{"id":7338,"date":"2015-01-16T13:00:44","date_gmt":"2015-01-16T13:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7338"},"modified":"2015-01-16T13:00:44","modified_gmt":"2015-01-16T13:00:44","slug":"por-acordo-de-paz-farc-vao-exigir-que-bogota-reconheca-existencia-de-presos-politicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7338","title":{"rendered":"Por acordo de paz, FARC v\u00e3o exigir que Bogot\u00e1 reconhe\u00e7a exist\u00eancia de presos pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"\n<p>Marco Le\u00f3n Calarc\u00e1, em entrevista a Opera Mundi, defende que prisioneiros sejam considerados v\u00edtimas do conflito e que seja formada comiss\u00e3o sobre tema<\/p>\n<p>O governo nega que eles existam, mas a Rede Internacional de Solidariedade com as Prisioneiras e Prisioneiros Pol\u00edticos Colombianos denuncia que presos pol\u00edticos, de consci\u00eancia e de guerra, s\u00e3o mantidos na Col\u00f4mbia em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, sem tratamento m\u00e9dico e com alimenta\u00e7\u00e3o insuficiente.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva a Opera Mundi, o porta-voz das FARC (For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia), Marco Le\u00f3n Calarc\u00e1, afirma que, para que seja conclu\u00eddo o processo de paz, o governo ter\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 que admitir a exist\u00eancia dos presos pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m reconhec\u00ea-los como parte das v\u00edtimas do conflito.<\/p>\n<p>De acordo com o guerrilheiro, \u201ch\u00e1 uma superpopula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria no pa\u00eds, que ultrapassa 400%, e as piores condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o dadas aos prisioneiros pol\u00edticos e sociais\u201d, relata.<\/p>\n<p>Para protestar contra o tratamento a que s\u00e3o submetidos, um grupo com pelo menos 400 detentos, em 14 pres\u00eddios no pa\u00eds, realizou uma greve de fome em meados de novembro e que se estendeu por dias. \u201cEles pediam condi\u00e7\u00f5es dignas. Nada al\u00e9m do que \u00e9 garantido a qualquer outro ser humano. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que um guerrilheiro chega ferido e \u00e9 deixado abandonado, sem tratamento. Em alguns casos, tiveram que recorrer \u00e0 amputa\u00e7\u00e3o como solu\u00e7\u00e3o porque chegaram com ferimento na perna e n\u00e3o receberam nenhum cuidado\u201d, conta Calarc\u00e1.<\/p>\n<p>De acordo com o Inpec (Instituto Nacional Penitenci\u00e1rio e Carcer\u00e1rio), em 2012, 102 mil pessoas estavam privadas de liberdade na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>[Prisioneiros costuram a boca em protesto contra as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es no c\u00e1rcere]<\/p>\n<p>Destes, 3.500 seriam presos pol\u00edticos. O governo, no entanto, nega a exist\u00eancia desse tipo de detentos. Mas, de acordo com Calarc\u00e1, o tema ser\u00e1 tratado dentro do quinto ponto da agenda que est\u00e1 sendo negociada em Havana no marco dos di\u00e1logos de paz.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o \u00e9 que hoje tudo \u00e9 considerado terrorismo para colocar juridicamente responsabilidades sobre as pessoas\u201d, afirmou o guerrilheiro, que defendeu ainda a necessidade de que os colombianos possam \u201cexercer o direito \u00e0 rebeli\u00e3o, castigado pela legisla\u00e7\u00e3o como crime, quando para n\u00f3s \u00e9 um direito. Voc\u00ea n\u00e3o pode ser rebelde sem ter armas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A guerrilha defende que os prisioneiros pol\u00edticos sejam considerados v\u00edtimas do conflito. Para isso, defendem a forma\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o especial de estudo da situa\u00e7\u00e3o dos prisioneiros pol\u00edticos formada por diversos setores da sociedade e do Estado. A comiss\u00e3o ser\u00e1 respons\u00e1vel por identificar as v\u00edtimas do sistema estatal de administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. Tamb\u00e9m ser\u00e3o considerados os chamados \u201cfalsos positivos judiciais\u201d e prisioneiros pol\u00edticos cujos direitos humanos foram violados.<\/p>\n<p>Reaproxima\u00e7\u00e3o de Cuba e Estados Unidos \u00e9 recebida com cr\u00edticas e elogios em Miami<\/p>\n<p>Podcast: Aproxima\u00e7\u00e3o entre EUA e Cuba n\u00e3o representa fim de socialismo cubano<\/p>\n<p>Decis\u00e3o de Obama sobre Cuba \u00e9 resultado de mudan\u00e7as internas e da press\u00e3o dos pa\u00edses latino-americanos<\/p>\n<p>Ainda com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas, o guerrilheiro classificou como positiva a participa\u00e7\u00e3o, em Havana, das pessoas afetadas pela guerra, como parte do processo e das negocia\u00e7\u00f5es em torno do tema. \u201cJ\u00e1 avan\u00e7amos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o hist\u00f3rica de v\u00edtimas, que tem o objetivo de apontar claramente os respons\u00e1veis pelo conflito\u201d.<\/p>\n<p>Ex-senadora Piedad C\u00f3rdoba participou do \u00faltimo grupo de v\u00edtimas presentes em Havana<\/p>\n<p>As v\u00edtimas \u201ctrouxeram testemunhos extremamente duros. Foram declara\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, dolorosas e que provocaram as emo\u00e7\u00f5es de todos os presentes\u201d, conta Calarc\u00e1. Mas, os colombianos e colombianas que sofreram e sofrem as consequ\u00eancias do conflito que se estende no pa\u00eds por mais de 65 anos, diz, exigem duas coisas: \u201cque o governo e as FARC n\u00e3o parem a mesa de negocia\u00e7\u00f5es e que seja acordado um cessar-fogo bilateral para que o confronto n\u00e3o siga causando v\u00edtimas\u201d, contou.<\/p>\n<p>Dos seis pontos que s\u00e3o discutidos em Havana, tr\u00eas j\u00e1 foram aprovados parcialmente: desenvolvimento agr\u00e1rio, participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e drogas il\u00edcitas. No atual est\u00e1gio das conversas, est\u00e1 sendo discutida a quest\u00e3o das v\u00edtimas e subcomiss\u00f5es trabalham nos t\u00f3picos relacionados ao fim do conflito e implementa\u00e7\u00e3o, verifica\u00e7\u00e3o e referendo dos di\u00e1logos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nVanessa Martina Silva | Opera Mundi\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7338\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-7338","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Um","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7338"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7338\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}