{"id":7425,"date":"2015-02-12T15:00:19","date_gmt":"2015-02-12T15:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7425"},"modified":"2015-02-13T18:22:18","modified_gmt":"2015-02-13T18:22:18","slug":"discurso-de-raul-castro-na-ii-cimeira-da-celac","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7425","title":{"rendered":"Discurso de Raul Castro na II Cimeira da CELAC"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Discurso do general do ex\u00e9rcito Raul Castro Ruz, primeiro-secret\u00e1rio do comit\u00e9 central do Partido Comunista de Cuba e presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros na II Cimeira da CELAC, Costa Rica, a 28 de Janeiro de 2015. \u00abAno 57 da Revolu\u00e7\u00e3o\u00bb<\/p>\n<p>\u201cO restabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas [com os EUA] \u00e9 o in\u00edcio de um processo para a normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es bilaterais mas esta n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel enquanto existir o bloqueio, n\u00e3o se devolver o territ\u00f3rio ilegalmente ocupado pela Base Naval de Guant\u00e1namo, n\u00e3o cessarem as transmiss\u00f5es radiais e televisivas violat\u00f3rias das normas internacionais, n\u00e3o haja compensa\u00e7\u00e3o justa para o nosso povo pelos danos humanos e econ\u00f3micos que sofreu.\u201d<\/p>\n<p>Estimado Presidente Lu\u00eds Guillermo Sollis<\/p>\n<p>Estimados chefes de Estado ou de Governo da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n<p>Estimados chefes de Delega\u00e7\u00f5es e convidados que nos acompanham<\/p>\n<p>A nossa Am\u00e9rica encaminhou-se para uma nova \u00e9poca e avan\u00e7ou, desde a cria\u00e7\u00e3o da Comunidade de Estados Latino-americanos e caribenhos, nos seus objectivos de independ\u00eancia, soberania sobre os seus recursos naturais, integra\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem mundial, justi\u00e7a social e democracia do povo, pelo povo e para o povo. Existe hoje um compromisso com a justi\u00e7a e o direito dos povos superior ao de qualquer outro per\u00edodo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Juntos, somos a terceira economia a n\u00edvel mundial, a zona com a segunda maior reserva petrol\u00edfera, a maior biodiversidade do planeta e com uma alta concentra\u00e7\u00e3o de recursos minerais globais.<\/p>\n<p>Desenvolver a unidade na diversidade, a actua\u00e7\u00e3o coligada e o respeito pelas diferen\u00e7as continuar\u00e1 a ser o nosso primeiro prop\u00f3sito e uma necessidade premente porque os problemas do mundo se agravam e persistem grandes perigos e desafios enormes que transcendem as possibilidades nacionais e at\u00e9 sub-regionais.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dec\u00e9nio, as pol\u00edticas econ\u00f3micas e sociais e o crescimento permanente permitiram-nos enfrentar a crise econ\u00f3mica global e possibilitaram uma diminui\u00e7\u00e3o da pobreza, do desemprego, e da distribui\u00e7\u00e3o desigual do or\u00e7amento.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es profundas pol\u00edticas e sociais levadas a cabo em v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o trouxeram a dignidade a milh\u00f5es de fam\u00edlias que sa\u00edram da pobreza. Mas a regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e o Caribe t\u00eam ainda a maior desigualdade do planeta. Uma m\u00e9dia de 20% dos lares com menos dinheiro capta 5% da receita total. 167 milh\u00f5es de pessoas sofrem ainda de pobreza, um em cada cinco menores de 15 anos vive na indig\u00eancia e o n\u00famero de analfabetos supera os 35 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Metade dos nossos jovens n\u00e3o t\u00eam educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria ou o nono grau de ensino, mas no sector de menos receita n\u00e3o o completam em 78%. Dois ter\u00e7os da nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegam \u00e0 universidade.<\/p>\n<p>Crescem as v\u00edtimas do crime organizado e da viol\u00eancia que amea\u00e7am a estabilidade e o progresso das na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Que pensar\u00e3o as dezenas de milh\u00f5es de marginalizados sobre a democracia e os direitos humanos? Qual ser\u00e1 o seu ju\u00edzo sobre os modelos pol\u00edticos? Qual ser\u00e1 a sua opini\u00e3o sobre as leis eleitorais? \u00c9 esta a sociedade civil que preocupa os governos e as organiza\u00e7\u00f5es internacionais? Que diriam se os consultassem sobre as pol\u00edticas econ\u00f3micas e monet\u00e1rias?<\/p>\n<p>Pouco t\u00eam a mostrar \u00e0 nossa regi\u00e3o, nesses aspectos, muitos dos pa\u00edses industrializados onde metade da sua juventude est\u00e1 no desemprego, a crise cai sobre os trabalhadores e os estudantes que s\u00e3o reprimidos, enquanto se protegem os banqueiros, se impede a sindicaliza\u00e7\u00e3o, se paga sal\u00e1rio menor \u00e0s mulheres por trabalho igual, se aplicam pol\u00edticas desumanas contra os imigrantes, cresce o racismo, a xenofobia, o extremismo violento e tend\u00eancias neofascistas, e onde os cidad\u00e3os n\u00e3o votam porque n\u00e3o v\u00eaem alternativas \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica ou sabem que as promessas eleitorais logo s\u00e3o esquecidas.<\/p>\n<p>Para conseguir a chamada inclus\u00e3o social e a sustentabilidade ambiental, teremos de criar uma vis\u00e3o pr\u00f3pria sobre os sistemas econ\u00f3micos, os padr\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e consumo, a rela\u00e7\u00e3o entre o crescimento econ\u00f3mico e o desenvolvimento e, tamb\u00e9m, sobre a efic\u00e1cia dos modelos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Devemos superar as brechas estruturais, assegurar a educa\u00e7\u00e3o gratuita e de alta qualidade, cobertura universal e gratuita de sa\u00fade, seguran\u00e7a social para todos, igualdade de oportunidades, conseguir o exerc\u00edcio pleno de todos os direitos humanos para todos.<\/p>\n<p>Dentro de tais esfor\u00e7os, ser\u00e1 elementar dever a solidariedade e a defesa de interesses do Caribe e especialmente do Haiti.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria uma nova ordem econ\u00f3mica, financeira e monet\u00e1ria internacional, onde tenham lugar e prioridade os interesses e necessidades dos pa\u00edses do Sul e das maiorias, onde n\u00e3o prevale\u00e7am os que imp\u00f5em a concentra\u00e7\u00e3o do capital e o neoliberalismo.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia de Desenvolvimento a partir de 2015 deve oferecer solu\u00e7\u00f5es para os problemas estruturais das economias da regi\u00e3o e gerar mudan\u00e7as que levem ao desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m imprescind\u00edvel construir um mundo de paz, sem o qual \u00e9 imposs\u00edvel o desenvolvimento, regido pelos Princ\u00edpios da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e do Direito Internacional.<\/p>\n<p>A assinatura pelos chefes de Estado e Governo da Proclama\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe como zona de Paz, significou um passo hist\u00f3rico e oferece uma refer\u00eancia para as rela\u00e7\u00f5es entre os nossos Estados e com o resto do mundo.<\/p>\n<p>A solidariedade na Nossa Am\u00e9rica ser\u00e1 decisiva para fazer avan\u00e7ar os interesses comuns.<\/p>\n<p>Expressamos uma en\u00e9rgica condena\u00e7\u00e3o \u00e0s san\u00e7\u00f5es unilaterais inaceit\u00e1veis e injustificadas impostas \u00e0 Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela e \u00e0 continuada interven\u00e7\u00e3o externa a fim de criar um clima de instabilidade nessa na\u00e7\u00e3o irm\u00e3. Cuba que conhece todas essas hist\u00f3rias profundamente por t\u00ea-las sofrido durante mais de 50 anos, reitera o seu apoio mais firme \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana e ao governo leg\u00edtimo do presidente Nicolas Maduro Moros.<\/p>\n<p>Unimo-nos \u00e0 Rep\u00fablica Argentina na sua exig\u00eancia com as ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul e dos espa\u00e7os mar\u00edtimos circundantes. Apoiamos a na\u00e7\u00e3o sul-americana e a sua presidente Cristina Fernandez, que enfrenta os ataques dos fundos especuladores e as decis\u00f5es de tribunais venais, em viola\u00e7\u00e3o da soberania desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Reafirmamos a solidariedade com o povo e governo do Equador, a que preside Rafael Correa, em apoio aos seus pedidos de repara\u00e7\u00e3o pelos danos ambientais provocados pela transnacional Chevron na Amaz\u00f3nia equatoriana.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 dissemos noutras ocasi\u00f5es, a Comunidade estar\u00e1 incompleta enquanto faltar Porto Rico. A sua situa\u00e7\u00e3o colonial \u00e9 inadmiss\u00edvel, e o seu car\u00e1cter latino-americano e caribenho n\u00e3o admite lugar a d\u00favidas.<\/p>\n<p>No processo de paz da Col\u00f4mbia, s\u00e3o significativos os acordos alcan\u00e7ados pelo governo e as for\u00e7as armadas revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia-Ex\u00e9rcito do Povo na mesa de conversa\u00e7\u00f5es que se decorre em Havana. Nunca se avan\u00e7ou tanto no sentido da paz. Cuba, na sua condi\u00e7\u00e3o de garantia e sede dessas conversa\u00e7\u00f5es, continuar\u00e1 a oferecer as facilidades necess\u00e1rias e a contribuir em tudo o que puder para o fim do conflito e a constru\u00e7\u00e3o de uma paz justa e duradoura na Col\u00f4mbia irm\u00e3.<\/p>\n<p>Daremos decidido apoio como at\u00e9 agora, \u00e0 justa reclama\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do Caribe de repara\u00e7\u00e3o pelos danos da escravatura e do colonialismo, assim como nos oporemos decididamente \u00e0 decis\u00e3o de os privar de recursos financeiros imprescind\u00edveis com pretextos tecnocr\u00e1ticos ao pretender consider\u00e1-los de renda m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Saudamos os excelentes progressos alcan\u00e7ados no F\u00f3rum CELAC-China e nos v\u00ednculos da regi\u00e3o com o grupo BRICS.<\/p>\n<p>Reiteramos a preocupa\u00e7\u00e3o pelos enormes e crescentes gastos militares impostos ao mundo pelos Estados Unidos e a OTAN, assim como na tentativa de alargar a presen\u00e7a agressiva desta at\u00e9 \u00e0s fronteiras da R\u00fassia, com a qual temos rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e fraternais, mutuamente proveitosas. Declaramos oposi\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es unilaterais e injustas contra essa na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A crescente agressividade da doutrina militar da OTAN e o desenrolar de guerras n\u00e3o convencionais, que j\u00e1 tiveram consequ\u00eancias devastadoras e sequelas graves, amea\u00e7am a paz e a seguran\u00e7a internacionais.<\/p>\n<p>Para Cuba, o princ\u00edpio de igualdade soberana dos Estados e de autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos \u00e9 irrenunci\u00e1vel.<\/p>\n<p>A Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas deve usar as suas faculdades para preservar a paz e a seguran\u00e7a internacionais perante as duplas rasas, excessos e omiss\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos esperar mais para assegurar \u00e0 Palestina o seu estado de membro pleno, a quem expressamos a solidariedade do povo e do governo cubanos. Deve cessar o veto no Conselho de Seguran\u00e7a para garantir a impunidade aos crimes de Israel.<\/p>\n<p>A \u00c1frica onde est\u00e3o tamb\u00e9m as nossas ra\u00edzes, n\u00e3o precisa de conselhos nem intromiss\u00e3o, mas sim transfer\u00eancia de recursos financeiros, tecnologia e tratamento justo. Defenderemos sempre os interesses leg\u00edtimos das na\u00e7\u00f5es com que lut\u00e1mos ombro a ombro contra o colonialismo e o apartheid e com que mantemos rela\u00e7\u00f5es fraternais e coopera\u00e7\u00e3o. Recordaremos sempre a sua inolvid\u00e1vel solidariedade e apoio.<\/p>\n<p>A voz de Cuba defender\u00e1 sem descanso as causas justas e os interesses dos pa\u00edses do Sul e ser\u00e1 leal aos seus objectivos e posi\u00e7\u00f5es comuns sabendo que a P\u00e1tria \u00e9 a Humanidade. A pol\u00edtica externa da Revolu\u00e7\u00e3o cubana continuar\u00e1 a ser fiel aos seus princ\u00edpios.<\/p>\n<p>Estimados e estimadas colegas:<\/p>\n<p>Em 17 de Dezembro \u00faltimo, regressaram \u00e0 sua p\u00e1tria os lutadores antiterroristas cubanos Gerardo Hernandez, Ramon Laba\u00f1ino e Ant\u00f3nio Guerrero, que juntamente com Fernando Gonzalez e Rene Gonzalez s\u00e3o para n\u00f3s motivo de orgulho e exemplo de firmeza.<\/p>\n<p>O presidente dos Estados Unidos reconheceu o fracasso da pol\u00edtica contra Cuba aplicada por mais de cinquenta anos e o completo isolamento que provocou ao seu pa\u00eds, o dano que o bloqueio ocasiona ao nosso povo e ordenou a revis\u00e3o da inclus\u00e3o obviamente injustific\u00e1vel da ilha na Lista de Pa\u00edses Patrocinadores do Terrorismo Internacional.<\/p>\n<p>Anunciou tamb\u00e9m nesse dia a decis\u00e3o de restabelecer as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas dos Estados Unidos com o nosso governo.<\/p>\n<p>Estas mudan\u00e7as s\u00e3o o resultado de quase s\u00e9culo e meio de luta her\u00f3ica e fidelidade aos princ\u00edpios do povo cubano. Foram tamb\u00e9m poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 nova \u00e9poca que vive a nossa regi\u00e3o e \u00e0 s\u00f3lida e valente oposi\u00e7\u00e3o dos governos e povos da CELAC.<\/p>\n<p>Foram uma reivindica\u00e7\u00e3o para a Nossa Am\u00e9rica que actuou em estreita unidade por esse objectivo na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e em todos os \u00e2mbitos.<\/p>\n<p>Precedidos pela Cimeira do ALBA em Cumana, Venezuela, os debates realizados em 2009 na Cimeira das Am\u00e9ricas em Porto Espanha, Trinidad e Tobago levaram o rec\u00e9m-eleito presidente Obama a iniciar um novo come\u00e7o com Cuba.<\/p>\n<p>Em Cartagena, Col\u00f4mbia, em 2012, houve um grande debate com uma decis\u00e3o un\u00e2nime e categ\u00f3rica contra o bloqueio, ocasi\u00e3o que levou um importante dirigente norte-americano a referir-se \u00e0 mesma como o grande fracasso de Cartagena ou desastre \u2014 o termo exacto \u2014 e se discutiu a exclus\u00e3o de Cuba destes eventos. O Equador, em protesto, decidira ausentar-se. A Venezuela, a Nicar\u00e1gua e a Bol\u00edvia declararam que n\u00e3o assistiriam a outra cimeira sem Cuba e receberam o apoio do Brasil, Argentina e Uruguai. A comunidade do Caribe assumiu postura igual. O M\u00e9xico e as restantes na\u00e7\u00f5es declararam o mesmo.<\/p>\n<p>O presidente do Panam\u00e1, Juan Carlos Varela, antes da sua tomada de posse, fez saber com determina\u00e7\u00e3o que convidaria Cuba com plenos direitos e qualidade de condi\u00e7\u00f5es para a VII Cimeira das Am\u00e9ricas e assim aconteceu. Cuba declarou imediatamente que estaria presente.<\/p>\n<p>Est\u00e1 demonstrada a certeza de Marti quando escreveu que \u00abum princ\u00edpio justo, a partir do fundo de uma cova, pode mais que um ex\u00e9rcito (Aplausos).<\/p>\n<p>A todos os presentes expresso a mais profunda gratid\u00e3o da parte de Cuba.<\/p>\n<p>Aos 188 Estados que votaram contra o bloqueio das Na\u00e7\u00f5es Unidas e aos que fizeram reclama\u00e7\u00f5es semelhantes na Assembleia Geral, cimeiras e confer\u00eancias internacionais e a todos os movimentos populares, for\u00e7as pol\u00edticas, parlamentos e personalidades que se mobilizaram incansavelmente com esse objectivo, agrade\u00e7o sinceramente em nome da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao povo dos Estados Unidos que manifestou oposi\u00e7\u00e3o crescente \u00e0 pol\u00edtica de bloqueio e hostilidade, de mais de cinco d\u00e9cadas, tamb\u00e9m reitero o nosso agradecimento e amistosos sentimentos.<\/p>\n<p>Estes resultados demonstram que governos que t\u00eam profundas diferen\u00e7as podem encontrar solu\u00e7\u00e3o para os problemas mediante um di\u00e1logo respeitoso e interc\u00e2mbios baseados na igualdade soberana e na reciprocidade, em benef\u00edcio das suas respectivas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como tenho reiteradamente afirmado, Cuba e Estados Unidos devem aprender a arte da conviv\u00eancia civilizada, baseada no respeito pelas diferen\u00e7as entre os dois governos e na coopera\u00e7\u00e3o em temas de interesse comum, que contribua para a solu\u00e7\u00e3o dos desafios que enfrentam no hemisf\u00e9rio e no mundo.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se deve pretender que para isso Cuba tenha de renunciar aos seus ideais de independ\u00eancia e justi\u00e7a social, nem claudicar num s\u00f3 dos nossos princ\u00edpios, nem ceder um mil\u00edmetro na defesa da soberania nacional.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos deixaremos provocar, mas tamb\u00e9m n\u00e3o aceitaremos nenhuma pretens\u00e3o de aconselhar nem pressionar no caso dos nossos assuntos internos. Ganh\u00e1mos esse direito soberano com grandes sacrif\u00edcios e ao pre\u00e7o dos maiores riscos.<\/p>\n<p>Acaso poderiam restabelecer-se as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas sem renovar os servi\u00e7os financeiros \u00e0 Sec\u00e7\u00e3o de interesses de Cuba e o seu consulado em Washington encerrados como consequ\u00eancia do bloqueio financeiro? Como explicar o restabelecimento de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas sem que se retire Cuba da lista de estados patrocinadores do terrorismo internacional? Qual ser\u00e1 a partir de agora, a conduta dos diplomatas norte-americanos em Havana a respeito das normas que estabelecem as conven\u00e7\u00f5es internacionais para as Rela\u00e7\u00f5es Diplom\u00e1ticas e Consulares? \u00c9 o que a nossa delega\u00e7\u00e3o declarou ao departamento de Estado, nas conversa\u00e7\u00f5es bilaterais da semana passada e tem de haver mais reuni\u00f5es para tratar desses temas.<\/p>\n<p>Partilhamos com o presidente dos Estados Unidos a disposi\u00e7\u00e3o de avan\u00e7ar para a normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es bilaterais, quando forem restabelecidas as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, o que implica adoptar medidas m\u00fatuas para melhorar o clima entre os dois pa\u00edses, resolver outros problemas pendentes e avan\u00e7ar na coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o actual abre, modestamente, uma oportunidade ao hemisf\u00e9rio de encontrar novas e superiores formas de coopera\u00e7\u00e3o que conv\u00eam \u00e0s duas Am\u00e9ricas. Isso permitir\u00e1 resolver problemas fundamentais e abrir novos caminhos.<\/p>\n<p>O texto da Proclama\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e o Caribe como Zona de Paz constitui a plataforma indispens\u00e1vel para isso, inclu\u00eddo o reconhecimento de que todo o Estado tem o direito inalien\u00e1vel de eleger o sistema pol\u00edtico, econ\u00f3mico, social e cultural, sem inger\u00eancia de qualquer forma por parte de outro Estado, o que constitui um princ\u00edpio inalien\u00e1vel do Direito Internacional.<\/p>\n<p>O problema principal n\u00e3o foi resolvido. O bloqueio econ\u00f3mico, comercial e financeiro, que provoca enormes danos humanos e econ\u00f3micos e \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o do Direito Internacional deve cessar.<\/p>\n<p>Recordando o memorando do subsecret\u00e1rio Mallory, de Abril de 1960, que, \u00e0 falta de uma oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica efectiva, apelava ao objectivo de criar em Cuba fome, desespero e sofrimento para provocar a derrubada do governo revolucion\u00e1rio. Agora, tudo parece indicar que o objectivo \u00e9 fomentar uma oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica artificial por meios econ\u00f3micos, pol\u00edticos e de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O restabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas \u00e9 o in\u00edcio de um processo para a normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es bilaterais mas esta n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel enquanto existir o bloqueio, n\u00e3o se devolver o territ\u00f3rio ilegalmente ocupado pela Base Naval de Guant\u00e1namo (Aplausos), n\u00e3o cessarem as transmiss\u00f5es radiais e televisivas violat\u00f3rias das normas internacionais, n\u00e3o haja compensa\u00e7\u00e3o justa para o nosso povo pelos danos humanos e econ\u00f3micos que sofreu.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria \u00e9tico, justo nem aceit\u00e1vel que nada se pedisse a Cuba em troca. Se estes problemas n\u00e3o se resolverem, esta aproxima\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica entre Cuba e os Estados Unidos n\u00e3o teria sentido.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode esperar que Cuba aceite negociar os aspectos mencionados pelos nossos assuntos internos, absolutamente soberanos.<\/p>\n<p>Pode-se avan\u00e7ar nesta recente negocia\u00e7\u00e3o porque nos tratamos reciprocamente com respeito, como iguais. Para continuar ter\u00e1 que ser assim.<\/p>\n<p>Temos seguido com aten\u00e7\u00e3o o an\u00fancio do presidente dos Estados Unidos de algumas decis\u00f5es executivas para modificar certos aspectos da aplica\u00e7\u00e3o do bloqueio.<\/p>\n<p>As medidas publicadas s\u00e3o muito limitadas. Persistem a proibi\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos, do uso do d\u00f3lar nas nossas transac\u00e7\u00f5es financeiras internacionais; impedem-se as viagens individuais de norte-americanos sob licen\u00e7a dos chamados interc\u00e2mbios \u00abpovo a povo\u00bb condicionam-se estes a fins subversivos e impedem-se tamb\u00e9m que viajem por via mar\u00edtima. Continua proibida a aquisi\u00e7\u00e3o noutros mercados de equipas e tecnologias que tenham mais de 10% de componentes norte-americanos e as importa\u00e7\u00f5es pelos Estados Unidos de mercadorias que contenham mat\u00e9rias-primas cubanas, entre muitas outras.<\/p>\n<p>O presidente Barack Obama poderia utilizar com determina\u00e7\u00e3o as suas amplas faculdades executivas para modificar substancialmente a aplica\u00e7\u00e3o do bloqueio, o que est\u00e1 nas suas m\u00e3os fazer, mesmo sem a decis\u00e3o do Congresso.<\/p>\n<p>Podia permitir noutros sectores da economia tudo o que autorizou no \u00e2mbito das telecomunica\u00e7\u00f5es com objectivos evidentes de influ\u00eancia pol\u00edtica em Cuba.<\/p>\n<p>Foi significativa a sua decis\u00e3o de manter um debate com o Congresso com o objectivo da elimina\u00e7\u00e3o do bloqueio.<\/p>\n<p>Os porta-vozes do governo norte-americano foram claros em precisar que mudam agora os m\u00e9todos, mas n\u00e3o os objectivos da pol\u00edtica, e insistem em actos de inger\u00eancia nos nossos assuntos internos que n\u00e3o vamos aceitar. As contrapartidas norte-americanas n\u00e3o deveriam pretender relacionar-se com a sociedade cubana como se em Cuba n\u00e3o houvesse um governo soberano (Aplausos).<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m poderia sonhar que a nova pol\u00edtica que se anuncia aceite a exist\u00eancia de uma Revolu\u00e7\u00e3o socialista a 90 milhas da Florida.<\/p>\n<p>Deseja-se que na Cimeira das Am\u00e9ricas do Panam\u00e1 esteja a chamada sociedade civil e isso \u00e9 que Cuba sempre compartilhou. Protestamos pelo que ocorreu na Confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Com\u00e9rcio em Seattle, nas cimeiras das Am\u00e9ricas de Miami e Qu\u00e9bec, na Cimeira de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica de Copenhague e quando se re\u00fane o G-7 ou o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, atr\u00e1s de cercas de a\u00e7o, sob uma repress\u00e3o brutal policial, confinada a dezenas de quil\u00f3metros dos eventos.<\/p>\n<p>Claro que a sociedade civil cubana assistir\u00e1 e eu espero que n\u00e3o haja restri\u00e7\u00f5es para as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais do nosso pa\u00eds que obviamente n\u00e3o tenham nem lhes interessa ter nenhum estatuto na CEA mas que contam com o reconhecimento da ONU.<\/p>\n<p>Espero poder ver no Panam\u00e1 os movimentos populares e as Organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais que advogam o desarmamento nuclear, ambientalistas, contra o neoliberalismo, os Occupy Wall Street e os indignados desta regi\u00e3o, os estudantes universit\u00e1rios e secund\u00e1rios, os camponeses, os sindicatos, as comunidades origin\u00e1rias, as organiza\u00e7\u00f5es que se op\u00f5em \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o dos xistos, as defensoras dos direitos dos imigrantes, as que denunciam a tortura, as execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais, a brutalidade policial, as pr\u00e1ticas racistas, as que reclamam para as mulheres sal\u00e1rio igual por trabalho igual, as que exigem repara\u00e7\u00e3o pelos danos \u00e0s companhias transnacionais.<\/p>\n<p>Mas os an\u00fancios realizados a 17 de Dezembro concitaram reconhecimento mundial e o presidente Obama recebeu por isso muito amplo apoio no seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Algumas for\u00e7as nos Estados Unidos tratam de abortar este processo que come\u00e7a. S\u00e3o os mesmos inimigos de uma rela\u00e7\u00e3o justa dos Estados Unidos com a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, s\u00e3o os que entorpecem as rela\u00e7\u00f5es bilaterais de muitos pa\u00edses da nossa regi\u00e3o com essa na\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os que chantageiam e pressionam sempre.<\/p>\n<p>Sabemos que o fim do bloqueio ser\u00e1 um caminho longo e dif\u00edcil que vai requerer o apoio, a mobiliza\u00e7\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o firme de todas as pessoas de boa vontade nos Estados Unidos e no mundo, da aprova\u00e7\u00e3o por parte da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas na sua pr\u00f3xima sess\u00e3o, da resolu\u00e7\u00e3o que reclama p\u00f4r-lhe fim e muito em especial da ac\u00e7\u00e3o concertada da Nossa Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Estimados chefes de Estado e de Governo<\/p>\n<p>Estimados Amigos<\/p>\n<p>Felicitamos a Costa Rica, o presidente Solis e o seu governo pelo trabalho desempenhado na CELAC. Damos as boas vindas e prestaremos pleno apoio ao Equador e ao presidente Correa que preside \u00e0 Comunidade em 2015.<\/p>\n<p>Obrigado (Aplausos).<\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/?p=3553<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7425\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-7425","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c58-cuba"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1VL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7425"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7425\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}