{"id":7529,"date":"2015-03-14T18:03:38","date_gmt":"2015-03-14T18:03:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7529"},"modified":"2015-03-14T18:03:38","modified_gmt":"2015-03-14T18:03:38","slug":"o-fascismo-esta-outra-vez-em-ascensao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7529","title":{"rendered":"O fascismo est\u00e1 outra vez em ascens\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>O recente 70.\u00ba anivers\u00e1rio da liberta\u00e7\u00e3o de Auschwitz foi uma evoca\u00e7\u00e3o do grande crime do fascismo, cuja iconografia nazi est\u00e1 entranhada na nossa consci\u00eancia. O fascismo est\u00e1 preservado na hist\u00f3ria, em filmes com ondas de camisas negras em passo de ganso, com a sua criminalidade terr\u00edvel e clara. Por\u00e9m, nessas mesmas sociedades liberais, cujas elites que fazem as guerras nos aconselham a nunca o esquecer, n\u00e3o se fala do perigo acelerado dum tipo de fascismo moderno; porque \u00e9 o fascismo delas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">&#8220;Iniciar uma guerra de agress\u00e3o\u2026&#8221;, disseram os ju\u00edzes do Tribunal de Nuremberga em 1946, &#8220;n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um crime internacional, \u00e9 o supremo crime internacional, que apenas difere de outros crimes de guerra porque cont\u00e9m em si o mal acumulado de todos eles&#8221;.<\/p>\n<p>Se os nazis n\u00e3o tivessem invadido a Europa, n\u00e3o teria acontecido Auschwitz e o Holocausto. Se os Estados Unidos e os seus sat\u00e9lites n\u00e3o tivessem iniciado a sua guerra de agress\u00e3o no Iraque em 2003, ainda hoje viveria quase um milh\u00e3o de pessoas; e o Estado Isl\u00e2mico, ou o ISIS, n\u00e3o nos manteria ref\u00e9ns da sua selvajaria. Eles s\u00e3o a prole do fascismo moderno, desmamados pelas bombas, pelos banhos de sangue e pelas mentiras que s\u00e3o o teatro surrealista conhecido por &#8220;notici\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<p>Tal como o fascismo dos anos 30 e 40, as grandes mentiras s\u00e3o proferidas com a precis\u00e3o dum metr\u00f4nomo: gra\u00e7as aos media omnipresentes, repetitivos e gra\u00e7as \u00e0 sua virulenta censura por omiss\u00e3o. Vejam a cat\u00e1strofe na L\u00edbia.<\/p>\n<p>Em 2011, a OTAN desencadeou 9700 ataques contra a L\u00edbia, dos quais mais de um ter\u00e7o foram dirigidos contra alvos civis. Usaram ogivas de ur\u00e2nio; as cidades de Misurata e Sirte foram atapetadas com bombas. A Cruz Vermelha identificou sepulturas em massa e a Unicef noticiou que &#8220;a maior parte [das crian\u00e7as mortas] tinha menos de dez anos&#8221;.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/pilger\/imagens\/hillary_gargalha2.jpg?w=747\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>A sodomiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica do presidente l\u00edbio Muammar Kaddafi com uma baioneta &#8220;rebelde&#8221; foi saudada pela ent\u00e3o secret\u00e1ria de Estado, Hillary Clinton, com as palavras: &#8220;Chegamos, vimos e ele morreu&#8221;. O seu assass\u00ednio, tal como a destrui\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds, foi justificado por uma grande mentira j\u00e1 bem conhecida: ele estaria a planear um &#8220;genoc\u00eddio&#8221; contra o seu pr\u00f3prio povo. &#8220;Sab\u00edamos\u2026 que se esper\u00e1ssemos mais um dia&#8221;, disse o presidente Obama, &#8220;Benghazi, uma cidade do tamanho de Charlotte, podia ser v\u00edtima de um massacre que se refletiria por toda a regi\u00e3o e mancharia a consci\u00eancia do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Foi esta a maquina\u00e7\u00e3o das mil\u00edcias islamitas que enfrentavam a derrota frente \u00e0s for\u00e7as governamentais l\u00edbias. Disseram \u00e0 Reuters que ia haver &#8220;um verdadeiro banho de sangue, um massacre como o que se vira no Ruanda&#8221;. Transmitida a 14 de Mar\u00e7o de 2011, a mentira foi a primeira fa\u00edsca para o inferno da NATO, descrito por David Cameron como uma &#8220;interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Abastecidos e treinados secretamente pelos SAS da Gr\u00e3-Bretanha, muitos dos &#8220;rebeldes&#8221; passaram para o ISIS, cujo \u00faltimo v\u00eddeo mostra a decapita\u00e7\u00e3o de 21 trabalhadores crist\u00e3os coptas capturados em Sirte, a cidade destru\u00edda pelos bombardeiros da OTAN.<\/p>\n<p>Para Obama, para Cameron e para Hollande, o verdadeiro crime de Khadafi era a independ\u00eancia economica da L\u00edbia e a sua inten\u00e7\u00e3o declarada de cessar a venda em d\u00f3lares americanos das maiores reservas petrol\u00edferas de \u00c1frica. O petrod\u00f3lar \u00e9 um pilar do poder imperial americano. Kadhafi planeava atrevidamente promover uma divisa africana comum com base no ouro, instituir um banco para toda a \u00c1frica e promover uma uni\u00e3o economica entre pa\u00edses pobres com recursos valiosos. Mesmo que isso n\u00e3o viesse a acontecer, s\u00f3 essa ideia era intoler\u00e1vel para os EUA, que se preparavam para &#8220;entrar&#8221; em \u00c1frica e subornar os governos africanos com &#8220;parcerias&#8221; militares.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia do ataque da NATO, ao abrigo de uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a, Obama, como escreveu <a href=\"http:\/\/www.counterpunch.org\/2014\/10\/20\/the-descent-of-libya\/\" target=\"_blank\">Garikai Chengu<\/a> :<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">&#8220;confiscou 30 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares ao Banco Central da L\u00edbia, que Khadafi havia destinado ao estabelecimento de um Banco Central Africano e para a divisa dinar sustentada pelo ouro africano&#8221;. <a href=\"http:\/\/resistir.info\/pilger\/pilger_26fev15_p.html#nr\" target=\"_blank\">[NR]<\/a><\/p>\n<p>A &#8220;guerra humanit\u00e1ria&#8221; contra a L\u00edbia assentou num modelo querido dos cora\u00e7\u00f5es liberais ocidentais, em especial dos media. Em 1999, Bill Clinton e Tony Blair mandaram a NATO bombardear a S\u00e9rvia, porque, mentiram eles, os s\u00e9rvios estavam a praticar um &#8220;genoc\u00eddio&#8221; contra os albaneses \u00e9tnicos na prov\u00edncia secessionista de Kosovo. David Scheffer, o embaixador americano itinerante para crimes de guerra [sic], afirmou que podiam ter sido mortos &#8220;225 mil albaneses \u00e9tnicos entre os 14 e os 59 anos&#8221;. Clinton e Blair evocaram o Holocausto e &#8220;o esp\u00edrito da Segunda Guerra Mundial&#8221;. Os heroicos aliados do Ocidente eram o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Kosovo (ELK), cujo registo criminal foi ignorado. O secret\u00e1rio do Foreign Office, Robin Cook, disse-lhes para lhe ligarem por telem\u00f3vel, sempre que quisessem.<\/p>\n<p>Com os bombardeamentos da OTAN e grande parte das infraestruturas da S\u00e9rvia em ru\u00ednas, juntamente com escolas, hospitais, mosteiros e a esta\u00e7\u00e3o nacional da TV, equipas forenses internacionais avan\u00e7aram para Kosovo a fim de arranjar provas do &#8220;holocausto&#8221;. O FBI n\u00e3o conseguiu encontrar uma \u00fanica sepultura em massa e voltou para casa. A equipa forense espanhola fez o mesmo, e o seu chefe denunciou irritado &#8220;uma pirueta sem\u00e2ntica feita pelas m\u00e1quinas de propaganda da guerra&#8221;. Um ano depois, um tribunal das Na\u00e7\u00f5es Unidas na Jugosl\u00e1via anunciou o total de mortos no Kosovo: 2788. Isto inclu\u00eda combatentes dos dois lados e s\u00e9rvios e romenos assassinados pelo ELK. N\u00e3o houvera qualquer genoc\u00eddio. O &#8220;holocausto&#8221; tinha sido uma mentira. O ataque da OTAN fora fraudulento.<\/p>\n<p>Por detr\u00e1s da mentira, havia um objectivo importante. A Jugosl\u00e1via era uma federa\u00e7\u00e3o singularmente independente, multi\u00e9tnica, que se tinha mantido como uma ponte pol\u00edtica e economica durante a Guerra-fria. A maior parte das suas instala\u00e7\u00f5es e f\u00e1bricas principais eram de propriedade privada. Isso n\u00e3o era aceit\u00e1vel para a Comunidade Europeia em expans\u00e3o, especialmente para a Alemanha rec\u00e9m unida, que tinha come\u00e7ado a avan\u00e7ar para leste a fim de captar o seu &#8220;mercado natural&#8221; nas prov\u00edncias jugoslavas da Cro\u00e1cia e da Eslovenia. Na altura em que os europeus se encontraram em Maastricht em 1991 para tra\u00e7ar planos para a desastrosa eurozona, foi feito um acordo secreto: a Alemanha iria reconhecer a Cro\u00e1cia. A Jugosl\u00e1via estava condenada.<\/p>\n<p>Em Washington, os EUA viam que \u00e0 debilitada economia jugoslava foi recusado um empr\u00e9stimo do Banco Mundial. A OTAN, na altura praticamente uma rel\u00edquia quase defunta da Guerra-fria, foi reinventada como pol\u00edcia imperial. Numa confer\u00eancia de &#8220;paz&#8221; do Kosovo, em 1999, em Rambouillet, Fran\u00e7a, os s\u00e9rvios foram submetidos \u00e0s t\u00e1cticas trai\u00e7oeiras dessa pol\u00edcia. O acordo de Rambouillet inclu\u00eda um Anexo B secreto, que a delega\u00e7\u00e3o dos EUA inseriu no \u00faltimo dia. Este exigia a ocupa\u00e7\u00e3o militar de toda a Jugosl\u00e1via \u2013 um pa\u00eds com recorda\u00e7\u00f5es amargas da ocupa\u00e7\u00e3o nazi \u2013 e a implementa\u00e7\u00e3o de uma &#8220;economia de mercado livre&#8221; e a privatiza\u00e7\u00e3o de todos os ativos governamentais. Nenhum estado soberano podia assinar uma coisa daquelas. A puni\u00e7\u00e3o seguiu-se rapidamente: as bombas da OTAN ca\u00edram sobre um pa\u00eds indefeso. Foram as precursoras das cat\u00e1strofes no Afeganist\u00e3o e no Iraque, na S\u00edria e na L\u00edbia, e na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>A partir de 1945, mais de um ter\u00e7o dos membros das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 69 pa\u00edses \u2013 sofreram parte ou tudo aquilo que se segue \u00e0s m\u00e3os do moderno fascismo da Am\u00e9rica. Foram invadidos, os seus governos foram derrubados, os movimentos populares suprimidos, as elei\u00e7\u00f5es subvertidas, as popula\u00e7\u00f5es bombardeadas e as economias despojadas de toda a prote\u00e7\u00e3o, as sociedades sujeitas a um cerco debilitante designado por &#8220;san\u00e7\u00f5es&#8221;. O historiador brit\u00e2nico Mark Curtis avalia o total de mortes em milh\u00f5es. Em todas as situa\u00e7\u00f5es, foi montada uma enorme mentira.<\/p>\n<p>&#8220;Esta noite, pela primeira vez desde o 11 de Setembro, terminou a nossa miss\u00e3o de combate no Afeganist\u00e3o&#8221;. Foram estas as palavras de Obama, na abertura do discurso de o Estado da Uni\u00e3o, em 2015. Na realidade, mant\u00eam-se no Afeganist\u00e3o 10 mil efetivos e 20 mil contratados militares (mercen\u00e1rios) em miss\u00f5es indefinidas. &#8220;A guerra americana mais longa da hist\u00f3ria est\u00e1 a chegar a uma conclus\u00e3o respons\u00e1vel&#8221;, disse Obama. Na verdade, foram mortos mais civis no Afeganist\u00e3o em 2014 do que em qualquer outro ano desde que as Na\u00e7\u00f5es Unidas passaram a manter registos. A maioria foi morta \u2013 civis e soldados \u2013 durante a presid\u00eancia de Obama.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia do Afeganist\u00e3o s\u00f3 tem igual no crime monstruoso da Indochina. No seu livro elogiado e muito citado &#8220;O grande tabuleiro de xadrez: o primado americano e os seus imperativos geoestrat\u00e9gicos <em>(The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives), <\/em>Zbigniew Brzezinski, o padrinho das pol\u00edticas dos EUA desde o Afeganist\u00e3o at\u00e9 aos dias de hoje, escreve que, se a Am\u00e9rica quiser controlar a Eur\u00e1sia e dominar o mundo, n\u00e3o pode sustentar uma democracia popular porque &#8220;a busca do poder n\u00e3o \u00e9 um objectivo que comande a paix\u00e3o popular\u2026 A democracia \u00e9 inimiga da mobiliza\u00e7\u00e3o imperialista&#8221;. Tem toda a raz\u00e3o. Como a WikiLeaks e Edward Snowden revelaram, o estado de vigil\u00e2ncia e policial est\u00e1 a usurpar a democracia. Em 1976, Brzezinski, na altura conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional do presidente Carter, demonstrou o seu ponto de vista desferindo um golpe mortal contra a primeira e \u00fanica democracia do Afeganist\u00e3o. Quem conhece esta hist\u00f3ria vital?<\/p>\n<p>Nos anos 60, uma revolu\u00e7\u00e3o popular varreu o Afeganist\u00e3o, o pa\u00eds mais pobre da terra, acabando por derrubar os vest\u00edgios do regime aristocr\u00e1tico em 1978. O Partido Popular Democr\u00e1tico do Afeganist\u00e3o (PPDA) formou um governo e declarou um programa de reformas que inclu\u00eda a aboli\u00e7\u00e3o do feudalismo, a liberdade de todas as religi\u00f5es, direitos iguais para as mulheres e justi\u00e7a social para as minorias \u00e9tnicas. Foram libertados mais de 13 mil prisioneiros pol\u00edticos e os arquivos policiais foram queimados em p\u00fablico.<\/p>\n<p>O novo governo instituiu cuidados m\u00e9dicos gratuitos para os mais pobres; foi abolida a servid\u00e3o, foi lan\u00e7ado um amplo programa de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Para as mulheres, os ganhos foram inauditos. No final dos anos 80, metade dos alunos da universidade eram raparigas e as mulheres eram quase metade dos m\u00e9dicos do Afeganist\u00e3o, um ter\u00e7o dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e a maioria dos professores. &#8220;Todas as raparigas&#8221;, recorda Saira Noorani, uma cirurgi\u00e3, &#8220;podiam entrar na universidade. Pod\u00edamos ir onde quis\u00e9ssemos e usar o que quis\u00e9ssemos. Costum\u00e1vamos ir aos caf\u00e9s e ao cinema ver o \u00faltimo filme indiano \u00e0 sexta-feira e ouvir as \u00faltimas m\u00fasicas. Tudo come\u00e7ou a correr mal quando os mujaheddin come\u00e7aram a ganhar. Matavam professoras e queimavam escolas. Fic\u00e1mos aterrorizadas. Era c\u00f3mico e triste pensar que eram estas as pessoas que o Ocidente apoiava&#8221;.<\/p>\n<p>O governo do PPDA era apoiado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, apesar de, conforme posteriormente o antigo secret\u00e1rio de Estado Cyrus Vance reconheceu, &#8220;n\u00e3o haver provas de qualquer cumplicidade sovi\u00e9tica [na revolu\u00e7\u00e3o]&#8221;. Alarmados pela crescente confian\u00e7a dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o em todo o mundo, Brzezinski decidiu que, se o Afeganist\u00e3o conseguisse ter \u00eaxito com o PPDA, com a sua independ\u00eancia e progresso, isso iria constituir a &#8220;amea\u00e7a de um exemplo promissor&#8221;.<\/p>\n<p>A 3 de Julho de 1979, a Casa Branca, secretamente, autorizou o apoio aos grupos tribais &#8220;fundamentalistas&#8221;, conhecidos por mujaheddin, um programa que acabou por aumentar para 500 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano em armamento norte-americano e outro tipo de apoios. O objectivo era o derrube do primeiro governo laico e reformista do Afeganist\u00e3o. Em Agosto de 1979, a embaixada dos EUA em Cabul, noticiou que &#8220;o principal interesse dos Estados Unidos\u2026 seria atingido com a queda [do governo do PPDA], <em>apesar de quaisquer recuos que isso pudesse significar para as futuras reformas sociais e economicas no Afeganist\u00e3o&#8221;. <\/em>Os it\u00e1licos s\u00e3o meus.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/pilger\/imagens\/reagan_mujahideen_1983.jpg?w=747\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Os mujaheddins eram os antecessores da al-Qaeda e do Estado Isl\u00e2mico. Inclu\u00edam Gulbuddin Hekmatyar, que recebeu dezenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares em dinheiro da CIA. A especialidade de Hekmatyar era o tr\u00e1fico do \u00f3pio e atirar \u00e1cido \u00e0 cara das mulheres que se recusavam a usar o v\u00e9u. Convidado em Londres, foi elogiado pela primeira-ministra Thatcher como um &#8220;combatente pela liberdade&#8221;.<\/p>\n<p>Estes fan\u00e1ticos podiam ter-se mantido no seu mundo tribal se Brzezinski n\u00e3o tivesse desencadeado um movimento internacional para promover o fundamentalismo isl\u00e2mico na \u00c1sia Central e corroer assim uma liberta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica secular e &#8220;desestabilizar&#8221; a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, criando, conforme ele escreveu na sua autobiografia, &#8220;alguns mu\u00e7ulmanos conflituosos&#8221;. O seu grande plano coincidia com as ambi\u00e7\u00f5es do ditador paquistan\u00eas, o general Zia ul-Hag, para dominar a regi\u00e3o. Em 1986, a CIA e a ag\u00eancia de intelig\u00eancia do Paquist\u00e3o, o ISI, come\u00e7aram a recrutar pessoas de todo o mundo para aderirem \u00e0 jihad afeg\u00e3. O multimilion\u00e1rio saudita, Osama bin Laden foi um deles. Operacionais que acabaram por se juntar aos talib\u00e3s e \u00e0 al-Qaeda, foram recrutados numa faculdade isl\u00e2mica em Brooklyn, Nova Iorque, e receberam forma\u00e7\u00e3o militar num campo da CIA na Virg\u00ednia. Chamaram-lhe a <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Operation_Cyclone\" target=\"_blank\">&#8220;Opera\u00e7\u00e3o Ciclone&#8221;<\/a> . O seu \u00eaxito foi festejado em 1996, quando o \u00faltimo presidente PPDA do Afeganist\u00e3o, Mohammed Najibullah \u2013 que fora pessoalmente \u00e0 Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas para pedir ajuda \u2013 foi enforcado num candeeiro pelos talib\u00e3s.<\/p>\n<p>O &#8220;ricochete&#8221; da Opera\u00e7\u00e3o Ciclone e dos seus &#8220;mu\u00e7ulmanos conflituosos&#8221; foi o 11 de Setembro de 2001. A Opera\u00e7\u00e3o Ciclone passou a ser a &#8220;guerra contra o terrorismo&#8221;, em que perderiam a vida in\u00fameros homens, mulheres e crian\u00e7as no mundo mu\u00e7ulmano, do Afeganist\u00e3o ao Iraque, ao I\u00e9men, \u00e0 Som\u00e1lia e \u00e0 S\u00edria. A mensagem dos &#8220;pol\u00edcias&#8221; foi e continua a ser: &#8220;Ou est\u00e3o connosco ou s\u00e3o contra n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<p>A habitual amea\u00e7a do fascismo, no passado e no presente, \u00e9 o assass\u00ednio em massa. A invas\u00e3o americana do Vietname teve as suas &#8220;zonas livres de fogo&#8221;, &#8220;contagem de corpos&#8221; e &#8220;danos colaterais&#8221;. Na prov\u00edncia de Quang Ngai, de onde enviei not\u00edcias, muitos milhares de civis <em>(&#8220;gooks&#8221;) <\/em>foram assassinados pelos EUA; mas s\u00f3 se recorda um massacre, em My Lai. No Laos e no Camboja, o maior bombardeamento da hist\u00f3ria provocou uma \u00e9poca de terror marcado hoje pelo espect\u00e1culo de crateras unidas por bombas que, vistas do ar, parecem monstruosos colares. O bombardeamento deu ao Camboja o seu ISIS, chefiado por Pol Pot.<\/p>\n<p>Atualmente, a maior campanha de terror do mundo envolve a execu\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias inteiras, de convidados em casamentos, de acompanhantes em funerais. Estas s\u00e3o as v\u00edtimas de Obama. Segundo o <em>New York Times, <\/em>Obama faz a sua sele\u00e7\u00e3o a partir de uma &#8220;lista de matan\u00e7a&#8221; da CIA que lhe \u00e9 apresentada todas as ter\u00e7as-feiras na Sala da Situa\u00e7\u00e3o da Casa Branca. Ele ent\u00e3o decide, sem uma ponta de justifica\u00e7\u00e3o legal, quem viver\u00e1 e quem morrer\u00e1. A sua arma de execu\u00e7\u00e3o \u00e9 o m\u00edssil Hellfire transportado por um avi\u00e3o sem piloto conhecido por &#8220;drone&#8221;; estes assam as v\u00edtimas e engalanam a \u00e1rea com os seus despojos. Cada &#8220;ataque&#8221; <em>(&#8220;hit&#8221;) <\/em>\u00e9 registado num ecr\u00e3 duma long\u00ednqua consola conhecida por &#8220;esmagador de insetos&#8221; <em>(bugsplat). <\/em><\/p>\n<p>&#8220;Os passos-de-ganso&#8221;, escreveu o historiador Norman Pollock, &#8220;foram substitu\u00eddos pela militariza\u00e7\u00e3o aparentemente mais in\u00f3cua da cultura total. Para o l\u00edder bomb\u00e1stico, temos o reformista falhado, a trabalhar jovialmente, planeando e executando assass\u00ednios, sorrindo todo o tempo&#8221;.<\/p>\n<p>O que une o antigo fascismo e o novo \u00e9 o culto da superioridade. &#8220;Acredito na excel\u00eancia americana com todas as fibras do meu ser&#8221;, disse Obama, fazendo lembrar declara\u00e7\u00f5es de fetichismo nacional dos anos 30. Como assinalou o historiador Alfred W. McCoy, foi Car Schmitt, admirador de Hitler, quem disse; &#8220;O soberano \u00e9 ele que decide a exce\u00e7\u00e3o&#8221;. Isto resume o americanismo, a ideologia dominante do mundo. Que isso continue a n\u00e3o ser reconhecido como uma ideologia predat\u00f3ria \u00e9 a fa\u00e7anha duma igualmente n\u00e3o reconhecida lavagem ao c\u00e9rebro. Insidiosa, n\u00e3o declarada, apresentada inteligentemente como uma ilumina\u00e7\u00e3o, este conceito insinua-se na cultura ocidental. Eu cresci no meio duma dieta cin\u00e9fila da gl\u00f3ria americana, quase toda ela uma distor\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tinha a menor ideia de que fora o Ex\u00e9rcito Vermelho que destru\u00edra a maior parte da m\u00e1quina de guerra nazi, com um custo de 13 milh\u00f5es de soldados. Em contraste, as perdas dos EUA, incluindo as do Pac\u00edfico, foram de 400 mil. Holywood virou tudo ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a agora \u00e9 que as audi\u00eancias do cinema s\u00e3o convidadas a retorcer as m\u00e3os com a &#8220;trag\u00e9dia&#8221; de psicopatas americanos terem que matar pessoas em locais distantes \u2013 tal como o pr\u00f3prio Presidente as mata. A encarna\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de Hollywood, o ator e diretor Clint Eastwood, foi nomeado para um \u00d3scar este ano pelo seu filme, &#8220;Sniper Americano&#8221;, que \u00e9 sobre um assassino paranoico autorizado. O <em>New York Times <\/em>descreveu-o como um &#8220;filme patri\u00f3tico, pr\u00f3-fam\u00edlia que bateu todos os recordes de assist\u00eancia nos primeiros dias de exibi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 filmes heroicos sobre a ades\u00e3o da Am\u00e9rica ao fascismo. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Am\u00e9rica (e a Gr\u00e3-Bretanha) foram para a guerra contra os gregos que se tinham batido heroicamente contra o nazismo e estavam a resistir \u00e0 progress\u00e3o do fascismo grego. Em 1967, a CIA ajudou a subida ao poder duma junta militar fascista em Atenas \u2013 tal como no Brasil e na maior parte da Am\u00e9rica Latina. Os alem\u00e3es e os europeus de leste que se haviam conluiado com a agress\u00e3o nazi e com os crimes contra a humanidade receberam um porto de abrigo seguro nos EUA; muitos deles foram apaparicados e os seus talentos recompensados. Wernher von Braun foi o &#8220;pai&#8221; da bomba terrorista nazi V-2 e do programa espacial dos EUA.<\/p>\n<p>Nos anos 90, quando as antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, a Europa do leste e os Balc\u00e3s passaram a ser postos militares avan\u00e7ados da OTAN, os herdeiros dum movimento nazi na Ucr\u00e2nia tiveram a sua oportunidade., Respons\u00e1vel pelas mortes de milhares de judeus, polacos e russos, durante a invas\u00e3o nazi da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o fascismo ucraniano foi reabilitado e a sua &#8220;nova vaga&#8221; saudada pelo bra\u00e7o armado como &#8220;nacionalista&#8221;.<\/p>\n<p>Isso atingiu o seu apogeu em 2014, quando a administra\u00e7\u00e3o Obama gastou cinco mil milh\u00f5es de d\u00f3lares num golpe contra o governo eleito. As tropas de choque eram neonazis conhecidos como o Setor de Direita e Svoboda. Os seus l\u00edderes inclu\u00edam Oleh Tyahnybok, que apelou a um expurgo da &#8220;m\u00e1fia moscovita-judaica&#8221; e &#8220;outra escumalha&#8221;, incluindo homossexuais, feministas e os da esquerda pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Estes fascistas est\u00e3o hoje integrados no governo golpista de Kiev. O primeiro presidente do parlamento ucraniano, Andriy Parubiy, l\u00edder do partido do governo, \u00e9 cofundador do Svoboda. A 14 de Fevereiro, Parubly anunciou que ia a Washington pedir que &#8220;os EUA nos d\u00eaem armamento moderno de precis\u00e3o&#8221;. Se o conseguir, isso ser\u00e1 considerado um ato de guerra pela R\u00fassia.<\/p>\n<p>Nenhum l\u00edder ocidental comentou o reacender do fascismo no cora\u00e7\u00e3o da Europa \u2013 com excep\u00e7\u00e3o de Vladimir Putin, cujo povo perdeu 22 milh\u00f5es numa invas\u00e3o nazi que entrou pela fronteira da Ucr\u00e2nia. Na recente Confer\u00eancia de Seguran\u00e7a de Munique, a subsecret\u00e1ria de Estado dos EUA para os Assuntos Europeus e Euro-asi\u00e1ticos, Victoria Nuland, considerou uma ofensa que os l\u00edderes europeus se opusessem a que os EUA fornecessem armamento ao regime de Kiev. Referiu-se ao ministro alem\u00e3o da Defesa como &#8220;o ministro para o derrotismo&#8221;. Foi Nuland quem arquitectou o golpe em Kiev. Mulher de Robert D. Kagan, uma importante lumin\u00e1ria neoconservadora e cofundadora do Projeto para um Novo S\u00e9culo Americano, da ala de extrema-direita, foi conselheira de pol\u00edtica externa de Dick Cheney.<\/p>\n<p>O golpe de Nuland n\u00e3o correu conforme o planeado. A OTAN foi impedida de se apoderar da base naval, hist\u00f3rica, leg\u00edtima, de \u00e1guas t\u00e9pidas, da R\u00fassia, na Crimeia. A popula\u00e7\u00e3o da Crimeia, de maioria russa \u2013 anexada ilegalmente \u00e0 Ucr\u00e2nia por Nikita Krushchev em 1954 \u2013 votou esmagadoramente pelo regresso \u00e0 R\u00fassia, conforme tinham feito nos anos 90. O referendo foi volunt\u00e1rio, popular e observado internacionalmente. N\u00e3o houve qualquer invas\u00e3o.<\/p>\n<p>Simultaneamente, o regime de Kiev virou-se contra a popula\u00e7\u00e3o de etnia russa no Leste com a ferocidade da limpeza \u00e9tnica. Colocou mil\u00edcias neonazis ao estilo das Waffen-SS, que bombardearam e cercaram vilas e cidades. Usaram a fome como arma, cortando a eletricidade, congelando contas banc\u00e1rias, suspendendo a seguran\u00e7a social e as pens\u00f5es. Mais de um milh\u00e3o de refugiados atravessaram a fronteira em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia. Nos media ocidentais, foram tratados como pessoas que fugiam da &#8220;viol\u00eancia&#8221; provocada pela &#8220;invas\u00e3o russa&#8221;. O comandante da OTAN, general Breedlove \u2013 cujo nome e a\u00e7\u00f5es podiam ter sido inspirados pelo Dr. Strangelove de Stanley Kubrik \u2013 anunciou que estavam a &#8220;reunir-se&#8221; 40 mil tropas russas. Na era de provas forenses por sat\u00e9lite, n\u00e3o apresentou nenhuma.<\/p>\n<p>As pessoas de l\u00edngua russa e as bilingues da Ucr\u00e2nia \u2013 um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o \u2013 h\u00e1 muito que procuram uma federa\u00e7\u00e3o que reflita a diversidade \u00e9tnica do pa\u00eds e seja autonoma e independente de Moscou. A maior parte n\u00e3o s\u00e3o &#8220;separatistas&#8221; mas apenas cidad\u00e3os que querem viver em seguran\u00e7a na sua p\u00e1tria e se op\u00f5em \u00e0 tomada de poder verificada em Kiev. A sua revolta e a institui\u00e7\u00e3o de &#8220;estados&#8221; autonomos s\u00e3o uma reac\u00e7\u00e3o aos ataques de Kiev contra eles. Poucas destas coisas t\u00eam sido explicadas \u00e0s audi\u00eancias ocidentais.<\/p>\n<p>A 2 de Maio de 2014, em Odessa, 41 cidad\u00e3os de etnia russa foram queimados vivos na sede dos sindicatos, guardada por pol\u00edcias. O l\u00edder do Sector de Direita, Dmytro Yarosh considerou o massacre como &#8220;mais um dia de gl\u00f3ria na nossa hist\u00f3ria nacional&#8221;. Nos media americanos e brit\u00e2nicos, foi noticiado como uma &#8220;trag\u00e9dia sombria&#8221; resultante dos &#8220;choques&#8221; entre &#8220;nacionalistas (neonazis) e &#8220;separatistas&#8221; (pessoas que recolhiam assinaturas para um referendo sobre uma Ucr\u00e2nia federal).<\/p>\n<p>O <em>New York Times <\/em>enterrou a not\u00edcia e reduziu a &#8220;propaganda russa&#8221; os alertas sobre as pol\u00edticas fascistas e anti-semitas dos novos clientes de Washington. O <em>Wall Street Journal <\/em>condenou as v\u00edtimas \u2013 &#8220;Fogo ucraniano mortal provavelmente ateado por rebeldes, diz o Governo&#8221;. Obama felicitou a Junta pelo seu &#8220;comedimento&#8221;.<\/p>\n<p>Se Putin puder ser provocado a ir em aux\u00edlio deles, o seu papel de &#8220;p\u00e1ria&#8221; pr\u00e9-encomendado no Ocidente justificar\u00e1 a mentira de que a R\u00fassia est\u00e1 a invadir a Ucr\u00e2nia. A 29 de Janeiro, o supremo comandante militar da Ucr\u00e2nia, o general Viktor Muzhemko, quase destruiu inadvertidamente a base das san\u00e7\u00f5es dos EUA e da UE \u00e0 R\u00fassia, quando disse enfaticamente numa confer\u00eancia de imprensa: &#8220;O ex\u00e9rcito ucraniano n\u00e3o est\u00e1 a combater contra unidades regulares do Ex\u00e9rcito russo&#8221;. Havia &#8220;cidad\u00e3os individuais&#8221; que eram membros de &#8220;grupos armados ilegais&#8221;, mas n\u00e3o havia nenhuma invas\u00e3o russa. N\u00e3o era novidade nenhuma. Vadym Prystaiko, o vice-ministro dos Estrangeiros de Kiev, apelara a uma &#8220;guerra em grande escala&#8221; contra a R\u00fassia com armamento nuclear.<\/p>\n<p>A 21 de Fevereiro, o senador americano James Inhofe, um Republicano de Oklahoma, apresentou um projeto-de-lei que autorizaria armas americanas para o regime de Kiev. Na apresenta\u00e7\u00e3o ao Senado, Inhofe usou fotografias que afirmou serem de tropas russas a entrar na Ucr\u00e2nia, que h\u00e1 muito tinham sido denunciadas como falsifica\u00e7\u00f5es. Fez recordar as fotos falsas de Ronald Reagan de uma instala\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica na Nicar\u00e1gua, e as provas falsas de Colin Powell \u00e0 ONU de armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a no Iraque.<\/p>\n<p>A intensidade da campanha de cal\u00fanias contra a R\u00fassia e a apresenta\u00e7\u00e3o do seu presidente como o vil\u00e3o duma pantomina n\u00e3o tem paralelo com nada do que j\u00e1 vi at\u00e9 hoje enquanto rep\u00f3rter. Robert Parry, um dos mais conhecidos jornalistas de investiga\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica, que revelou o esc\u00e2ndalo Ir\u00e3o-Contra, escreveu h\u00e1 pouco: &#8220;Nenhum governo europeu, desde a Alemanha de Adolfo Hitler, achou justo enviar tropas de choque nazis para entrar em guerra com uma popula\u00e7\u00e3o interna, mas o regime de Kiev fez isso e f\u00ea-lo reconhecidamente. No entanto, por todo o espectro media\/pol\u00edtico do Ocidente, tem sido feito um esfor\u00e7o brutal para esconder esta realidade, chegando ao ponto de ignorar factos que j\u00e1 est\u00e3o solidamente estabelecidos\u2026 Se ficarem a pensar como \u00e9 que o mundo pode encontrar-se numa terceira guerra mundial \u2013 tal como se encontrou na primeira guerra mundial h\u00e1 cem anos \u2013 basta olhar para a loucura na Ucr\u00e2nia que se tem mostrado impenetr\u00e1vel aos factos ou \u00e0 raz\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em 1946, o promotor p\u00fablico do Tribunal de Nuremberga afirmou quanto aos media alem\u00e3es: &#8220;\u00c9 bem conhecido o uso que os conspiradores nazis fizeram da guerra psicol\u00f3gica. Antes de cada agress\u00e3o principal, com algumas excep\u00e7\u00f5es com base na conveni\u00eancia, iniciavam uma campanha de imprensa, destinada a enfraquecer as suas v\u00edtimas e a preparar psicologicamente o povo alem\u00e3o para o ataque\u2026 No sistema de propaganda do Estado de Hitler, as armas mais importantes foram a imprensa di\u00e1ria e a r\u00e1dio&#8221;. No <em>Guardian <\/em>de 2 de Fevereiro, Timothy Garton-Asg apelou mesmo \u00e0 guerra mundial. &#8220;\u00c9 preciso fazer parar Putin&#8221;, dizia o cabe\u00e7alho. &#8220;Por vezes s\u00f3 canh\u00f5es podem fazer calar canh\u00f5es&#8221;. Reconhecia que a amea\u00e7a de guerra podia &#8220;alimentar uma paranoia russa de cerco&#8221;, mas tudo bem. Ele mencionava o equipamento militar necess\u00e1rio para a tarefa e esclareceu os leitores de que &#8220;a Am\u00e9rica tinha o melhor equipamento&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2003, Garton-Ash, professor em Oxford, repetia a propaganda que levou \u00e0 chacina no Iraque. &#8220;Saddam Hussein&#8221;, escreveu, &#8220;armazenou, conforme [Colin] Powell documentou, grandes quantidades de terr\u00edveis armas qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas e est\u00e1 a esconder o que resta delas. Continua a tentar arranjar as nucleares&#8221;. Elogiava Blair como um &#8220;intervencionista gladstoniano, liberal crist\u00e3o&#8221;. Em 2006, escreveu: &#8220;Agora enfrentamos o maior teste do Ocidente, depois do Iraque: o Ir\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>As explos\u00f5es [de entusiasmo] \u2013 ou, como Garton-Ash prefere, a sua &#8220;torturada ambival\u00eancia liberal&#8221; \u2013 s\u00e3o t\u00edpicas daqueles que pertencem \u00e0 elite liberal transatl\u00e2ntica que fizeram um acordo faustiano. O criminoso de guerra Blair \u00e9 o seu l\u00edder perdido. O <em>Guardian, <\/em>onde apareceu o artigo de Garton-Ash, publicou um an\u00fancio de p\u00e1gina inteira para um bombardeiro Stealth americano. Numa imagem amea\u00e7adora do monstro de Lockheed Martin havia as palavras: &#8220;O F-35. \u00d3TIMO para a Gr\u00e3-Bretanha&#8221;. Este &#8220;equipamento&#8221; americano custar\u00e1 aos contribuintes brit\u00e2nicos 1,3 mil milh\u00f5es de libras esterlinas, depois de os seus antecessores modelo-F terem chacinado por todo o mundo. Em coro com o anunciante, o editorial do <em>Guardian <\/em>defendia um aumento nas despesas militares.<\/p>\n<p>Mais uma vez, h\u00e1 um objectivo profundo. Os dirigentes do mundo n\u00e3o querem a Ucr\u00e2nia s\u00f3 como uma base de m\u00edsseis. Querem a sua economia. A nova ministra das Finan\u00e7as de Kiev, Natalie Jaresko, \u00e9 uma antiga funcion\u00e1ria senior do Departamento de Estado dos EUA, encarregada do &#8220;investimento&#8221; dos EUA no ultramar. Foi-lhe concedida \u00e0 pressa a cidadania ucraniana. Querem a Ucr\u00e2nia por causa do g\u00e1s abundante. O filho do vice-presidente Joe Biden faz parte da administra\u00e7\u00e3o da maior empresa de petr\u00f3leo, de g\u00e1s e de refina\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia. Os fabricantes de sementes geneticamente modificadas, empresas como a p\u00e9rfida Monsanto, querem o rico solo agr\u00edcola da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Sobretudo, querem o poderoso vizinho da Ucr\u00e2nia, a R\u00fassia. Querem balcanizar ou desmembrar a R\u00fassia e explorar a maior fonte de g\u00e1s natural do planeta. Enquanto o gelo do \u00c1rctico se derrete, querem controlar o Oceano \u00c1rctico e as suas riquezas energ\u00e9ticas, e a longa fronteira terrestre do \u00c1rctico na R\u00fassia. O seu homem em Moscovo era Boris Yeltsin, um b\u00eabado, que entregou a economia do pa\u00eds ao Ocidente. O seu sucessor, Putin, restabeleceu a R\u00fassia como uma na\u00e7\u00e3o soberana; o seu crime \u00e9 esse.<\/p>\n<p>A responsabilidade de todos n\u00f3s \u00e9 clara, \u00c9 identificar e denunciar as mentiras incessantes dos defensores da guerra e nunca pactuar com elas. \u00c9 reacender os grandes movimentos populares que trouxeram uma fr\u00e1gil civiliza\u00e7\u00e3o aos modernos estados imperialistas. Mais importante ainda, \u00e9 impedir a conquista de n\u00f3s mesmos: dos nossos esp\u00edritos, da nossa humanidade, do nosso auto-respeito. Se nos mantivermos calados, a vit\u00f3ria sobre n\u00f3s \u00e9 garantida e um holocausto nos acena.<\/p>\n<p><strong>[NR] N\u00e3o \u00e9 caso \u00fanico. Os EUA, ap\u00f3s o golpe de Fevereiro de 2014 em Kiev, tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/was-the-price-of-ukraines-liberation-the-handover-of-its-gold-to-the-fed\/5372926\" target=\"_blank\">roubaram as reservas-ouro do Banco Nacional da Ucr\u00e2nia<\/a>(40 t). <\/strong><\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/johnpilger.com\/articles\/why-the-rise-of-fascism-is-again-the-issue\" target=\"_blank\">johnpilger.com\/articles\/why-the-rise-of-fascism-is-again-the-issue<\/a><\/strong><strong> . Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em <\/strong><strong><a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor John Pilger\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7529\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7529","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Xr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7529","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7529\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}