{"id":7612,"date":"2015-04-04T00:09:36","date_gmt":"2015-04-04T00:09:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7612"},"modified":"2015-04-04T00:09:36","modified_gmt":"2015-04-04T00:09:36","slug":"a-intensificacao-dos-antagonismos-imperialistas-na-regiao-do-mediterraneo-sudeste-e-dos-balcas-a-posicao-do-kke-sobre-a-possibilidade-de-envolvimento-da-grecia-em-uma-guerra-imperialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7612","title":{"rendered":"A intensifica\u00e7\u00e3o dos antagonismos imperialistas na regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo Sudeste e dos B\u00e1lc\u00e3s. A posi\u00e7\u00e3o do KKE sobre a possibilidade de envolvimento da Gr\u00e9cia em uma guerra imperialista"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>(Partido Comunista da Gr\u00e9cia \u2013 Revista Comunista Internacional)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>A guerra n\u00e3o ocorre por acaso. N\u00e3o \u00e9 um \u201cpecado\u201d, como creem os sacerdotes crist\u00e3os (que pregam o patriotismo, o humanismo e a paz t\u00e3o mal quanto os oportunistas), mas uma etapa inevit\u00e1vel do capitalismo, uma forma da vida capitalista t\u00e3o natural como \u00e9 a paz. A guerra de nossa \u00e9poca \u00e9 a guerra dos povos. Desta verdade n\u00e3o surge a conclus\u00e3o de que devemos nadar por onde vai a corrente \u201cpopular\u201d do chauvinismo, mas que tamb\u00e9m no per\u00edodo de guerra continuam existindo e se manifestam as contradi\u00e7\u00f5es classistas que dividem os povos\u201d. <\/em><\/p>\n<p>V.I.Lenin*<\/p>\n<p>O Partido Comunista da Gr\u00e9cia (KKE), que se mant\u00e9m fiel ao Marxismo-Leninismo e ao internacionalismo prolet\u00e1rio, a partir de sua avalia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se ocupa da quest\u00e3o da guerra. A possibilidade da guerra e o envolvimento da Gr\u00e9cia nesta foi um tema particular no \u00faltimo encontro, o XIX Congresso do KKE (11-14 de abril de 2013). Na Resolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica se d\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es importantes a respeito da prepara\u00e7\u00e3o do Partido ante esta possibilidade, j\u00e1 que todos os acontecimentos justificam plenamente Lenin, que destacou que a guerra \u00e9 uma \u201cfase inevit\u00e1vel do capitalismo, uma forma da vida capitalista que \u00e9 t\u00e3o normal quanto a paz\u201d. A \u201cpaz\u201d imperialista prepara novas guerras imperialistas. O KKE n\u00e3o se limita a repetir as verdades leninistas, mas as utiliza como base para analisar os procesos socioecon\u00f3micos e pol\u00edticos espec\u00edficos de nossa ampla regi\u00e3o, que s\u00e3o explosivos e criam uma situa\u00e7\u00e3o muito perigosa para a vida dos trabalhadores. O artigo tratar\u00e1 este enfoque do KKE.<\/p>\n<p><strong>1. A regi\u00e3o \u00e9 um \u201cim\u00e3\u201d de contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas<\/strong><\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX, a regi\u00e3o dos <strong>B\u00e1lc\u00e3s<\/strong> (hoje existem 11 Estados e o protetorado de Kosovo) se caracterizava como o \u201cbarril de p\u00f3lvora\u201d da Europa devido \u00e0s fortes contradi\u00e7\u00f5es e aos conflitos militares. Por tr\u00e1s destes, estavam as grandes pot\u00eancias de ent\u00e3o, que pretendiam se beneficiar da <strong>crise<\/strong> do Imp\u00e9rio Turco-Otomano <strong>feudal<\/strong> e do surgimento de Estados nacionais burgueses em seu lugar, cujas fronteiras eram constantemente questionadas. De fato, uma situa\u00e7\u00e3o similar se formou no terreno do Imp\u00e9rio Turco-Otomano no Oriente M\u00e9dio depois da Primeira Guerra Mundial, onde se introduziram e se refor\u00e7aram as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas e se tra\u00e7aram fronteiras. Depois da Segunda Guerra Mundial, foram criados novos Estados burgueses \u201cnacionais\u201d (aproximadamente 20) e se intensificaram as contradi\u00e7\u00f5es entre as pot\u00eancias fortes.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos anos, ap\u00f3s os acontecimentos contrarrevolucion\u00e1rios e a derrocada do socialismo na URSS e nos pa\u00edses do Leste Europeu, a regi\u00e3o do Sudeste Mediterr\u00e2neo (Oriente M\u00e9dio) e dos B\u00e1lc\u00e3s sofreu a interven\u00e7\u00e3o imperialista na <strong>Iugosl\u00e1via<\/strong>[1], no <strong>Iraque<\/strong>[2], na <strong>L\u00edbia<\/strong>[3]. Assim, desde 2011 at\u00e9 a presente data, est\u00e1 em desenvolvimento a interven\u00e7\u00e3o imperialista dos EUA, da Fran\u00e7a e da Gr\u00e3-Bretanha na <strong>S\u00edria<\/strong>, onde, com a ajuda principalmente da Ar\u00e1bia Saudita, dos Emirados \u00c1rabes, da Turquia, do Qatar, etc., pretendem derrotar o regime de Assad, novamente com o pretexto da \u201cpromo\u00e7\u00e3o da democracia\u201d. N\u00f3s, trabalhadores, antes de tudo comunistas, n\u00e3o podemos de forma alguma aceitar que os EUA e a OTAN, que s\u00e3o respons\u00e1veis por tantas ditaduras e massacres, pretendam salvaguardar os direitos democr\u00e1ticos e as liberdades do povo da S\u00edria. Tampouco podemos crer que os monarcas e os pr\u00edncipes das monarquias do Golfo se interessam pela \u201cdemocracia\u201d da S\u00edria.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o que atrai a interven\u00e7\u00e3o imperialista e a guerra para nossa regi\u00e3o como um \u201cim\u00e3\u201d?<\/p>\n<p>A <strong>posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica<\/strong> da dita regi\u00e3o, que \u00e9 a \u201cencruzilhada\u201d de tr\u00eas continentes (Europa, \u00c1sia e \u00c1frica), objetivamente cria importantes canais de comunica\u00e7\u00e3o, tanto para as atividades econ\u00f4micas como por raz\u00f5es pol\u00edtico-militares. Tais vias s\u00e3o o Canal de Suez, o B\u00f3sforo, o Golfo P\u00e9rsico, os dutos de petr\u00f3leo e de g\u00e1s natural, que s\u00e3o uma rede em constante expans\u00e3o, os grandes portos, a infraestrutura ferrovi\u00e1ria e as estradas, as redes de transporte de eletricidade, etc. Somam-se, ent\u00e3o, as ilhas que os imperialistas utilizam como \u201cporta-avi\u00f5es\u201d insubmerg\u00edvel, por exemplo, Creta e Chipre, assim como as dezenas de bases militares dos EUA, da OTAN e, em menor grau da R\u00fassia, que existem na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O controle da infraestrutura econ\u00f4mica, a influ\u00eancia pol\u00edtico-militar de cada pot\u00eancia imperialista na regi\u00e3o, \u00e9 uma \u201cpr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o\u201d adicional para se aproximarem de outras regi\u00f5es que possuem ou possam adquirir uma import\u00e2ncia estrat\u00e9gica, como s\u00e3o o Mar C\u00e1spio, o C\u00e1ucaso, a \u00c1frica, etc. Inclusive, quando n\u00e3o podem adquirir esta \u201cpr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o\u201d, articulam-se para que seu antagonista a perca.<\/p>\n<p>Como assinalou Lenin: \u201cPara o imperialismo \u00e9 substancial a rivalidade entre v\u00e1rias grandes pot\u00eancias na aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 hegemonia, isto \u00e9, a tomada de territ\u00f3rios n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diretamente para si, mas principalmente para o enfraquecimento do advers\u00e1rio e para a quebra de sua hegemonia\u201d[4]<\/p>\n<p>Nessa regi\u00e3o, existem importantes <strong>reservas de hidrocarbonetos<\/strong>. Al\u00e9m disso, foram descobertos no Mediterr\u00e2neo Oriental reservas que s\u00e3o o \u201cpomo da disc\u00f3rdia\u201d entre os monop\u00f3lios de energia, devido ao desenvolvimento da tecnologia mineradora de busca por jazidas de grande profundidade, \u00e0 ascens\u00e3o significativa dos pre\u00e7os dos hidrocarbonetos, sendo uma explora\u00e7\u00e3o rent\u00e1vel. O controle das reservas de energia na regi\u00e3o, que podem aumentar a rentabilidade dos monop\u00f3lios, \u00e9 outro fator de aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es na citada regi\u00e3o[5].<\/p>\n<p>O retrocesso hist\u00f3rico no avan\u00e7o da luta de classes ap\u00f3s a derrocada do socialismo na URSS e nos demais pa\u00edses da Europa Central e Oriental, a crise capitalista e a agressividade do capital, a desregulamenta\u00e7\u00e3o dos mercados e as privatiza\u00e7\u00f5es como caracter\u00edsticas das reestrutura\u00e7\u00f5es capitalistas criam uma nova situa\u00e7\u00e3o que provoca o aprofundamento dos antagonismos e os reordenamentos. A burguesia dos antigos pa\u00edses socialistas (Europa Central e Oriental, B\u00e1lc\u00e3s, antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica), assim como daqueles onde houve um atraso significativo no desenvolvimento do capitalismo (\u00c1frica do Norte, Oriente M\u00e9dio), pretende modernizar e promover reestrutura\u00e7\u00f5es burguesas que correspondam \u00e0 base econ\u00f4mica atual, com a finalidade de aumentar a rentabilidade do capital, a incorpora\u00e7\u00e3o no sistema imperialista e suas uni\u00f5es (OTAN, UE, etc.).<\/p>\n<p>No entanto, este objetivo provoca contradi\u00e7\u00f5es e conflitos internos entre os diferentes setores da burguesia de cada pa\u00eds, assim como das pot\u00eancias imperialistas poderosas, j\u00e1 que na regi\u00e3o se intensifica o esfor\u00e7o da penetra\u00e7\u00e3o, sobretudo econ\u00f4mica, tamb\u00e9m por outras pot\u00eancias, como s\u00e3o a China e a R\u00fassia. Assim, os monop\u00f3lios, utilizando tamb\u00e9m os mecanismos estatais, se enfrentam fortemente para <strong>dividir e controlar as quotas do mercado<\/strong>. Certamente, esses conflitos intercapitalistas podem se esconder sob outros \u201cmantos\u201d, como, por exemplo, a \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, utilizando <strong>contradi\u00e7\u00f5es interburguesas internas<\/strong>, assim como as lutas e as aspira\u00e7\u00f5es das massas trabalhadoras e populares pelos direitos pol\u00edticos, sindicais e democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p><strong>2. Novos temas na regi\u00e3o, tendo como fundo os velhos<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 anos na regi\u00e3o existem <strong>graves problemas<\/strong> que afetam a evolu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos, como s\u00e3o a ocupa\u00e7\u00e3o da <strong>Palestina<\/strong> por Israel, a ocupa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de 40% do <strong>Chipre<\/strong> pela Turquia, a \u201cemancipa\u00e7\u00e3o\u201d de <strong>Kosovo<\/strong>, as consequ\u00eancias da ocupa\u00e7\u00e3o do <strong>Iraque<\/strong> pelos EUA, a ocupa\u00e7\u00e3o de <strong>territ\u00f3rios s\u00edrios e libaneses<\/strong> por Israel, a situa\u00e7\u00e3o no <strong>Ir\u00e3<\/strong> onde coexiste a busca de um compromisso com respeito \u00e0s armas nucleares e as amea\u00e7as lan\u00e7adas pelos EUA e Israel.<\/p>\n<p>Nos B\u00e1lc\u00e3s e no Mediterr\u00e2neo Oriental existe uma <strong>infinidade de nacionalidades e religi\u00f5es, minorias nacionais e religiosas de forma de organiza\u00e7\u00e3o social pr\u00e9-capitalistas<\/strong> nos Estados existentes. \u00c9 claro que estas contradi\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o s\u00e3o \u201cabsorvidas\u201d pelo desenvolvimento capitalista, se refletem tamb\u00e9m na superestrutura, no relativo atraso da forma\u00e7\u00e3o de um sistema pol\u00edtico burgu\u00eas representativo. Tudo isso facilita a pol\u00edtica de \u201cdividir para reinar\u201d, a pol\u00edtica de agita\u00e7\u00e3o de assuntos de minorias e de fronteiras implementadas pelos imperialistas para promover seus planos. Esta situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 utilizada pelas classes burguesas como armadilha para os trabalhadores no marco do nacionalismo e do expansionismo[6]. \u00c9 certo que as mudan\u00e7as das fronteiras, a fragmenta\u00e7\u00e3o dos Estados n\u00e3o se fazem sem derramamento de sangue, sem a implica\u00e7\u00e3o de interesses imperialistas antag\u00f4nicos. A palavra de ordem dita pelos manifestantes nas concentra\u00e7\u00f5es anti-imperialistas na Gr\u00e9cia \u201cOs imperialistas dividem de novo os territ\u00f3rios e marcam as fronteiras com o sangue dos povos\u201d captura a verdade[7].<\/p>\n<p>Sobre estes assuntos, as posi\u00e7\u00f5es e as an\u00e1lises do KKE s\u00e3o bem conhecidas. Por esta raz\u00e3o, focaremos nos temas mais recentes.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 a chamada \u201c<strong>Primavera \u00c1rabe<\/strong>\u201d, como foram caracterizados os acontecimentos no Egito e na Tun\u00edsia, na qual existe uma combina\u00e7\u00e3o de fatores internos e externos, onde <strong>os internos s\u00e3o predominantes<\/strong>. Os eventos est\u00e3o relacionados com a atividade de setores da burguesia, <strong>das camadas m\u00e9dias, que possuem uma participa\u00e7\u00e3o maior, e da juventude<\/strong>, que buscam a moderniza\u00e7\u00e3o da base econ\u00f4mica e a adapta\u00e7\u00e3o burguesa parlamentar do sistema pol\u00edtico \u00e0 economia capitalista desenvolvida. <strong>Este objetivo mobiliza, al\u00e9m disso, as for\u00e7as trabalhadoras<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Assim, novos ou velhos setores da burguesia se entrela\u00e7am a novos ou velhos aliados estrangeiros. Ent\u00e3o, tais desenvolvimentos \u2013 a mobilidade, os enfrentamentos \u2013 <\/strong>est\u00e3o ligados \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de grandes Estados imperialistas pelo controle mais eficaz da regi\u00e3o. Em todo caso, os planos dos EUA sobre o controle do chamado \u201cGrande Oriente M\u00e9dio\u201d n\u00e3o s\u00e3o desconhecidos.<\/p>\n<p>Vimos que durante os \u00faltimos tr\u00eas anos, sob a influ\u00eancia dos problemas populares intensificados, inicialmente foram organizadas grandes mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares, levantes, primeiro na <strong>Tun\u00edsia<\/strong> e, depois, no <strong>Egito<\/strong>, cujas demandas b\u00e1sicas foram a confronta\u00e7\u00e3o da pobreza, do desemprego, da corrup\u00e7\u00e3o, a amplia\u00e7\u00e3o dos direitos e das liberdades democr\u00e1ticas, a elimina\u00e7\u00e3o dos regimes autorit\u00e1rios de Ben Ali e de Mubarak, cujos partidos foram membros da Internacional Socialista. Como resultado, primeiro surgiram as for\u00e7as do chamado \u201cIsl\u00e3 pol\u00edtico\u201d no poder, enquanto no Egito estas for\u00e7as (\u201cIrmandade Mu\u00e7ulmana\u201d, presid\u00eancia de Morsi) foram violentamente removidas do governo do pa\u00eds, ap\u00f3s o golpe militar, que se aproveitou das condi\u00e7\u00f5es dadas a partir destas mobiliza\u00e7\u00f5es organizadas por for\u00e7as burguesas e pequeno burguesas, liberais e socialdemocratas, que se uniram temporariamente sob o \u201cguarda-chuva\u201d da \u201claicidade\u201d. Tanto no primeiro como no segundo caso, tais mudan\u00e7as superficiais da superestrutura pol\u00edtica foram chamadas arbitrariamente de \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d, o que, naturalmente, n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a realidade. \u00c9 isto que para os mais c\u00e9ticos ficou evidenciado nos acontecimentos do \u00faltimo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Demonstrou-se que as lutas das for\u00e7as populares contra o desemprego, a pobreza, a indig\u00eancia, a repress\u00e3o estatal, a corrup\u00e7\u00e3o, o saqueio dos recursos naturais de seus pa\u00edses pelos monop\u00f3lios nacionais e estrangeiros, quando se limitam apenas \u00e0 altern\u00e2ncia dos governos antipopulares, a direitos democr\u00e1ticos burgueses, n\u00e3o t\u00eam o resultado esperado a favor do povo. Rapidamente, as expectativas do povo foram desmentidas pelas for\u00e7as pol\u00edticas que influenciaram a chamada Primavera \u00c1rabe. Os interesses populares n\u00e3o foram satisfeitos nem pelo governo de Morsi e da Irmandade Mu\u00e7ulmana, que impuseram uma pol\u00edtica antitrabalhista de apoio aos monop\u00f3lios, nem pelo setor da burguesia que apoiou o golpe de Estado militar e escolheu como presidente da Rep\u00fablica o general Sisi.<\/p>\n<p>A crise no sistema pol\u00edtico burgu\u00eas do Egito tamb\u00e9m est\u00e1 conectada aos antagonismos dos centros imperialistas para assegurar os recursos naturais da ampla regi\u00e3o e das rotas de transporte de energia.<\/p>\n<p>A burguesia do Egito tem solu\u00e7\u00f5es alternativas para salvaguardar seus interesses. O papel do ex\u00e9rcito e dos chamados movimentos religiosos s\u00e3o algumas delas. \u00c9 necess\u00e1rio que a classe oper\u00e1ria, os setores populares pobres n\u00e3o se limitem \u00e0 mudan\u00e7a de governo, que n\u00e3o se enganem com solu\u00e7\u00f5es supostamente transit\u00f3rias que preparam o pr\u00f3ximo governo antipopular.<\/p>\n<p>Os acontecimentos revelam que quando a classe oper\u00e1ria n\u00e3o tem um Partido Comunista com independ\u00eancia estrat\u00e9gia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia, o descontentamento popular e o protesto se convertem em parte dos planos de reforma do sistema pol\u00edtico.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de tr\u00eas anos est\u00e1 em desenvolvimento a interven\u00e7\u00e3o imperialista na <strong>S\u00edria<\/strong>, claramente vinculada aos demais acontecimentos na regi\u00e3o, como por exemplo, a interven\u00e7\u00e3o da OTAN e os acontecimentos que est\u00e3o em desenvolvimento na <strong>L\u00edbia<\/strong>, assim como no <strong>Iraque<\/strong>. \u00c9 claro que os acontecimentos na S\u00edria t\u00eam suas ra\u00edzes no interior do pa\u00eds, dado que a S\u00edria est\u00e1 a caminho do desenvolvimento capitalista e a isso se devem os problemas econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos sofridos pela classe oper\u00e1ria e pelos demais setores populares. Trata-se de problemas que se aprofundaram nos \u00faltimos anos, antes da interven\u00e7\u00e3o imperialista, devido \u00e0 pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00f5es, de redu\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas, populares e dos sal\u00e1rios, que s\u00e3o promovidos a favor da burguesia nacional.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0s rea\u00e7\u00f5es populares frente \u00e0s medidas antipopulares, se levou a cabo uma interven\u00e7\u00e3o imperialista aberta por parte dos EUA, da UE, Israel, Turquia, Ar\u00e1bia Saudita, Qatar, etc. \u00c9 evidente que algumas pot\u00eancias imperialistas est\u00e3o interessadas na desestabiliza\u00e7\u00e3o e no enfraquecimento das <strong>for\u00e7as <\/strong><strong>pol\u00edticas burguesas dominantes<\/strong> do regime burgu\u00eas s\u00edrio, que mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es estreitas com a R\u00fassia e que por suas pr\u00f3prias raz\u00f5es entrou em conflito com o \u201caliado mais leal\u201d dos EUA na regi\u00e3o, Israel, e constitui um aliado de outras for\u00e7as na Palestina, no L\u00edbano, que lutam contra diversos planos imperialistas.<\/p>\n<p>O enfraquecimento destas <strong>for\u00e7as lideradas pelo presidente Assad <\/strong>ou, inclusive, sua derrocada, facilitou os planos imperialistas de ataque contra o Ir\u00e3 sob o pretexto de seu programa nuclear. Inclusive, pode levar a novos desmembramentos do Estado na regi\u00e3o e a um dom\u00ednio de desestabiliza\u00e7\u00e3o e derramamento de sangue, o que trar\u00e1 novas guerras e interven\u00e7\u00f5es imperialistas.<\/p>\n<p>Fazendo uma breve resenha hist\u00f3rica, podemos avaliar que depois da II Guerra Mundial, gra\u00e7as \u00e0 <strong>influ\u00eancia <\/strong>da URSS, devido a sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Vit\u00f3ria Antifascista, \u00e0 superioridade do socialismo quanto \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de regimes socialistas no Leste Europeu, o colapso do colonialismo, foram levados a cabo processos positivos na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as internacional. No entanto, estes processos t\u00eam sido superestimados pelo movimento comunista, porque o sistema imperialista internacional permanecia forte e logo depois do fim da guerra, o imperialismo, sob a hegemonia dos EUA, iniciou a \u201cGuerra Fria\u201d e elaborou uma estrat\u00e9gia para minar o sistema socialista e reagrupar for\u00e7as.<\/p>\n<p>Naquele per\u00edodo, em uma s\u00e9rie de pa\u00edses, como na S\u00edria, predominou a quest\u00e3o da conquista da independ\u00eancia nacional como primeira condi\u00e7\u00e3o para a supera\u00e7\u00e3o do atraso que predominava em todos os setores da vida social. A URSS e os demais Estados socialistas elaboraram uma pol\u00edtica de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, etc. e de apoio aos novos regimes e, entre eles o da S\u00edria, para que n\u00e3o fossem assimilados pelo mercado capitalista internacional, pelas uni\u00f5es imperialistas, para fortalecer as for\u00e7as no interior da frente governamental que se posicionavam a favor da \u201corienta\u00e7\u00e3o socialista\u201d.<\/p>\n<p>Este esfor\u00e7o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em desenvolver rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, e inclusive alian\u00e7as, com alguns Estados capitalistas contra pot\u00eancias imperialistas mais fortes, era leg\u00edtimo e compreens\u00edvel, dado que debilitava a frente \u00fanica dos imperialistas, desprendiam for\u00e7as dele e, ao menos temporariamente, utilizavam as contradi\u00e7\u00f5es no campo imperialista. O problema \u00e9 que quando a op\u00e7\u00e3o (estatal) conjuntural da URSS, que se manifestava a n\u00edvel econ\u00f4mico, diplom\u00e1tico ou outro passou a ser considerada por alguns pa\u00edses como um princ\u00edpio, passou a ser teorizada e se falava da chamada \u201cvia de desenvolvimento capitalista\u201d nos pa\u00edses que se identificavam com a percep\u00e7\u00e3o de uma \u201ctransi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica\u201d. Isto conduziu as for\u00e7as comunistas e, consequentemente, o movimento oper\u00e1rio a converterem-se em muleta das for\u00e7as burguesas.<\/p>\n<p>De fato, at\u00e9 hoje alguns interpretam as palavras de Lenin \u2013 de que \u201co capitalismo monopolista de Estado \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o material mais completa para o socialismo, \u00e9 sua antessala, \u00e9 o degrau da escada hist\u00f3rica entre o qual e o degrau chamado socialismo n\u00e3o existe nenhum degrau intermedi\u00e1rio\u201d[8] &#8211; para justificar o apoio ativo e a participa\u00e7\u00e3o dos comunistas na gest\u00e3o burguesa. Apesar dessas pessoas entenderem o capitalismo monopolista estatal meramente como a exist\u00eancia de um setor estatal forte na economia e n\u00e3o como o imperialismo, a fase superior do capitalismo, como havia descrito Lenin, cabe destacar algo mais: Lenin nunca chamou os comunistas a contribu\u00edrem com posi\u00e7\u00f5es governamentais ou outras posi\u00e7\u00f5es \u00e0 gest\u00e3o e o fortalecimento do capitalismo monopolista estatal. Os que evocam esta frase concreta de Lenin para justificar sua participa\u00e7\u00e3o em governos burgueses \u201cde esquerda\u201d, \u201cpatriotas\u201d, etc. a concebem erroneamente. Algumas linhas antes desta passagem, Lenin escreveu que \u201cA guerra imperialista \u00e9 a v\u00e9spera da revolu\u00e7\u00e3o socialista\u201d[9]. No entanto, isto n\u00e3o significa que os comunistas devem saudar a guerra imperialista ou participar nesta ao lado da burguesia de nosso pa\u00eds. Segundo a hist\u00f3ria, Lenin foi aquele que levantou a bandeira do internacionalismo prolet\u00e1rio, contra a participa\u00e7\u00e3o na Primeira Guerra Mundial Imperialista, uma bandeira que foi abandonada pela Segunda Internacional.<\/p>\n<p>Assim, a distin\u00e7\u00e3o equivocada da burguesia com base nos conceitos de \u201cpatri\u00f3tica\u201d ou \u201cservil aos estrangeiros\u201d e a participa\u00e7\u00e3o em governos burgueses, podem levar o Partido Comunista e os trabalhadores a lutarem sob uma \u201cbandeira estrangeira\u201d, e Lenin advertiu sobre este perigo[10]. Al\u00e9m disso, j\u00e1 se demonstrou que na pr\u00e1tica n\u00e3o existe uma \u201cterceira via para o socialismo\u201d, tal como n\u00e3o existem etapas intermedi\u00e1rias entre o capitalismo e o socialismo. Isto tamb\u00e9m \u00e9 visto no caso da S\u00edria.<\/p>\n<p>Assinalamos estes pontos porque consideramos necess\u00e1rio esclarecer que a posi\u00e7\u00e3o do KKE contra a interven\u00e7\u00e3o imperialista na S\u00edria n\u00e3o significa uma identifica\u00e7\u00e3o com o regime de Assad, nem tampouco nossa oposi\u00e7\u00e3o ao ataque imperialista contra o Ir\u00e3 significa que renunciamos \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o de nosso Partido ao regime burgu\u00eas deste pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00f3s comunistas reafirmamos nossa posi\u00e7\u00e3o de ruptura com as op\u00e7\u00f5es e os planos da burguesia de nosso pa\u00eds, como \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia na guerra imperialista. Nossa oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra imperialista, a organiza\u00e7\u00e3o da luta do povo contra o envolvimento do pa\u00eds, contra o uso dos territ\u00f3rios, dos mares e do espa\u00e7o a\u00e9reo de nosso pa\u00eds como ponto de partida para o ataque contra outro povo, \u00e9 atualmente um assunto crucial que nos d\u00e1 a possibilidade de colocar na ordem do dia a quest\u00e3o do poder, chamando o povo grego e os demais povos de nossa regi\u00e3o a se organizarem e derrotar a barb\u00e1rie capitalista que gera a guerra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, entendemos que o movimento oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio na S\u00edria n\u00e3o pode ser indiferente ante a interven\u00e7\u00e3o estrangeira, levada a cabo em seu pa\u00eds, nem a respeito dos planos de ocupa\u00e7\u00e3o e desmembramento da S\u00edria. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o se envolva na resist\u00eancia contra a interven\u00e7\u00e3o imperialista. A partir deste ponto vista, expressamos nossa solidariedade com a resist\u00eancia do povo s\u00edrio contra a interven\u00e7\u00e3o imperialista estrangeira e, ao mesmo tempo, consideramos que esta resist\u00eancia s\u00f3 pode ter um resultado positivo se estiver ligada \u00e0 luta por uma p\u00e1tria livre de capitalistas, fora das coaliz\u00f5es imperialistas em uma p\u00e1tria onde a classe oper\u00e1ria ser\u00e1 propriet\u00e1ria da riqueza que produz, onde a classe trabalhadora estar\u00e1 no poder.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos acontecimentos no Iraque, com a a\u00e7\u00e3o do chamado Estado Isl\u00e2mico (EI) que foi apoiado pela Ar\u00e1bia Saudita, Turquia e, \u00e9 claro, pelos EUA e outras pot\u00eancias de diversas maneiras, a fim de promover seus pr\u00f3prios interesses na regi\u00e3o, podem funcionar como um catalisador para os eventos. N\u00e3o s\u00f3 porque podem oferecer o pretexto para uma nova interven\u00e7\u00e3o militar dos imperialistas na regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m porque, pela primeira vez em d\u00e9cadas, est\u00e3o abrindo caminho para uma poss\u00edvel mudan\u00e7a, tempor\u00e1ria ou permanente, nas \u201calian\u00e7as\u201d na regi\u00e3o e uma gest\u00e3o diferente por parte dos EUA e a UE, da burguesia do Ir\u00e3 e talvez da S\u00edria. A postura do movimento oper\u00e1rio e popular neste caso tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser de apoio aos imperialistas contra as \u201cmarionetes\u201d obscurantistas que eles mesmos criaram. O que se necessita \u00e9 a emancipa\u00e7\u00e3o do movimento trabalhador dos planos burgueses-imperialistas na regi\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o e o tra\u00e7ado de sua pr\u00f3pria estrat\u00e9gia, algo que, contudo, se torna dif\u00edcil pela falta de um partido comunista forte com estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria no Iraque.<\/p>\n<p>Naturalmente, esta conclus\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida tamb\u00e9m para os acontecimentos perigosos em nossa regi\u00e3o em geral, como na <strong>Ucr\u00e2nia<\/strong>. O conflito sangrento estourou no terreno da via de desenvolvimento capitalista que continua no pa\u00eds, com a interven\u00e7\u00e3o da UE e dos EUA nos eventos na Ucr\u00e2nia, em dura disputa destas pot\u00eancias com a R\u00fassia, pelo controle dos mercados, das mat\u00e9rias primas e das redes de transporte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A derrocada do governo de Yanukovich n\u00e3o constitui um \u201cacontecimento democr\u00e1tico\u201d, dado que surgiram na superf\u00edcie for\u00e7as reacion\u00e1rias, at\u00e9 inclusive fascistas, com o apoio de Uni\u00e3o Europeia e Estados Unidos, para promover seus objetivos geopol\u00edticos na regi\u00e3o da Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p>O KKE avalia que, para o povo ucraniano, tampouco \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o a vincula\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia com a R\u00fassia capitalista atual. O esfor\u00e7o de dividir o povo da Ucr\u00e2nia em base \u00e9tnica e lingu\u00edstica e levar a um massacre, com consequ\u00eancias tr\u00e1gicas incalcul\u00e1veis para ele mesmo e para seu pa\u00eds, para escolher entre uma ou outra uni\u00e3o capitalista interestatal \u00e9 completamente alheio aos interesses dos trabalhadores. Expressamos nossa convic\u00e7\u00e3o de que o povo trabalhador da Ucr\u00e2nia deve organizar sua pr\u00f3pria luta de independ\u00eancia tendo como crit\u00e9rio seus interesses, n\u00e3o a qual imperialista escolhe um ou outro grupo da plutocracia ucraniana. Deve tra\u00e7ar o caminho para o socialismo, que \u00e9 a \u00fanica alternativa ante os impasses do caminho de desenvolvimento capitalista. O povo da Ucr\u00e2nia experimentou o que significa o socialismo. Em grande parte, recorda as enormes conquistas sociais para a classe oper\u00e1ria e demais setores populares. O KKE exige que nosso pa\u00eds n\u00e3o tenha nenhuma participa\u00e7\u00e3o, nem envolvimento nos planos imperialistas da OTAN, dos EUA e da UE na Ucr\u00e2nia, destacando que a crise capitalista e as guerras imperialistas andam de m\u00e3os dadas e que o povo n\u00e3o tem nenhum interesse na participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia nestes planos.<\/p>\n<p><strong>3. A crise capitalista e o aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas<\/strong><\/p>\n<p>A experi\u00eancia hist\u00f3rica demonstra que tanto a Primeira como a Segunda Guerra Mundial foram o resultado do grande aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas pela nova partilha do mundo. Estas contradi\u00e7\u00f5es se intensificaram ainda mais devido \u00e0 exist\u00eancia da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em combina\u00e7\u00e3o com a crise econ\u00f4mica capitalista mundial (1929-1933). Estes acontecimentos econ\u00f4micos no mundo capitalista daquela \u00e9poca foram analisados no XVIII Congresso do Partido Comunista (b) da URSS, pouco antes do in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial, em 10 de mar\u00e7o de 1939, onde se destacava que: \u201cEst\u00e1 claro que esta virada t\u00e3o desfavor\u00e1vel dos assuntos econ\u00f4micos teve necessariamente que conduzir ao aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es entre as pot\u00eancias. J\u00e1 a crise anterior, embaralhou todas as cartas e recrudesceu a luta pelos mercados e pelas fontes de mat\u00e9rias primas\u201d[11].<\/p>\n<p>Atualmente, o KKE considera que \u201ccom a profunda crise de superacumula\u00e7\u00e3o de capital em 2008-2009, que em v\u00e1rias economias capitalistas ainda n\u00e3o foi superada, se fez mais evidente a tend\u00eancia de mudan\u00e7as importantes na correla\u00e7\u00e3o entre os Estados capitalistas, sob a influ\u00eancia da lei de desenvolvimento capitalista desigual. Esta tend\u00eancia est\u00e1 relacionada aos n\u00edveis superiores da pir\u00e2mide imperialista (\u2026)[12]. As contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas que no passado levaram a dezenas de guerras locais e regionais e a duas guerras mundiais, ainda conduzem a duros conflitos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e militares, independentemente da composi\u00e7\u00e3o ou recomposi\u00e7\u00e3o, as mudan\u00e7as na estrutura e no marco de objetivos das organiza\u00e7\u00f5es imperialistas internacionais, a chamada \u201cnova arquitetura\u201d. Em todo caso, \u201ca guerra \u00e9 a continuidade da pol\u00edtica por outros meios\u201d, sobretudo em condi\u00e7\u00f5es de uma profunda crise de superacumula\u00e7\u00e3o de capital e de mudan\u00e7as significativas na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no sistema imperialista internacional, onde a partilha dos mercados dificilmente se faz sem derramamento de sangue\u201d[13].<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o capitalismo-crise-guerra conduz ao aumento dos armamentos, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novas alian\u00e7as militares, \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o das mais antigas, como \u00e9 a da OTAN. Neste per\u00edodo, cabe destacar a corrida das pot\u00eancias capitalistas emergentes como s\u00e3o a China, R\u00fassia e \u00cdndia para confrontar suas defici\u00eancias e aumentar sua for\u00e7a militar em correspond\u00eancia com o n\u00edvel de influ\u00eancia de seus grupos empresariais. Tudo isso intensifica ainda mais as contradi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m em nossa regi\u00e3o, que tem uma import\u00e2ncia essencial quanto \u00e0 divis\u00e3o dos despojos da enorme riqueza e dos recursos de energia na regi\u00e3o[14], as rotas de transporte das mercadorias. A confronta\u00e7\u00e3o pode, em um ou outro grau, ampliar-se em toda a regi\u00e3o (Mediterr\u00e2neo Oriental, Oriente M\u00e9dio e \u00c1frica do Norte, Golfo P\u00e9rsico, B\u00e1lc\u00e3s, C\u00e1spio).<\/p>\n<p><strong>4. A posi\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia nos antagonismos interimperialistas na regi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia, como um Estado capitalista que est\u00e1 em fase imperialista de desenvolvimento do capitalismo, h\u00e1 d\u00e9cadas se integrou aos organismos da OTAN (1952) e da UE (1981) e participa ativamente nos antagonismos interimperialistas que se desenvolvem na regi\u00e3o. Depois da derrocada contrarrevolucion\u00e1ria dos pa\u00edses balc\u00e2nicos, a burguesia da Gr\u00e9cia se beneficiou e obteve uma acumula\u00e7\u00e3o importante e exporta\u00e7\u00e3o de capitais em forma investimentos diretos que contribu\u00edram para o fortalecimento de empresas gregas e grupos monopolistas. As exporta\u00e7\u00f5es de capitais se expandiram para a Turquia, Egito, Ucr\u00e2nia, China, assim como para a Gr\u00e3-Bretanha, EUA e outros pa\u00edses. A burguesia da Gr\u00e9cia participou ativamente de todas as interven\u00e7\u00f5es e guerras imperialistas, como por exemplo, contra a Iugosl\u00e1via, Iraque, Afeganist\u00e3o, L\u00edbia, etc.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, h\u00e1 d\u00e9cadas a burguesia do pa\u00eds desenvolveu uma rela\u00e7\u00e3o de disputa, assim como de coopera\u00e7\u00e3o, com a burguesia da Turquia, que tra\u00e7ou uma pol\u00edtica muito agressiva com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Gr\u00e9cia e n\u00e3o reconhece a Conven\u00e7\u00e3o Internacional sobre o Direito do Mar (1982), considerando que muitas regi\u00f5es no mar Egeu, conhecidas como \u201czonas cinzentas\u201d, est\u00e3o em disputa, e n\u00e3o aceita que as ilhas gregas tenham plataforma submarina e Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (ZEE). Ao mesmo tempo, a burguesia turca pretende utilizar, assim como em outros pa\u00edses dos B\u00e1lc\u00e3s, as quest\u00f5es da minoria mu\u00e7ulmana na Tr\u00e1cia Ocidental. Estas quest\u00f5es levam ao aumento dos armamentos, assim como a tens\u00f5es no Egeu, \u201catos hostis\u201d, enfrentamentos a\u00e9reos, etc.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia na OTAN, as depend\u00eancias pol\u00edtico-econ\u00f4micas e pol\u00edtico-militares da UE e dos EUA restringem os limites das manobras independentes da burguesia da Gr\u00e9cia, dado que todas as rela\u00e7\u00f5es de alian\u00e7a do capital se regem pelo antagonismo, pela desigualdade e, em consequ\u00eancia, pela posi\u00e7\u00e3o vantajosa dos mais poderosos, se formam como rela\u00e7\u00f5es de interdepend\u00eancia desigual.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o existem contradi\u00e7\u00f5es somente com a Turquia, mas tamb\u00e9m com a Alb\u00e2nia, onde se fortalecem as for\u00e7as pol\u00edticas que defendem reivindica\u00e7\u00f5es territoriais \u00e0s custas da Gr\u00e9cia, enquanto v\u00e1rios oficiais fazem declara\u00e7\u00f5es, com vistas \u00e0 prioridade dada pelo novo governo alban\u00eas \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica que ocorre com a Turquia. Ao mesmo tempo, o acordo sobre as fronteiras mar\u00edtimas dos pa\u00edses foi cancelado pelo Tribunal Constitucional alban\u00eas.<\/p>\n<p>Todavia, permanecem os problemas com ARYM (nota da tradu\u00e7\u00e3o: <em>Ancienne R\u00e9publique yougoslave de Mac\u00e9doine),<\/em>onde o nacionalismo se alimenta em ambos os lados, com respeito ao nome deste pa\u00eds, enquanto fica pendente a determina\u00e7\u00e3o da ZEE em rela\u00e7\u00e3o ao Egito e a L\u00edbia. Trata-se de problemas que possuem mais complica\u00e7\u00f5es, devido aos desenvolvimentos nestes pa\u00edses<\/p>\n<p>Assim, no marco do antagonismo feroz que se desenvolve na regi\u00e3o, ficam muitos \u201cassuntos pendentes\u201d e n\u00e3o se pode excluir nada, nem sequer uma guerra imperialista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nos eventos que ocorrem em nossa regi\u00e3o, do ponto de vista dos \u201cplanos operativos\u201d, as bases militares da OTAN na Gr\u00e9cia e na Turquia, assim como no Oriente M\u00e9dio, desempenham um papel importante. As bases s\u00e3o os pontos de partida para o lan\u00e7amento de ataques quando est\u00e3o em sua fase ativa, enquanto s\u00e3o \u00fateis para o abastecimento, o estacionamento e, em geral, o apoio das opera\u00e7\u00f5es de combate. Os imperialistas estadunidenses pensariam melhor sobre o lan\u00e7amento de ataques caso se baseassem somente em seus porta-avi\u00f5es, em seus bombardeios estrat\u00e9gicos, que podem voar durante muitas horas, caso n\u00e3o existissem bases e infraestrutura, como a base de Souda, o aeroporto militar de Kalamata e as demais bases na regi\u00e3o dos B\u00e1lc\u00e3s e do Oriente M\u00e9dio[15].<\/p>\n<p>Neste sentido, vale assinalar que por tr\u00e1s da eclos\u00e3o da crise, se deteriorou a situa\u00e7\u00e3o da economia grega capitalista no marco da zona do Euro, na UE e na pir\u00e2mide imperialista internacional em geral. Os governos burgueses gregos que antes da crise decidiram em comum sobre as reestrutura\u00e7\u00f5es capitalistas antipopulares no marco da UE e encaminharam sua implementa\u00e7\u00e3o, acordaram em um memorando com a Troika dos credores (UE, FMI, Banco Central Europeu), com base no qual implantaram no pa\u00eds duras medidas antipopulares que reduzem os sal\u00e1rios e as pens\u00f5es, colocam a carga da crise nas costas dos trabalhadores para que se recuperem os ritmos de rentabilidade do capital.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o seja raro um Estado capitalista receber ajuda e apoio de seus aliados internacionais, isto \u201calimentou\u201d algumas for\u00e7as pol\u00edticas burguesas e oportunistas, como \u00e9 o partido dos \u201cGregos Independentes\u201d, o Amanhecer Dourado fascista, assim como a crescente for\u00e7a da socialdemocracia SYRIZA, a falar de \u201cocupa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia\u201d, \u201csubmiss\u00e3o\u201d, \u201cdesaparecimento da soberania\u201d, \u201cdepend\u00eancia\u201d, etc. Neste marco, descreve-se tamb\u00e9m a postura do governo grego nos antagonismos interimperialistas na regi\u00e3o como \u201cservil aos estrangeiros\u201d ou \u201csubjugado\u201d.<\/p>\n<p>Na realidade, estas avalia\u00e7\u00f5es omitem o fato de que a burguesia da Gr\u00e9cia, com a participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no sistema imperialista (com base em sua for\u00e7a econ\u00f4mica, militar e pol\u00edtica), objetivamente durante d\u00e9cadas cedeu certos direitos soberanos com o objetivo de fortalecer sua posi\u00e7\u00e3o, beneficiar-se de sua posi\u00e7\u00e3o nestas e reclamar sua quota do \u201cdespojo\u201d imperialista.<\/p>\n<p>\u00c9 indicativo que, apesar da crise capitalista, setores da burguesia do pa\u00eds, como o capital armador, \u00e9 um dos mais poderosos no mundo. Assim, a participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia nos antagonismos imperialistas na regi\u00e3o, \u00e0s vezes com sua participa\u00e7\u00e3o ativa nas guerras e outras movimenta\u00e7\u00f5es na tentativa de formar \u201ceixos\u201d (por exemplo, com Israel[16]), ou em ocasi\u00e3o de retirada ante as pretens\u00f5es da burguesia da Turquia[17], n\u00e3o est\u00e1 relacionada com a \u201centrega\u201d e a \u201csubmiss\u00e3o\u201d aos estrangeiros, mas com a posi\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia na \u201cpir\u00e2mide\u201d imperialista e seu esfor\u00e7o de conseguir novos lucros[18]. Assim, cada vez mais os partidos governamentais pretendem ocultar tais interesses com o manto do \u201cinteresse nacional\u201d. Neste ponto, \u00e9 muito \u00fatil lembrar Lenin sobre o que foi, na verdade, o \u201cinteresse nacional\u201d no caso da B\u00e9lgica de ent\u00e3o: \u201cOs investimentos da burguesia belga s\u00e3o aproximadamente tr\u00eas bilh\u00f5es de francos. A salvaguarda destes investimentos mediante o uso de qualquer tipo de fraude e maquina\u00e7\u00e3o \u00e9 o real \u201cinteresse nacional\u201d da \u201cB\u00e9lgica galante\u201d.[19] Hoje, a conex\u00e3o org\u00e2nica dos interesses da burguesia da Gr\u00e9cia com os planos imperialistas da OTAN e da UE \u00e9 similar e claramente mais profunda.<\/p>\n<p><strong>5. O movimento oper\u00e1rio e comunista ante o aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas e a possibilidade de uma guerra imperialista<\/strong><\/p>\n<p>Os comunistas tomam uma posi\u00e7\u00e3o ante os acontecimentos que se desenvolvem. N\u00e3o podem opor-se a toda guerra de maneira geral. A guerra verdadeiramente justa na \u00e9poca atual \u00e9 a confronta\u00e7\u00e3o armada classista pelo poder, que \u00e9 a tarefa dos comunistas. Isto \u00e9 algo que os distingue dos pacifistas. Julgam cada vez concretamente com base em seus interesses classistas que est\u00e3o em conflito, as causas, as pot\u00eancias envolvidas, os objetivos de cada parte.<\/p>\n<p>As guerras imperialistas, as guerras pela conquista de mercados, de territ\u00f3rios, de controle pol\u00edtico direto, s\u00e3o t\u00edpicas da \u00e9poca contempor\u00e2nea do capitalismo e expressam a necessidade de uma nova distribui\u00e7\u00e3o de mercados, de novos \u201cacordos\u201d de paz, com base no avan\u00e7o do desenvolvimento capitalista desigual.<\/p>\n<p>Lenin, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, em refer\u00eancia \u00e0 Primeira Guerra Mundial, a descrevia nos seguintes termos: \u201cA guerra europeia e mundial tem o claro e definido car\u00e1ter de uma guerra burguesa, imperialista e din\u00e1stica. Uma luta pelos mercados e pela liberdade de saquear pa\u00edses estrangeiros, uma tentativa de reprimir o movimento revolucion\u00e1rio do proletariado e a democracia nos pa\u00edses individualmente, o desejo de enganar, desunir e massacrar os prolet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, levando a uma guerra dos escravos assalariados de uma na\u00e7\u00e3o contra os de outra, para que a burguesia seja beneficiada. Este \u00e9 o \u00fanico e verdadeiro conte\u00fado e significado desta guerra\u201d[20].<\/p>\n<p>Hoje, a burguesia, beneficiada tamb\u00e9m pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as internacional, passou a uma \u201cofensiva\u201d ideol\u00f3gica buscando ganhar n\u00e3o s\u00f3 uma toler\u00e2ncia passiva, mas tamb\u00e9m o apoio ativo das massas trabalhadoras e populares para seus planos imperialistas. Por isso, utilizam, para al\u00e9m da quest\u00e3o da defesa da \u201cp\u00e1tria\u201d, outros pretextos novos como \u00e9 a \u201cpromo\u00e7\u00e3o da democracia\u201d, as \u201ccausas humanit\u00e1rias\u201d, a \u201cguerra contra o terrorismo\u201d, a \u201cluta contra a pirataria\u201d, a \u201cn\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o de armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva\u201d, etc.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que os Partidos Comunistas reforcem sua luta contra todos estes argumentos e, em geral, contra a tentativa dos burgueses e dos oportunistas de desorientar os trabalhadores e convert\u00ea-los em \u201cbucha de canh\u00e3o\u201d das guerras imperialistas.<\/p>\n<p>Vejamos alguns dos argumentos contempor\u00e2neos b\u00e1sicos de nossos oponentes.<\/p>\n<p><strong>5.1. A invoca\u00e7\u00e3o da \u201cobriga\u00e7\u00e3o nacional\u201d<\/strong><\/p>\n<p>As classes burguesas tentam enganar e convencer as massas trabalhadoras de que a participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia em interven\u00e7\u00f5es imperialistas, na prepara\u00e7\u00e3o e condu\u00e7\u00e3o da guerra imperialista serve aos interesses da \u201cp\u00e1tria\u201d e \u00e9 uma \u201cobriga\u00e7\u00e3o nacional\u201d. Isto tamb\u00e9m \u00e9 feito em condi\u00e7\u00f5es de paz pedindo o \u201cconsenso social\u201d e a \u201cunanimidade nacional\u201d para que a \u201cp\u00e1tria\u201d se torne mais forte, assim como em condi\u00e7\u00f5es de guerra. Na realidade, em ambos os casos \u2013 de guerra e de paz \u2013 a burguesia pede aos trabalhadores que fa\u00e7am um esfor\u00e7o para que melhore a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na \u201cpir\u00e2mide\u201d imperialista, para que seus interesses sejam promovidos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, dependendo da fase em que est\u00e1 o capitalismo (desenvolvimento ou crise capitalista) se adaptam tamb\u00e9m as consignas. Por exemplo, atualmente no Brasil existe um crescimento capitalista (ainda que ultimamente estancado) e o chamamento da burguesia \u00e9 que o pa\u00eds seja mais forte e que \u201cse liberte da depend\u00eancia do imperialismo estadunidense\u201d. J\u00e1 a Gr\u00e9cia, que sofre a crise capitalista, pede aos trabalhadores que bebam o veneno de suas medidas para que o pa\u00eds \u201crecupere sua soberania\u201d. No entanto, particularmente nas condi\u00e7\u00f5es de guerra imperialista, s\u00e3o promovidas consignas como a \u201corganiza\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica unificada\u201d, a \u201creconcilia\u00e7\u00e3o nacional\u201d, o \u201cbenef\u00edcio nacional\u201d, etc. Um exemplo caracter\u00edstico na Gr\u00e9cia de hoje \u00e9 a base aeronaval dos EUA em Souda (na ilha de Creta), que desempenha um papel importante em v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es dos EUA e da OTAN no Mediterr\u00e2neo, como foi na guerra contra a L\u00edbia. Os c\u00edrculos ideol\u00f3gicos e pol\u00edticos dominantes no pa\u00eds fazem um esfor\u00e7o para consolidar o argumento de que a exist\u00eancia desta base funciona a favor dos interesses econ\u00f4micos dos residentes da ilha e que deve existir um apoio un\u00e2nime quanto \u00e0 perman\u00eancia desta base. Ao mesmo tempo, silenciam e ocultam dos trabalhadores as consequ\u00eancias e os perigos da base de Souda, assim como a participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia nos planos imperialistas, para os trabalhadores e para as fam\u00edlias populares. Estes perigos e consequ\u00eancias foram expostos pelo KKE.<\/p>\n<p><strong>5.2. A UE e a OTAN s\u00e3o uma \u201cgarantia de seguran\u00e7a\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Os partidos burgueses argumentam que a Gr\u00e9cia \u00e9 um \u201cpa\u00eds pequeno\u201d que \u201cprecisa de alian\u00e7as internacionais\u201d e promovem a necessidade de participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia na UE e na OTAN, que se apresentam como \u201cgarantidores de seguran\u00e7a\u201d do povo grego, em particular contra o perigo da Turquia. Desta maneira, justificam e chamam o povo a respaldar a participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nas interven\u00e7\u00f5es e nos planos imperialistas da UE e da OTAN.<\/p>\n<p>Na realidade, a ades\u00e3o da Gr\u00e9cia nestes dois organismos imperialistas n\u00e3o serviu como garantia de seguran\u00e7a ao pa\u00eds. Ao contr\u00e1rio, complicou as coisas e s\u00e3o a base da retirada dos direitos soberanos do pa\u00eds, \u00e0 qual procedem os governos burgueses para assegurar sua posi\u00e7\u00e3o nestes organismos e para fortalec\u00ea-la ante o movimento oper\u00e1rio-popular.<\/p>\n<p><strong>5.3. A demanda de \u201cdissolu\u00e7\u00e3o da OTAN\u201d, em lugar da retirada desta<\/strong><\/p>\n<p>Vimos que, em todo caso, as for\u00e7as oportunistas com sua atitude funcionam como apoio da burguesia, tanto em condi\u00e7\u00f5es de paz como no caso de uma guerra. Por exemplo, \u00e9 indicativa a postura que mantiveram as for\u00e7as oportunistas na guerra contra a Iugosl\u00e1via, quando, atrav\u00e9s dos governos da centro-esquerda, a Fran\u00e7a e It\u00e1lia participaram dos bombardeios da OTAN. Por\u00e9m, tamb\u00e9m em outros casos, s\u00e3o essas for\u00e7as que aceitam e promovem entre os setores populares os pretextos imperialistas, tal como ocorreu, por exemplo, recentemente no caso da L\u00edbia pelas for\u00e7as do Partido da Esquerda Europeia, que participam no GUE\/NGL.<\/p>\n<p>As for\u00e7as oportunistas do SYRIZA na Gr\u00e9cia s\u00e3o mais \u201catentas\u201d devido \u00e0 exist\u00eancia, \u00e0 atividade e \u00e0 influ\u00eancia das posi\u00e7\u00f5es do KKE. Elas encontraram sua pr\u00f3pria maneira de responder \u00e0 demanda de retirada do pa\u00eds das uni\u00f5es imperialistas, como a OTAN. Assim, promovem a necessidade da \u201cdissolu\u00e7\u00e3o da OTAN\u201d. Por\u00e9m, como \u00e9 poss\u00edvel dissolver este organismo imperialista j\u00e1 que n\u00e3o se encontra enfraquecido pela retirada de cada pa\u00eds? Atualmente, para que a retirada signifique um verdadeiro desvendar de toda uni\u00e3o imperialista, somente pode ser garantida pelo poder oper\u00e1rio. Na realidade, a postura dos oportunistas \u00e9, em geral, pacifista e baseada apenas em palavras \u201ccontra a OTAN\u201d. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o afeta em absoluto a exist\u00eancia e a atividade do organismo imperialista da OTAN e nem, tampouco, a participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nos planos imperialistas. Al\u00e9m disso, fomenta o consentimento e o derrotismo pela opini\u00e3o, forma que tamb\u00e9m adota o SYRIZA, onde sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 OTAN n\u00e3o \u00e9 pelo presente porque n\u00e3o a permite a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, remetendo-a deliberadamente a um futuro vago, tal como fazem os oportunistas com respeito \u00e0 quest\u00e3o da luta pelo socialismo, que tamb\u00e9m se remete \u00e0s \u201ccalendas gregas\u201d. Nossa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 justificada pelos coment\u00e1rios do l\u00edder do SYRIA: \u201cO digo da profundidade de minha alma. A Gr\u00e9cia pertence \u00e0 UE e \u00e0 OTAN. Isto \u00e9 indiscut\u00edvel\u201d. [21]<\/p>\n<p><strong>5.4. A UE deve ser \u201cdemocratizada\u201d e seu papel deve ser fortalecido atrav\u00e9s do refor\u00e7o da pol\u00edtica exterior e de seguran\u00e7a comum da UE<\/strong><\/p>\n<p>Como se sabe, em 2013, o premio Nobel pela paz foi concedido \u00e0 UE. Milhares de trabalhadores em todo mundo sentiram desgosto por esta decis\u00e3o. Nosso partido destacou que: \u201ceste pr\u00eamio \u00e9 um ato de decad\u00eancia e horror tanto pelos que o deram como pelos que o receberam\u201d, recordando o papel da UE nas guerras contra a Iugosl\u00e1via, assim como as mais recentes.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as for\u00e7as oportunistas do SYRIZA argumentam que no caso de a UE se democratizar, caso \u201cmude\u201d atrav\u00e9s do surgimento de governos de \u201cesquerda\u201d, tamb\u00e9m refor\u00e7ar\u00e1 seu papel. Dessa maneira, ser\u00e1 poss\u00edvel obter \u201cindepend\u00eancia\u201d ante a OTAN e adotar \u201csua pr\u00f3pria\u201d pol\u00edtica exterior e de defesa. Ent\u00e3o, a UE se constituiria como um \u201cagente da paz\u201d, \u201cse converteria em uma for\u00e7a mundial\u201d e demonstrar\u00e1 que merece este pr\u00eamio.<\/p>\n<p>Os oportunistas pretendem desorientar os trabalhadores fomentando uma aproxima\u00e7\u00e3o sem refer\u00eancia classista a respeito das uni\u00f5es interestatais capitalistas. No entanto, \u00e9 bem conhecido que a UE se formou desde o in\u00edcio, como \u201cComunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o (CECA)\u201d (em 1951) e como Comunidade Econ\u00f4mica Europeia (CEE) (em 1957), para servir aos interesses do grande capital. O objetivo era tornar mais eficaz a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nos Estados membros e que os monop\u00f3lios europeus pudessem competir com os monop\u00f3lios de outros centros imperialistas. O KKE considera que a UE \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria, depredadora, que n\u00e3o se pode transformar por dentro e converter-se em um \u201cagente de paz\u201d porque tem em seu DNA a gan\u00e2ncia capitalista, a causa b\u00e1sica que provoca hoje as guerras imperialistas. O chamamento do SYRIZA que pede que o \u201clobo\u201d ponha a pele de cordeiro \u00e9 enganoso.<\/p>\n<p><strong>5.5. A solu\u00e7\u00e3o do \u201cmundo multipolar\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Algumas for\u00e7as consideram como imperialismo s\u00f3 o \u201cimp\u00e9rio\u201d dos EUA e, neste sentido, sa\u00fadam o surgimento de pot\u00eancias capitalistas emergentes nos assuntos mundiais, assim como a apari\u00e7\u00e3o de novas uni\u00f5es interestatais (BRICS, Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai, Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado da Seguran\u00e7a, ALBA, etc.) constitu\u00eddas por Estados capitalistas, de conte\u00fado econ\u00f4mico, pol\u00edtico e militar. Estes acontecimentos foram vistos como o princ\u00edpio de um \u201cmundo multipolar\u201d que \u201creformar\u00e1\u201d e dar\u00e1 \u201cum novo ar\u201d \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas e aos demais organismos imperialistas, para escapar da \u201chegemonia\u201d dos EUA. Estes argumentos concluem que deste modo \u00e9 poss\u00edvel assegurar tamb\u00e9m a paz.<\/p>\n<p>Na realidade, as for\u00e7as pol\u00edticas de matizes ideol\u00f3gicos diferentes reconhecem as contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas e o aparente reordenamento no sistema mundial. Caracterizam como \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d as rela\u00e7\u00f5es internacionais e como \u201cmundo multipolar\u201d a tend\u00eancia de mudan\u00e7a da correla\u00e7\u00e3o, tal como se formou depois da derrocada do socialismo nos pa\u00edses socialistas, assim como a amplia\u00e7\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o da atividade da OTAN, da UE nos \u00faltimos 20 anos. A nova correla\u00e7\u00e3o inclui o fortalecimento da Alemanha, R\u00fassia, China, Brasil e outros Estados.<\/p>\n<p>Suas diferentes propostas como a amplia\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU com outros pa\u00edses ou o aumento do papel mundial da UE ou, inclusive, da R\u00fassia e China nos assuntos internacionais, n\u00e3o s\u00e3o capazes de controlar os acontecimentos. Isto porque n\u00e3o podem impedir as contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas que se manifestam por mat\u00e9rias primas, energia e rotas de transporte, por luta pelas quotas de mercado. O antagonismo monopolista conduz \u00e0s interven\u00e7\u00f5es militares e guerras locais e generalizadas. Este antagonismo \u00e9 levado a cabo com todos os meios que os monop\u00f3lios possuem e os Estados capitalistas expressam seus interesses, se reflete nos acordos interestatais que s\u00e3o continuamente disputados devido ao desenvolvimento desigual. Este \u00e9 o imperialismo, fonte tamb\u00e9m de ataques militares de menor ou maior alcance.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o acerca da \u201cnova governabilidade democr\u00e1tica mundial\u201d com \u201ctranspar\u00eancia\u201d, \u201cparticipa\u00e7\u00e3o\u201d e \u201csolidariedade social\u201d, semeada por for\u00e7as socialdemocratas e oportunistas tem como meta embelezar ideologicamente as novas correla\u00e7\u00f5es na barb\u00e1rie capitalista, imperialista, com o objetivo de desorientar os trabalhadores.<\/p>\n<p>Os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam nenhum interesse em acreditar que \u00e9 poss\u00edvel \u201cdemocratizar\u201d o capitalismo e as rela\u00e7\u00f5es internacionais e escolher o imperialista que, supostamente, o levar\u00e1 a cabo.<\/p>\n<p>Cabe mencionar que Lenin se posicionava ante este assunto empregando um exemplo muito concreto: \u201cUm pa\u00eds, digamos, que possui tr\u00eas quartos da \u00c1frica enquanto outro um quarto. O conte\u00fado objetivo de sua guerra \u00e9 a nova partilha da \u00c1frica. De qual pa\u00eds devemos desejar o \u00e9xito? O problema, tal como o afirmou anteriormente, \u00e9 absurdo, porque hoje n\u00e3o valem os antigos crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o: N\u00e3o existe um longo processo de um movimento burgu\u00eas pela liberta\u00e7\u00e3o, nem o longo processo da decad\u00eancia do feudalismo. A democracia contempor\u00e2nea n\u00e3o tem porque ajudar o primeiro pa\u00eds a consolidar seu \u201cdireito\u201d sobre os tr\u00eas quartos da \u00c1frica, nem tampouco ajudar o segundo pa\u00eds (ainda que este tenha se desenvolvido a n\u00edvel econ\u00f4mico mais rapidamente que o primeiro pa\u00eds) para controlar os tr\u00eas quartos.<\/p>\n<p>A democracia contempor\u00e2nea se manter\u00e1 fiel a si mesma apenas caso n\u00e3o se una com nenhuma classe burguesa imperialista, s\u00f3 se diz que ambos s\u00e3o igualmente ruins. Apenas desejamos a cada pa\u00eds a derrota da burguesia imperialista. Qualquer outra solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 praticamente nacional-liberal e n\u00e3o ter\u00e1 nenhuma rela\u00e7\u00e3o com o internacionalismo genu\u00edno<em>\u201d<\/em>[22].<\/p>\n<p>E concluiu dizendo: \u201cNo entanto, na realidade, hoje \u00e9 indiscut\u00edvel que a democracia atual n\u00e3o possa ir a reboque da burguesia imperialista reacion\u00e1ria \u2013 independentemente de qual \u201ccor\u201d ser\u00e1 esta burguesia (\u2026)\u201d<\/p>\n<p><strong>5.6. A postura do KKE em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es e no caso de uma guerra<\/strong><\/p>\n<p>O KKE, com suas resolu\u00e7\u00f5es do XIX Congresso, est\u00e1 preparando e orientando as massas trabalhadoras e populares para o poss\u00edvel caso de interven\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds em uma guerra imperialista. O Programa do KKE, aprovado no XIX Congresso, assinala que: \u201cEst\u00e3o aumentando os perigos na ampla regi\u00e3o, dos B\u00e1lc\u00e3s at\u00e9 o Oriente M\u00e9dio, de uma guerra imperialista generalizada e a participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia nesta. A luta pela defesa das fronteiras, os direitos soberanos da Gr\u00e9cia, a partir do ponto de vista da classe oper\u00e1ria e dos setores populares \u00e9 insepar\u00e1vel da luta pela derrota do poder do capital. N\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a defesa dos planos de um ou outro polo imperialista, com a rentabilidade de um ou outro grupo monopolista\u201d[23].<\/p>\n<p>Assim, se entende que o KKE trata com crit\u00e9rios classistas a quest\u00e3o da defesa do pa\u00eds (fronteiras, direitos soberanos gerais), ou seja, a partir do ponto de vista da classe trabalhadora e dos setores populares; que a conecta com a luta pelo desencadeamento dos planos e as uni\u00f5es imperialistas, pela derrocada do capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista.<\/p>\n<p>De todo modo, \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que, inclusive em condi\u00e7\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o, de elimina\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o na\u00e7\u00e3o-Estado, a classe trabalhadora n\u00e3o pode iniciar a luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o a partir do mesmo ponto de partida da burguesia, n\u00e3o pode aliar-se com nenhum de seus grupos. Para a classe trabalhadora e os setores populares pobres, a guerra e a ocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o a continuidade da explora\u00e7\u00e3o capitalista, produto do dom\u00ednio econ\u00f4mico e pol\u00edtico do capital. A classe oper\u00e1ria luta contra a indig\u00eancia, a opress\u00e3o e a viol\u00eancia do ocupador, a intensidade da explora\u00e7\u00e3o, contra os acordos imperialistas internacionais. Sua \u201cp\u00e1tria\u201d \u00e9 uma p\u00e1tria liberta dos capitalistas, fora das coaliz\u00f5es imperialistas, uma p\u00e1tria que ser\u00e1 o propriet\u00e1rio da riqueza que produz, onde a classe oper\u00e1ria estar\u00e1 no poder. A guerra da burguesia por sua pr\u00f3pria \u201cp\u00e1tria\u201d \u2013 independentemente de se aliar com a ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira ou de resistir \u2013 de novo ser\u00e1 levada a cabo para os interesses dos grupos monopolistas, para a reabilita\u00e7\u00e3o de um acordo sobre a partilha dos mercados que favorecer\u00e1 os monop\u00f3lios nacionais, n\u00e3o os interesses oper\u00e1rios e populares.<\/p>\n<p>O KKE tirou conclus\u00f5es necess\u00e1rias sobre a luta armada que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, contra a ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira fascista tr\u00edplice (alem\u00e3, italiana, b\u00falgara) do pa\u00eds. Naquele momento, apesar da superioridade dos grupos armados de EAM-ELAS, guiados pelo KKE, nosso Partido, infelizmente, n\u00e3o conseguiu vincular a luta antifascista a luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira com a luta pela derrocada do poder do capital no pa\u00eds, pois em suas fileiras n\u00e3o se elaborou uma estrat\u00e9gia respectiva. Hoje, tirando conclus\u00f5es valiosas da trajet\u00f3ria hist\u00f3rica de nosso Partido, tra\u00e7amos uma estrat\u00e9gia frente aos perigos de envolvimento de nosso pa\u00eds em novas guerras imperialistas locais, regionais ou mais generalizadas.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do XIX Congresso destaca: \u201cEm todo caso, seja qual for a forma que tome a participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia na guerra imperialista, o KKE deve estar pronto para dirigir a organiza\u00e7\u00e3o independente da resist\u00eancia oper\u00e1ria e popular, para lig\u00e1-la \u00e0 luta pela derrota da burguesia nacional e dos invasores estrangeiros\u201d.[24]<\/p>\n<p>Nas condi\u00e7\u00f5es de uma guerra imperialista, a vanguarda pol\u00edtica da classe oper\u00e1ria, seu Partido, deve destacar a necessidade da unidade classista dos trabalhadores, da alian\u00e7a com as for\u00e7as populares, da dimens\u00e3o internacionalista da classe oper\u00e1ria e as tarefas que derivam desta. A postura ante a guerra \u00e9 a postura ante a luta de classes e a revolu\u00e7\u00e3o socialista, \u00e9 a luta pela transforma\u00e7\u00e3o desta guerra em luta classista armada, a \u201c\u00fanica guerra pela liberta\u00e7\u00e3o\u201d, segundo dizia Lenin. S\u00e3o valiosas as elabora\u00e7\u00f5es de Lenin que, enquanto desenvolvia a teoria do elo mais fraco, ou seja, antevendo a possibilidade de uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria previamente em um pa\u00eds ou grupo de pa\u00edses, estabeleceu cientificamente a possibilidade de a revolu\u00e7\u00e3o prevalecer, a princ\u00edpio, em um ou mais pa\u00eds. Consequentemente, em tal guerra, a coordena\u00e7\u00e3o, as consignas comuns e a atividade comum com o movimento comunista de outros pa\u00edses constitui uma condi\u00e7\u00e3o importante para a perspectiva de eclos\u00e3o e vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o socialista em mais pa\u00edses, a possibilidade de outro tipo de coopera\u00e7\u00e3o ou uni\u00e3o de Estados, com base na propriedade social, na planifica\u00e7\u00e3o central com o internacionalismo prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o KKE est\u00e1 intensificando sua luta contra o oportunismo porque, como assinalou Lenin, \u201ca luta contra o imperialismo \u00e9 uma face vazia e falsa quando n\u00e3o est\u00e1 relacionada indissoluvelmente \u00e0 luta contra o oportunismo\u201d[25].<\/p>\n<p>N\u00f3s comunistas, que baseamos nossas an\u00e1lises na teoria do socialismo cient\u00edfico, sabemos muito bem que a guerra \u00e9 a continuidade da pol\u00edtica por outros meios, particularmente violentos. A guerra surge no terreno do conflito dos interesses econ\u00f4micos distintos, que transcendem todo o sistema capitalista. \u00c9 por isso que, ainda que a guerra em condi\u00e7\u00f5es do capitalismo seja inevit\u00e1vel (tal como as crises econ\u00f4micas, o desemprego, a pobreza, etc), ao mesmo tempo n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno natural. \u00c9 um fen\u00f4meno social j\u00e1 que est\u00e1 conectado \u00e0 natureza da sociedade em que vivemos. Sociedade que tem como \u201cpedra fundamental\u201d a rentabilidade dos que possuem os meios de produ\u00e7\u00e3o. Os monop\u00f3lios e seu poder d\u00e3o lugar \u00e0 guerra imperialista. Em conclus\u00e3o, nossa luta por uma sociedade onde os meios de produ\u00e7\u00e3o sejam propriedade popular (e n\u00e3o propriedade da minoria), onde a economia funcione de maneira planificada a n\u00edvel central e controlada pelos pr\u00f3prios trabalhadores, tendo como objetivo a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades populares (n\u00e3o o aumento dos lucros dos capitalistas), est\u00e1 conectada indissoluvelmente \u00e0 luta contra a guerra imperialista, contra a \u201cpaz\u201d que imp\u00f5em os imperialistas com a pistola na cabe\u00e7a do povo e que prepara as novas guerras imperialistas.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o \u00e9 fatalismo esta constata\u00e7\u00e3o de que enquanto existir o capitalismo existir\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es que promovem a guerra. Pelo contr\u00e1rio. Dirigimo-nos \u00e0 classe oper\u00e1ria do pa\u00eds, aos povos de nossa regi\u00e3o e destacamos que seus interesses se identificam com a luta comum anticapitalista, antimonopolista, pela retirada dos organismos imperialistas, desmantelamento das bases militares estrangeiras e das armas nucleares, o regresso das for\u00e7as militares das miss\u00f5es imperialistas, a manifesta\u00e7\u00e3o de solidariedade com cada povo que luta e pretende tra\u00e7ar seu pr\u00f3prio caminho de desenvolvimento. Pela liberta\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds dos planos e das guerras imperialistas. Para que a consigna \u201cNem territ\u00f3rio e nem mar aos assassinos dos povos!\u201d se converta em realidade. Esta \u00e9 uma luta di\u00e1ria. Uma luta com objetivos concretos, levada a cabo pelos comunistas de maneira unificada com a luta pelo poder, n\u00e3o separada dela.<\/p>\n<p>Continuam sendo atuais as posi\u00e7\u00f5es de Lenin, que sublinhou que: \u201cas consignas de pacifismo, de desarmamento internacional sob as condi\u00e7\u00f5es do capitalismo, dos tribunais de arbitragem, etc. s\u00e3o mais que uma utopia reacion\u00e1ria, s\u00e3o um engano aberto dos trabalhadores, cujo objetivo \u00e9 desarmar o proletariado e distra\u00ed-lo de sua tarefa de desarmar os exploradores.<\/p>\n<p>S\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria, comunista, pode tirar a humanidade do beco sem sa\u00edda que o imperialismo e as guerras imperialistas criaram. Sejam quais forem as dificuldades da revolu\u00e7\u00e3o e os poss\u00edveis reveses tempor\u00e1rios ou as ondas da contrarrevolu\u00e7\u00e3o, a vit\u00f3ria final do proletariado \u00e9 inevit\u00e1vel\u201d.[26]<\/p>\n<p>*A situa\u00e7\u00e3o e as tarefas da Internacional Socialista, v. 26, p.41.<\/p>\n<p>[1]A interven\u00e7\u00e3o da OTAN se fez sob o pretexto do \u201cgenoc\u00eddio\u201d dos albaneses de Kosovo por Milosevic, en 1999, e conduziu o desmembramento da S\u00e9rvia.<\/p>\n<p>[2]A interven\u00e7\u00e3o dos EUA e de seus \u201caliados\u201d se fez sob o pretexto das \u201carmas de destrui\u00e7\u00e3o massiva\u201d que, supostamente, teria o regime de Saddam Hussein, em 2003. Uma interven\u00e7\u00e3o que colocou o Iraque em um estado de peculiar de divis\u00e3o em desenvolvimento (regi\u00e3o xiita, sunita e curda).<\/p>\n<p>[3]Em 2001, a OTAN, sob o pretexto da \u201cpromo\u00e7\u00e3o da democracia\u201d no marco da chamada \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, procedeu a interven\u00e7\u00e3o imperialista com consequ\u00eancias tr\u00e1gicas para o povo da L\u00edbia.<\/p>\n<p>[4]V.I.Lenin: O imperialismo, fase superior do capitalismo, Obras Completas, v. 27, p. 395.<\/p>\n<p>[5]Segundo registros dos EUA, o primeiro ministro da Gr\u00e9cia, Antonis Samaras, durante sua reuni\u00e3o com o presidente dos EUA, Barack Obama, em 9\/8\/2013, Washington, informou que o g\u00e1s natural no subsolo da Gr\u00e9cia (Mar J\u00f4nico-Sul de Creta) \u00e9 estimado em, aproximadamente, 4,7 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos. Esta quantidade, junto com os 4,5 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos na ZEE do Chipre e de Israel, podem cobrir 50% da demanda da UE por 30 anos.<\/p>\n<p>[6]S\u00e3o caracter\u00edsticas as posi\u00e7\u00f5es perigosas expressas pelas figuras do governo da Alb\u00e2nia, que promovem reivindica\u00e7\u00f5es territoriais \u00e0s custas de muitos Estados vizinhos, de anexa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, em nome da \u201cautodetermina\u00e7\u00e3o\u201d ou da \u201cGrande Alb\u00e2nia\u201d. Reivindica\u00e7\u00f5es similares s\u00e3o promovidas na Rom\u00eania \u00e0s custas da Mold\u00e1via e da Ucr\u00e2nia. Respectivamente, a burguesia da Turquia, com o governo de Erdogan e o \u201cneo-otomanismo\u201d como ve\u00edculo, utiliza a religi\u00e3o, as tradi\u00e7\u00f5es e as minorias da regi\u00e3o, para prender os trabalhadores em um plano de fortalecimento de seu papel n\u00e3o apenas nos assuntos regionais, mas tamb\u00e9m internacionais, desempenhando um papel sujo nos acontecimentos na S\u00edria, al\u00e9m de promover reivindica\u00e7\u00f5es \u00e0s custas da Gr\u00e9cia, no mar Egeu.<\/p>\n<p>[7]Cabe destacar neste ponto que n\u00f3s, comunistas, n\u00e3o tratamos o assunto da autodetermina\u00e7\u00e3o fora da posi\u00e7\u00e3o leninista que: \u201cas distintas reivindica\u00e7\u00f5es da democracia, incluindo a da autodetermina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o algo absoluto, mas uma \u201cpart\u00edcula\u201d de todo o movimento democr\u00e1tico (hoje socialista) mundial. Pode suceder que, no caso dado, uma determinada contradi\u00e7\u00e3o com um todo. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso repudi\u00e1-la\u201d. (V.I.Lenin: Balan\u00e7o da discuss\u00e3o sobre a autodetermina\u00e7\u00e3o, Obras Completas, v. 30, p. 39). Particularmente sobre o assunto curdo, que se destaca diretamente (devido \u00e0 divis\u00e3o do Iraque, da atividade armada independente da popula\u00e7\u00e3o curda na S\u00edria, assim como as discuss\u00f5es do l\u00edder dos curdos preso na Turquia, A.Ocalan, com a lideran\u00e7a turca), \u00e9 muito atual a avalia\u00e7\u00e3o estabelecida no <strong>Comunicado Comum do Partido Comunista da Turquia e do KKE<\/strong>, em que: \u201cOs dois Partidos Comunistas consideram que um assunto chave na regi\u00e3o, que se entrela\u00e7a com v\u00e1rios planos imperialistas no Oriente M\u00e9dio, no B\u00e1lc\u00e3s, na Eur\u00e1sia, \u00e9 a <strong>quest\u00e3o curda<\/strong>. Ainda que para a classe trabalhadora a quest\u00e3o curda seja uma quest\u00e3o de igualdade, de justi\u00e7a, de liberdade, para os imperialistas \u00e9 uma quest\u00e3o de promo\u00e7\u00e3o de uns e outros interesses econ\u00f4micos, de correla\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas, de antagonismos e equil\u00edbrios, de controle sobre os dep\u00f3sitos energ\u00e9ticos e das rotas de transporte. Para n\u00f3s \u00e9 \u00f3bvio que a quest\u00e3o curda n\u00e3o pode ser resolvida a favor dos povos da regi\u00e3o com as contribui\u00e7\u00f5es dos EUA, da OTAN e da UE, em fun\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios objetivos. A quest\u00e3o curda n\u00e3o pode ser resolvida mediante a suposta \u201cabertura democr\u00e1tica\u201d do AKP, que est\u00e1 sendo promovida para estabelecer, na realidade, seu pr\u00f3prio poder burgu\u00eas, de facilitar a rentabilidade do capital atrav\u00e9s do sentimento religioso. A quest\u00e3o curda ser\u00e1 resolvida a favor dos povos da regi\u00e3o somente estando ligada \u00e0 a\u00e7\u00e3o anti-imperialista consequente, \u00e0 luta pela vit\u00f3ria e consolida\u00e7\u00e3o do poder oper\u00e1rio, \u00e0 luta pelo socialismo. A quest\u00e3o curda ser\u00e1 resolvida atrav\u00e9s de processos revolucion\u00e1rios, com ideais revolucion\u00e1rios, n\u00e3o com os planos e as \u201cgarantias\u201d dos imperialistas\u201d (di\u00e1rio Rizospastis, s\u00e1bado, 26 de mar\u00e7o de 2011).<\/p>\n<p>[8]V.I.Lenin: A cat\u00e1strofe que nos amea\u00e7a e como combat\u00ea-la, v.34, p.193.<\/p>\n<p>[9]V.I.Lenin: A cat\u00e1strofe que nos amea\u00e7a e como combat\u00ea-la, v.34, p.193.<\/p>\n<p>[10] V.I.Lenin: Sob uma bandeira estrangeira, v. 26, p. 142.<\/p>\n<p>[11]I.V.Stalin. Informe ante o XVIII Congresso do Partido Comunista (b) da URSS, v.14.<\/p>\n<p>[12]Os EUA continuam sendo a principal pot\u00eancia econ\u00f4mica, por\u00e9m com uma redu\u00e7\u00e3o significativa de sua quota no Produto Bruto Mundial. At\u00e9 2008, a zona do Euro em seu conjunto, manteria a segunda posi\u00e7\u00e3o no mercado capitalista internacional. No entanto, perdeu a posi\u00e7\u00e3o durante a crise. J\u00e1 a China se converteu na segunda pot\u00eancia econ\u00f4mica, fortaleceu a alian\u00e7a BRICS (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) nas uni\u00f5es capitalistas internacionais, como o FMI, o G-20. A mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre os Estados capitalistas, tamb\u00e9m traz mudan\u00e7as nas alian\u00e7as entre eles, dado que se intensificam as contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas sobre o controle e a partilha de territ\u00f3rios e mercados, zonas de influ\u00eancia econ\u00f4mica, sobretudo, de recursos energ\u00e9ticos e naturais, de rotas de transporte de mercadorias.<\/p>\n<p>[13]Programa do \u039a\u039a\u0395. Foi aprovado pelo XIX Congresso (11-14\/4\/2013).<\/p>\n<p>[14]Em condi\u00e7\u00f5es de dom\u00ednio do poder do capital, os recursos naturais s\u00e3o o \u201cpomo da disc\u00f3rdia\u201d entre os monop\u00f3lios e os Estados capitalistas que competem pelo controle e pela explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, sem vacilar em massacrar os povos e destruir o meio ambiente para assegurar seus lucros, enquanto o povo j\u00e1 paga muito caro pelo petr\u00f3leo e pelo g\u00e1s natural, pela energia. Do pr\u00f3prio desenvolvimento surge a necessidade de utilizar os recursos naturais a favor dos trabalhadores, tamb\u00e9m atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua dos povos. Uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para esta perspectiva \u00e9 que em cada pa\u00eds o poder passe \u00e0s m\u00e3os da classe trabalhadora, para que abra caminho para a socializa\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, dos meios de produ\u00e7\u00e3o concentrados, que devem converter-se em propriedade popular, fazendo com que a economia se desenvolva com base na planifica\u00e7\u00e3o central e no controle popular.<\/p>\n<p>[15]N\u00e3o \u00e9 por acaso que o Ir\u00e3, que nesta fase apoia a S\u00edria, comentou que um ataque contra a S\u00edria tamb\u00e9m seria um ataque contra o Ir\u00e3 e que, em tal caso, o Ir\u00e3 atacar\u00e1 as bases dos EUA na regi\u00e3o. Assim, o \u201cfogo\u201d incendiado pelos imperialistas pode atingir grandes propor\u00e7\u00f5es e os perigos para o povo da Gr\u00e9cia se tornam mais que \u00f3bvios. Creta e, concretamente, a base de Souda ficam a 2000 quil\u00f4metros do Ir\u00e3 (2,5 milhas de quil\u00f4metros de Teer\u00e3). O alcance dos m\u00edsseis iranianos Sangil \u00e9 de 2,5 milhas de quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>[16]Durante os \u00faltimos anos, sobretudo ap\u00f3s a intensifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre Israel e Turquia, a burguesia da Gr\u00e9cia promoveu uma coopera\u00e7\u00e3o mais estreita com Israel. Esta coopera\u00e7\u00e3o prev\u00ea tanto a promo\u00e7\u00e3o dos interesses econ\u00f4micos (p. ex. Para a utiliza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural, instala\u00e7\u00e3o de um cabo el\u00e9trico que conectar\u00e1 Gr\u00e9cia-Chipre-Israel), como com objetivos estrat\u00e9gicos, da qual participam avi\u00f5es militares de Israel de exerc\u00edcios militares na Gr\u00e9cia. Apesar das rea\u00e7\u00f5es do KKE, os exerc\u00edcios ocorrem frequentemente pr\u00f3ximo de Creta, onde est\u00e3o instalados os sistemas antiavi\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o russa C300, com o objetivo de preparar os pilotos israelenses para um poss\u00edvel ataque contra o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>[17]Os governos gregos, tanto da ND direitista, como do PASOK socialdemocrata, no marco das reuni\u00f5es da OTAN e da UE, assinaram nos \u00faltimos 30 anos v\u00e1rias alian\u00e7as que constituem um retrocesso dos direitos soberanos da Gr\u00e9cia no mar Egeu.<\/p>\n<p>[18]A burguesia da Gr\u00e9cia pretende fortalecer suas alian\u00e7as internacionais para ter acesso a capitais estrangeiros, a fim de cooperar quanto \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais, para converter o pa\u00eds em um \u201cn\u00f3\u201d para as necessidades energ\u00e9ticas e comerciais da UE, e para que se beneficie da partilha do \u201cdespojo\u201d ap\u00f3s as interven\u00e7\u00f5es imperialistas. P. ex., em termos mais favor\u00e1veis \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de capitais por empresas nacionais de constru\u00e7\u00f5es, empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es, setor banc\u00e1rio etc.<\/p>\n<p>[19]V.I.Lenin, A quest\u00e3o da paz, v. 26, p. 303.<\/p>\n<p>[20] V.I.Lenin: As tarefas da socialdemocracia revolucion\u00e1ria na guerra europeia, Obras Completas, ed. Sinchroni Epochi,v. 26, p. 1.<\/p>\n<p>[21] Entrevista no canal de televis\u00e3o ANT1, 24 de maio de 2014.<\/p>\n<p>[22] V.I.Lenin: Sob uma bandeira estrangeira, Obras Completas, ed.Sinchroni Epochi,v. 26, pp. 140-141 y 146.<\/p>\n<p>[23]Programa do KKE.<\/p>\n<p>[24]Resolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do XIX Congresso.<\/p>\n<p>[25] V.I.Lenin: O imperialismo, fase superior do capitalismo, Obras Completas, ed. Sinchroni Epochi, v.27, p. 424.<\/p>\n<p>[26]V.I.Lenin: Programa do Partido Comunista (b) da URSS, Obras Completas, ed. Sinchroni Epochi, v. 38, p. 421.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.iccr.gr\/es\/news\/La-intensificacion-de-los-antagonismos-imperialistas-en-la-region-del-Mediterraneo-Sudeste-y-los-Balcanes.-La-posicion-del-KKE-sobre-la-posibilidad-de-implicacion-de-Grecia-en-una-guerra-imperialista\/<\/p>\n<p><em><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7612\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7612","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1YM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7612\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}