{"id":7626,"date":"2015-04-06T23:15:04","date_gmt":"2015-04-06T23:15:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7626"},"modified":"2015-04-06T23:15:04","modified_gmt":"2015-04-06T23:15:04","slug":"privatizacao-de-rio-provoca-14-mil-mortes-de-indigenas-por-inanicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7626","title":{"rendered":"Privatiza\u00e7\u00e3o de rio provoca 14 mil mortes de ind\u00edgenas por inani\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Adital<\/p>\n<p>Desde que o principal rio da regi\u00e3o foi represado e sua \u00e1gua privatizada pela ind\u00fastria agr\u00edcola e pela maior explora\u00e7\u00e3o de mina de carbono a c\u00e9u aberto do mundo, a maior comunidade ind\u00edgena da Col\u00f4mbia, composta pelos povos Way\u00fau, morre de fome e sede. Situada no extremo norte do pa\u00eds, na pen\u00ednsula des\u00e9rtica de La Guajira, a popula\u00e7\u00e3o sofre com a desnutri\u00e7\u00e3o, contabilizando pelo menos 37 mil crian\u00e7as ind\u00edgenas desnutridas. Dados apontam que cerca de 14 mil meninas e meninos j\u00e1 morreram de inani\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo entidades que acompanham a popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil dimensionar a trag\u00e9dia que tem acometido os Way\u00fau. Isto porque essa comunidade, de origem pr\u00e9-hisp\u00e2nica, carece da presen\u00e7a estatal colombiana efetiva. Dados divulgados pelo jornal digital alternativo Las 2 Orillas apontam que a maior parte das crian\u00e7as ind\u00edgenas que morrem na regi\u00e3o n\u00e3o consegue chegar aos centros de sa\u00fade mais pr\u00f3ximos para ser atendida. Sem meios de transporte, elas precisariam caminhar enormes dist\u00e2ncias pelo deserto.<\/p>\n<p>Por igual motivo, mais da metade delas sequer s\u00e3o inscritas no registro civil ao nascer, tampouco geram declara\u00e7\u00f5es de \u00f3bito, ao falecerem. O que impossibilita o governo de obter estat\u00edsticas reais da situa\u00e7\u00e3o em La Guajira.<\/p>\n<p>Os Way\u00fau vivem sem acesso \u00e0 \u00e1gua desde que o rio Rancher\u00eda, \u00fanico na regi\u00e3o, secou em sua totalidade. Seu caudal \u00e9, hoje, destinado, exclusivamente, a grandes fazendas do sul da regi\u00e3o e a opera\u00e7\u00f5es industriais das minas de carbono. Atualmente, em seu leito, transitam carros e animais de carga. Com isso, a etnia vive em condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria, carecendo de alimentos e servi\u00e7os b\u00e1sicos, como um aqueduto e sa\u00fade, al\u00e9m de eletricidade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade social e degrada\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong><\/p>\n<p>A regi\u00e3o de La Guajira, com uma popula\u00e7\u00e3o de 500 mil pessoas, recebeu, nos \u00faltimos 20 anos, mais de 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares de incentivo para a extra\u00e7\u00e3o de seus recursos naturais (carbono e g\u00e1s), al\u00e9m de uma verba anual advinda do Or\u00e7amento Federal da Col\u00f4mbia. N\u00e3o bastando a destina\u00e7\u00e3o desigual de recursos para as popula\u00e7\u00f5es, de acordo com Las 2 Orillas, a maior parte desses recursos acaba sendo desviada em esquemas de corrup\u00e7\u00e3o que dominam as administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas locais.<\/p>\n<p>Segundo o ve\u00edculo alternativo, o governo colombiano destina recursos do Or\u00e7amento Federal para a etnia Way\u00fau. No entanto, a verba n\u00e3o chega aos ind\u00edgenas. O Programa de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o (PAN) para La Guajira, por exemplo, destinado a melhorar a seguran\u00e7a alimentar e nutricional de popula\u00e7\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es de extrema pobreza, tem investimento anual de mais de 15 milh\u00f5es de d\u00f3lares, mas se encontra atrelado a redes de corrup\u00e7\u00e3o, que det\u00eam sua verba ilegalmente. Den\u00fancias de porta-vozes dos ind\u00edgenas apontam que essa verba acaba sendo utilizada na capta\u00e7\u00e3o de votos em campanhas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Em meio a todo esse contexto, a Defensoria do Povo, \u00f3rg\u00e3o governamental encarregado da defesa dos direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o, chegou a qualificar a situa\u00e7\u00e3o como uma &#8220;crise humanit\u00e1ria\u201d. No \u00faltimo m\u00eas de fevereiro, representantes do povo Way\u00fau recorreram \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), para que tutele a garantia dos seus direitos fundamentais.<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas reivindicam que a CIDH estabele\u00e7a medidas cautelares urgentes que permitam recuperar o uso do \u00fanico rio que h\u00e1 na regi\u00e3o e, com isso, conter a atual mortandade por inani\u00e7\u00e3o, principalmente de crian\u00e7as e idosos. A pretens\u00e3o \u00e9 que a comunidade volte a ter acesso ao recurso natural e desfrute, de maneira segura, priorit\u00e1ria e exclusiva, da \u00e1gua. Para isso, requerem a abertura imediata das comportas da represa para a popula\u00e7\u00e3o e que a ind\u00fastria utilize outras fontes p\u00fablicas de \u00e1gua, como as subterr\u00e2neas.<\/p>\n<p>Saiba mais sobre o contexto do povo Way\u00fau por meio do document\u00e1rio in\u00e9dito &#8220;El r\u00edo que se robaron\u201d (em portugu\u00eas, <em>O rio que roubaram<\/em>), do jornalista colombiano Gonzalo Guill\u00e9n. A produ\u00e7\u00e3o, com imagens e testemunhos das v\u00edtimas, ser\u00e1 utilizada como prova judicial junto \u00e0 CIDH sobre os fatos denunciados.<\/p>\n<p>Foto: maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da Col\u00f4mbia n\u00e3o tem acesso ao \u00fanico rio da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>http:\/\/site.adital.com.br\/site\/noticia.php?lang=PT&#038;cod=84561<\/p>\n<p> <object class=\"imagem100\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Pw5atUNNTMY\" \/><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><\/object> <\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Pw5atUNNTMY?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nMarcela Belchior\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7626\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-7626","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Z0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7626","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7626"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7626\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}