{"id":765,"date":"2010-08-26T14:17:51","date_gmt":"2010-08-26T14:17:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=765"},"modified":"2017-08-25T00:42:57","modified_gmt":"2017-08-25T03:42:57","slug":"dominacao-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/765","title":{"rendered":"Domina\u00e7\u00e3o cultural"},"content":{"rendered":"<p>No processo de domina\u00e7\u00e3o cultural de uma sociedade, muitos de seus membros tomam a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o a favorecem, sem consci\u00eancia do dano que elas causam. Tomam-nas por c\u00f3pia de padr\u00e3o corriqueiro vindo do passado ou influ\u00eancia proposital de terceiros, que s\u00e3o conscientes do dano. A busca por influenciar o pensamento da sociedade \u00e9 quase como uma guerra de propaganda e muitos estratagemas s\u00e3o utilizados. Desta domina\u00e7\u00e3o, o usufrutu\u00e1rio pode ficar com a melhor parte do comercio internacional ou ter acesso a recursos minerais estrat\u00e9gicos e escassos ou receber polpudos\u00a0<em>royalties<\/em> por trabalhos intelectuais etc. Portanto, est\u00e1-se falando de algo de valor que influencia enormemente o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds. A partir deste ponto, v\u00e3o ser descritas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es em que esta domina\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente.<\/p>\n<p>Observem o pensamento bastante elaborado que os pa\u00edses do mundo n\u00e3o devem competir em todos os produtos comercializados mundialmente, passando-se a evitar taxa\u00e7\u00f5es protecionistas e subs\u00eddios, de forma que cada um ganhe somente os mercados daqueles produtos para os quais tem \u201cvoca\u00e7\u00e3o natural\u201d, ou seja, aqueles produtos para os quais possui vantagens comparativas. E v\u00e3o al\u00e9m dizendo que, desta forma, todos pa\u00edses saem ganhando, pois todos produtos estar\u00e3o sendo ofertados para todos por quem os pode produzir pelos menores pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Uma tese do pensamento acad\u00eamico, dentro da Teoria dos Jogos, foi providenciada para embasar o racioc\u00ednio anterior e, ainda mais, uma premia\u00e7\u00e3o do Nobel, hoje j\u00e1 bastante desgastada, foi entregue ao seu autor por respaldar brilhantemente o pensamento, sem se ater ao fato que ele \u00e9 correto dentro de limites. Este posicionamento reproduz, para todo o sempre, o instante de in\u00edcio de aplica\u00e7\u00e3o da tese. Fica vedado a qualquer sociedade, que busca crescer, a possibilidade de migrar para produtos com maior conte\u00fado tecnol\u00f3gico, para poder ter maior usufruto do com\u00e9rcio mundial, ou seja, pa\u00edses ficam proibidos de adquirir \u201cvoca\u00e7\u00f5es\u201d. Certamente, a teoria citada tinha benefici\u00e1rios poderosos e vingou exatamente por ir ao encontro de seus interesses. Notar que esta tese s\u00f3 \u00e9 valida para os subdesenvolvidos, pois, a produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o dos Estados Unidos recebe subs\u00eddios e este pa\u00eds ficou indignado pelo Brasil, que tem produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o mais barata, portanto, com voca\u00e7\u00e3o para produzi-lo, ter levado o caso para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>As teses neoliberais e da globaliza\u00e7\u00e3o de interesse dos pa\u00edses centrais, aquela globaliza\u00e7\u00e3o financeira e dos mercados, mas que n\u00e3o inclui a globaliza\u00e7\u00e3o do mercado de m\u00e3o de obra, eram dogmas irrefut\u00e1veis, dif\u00edceis de serem contestados nos anos 80 e 90. A grande m\u00eddia, empresas de marketing, pol\u00edticos vendidos para o capital e prepostos remunerados do mesmo formavam a tropa de choque do neoliberalismo, acarretando domina\u00e7\u00e3o garantida dos pa\u00edses subdesenvolvidos, de popula\u00e7\u00e3o pouco politizada e, na maioria das vezes, ricos em recursos naturais.<\/p>\n<p>O neoliberalismo e a globaliza\u00e7\u00e3o de interesse dos desenvolvidos podem ser vistos como instrumentos de domina\u00e7\u00e3o, e eles trazem como conseq\u00fc\u00eancia maior presen\u00e7a do capital estrangeiro na economia do pa\u00eds, grande n\u00famero de empresas nacionais sendo vendidas ou falindo, menos prote\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em virtude da desregulamenta\u00e7\u00e3o providenciada, a exist\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o protetora dos interesses das empresas estrangeiras, ag\u00eancias reguladoras criadas na administra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds dominado para garantir os neg\u00f3cios para as empresas estrangeiras, liberdade total de entrada e sa\u00edda de dinheiro do pa\u00eds, a n\u00e3o submiss\u00e3o das empresas estrangeiras aos Tribunais de Justi\u00e7a do pa\u00eds, indo qualquer discuss\u00e3o sobre a interpreta\u00e7\u00e3o dos contratos para as arbitragens internacionais, mesmo sendo uma disputa com o Estado etc.<\/p>\n<p>Ouvia-se muito, nas d\u00e9cadas de 80 e 90, e ainda ouve-se, hoje, em diversos lugares, frases como: &#8220;\u00c9 anacr\u00f4nico falar que certa pol\u00edtica \u00e9 entreguista. O que tem de mais existirem empresas estrangeiras atuando em um setor?&#8221;, &#8220;Nacionalismo \u00e9 coisa de autorit\u00e1rio&#8221;, &#8220;As redes sociais no mundo de\u00a0hoje integram as sociedades e passou a ser antiquado ser nacionalista&#8221; etc. Estas frases causam grande repulsa por configurarem a inten\u00e7\u00e3o de enganar o ouvinte para permitir a domina\u00e7\u00e3o. Sobre tantos chav\u00f5es, pode-se dizer, resumidamente, que o fluxo de caixa de longo prazo de uma empresa estrangeira atuando no pa\u00eds ter\u00e1 sempre mais recursos saindo do pa\u00eds do que entrando, pela simples raz\u00e3o que, se assim n\u00e3o fosse, ela n\u00e3o teria entrado no pa\u00eds. Em outro coment\u00e1rio, cuidar dos nacionais, os que aqui est\u00e3o, \u00e9 o l\u00f3gico, natural e exatamente o que \u00e9 feito nos pa\u00edses desenvolvidos, n\u00e3o havendo nada de autorit\u00e1rio no fato. O argumento usado exaustivamente que determinado conceito \u00e9 anacr\u00f4nico, quando o certo seria exatamente o oposto, que \u00e9 o moderno, n\u00e3o \u00e9 um racioc\u00ednio l\u00f3gico. Procura-se unicamente conquistar os mais jovens, que buscam sempre a reforma, at\u00e9 como uma forma de auto-afirma\u00e7\u00e3o. Por isso, o neoliberalismo foi aceito por muitos como o moderno e o bom, quando provou ser o atraso e o ruim.<\/p>\n<p>Contrapondo-se a esta domina\u00e7\u00e3o comprometedora, deve-se destruir a regulamenta\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica ao capital internacional, comum para todos pa\u00edses subdesenvolvidos, implantada por imposi\u00e7\u00e3o do mesmo e ampliada durante a onda neoliberal, que varreu o mundo nas citadas d\u00e9cadas, alem de criar barreiras protecionistas para todas ind\u00fastrias nascentes etc. O conjunto de regulamenta\u00e7\u00f5es neoliberais e da globaliza\u00e7\u00e3o prejudicial trouxe danos aos Estados subservientes ao capital externo, principalmente danos ao desenvolvimento, com reflexo na qualidade de vida das suas popula\u00e7\u00f5es. Decis\u00f5es soberanas e ben\u00e9ficas para a sociedade do pa\u00eds, t\u00eam sido implantadas em pa\u00edses como China e \u00cdndia, e n\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que as taxas de crescimento deles t\u00eam sido altas. No Brasil, hoje, apesar do furor neoliberal ter diminu\u00eddo de intensidade, ainda h\u00e1 ainda muito entulho do pensamento neoliberal em diversas leis e inst\u00e2ncias do nosso poder.<\/p>\n<p>Assim como a hist\u00f3ria conhecida \u00e9 aquela contada pelos vencedores das batalhas, pode-se dizer que modelos de economia mais difundidos s\u00e3o aqueles formulados pelos vitoriosos da guerra econ\u00f4mica. Por exemplo, o caso atual dos pa\u00edses menos desenvolvidos da Europa \u00e9 bastante contundente, pois banqueiros v\u00e3o lucrar muito com a crise, enquanto, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o destes pa\u00edses, restar\u00e1 aumento de impostos, diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e dos gastos sociais, desemprego, fal\u00eancia de empresas nacionais, entrada do capital externo comprando ativos do pa\u00eds avaliados por baixo, visando remessas futuras de lucros para as matrizes etc. Isto, que \u00e9 pouco divulgado desta forma, \u00e9 chamado de \u201cajuste\u201d. A nossa economia \u00e9 muito importante para ser cuidada por economistas sem vis\u00e3o cr\u00edtica da realidade, retid\u00e3o de princ\u00edpios e conte\u00fado de nacionalidade. Assim como qualquer pessoa s\u00f3 entrega sua sa\u00fade a um m\u00e9dico que lhe inspira confian\u00e7a, a sa\u00fade coletiva n\u00e3o pode ser entregue para qualquer economista compromissado com interesses diferentes dos da sociedade.<\/p>\n<p>Algumas escolas de economia do mundo subdesenvolvido reproduzem o modelo do capital, sem terem a preocupa\u00e7\u00e3o de atender a sociedade, pois o projeto do capital internacional \u00e9 vencedor em quase o mundo todo, tendo m\u00eddia, propaganda, marketing pol\u00edtico e at\u00e9 ex\u00e9rcitos a seu favor. Alem disso, h\u00e1 pouco sucesso de pol\u00edticas econ\u00f4micas revolucion\u00e1rias que ven\u00e7am d\u00e9ficits sociais em pa\u00edses subdesenvolvidos, a menos de exce\u00e7\u00f5es com algum sucesso, como \u00e9 o caso do Brasil atual. Arrazoados econ\u00f4micos libertadores voltados aos pa\u00edses subdesenvolvidos existem, mas os interesses dos desenvolvidos aliados aos de oligarquias regionais n\u00e3o os deixam sair das folhas dos livros. E as escolas de economia dos subdesenvolvidos, que poderiam ser o l\u00f3cus da den\u00fancia, mant\u00eam-se, salvo exce\u00e7\u00f5es, com discord\u00e2ncias insipientes, quando n\u00e3o pregam o neoliberalismo. Na verdade, devia-se deixar claro que, sem uma estrat\u00e9gia nacionalista, o desenvolvimento dos retardat\u00e1rios do sistema mundial n\u00e3o ocorrer\u00e1. Obviamente, o ensino de economia que carregasse muita bagagem de hist\u00f3ria seria proveitoso, mas tem pouco espa\u00e7o, em um mundo em que grupos econ\u00f4micos e pol\u00edticos fortes boicotam a divulga\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias, sorrateiramente. A pr\u00f3pria economia \u00e9 uma arma de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se est\u00e1 contestando dedu\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas de teses da teoria econ\u00f4mica existente. S\u00e3o contestadas as aplica\u00e7\u00f5es, muitas vezes, incorretas das teses. Por exemplo, uma premissa \u00e9 mencionada no in\u00edcio do estabelecimento de uma tese econ\u00f4mica e, depois, ela \u00e9 totalmente esquecida \u00e0 medida que a tese \u00e9 repetida para o cidad\u00e3o comum. Assim, a tese passa a ser verdadeira para qualquer situa\u00e7\u00e3o, ou seja, abandona-se a sua premissa fundadora. Especificando com um exemplo, diz-se freq\u00fcentemente que, em um mercado de competi\u00e7\u00e3o perfeita, a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica para a sociedade por acarretar produtos e servi\u00e7os pelo m\u00ednimo pre\u00e7o. Depois, passa-se, rapidamente e de forma simplificada, a dizer para a sociedade que a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 boa para ela, sem se especificar em que situa\u00e7\u00e3o. Esquece-se de dizer que o mais comum, em qualquer pa\u00eds, s\u00e3o os mercados serem imperfeitos.<\/p>\n<p>Sob a \u00f3tica pobre de regula\u00e7\u00e3o de mercados, \u00e9 considerado um fator positivo trazer produtos e servi\u00e7os estrangeiros para competir com produtos e servi\u00e7os genuinamente nacionais, dentro do princ\u00edpio que a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica para a sociedade, sem se olhar para nenhum dos atendimentos de objetivos adicionais satisfeitos pelos nacionais e n\u00e3o atingidos pelos estrangeiros.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 cerca de dez anos, o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por garantir a concorr\u00eancia nos Estados Unidos aprovou a fus\u00e3o de determinada \u00e1rea das empresas americanas General Electric e Honeywell, apesar da grande concentra\u00e7\u00e3o de mercado que a fus\u00e3o acarretava. N\u00e3o existia outra empresa americana fabricando o mesmo produto, tendo pesado na decis\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o, com a fus\u00e3o, de uma empresa americana de maior porte com mais capacidade de competir mundialmente. O \u00f3rg\u00e3o regulador de mercado da Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia n\u00e3o aprovou esta fus\u00e3o, significando que a nova empresa n\u00e3o poderia vender seus produtos no mercado europeu, pela raz\u00e3o justa que houve concentra\u00e7\u00e3o de mercado. A Europa possu\u00eda uma empresa que fabricava o mesmo produto. Para o governo americano, ter sua empresa forte no mercado mundial era o maior objetivo. Para n\u00e3o haver abuso de poder de mercado, internamente, iriam usar outros mecanismos, como controle de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>O triste \u00e9 que \u00f3rg\u00e3os do setor p\u00fablico no Brasil fazem seus concursos para entrada de novos funcion\u00e1rios de forma que a vis\u00e3o errada da economia, de interesse social duvidoso, deve ser respondida pelo candidato como a resposta certa. Isto \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia de domina\u00e7\u00e3o cultural, gra\u00e7as ao interesse de grupos econ\u00f4micos estrangeiros e \u00e0 interfer\u00eancia da oligarquia nacional que tamb\u00e9m \u00e9 controladora da sociedade. Ent\u00e3o, foram e est\u00e3o sendo criados nichos neoliberais no setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>A linha de racioc\u00ednios que fundamentou a reforma do Estado, nos anos 90, era que ele tinha esgotado sua capacidade de investimento em infra-estrutura, era mau administrador de empresas, era ref\u00e9m dos servidores p\u00fablicos, gra\u00e7as ao corporativismo, deveria exercer somente as \u201cfun\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de Estado\u201d etc. Para solucionar estes \u201cproblemas\u201d, como eram chamados \u00e0 \u00e9poca, foi privatizado um n\u00famero consider\u00e1vel de empresas estatais, muitas a pre\u00e7os irris\u00f3rios, e foram criadas as ag\u00eancias reguladoras setoriais, que deveriam controlar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas nestes setores, agora tomados por empresas privadas, protegendo sempre o consumidor.<\/p>\n<p>Mas, hoje, existe um problema grave que precisa ser enfrentado e, para resolv\u00ea-lo, precisa existir coragem para tomada de decis\u00f5es. Trata-se das ag\u00eancias reguladoras estarem, como era esperado, n\u00e3o satisfazendo aos interesses superiores da sociedade brasileira. Na verdade, elas foram criadas para garantirem os interesses do capital internacional no Brasil, ap\u00f3s a compra das empresas estatais. Assim, as ag\u00eancias, este instrumento de domina\u00e7\u00e3o do capital est\u00e1 visivelmente defendendo os interesses dos seus patr\u00f5es, em detrimento de defender a sociedade.<\/p>\n<p>O esquecimento dos dirigentes das ag\u00eancias com rela\u00e7\u00e3o a quem eles devem servir chega a ser revoltante. Como \u00e9 poss\u00edvel a Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (ANEEL) permitir o c\u00e1lculo da tarifa el\u00e9trica errada durante tantos anos, prejudicando o consumidor? Como explicar o Brasil ter uma das mais altas tarifas de telefonia, com o benepl\u00e1cito da Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (ANATEL)? Em que pa\u00eds do mundo, com exce\u00e7\u00e3o do Brasil, um funcion\u00e1rio da Halliburton sairia de seu emprego, diretamente, para ser diretor da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP), que cuida exatamente de contratos em que a Halliburton est\u00e1 envolvida? A falta de inibi\u00e7\u00e3o desta Ag\u00eancia \u00e9 tamanha que, querendo aumentar a velocidade de entrega de blocos do nosso territ\u00f3rio para empresas estrangeiras explorarem e produzirem petr\u00f3leo, ela decidiu, na oitava rodada, tolher a apresenta\u00e7\u00e3o de ofertas pela Petrobr\u00e1s para sobrar mais blocos para as estrangeiras.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica corrente em alguns setores \u00e9 os diretores das respectivas ag\u00eancias serem nomeados a partir de indica\u00e7\u00f5es dos agentes econ\u00f4micos do setor, ou seja, de forma\u00a0 acad\u00eamica, as ag\u00eancias foram capturadas pelos agentes regulados. S\u00f3 em uma sociedade completamente desprotegida, como a brasileira, com baixo grau de politiza\u00e7\u00e3o, com meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o formadores de cidad\u00e3os conscientes, podem acontecer verdadeiras agress\u00f5es aos cidad\u00e3os comuns como estas. \u00c9 interessante que as ag\u00eancias reguladoras ao n\u00e3o cumprirem seu m\u00ednimo papel para com a sociedade est\u00e3o a conscientizando como foram ruins as privatiza\u00e7\u00f5es ocorridas.<\/p>\n<p>A lei 9.478 de 1997, que quebrou o monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo, permitiu a retirada do petr\u00f3leo nacional por empresas estrangeiras sem grande usufruto da sociedade brasileira, estabeleceu a possibilidade de entrega do territ\u00f3rio nacional para estrangeiros, criou a ag\u00eancia reguladora ANP, tamb\u00e9m dita as diretrizes de uma pol\u00edtica energ\u00e9tica para o pa\u00eds. \u00c9 incr\u00edvel que, nesta pol\u00edtica, h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o de se satisfazer os consumidores e nada \u00e9 dito a favor dos cidad\u00e3os, que engloba tamb\u00e9m os ainda numerosos miser\u00e1veis, consumidores de quase nada.<\/p>\n<p>Na reforma da nossa Constitui\u00e7\u00e3o, tiraram o artigo que privilegiava a empresa nacional de capital nacional nas compras do Estado. Nas privatiza\u00e7\u00f5es que ocorreram na Fran\u00e7a, qualquer grupo franc\u00eas que concorresse a uma privatiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 saia em posi\u00e7\u00e3o vantajosa quando comparado com as empresas estrangeiras que disputavam a mesma privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Propositadamente, ouve-se muito \u201cmonop\u00f3lio \u00e9 o pior dos mundos\u201d sem se especificar sobre que tipo de monop\u00f3lio se est\u00e1 falando. O monop\u00f3lio estatal socialmente controlado \u00e9 muito ben\u00e9fico para a sociedade, enquanto o monop\u00f3lio privado \u00e9, verdadeiramente, o pior dos mundos.<\/p>\n<p>\u00c9 triste ver algu\u00e9m ser manipulado. Em um notici\u00e1rio de um canal de televis\u00e3o, se falava de desemprego. N\u00e3o se falou, em momento algum, que o modelo econ\u00f4mico atual n\u00e3o privilegia o pleno emprego. Pelo contr\u00e1rio, o apresentador disse que \u201cas pessoas devem buscar ter habilidades especiais e conhecimentos adicionais para poderem garantir seus empregos\u201d. Logo depois, entrevistaram um cidad\u00e3o que, combinado ou n\u00e3o com a TV, disse, de forma muito convicta, que \u201cia fazer todos os cursos que pudesse para poder conseguir emprego\u201d. O pobre manipulado, na sua total ignor\u00e2ncia, acha que ele pr\u00f3prio \u00e9 o culpado por estar desempregado. Chega a ser desumano levar uma pessoa, que sofre, a pensar que \u00e9 a causadora do pr\u00f3prio sofrimento. Qualquer hora, ele estar\u00e1 pedindo desculpas por estar desempregado, mas, dir\u00e1 que se esfor\u00e7ar\u00e1 ao m\u00e1ximo, fazendo cursos e tudo mais, de forma a melhorar seu curr\u00edculo, para poder conseguir um emprego.<\/p>\n<p>As pessoas precisam entender que isto n\u00e3o tem que ser assim. Todo cidad\u00e3o tem o direito a um emprego. O Estado tem o dever de providenci\u00e1-lo. Se ele estudar, o que ser\u00e1 bom para ele, facilitar\u00e1 a obten\u00e7\u00e3o de um emprego. Mas, mesmo sem estudo, a economia deve estar gerando empregos para todos. No\u00a0<em>laissez faire<\/em> da economia do nosso pa\u00eds do per\u00edodo liberal, \u201cespertos\u201d retinham a mais valia dos oper\u00e1rios na \u00e9poca de grandes lucros. Na \u00e9poca da recess\u00e3o, houve cortes fren\u00e9ticos de pessoal para reduzir o custo de m\u00e3o-de-obra. O drama de cada oper\u00e1rio demitido n\u00e3o \u00e9 considerado. O sal\u00e1rio \u201ceconomizado\u201d correspondente a um m\u00eas de um empregado demitido pode ser gasto na compra de uma bolsa Louis Vuitton da executiva da empresa. O sal\u00e1rio e a bolsa trazem felicidades nas duas pessoas bem diferentes.<\/p>\n<p>Pior que a domina\u00e7\u00e3o imposta pelo mais forte, que se luta para n\u00e3o aceit\u00e1-la, \u00e9 a irracional entrega volunt\u00e1ria feita pelos nossos pares, que doe muito, reproduzindo raz\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o relevantes para a sociedade. E n\u00e3o se est\u00e1 falando da entrega consciente dos bandidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding: 0px; margin: 10px 0px 15px 0px;\">(Veiculado no Correio da Cidadania a partir de 21\/08\/10)<\/p>\n<p><strong>*Paulo Metri<\/strong> \u2013 conselheiro da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Associa\u00e7\u00e3o de Engenheiros<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nPaulo Metri*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/765\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s14-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-cl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/765\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}