{"id":7579,"date":"2015-03-27T19:18:12","date_gmt":"2015-03-27T19:18:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7579"},"modified":"2015-03-27T19:18:12","modified_gmt":"2015-03-27T19:18:12","slug":"manuel-marulanda-velez-o-estrategista-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7579","title":{"rendered":"Manuel Marulanda V\u00e9lez O estrategista da paz"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Marulanda foi um dos mais importantes guerrilheiros colombianos e latino-americanos.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando muitos nomes de pol\u00edticos med\u00edocres forem esquecidos, o de Marulanda <\/em><\/p>\n<p><em>ser\u00e1 reconhecido como um dos mais dignos e firmes lutadores pelo bem-estar dos camponeses, dos trabalhadores e dos pobres da Am\u00e9rica Latina.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>FIDEL CASTRO RUZ<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Hoje \u00e9 o dia do direito universal dos povos do mundo \u00e0 rebeli\u00e3o, ao levante armado contra a opress\u00e3o. Assim o institu\u00edram, h\u00e1 seis anos, numerosos movimentos pol\u00edticos e sociais, partidos de esquerda, sindicatos, coletivos populares, muitos acad\u00eamicos e pessoas comuns, em homenagem a Manuel Marulanda V\u00e9lez, rememorando o comandante morto em 26 de mar\u00e7o de 2008. Como palpita vital e sonoro o internacionalismo no imenso peito da humanidade! Quanta raz\u00e3o tinha Che ao definir a solidariedade como a ternura dos povos!<\/p>\n<p>O recurso \u00e0 rebeli\u00e3o \u00e9 um direito natural e hist\u00f3rico. No pr\u00f3prio pre\u00e2mbulo da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos aprovada pela ONU em 1948, se consagra e legitima este direito, impresso, al\u00e9m disso, de maneira indel\u00e9vel na hist\u00f3ria do constitucionalismo mundial, desde a Declara\u00e7\u00e3o da Filad\u00e9lfia, de Independ\u00eancia dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Para recordar hoje Manuel Marulanda V\u00e9lez em sua incr\u00edvel trajet\u00f3ria de resist\u00eancia, vamos nos referir a este direito universal, atrav\u00e9s de reflex\u00f5es do Libertador sobre a tem\u00e1tica, datas p\u00fablicas nas p\u00e1ginas do Correo del Orinoco em 1821. Dizia Bol\u00edvar que <em>\u201cO homem social pode conspirar contra toda lei positiva que tenha encurvado seu pesco\u00e7o, protegendo-se com a lei natural\/ Sem d\u00favida, \u2013 <\/em>dizia<em> \u2013 \u00e9 algo severo esta teoria, por\u00e9m ainda quando sejam alarmantes as consequ\u00eancias da resist\u00eancia ao poder, n\u00e3o \u00e9 menos certo que existe na natureza do homem social um direito inalien\u00e1vel que legitima a insurrei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p>E, de maneira pragm\u00e1tica, nos recomenda, tamb\u00e9m nas p\u00e1ginas deste documento, que <em>\u201cA fim de n\u00e3o embaralhar a gram\u00e1tica da raz\u00e3o, deve dar-se o nome de insurrei\u00e7\u00e3o a toda conjura\u00e7\u00e3o que tenha por objetivo melhorar o homem, a p\u00e1tria e o universo\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>E de nossa parte dir\u00edamos que Manuel Marulanda V\u00e9lez deu vida \u00e0quela assertiva bolivariana de que <em>\u201cA insurrei\u00e7\u00e3o se anuncia com o esp\u00edrito de paz, se resiste contra o despotismo porque este destr\u00f3i a paz, e n\u00e3o a tomada das armas, mas para obrigar seus inimigos \u00e0 paz\u201d<\/em>, com a forma\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito do povo que moldou com suas m\u00e3os camponesas: as FARC-EP.<\/p>\n<p>Por isso, estamos aqui na trincheira de Havana, resolutos a alcan\u00e7ar com o respaldo da vontade nacional, da mobiliza\u00e7\u00e3o nacional, com o apoio de nossos jovens, de nossas mulheres, de nossos camponeses e povos ind\u00edgenas, das comunidades afro, dos povos origin\u00e1rios e de toda popula\u00e7\u00e3o urbana, a vit\u00f3ria da paz e a reconcilia\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia, sobre bases de vida digna, democracia verdadeira e soberania p\u00e1tria.<\/p>\n<p>O fim da confronta\u00e7\u00e3o armada mediante o di\u00e1logo civilizado \u00e9 uma necessidade do momento. Por\u00e9m, as castas olig\u00e1rquicas que maltrataram e submeteram o povo nos 184 anos de vida republicana, caso se parta de 1830, devem se distanciar desse sentimento mesquinho e excludente, de querer obter para si uma paz sem custos, uma paz gr\u00e1tis. Os colombianos pedem aos gritos a <em>\u201crestaura\u00e7\u00e3o moral\u201d<\/em> da Rep\u00fabica sobre os pilares solid\u00e1rios e estruturas de humanidade, uma paz que nos garanta p\u00e3o, emprego, terra, sal\u00e1rios justos, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o gratuitas e de qualidade, habita\u00e7\u00e3o digna, transporte barato, servi\u00e7os p\u00fablicos, conectividade, boas estradas, o respeito \u00e0 biodiversidade e ao meio ambiente, uma democracia que considere o cidad\u00e3o comum, institui\u00e7\u00f5es que sejam o orgulho de todos por sua probidade e for\u00e7as armadas defensoras da soberania e das garantias sociais. Tudo isso como a nova bandeira que caracterizar\u00e1 a Col\u00f4mbia do futuro, a do p\u00f3s-acordo de paz.<\/p>\n<p>Neste s\u00e9timo anivers\u00e1rio da morte de Manuel em sua trincheira na selva \u2013 enquanto dirigia seus guerrilheiros que enfrentavam a assimetria militar do importado Plano Col\u00f4mbia \u2013, queremos pedir a todo povo e aos intelectuais, que s\u00e3o uma for\u00e7a viva e poderosa, que se mobilizem ostensivamente, em defesa deste processo que nos conduzir\u00e1 \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o. N\u00f3s que ansiamos a paz com justi\u00e7a social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, somos mais, muito mais.<\/p>\n<p>Convidamos nossa contraparte na Mesa de Negocia\u00e7\u00f5es para que, recorrendo n\u00e3o \u00e0 lei obtusa, nem aos caprichos e fic\u00e7\u00f5es, mas ao sentido comum, a retirar toda a perversidade jur\u00eddica que atravessa, como uma mula morta, o caminho da paz.<\/p>\n<p>Considerem que o direito \u00e0 rebeli\u00e3o \u00e9 uma resposta aos abusos do poder e este pressuposto sugere que existe um respons\u00e1vel m\u00e1ximo n\u00edtido ao longo da hist\u00f3ria e que o levante em armas \u00e9 um direito que assiste a todos os povos do mundo quando se trata de resistir aos atropelos e desaforos do poder.<\/p>\n<p>A paz \u00e9 o bem superior; o direito s\u00edntese sem o qual os direitos restantes seriam totalmente inaplic\u00e1veis. Queremos sua ascens\u00e3o r\u00e1pida, sem a demora dos mestres da arte de negociar sem ceder. Acreditamos firmemente que a verdade tem efeitos curadores e de justi\u00e7a, que \u00e9 necess\u00e1rio criar desde j\u00e1 o Fundo Espacial de Repara\u00e7\u00e3o Integral e garantir que todos os respons\u00e1veis, absolutamente todos, n\u00e3o apenas Gaviria, mas todos aqueles constantes no transcendental informe da Comiss\u00e3o Hist\u00f3rica do Conflito e suas V\u00edtimas, pe\u00e7am perd\u00e3o. Al\u00e9m disso, propomos a afirma\u00e7\u00e3o do comprometimento, como uma s\u00f3 vontade, de um irrevers\u00edvel NUNCA MAIS.<\/p>\n<p>Agradecemos ao comandante Fidel Castro por suas sinceras e convincentes palavras publicadas no pref\u00e1cio deste pronunciamento. Certamente, Manuel n\u00e3o era homem de posses nem de alardes; era original e aut\u00eantico, um l\u00edder natural sa\u00eddo do povo, convertido no maior estrategista da guerra de guerrilhas m\u00f3veis do continente. Esta insurg\u00eancia bolivariana, surgida de Marulanda, cr\u00ea na possibilidade da paz, na for\u00e7a irresist\u00edvel da unidade e na solidariedade dos povos para alcan\u00e7\u00e1-la.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos esta interven\u00e7\u00e3o com um fragmento de um poema do poeta Luis Vidales, dedicado a nossa velha alma, o sempre vivo Manuel Marulanda V\u00e9lez:<\/p>\n<p><em>Manuel \u00e9 o pai da selva colombiana<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 o pastor da paz no rebanho<\/em><\/p>\n<p><em>Manuel \u00e9 irm\u00e3o dos rios e do vento<\/em><\/p>\n<p><em>E al\u00e9m, onde \u00e9 mais livre a montanha<\/em><\/p>\n<p><em>Doce p\u00e1tria para o c\u00e9u, al\u00e9m o sinto.<\/em><\/p>\n<p>Gl\u00f3ria eterna a nossos fundadores, a nossos companheiros ca\u00eddos, e nossa solidariedade com os feridos e mutilados na confronta\u00e7\u00e3o contra o Estado, com nossos prisioneiros de guerra e civis condenados pela rebeli\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.pazfarc-ep.org\/index.php\/noticias-comunicados-documentos-farc-ep\/delegacion-de-paz-farc-ep\/2570-manuel-marulanda-velez-el-estratega-de-la-paz<\/p>\n<p><em><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nHavana, Cuba, sede dos di\u00e1logos de paz, 26 de mar\u00e7o de 2015\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7579\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-7579","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Yf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7579\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}