{"id":7506,"date":"2015-03-10T18:12:31","date_gmt":"2015-03-10T18:12:31","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7506"},"modified":"2015-04-16T21:39:20","modified_gmt":"2015-04-16T21:39:20","slug":"a-desindustrializacao-da-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7506","title":{"rendered":"A desindustrializa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->A recusa da Ucr\u00e2nia em cooperar com a R\u00fassia nos campos militar, cient\u00edfico e t\u00e9cnico j\u00e1 come\u00e7ou a dar frutos. Naturalmente, esta pol\u00edtica de Kiev for\u00e7ou os cidad\u00e3os da Ucr\u00e2nia a comerem apenas uma esp\u00e9cie (envenenada) de &#8220;frutos&#8221;: desemprego, pobreza e desindustrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7am ao Ocidente e a Kiev por isto.<\/p>\n<p>O objectivo deste ruptura na coopera\u00e7\u00e3o, iniciada pelos mentores ocidentais de Kiev \u2013 enquanto conversas balofas no governo s\u00f3 anunciavam a decis\u00e3o de Washington, embrulhada no slogan &#8220;Nem uma \u00fanica pe\u00e7a sobressalente para o ocupante&#8221; \u2013 era realmente interromper a defesa estatal da Federa\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>&#8220;G\u00e9nios&#8221; do pensamento pol\u00edtico ucraniano manifestaram a inten\u00e7\u00e3o de for\u00e7ar a capitula\u00e7\u00e3o de Moscovo atrav\u00e9s da recusa em cooperar e exportar componentes. Exemplo: o &#8220;gigante&#8221; pol\u00edtico ucraniano Yuri Lutsenko sugeriu utilizar a f\u00e1brica <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Yuzhmash\" target=\"_new\"> Yuzhmash<\/a> como um meio de chantagear a R\u00fassia. O argumento era verdadeiramente &#8220;fatal&#8221;, mas, como se verificou, n\u00e3o para a R\u00fassia: &#8220;&#8230; a totalidade dos m\u00edsseis nucleares russos podem ser reparados s\u00f3 pela nossa Yuzhmash. Sem este servi\u00e7o, o mundo todo pode cantar la-la-la-la&#8221; [refer\u00eancia \u00e0 cantiga obscena &#8220;Putin huilo la-la-la-la&#8221; popular entre ucranianos anti-russos] \u2013 repetia Lutsenko em meados de Julho do ano passado.<\/p>\n<p>Contudo, o efeito negativo de romper as liga\u00e7\u00f5es \u00e9 quase sempre m\u00fatuo e n\u00e3o \u00e9 imediato. Porque, subitamente, verificou-se que o mastodonte do <em> engineering <\/em> ucraniano \u2013 a espinha dorsal da constru\u00e7\u00e3o ucraniana de foguetes \u2013 est\u00e1 entre a vida e a morte. Entretanto, companhias russas ainda mant\u00eam a Yuzhmash a trabalhar, por raz\u00f5es ainda n\u00e3o claras para Kiev.<\/p>\n<p><strong> Como morre a nau capitania da constru\u00e7\u00e3o de foguetes <\/strong><\/p>\n<p>A f\u00e1brica tinha problemas anteriormente. Eles n\u00e3o eram cr\u00edticos, mas acumulavam-se de ano para ano.<\/p>\n<p>Os americanos foram os primeiros a recusar coopera\u00e7\u00e3o com a Yuzhmash por causa do foguete Antares que explodiu. Formalmente, os americanos v\u00e3o trabalhar durante cerca de um ano na conclus\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para o seu foguete, de modo que a Yuzhmash ser\u00e1 deixada sem encomendas dos EUA durante este per\u00edodo. Na realidade, se Washington decidir renovar a coopera\u00e7\u00e3o, eles poder\u00e3o n\u00e3o encontrar ningu\u00e9m com quem falar, pois nessa altura a companhia estar\u00e1 reduzida apenas a uma pilha de equipamento.<\/p>\n<p>O prego final no caix\u00e3o da f\u00e1brica foi a recusa da Federa\u00e7\u00e3o Russa de encomendar ve\u00edculos de lan\u00e7amento Zenit; eles ser\u00e3o substitu\u00eddos pelo Angara [fabricados na R\u00fassia].<\/p>\n<p>Em meados de Outubro de 2014, cerca de 50 empregados por dia estavam a abandonar a empresa. E eles eram os trabalhadores mais valiosos que n\u00e3o poderiam ser substitu\u00eddos por quaisquer outros. A situa\u00e7\u00e3o foi agravada pelas ondas infind\u00e1veis de &#8220;mogiliza\u00e7\u00f5es&#8221; [jogo de palavras: mobiliza\u00e7\u00e3o\/mogiliza\u00e7\u00e3o pois <em> &#8220;mogila&#8221; <\/em> significa &#8220;sepultura&#8221; em russo] anunciadas por Kiev no quadro da guerra civil no Leste.<\/p>\n<p>O n\u00famero de trabalhadores mobilizados n\u00e3o se conhece precisamente, mas quanto mais empregados perderem seus empregos, mais ser\u00e3o enviados para as fileiras do ex\u00e9rcito ucraniano \u2013 dessa forma n\u00e3o s\u00f3 fortalecendo a defesa do pa\u00eds como tamb\u00e9m &#8220;criando novos empregos&#8221;. Portanto, o dano para o pessoal potencial aumentar\u00e1 na propor\u00e7\u00e3o directa da dura\u00e7\u00e3o da guerra e do n\u00famero de despedimentos colectivos na f\u00e1brica.<\/p>\n<p><strong> A morte da empresa: Apenas os factos <\/strong><\/p>\n<p>Pode-se saber do estado da companhia atrav\u00e9s da entrevista do seu antigo director Victor Shchyogol, mas aqui estamos interessados apenas nos factos e nas consequ\u00eancias do encerramento da f\u00e1brica:<\/p>\n<ul>\n<li>Durante os \u00faltimos tr\u00eas anos, o volume de produ\u00e7\u00e3o na f\u00e1brica caiu mais de quatro vezes e o volume de contratos com a R\u00fassia diminuiu em 60 vezes, calculados em hrivnya equivalente;<\/li>\n<li>O encerramento da f\u00e1brica resultar\u00e1 na perda de cerca de 50 mil empregos na Yuzhmash e empresas associadas;<\/li>\n<li>Cerca de 70% dos componentes para o ve\u00edculo de lan\u00e7amento Zenit eram produzidos em coopera\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia;<\/li>\n<li>Contratos com os brasileiros e relacionamentos para trabalhos de manuten\u00e7\u00e3o com os EUA permitir\u00e3o empregar apenas cerca de 10% do pessoal da f\u00e1brica;<\/li>\n<li>A coopera\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia terminou completamente, resultando na perda de mais de 80% das receitas da f\u00e1brica;<\/li>\n<li>Empregados da companhia n\u00e3o t\u00eam recebido sal\u00e1rio por mais de sete meses;<\/li>\n<li>Da for\u00e7a de trabalho total de 7000, mais de um milhar de empregados deixou a companhia;<\/li>\n<li>Ainda h\u00e1 dois anos atr\u00e1s, as encomendas da Ucr\u00e2nia montavam a min\u00fasculos 10 milh\u00f5es de hryvnia (pouco mais de US$1 milh\u00e3o \u00e0 taxa de c\u00e2mbio de 2013), agora n\u00e3o h\u00e1 encomendas de todo.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/ucrania\/imagens\/antonov_225_40pc.jpg?w=747\" alt=\"\" align=\"right\" border=\"0\" \/> <strong> Qual \u00e9 a pr\u00f3xima empresa? <\/strong><\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos candidatos a falecimento s\u00e3o a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Antonov\" target=\"_new\"> Antonov ASTC<\/a> [Aviation Science and Technology Complex] e outras empresas construtoras de m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>Em 30 de Janeiro chegou uma miss\u00e3o do FMI \u00e0 Antonov ASTC. Eles familiarizaram-se com o trabalho da empresa e visitaram o laborat\u00f3rio de testes de est\u00e1tica, de <em> engineering <\/em> e de ensaios de pilotagem, o avi\u00e3o de treino AN-148, linhas de montagem tanto para produ\u00e7\u00f5es experimentais como de s\u00e9rie e tamb\u00e9m tomaram conhecimento de projectos prometedores.<\/p>\n<p>Desconhece-se qual era o objectivo real da visita dos empregados administrativos do FMI, mas \u00e9 duvidoso que os tubar\u00f5es do capital ocidental estivessem interessados numa recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e no desenvolvimento da empresa. Mais provavelmente, preparam-se para a sua liquida\u00e7\u00e3o. Provavelmente, o encerramento de um certo n\u00famero de ind\u00fastrias de alta tecnologia \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o para o desembolso de empr\u00e9stimos do FMI a Kiev.<\/p>\n<p>Notavelmente, as moribundas Yuzhmash e Antonov est\u00e3o conectadas pela coopera\u00e7\u00e3o industrial \u2013 os chassis da fam\u00edlia de avi\u00f5es AN s\u00e3o feitos em Dnepropetrovsk.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 melhor na constru\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria. No primeiro semestre do ano passado eles montaram apenas cerca de 3.500 vag\u00f5es tendo uma capacidade de 38 mil. A f\u00e1brica de Kharkov Electrotyazhmash perdeu US$41 milh\u00f5es devido ao cancelamento de encomendas da R\u00fassia para o fornecimento de turbinas geradores, motores el\u00e9ctricos e equipamento para fura\u00e7\u00e3o de minas. As perdas da Yuzhakel montaram a US$12,4 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>S\u00f3 a Turboatom e a &#8220;Motor Sich&#8221; conseguiram sobreviver \u2013 at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>A seguir na fila, a morte da metalurgia, a qual permanece num estado de depress\u00e3o j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios anos. A destrui\u00e7\u00e3o ou perda da f\u00e1brica de coque Avdeevka for\u00e7ar\u00e1 Kiev a comutar para carv\u00e3o coque importado, enquanto a transi\u00e7\u00e3o de Mariupol para a autoridade da RPD [Rep\u00fablica Popular de Donetsk] levar\u00e1 \u00e0 perda deste importante porto de exporta\u00e7\u00e3o de metal laminado. Com produ\u00e7\u00e3o de metal reduzida, o or\u00e7amento do estado perder\u00e1 uma grande fatia das suas receitas em divisas estrangeiras.<\/p>\n<p>No quadro da guerra entre Kiev e Dnepropetrovsk, o sector das ferro-ligas, o qual \u00e9 controlado por Igor Kolomoisky, pontecialmente tamb\u00e9m poderia morrer. As f\u00e1bricas de ferro-ligas n\u00e3o foram modernizadas e est\u00e1 \u00e9 uma ind\u00fastria incrivelmente intensiva em energia. At\u00e9 agora, a \u00fanica coisa que salva a ind\u00fastria \u00e9 o fornecimento de electricidade a partir da R\u00fassia e a relut\u00e2ncia de Kiev em confrontar Kolomoisky.<\/p>\n<p>Bastante vagas s\u00e3o as perspectivas das ind\u00fastrias qu\u00edmicas e alimentares. Entretanto, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 melhor em outras \u00e1reas da economia que est\u00e3o a sofrer com jovens reformadores e &#8220;guerreiros visitantes&#8221; vindos dos estados b\u00e1lticos e dos EUA.<\/p>\n<hr width=\"10%\" \/>\n<p>Pode-se dizer com certeza que no fim da sua guerra civil a Ucr\u00e2nia completar\u00e1 o processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o e o que dela restar servir\u00e1 apenas para cultivar cereais.<\/p>\n<p>Os activos da infraestrutura existente s\u00e3o irrelevantes para os governantes de Kiev, ao passo que trabalhadores capazes de fazer funcionar centrais el\u00e9ctrica e produzir bens de alta tecnologia nas f\u00e1bricas que miraculosamente sobreviverem ou morrer\u00e3o na guerra, incapazes de evitar as &#8220;mogiliza\u00e7\u00f5es&#8221;, ou emigrar\u00e3o para fora do pa\u00eds a fim de escapar \u00e0 pobreza. \u00c9 seguro admitir que as [actuais] equipes administrativas s\u00e3o absolutamente incompetentes, o que \u00e9 confirmado pelos acidentes regulares em centrais nucleares ucranianas, as quais s\u00f3 por pouco deixaram de repetir o desastre de Chernobyl.<\/p>\n<p>A derrocada financeira que Kiev ter\u00e1 de declarar, inevitavelmente, s\u00f3 poder\u00e1 apressar a morte da ind\u00fastria. Devido \u00e0 queda da produ\u00e7\u00e3o, Kiev ter\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de receitas em divisas estrangeiras, um decl\u00ednio nas receitas or\u00e7amentais e, portanto, aproximar-se-\u00e1 do colapso com dezenas de milhares de empregos perdidos \u2013 n\u00e3o por causa de alguma pol\u00edtica de Moscovo, mas devido ao pr\u00f3prio desejo de Kiev de matar-se para contestar a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Cada nova f\u00e1brica fechada apenas acelerar\u00e1 o in\u00edcio de tumultos urbanos em grande escala e o aumento do n\u00famero de opositores \u00e0 bancarrota do projecto &#8220;Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/p>\n<p>26\/Fevereiro\/2015<\/p>\n<p><strong> O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.odnako.org\/blogs\/na-finishnoy-pryamoy-deindustrializacii-kak-ukraina-teryaet-promishlennost\/\" target=\"_new\"> www.odnako.org\/&#8230;<\/a> e a vers\u00e3o em ingl\u00eas em <a href=\"http:\/\/thesaker.is\/at-the-finish-line-of-deindustrialization-how-ukraine-loses-its-industry\/\" target=\"_new\"> thesaker.is\/&#8230;<\/a> <\/strong><\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em http:\/\/resistir.info\/ucrania\/desindustrializacao_26fev15.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nIvan Lizan \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7506\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[125],"tags":[],"class_list":["post-7506","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c138-ucrania"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1X4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7506","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7506"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7506\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}