{"id":7342,"date":"2015-01-17T22:42:35","date_gmt":"2015-01-17T22:42:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7342"},"modified":"2015-01-17T22:42:35","modified_gmt":"2015-01-17T22:42:35","slug":"a-estrategia-da-tensao-de-dois-terrorismos-o-jihadista-e-o-imperialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7342","title":{"rendered":"A estrat\u00e9gia da tens\u00e3o de dois terrorismos: o jihadista e o imperialista"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante dois dias a capital francesa, Paris, virou um campo de batalha com 80.000 policiais mobilizados para eliminar os dois militantes da Al-Qaeda, Charif e Said Kouachi, que haviam atacado o seman\u00e1rio sat\u00edrico <em>Charlie Hebdo<\/em>, matando 12 pessoas, entre as quais o famoso desenhista Wolinski e o diretor do seman\u00e1rio, Charbonnier. Algumas horas depois, os grupos especiais da pol\u00edcia entraram em a\u00e7\u00e3o em Port de Vencennes, para cercar o antigo bairro hebraico, Marais, o supermercado Hipercasher, onde Amedy Coulibaly e sua companheira, Hayar Boumediene, haviam matado quatro pessoas e feito 15 ref\u00e9ns pedindo a liberta\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Kouachi, al\u00e9m de reivindicar a liga\u00e7\u00e3o com o IS.<\/p>\n<p>\u00c0s 19:30 do dia 9, o ministro do Interior franc\u00eas, Bernard Cazeneuve, anunciava que os tr\u00eas terroristas jihadistas haviam sido mortos pelos grupos especiais da pol\u00edcia, por\u00e9m, a jovem Hayar Boumediene havia conseguido fugir.<\/p>\n<p>\u00c0s 20:00, o presidente da Fran\u00e7a, Fran\u00e7ois Hollande, fazia uma lac\u00f4nica comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 na\u00e7\u00e3o pedindo, antes de tudo, a uni\u00e3o e a sustenta\u00e7\u00e3o do Estado franc\u00eas para poder repelir os pr\u00f3ximos ataques dos fundamentalistas isl\u00e2micos. Desta forma, Hollande oficializava o in\u00edcio de uma ampla confronta\u00e7\u00e3o com os grupos fundamentalistas e jihadistas que, em geral, pareceu uma proclama\u00e7\u00e3o de guerra contra todo o mundo isl\u00e2mico. Por sua parte, o presidente dos EUA, Barak Obama, anunciava o aprofundamento da guerra contra Al-Qaeda e o IS. Consequentemente o FBI e Scotland Yard lan\u00e7avam o alerta m\u00e1ximo, prevendo atentados em Washington e em Londres, que depois nunca aconteceram.<\/p>\n<p>Em resposta, o porta-voz da Al-Qaeda, Harith bin Ghazi al-Nadhari veiculava um v\u00eddeo onde reivindicava o ataque ao seman\u00e1rio Charlie Hebdo e amea\u00e7ava a Fran\u00e7a e os Estados Unidos com mais atentados caso continuassem a desqualificar o profeta Maom\u00e9.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ao colocar em estado de alerta o ex\u00e9rcito, pedia aos chefes do servi\u00e7o secreto sionista, Mossad, pra colaborar estreitamente com seus hom\u00f3logos franceses. Tamb\u00e9m os ministros do interior da It\u00e1lia, Alemanha, Gr\u00e3 Bretanha, Espanha, B\u00e9lgica, Pa\u00edses Baixos e Dinamarca decretavam o estado de alerta m\u00e1ximo, propondo a cria\u00e7\u00e3o de uma coordena\u00e7\u00e3o europeia para as atividades de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi, portanto, nesse clima de suposta guerra que, no domingo, dia 11, se realizou em Paris uma \u201cCimeira Extraordin\u00e1ria Antiterrorismo\u201d, onde os minist\u00e9rios do Interior da Fran\u00e7a e dos EUA come\u00e7aram a pensar em uma estrat\u00e9gia comum para combater o terrorismo isl\u00e2mico, decretando novas medidas repressivas. A primeira dessas ser\u00e1 contra os \u201cforeign fighters\u201d, isto \u00e9, os europeus que, depois de terem combatido com a Al Qaeda no Yemen e com o IS na S\u00edria ou no Iraque, voltam \u00e0 Uni\u00e3o Europeia para criar, eventualmente, novas c\u00e9lulas jihadistas.<\/p>\n<p><strong>O terrorismo jihadista<\/strong><\/p>\n<p>Hassan Nasrallah, l\u00edder do Hezbollah liban\u00eas, ap\u00f3s a matan\u00e7a na reda\u00e7\u00e3o do seman\u00e1rio \u201c<em>Charlie Hebdo<\/em>\u201d declarou: \u201c&#8230;<em>tais a\u00e7\u00f5es ofendem o Isl\u00e3 e alimentam, ainda mais, a persecu\u00e7\u00e3o e as hostilidades do Ocidente contra o mundo \u00e1rabe, no momento em que o crescimento dos takfiri (fan\u00e1ticos fundamentalistas sunitas) no Iraque, no Afeganist\u00e3o, no I\u00eamen e na L\u00edbia se deu com a ajuda do Ocidente, que os manipulou para alcan\u00e7ar seus objetivos estrat\u00e9gicos na nossa regi\u00e3o<\/em>&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>De fato, as vertentes do terrorismo jihadista, que hoje come\u00e7a a se organizar nos pa\u00edses europeus com mais autonomia, s\u00e3o um produto que alcan\u00e7ou formas e efeitos quando as centrais de intelig\u00eancia ocidentais autorizaram seus cong\u00eaneres \u00e1rabes, em particular da Ar\u00e1bia Saudita, Qatar, Emirados Unidos, Kuwait e Om\u00e3, a financiar e dar suporte aos l\u00edderes da \u201cJihad\u201d (a guerra santa contra os infi\u00e9is), que, na d\u00e9cada de noventa, era totalmente virada contra a URSS e os regimes progressistas aliados.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse \u00e2mbito que surgiu o mito de Osama bin Laden, dos Talebans e da Al-Qaeda. Mitos que foram sabiamente manipulados pela CIA e a imprensa mundial para derrotar a URSS no Afeganist\u00e3o. Por\u00e9m, a experi\u00eancia dos \u201cMujaheddin\u201d (combatentes da Jihad) n\u00e3o parou no Afeganist\u00e3o. \u00c9 suficiente lembrar-se do GIA (Grupo Isl\u00e2mico Armado) que, de 1992 a 1998, realizou na Arg\u00e9lia uma campanha terrorista sem precedentes, conseguindo desestruturar o modelo social e pol\u00edtico criado pela FLN e, assim, determinar a volta da Arg\u00e9lia \u00e0 l\u00f3gica do mercado e das transnacionais do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m nesse per\u00edodo que os \u201cMujaheddin\u201d, com o dinheiro da Ar\u00e1bia Saudita, aparecem primeiro na B\u00f3snia, jogando um papel preponderante na implos\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Iugoslava, e depois na forma\u00e7\u00e3o de um Estado b\u00f3snio que, ainda hoje, \u00e9 um \u201cprotetorado\u201d da OTAN que sobrevive com os financiamentos dos diferentes fundos de investimento dos pa\u00edses \u00e1rabes. Depois, a partir de 1994, outros grupos de combatentes da Jihad aparecem na Chech\u00eania, provocando uma sangrenta guerra civil, que ser\u00e1 exportada ao Daguest\u00e3o, nos territ\u00f3rios de Ingushetia e no norte da Ossetia.<\/p>\n<p>Entretanto, os servi\u00e7os de intelig\u00eancia do Ocidente e, em particular, a CIA e o M-15 brit\u00e2nico n\u00e3o entenderam que o objetivo estrat\u00e9gico das lideran\u00e7as dos grupos jihadistas era a conquista de territ\u00f3rios \u00e1rabes onde proclamar um estado isl\u00e2mico e, assim, juntar a realidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica do presente com o heroico passado dos califados isl\u00e2micos.<\/p>\n<p>Por outro lado, a experi\u00eancia militar assumida pelos jihadistas no Afeganist\u00e3o e depois com a GAI na guerra civil argelina foi um elemento de extrema import\u00e2ncia, porque permitiu aos terroristas saber usar as tecnologias militares destruidoras (minas, foguetes, explosivos, telecomunica\u00e7\u00f5es etc.), tornando suas a\u00e7\u00f5es cada vez mais violentas, ferozes e sanguin\u00e1rias. Por outro lado, esse tipo de guerra mascarada com \u00edcones da religi\u00e3o isl\u00e2mica permitiu aos l\u00edderes dos \u201cMujaheddin\u201d renunciar \u00e0 dif\u00edcil constru\u00e7\u00e3o da estrutura clandestina de massa e, portanto, ter como o objetivo pol\u00edtico a organiza\u00e7\u00e3o de uma luta armada, urbana e rural capaz de promover a insurrei\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Para eles, o principal objetivo foi criar c\u00e9lulas terroristas para esgotar o regime inimigo com sangrentos atentados e, assim, determinar uma vertical troca nas salas do poder. Neste processo, o povo \u00e9 apenas um expectador sem direito de questionar ou de manifestar sua opini\u00e3o. Ali\u00e1s, a viol\u00eancia das a\u00e7\u00f5es terroristas \u00e9 o ant\u00eddoto do jihidaismo para impor a aceita\u00e7\u00e3o da Sharia (a lei isl\u00e2mica), sobretudo entre as mulheres. Foi nesse \u00e2mbito que o \u201cbomb-men\u201d, ou seja, o militante que se martiriza fazendo explodir seu corpo para matar um ou mais inimigos, foi idealizado, a ponto de ser considerado o ato mais elevado para ascender ao Para\u00edso.<\/p>\n<p>Por isso tudo, o terrorismo jihadista cresceu rapidamente nos \u00faltimos dez anos, tamb\u00e9m nos riqu\u00edssimos pa\u00edses \u00e1rabes do Golfo, do momento que muitos pr\u00edncipes, apesar de terem estudado em Harvard, come\u00e7aram a entregar aos grupos jihadistas importantes parcelas de suas fortunas, por acreditarem, profundamente, nos ensinamentos do fundamentalismo isl\u00e2mico sunita. Consequentemente, numerosos membros das aristocracias saudita, Kuwaitiana, qatariana ou dos emirados, aceitaram financiar os grupos fundamentalistas para ter garantias em termos de sobreviv\u00eancia pol\u00edtica do seu \u201cstatus\u201d. Paradoxalmente, os servi\u00e7os secretos desses pa\u00edses tiveram que colaborar com os servi\u00e7os de intelig\u00eancia ocidentais, para deter a forma\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas terroristas da Al Qaeda na Europa e, ao mesmo tempo, trabalhar junto para promover os grupos jihadistas nas campanhas contra o regime de Khaddafi na L\u00edbia e, depois, para provocar a implos\u00e3o do governo de Bashar al-Assad na S\u00edria.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando os chefes dos diferentes grupos jihadistas descobriram que o \u201cmercado spot\u201d do petr\u00f3leo aceitava comprar o \u201coro negro\u201d contrabandeado na L\u00edbia e no Iraque e que o governo turco estava disposto a pagar pre\u00e7os razo\u00e1veis para o fornecimento do g\u00e1s roubado na S\u00edria, ent\u00e3o o terrorismo jihadista virou Estado oficializando o surgimento dos califados.<\/p>\n<p>Um cen\u00e1rio que chamou a aten\u00e7\u00e3o do Ocidente somente quando a m\u00eddia relatou que, na S\u00edria, havia cerca de 3.000 europeus de origem \u00e1rabe combatendo nas brigadas da Frente jihadista Al-Nustra, e outros 6.000 estavam no Iraque alistados no IS.<\/p>\n<p><strong>O Terrorismo Imperialista<\/strong><\/p>\n<p>As guerras e os golpes de Estado que os Estados Unidos e seus aliados da OTAN e Israel promoveram no Oriente M\u00e9dio foram determinantes para amedrontar os povos \u00e1rabes e, sobretudo, para criar uma classe dirigente corrupta, transformada em servi\u00e7al das transnacionais e dos servi\u00e7os secretos ocidentais.<\/p>\n<p>Um contexto que come\u00e7ou a ser implementado em 1953 no Ir\u00e3, com o golpe de Estado contra o primeiro-ministro Mossadeq e, assim, colocar em seu lugar o corrupto Reza Pahlavi, mais conhecido como a \u201cpol\u00edcia petrol\u00edfera das transnacionais ocidentais\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, as guerras realizadas para impor o Estado de Israel, primeiro em 1948, e depois em 1956, com a ocupa\u00e7\u00e3o de Suez, violentaram de vez as classes dirigentes \u00e1rabes, que nunca mais conseguiram defender sua soberania. Ali\u00e1s, quando em 1975 houve a tentativa de usar a arma do petr\u00f3leo para travar a arrog\u00e2ncia de Israel e dos EUA, o mercado conseguiu seduzir as aristocracias \u00e1rabes que, assim, perderam de vista o conceito de na\u00e7\u00e3o para voltarem a priorizar a realeza do cl\u00e3 familiar, como nos tempos do Saladim.<\/p>\n<p>Nesse \u00e2mbito, as guerras no Afeganist\u00e3o, no Iraque e o permanente conflito que Israel mant\u00e9m aberto na Palestina foram uma tr\u00e1gica li\u00e7\u00e3o para o nascente proletariado \u00e1rabe e, sobretudo, para os intelectuais que alentavam um isl\u00e3 progressista, potencialmente virado para a reconquista da soberania nacional e uma definitiva autonomia frente \u00e0s estrat\u00e9gias petrol\u00edferas do Ocidente. Por isso, os ataques em Gaza, na Palestina, no L\u00edbano, o sangrento conflito entre Iraque e Ir\u00e3 e as invas\u00f5es no Afeganist\u00e3o, na L\u00edbia e na S\u00edria conseguiram determinar no mundo \u00e1rabe um senso de geral impot\u00eancia, que, em fun\u00e7\u00e3o disso, desqualificou os valores da soberania nacional, frustrou os ideais pol\u00edticos do pan-arabismo e enterrou de vez as propostas dos revolucion\u00e1rios marxistas.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias da Tens\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma consequ\u00eancia da queda do Muro de Berlim foi a cria\u00e7\u00e3o de um segundo ex\u00e9rcito de reserva de m\u00e3o-de-obra barata na Europa, necess\u00e1rio para flexibilizar a for\u00e7a da classe oper\u00e1ria europeia. M\u00e3o-de-obra barata que come\u00e7ou a ser utilizada em um momento em que o conceito do trabalho devia perder seu valor, em fun\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o das tecnologias e, sobretudo, \u00e0 causa do refluxo pol\u00edtico e ideol\u00f3gico dos partidos e dos sindicatos de esquerda.<\/p>\n<p>Este novo ex\u00e9rcito de reserva, inicialmente, deveria ser formado pelo excedente de m\u00e3o de obra polonesa, ucraniana, romena, albanesa, s\u00e9rvia e checa . Enfim, importantes parcelas de operariado jovem \u00e0s quais os processos de privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o garantiam mais o emprego nos novos Estados da Europa Oriental. Por outro lado, surgiram outros fluxos migrat\u00f3rios que ajudaram a romper a solidez das leis trabalhistas em toda Europa e, consequentemente, impor o trabalho negro, os contratos a termo e, sobretudo, o uso do imigrante para os trabalhos mais duros.<\/p>\n<p>A revolta dos sub\u00farbios de Paris, em 1995, evidenciou o degrado e o estado de abandono desses bairros onde vivem somente emigrantes e que s\u00e3o ilhas de pobreza e de viol\u00eancia, algo muito semelhante \u00e0s favelas do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Cidade de M\u00e9xico, Lima, Bogot\u00e1 e Buenos Aires. Foi, ent\u00e3o, nesse redutos que o terrorismo jihadista promoveu seu crescimento, alimentando uma estrat\u00e9gia da tens\u00e3o, com a den\u00fancia dos efeitos nocivos do degrado e o virtual racismo da cultura ocidental contra o Isl\u00e3. Consequentemente, as excel\u00eancias da direita exploraram o medo pelas rea\u00e7\u00f5es violentas dos aspirantes jihadistas para convencer a sociedade de que: \u201c&#8230;<em>estamos em guerra contra o islamismo<\/em>&#8230;\u201d; \u201c..<em>somos uma civiliza\u00e7\u00e3o superior que luta para impor a democracia<\/em>&#8230;\u201d; \u201c&#8230;<em>os mu\u00e7ulmanos atacaram o cora\u00e7\u00e3o da Europa<\/em>&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Palavras de ordem que come\u00e7am a ter um grande peso nas op\u00e7\u00f5es eleitorais de uma classe m\u00e9dia cada vez mais atacada pela crise econ\u00f4mica e preocupada com um Estado que deve cortar certos benef\u00edcios para \u201cgarantir a sobreviv\u00eancia dos imigrantes\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, na Fran\u00e7a, h\u00e1 muitos setores que manifestam um grande interesse por uma solu\u00e7\u00e3o de direita capaz de \u201cpor em ordem o pa\u00eds, fechando as portas aos imigrantes \u00e1rabes e africanos e expulsando os que s\u00e3o considerados um excesso negativo\u201d. Uma solu\u00e7\u00e3o que a p\u00f3s-fascista Marine Le Pen prop\u00f4s com seu Front Nacional nas elei\u00e7\u00f5es europeias de 2014, recebendo um avalanche de votos.<\/p>\n<p>O ataque ao seman\u00e1rio Charlie Hebdo \u2013 que agora, cinicamente, todo o mundo idolatra, mesmo se antes era considerado um \u201clixo\u201d \u2013 alimenta uma d\u00faplice estrat\u00e9gia da tens\u00e3o, onde, por um lado, as c\u00e9lulas jihadistas exploram o degrado e o racismo das metr\u00f3poles francesas para fazer explodir os sentimentos reprimidos dos jovens de origem \u00e1rabe. Por outro lado, as excel\u00eancias da direita pretendem recompactar a sociedade, impondo um regime direitista, tirando partido dos temores que as manifesta\u00e7\u00f5es violentas das c\u00e9lulas jihadistas provocam na classe m\u00e9dia e naquele proletariado despolitizado e completamente alienado.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que a continua\u00e7\u00e3o das guerras do Ocidente no Oriente M\u00e9dio ( S\u00edria, Iraque e Afeganist\u00e3o), no Norte da \u00c1frica (L\u00edbia, Mali e \u00c1frica central) e no norte da Nig\u00e9ria s\u00e3o a condi\u00e7\u00e3o \u201csine qua non\u201d para a multiplica\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas jihadistas nos pa\u00edses europeus, enquanto os n\u00facleos estrat\u00e9gicos crescem em fun\u00e7\u00e3o da capacidade de controlar parcelas de territ\u00f3rios onde s\u00e3o criados os califados.<\/p>\n<p>O drama disso tudo \u00e9 que os governos do EUA e da Uni\u00e3o Europeia sabem muito bem o risco que eles correm ao continuar alimentando essa estrat\u00e9gia da tens\u00e3o. Por\u00e9m, n\u00e3o t\u00eam a coragem de reconhecer os erros cometidos. Por isso, o cen\u00e1rio de d\u00faplice terrorismo, o jihadista e o imperialista, ser\u00e1 cada vez pior, com mais degrado para os imigrantes e os europeus de origem \u00e1rabe ou africana e uma crise econ\u00f4mica que pode abrir as portas do poder aos partidos p\u00f3s-fascistas, tal como o Front National de Marine Le Pen.<\/p>\n<p><strong>Achille Lollo \u00e9 jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na It\u00e1lia, editor do programa TV \u201cQuadrante Informativo\u201d e colunista do &#8220;Correio da Cidadania&#8221;<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nAchille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania, Segunda, 12 de Janeiro de 2015.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7342\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7342","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Uq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7342","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7342"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7342\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}