{"id":7471,"date":"2015-03-02T16:31:10","date_gmt":"2015-03-02T16:31:10","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7471"},"modified":"2015-03-02T16:31:10","modified_gmt":"2015-03-02T16:31:10","slug":"le-droit-a-la-ville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7471","title":{"rendered":"LE DROIT \u00c0 LA VILLE"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Frank Svensson<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o quero vos impor a leitura do texto que encaminhei a este Col\u00f3quio. Trata-se de um modesto adendo a <em>l\u2019Introduction a la modernit\u00e9 e <\/em>\u00e9 uma homenagem que devo a Lefebvre, uma quest\u00e3o entre mim e ele. \u00c9 ainda uma refer\u00eancia para situar o porqu\u00ea que o quero dizer: Nem sempre entendi o que ele como marxista pensa sobre o <em>Direito \u00e0 Cidade<\/em>, e n\u00e3o cesso de me opor \u00e0 quem insiste nesse t\u00e3o raso enunciado.<\/p>\n<p>Devo, em parte, a Lefebvre haver aprendido que, por Marx e Engels, a cidade n\u00e3o tem futuro. Pelos pais fundadores, cuja aud\u00e1cia inibe muitos marxistas <em>em cima do muro<\/em>, a separa\u00e7\u00e3o entre a cidade e o campo mutila e bloqueia a totalidade social.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 a proje\u00e7\u00e3o sobre o territ\u00f3rio, da divis\u00e3o social do trabalho. Ela leva \u00e0 divis\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em classes. Com que resultado? A aliena\u00e7\u00e3o geral. Subordinado \u00e0 divis\u00e3o do trabalho o individuo \u00e9 submetido a situa\u00e7\u00f5es e atividades que interrompem sua humaniza\u00e7\u00e3o. De um lado o campo invadido, do outro a imagem urbana degradada se dissociam. Al\u00e9m disso, a grande ind\u00fastria, as exig\u00eancias de mercado e de produtividade ajudam a dissociar o econ\u00f4mico e o social. Como sair desse impasse?<\/p>\n<p>Certamente eliminando a propriedade privada, constituindo uma economia em comum sobre base associativa na pr\u00e1tica, que fa\u00e7a desaparecer as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mas principalmente ultrapassar a divis\u00e3o do trabalho. Tal revolu\u00e7\u00e3o sup\u00f5e a supress\u00e3o da cidade e do campo. Qualquer coisa dif\u00edcil de se imaginar que n\u00e3o ser\u00e1 nem cidade nem campo. Utopia de intelectuais assustados por Manchester e pela mis\u00e9ria dos camponeses de Macklenburg ? Esse n\u00e3o foi o enfoque de Lefebvre. Ent\u00e3o porque sua luta pelo direito \u00e0 cidade? Um direito que lhe veio ao esp\u00edrito pensando nas popula\u00e7\u00f5es suburbanas, na segrega\u00e7\u00e3o, na solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Pois sim Dionis\u00edacos, surpreender-vos-ei por constatar que aos olhos do fil\u00f3sofo da rua Rambuteau<strong><sup>1 <\/sup><\/strong>n\u00e3o sois vistos como cidad\u00e3os plenos, e que haja inspirado arquitetos durante d\u00e9cadas a vos prometer: <em>Agora vos proporcionaremos uma cidade de verdade.<\/em><\/p>\n<p>O direito \u00e0 cidade, Lefebvre definiu da seguinte maneira: <em>&#8230; significa o direito dos cidad\u00e3os urbanos, e dos grupos que constituem, participar de todas as redes e circuitos de comunica\u00e7\u00e3o, de informa\u00e7\u00e3o, de interc\u00e2mbios. O que n\u00e3o depende nem de uma ideologia urban\u00edstica nem de alguma interven\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica, mas de uma qualidade ou propriedade essencial do espa\u00e7o urbano: \u201ca centralidade\u201d. Nenhuma realidade urbana, afirmamos aqui e alhures, sem um centro:<\/em> <em>sem a reuni\u00e3o de tudo que possa nascer e se produzir no espa\u00e7o, sem a reuni\u00e3o atual ou poss\u00edvel de todos os objetos e sujeitos. O direito \u00e0 cidade estipula igualmente que o encontro e acumula\u00e7\u00e3o dos lugares e objetos devem corresponder a certas necessidades geralmente desconsi-deradas, a certas fun\u00e7\u00f5es transfuncionais: a necessidade de vida social e do outrem, a necessidade de fun\u00e7\u00f5es l\u00fadicas, a fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do espa\u00e7o &#8230; .<\/em><\/p>\n<p>O \u00fanico meio concreto invocado por Lefebvre para fazer avan\u00e7ar o direito \u00e0 cidade consiste em interferir nos interst\u00edcios entre o im\u00f3vel e o conjunto urbano, ao n\u00edvel macro arquitetural e micro urban\u00edstico. Nesse n\u00edvel, afirma ele, se situam as pesquisas de alguns dos mais eminentes arquitetos da \u00e9poca.<strong><sup>4 <\/sup><\/strong><\/p>\n<p>E qual nome menciona? Ricardo Bofill o maior mistificador de toda a hist\u00f3ria da arquitetura. Evidentemente Lefebvre teria feito melhor em se abster sobre o assunto. Ocultou o que h\u00e1 de fulgurante nos fundadores do socialismo cient\u00edfico sobre a quest\u00e3o urbana. Somou uma quest\u00e3o moral a uma pol\u00edtica urban\u00edstica retr\u00f3grada. Perdeu-se numa vis\u00e3o anacr\u00f4nica de centralidade urbana quando as cidades se interligam umas \u00e0s outras, fundindo-se em regi\u00f5es urbanizadas, quando os centros se diluem perdendo sua funcionalidade de origem. Um direito \u00e0 cidade em n\u00e9voas urbanas nas quais as cidades se transformam em pseudo-cidades.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-Bc8wx0Mmlxc\/UXsETn_MMdI\/AAAAAAAAAaw\/pZGpkAfPpfo\/s400\/Imagem%2B%28628%29.jpg?w=747\" border=\"0\" align=\"right\" \/><\/p>\n<p>Sinto-me particularmente atingido por ser um pouco respons\u00e1vel. Fui, com a camarada Anne Marie Karlen de Genebra, um dos primeiros a encorajarem Lefebvre a tomar a quest\u00e3o urbana em considera\u00e7\u00e3o. Houve, em seguida a exclus\u00e3o, maio 68, um outro Lefebvre, e o direito \u00e0 cidade j\u00e1 era. Um encadeamento que talvez n\u00e3o seja t\u00e3o estranho que se me tornou um s\u00e9rio problema. Ajudai-me a v\u00ea-lo com clareza. Agrade\u00e7o penhoradamente.<\/p>\n<p><em>Primeira ilustra\u00e7\u00e3o: Henri Lefebvre<\/em><\/p>\n<p><em>Segunda ilustra\u00e7\u00e3o: R. Bofill. Quartier de la Sourderie; Saint-Quentin en Ivelines, 1980. <\/em><\/p>\n<p><strong>Notas :<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>1 \u2013 Lefebvre, Henri: <em>Espace et politique \u2013 Le droit \u00e0 la ville II<\/em>. Paris. Anthropos 1972. P.144.<\/p>\n<p>2 \u2013 Domicile de Henri Lefebvre au coeur de Paris.<\/p>\n<p>3 \u2013 Op. cit. 1, pp. 21-22.<\/p>\n<p>4 \u2013 Op. cit. 1, p, 158.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/franksvensson.blogspot.com.br\/2013\/04\/le-droit-la-ville-intervencao.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nInterven\u00e7\u00e3o apresentada por Claude Schnaidt \u2013 Col\u00f3quio: Traces de futurs \u2013 Henri Lefebvre \u2013 St. Denis, 4 de junho de 1994\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7471\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-7471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Wv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7471\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}