5es ocidentais recentes na \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, em alguns casos atrav\u00e9s de invas\u00f5es militares como no Afeganist\u00e3o e Iraque, em outros combinando bombardeamentos e\/ou introdu\u00e7\u00e3o de mercen\u00e1rios como na L\u00edbia ou na S\u00edria, ou ainda instalando bases militares e inflando ex\u00e9rcitos locais e bandos paramilitares como na Col\u00f4mbia \u2013 mas em todos os casos incentivando formas ca\u00f3ticas e ultra violentas que desarticulam o tecido social de que as realidades actuais do M\u00e9xico, L\u00edbia ou Iraque s\u00e3o um bom exemplo.<\/p>\n<p>Estas ac\u00e7\u00f5es s\u00e3o combinadas com um vasto desenvolvimento comunicacional destinado a controlar e arregimentar as sociedades ocidentais, bem como a degradar, desarticular, submeter o resto do mundo. \u00c9 reafirmado o velho mito do ocidente como civiliza\u00e7\u00e3o verdadeira, \u00fanica com legitimidade universal relegando os demais \u00e0 categoria de &#8220;b\u00e1rbaros&#8221; ou &#8220;semi-civilizados&#8221;, conforme as circunst\u00e2ncias. Mito imperial que atravessou toda a hist\u00f3ria da modernidade at\u00e9 chegar \u00e0 sua muta\u00e7\u00e3o actual em del\u00edrio criminal no s\u00e9culo XX como fascismo ou nazismo. Desse modo, o liberalismo imperialista civilizador, o cristianismo colonial redentor e o nazismo que floresceram em tr\u00eas momentos diferentes acabam agora em plena decad\u00eancia sist\u00e9mica convergindo numa mistela grotesca, express\u00e3o de sociedades privilegiadas em recuo cultural. Assim \u00e9 que a Frente Nacional, abertamente neonazi convertida no primeiro partido pol\u00edtico da Fran\u00e7a, enla\u00e7a na pr\u00e1tica com comunicadores ou intelectuais da moda como \u00c9ric Zemmour que reivindica a colabora\u00e7\u00e3o com a ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 durante a segunda Guerra Mundial e a segrega\u00e7\u00e3o das minorias mu\u00e7ulmanas e outras, tudo isso em nome dos &#8220;valores crist\u00e3os&#8221; da Fran\u00e7a <strong>[8]<\/strong> ou outros como Bernard-Henri Levy, instigador do genoc\u00eddio da NATO na L\u00edbia. A partir da sua alta posi\u00e7\u00e3o, o presidente socialista Fran\u00e7ois Hollande explica a interven\u00e7\u00e3o na S\u00edria e no Iraque e o apoio ao regime neonazi da Ucr\u00e2nia como fazendo parte da sua luta pela defesa dos interesses da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Santiago Alba Rico elogia os assassinados do Charlie Hebdo colocando-os na categoria de buf\u00f5es e explica-nos <em> &#8220;o horror de que as suas v\u00edtimas se dedicassem a escrever e desenhar&#8230; tarefas que uma longa tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica compartilhada situa no extremo oposto da viol\u00eancia&#8230; Em termos humanos, sempre \u00e9 mais grave matar um buf\u00e3o do que um rei porque o buf\u00e3o diz o que todos queremos ouvir ainda que seja improcedente ou inclusive hiperb\u00f3lico&#8230; O que mata um buf\u00e3o, ao qual encomend\u00e1mos o livre-dizer, mata a pr\u00f3pria humanidade. Tamb\u00e9m por isso os assassinos de Paris s\u00e3o fascistas. S\u00f3 fascistas matam buf\u00f5es. S\u00f3 fascistas acreditam que objectos n\u00e3o hilariantes ou n\u00e3o ridiculariz\u00e1veis. S\u00f3 os fascistas matam para impor seriedade&#8221; <\/em> <strong>[9]<\/strong> .<\/p>\n<p>N\u00e3o creio que Hitler, ao exercer a arte de escrever, o &#8220;Mein Kampf&#8221; por exemplo, estivesse a realizar uma actividade oposta \u00e0 viol\u00eancia e sim, muito pelo contr\u00e1rio, a legitim\u00e1-la. Por outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio destacar que grandes massacres foram acompanhados pela ridiculariza\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas. Nesse sentido, a arte de ridicularizar surge como um complemento necess\u00e1rio da matan\u00e7a, cobri-la com um manto de humor oculta a trag\u00e9dia, desculpabiliza os assassinos.<\/p>\n<p>Tenho diante de mim tr\u00eas fotografias do <em> &#8220;Batalh\u00e3o policial 101&#8221;, <\/em> unidade operacional alem\u00e3 famosa pela sua extrema crueldade durante a Segunda Guerra Mundial nos territ\u00f3rios ocupados da Europa do Leste. Numa delas v\u00ea-se um grupo de soldados-pol\u00edcias alem\u00e3es mortos de riso a rodearem um velho judeu barbudo, os nazis muito divertidos est\u00e3o em vias de cortar-lhe a barba. Nas outras duas aparecem a custodiar um grupo de judeus na localidade de Lukov a ponto de serem enviados ao campo de exterm\u00ednio de Treblinka. Numa delas um soldado nazi diverte-se \u00e0 grande obrigando um velho judeu andrajoso a realizar gestos bufonescos <strong>[10]<\/strong> .<\/p>\n<p>Os reis costumavam incluir buf\u00f5es na sua corte, os quais vertiam humor burlando-se, por vezes astutamente, do rei e de alguns cortes\u00e3os \u2013 mas sobretudo dos inimigos do rei e dos vassalos mais pobres, camponeses ou humildes artes\u00e3os, ridicularizando seus gestos, sua maneira de falar e vestir, ou seja, suas culturas. Um buf\u00e3o da corte n\u00e3o \u00e9 um buf\u00e3o em geral, n\u00e3o est\u00e1 ali porque sim, n\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o de algo bom e sim, antes, o encarregado de banalizar a trag\u00e9dia, de faz\u00ea-la divertida.<\/p>\n<p>Fazer palha\u00e7adas na corte, ou seja, no ocidente, ridicularizando as cren\u00e7as e costumes de mu\u00e7ulmanos bombardeados, invadidos, colonizados, faz parte da banaliza\u00e7\u00e3o do mal, integra a maquinaria ideol\u00f3gica legitimadora da tentativa ocidental de coloniza\u00e7\u00e3o da periferia. O suposto &#8220;humor libert\u00e1rio&#8221; do Charlie Hebdo ensina-nos que tudo pode fazer parte da festa, os fascistas realmente existentes n\u00e3o matam buf\u00f5es em geral e sim certos buf\u00f5es inc\u00f3modos e em numerosos casos incorporam buf\u00f5es \u00e0 sua corte. A ridiculariza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima \u00e9 um aspecto significativo do humor fascista, faz parte da humilha\u00e7\u00e3o do martirizado.<\/p>\n<p>Finalmente, nem tudo \u00e9 ridiculariz\u00e1vel. N\u00e3o creio que seja um fascista quem considere que \u00e9 inadmiss\u00edvel fazer piadas com o assassinato maci\u00e7o de crian\u00e7as na Palestina executado pela avia\u00e7\u00e3o israelense, ou com os massacres da popula\u00e7\u00e3o civil na L\u00edbia realizados pela avia\u00e7\u00e3o da NATO, ou com os assassinatos de camponeses na Col\u00f4mbia praticados pelos paramilitares. Quem considere que \u00e9 poss\u00edvel, sim, converter esses factos em objectos de riso pode ou n\u00e3o ser ideologicamente fascista mas certamente trata-se de um canalha.<\/p>\n<p><strong> B\u00e1rbaros e civilizados <\/strong><\/p>\n<p>Para al\u00e9m da quest\u00e3o de saber se o ataque contra o Charlie Hebdo foi uma opera\u00e7\u00e3o montada pelo aparelho de intelig\u00eancia franc\u00eas, s\u00f3 ou em coopera\u00e7\u00e3o com a CIA ou outra estrutura, ou ent\u00e3o uma ac\u00e7\u00e3o de um grupo isl\u00e2mico manipulado pelo aparelho franc\u00eas ou inclusive independente e hostil ao ocidente, o certo \u00e9 que uns ou outros consideraram-no um objectivo concreto da guerra globalizada em curso.<\/p>\n<p>Seguindo a <em> &#8220;hip\u00f3tese 11 de Setembro&#8221; <\/em> (auto-atentado), tratar-se-ia de mobilizar na cruzada imperial uma Europa esmagada pela recess\u00e3o. Poder\u00edamos fazer coincidir o acontecimento o an\u00fancio de que a Uni\u00e3o Europeia vai entrando numa etapa de defla\u00e7\u00e3o que amea\u00e7a ser prolongada e est\u00e1 completamente submetida \u00e0 estrat\u00e9gia global dos Estados Unidos. Isso significa que as elites dominantes precisam criar rapidamente factores de coes\u00e3o social funcionais a suas aventuras militares e financeiras. O dem\u00f3nio isl\u00e2mico pode bem justific\u00e1-lo, para fazer aceitar ou obrigar a aceitar guerras externas combinadas com repress\u00f5es e empobrecimentos internos.<\/p>\n<p>A quota de barb\u00e1rie introduzida com o golpe de estado na Ucr\u00e2nia e a tentativa posterior de depura\u00e7\u00e3o \u00e9tnica no Sudeste desse pa\u00eds acompanharia a ascens\u00e3o generalizada do fascismo na Europa, desde a Ucr\u00e2nia e os pa\u00edses b\u00e1lticos, at\u00e9 chegar \u00e0 Frente Nacional em Fran\u00e7a e ao movimento Pegida na Alemanha, passando pelo Amanhecer Dourado da Gr\u00e9cia. O que prefigura a conforma\u00e7\u00e3o de um fascismo muito extenso no espa\u00e7o europeu a coincidir com a previs\u00edvel ascens\u00e3o do Partido Republicano nos Estados Unidos. Neste cen\u00e1rio a intensifica\u00e7\u00e3o de actos de barb\u00e1rie imperial na periferia estaria a convergir com a internaliza\u00e7\u00e3o de formas significativas de barb\u00e1rie no centro imperial.<\/p>\n<p>Seguindo a hip\u00f3tese oposta, estar\u00edamos na presen\u00e7a do in\u00edcio da caotiza\u00e7\u00e3o do centro imperial do mundo. O desenvolvimento da sua &#8220;Guerra de quarta gera\u00e7\u00e3o&#8221; contra a periferia come\u00e7aria a ter um efeito boomerang sobre o protagonista ocidental. O provocador ocidental do caos come\u00e7a por sua vez a ser caotizado por um desenvolvimento que come\u00e7a a escapar ao seu controle e que gera desloca\u00e7\u00f5es na sua retaguarda. A crise econ\u00f3mica, suas deriva\u00e7\u00f5es financeiras, ecol\u00f3gicas, sociais e militares iriam submergindo o espa\u00e7o euro-norteamericano numa espiral descendente irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, as imponente civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, seus pretensos &#8220;valores universais&#8221;, estariam a evaporar-se \u2013 deixando a descoberto a sua barb\u00e1rie profunda.<\/p>\n<p><strong> [1] Thierry Meyssan, <strong><a href=\"http:\/\/www.voltairenet.org\/article186413.html\" target=\"_new\"> &#8220;\u00bfUn 11 de septiembre en Par\u00eds?. \u00bfQui\u00e9n est\u00e1 detr\u00e1s del atentado contra Charlie Hebdo?&#8221;<\/a> , Voltairenet.org, 8 de enero de 2015 <\/strong><\/strong><\/p>\n<p><strong> [2] Paul Craig Roberts: <a href=\"http:\/\/actualidad.rt.com\/actualidad\/162898-roberts-ataque-paris-falsa-bandera-francia-vasallo-eeuu\" target=\"_new\"> &#8220;Ataque contra &#8216;Charlie Hebdo&#8217; fue una operaci\u00f3n de falsa bandera&#8221;<\/a> , RT, 11\/01\/2015 <\/strong><\/p>\n<p><strong> ver tamb\u00e9m: Kevin Barret, <a href=\"http:\/\/presstv.com\/Detail\/2015\/01\/10\/392426\/Planted-ID-card-exposes-Paris-false-flag\" target=\"_new\"> &#8220;Planted ID card exposes Paris false flag&#8221;<\/a> , PRESSTV, Sat Jan 10, 2015 <\/strong><\/p>\n<p><strong> [3] Mitchel Prothero, <a href=\"http:\/\/www.mcclatchydc.com\/2015\/01\/07\/252225_gunmen-in-paris-terror-attack.html?rh=1\" target=\"_new\"> &#8220;Videos show Paris gunmen were calm as they executed police officer, fled scene&#8221;<\/a> , McClatchy DC, January 7, 2015 <\/strong><\/p>\n<p><strong> [4] Quenel+, <a href=\"http:\/\/quenelplus.com\/revue-de-presse\/le-numero-2-de-lenquete-sur-charlie-hebdo-sest-suicide.html\" target=\"_new\"> &#8220;Le num\u00e9ro 2 de l&#8217;enqu\u00eate sur Charlie hebdo s&#8217;est suicid\u00e9&#8221;<\/a> , 8 janvier 2015 <\/strong><\/p>\n<p><strong> [5] Philippe Grasset, <a href=\"http:\/\/www.dedefensa.org\/article-un_11-septembre_la_fran_aise__08_01_2015.html\" target=\"_new\"> &#8220;Un &#8220;11-septembre \u00e0 la fran\u00e7aise&#8221; ?&#8221;<\/a> , Dedefensa.org, 08\/01\/2015 <\/strong><\/p>\n<p><strong> [6] <a href=\"http:\/\/www.lesechos.fr\/23\/09\/2014\/LesEchos\/21777-034-ECH_de-l-irak-au-mali--le-casse-tete-budgetaire-de-l-armee-francaise.htm\" target=\"_new\"> &#8220;De l&#8217;Irak au Mali, le casse-t\u00eate budg\u00e9taire de l&#8217;arm\u00e9e fran\u00e7aise&#8221;<\/a> , Les Echos, 23\/09\/2014, <\/strong><\/p>\n<p><strong> [7] <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/French_forces_in_Afghanistan\" target=\"_new\"> &#8220;French forces in Afghanistan&#8221;<\/a> , Wikipedia, <\/strong><\/p>\n<p><strong> [8] \u00c9ric Zemour, &#8220;Le suicide fran\u00e7ais&#8221;, Albin Michel, Paris 2014. <\/strong><\/p>\n<p><strong> [9 Santiago Alba Rico, <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=194053\" target=\"_new\"> &#8220;Lo m\u00e1s peligroso es la islamofobia&#8221;<\/a> , Rebeli\u00f3n, 08\/01\/2015, <\/strong><\/p>\n<p><strong> [10] D. J. Goldhagen, &#8220;Los verdugos voluntarios de Hitler&#8221;, p\u00e1ginas 314 e 331, Taurus, Madrid, 1997. <\/strong><\/p>\n<p><strong> O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/anncol.eu\/index.php\/opinion\/jorge-beinstein-argentina\/9067-el-regreso-del-fascismo-a-proposito-de-charlie-hebdo\" target=\"_new\"> anncol.eu\/&#8230;<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong> Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/franca\/c_hebdo_beinstein.html\" target=\"_blank\"> http:\/\/resistir.info\/<\/a> . <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" \u2013 A prop\u00f3sito do Charlie Hebdo\n Jorge Beinstein \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7335\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7335","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Uj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7335"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7335\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}