{"id":7489,"date":"2015-03-07T16:06:17","date_gmt":"2015-03-07T16:06:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7489"},"modified":"2015-03-07T16:06:17","modified_gmt":"2015-03-07T16:06:17","slug":"ucrania-pais-colonizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7489","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia, pa\u00eds colonizado"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Um ano ap\u00f3s posse de governo pr\u00f3-Ocidental, pa\u00eds privatiza \u00e1gua e energia, vende melhores terras a estrangeiros, convoca transnacionais do agroneg\u00f3cio e flerta com libera\u00e7\u00e3o de transg\u00eanicos<\/em><\/p>\n<p>Por <strong>Fr\u00e9d\u00e9ric Mousseau*<\/strong>, no <a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/economia\/ucrania-na-mira-das-corporacoes-ocidentais\/\" target=\"_blank\"><em>Envolverde<\/em><\/a><\/p>\n<p>O novo governo da Ucr\u00e2nia, iniciado no dia 2 de dezembro, tem o mais firme apoio das pot\u00eancias ocidentais e \u00e9 o \u00fanico no mundo em algo: tr\u00eas de seus mais importantes ministros nasceram no estrangeiro e receberam a cidadania ucraniana horas antes de assumirem seus cargos.<\/p>\n<p>A ministra de Finan\u00e7as \u00e9 Natalie Jaresko, uma empres\u00e1ria nascida nos Estados Unidos, que reside na Ucr\u00e2nia desde meados da d\u00e9cada de 1990 e administra o Horizon Capital, um fundo de investimentos de capitais ocidentais.<\/p>\n<p>Essa incomum presen\u00e7a de estrangeiros no governo de Kiev \u00e9 coerente com o predom\u00ednio que os interesses ocidentais adquiriram sobre a economia ucraniana.<\/p>\n<p>O Oakland Institute documentou essa transforma\u00e7\u00e3o em dois recentes informes, o primeiro sobre a presen\u00e7a do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e do Banco Mundial no conflito da Ucr\u00e2nia (<em>Walking on the West Side: The World Bank and the IMF in the Ukraine Conflict<\/em>) e o mais recente sobre a penetra\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es ocidentais na agricultura ucraniana (<em>The Corporate Takeover of Ukrainian Agriculture<\/em>).<\/p>\n<p>O principal fator da crise que desencadeou uma onda de protestos e for\u00e7ou a ren\u00fancia do presidente Viktor Yanukovich, em fevereiro de 2014, foi sua rejei\u00e7\u00e3o a um acordo de associa\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia (UE), concebido para expandir o com\u00e9rcio bilateral e integrar a economia da Ucr\u00e2nia a esse bloco. O acordo estava vinculado com cr\u00e9dito de US$ 17 bilh\u00f5es do FMI.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o afastamento de Yanukovich e a instala\u00e7\u00e3o de um governo pr\u00f3-ocidental, o FMI iniciou um programa de reformas voltado a incentivar os investimentos privados no pa\u00eds. O pacote de medidas inclu\u00eda a privatiza\u00e7\u00e3o do fornecimento de \u00e1gua e energia e dava enorme import\u00e2ncia ao que o Banco Mundial identificava como \u201cas ra\u00edzes estruturais\u201d da atual crise econ\u00f4mica ucraniana, em primeiro lugar os elevados custos das empresas privadas.<\/p>\n<p>A agricultura foi o objetivo principal dos investimentos estrangeiros na Ucr\u00e2nia e \u00e9 considerada pelo FMI e pelo Banco Mundial como o setor priorit\u00e1rio do programa de reformas.<\/p>\n<p>As duas institui\u00e7\u00f5es exaltam a rapidez com que o governo seguiu seus conselhos. Por exemplo, o programa de reformas receitado \u00e0 Ucr\u00e2nia inclu\u00eda a facilita\u00e7\u00e3o da aquisi\u00e7\u00e3o de terras agr\u00edcolas, a elimina\u00e7\u00e3o de controles e regulamenta\u00e7\u00f5es sobre a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e a redu\u00e7\u00e3o de impostos e de direitos aduaneiros.<\/p>\n<p>Bastam poucos dados para descrever a magnitude da agricultura ucraniana: \u00e9 o terceiro exportador mundial de milho, quinto exportador mundial de trigo, e tem 32 milh\u00f5es de hectares de terra cultiv\u00e1veis, equivalentes a um ter\u00e7o do total da terra produtiva da UE. O controle do sistema agr\u00edcola ucraniano \u00e9 um fator fundamental na luta que aconteceu no \u00faltimo ano no contexto do maior conflito Leste-Oeste desde o fim da Guerra Fria.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a das corpora\u00e7\u00f5es estrangeiras na agricultura da Ucr\u00e2nia se estendeu rapidamente, j\u00e1 que nestes \u00faltimos anos compraram 1,6 milh\u00e3o de hectares.<\/p>\n<p>Embora empresas como as norte-americanas Monsanto, Cargill e DuPont estejam na Ucr\u00e2nia h\u00e1 muito tempo, seus investimentos no pa\u00eds cresceram recentemente.<\/p>\n<p>A Cargill produz pesticidas, sementes, fertilizantes, ampliou seus investimentos em armazenamento de gr\u00e3os e nutri\u00e7\u00e3o animal, e adquiriu participa\u00e7\u00e3o na UkrLandFarming, a maior companhia agroindustrial do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Monsanto duplicou seu pessoal no pa\u00eds nos \u00faltimos tr\u00eas anos e, em mar\u00e7o de 2014, semanas antes da sa\u00edda de Yanukovich, investiu US$ 140 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de uma nova unidade de sementes.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da DuPont tamb\u00e9m inclui uma f\u00e1brica de sementes.<\/p>\n<p>O desejo das corpora\u00e7\u00f5es ocidentais n\u00e3o se det\u00e9m no controle de algumas rent\u00e1veis atividades agr\u00edcolas, aspira a integra\u00e7\u00e3o vertical do setor da agricultura, e j\u00e1 se estendeu ao transporte e \u00e0 infraestrutura.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Cargill agora possui quatro elevadores de gr\u00e3os e duas unidades processadoras de \u00f3leo de girassol, e, em dezembro de 2013, adquiriu 25% de um terminal no porto de Novorossiysk, no Mar Negro, com capacidade para processar 3,5 milh\u00f5es de toneladas anuais de gr\u00e3os.<\/p>\n<p>Em todas as fases da cadeia agr\u00edcola, desde a produ\u00e7\u00e3o de sementes at\u00e9 o transporte das exporta\u00e7\u00f5es, est\u00e1 aumentando o controle por parte das corpora\u00e7\u00f5es ocidentais.<\/p>\n<p>Embora a Ucr\u00e2nia n\u00e3o permita a produ\u00e7\u00e3o de alimentos geneticamente modificados (GM), o acordo entre Kiev e UE inclui uma cl\u00e1usula que compromete as duas partes a cooperarem para \u201cestender o uso de biotecnologias\u201d no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Essa cl\u00e1usula chama a aten\u00e7\u00e3o por implicar uma abertura para a importa\u00e7\u00e3o de alimentos GM na Europa, que \u00e9 o maior objetivo das corpora\u00e7\u00f5es produtoras de sementes, como a Monsanto, mas que s\u00e3o rejeitados pela grande maioria dos consumidores europeus.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o se v\u00ea como essa mudan\u00e7a poderia beneficiar os ucranianos, como tampouco o que pode significar a onda de investimentos estrangeiros para os sete milh\u00f5es de agricultores locais.<\/p>\n<p>Quando finalmente terminar o conflito no \u201cpr\u00f3-russo\u201d setor oriental, os ucranianos se perguntar\u00e3o o que restou da capacidade de seu pa\u00eds para controlar seu fornecimento de alimentos e administrar sua economia segundo seus pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n<p>\u00c9 de se esperar que europeus e norte-americanos por fim deixem de ouvir a ensurdecedora ret\u00f3rica sobre agress\u00f5es russas e direitos humanos e comecem a questionar a inger\u00eancia de seus pa\u00edses no conflito ucraniano.<\/p>\n<p>*<strong><em>Fr\u00e9d\u00e9ric Mousseau<\/em><\/strong><em> \u00e9 diretor de Pol\u00edtica do Oakland Institute.<\/em><\/p>\n<blockquote data-secret=\"TpIFBvPzbR\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/destaque-outras-midias\/ucrania-pais-colonizado\/\">Ucr\u00e2nia, pa\u00eds colonizado<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; 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