{"id":7424,"date":"2015-02-12T14:57:04","date_gmt":"2015-02-12T14:57:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7424"},"modified":"2015-02-13T18:22:04","modified_gmt":"2015-02-13T18:22:04","slug":"quem-bloqueia-quem-cuba-e-a-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7424","title":{"rendered":"Quem bloqueia quem? Cuba e a Internet"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Resumen Latinoamericano\/ Por Atilio Boron\/ 05\/02\/2015.- O nervosismo que se apoderou da direita latino-americana com a \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d das rela\u00e7\u00f5es entre Estados Unidos e Cuba iniciou uma serie de manifesta\u00e7\u00f5es que assombram pela impunidade com que se desfigura a realidade. Um exemplo \u00e9 oferecido pela coluna de Andr\u00e9s Oppenheimer, no La Naci\u00f3n de ter\u00e7a-feira, 02 de fevereiro, cujo t\u00edtulo diz tudo: \u201cA chave da liberdade em Cuba \u00e9 o acesso a Internet\u201d. O articulista, conhecido por seu visceral rep\u00fadio a toda a obra da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, pergunta se \u201co regime cubano aceitar\u00e1 a ajuda estadunidense para expandir o acesso a Internet\u201d. Pouco mais adiante, recorda que em seu discurso de 17 de dezembro de 2014, Obama disse que \u201cWashington eliminar\u00e1 v\u00e1rias regula\u00e7\u00f5es que impediam as empresas estadunidenses de exportarem telefones celulares, software de Internet e outros equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, a julgar pelo que me dizem v\u00e1rios visitantes que acabam de regressar da ilha, existem boas raz\u00f5es para sermos c\u00e9ticos a repeito do que o regime cubano permitir\u00e1\u201d. O final do artigo \u00e9 de antologia: \u201cWashington deveria centrar-se na Internet. E se Cuba n\u00e3o quer falar do tema, os Estados Unidos e os pa\u00edses latino-americanos deveriam denunciar o regime cubano pelo que \u00e9: uma ditadura militar, cujas desculpas para proibir o acesso a Internet na ilha j\u00e1 acabaram\u201d.<\/p>\n<p>Prefiro n\u00e3o perder tempo em rebater a inaudita caracteriza\u00e7\u00e3o de Cuba como uma ditadura militar, que em uma prova de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia Pol\u00edtica, mereceria a fulminante reprova\u00e7\u00e3o do estudante que ousar manifestar uma ocorr\u00eancia (que n\u00e3o \u00e9 o mesmo que uma ideia, mais respeito a Hegel, por favor!) desse tipo. Oppenheimer n\u00e3o \u00e9 um dos energ\u00famenos que pululam na televis\u00e3o norte-americana, violadores seriais das mais elementares normas do of\u00edcio jornal\u00edstico. Por\u00e9m, o nervosismo e o desespero que se apoderou dos grupos anti-castristas de Miami \u2013 cada vez mais reduzidos e desprestigiados \u2013 o devem ter contagiado e impulsionado a escrever uma nota repleta de falsidades. Me limitarei a assinalar tr\u00eas.<\/p>\n<p>Primeiro, n\u00e3o se pode ignorar que por causa do bloqueio, Cuba ingressou parcial e tardiamente ao ciberespa\u00e7o e quando se produziu a vertiginosa expans\u00e3o da banda larga e da Internet, a Casa Branca pressionou brutalmente aqueles que ofereciam esses servi\u00e7os \u00e0 ilha para que os interrompessem de imediato, ordem que naturalmente n\u00e3o pode ser desobedecida pelos pequenos pa\u00edses da bacia do Caribe. Por isso, at\u00e9 a chegada do cabo submarino procedente da Venezuela, faz pouco mais de um ano, a conex\u00e3o de Internet em Cuba se fazia exclusivamente por sat\u00e9lite. Agora existe essa liga\u00e7\u00e3o f\u00edsica. No entanto, infelizmente, o grosso do crescente tr\u00e1fego cubano deve transitar atrav\u00e9s de lentas e muito custosas ondas via sat\u00e9lites, e com uma banda larga absolutamente insuficiente. Problemas que n\u00e3o se devem a uma decis\u00e3o de Havana, mas \u00e0 obsess\u00e3o de Washington.<\/p>\n<p>Segundo, antes de perguntar se Havana aceitar\u00e1 a ajuda prometida por Obama, seria conveniente que Oppenheimer averiguasse se Washington aceitar\u00e1 colocar fim ao cerco inform\u00e1tico disposto contra Cuba. Seu argumento parece sa\u00eddo de uma can\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as de Mar\u00eda E. Walsh: \u201cO reino do rev\u00e9s\u201d. N\u00e3o foi Cuba que, ante o advento da revolu\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es decidiu fazer um harakiri inform\u00e1tico, mas foi o imp\u00e9rio quem, consciente da import\u00e2ncia dessas novas tecnologias, estendeu os alcances de seu criminoso bloqueio para incluir tamb\u00e9m a Internet. Qualquer um que tenha visitado esse pa\u00eds sabe que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acessar v\u00e1rios sites na rede e nem dispor dos principais instrumentos de navega\u00e7\u00e3o no ciberespa\u00e7o. Caso se tente, aparecer\u00e1 quase invariavelmente uma fat\u00eddica mensagem de \u201cError 403\u201d dizendo algo assim, como \u201cDo lugar onde se encontra n\u00e3o poder\u00e1 acessar esta URL\u201d ou outro mais eloquente: \u201cO pa\u00eds em que se encontra tem acesso proibido a esta p\u00e1gina\u201d. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel utilizar o Skype, o Google Earth, ou as plataformas de desenvolvimento colaborativo Google Code e Source Force, ou descarregar livremente os aplicativos do Android. E quando se consegue, a reduzida banda larga torna praticamente imposs\u00edvel trabalhar com um m\u00ednimo de rapidez e efici\u00eancia. Tudo isto por culpa do governo cubano? Em meados do ano passado, o CEO do Google, Eric Schmidt, encabe\u00e7ou uma delega\u00e7\u00e3o que visitou Cuba como resposta \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de que o gigante inform\u00e1tico bloqueava o acesso a seus servi\u00e7os. Depois de comprovar que v\u00e1rios produtos do Google n\u00e3o estavam dispon\u00edveis, Schmidt apontou obliquamente o respons\u00e1vel ao dizer que \u201cas san\u00e7\u00f5es estadunidenses contra Cuba desafiavam a raz\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Terceiro, talvez Oppenheimer tenha raz\u00e3o em seu ceticismo. Por\u00e9m, n\u00e3o por causa de Cuba, mas dos Estados Unidos. Como esquecer que no come\u00e7o de seu primeiro mandato Obama tinha prometido o que voltou a prometer h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas: \u201csuavizar\u201d algumas san\u00e7\u00f5es contempladas para as empresas de inform\u00e1tica que tenham neg\u00f3cios com Cuba? O que foi que ocorreu? Pouco ou nada. Talvez agora seja diferente. A Lei Torricelli, de 1992, permitiu a conex\u00e3o da Internet via sat\u00e9lite, por\u00e9m com uma decisiva restri\u00e7\u00e3o: que cada provis\u00e3o fosse contratada com empresas norte-americanas ou suas subsidi\u00e1rias, com pr\u00e9via aprova\u00e7\u00e3o do Departamento do Tesouro. Este imp\u00f4s estritos limites e estabeleceu san\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias \u2013 por exemplo, multas de 50.000 d\u00f3lares por cada viola\u00e7\u00e3o \u2013 para aqueles que favorecessem, dentro ou fora dos Estados Unidos, o acesso dos cubanos \u00e0 rede. O que fez Obama em mar\u00e7o de 2010, foi eliminar algumas destas san\u00e7\u00f5es, especialmente para as empresas que forne\u00e7am gratuitamente aplicativos de correio eletr\u00f4nico, chat e similares. Apesar disso, em 2012, a sucursal do Panam\u00e1 da companhia Ericsson teve que pagar uma multa de quase dois milh\u00f5es de d\u00f3lares ao Departamento de Com\u00e9rcio dos Estados Unidos por violar as restri\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00e3o de equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o a Cuba. Como sempre: uma de cal, outra de areia. Por isso, a acessibilidade sem restri\u00e7\u00f5es \u00e0 rede continua trope\u00e7ando nos grilh\u00f5es do bloqueio. A \u201cciberguerra\u201d que Washington declarou a Cuba, um pa\u00eds que continua estando escandalosamente inclu\u00eddo na lista dos \u201cpatrocinadores do terrorismo\u201d, continua seu curso. Desta vez Obama cumprir\u00e1 sua promessa? Quem \u00e9 que \u201cpro\u00edbe\u201d o acesso \u00e0 Internet em Cuba?<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/?p=8494<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nAtilio A. 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