{"id":7601,"date":"2015-03-31T18:47:38","date_gmt":"2015-03-31T18:47:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7601"},"modified":"2015-03-31T18:47:38","modified_gmt":"2015-03-31T18:47:38","slug":"geopolitica-da-guerra-dos-eua-no-iemen-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7601","title":{"rendered":"Geopol\u00edtica da guerra dos EUA no I\u00eamen (I)"},"content":{"rendered":"\n<p>Traduzido pelo pessoal da <strong>Vila Vudu<\/strong><\/p>\n<p>Os EUA e o reino da Ar\u00e1bia Saudita ficaram muito ansiosos quando o movimento iemenita dos houthis, ou <em>Ansarallah<\/em> (ar. \u201cpilares de Deus\u201d) conquistou o controle sobre a capital do I\u00eamen, Sanaa\/Sana, em setembro de 2014. O presidente do I\u00eamen Abdrabbuh Man\u1e63our Al-Hadi, apoiado pelos EUA, foi humilhantemente for\u00e7ado a dividir o poder com os houthis e a coaliz\u00e3o de tribos do norte do I\u00eamen que haviam ajudado os houthis a tomar Sana. Al-Hadi declarou que haveria negocia\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o de um governo de unidade nacional do I\u00eamen, e seus aliados \u2013 EUA e Ar\u00e1bia Saudita tentaram usar um novo di\u00e1logo nacional e mediaram conversa\u00e7\u00f5es, no esfor\u00e7o para cooptar e pacificar os houthis.<\/p>\n<p>A verdade foi virada de pernas para o ar, em tudo que tenha a ver com a guerra no I\u00eamen. A guerra e a derrubada do presidente Abdrabbuh Man\u1e63our Al-Hadi no I\u00eamen <strong>n\u00e3o s\u00e3o efeito de algum \u201cgolpe houthi\u201d que tivesse acontecido no I\u00eamen<\/strong>. \u00c9 o contr\u00e1rio disso: Al-Hadi foi derrubado porque ele tentou um golpe, apoiado por sauditas e EUA, para escapar das regras de partilha do poder que o presidente havia assinado; e para devolver o I\u00eamen \u00e0 regra autorit\u00e1ria de antes. <strong>A derrubada do presidente Al-Hadi pelos houthis e seus aliados pol\u00edticos foi rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o prevista \u00e0 tentativa de golpe, para voltar ao poder autorit\u00e1rio de antes, empreendida por Al-Hadi com apoio e planejamento de Washington e da Casa de Saud.<\/strong><\/p>\n<p>Os houthis e seus aliados representam como uma \u201cfatia\u201d exemplar da diversificada sociedade iemenita e da maioria dos iemenitas. A alian\u00e7a dom\u00e9stica dos houthis contra o presidente Al-Hadi inclui mu\u00e7ulmanos xiitas e tamb\u00e9m mu\u00e7ulmanos sunitas. Os EUA e a Casa de Saud jamais supuseram que os houthis insistiriam em fazer valer os acordos firmados com o governo, a ponto de derrubar o presidente que se recusava a honrar aqueles acordos, mas a verdade \u00e9 que essa rea\u00e7\u00e3o estava em prepara\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Com a Casa de Saud, Al-Hadi, j\u00e1 desde antes de tornar-se presidente, envolveu-se na persegui\u00e7\u00e3o aos houthis e na manipula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica tribal no I\u00eamen. Quando se tornou presidente, fincou os p\u00e9s e p\u00f4s-se a trabalhar contra a implementa\u00e7\u00e3o de tudo que fora fixado consensualmente nas negocia\u00e7\u00f5es do Di\u00e1logo Nacional do I\u00eamen, realizado depois que Ali Abdullah Saleh foi obrigado a deixar o poder em 2011.<\/p>\n<p><strong>Golpe ou contragolpe: o que realmente aconteceu no I\u00eamen?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, quando tomaram a capital Sana no final de 2014, os houthis rejeitaram as propostas de Al-Hadi e suas novas ofertas para um acordo formal de partilha do poder, acusando Al-Hadi de ser homem sem moral que estava, de fato, renegando tudo que se comprometera a fazer quando assinara os acordos de partilha do poder. Naquele momento, a atitude submissa e subalterna do presidente Al-Hadi frente a Washington e \u00e0 Casa de Saud j\u00e1 o havia tornado terrivelmente impopular no I\u00eamen, detestado pela maioria da popula\u00e7\u00e3o. Dois meses depois, dia 8\/11\/2014, o pr\u00f3prio partido do presidente Al-Hadi (Congresso Geral Iemenita do Povo), tamb\u00e9m j\u00e1 o destitu\u00edra do posto de l\u00edder do partido.<\/p>\n<p>Os houthis chegaram a prender o presidente Al-Hadi e, dia 20\/1\/2015, tomaram o pal\u00e1cio presidencial e outros pr\u00e9dios do governo. Com apoio popular, cerca de duas semanas adiante, dia 6\/2\/2015, os houthis constitu\u00edram formalmente um governo iemenita de transi\u00e7\u00e3o. Al-Hadi foi obrigado a renunciar. Dia 26\/2\/2015, em declara\u00e7\u00e3o oficial, os houthis denunciaram que os EUA e a Ar\u00e1bia Saudita preparavam-se para atacar e devastar o I\u00eamen.<\/p>\n<p>A deposi\u00e7\u00e3o de Al-Hadi foi duro golpe contra a pol\u00edtica exterior dos EUA. A tal ponto que resultou em opera\u00e7\u00e3o militar de emerg\u00eancia da <em>CIA<\/em> e do Pent\u00e1gono, for\u00e7ados a retirar do I\u00eamen, \u00e0s pressas, todo o seu pessoal militar e de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>O <em>Los Angeles Times<\/em> noticiou dia 25\/3\/2015, citando funcion\u00e1rios dos EUA, que os houthis haviam confiscado grande quantidade de documentos secretos quando tomaram o pr\u00e9dio do Gabinete de Seguran\u00e7a Nacional do I\u00eamen, que trabalhava em \u00edntima coordena\u00e7\u00e3o com a CIA, documentos que comprometiam as opera\u00e7\u00f5es de Washington no I\u00eamen.<\/p>\n<p>Al-Hadi fugiu da capital Sana para Aden, dia 21\/2\/2015 e dia 7\/3\/2015 declarou Aden capital do I\u00eamen. EUA, Fran\u00e7a, Turquia e seus mais \u00edntimos aliados europeus fecharam suas embaixadas. Pouco depois, em movimento que provavelmente foi coordenado com os EUA, a Ar\u00e1bia Saudita, o Kuwait, o Bahrain, o Qatar e os Emirados \u00c1rabes Unidos reabriram as respectivas embaixadas, j\u00e1 em Aden. Al-Hadi cancelou sua carta de ren\u00fancia \u00e0 presid\u00eancia e declarou que estava formando um novo governo no ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Os houthis e respectivos aliados pol\u00edticos recusaram-se a conceder as exig\u00eancias de EUA e Ar\u00e1bia Saudita, que estavam sendo articuladas atrav\u00e9s de Al-Hadi em Aden, com a participa\u00e7\u00e3o de uma Riad cada dia mais hist\u00e9rica. Resultado, o Ministro do Exterior de Al-Hadi, Riyadh Yaseen, pediu que Ar\u00e1bia Saudita e os petro-emirados \u00e1rabes interviessem militarmente para impedir que os houthis alcan\u00e7assem, dia 23\/3\/2015, o controle sobre o espa\u00e7o a\u00e9reo do I\u00eamen. Yaseen disse ao jornal <em>Al-Sharg Al-Awsa<\/em>, porta-voz dos sauditas, que era absolutamente necess\u00e1ria uma campanha de bombardeios e que tinha de ser imposta sobre o I\u00eamen uma zona a\u00e9rea de exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Os houthis perceberam que come\u00e7aria a guerra e que seriam atacados \u2013 e esse \u00e9 o motivo pelo qual os houthis e seus aliados no ex\u00e9rcito do I\u00eamen correram a ocupar a maior quantidade poss\u00edvel de campos de pouso e bases a\u00e9reas do pa\u00eds, o mais rapidamente que puderam, como, dentre outras, Al-Anad. Para neutralizar Al-Hadi, dia 25\/3\/2015 os houthis invadiram Aden.<\/p>\n<p>Quando os houthis e aliados entraram em Aden, Al-Hadi j\u00e1 fugira para um porto iemenita. E s\u00f3 ressurgiria para o mundo j\u00e1 na Ar\u00e1bia Saudita, quando a Casa de Saud come\u00e7ou a bombardear o I\u00eamen, dia 26\/3\/2015. Da Ar\u00e1bia Saudita, Abdrabbuh Mansour Al-Hadi voaria at\u00e9 o Egito para uma reuni\u00e3o da Liga \u00c1rabe, convocada para legitimar a guerra contra o I\u00eamen.<\/p>\n<p><strong>I\u00eamen e a mut\u00e1vel equa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica no Oriente M\u00e9dio<\/strong><\/p>\n<p>A tomada de Sana pelos houthis aconteceu no mesmo cronograma que uma s\u00e9rie de outros eventos, todos de vit\u00f3rias regionais para o Ir\u00e3, o Hezbollah, a S\u00edria e o Bloco da Resist\u00eancia e esses e outros atores locais formam coletivamente. Na S\u00edria, o governo s\u00edrio conseguiu firmar-se em suas posi\u00e7\u00f5es, enquanto no Iraque o movimento <em>ISIL\/ISIS\/Daesh<\/em> estava sendo for\u00e7ado a retroceder pelo Iraque, com uma muito vis\u00edvel ajuda do Ir\u00e3 e de mil\u00edcias iraquianas aliadas de Teer\u00e3.<\/p>\n<p>A equa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica no Oriente M\u00e9dio come\u00e7ou a mudar, quando se tornou claro que o Ir\u00e3 ia-se convertendo em item central da arquitetura de seguran\u00e7a e da estabilidade na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A Casa de Saud e o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, puseram-se a gemer e a reclamar que o Ir\u00e3 j\u00e1 controlava quatro capitais regionais \u2013 Beirute, Damasco, Bagd\u00e1 e Sana \u2013 e que algo teria de ser feito para conter a expans\u00e3o iraniana. Resultado da nova equa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, os israelenses e a Casa de Saud tornaram-se perfeitamente alinhadas, em termos estrat\u00e9gicos, com o objetivo de neutralizar o Ir\u00e3 e seus aliados regionais. \u201cQuando israelenses e \u00e1rabes est\u00e3o na mesma p\u00e1gina, todos devem prestar aten\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 disse \u00e0 Fox News o embaixador israelense Ron Dermer, dia 5\/3\/2015, comentando o alinhamento Israel-Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica de medo promovida por israelenses e sauditas n\u00e3o deu certo. Segundo pesquisa do instituto Gallup, apenas 9% dos cidad\u00e3os norte-americanos consideravam o Ir\u00e3 como o pior inimigo dos EUA, no momento em que Netanyahu chegou a Washington para falar contra qualquer acordo entre EUA e Ir\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Objetivos geoestrat\u00e9gicos de EUA e sauditas, por tr\u00e1s da guerra no I\u00eamen<\/strong><\/p>\n<p>Embora, por seu lado, a Casa de Saudi sempre tenha considerado o I\u00eamen como prov\u00edncia subordinada e parte da esfera de influ\u00eancia de Riad, os EUA querem assegurar o controle sobre o <strong><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bab-el-Mandeb\" target=\"_blank\">estreito de Bab Al-Mandeb<\/a><\/strong>, o Golfo de Aden e as ilhas Socotra. Bab Al-Mandeb \u00e9 importante ponto estrat\u00e9gico para o com\u00e9rcio mar\u00edtimo internacional e embarques de energia, que conecta o Golfo P\u00e9rsico, pelo Oceano \u00cdndico, com o Mar Mediterr\u00e2neo via o Mar Vermelho. \u00c9 t\u00e3o importante quanto o Canal de Suez para as rotas mar\u00edtimas comerciais entre \u00c1frica, \u00c1sia e Europa.<\/p>\n<p>Israel tamb\u00e9m se envolveu, porque com o I\u00eamen controlado por houthis, Israel perde o acesso ao Oceano \u00cdndico via o Mar Vermelho e deixa de poder mandar seus submarinos para o Golfo P\u00e9rsico para amea\u00e7ar o Ir\u00e3. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual o controle sobre o I\u00eamen foi um dos pontos sobre os quais Netanyahu discursou no Capit\u00f3lio quando falou ao Congresso dos EUA sobre o Ir\u00e3, dia 3\/3\/2015, no que o pr\u00f3prio <em>New York Times<\/em>, logo quem, chamou de \u201co discurso nada convincente de Mr. Netanyahu ao Congresso\u201d.<\/p>\n<p>A Ar\u00e1bia Saudita visivelmente temia que o I\u00eamen viesse a alinhar-se formalmente ao lado do Ir\u00e3, e que isso, naquela \u00e1rea, viesse a resultar em novas rebeli\u00f5es contra a Casa de Saud na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica. Os EUA tamb\u00e9m visivelmente temem que isso aconte\u00e7a, mas pensavam, mais, em termos de rivalidades globais. Impedir que Ir\u00e3, R\u00fassia ou China consigam firmar algum p\u00e9 estrat\u00e9gico no I\u00eamen, como meio de impedir que outras pot\u00eancias venham a poder controlar o Golfo de Aden e se posicionem no estreito de Bab Al-Mandeb era uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es dos EUA.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da import\u00e2ncia geopol\u00edtica do I\u00eamen na supervis\u00e3o de corredores mar\u00edtimos altamente estrat\u00e9gicos, h\u00e1 tamb\u00e9m seu arsenal de m\u00edsseis militares. M\u00edsseis do I\u00eamen podem alcan\u00e7ar qualquer navio no Golfo de Aden ou no estreito de Bab Al-Mandeb. Quanto a isso, o ataque saudita contra os dep\u00f3sitos de m\u00edsseis estrat\u00e9gicos do I\u00eamen interessam muito aos EUA e a Israel. O objetivo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 impedir que os m\u00edsseis sejam usados para retaliar contra for\u00e7as avan\u00e7adas do ex\u00e9rcito saudita, mas, tamb\u00e9m, impedir que os m\u00edsseis estejam dispon\u00edveis para algum eventual governo iemenita que se alie ao Ir\u00e3, \u00e0 R\u00fassia ou \u00e0 China.<\/p>\n<p>Numa posi\u00e7\u00e3o p\u00fablica que contradiz totalmente a pol\u00edtica de Riad para a S\u00edria, os sauditas amea\u00e7aram usar for\u00e7a militar se os houthis e seus aliados pol\u00edticos n\u00e3o aceitassem negociar com Al-Hadi. Resultados de mais essas amea\u00e7as dos sauditas, dia 25\/3\/2015 irromperam protestos de rua por todo o I\u00eamen contra a Casa de Saud. E assim as engrenagens foram postas em marcha para mais uma guerra no Oriente M\u00e9dio, quando EUA, Ar\u00e1bia Saudita, Bahrain, Emirados \u00c1rabes Unidos, Qatar e Kuwait come\u00e7aram a preparar-se para reinstalar Al-Hadi no governo.<\/p>\n<p><strong>Os sauditas v\u00e3o \u00e0 guerra no I\u00eamen e Novo Front contra o Ir\u00e3<\/strong><\/p>\n<p>Por mais que se fale da Ar\u00e1bia Saudita como pot\u00eancia regional, n\u00e3o \u00e9 pot\u00eancia suficiente para confrontar, sozinha, o Ir\u00e3. A estrat\u00e9gia da Casa de Saud tem sido formar ou refor\u00e7ar um sistema de alian\u00e7a regional para qualquer confronto contra o Ir\u00e3 e o Bloco da Resist\u00eancia. Para isso, a Ar\u00e1bia Saudita precisa de Egito, Turquia e Paquist\u00e3o \u2013 mal identificados pelo nome de alian\u00e7a ou eixo \u201csunita\u201d \u2013 para ajud\u00e1-la a enfrentar o Ir\u00e3 e seus aliados regionais.<\/p>\n<p>Dia 17\/3\/2015, o pr\u00edncipe coroado Mohammed bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, o pr\u00edncipe coroado do Emirado de Abu Dhabi e o Vice-Comandante Supremo do ex\u00e9rcito dos Emirados \u00c1rabes Unidos visitou o Marrocos, para falar sobre alguma resposta militar coletiva contra o I\u00eamen, dos petro-emirados, Marrocos, Jord\u00e2nia e Egito. Dia 21\/3\/2015, Mohammed bin Zayed reuniu-se com o rei saudita Salman Salman bin Abdulaziz Al-Saud, para discutir tamb\u00e9m uma resposta militar ao I\u00eamen. Tudo isso enquanto Al-Hadi conclamava a Ar\u00e1bia Saudita e o Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo (CCG) para que o ajudasse com uma interven\u00e7\u00e3o militar no I\u00eamen. Depois das reuni\u00f5es, houve conversas sobre um novo pacto regional de seguran\u00e7a para os petro-emirados \u00e1rabes.<\/p>\n<p>Dentre os cinco membros do CCG, o Sultanato de Om\u00e3 manteve-se \u00e0 parte. Om\u00e3 recusou-se a participar da guerra contra o I\u00eamen. Muscat tem rela\u00e7\u00f5es amistosas com Teer\u00e3. Al\u00e9m disso, os omanitas desconfiam do projeto saudita e do CCG de usarem sectarismos para incendiar um confronto com o Ir\u00e3 e seus aliados. A maioria dos omanitas n\u00e3o s\u00e3o nem mu\u00e7ulmanos sunitas nem mu\u00e7ulmanos xiitas; s\u00e3o mu\u00e7ulmanos <em>Ibadi <\/em>e temem o inc\u00eandio que os EUA, a Casa de Saud e os outros emirados \u00e1rabes est\u00e3o tentando soprar sobre toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os propagandistas sauditas trabalharam muitas horas extras para disseminar a ideia, falsa, de que a guerra seria uma resposta \u00e0s tropas que o Ir\u00e3 estaria deslocando para as fronteiras da Ar\u00e1bia Saudita. A Turquia anunciaria, em seguida, apoio \u00e0 guerra no I\u00eamen. No dia em que a guerra come\u00e7ou, Erdogan na Turquia disse que o Ir\u00e3 estaria tentando dominar toda a regi\u00e3o, e que Turquia, Ar\u00e1bia Saudita e o CCG estavam gravemente incomodados.<\/p>\n<p>Durante esses eventos, Sisi do Egito declarou que a seguran\u00e7a do Cairo, da Ar\u00e1bia Saudita e dos petro-emirados \u00e9 una e indivis\u00edvel. Na verdade, dia 25\/3\/2015, o Egito declarou que n\u00e3o se envolveria em guerra no I\u00eamen, mas, no dia seguinte, Cairo uniu-se \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita no ataque de Riad contra o I\u00eamen (o Egito enviou jatos e navios para o I\u00eamen).<\/p>\n<p>Nessa mesma linha, o Primeiro-Ministro do Paquist\u00e3o, Nawaz Sharif, distribuiu declara\u00e7\u00f5es, dia 26\/3\/2015, segundo as quais qualquer amea\u00e7a \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita geraria \u201cresposta forte\u201d do Paquist\u00e3o. A mensagem tacitamente estava dirigida ao Ir\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Pap\u00e9is de EUA e Israel na guerra no I\u00eamen<\/strong><\/p>\n<p>Dia 27\/3\/2015, foi anunciado no I\u00eamen que Israel estava ajudando a Ar\u00e1bia Saudita no ataque ao pa\u00eds \u00e1rabe. \u201c\u00c9 a primeira vez que os sionistas unem-se em opera\u00e7\u00e3o conjunta com \u00e1rabes\u201d \u2013 Hassan Zayd, l\u00edder do partido Al-Haq do I\u00eamen, escreveu pela internet, chamando a aten\u00e7\u00e3o para os interesses convergentes entre Ar\u00e1bia Saudita e Israel.<\/p>\n<p>Mas essa alian\u00e7a Israel-sauditas contra o I\u00eamen n\u00e3o \u00e9 novidade. Os israelenses ajudaram a Casa de Saud durante a Guerra Civil do I\u00eamen do Norte, iniciada em 1962; naquela ocasi\u00e3o, Israel forneceu armas \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita para ajudar os monarquistas, contra os republicanos do I\u00eamen do Norte.<\/p>\n<p>Os EUA tamb\u00e9m est\u00e3o envolvidos, liderando \u201cdos fundos\u201d, ou \u00e0 dist\u00e2ncia. Ao mesmo tempo em que querem um acordo nuclear com o Ir\u00e3, trabalham para manter uma alian\u00e7a contra Teer\u00e3, usando os sauditas. O Pent\u00e1gono garantir\u00e1 o que chamou de \u201capoio log\u00edstico e de intelig\u00eancia\u201d \u00e0 Casa de Saud. Que ningu\u00e9m se engane sobre esse ponto: a guerra contra o I\u00eamen tamb\u00e9m \u00e9 guerra de Washington. O CCG atirou-se contra o I\u00eamen obedecendo ordens dos EUA.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito se fala sobre a forma\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a militar pan-\u00e1rabe, mas as propostas voltaram \u00e0 mesa, renovadas, dia 9\/3\/2015, com o selo da Liga \u00c1rabe. As propostas de uma for\u00e7a militar \u00e1rabe unificada interessam aos EUA, a Israel e aos sauditas. A conversa sobre um ex\u00e9rcito pan-\u00e1rabe foi motivada pelos preparativos desse mesmo trio para atacar o I\u00eamen, repor Al-Hadi no governo e confrontar regionalmente o Ir\u00e3, a S\u00edria, o Hezbollah e o Bloco da Resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>[Continua]<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>[*]<\/strong> <strong>Mahdi Darius Nazemroaya<\/strong> \u00e9 cientista social, escritor premiado, colunista e pesquisador. Suas obras s\u00e3o reconhecidas internacionalmente em uma ampla s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es e foram traduzidas para mais de vinte idiomas, incluindo alem\u00e3o, \u00e1rabe, italiano, russo, turco, espanhol, portugu\u00eas, chin\u00eas, coreano, polon\u00eas, arm\u00eanio, persa, holand\u00eas e romeno. Seu trabalho em ci\u00eancias geopol\u00edticas e estudos estrat\u00e9gicos tem sido usado por v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e de defesa de teses em universidades e escolas preparat\u00f3rias de oficiais militares. \u00c9 convidado freq\u00fcente em redes internacionais de not\u00edcias como analista de geopol\u00edtica e especialista em Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Recentemente, em viagem pela Am\u00e9rica Central, contactou a Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, em sua base em Le\u00f3n, na Nicar\u00e1gua. Como Observador Internacional esteve em El Salvador no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n30\/3\/2015, Mahdi Darius Nazemroaya*, Strategic Culture \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7601\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7601","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1YB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7601\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}