{"id":7412,"date":"2015-02-11T14:51:53","date_gmt":"2015-02-11T14:51:53","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7412"},"modified":"2015-02-11T22:00:43","modified_gmt":"2015-02-11T22:00:43","slug":"obama-ainda-pode-safar-se-com-elegancia-da-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7412","title":{"rendered":"Obama ainda pode safar-se com eleg\u00e2ncia da Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->A amea\u00e7a dos EUA de que <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2015\/02\/02\/world\/us-taking-a-fresh-look-at-arming-kiev-forces.html?_r=1\" target=\"_blank\">\u201ctodas as op\u00e7\u00f5es\u201d est\u00e3o abertas<\/a> para o presidente Barack Obama na Ucr\u00e2nia j\u00e1 foi desmascarada como puro blefe. Ironicamente, coube a dois dos mais \u00edntimos aliados dos EUA \u2013 a chanceler alem\u00e3 e o presidente da Fran\u00e7a \u2013 desmascarar o blefe de Washington, enquanto o presidente Putin da R\u00fassia engajava-se em eventos mais importantes \u2013 a festa de um ano dos Jogos Ol\u00edmpicos de Inverno em Sochi (que Obama boicotou) \u2013, em vez de se preocupar muito com a Casa Branca e suas rumina\u00e7\u00f5es sobre armar o ex\u00e9rcito ucraniano com armas norte-americanas.<\/p>\n<p>Merkel falou at\u00e9 bem claramente em Berlim, ontem, depois de voltar de Moscou onde esteve com Hollande para discutir um plano de paz com Putin \u2013 \u201cEstou firmemente convencida de que esse conflito n\u00e3o pode ser resolvido por meios militares. N\u00e3o posso imaginar qualquer situa\u00e7\u00e3o na qual equipamento mais pesado para o ex\u00e9rcito ucraniano impressionaria tanto o presidente Putin, a ponto de ele come\u00e7ar a crer que pudesse ser militarmente derrotado. Tenho de ser bem clara.\u201d Merkel sequer esperou outras 48 horas para dizer a mesma coisa a Obama, pessoalmente.<\/p>\n<p>Merkel tamb\u00e9m ofereceu algumas li\u00e7\u00f5es de hist\u00f3ria aos pol\u00edticos de Washington. Disse que a for\u00e7a jamais, em toda a hist\u00f3ria, ajudou a resolver coisa alguma com a R\u00fassia. \u201cCresci na Alemanha Oriental, vi o Muro. Os norte-americanos nunca intervieram contra aquele Muro, mas no final, n\u00f3s vencemos.\u201d Bravo! Furou, como se fura bal\u00e3o, o triunfalismo dos EUA de que teriam \u2018vencido\u2019 a Guerra Fria, e ela com certeza sabe do que fala, como assessora pr\u00f3xima do chanceler alem\u00e3o Helmut Kohl, que negociou a reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha exclusivamente com o l\u00edder russo Mikhail Gorbachev.<\/p>\n<p>A fala dura de Merkel deve servir como duro despertar para os EUA. O caso \u00e9 que, bem claramente, a Europa j\u00e1 n\u00e3o pode mais tolerar as sujas intrigas dos EUA. Cada vez que alguma proposta de paz era oferecida pelo \u201cFormato Normandia\u201d \u2013 entre Berlim, Paris, Moscou e Kiev (Petro Poroshenko) \u2013 o Tio Sam intervinha para fazer desandar o processo, servindo-se dos linha-duras dentro do regime ucraniano. <a href=\"http:\/\/rt.com\/op-edge\/230271-us-interest-ukraine-war\/\" target=\"_blank\">J\u00e1 demorou tempo demais<\/a>.<\/p>\n<p>O fracasso dos militares ucranianos (que estavam batendo muito acima da pr\u00f3pria capacidade, empurrados pelos EUA), que j\u00e1 beira o desastre total, e o colapso da economia imp\u00f5em ao Ocidente uma dura escolha \u2013 satisfazer-se com um canto da Ucr\u00e2nia ro\u00eddo de tra\u00e7as (verdadeira cesta de lixo e t\u00e3o venal e corrupto quanto pode ser um pa\u00eds) como novo parceiro da Europa e ver o que consegue salvar de uma posi\u00e7\u00e3o muito ruim, ou, ent\u00e3o, deixar que a guerra v\u00e1 bater diretamente \u00e0s portas da Europa.<\/p>\n<p>\u00c9 escolha dura de engolir, porque a \u2018mudan\u00e7a de regime\u2019 na Ucr\u00e2nia n\u00e3o foi planejada para dar nisso. Dito em outros termos, a Europa est\u00e1 virtualmente se rebelando contra as pol\u00edticas dos EUA para a R\u00fassia. Claro, o conflito na Ucr\u00e2nia n\u00e3o amea\u00e7a a \u201cseguran\u00e7a da p\u00e1tria\u201d norte-americana, e a continua\u00e7\u00e3o dele s\u00f3 complicar\u00e1 cada vez mais as rela\u00e7\u00f5es entre Europa e R\u00fassia, o que muito interessa ao objetivo de cimentar a lideran\u00e7a transatl\u00e2ntica dos EUA. Mas para a Europa o vaso j\u00e1 entornou, e ela precisa desvincular-se dos EUA e encontrar sua pr\u00f3pria via de coabita\u00e7\u00e3o \u2013 se n\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o \u2013 com sua grande vizinha do leste, a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Bem obviamente, o movimento do p\u00eandulo sobre o campo de batalha no sudeste da Ucr\u00e2nia oscilou a favor das for\u00e7as da resist\u00eancia anti-Kiev; e a estrat\u00e9gia dos EUA, de empurrar a R\u00fassia para um vasto p\u00e2ntano, entrou num beco sem sa\u00edda. Como se isso n\u00e3o bastasse, as vit\u00f3rias das for\u00e7as anti-Kiev muito agradam \u00e0 R\u00fassia, que n\u00e3o se cansa de falar de uma Ucr\u00e2nia federada, na qual as regi\u00f5es do leste, que falam russo, gozem de autonomia e tenham voz nas pol\u00edticas externas e de seguran\u00e7a do pa\u00eds (o que \u00e9 garantia permanente de que a Ucr\u00e2nia manter\u00e1 a neutralidade).<\/p>\n<p>Enquanto isso, a mais recente onda de combates estende-se inexoravelmente na dire\u00e7\u00e3o da cidade portu\u00e1ria de Mariupol, cuja captura pela resist\u00eancia anti-Kiev dar\u00e1 \u00e0 R\u00fassia acesso direto, por terra, at\u00e9 a Crimeia. N\u00e3o surpreendentemente, Poroshenko agora quer desesperadamente um cessar-fogo, em vez de qualquer op\u00e7\u00e3o militar, \u00e0 qual os EUA o mandaram voltar, no caso de os separatistas obterem ainda mais ganhos territoriais nos combates nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>Depois das cinco horas de conversas com Putin e Merkel no Kremlin, na 6\u00aa-feira, o presidente Hollande p\u00f4s-se a falar das linhas gerais de um acordo plaus\u00edvel na Ucr\u00e2nia. Fez quest\u00e3o de dizer que a Fran\u00e7a se opor\u00e1 \u00e0 integra\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 OTAN. Hollande revelou que o plano que ele e Merkel levaram ao Kremlin prev\u00ea uma zona desmilitarizada de 50 a 70 quil\u00f4metros, separando os militares ucranianos e as for\u00e7as anti-Kiev, e regras de uma autonomia \u201cbastante forte\u201d para a regi\u00e3o leste do pa\u00eds, dos falantes de russo. \u201cAquelas pessoas foram \u00e0 guerra. Ser\u00e1 dif\u00edcil for\u00e7\u00e1-los a partilhar vida comum.\u201d<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Merkel n\u00e3o tem certeza de que o plano d\u00ea certo, \u201cmas \u00e9, do meu ponto de vista e do ponto de vista do presidente franc\u00eas, ideia que bem merece uma tentativa. \u00c9 imposs\u00edvel resolver esse conflito por meios militares. \u00c9 absolutamente muito mais importante, agora, dar passos substanciais que sirvam para dar vida ao Acordo de Minsk.\u201d (vale registrar que foi a primeira visita de Merkel a Moscou depois da irrup\u00e7\u00e3o da crise na Ucr\u00e2nia, e tudo indica que ela e Hollande tomaram a iniciativa sem coordena\u00e7\u00e3o com Obama.)<\/p>\n<p>Claramente, apareceu uma fissura entre a Europa e os EUA, carregada de implica\u00e7\u00f5es de longo prazo para o relacionamento transatl\u00e2ntico. Ironicamente, com Merkel e Hollande tendo viajado para conectar-se com Putin, s\u00e3o os EUA que v\u00e3o ficando \u2018isolados\u2019. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que Obama exagerou, ao personalizar os assuntos a ponto de n\u00e3o perder oportunidade de ofender a R\u00fassia \u2013 e Putin, pessoalmente. Foi o que fez tamb\u00e9m em Delhi, recentemente, sem considerar a amizade \u201ctestada no tempo\u201d que liga \u00cdndia e R\u00fassia.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre p\u00e9ssima diplomacia, quando um estadista deixa-se levar pela pr\u00f3pria ret\u00f3rica. A simples verdade \u00e9 que Putin tem hoje as cartas mais fortes, e todos suspendem a respira\u00e7\u00e3o, \u00e0 espera do que ele tenha a dizer do plano de paz sobre a mesa, quando for distribu\u00eddo o <em>link<\/em> para os quatro canais do Formato Normandia entre Berlim, Paris, Kiev e Moscou \u2013 o que deve acontecer ainda no domingo, mais tarde. Hollande j\u00e1 alertou claramente que \u201cSe n\u00e3o conseguirmos construir, n\u00e3o s\u00f3 um compromisso, mas um acordo de paz duradouro, sabemos perfeitamente que cen\u00e1rio teremos. Tem nome. Chama-se guerra.\u201d<\/p>\n<p>Paradoxalmente, Hollande e Merkel est\u00e3o lutando pela \u201cdoutrina Obama\u201d, que abomina guerras \u2013 \u201cUsar for\u00e7a militar, unilateralmente se preciso for, quando nossos [dos EUA] interesses b\u00e1sicos o exigirem (&#8230;) Quando quest\u00f5es de interesse global n\u00e3o imponham amea\u00e7a direta aos EUA (&#8230;) quando crises surgem que despertam nossa consci\u00eancia e empurram o mundo para dire\u00e7\u00e3o mais perigosa, mas n\u00e3o nos amea\u00e7am diretamente, nesses casos o limite para a\u00e7\u00e3o militar deve ser mais alto\u201d \u2013 foi o que <a href=\"http:\/\/www.washingtonpost.com\/politics\/full-text-of-president-obamas-commencement-address-at-west-point\/2014\/05\/28\/cfbcdcaa-e670-11e3-afc6-a1dd9407abcf_story.html\" target=\"_blank\">disse Obama<\/a> no discurso em West Point em maio passado.<\/p>\n<p>Em resumo, a Europa n\u00e3o quer guerra e n\u00e3o se deixar\u00e1 arrastar para uma guerra pelos neoconservadores que governam as pol\u00edticas de Obama para a Ucr\u00e2nia e os aliados deles no Congresso. Novamente \u00e9 ocasi\u00e3o para Obama agir com firmeza, como agiu, firmemente e estrategicamente (aceitando a m\u00e3o que Putin lhe estendia), ao cancelar o ataque militar contra a S\u00edria, em setembro de 2013.<\/p>\n<p>Foi grave erro de avalia\u00e7\u00e3o supor que a R\u00fassia aceitaria qualquer \u2018fato consumado\u2019 na Ucr\u00e2nia. Dito em palavras simples, os interesses essenciais da R\u00fassia est\u00e3o em jogo na Ucr\u00e2nia, onde absolutamente n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o nem condi\u00e7\u00f5es para concess\u00f5es.<\/p>\n<p>Como algu\u00e9m pode ter sido t\u00e3o simpl\u00f3rio a ponto de supor que com, \u201csan\u00e7\u00f5es espertas\u201d, conseguiria quebrar a espinha dorsal nacional russa, ou fazer a R\u00fassia ceder nos seus interesses existenciais?<\/p>\n<p>2015 marca os 70 anos da vit\u00f3ria do Ex\u00e9rcito Vermelho sobre a Alemanha Nazista. \u00c9 momento para um homem culto, erudito, como Obama, revisar a hist\u00f3ria russa e extrair dela conclus\u00f5es adequadas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, dois anos \u00e9 muito tempo na pol\u00edtica, e Obama ainda pode \u2018resetar\u2019 suas pol\u00edticas para a R\u00fassia. No m\u00ednimo, que deixe a Europa mostrar o caminho. Obama muito ter\u00e1 a ganhar se se desengajar dos neoconservadores. E n\u00e3o estar\u00e1 s\u00f3, se o fizer: a Ucr\u00e2nia \u00e9 quest\u00e3o em que vozes em geral t\u00e3o absolutamente discordantes como <a href=\"http:\/\/www.spiegel.de\/international\/world\/interview-with-henry-kissinger-on-state-of-global-politics-a-1002073-druck.html\" target=\"_blank\">Henry Kissinger<\/a> e <a href=\"http:\/\/chomsky.info\/articles\/20140501.htm\" target=\"_blank\">Noam Chomsky<\/a> est\u00e3o em perfeito acordo, ao recomendar muita cautela, com vistas aos interesses superiores da paz mundial.<\/p>\n<p>Enviado por: Vila Vudu &lt;<a href=\"mailto:vila.vudu@gmail.com\" target=\"_blank\">vila.vudu@gmail.com<\/a>&gt;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blogs.rediff.com\/mkbhadrakumar\/2015\/02\/08\/how-obama-can-lose-gracefully-on-ukraine\/\" target=\"_blank\">http:\/\/blogs.rediff.com\/mkbhadrakumar\/2015\/02\/08\/how-obama-can-lose-gracefully-on-ukraine\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nMK Bhadrakumar, Indian Punchline\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7412\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7412","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Vy","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7412"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7412\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}