{"id":7474,"date":"2015-03-02T16:57:46","date_gmt":"2015-03-02T16:57:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7474"},"modified":"2015-03-02T17:09:56","modified_gmt":"2015-03-02T17:09:56","slug":"basta-de-falsas-ilusoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7474","title":{"rendered":"Basta de falsas ilus\u00f5es!"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->A \u201cesquerda\u201d vive tempos convulsos. N\u00e3o existe dia em que n\u00e3o tomamos caf\u00e9 da manh\u00e3 com uma nova not\u00edcia sobre expuls\u00f5es, cis\u00f5es e novas plataformas. Desde o Podemos at\u00e9 o PSOE, passando pelas equivocadas fileiras da Izquierda Unida [Esquerda Unida] e do PCE, se sucedem as mudan\u00e7as e os novos alinhamentos. Pablo Iglesias, Alberto Garz\u00f3n, Monedero, Tania S\u00e1nchez, Mauricio Valiente, Ada Colau, \u00c1ngel P\u00e9rez, Tom\u00e1s G\u00f3mez, Pedro S\u00e1nchez&#8230;; personagens que participam diariamente da vida de milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras atrav\u00e9s das telas de plasma, p\u00e1ginas de jornal, emissoras de r\u00e1dio e redes sociais.<\/p>\n<p><strong>O gatopardismo e a \u201ccrise do regime de 78\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>A \u201conda de ilus\u00e3o\u201d, a \u201cmudan\u00e7a irrefre\u00e1vel\u201d, a \u201cconverg\u00eancia\u201d e as candidaturas da \u201cunidade popular\u201d se apresentam diariamente na forma de reality show. Por\u00e9m, o fen\u00f4meno n\u00e3o afeta apenas a margem esquerda do capitalismo espanhol. Pelo flanco direito, historicamente afetado por uma apatia patol\u00f3gica, entram tamb\u00e9m em cena novos atores. Albert Rivera e o fen\u00f4meno Ciudadanos [Cidad\u00e3os], seguem mimeticamente o manual empregado meses atr\u00e1s com o Podemos e Pablo Iglesias: telegenia, juventude, transversalidade&#8230; E uma bandeira perfeitamente estudada a servi\u00e7o de uma \u201cmudan\u00e7a\u201d calculada. A crise na c\u00fapula capitalista, consequ\u00eancia da crise em sua base econ\u00f4mica, faz com que as classes dominantes se coloquem em marcha para dirigir essa \u201cmudan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Poderia citar Lenin para descrever o processo vivido pela pol\u00edtica espanhola, por\u00e9m creio que a maneira mais gr\u00e1fica de faz\u00ea-lo est\u00e1 em \u2019El gatopardo\u201d, quando o personagem Tancredi exp\u00f5e a seu tio Fabricio: \u201cse queremos que tudo continue como est\u00e1, \u00e9 necess\u00e1rio que tudo mude\u201d. \u201cE agora, o que acontecer\u00e1? Bah! Negocia\u00e7\u00f5es costuradas de tiroteios in\u00f3cuos e, depois, tudo ser\u00e1 igual apesar de tudo ter mudado\u201d, \u201c&#8230; uma dessas batalhas que se lidera, para que todo continue como est\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>O \u00fanico assunto n\u00e3o contemplado pelos escritores deste reality \u00e9 que os atores secund\u00e1rios do processo s\u00e3o pessoas de carne e osso: desempregados, jovens de quem se rouba o futuro, oper\u00e1rios e oper\u00e1rias explorados at\u00e9 a exaust\u00e3o, pessoas expulsas de sua casa, trabalhadores imigrantes parados com vaias, cacetetes e balas de borracha&#8230;, com cujas ilus\u00f5es se joga um dia ap\u00f3s o outro.<\/p>\n<p>Se existe algo em que estamos de acordo com os fotog\u00eanicos atores do novo gatopardismo \u00e9 que \u201co regime de 78\u201d est\u00e1 em crise. E o que foi esse regime sen\u00e3o a nova forma de domina\u00e7\u00e3o adotada pelo capitalismo espanhol no momento hist\u00f3rico j\u00e1 que, ap\u00f3s d\u00e9cadas de terror, o franquismo tinha deixado de servir aos interesses dos monop\u00f3lios? Um momento no qual, assim como nos nossos dias, a \u201cmudan\u00e7a\u201d tornou-se moda e, entre outras coisas, pactuou-se um sistema eleitoral de bipartidarismo imperfeito no qual \u201ctodos tinham um lugar\u201d sob o \u201cguarda-chuva democr\u00e1tico\u201d da Monarquia, afian\u00e7ado posteriormente em 23 de fevereiro.<\/p>\n<p><strong>Crise bipartid\u00e1ria e \u201cconvergencia\u201d. <\/strong><\/p>\n<p>A ansiada \u201cruptura democr\u00e1tica\u201d se transformou em ren\u00fancia, compromisso e transi\u00e7\u00e3o de uma forma de domina\u00e7\u00e3o para outra. \u00c9 que a realidade \u00e9 teimosa e as crises capitalistas continuam sendo c\u00edclicas e cada vez mais intensas. A riqueza de uns se acumula explorando outros e depois d\u00e9cadas de moderniza\u00e7\u00e3o do capitalismo espanhol, acompanhado de uma impudica orgia de corrup\u00e7\u00e3o e roubo massivo, o pilar bipartidarista se cambaleia diante da escassez crescente de nosso sofrido povo.<\/p>\n<p>Novamente, \u00e9 necess\u00e1ria uma \u201cmudan\u00e7a\u201d e, pela \u201cesquerda\u201d, se sucedem os movimentos. O PSOE resiste a seguir os passos do grego PASOK e busca novos atores-estrela para manter o barco flutuando. Na Izquierda Unida se pinta um quadro no qual n\u00e3o \u00e9 Saturno quem devora seus filhos, mas s\u00e3o os filhos que devoram Saturno. E nesta \u201csegunda transi\u00e7\u00e3o\u201d o oper\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 na moda. A imagem de sindicalista e de l\u00edder de bairro n\u00e3o vende como em 1978, entre outras coisas, porque hoje n\u00e3o se parte dos quarenta anos da heroica luta antifascista, encabe\u00e7ada pela classe trabalhadora, mas dos trinta anos da trai\u00e7\u00e3o a essa causa e do predom\u00ednio de uma corrupta e vendida aristocracia oper\u00e1ria, t\u00e3o bem representada pelas submissas c\u00fapulas sindicais e o reformismo pol\u00edtico. Portanto, quem em seu momento foi pe\u00e7a fundamental da \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d, o PCE eurocomunista, \u00e9 atirado \u00e0 lixeira da hist\u00f3ria e tratado como cachorro morto, uma vez cumprido seu triste papel e, inclusive, \u00e9 exclu\u00eddo das assembleias de converg\u00eancia, como recentemente ocorreu em Oviedo. O que hoje vende \u00e9 outra coisa, algo mais parecido com o que, anteriormente, foi a anticomunista nova esquerda, por\u00e9m mais jovem, mais poliglota, cosmopolita e profissional. Um verdadeiro distanciamento da classe no qual, no campo popular, a velha e corrompida aristocracia oper\u00e1ria \u00e9 removida dos postos de comando por uma raivosa e amplamente preparada pequena burguesia urbana.<\/p>\n<p>Assim, o processo de \u201cconflu\u00eancia\u201d se converte em um reagrupamento sob as bandeiras neossocialdemocratas, as quais, com irris\u00f3rias resist\u00eancias, a velha guarda eurocomunista se dobra. Isso, a sua maneira, dando um tiro ap\u00f3s outro nos p\u00e9s, com uma constante fuga para Podemos \u2013 Ganemos, ou como queiram chamar, em forma de conta-gotas e, \u00e0s vezes, de jorro, e tudo isso sob o aplauso de Gerardo Iglesias, Julio Anguita e algum outro l\u00edder do naufr\u00e1gio eurocomunista, que veem como esses jovens t\u00e3o preparados podem agora culminar seu velho projeto, cristalizado tempo antes e com maior lucidez pelo senhor Santiago Carrillo no \u201cEurocomunismo e Estado\u201d.<\/p>\n<p>O reality show conta, de vez em quando, com alguns convidados-estrela. V\u00e3o dos v\u00e1rios intelectuais progressistas, quanto mais anglo-sax\u00f5es ou n\u00f3rdicos melhor, ao guru do Syriza, a estrela do Partido da Izquierda Europea&#8230; Alexis Tsipras. Tsipras \u00e9 o novo menino da moda e os dirigentes da IU e Podemos competem at\u00e9 o rid\u00edculo para ver quem se parece mais com o Syriza e quem faz mais fotos com o dirigente europeu da nova socialdemocracia. O problema do convidado-estrela \u00e9 que a trag\u00e9dia grega avan\u00e7a com rapidez pela via de sentido \u00fanico da Uni\u00e3o Europeia do capital e da guerra. Por isso, alguns aqui tratam de separar-se do que seus camaradas fazem em terras hel\u00eanicas e repetem cada vez mais que a Gr\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 Espanha.<\/p>\n<p>O polif\u00f4nico coro da \u201cconverg\u00eancia\u201d se completa com uma pl\u00eaiade de arrependidos e convertidos que atuam como camisas vermelhas do processo gatopardista e atacam a conduta da milit\u00e2ncia comunista, como sempre, como dogm\u00e1tica e sect\u00e1ria. S\u00e3o os mesmos que viram nascer os \u201csovietes\u201d nas pra\u00e7as, de volta ao 15 de maio de 2011, e que consequentemente veem nos processos de converg\u00eancia o germe de uma Frente Popular, o que na realidade apenas existe nos mais subjetivos rec\u00f4ncavos de sua pr\u00f3pria frustra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mestre da t\u00e1tica flex\u00edvel, g\u00eanios das mil etapas, que de vez em quando devem comparar seus pr\u00f3prios sonhos com a realidade ou reconhecer aberta e honestamente que cruzaram definitivamente o Rubic\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Um caminho sem sa\u00edda, um jogo com a ilus\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Um dos recursos mais habituais do oportunismo intelectual da socialdemocracia, seja mais ou menos nova, \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita entre economia e pol\u00edtica. \u00c9 a\u00ed onde se joga impudicamente com as ilus\u00f5es de milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas. A nova socialdemocracia tamb\u00e9m n\u00e3o se contrap\u00f5e ao capitalismo. Seus dirigentes sabem perfeitamente que, sem derrotar o poder dos monop\u00f3lios, as medidas pol\u00edticas que prop\u00f5em s\u00e3o cantos da sereia dirigidos a receber votos \u2013 e tamb\u00e9m os sonhos \u2013 de um povo que sofre e que aspira viver dignamente. Sabem que se o poder lhes d\u00e1 certa margem de atua\u00e7\u00e3o, muito generosa nestes momentos, \u00e9 precisamente porque nas condi\u00e7\u00f5es de crise capitalista o oportunismo de ontem e de hoje atua como v\u00e1lvula de seguran\u00e7a do pr\u00f3prio sistema. Esse mesmo sistema que os novos socialdemocratas embelezam diariamente, gerando a falsa ilus\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel uma democracia capitalista sem ditadura da classe dominante, a falsa ilus\u00e3o de crer na utopia de dar marcha-r\u00e9 na hist\u00f3ria e, de reforma em reforma, reverter o atual processo imperialista para chegar a uma idealizada fase pr\u00e9-monopolista do capitalismo. \u00c9 a alternativa recomendada do poder dos monop\u00f3lios, precisamente porque \u00e9 a \u201cilus\u00e3o\u201d das pessoas que querem encerrar nos par\u00e2metros do aceit\u00e1vel pelo poder, e \u201cimagina\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o lhes falta. Ou, dito mais cruelmente, \u00e9 utilizada imaginativamente a ilus\u00e3o das pessoas como querem chegar ao governo para servir ao poder, oferecendo uma gest\u00e3o socialdemocracia que se fa\u00e7a de alternativa \u00e0 gest\u00e3o neoliberal representada pela direita e a velha socialdemocracia.<\/p>\n<p><strong>Nenhuma toler\u00e2ncia com o oportunismo e a nova socialdemocracia.<\/strong><\/p>\n<p>Por todas estas raz\u00f5es e, apesar das velhas e novas acusa\u00e7\u00f5es de dogmatismo e sectarismo, ante as quais por for\u00e7a do costume esbo\u00e7amos adiantadamente um amplo sorriso, hoje afirmamos que n\u00e3o podem existir toler\u00e2ncia nem coexist\u00eancia alguma com o oportunismo e a nova socialdemocracia, e \u00e9 uma necessidade que a vanguarda ideol\u00f3gica, pol\u00edtica e organizativa da classe oper\u00e1ria se expresse de forma distinta atrav\u00e9s do Partido Comunista.<\/p>\n<p>Ruptura com a UE, com o Euro e a OTAN, socializa\u00e7\u00e3o dos setores fundamentais da economia e poder da classe oper\u00e1ria. Luta de classe e organiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as oper\u00e1rias e populares em uma alian\u00e7a, em uma frente oper\u00e1ria e popular que aponte a sa\u00edda socialista\u2013comunista frente \u00e0 barb\u00e1rie capitalista. Nesse caminho, estamos todos unidos. E ao mesmo tempo, lutamos abertamente contra aqueles que pretendem apartar a classe oper\u00e1ria desse caminho e conduzi-la, de novo, ao p\u00e2ntano capitalista da concilia\u00e7\u00e3o de classes, por tr\u00e1s de bandeiras estrangeiras e de falsas ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>Combatendo a nova socialdemocracia!<\/p>\n<p>R.M.T.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/unidadylucha.es\/index.php\/actualidad\/1312-basta-de-falsas-ilusiones-ilusiones-nueva-socialdemocracia-y-convulsion-en-la<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7474\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[97],"tags":[],"class_list":["post-7474","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c110-espanha"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Wy","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7474\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}