{"id":763,"date":"2010-08-26T13:45:44","date_gmt":"2010-08-26T13:45:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=763"},"modified":"2010-08-26T13:45:44","modified_gmt":"2010-08-26T13:45:44","slug":"imperio-ceuta-e-melilla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/763","title":{"rendered":"Imp\u00e9rio, Ceuta e Melilla"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"justify\">A principal \u201craz\u00e3o\u201d\u00a0alegada pelo Estado espanhol para garantir a ocupa\u00e7\u00e3o das cidades coloniais de Ceuta e Melilla, \u00e9\u00a0de que \u201ceram cidades espanholas antes da exist\u00eancia do Marrocos\u201d. Este argumento n\u00e3o s\u00f3\u00a0n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0certo, como leva a um paradoxo, j\u00e1 que a Espanha ocupou Buenos Aires, Caracas, San Francisco ou Manila, todas elas \u201ccidades espanholas\u201d antes de existirem formalmente seus respectivos pa\u00edses atuais.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o h\u00e1\u00a0 argumento poss\u00edvel para justificar a sobreviv\u00eancia do colonialismo hisp\u00e2nico na \u00c1frica. Nem no que se refere aos territ\u00f3rios ocupados no Marrocos, nem no que se refere \u00e0s Can\u00e1rias. Por\u00e9m, \u00e9 aqui que todas as for\u00e7as do nacionalismo imperialista espanhol, a bombordo e a estibordo, cerram fileiras em torno da \u201cespanholidade\u201d das cidades ocupadas, chegando ao extremo de pedir \u201cpulso firme\u201d com Marrocos, esse reino \u201cmouro\u201d que se atreve a reclamar o que \u00e9 seu.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 certo que a monarquia alauita \u00e9 uma tirania opressiva. Al\u00e9m disso, todas as recentes posturas fronteiri\u00e7as contam \u2013 como n\u00e3o podia ser menos \u2013 com as b\u00ean\u00e7\u00e3os e at\u00e9 com o impulso da casa real marroquina. Trata-se apenas de uma manobra de press\u00e3o para for\u00e7ar a Espanha a respaldar a postura de Marrocos para continuar com sua ocupa\u00e7\u00e3o criminosa do Saara Ocidental. Por\u00e9m, nada disto serve para esquivar da realidade o fato de que a ocupa\u00e7\u00e3o colonial espanhola deve desaparecer do \u00faltimo metro e do \u00faltimo cent\u00edmetro do territ\u00f3rio nacional de Marrocos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A visita do rei espanhol \u00e0\u00a0Ceuta e Melilla em novembro de 2007, aut\u00eantico arrego para a monarquia em seu momento de m\u00ednima popularidade, de bandeiras republicanas nas ruas e de queima de suas fotos, iniciou o atual conflito que tanto quanto sup\u00f4s um s\u00e9rio agravo \u00e0 dignidade nacional de Marrocos. E, por sua vez, uma oportunidade \u00fanica do rei e da corte marroquina dar uma arrochada na Espanha.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 uma Espanha que se faz de dif\u00edcil. Seus interesses econ\u00f4micos e os seus grandes oligop\u00f3lios se repartem entre Marrocos e Arg\u00e9lia. Adotar uma postura favor\u00e1vel \u00e0 Marrocos traria danos aos seus interesses na Arg\u00e9lia e vice-versa. No entanto, Marrocos, s\u00f3cio priorit\u00e1rio da Uni\u00e3o Europeia e aliado preferencial da OTAN, tem amigos muito poderosos: Fran\u00e7a e Estados Unidos, como se comprovou quando Washington obrigou a Espanha se retirar do que este pa\u00eds europeu considerava parte de seu territ\u00f3rio nacional. A sa\u00edda da ilha de Perejil foi \u2013 at\u00e9 agora \u2013 a \u00faltima humilha\u00e7\u00e3o do outrora absoluto imp\u00e9rio espanhol.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por sua parte, a estrat\u00e9gia do governo do Marrocos \u00e9\u00a0tirar a corda sem romp\u00ea-la de todo. N\u00e3o s\u00f3 tem que conseguir aliados para sua \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d no Saara ocupado, sem que seus interesses na Uni\u00e3o Europeia (e suas mercadorias) passem, em boa medida, pela Espanha. Esse morde e assopra, definido por um esgotado governo espanhol como \u201cas boas rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a\u201d, seguir\u00e1 com seus altos e baixos, por\u00e9m n\u00e3o pode resolver-se\u00a0 enquanto n\u00e3o se descolonizarem Ceuta e Melilla.<\/p>\n<p align=\"justify\">O dano colateral de tudo isto \u00e9\u00a0que boa parte da esquerda espanhola, sempre pensando no processo eleitoral, assume os postulados imperialistas e n\u00e3o se atreve a exigir a retirada espanhola de ambas cidades coloniais e sua devolu\u00e7\u00e3o ao Marrocos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 certo que tal postura n\u00e3o ir\u00e1 ser adotada com aplausos pela maioria dos espanh\u00f3is, ainda imbu\u00eddos de uma arrog\u00e2ncia imperialista, s\u00f3\u00a0existente em seus mitos culturais. O interesse\u00a0 n\u00e3o \u00e9 pelo que ser\u00e1 mais f\u00e1cil. Isso \u00e9, sem d\u00favida, uma inapresent\u00e1vel trai\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios democr\u00e1ticos e anticolonialistas, pr\u00f3pria do que n\u00e3o cabe sen\u00e3o definir, como no caso da\u00a0<em>gauche<\/em> francesa a respeito da Arg\u00e9lia, como esquerda imperialista ou social-imperialismo.<\/p>\n<p align=\"justify\">E o mesmo se pode dizer da negativa em assumir o direito das Can\u00e1rias \u00e0\u00a0descoloniza\u00e7\u00e3o e \u00e0\u00a0independ\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\"><em>(*) Teodoro Santana \u00e9\u00a0membro do Comit\u00ea\u00a0 Central do <\/em><a href=\"http:\/\/prcc-canarias.org\/\" target=\"_blank\"><em>Partido Revolucion\u00e1rio dos Comunistas das Can\u00e1rias (PRCC)<\/em><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PRCC\n\n\n\n\n\n\n\n\nTeodoro Santana\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/763\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-763","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-cj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/763\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}