{"id":7630,"date":"2015-04-07T13:04:13","date_gmt":"2015-04-07T13:04:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7630"},"modified":"2015-04-10T20:17:34","modified_gmt":"2015-04-10T20:17:34","slug":"o-objetivo-imediato-da-invasao-de-al-saud-ao-iemen-e-a-sua-meta-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7630","title":{"rendered":"O objetivo imediato da invas\u00e3o de Al Saud ao I\u00e9men e a sua meta final"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/PabloJofrLeal.jpg?w=747\" alt=\"\" \/>A agress\u00e3o contra o povo iemenita, liderada pela Arabia Saudita, tem um objectivo imediato: destruir o Movimento Popular Ansarolah, e tem como meta final, que tem come\u00e7ado pouco a pouco a revelar-se, contender contra a crescente influ\u00eancia do Ir\u00e3o no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Esse ascendente sobre sociedades do M\u00e9dio Oriente foi ganho pelo apoio efectivo que o Ir\u00e3o d\u00e1 \u00e0 luta contra os movimentos terroristas de raiz takfir\u00ed, que assolam as sociedades da S\u00edria e do Iraque, e que se enquistaram no I\u00e9men. Ao contr\u00e1rio das outras pot\u00eancias da zona como a Arabia Saudita, o regime de Israel e a Turquia, a concretiza\u00e7\u00e3o desta pol\u00edtica iraniana n\u00e3o se baseia na agress\u00e3o aos seus vizinhos ou na imposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas hegem\u00f3nicas. E isto apesar da enorme campanha medi\u00e1tica internacional que pretende mostrar um Ir\u00e3o belicista a partir da decis\u00e3o soberana de continuar com o seu Programa de Desenvolvimento Nuclear ao abrigo do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o (TNP), que se encontra no \u00e2mbito das conversa\u00e7\u00f5es entre o Ir\u00e3o e o denominado Grupo 5 +1.<\/p>\n<p>Conversa\u00e7\u00f5es que t\u00eam sido torpedeadas tanto pela Arabia Saudita como por Israel, que v\u00eam na possibilidade de concretizar estes acordos o fim das san\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3o e com isso a eleva\u00e7\u00e3o do prest\u00edgio persa e a eleva\u00e7\u00e3o das suas capacidades econ\u00f3micas, tecnol\u00f3gicas e a confirma\u00e7\u00e3o do seu papel como pot\u00eancia regional. O Ir\u00e3o \u00e9 signat\u00e1rio do TNP ao contr\u00e1rio do regime de Israel que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o assinou esta Conven\u00e7\u00e3o, como ainda impede a visita de inspectores da Agencia Internacional de Energia At\u00f3mica (AIEA) e desenvolve uma pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios palestinos e de cont\u00ednua agress\u00e3o e amea\u00e7as no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>A monarquia saudita considera o Ir\u00e3o o seu principal rival no M\u00e9dio Oriente, desde o exacto momento em que a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica de Ir\u00e3o \u00e9 instaurada no ano de 1979 ap\u00f3s o derrubamento da monarquia dos Pahlevi. Antagonismo que conta com o concurso de dois parceiros principais: Estados Unidos e o regime de Israel. E isto uma vez que a Casa Al Saud criou, ao longo das \u00faltimas 5 d\u00e9cadas, uma estreita alian\u00e7a pol\u00edtica e militar com o regime de Tel Aviv e com Washington destinada a impedir o desenvolvimento de uma pol\u00edtica de influ\u00eancia por parte do Ir\u00e3o ou de qualquer outra pot\u00eancia, que n\u00e3o se insira nos objectivos hegem\u00f3nicos da tr\u00edade Washington-Tel Aviv-Riad.<\/p>\n<p>Por outro lado, a alian\u00e7a Wahabita-Sionista desencadeou os dem\u00f3nios da guerra e o surgimento de movimentos terroristas cuja doutrina takfir\u00ed se encontra nas madrassas sauditas dispersas pelo M\u00e9dio Oriente, Paquist\u00e3o e Afeganist\u00e3o. Com um fluxo generoso de petrod\u00f3lares que procura criar uma base salafista que actuar\u00e1 ali onde as autoridades do regime de Tel Aviv e Riad assinalem como necess\u00e1rio para concretizar os seus objectivos pol\u00edticos. Alian\u00e7a que se manifesta, na sua real dimens\u00e3o, no abandono da causa palestina, na cria\u00e7\u00e3o de grupos terroristas takfiris que agem como ponta de lan\u00e7a da pol\u00edtica externa saudita contra Iraque e S\u00edria, e na decis\u00e3o de derrubar o Governo de Bashar al-Asad financiando o EIIL (Daesh em \u00e1rabe), a Al-Qaeda e as suas diferentes fac\u00e7\u00f5es no Magreb, I\u00e9men, Afeganist\u00e3o e outras zonas do mundo, incluindo o Paquist\u00e3o e ex. rep\u00fablicas da ex. Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Um despacho estado-unidense do ano de 2010 (o denominado documento n\u00ba 242073 enviado pela ex. Secretaria de Estado Hillary Clinton), durante o primeiro mandato de Barack Obama \u00e0s suas embaixadas de Riad, Abu Dhabi, Doha, Kuwait e Islamabad confirmava a implica\u00e7\u00e3o da Arabia Saudita na forma\u00e7\u00e3o e financiamento dos grupos terroristas takfir\u00eds \u201cos doadores da Arabia Saudita constituem a fonte mais significativa de financiamento dos grupos terroristas sunitas em todo o mundo\u2026 ainda que a Arabia saudita tome muito a serio a amea\u00e7a do terrorismo interno\u2026 este pa\u00eds continua sendo uma base cr\u00edtica de apoio para a Al-Qaeda, os talibans, Lashkar e Tayba e outros grupos terroristas, que provavelmente recolhem milh\u00f5es de d\u00f3lares anualmente de fontes sauditas, frequentemente durante o hach e o ramad\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos t\u00eam tratado de desenvolver uma pol\u00edtica de conten\u00e7\u00e3o a este apoio t\u00e3o flagrante e t\u00eam-no expressado a Riad, mas entretanto as pr\u00f3prias din\u00e2micas internas deste regime, sobretudo dos membros mais radicais da fam\u00edlia Al Saud, permite concluir que esse apoio ao terrorismo n\u00e3o cessar\u00e1, como tamb\u00e9m n\u00e3o cessar\u00e3o as suas pr\u00f3prias miss\u00f5es militares destinadas a agredir aqueles pa\u00edses que considera como seu p\u00e1tio traseiro: Bahrein e I\u00e9men principalmente.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica belicista ter\u00e1 inevitavelmente que ser revista n\u00e3o apenas \u00e0 luz do seu crescente deficit or\u00e7amental, ap\u00f3s a decis\u00e3o de baixar os pre\u00e7os do crude em fun\u00e7\u00e3o dos seus objectivos estrat\u00e9gicos, mas tamb\u00e9m em virtude das crescentes press\u00f5es pol\u00edticas internas de uma popula\u00e7\u00e3o com altos \u00edndices de desemprego \u2013 sobretudo na juventude \u2013 e as tens\u00f5es externas derivadas da ac\u00e7\u00e3o dos grupos takfir\u00ed, filhos putativos da Monarquia Saudita, que mais cedo do que tarde ter\u00e1 que prestar contas pelas suas responsabilidades. Junta-se a tudo isto a \u00faltima e mais equivocada das decis\u00f5es tomadas por Riad: a agress\u00e3o contra o I\u00e9men.<\/p>\n<p><strong>Uma tormenta de morte e destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O I\u00e9men situa-se numa zona geogr\u00e1fica e de navega\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de onde se transporta 40% de todo o petr\u00f3leo que o mundo europeu consome. \u00c9 tamb\u00e9m zona de influ\u00eancia da V Esquadra estado-unidense do Golfo P\u00e9rsico, com base no Bahrein, e nos sectores sob a sua vigil\u00e2ncia e ac\u00e7\u00e3o: Corno de \u00c1frica, Golfo P\u00e9rsico, Asia Central, M\u00e9dio Oriente e a zona sul-africana. Com uma popula\u00e7\u00e3o fundamentalmente crente no Isl\u00e3o, divide-se em 52 % de confiss\u00e3o sunita e 46% xiita. \u00c9 uma zona onde operam movimentos de raiz takfir\u00ed como \u00e9 o caso da Al-Qaeda da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica e o grupo \u00c1den Abyan Islamic Army.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o, a submiss\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas ocidentais no quadro da \u201cguerra contra o terrorismo\u201d na fun\u00e7\u00e3o de executor das pol\u00edticas de Riad para a Pen\u00ednsula juntamente com as opera\u00e7\u00f5es com drones contra a popula\u00e7\u00e3o iemenita foram isolando cada dia mais o regime do derrubado ex-presidente Ali Abdal\u00e1 Saleh, que governou entre os anos 1990 e 2012, tal como tamb\u00e9m o seu sucessor Abd Rabbu Mansur Hadi. Mandat\u00e1rios que operavam n\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o dos seus povos mas segundo a influ\u00eancia saudita e os seus interesses regionais. Para Guadi Calvo, estudioso de temas relacionados com o M\u00e9dio Oriente, \u201ca medi\u00e1tica e instrumentalizada primavera \u00e1rabe contou o I\u00e9men como um dano colateral, uma v\u00edtima n\u00e3o desejada\u201d.<\/p>\n<p>Nesse quadro, a luta do movimento popular Ansarolah, as divis\u00f5es internas dentro do n\u00facleo governante e as cr\u00f3nicas rivalidades entre o norte e o sul, teceram o caminho para o levantamento da sua popula\u00e7\u00e3o contra governos incapazes de realizar o bem-estar dos seus povos. Aos factores decorrentes de um pa\u00eds com dificuldades econ\u00f3micas: com altos \u00edndices de desemprego, malnutri\u00e7\u00e3o, um desenvolvimento econ\u00f3mico insuficiente para as necessidades dos seus 25 milh\u00f5es de habitantes, h\u00e1 que unir aqueles componentes relacionados com a luta pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e religiosa em que o I\u00e9men est\u00e1 afundado, que faz parte da confronta\u00e7\u00e3o maior entre um Ir\u00e3o que exige respeito pela sua condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia regional e uns Estados Unidos que, apoiados na alian\u00e7a Sionista-Wahabita, tratam de manter a sua hegemonia na zona.<\/p>\n<p>O analista iraniano Rasul Gurdarzi sustenta que \u201co I\u00e9men tem uma grande import\u00e2ncia para a Arabia Saudita, como tamb\u00e9m para Estados Unidos, tanto pela sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica como pelo facto dos actores envolvidos. O p\u00e1tio traseiro de uma Casa Al Saud que n\u00e3o quer perder a\u00ed influencia e onde o Ansarolah ganha for\u00e7a, e ainda pela sua situa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica: est\u00e1 rodeado pelo Mar Ar\u00e1bico, o golfo de Aden e o mar Vermelho. Riad \u00e9 un actor de muito peso, que n\u00e3o considera o territ\u00f3rio iemenita como o de um pa\u00eds estrangeiro mas como o seu p\u00e1tio traseiro, pelo que n\u00e3o quer perder a sua influencia. A chegada ao poder no I\u00e9men do movimento popular Ansarolah pressuporia uma amea\u00e7a para esta influ\u00eancia, devido \u00e0s suas diverg\u00eancias ideol\u00f3gicas e religiosas com os sauditas \u2026\u201d.<\/p>\n<p>A Arabia Saudita teme o triunfo do Ansarolah pois v\u00ea nele a amplia\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia iraniana na zona, sobretudo com um acordo sobre o programa nuclear da na\u00e7\u00e3o persa que est\u00e1 a\u00ed, em vias de acordar posi\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es. A desculpa esgrimida por Riad y sus aliados para impedir esse triunfo do Ansarolah foi a de \u201cacorrer a um pedido de aux\u00edlio do presidente Hadi\u201d, e com ela come\u00e7ar\u00e1 a bombardear quanta posi\u00e7\u00e3o, cidade, assentamento ou sitio onde o Ansarolah possa estar, seja este real ou imagin\u00e1rio. Somando a esta miss\u00e3o da Liga \u00c1rabe os cr\u00f3nicos intervencionistas ocidentais como Fran\u00e7a, Inglaterra e inclusivamente o regime sionista. A ideia \u00e9 gerar terror na popula\u00e7\u00e3o iemenita, apresentar o Ansarolah e o Ir\u00e3o como culpados das suas desgra\u00e7as, em vez dos verdadeiros agressores.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 dar um claro sinal que a presa n\u00e3o se escapar\u00e1 das m\u00e3os da Casa Al Saud, que considera o I\u00e9men o seu p\u00e1tio traseiro. E se for necess\u00e1rio cortar de raiz toda erva ruim considerada contr\u00e1ria ao \u201cverde relvado wahabita\u201d Riad est\u00e1 disposta a utilizar todo o seu poderio b\u00e9lico e o l\u00f3gico veto dos sus aliados de Washington, Inglaterra e Fran\u00e7a dentro do Conselho de Seguran\u00e7a. O plano parece estar a funcionar na perfei\u00e7\u00e3o, mas com um grande inconveniente: a dura e clara resposta das for\u00e7as do movimento popular Ansarolah p\u00f4s um trav\u00e3o aos \u00edmpetos agressivos da Arabia Saudita, e esta agora n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 a considerar os bombardeamentos mas tamb\u00e9m realizar incurs\u00f5es por meio de opera\u00e7\u00f5es terrestres, o que augura n\u00e3o s\u00f3 um aumento do n\u00famero de mortos, feridos e de destrui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a possibilidade de a guerra se transferir para solo saudita: o pior pesadelo para os 3 mil membros da Casa Al Saud.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o liderada pela Arabia Saudita, Asifat al-Hazm (\u201cTormenta Decisiva\u201d, ao melhor estilo das interven\u00e7\u00f5es estado-unidenses na zona), procura consolidar a hegemonia que a monarquia wahabita, juntamente com os seus aliados do regime de Tel Aviv e Washington, mantida nos \u00faltimos 50 anos, que est\u00e1 sendo amea\u00e7ada por levantamentos sociais que procuram derrubar estruturas mon\u00e1rquicas arcaicas e governos fantoches das grandes pot\u00eancias. A Arabia Saudita ataca um pa\u00eds soberano e a comunidade internacional n\u00e3o reage. A Casa Al Saud assassina civis, destr\u00f3i cidades e o Conselho de Seguran\u00e7a mant\u00eam-se mudo. Esta \u00e9 uma imagem dos dois pesos, da moral d\u00faplice de uma comunidade internacional que se move ao ritmo dos poderosos, e que na regi\u00e3o apenas ouviu levantar-se a voz condenat\u00f3ria do Ir\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O papel do Ir\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A pol\u00edtica de silencio de ocidente e o apoio da Liga \u00c1rabe, do regime de Israel e Estados Unidos \u00e9 a pol\u00edtica da hipocrisia que hoje se materializa no I\u00e9men, onde se justifica o crime, a interven\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds porque foi solicitada a interven\u00e7\u00e3o estrangeira, ocultando que ao mesmo tempo que se quer destruir o Movimento Popular Ansarolah se deseja deter o apoio que Teer\u00e3o tem dado aos movimentos que efectivamente combatem o terrorismo takfir\u00ed, o mesmo que \u00e9 sustentado pelos petrod\u00f3lares sauditas.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3o e o seu trabalho de luta contra os grupos takfir\u00ed, a sua decidida pol\u00edtica de independ\u00eancia face a todas as grandes pot\u00eancias, situam-no como uma pot\u00eancia regional com a qual se deve necessariamente contar para alcan\u00e7ar a paz e a estabilidade dessa zona do mundo. Israel, que n\u00e3o perde oportunidade de criticar o Ir\u00e3o ou de procurar alternativas para o atacar, deu todo o seu apoio \u00e0 Coliga\u00e7\u00e3o liderada pela Arabia Saudita na sua agress\u00e3o contra o I\u00e9men. Para o primeiro-ministro israelita \u201c O Ir\u00e3o pretende ocupar, atrav\u00e9s do Movimento Ansarolah, grande parte do I\u00e9men e assim controlar o estreito de Bab el-Mandeb, a sudoeste do I\u00e9men, o que alterar\u00e1 o equil\u00edbrio da navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima e o fornecimento mundial de petr\u00f3leo\u201d. Contradit\u00f3ria afirma\u00e7\u00e3o, porque quem agride militarmente, quem bombardeia territ\u00f3rio iemenita, inclusivamente com avi\u00f5es israelitas e com o apoio dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o do regime sionista \u00e9 precisamente a Casa Al Saud, que provavelmente tem forma de se apoderar de Bab al-Mandeb.<\/p>\n<p>O Governo iraniano exigiu a cessa\u00e7\u00e3o imediata dos ataques contra o I\u00e9men considerando que violam a soberania do I\u00e9men sem quaisquer outros resultados que n\u00e3o sejam derramar sangue e que apenas servir\u00e3o os interesses dos movimentos takfir\u00eds. Para a Uni\u00e3o Europeia, que foi mais cautelosa que o seu parceiro estado-unidense \u201ca ac\u00e7\u00e3o militar liderada pela Arabia saudita n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para a crise iemenita. A chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, afirmou que \u201cos \u00faltimos acontecimentos agravam a j\u00e1 fr\u00e1gil situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e o risco de graves consequ\u00eancias regionais. A ac\u00e7\u00e3o militar n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para a crise que o I\u00e9men vive. Apenas um amplo consenso pol\u00edtico nas negocia\u00e7\u00f5es pode proporcionar uma solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, restaurar a paz e preservar a integridade e unidade territorial no I\u00e9men\u201d.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o da Arabia Saudita inscreve-se na defesa dos seus interesses regionais, a propaga\u00e7\u00e3o do Wahabismo e a intensifica\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o contra qualquer movimento que se proponha gerar ares de liberdade. Assim sucedeu no Bahrein, onde a Casa al Saud interveio com punho de ferro sem que o ocidente levantasse a voz para a condenar. A monarquia saudita interveio pol\u00edtica e militarmente no Bahrein, temerosa de que a influ\u00eancia da luta neste pequeno pa\u00eds se expandisse a outras latitudes, como come\u00e7ou a suceder.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es de bombardeamento empreendidas pela Arabia Saudita sem qualquer autoriza\u00e7\u00e3o de organismos internacionais, por muito que se lhe pretenda atribuir certa legalidade ap\u00f3s a Cimeira da Liga \u00c1rabe dos dias 28 e 29 de Mar\u00e7o no Egipto, s\u00e3o violadoras do direito internacional. Esses bombardeamentos demonstram que o que se pretende n\u00e3o \u00e9 restaurar um governo ileg\u00edtimo como o de Mansur Hadi, mas influir sobre as negocia\u00e7\u00f5es que decorrem entre o G5+1 e o Ir\u00e3o, retirar do centro da not\u00edcia a inefic\u00e1cia das opera\u00e7\u00f5es militares da chamada Coliga\u00e7\u00e3o Internacional contra Daesh na S\u00edria e Iraque e, sobretudo prosseguir a tentativa de cercar o Ir\u00e3o e apresent\u00e1-lo como respons\u00e1vel pelos problemas que afligem o M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>O sangrento jogo geopol\u00edtico levado a cabo pela tr\u00edade Washington-Tel Aviv-Riad desviou os seus dardos medi\u00e1ticos e pol\u00edticos para a Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, pretendendo definir o que deve ou n\u00e3o ser condenado, que governos, por mais totalit\u00e1rios que sejam, se devem defender com a desculpa do respeito pela legalidade e, sobretudo, continuar a criar condi\u00e7\u00f5es que permitam manter uma hegemonia desde o Magreb ao M\u00e9dio Oriente, hegemonia que se desmorona dia a dia e que se mant\u00e9m de p\u00e9 gra\u00e7as \u00e0 morte de dezenas de milhares de s\u00edrios, palestinos, iemenitas, iraquianos, bahreinos e l\u00edbios.<\/p>\n<p>Se, para concretizar as ambi\u00e7\u00f5es hegem\u00f3nicas das grandes pot\u00eancias e seus aliados regionais, especialmente Arabia Saudita e o regime de Israel, h\u00e1 que incrementar o genoc\u00eddio dos povos que se op\u00f5em aos seus des\u00edgnios, apoiar grupos terroristas takfiris: Daesh, Al-Qaeda no Magreb, Al-Qaeda na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, Ansar al-Dine, Al-Shabab, Boko Haram entre outros, como o t\u00eam feito at\u00e9 agora numa ac\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita e criminosa, continuar\u00e3o a faz\u00ea-lo com todos os custos humanos que da\u00ed decorrem. Isto, pois nesta zona do mundo os interesses energ\u00e9ticos, ideol\u00f3gicos, pol\u00edticos e religiosos se conjugam sob os nomes de petr\u00f3leo, g\u00e1s, neocolonialismo, Wahabismo e Sionismo numa am\u00e1lgama cujas v\u00edtimas principais s\u00e3o as sociedades do Magreb e M\u00e9dio Oriente, mas sem perder de vista a presa maior: o Ir\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Fonte: Resumen Latinoamericano\/Pablo Jofr\u00e9 Leal\/HispanTV, 1 de abril de 2015<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/?p=3606<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7630\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7630","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Z4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7630"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7630\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}