{"id":7343,"date":"2015-01-17T22:49:30","date_gmt":"2015-01-17T22:49:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7343"},"modified":"2015-01-17T22:49:30","modified_gmt":"2015-01-17T22:49:30","slug":"a-pressa-pelo-acordo-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7343","title":{"rendered":"A pressa pelo Acordo Final"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A cantilena, segundo a qual dois anos de conversa\u00e7\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o suficientes, equipara a paz a uma pretens\u00e3o suscet\u00edvel de ganhar por simples prescri\u00e7\u00e3o ou vencimento dos prazos.<\/em><\/p>\n<p>Por Timoshenko<\/p>\n<p>12\/01\/2015<\/p>\n<p>O Presidente da Rep\u00fablica expressou, ap\u00f3s seu retiro espiritual em Cartagena, que a principal instru\u00e7\u00e3o a seus delegados na Mesa de Havana consiste em acelerar ao m\u00e1ximo a concretiza\u00e7\u00e3o de um Acordo Final de Paz, o qual diferentes comentaristas prognosticam para os primeiros meses de 2015. Alguns j\u00e1 falam de iminentes press\u00f5es da realidade pol\u00edtica que nenhuma das duas partes na Mesa poder\u00e1 se esquivar sem sofrer graves efeitos.<\/p>\n<p>Enquanto as refer\u00eancias aludem o governo e as FARC, n\u00e3o podemos deixar de ler que a press\u00e3o est\u00e1 dirigida a n\u00f3s. \u00c9 claro que o Presidente Santos n\u00e3o tem o menor interesse em estender as discuss\u00f5es. Ele sempre as concebeu como um procedimento expedito para materializar nossa desmobiliza\u00e7\u00e3o e reincorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 vida civil, independente de qualquer exame das causas do conflito e das reformas necess\u00e1rias para termin\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Para o governo, o processo em curso tem como origem \u00fanica a for\u00e7a aplicada contra n\u00f3s por parte das for\u00e7as armadas. Em diversas declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sustentou que o conflito, caso n\u00e3o seja produzido um acordo agora, poderia estender-se por vinte anos, cuja solu\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel consistiria na aniquila\u00e7\u00e3o da insurg\u00eancia. Portanto, o que se trata agora na Mesa \u00e9 de poupar o pa\u00eds dessas duas d\u00e9cadas de sangue.<\/p>\n<p>Ou, como dizem, devemos nos render de uma vez na Mesa. Nesse sentido, o recente informe do Minist\u00e9rio de Defesa, elaborado pelos Assuntos e Estudos Estrat\u00e9gicos, d\u00e1 conta de que nos dois anos de exist\u00eancia do processo, as FARC perderam 8.350 homens, o que indicaria que, segundo as mesmas cifras oficiais, os poucos que restaram ser\u00e3o extintos em meses.<\/p>\n<p>Surpreende que as expectativas do Governo sejam fundadas em argumentos assim. Antes do in\u00edcio das conversa\u00e7\u00f5es, o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio de Defesa defendia abertamente que encontr\u00e1vamo-nos reduzidos a menos de oito mil homens. Assim, considerando as a\u00e7\u00f5es empreendidas pelas autoridades nos dois \u00faltimos anos, o que restaria de n\u00f3s \u00e9 a Delega\u00e7\u00e3o que se encontra dialogando em Havana.<\/p>\n<p>Nossos principais acampamentos, segundo o informe, est\u00e3o nos departamentos de Nari\u00f1o, Cauca, Valle del Cauca, Meta, Guaviare, Vichada, Guain\u00eda, Norte de Santander, Guajira, Arauca, sul do Tolima, C\u00f3rdoba e Putumayo, que, se observarmos bem, constitui mais da metade do territ\u00f3rio nacional. A utiliza\u00e7\u00e3o do termo principais acampamentos, necessariamente implica na exist\u00eancia de alguns secund\u00e1rios, cujas localiza\u00e7\u00f5es evita declarar o informe comentado.<\/p>\n<p>As leituras individuais da imprensa tamb\u00e9m indicam a nossa presen\u00e7a em Caquet\u00e1, Antioquia, Choc\u00f3, Huila e outras localidades \u00e0s quais n\u00e3o vamos nos referir aqui. Tudo isto significa que o v\u00edeis reducionista com o qual est\u00e3o sendo apresentados os fatos ante a opini\u00e3o p\u00fablica tem fundamento em bases bem mais fr\u00e1geis. N\u00fameros desse tipo lembram os mais de 50.000 paramilitares desmobilizados depois da chamada lei de justi\u00e7a e paz, enquanto a cifra oficial de seus integrantes jamais passou de 20.000.<\/p>\n<p>Outras considera\u00e7\u00f5es destinadas a nos pressionar indicam que a declara\u00e7\u00e3o unilateral de cessar-fogo ordenada pelo Secretariado Nacional das FARC-EP, coloca nossa for\u00e7a em uma situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o combate, o qual necessariamente aponta, de manter-se no tempo, a uma paulatina decomposi\u00e7\u00e3o de nossas estruturas por causa do \u00f3cio a que se ver\u00e3o compelidas. Aqueles que se apressam a afirm\u00e1-lo, esquecem que responderemos se somos atacados.<\/p>\n<p>Em todo caso, se essa for a argumenta\u00e7\u00e3o, bem vale considerar a assinatura de um cessar-fogo bilateral ou a assinatura de um armist\u00edcio eventualidades que nos aproximariam de modo concreto da situa\u00e7\u00e3o que imaginam os comentaristas. Evitar a segura desnaturaliza\u00e7\u00e3o de nossa for\u00e7a guerrilheira deveria em tal caso mover-nos a chegar a um r\u00e1pido Acordo Final. Assim, careceria de sentido a negativa do governo em aceitar nossas propostas nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, se emprega a presen\u00e7a da maioria do Secretariado em Havana. Com uma dist\u00e2ncia superior aos dois mil quil\u00f4metros, se assegura ser imposs\u00edvel manter a coes\u00e3o de todas as nossas estruturas na Col\u00f4mbia, o que somado ao anterior, necessariamente nos obrigaria a antecipar a assinatura do Acordo Final. Nossa organiza\u00e7\u00e3o verticalizada em Estados Maiores dos Blocos e Frentes desconhece semelhante pretens\u00e3o e continua funcionando.<\/p>\n<p>Verdadeiramente importante para a assinatura de um r\u00e1pido Acordo Final \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o do governo nacional em ceder ante nossas propostas claramente expostas acerca de quase todas as mat\u00e9rias pendentes. O pa\u00eds e a comunidade internacional conhecem nossas propostas m\u00ednimas sobre o ponto das v\u00edtimas, de onde se observa que o que nos separa de um acordo final s\u00e3o evidentemente quest\u00f5es de conte\u00fado e n\u00e3o de forma.<\/p>\n<p>As press\u00f5es derivadas de elucubra\u00e7\u00f5es, como as comentadas anteriormente, evadem assuntos chaves para o t\u00e9rmino do conflito e para a constru\u00e7\u00e3o de uma paz est\u00e1vel e duradoura. N\u00e3o nos cansaremos de proclam\u00e1-lo aos quatro ventos nem de defend\u00ea-lo na Mesa. A ansiada solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao conflito social e armado existente em nosso pa\u00eds, tem sido a ess\u00eancia das FARC desde seu pr\u00f3prio nascimento em Marquetalia e n\u00e3o produto de supostos fracassos militares.<\/p>\n<p>E se relaciona com reformas estruturais em mat\u00e9ria social e pol\u00edtica, com garantias plenas para o exerc\u00edcio da oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas para todos os rebeldes, mas para o conjunto dos movimentos pol\u00edticos e sociais que lutam por mudan\u00e7as profundas na sociedade colombiana. A cantilena, segundo a qual dois anos de conversa\u00e7\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o suficientes, equipara a paz a uma pretens\u00e3o suscet\u00edvel de ganhar por simples prescri\u00e7\u00e3o ou vencimento dos termos.<\/p>\n<p>Um governo que apresenta no Congresso da Rep\u00fablica projetos de lei e de reformas que, abertamente, v\u00e3o contra o acordado parcialmente com as FARC na Mesa de Conversa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o demonstra a m\u00ednima voca\u00e7\u00e3o de colocar fim ao conflito. Do mesmo modo, um governo que ordena diariamente aumentar a confronta\u00e7\u00e3o contra a insurg\u00eancia, nega sua vontade de diminuir a intensidade da guerra. Assim, ser\u00e1 dif\u00edcil chegar r\u00e1pido a alguma parte.<\/p>\n<p>Montanhas da Col\u00f4mbia, 11 de janeiro de 2015.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/farc-ep.co\/?p=4181<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7343\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-7343","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Ur","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7343"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7343\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}