{"id":7675,"date":"2015-04-09T17:53:43","date_gmt":"2015-04-09T17:53:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7675"},"modified":"2015-04-16T21:30:04","modified_gmt":"2015-04-16T21:30:04","slug":"o-machado-da-guerra-o-anzol-da-paz-e-os-crapulas-transparentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7675","title":{"rendered":"O machado da guerra, o anzol da paz e os cr\u00e1pulas transparentes"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->por Jorge Beinstein*<\/p>\n<p>Seria errado subestimar as especificidades dos casos colombiano e venezuelano, mas tamb\u00e9m seria grave limitar-nos \u00e0s tramas nacionais ou dot\u00e1-las de uma autonomia excessiva. Muito j\u00e1 se escreveu acerca da globaliza\u00e7\u00e3o do capitalismo, por vezes para diluir tudo numa din\u00e2mica supranacional esmagadora \u2013 mas em certos casos com um resultado oposto, onde o global surge como uma refer\u00eancia abstracta, inapreens\u00edvel ou ent\u00e3o a operar como uma for\u00e7a ex\u00f3gena misteriosa sobre o aparentemente &#8220;concreto&#8221; ou &#8220;tang\u00edvel&#8221;, o que est\u00e1 ao alcance da m\u00e3o, t\u00e3o complicado e &#8220;nacional&#8221; que s\u00f3 pode ser entendido pelos que est\u00e3o submersos nessa realidade. Ent\u00e3o exagera-se o n\u00edvel de poder real das oligarquias e m\u00e1fias locais, de suas supostas frac\u00e7\u00f5es &#8220;reaccion\u00e1rias&#8221; ou &#8220;civilizadas&#8221;, de suas contradi\u00e7\u00f5es em pa\u00edses como a Col\u00f4mbia onde est\u00e3o instaladas bases militares do Imp\u00e9rio, ou naqueles como a Col\u00f4mbia e Venezuela onde proliferam os neg\u00f3cios transnacionalizados financeiros, medi\u00e1ticos, narcos, comerciais, etc e onde importantes sectores sociais altos e m\u00e9dios s\u00e3o do ponto de vista pol\u00edtico-cultural simples prolongamentos coloniais da sociedade estado-unidense.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos desenvolvem actualmente uma guerra global cujo fracasso significaria o fim do Imp\u00e9rio. A l\u00f3gica da reprodu\u00e7\u00e3o do parasitismo norte-americano leva a super-pot\u00eancia a uma multiplica\u00e7\u00e3o de ofensivas \u00e0 escala planet\u00e1ria, destinadas a quebrar os obst\u00e1culos que travam seu projecto de super-explora\u00e7\u00e3o devastadora dos recursos naturais e humanos do conjunto da periferia. Os dirigentes do Imp\u00e9rio consideram que essa pilhagem desaceleraria a decad\u00eancia em curso, impediria o colapso do d\u00f3lar, baixaria drasticamente os custos de mercadorias e sal\u00e1rios coloniais, engordando os lucros das suas empresas, mantendo seus mercados internos cada vez mais concentrados.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina e o Caribe constituem um espa\u00e7o decisivo do referido projecto, sua recoloniza\u00e7\u00e3o integral \u00e9 uma pe\u00e7a chave da uma ofensiva planet\u00e1ria cuja implementa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o abrange um amplo leque de opera\u00e7\u00f5es convergentes. Trata-se de uma mega estrat\u00e9gia flex\u00edvel que inclui as desestabiliza\u00e7\u00f5es de m\u00e9dia intensidade no Brasil e Argentina, a interven\u00e7\u00e3o directa encoberta na Col\u00f4mbia, os golpes de estado em Honduras e Paraguai, a tentativa de desestabiliza\u00e7\u00e3o de alta intensidade apontando para a interven\u00e7\u00e3o militar na Venezuela, o ensaio de &#8220;abra\u00e7o de urso&#8221; procurando desarticular Cuba, a instala\u00e7\u00e3o de postos avan\u00e7ados militares no Peru, etc. O objectivo final \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do p\u00e1tio traseiro latino-americano numa regi\u00e3o ca\u00f3tica, sem barreiras estatais nem rebeldias significativas \u00e0 sua domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A exacerba\u00e7\u00e3o das interven\u00e7\u00f5es imperialistas coincide com (e busca aproveitar a) o decl\u00ednio dos governos progressistas cujas dificuldades abrem brechas que facilitam essas investidas. A agudiza\u00e7\u00e3o da crise global impacta a Am\u00e9rica Latinas, as altas taxas de crescimento econ\u00f3mico ficaram no passado, as contradi\u00e7\u00f5es sociais agudizam-se em p\u00f5em em xeque os equil\u00edbrios progressistas que demonstram sua fragilidade. Um bom exemplo disso \u00e9 o Brasil, onde o governo inflecte para a direita a sua pol\u00edtica econ\u00f3mica causando descontentamento popular sem por isso acalmar o apetite das elites e das classes m\u00e9dias reaccion\u00e1rias, cada vez mais reaccion\u00e1rias, que procuram a revanche rumo \u00e0 hiper-concentra\u00e7\u00e3o de rendimentos e a submiss\u00e3o integral dos pobres.<\/p>\n<p>\u00c9 dentro desse contexto global-regional que devem ser enquadradas as opera\u00e7\u00f5es imperiais em curso sobre a Col\u00f4mbia e a Venezuela.<\/p>\n<p><strong> O machado da guerra <\/strong><\/p>\n<p>A Venezuela surge como o objectivo central do cap\u00edtulo latino-americano da guerra energ\u00e9tica global dos Estados Unidos. A rep\u00fablica bolivariana conta com 20% das reservas mundiais de petr\u00f3leo convencional, o primeiro lugar global. A confronta\u00e7\u00e3o deste facto com a informa\u00e7\u00e3o sobre as reservas limitadas e em decl\u00ednio a m\u00e9dio prazo do petr\u00f3leo convencional e do xisto nos Estados Unidos seria suficiente para medir a urg\u00eancia do Imp\u00e9rio em devorar esse bocado. A propaganda acerca das supostas imensas reservas norte-americanas de petr\u00f3leo de xisto acabou por se chocar com a dura realidade: recentemente a Ag\u00eancia de Energia dos Estados Unidos informou que antes do fim da presente d\u00e9cada a produ\u00e7\u00e3o norte-americana de petr\u00f3leo de xisto chegar\u00e1 ao seu n\u00edvel m\u00e1ximo, a seguir ao qual come\u00e7ar\u00e1 a decair. Na realidade a crise desse sector j\u00e1 come\u00e7ou, impulsionada pela baixa do pre\u00e7o do petr\u00f3leo que reduziu sensivelmente seus lucros (tornando-os negativos num n\u00famero crescente de casos).<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se trata s\u00f3 de petr\u00f3leo. Apesar da demoniza\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica internacional do processo venezuelano este continua a operar como um incentivo importante para os movimentos populares da regi\u00e3o, para os comportamentos estatais independentes quanto \u00e0 domina\u00e7\u00e3o estado-unidense. Apesar do desaparecimento de Chavez, a Venezuela continua a ser uma pe\u00e7a decisiva de articula\u00e7\u00f5es rebeldes diante do poder imperial, como o ALBA e outras iniciativas regionais em direc\u00e7\u00e3o a outros espa\u00e7os da periferia.<\/p>\n<p>A <em> &#8220;Ordem Executiva&#8221; <\/em> de Obama contra a Venezuela, declarando-a uma <em> &#8220;amea\u00e7a extraordin\u00e1ria&#8221; <\/em> \u00e0 seguran\u00e7a nacional dos Estados Unidos <a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/beinstein\/venez_colom_07abr15.html#nr\" target=\"_blank\">[NR]<\/a> , n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio ret\u00f3rico e sim um passo decisivo de uma ofensiva que procura encurralar o governo e as for\u00e7as armadas venezuelanas, estimular a oposi\u00e7\u00e3o, mobilizando seus grupos conspirativos mais radicais. Com essa decis\u00e3o Washington d\u00e1 um salto qualitativo na deslegitima\u00e7\u00e3o do estado venezuelano perante o Ocidente, abrindo desse modo um cap\u00edtulo de interven\u00e7\u00f5es directas e encobertas, de reconhecimentos legais ou de facto a &#8220;representantes da oposi\u00e7\u00e3o&#8221;, de apoio a poss\u00edveis levantamentos armados, a uma agress\u00e3o do ex\u00e9rcito colombiano, etc, ou seja, a cen\u00e1rios conhecidos em outros lugares da periferia como a S\u00edria ou a L\u00edbia. Essa \u00e9 a linha de ac\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam funcion\u00e1rios de governos progressistas latino-americanos \u2013 inclusive do pr\u00f3prio governo venezuelano \u2013 inclinados a ver o lado moderado da tormenta. Sup\u00f5em eles que a declara\u00e7\u00e3o imperial tende antes a pressionar a Venezuela a fim de empurr\u00e1-la astutamente para a direita, procurando a instala\u00e7\u00e3o de um <em> &#8220;governo de unidade nacional&#8221; <\/em> (mistura pragm\u00e1tica de chavistas razo\u00e1veis e opositores conciliadores) amigo ou menos inimigo dos Estados Unidos. Essa ilus\u00e3o na realidade tamb\u00e9m faz parte da estrat\u00e9gia estado-unidense, golpeando por um lado e oferecendo ao mesmo tempo uma sa\u00edda pac\u00edfica, tentando assim abrandar o campo inimigo, criar fissuras e deser\u00e7\u00f5es, o jogo faz parte do manual para principiantes em guerras coloniais.<\/p>\n<p>Washington sabe muito bem que a longo prazo n\u00e3o h\u00e1 alternativa suave para a Venezuela. Qualquer inflex\u00e3o para a direita, brutal ou gradual, geraria uma concentra\u00e7\u00e3o de rendimentos acompanhada inevitavelmente por revanches sociais que automaticamente desencadeariam rebeli\u00f5es populares. O processo bolivariano n\u00e3o trouxe a transi\u00e7\u00e3o socialista prometida,<\/p>\n<p>n\u00e3o quebrou a espinha dorsal do capitalismo (descolagem imprescind\u00edvel do caminho p\u00f3s<\/p>\n<p>c apitalista), afundou-se numa confusa e intermin\u00e1vel &#8220;transi\u00e7\u00e3o&#8221; rumo \u00e0 transi\u00e7\u00e3o anunciada, enchendo suas cabe\u00e7as de esperan\u00e7as, forjando identidade popular, auto-estima dos humildes. Isso n\u00e3o pode ser apagado facilmente.<\/p>\n<p>Assim como na Venezuela existe um fascismo maci\u00e7o nas classes m\u00e9dias e altas que s\u00f3 se conforma com uma contra-revolu\u00e7\u00e3o sangrenta, tamb\u00e9m existe um chavismo profundo nas classes baixas que aprendeu a odiar o capitalismo, os Estados Unidos, que sabe combater. O chavismo n\u00e3o esmagou o pa\u00eds burgu\u00eas impondo o pa\u00eds popular e socialista, a resultantes da sua condu\u00e7\u00e3o desordenada foi a cria\u00e7\u00e3o de dois pa\u00edses incompat\u00edveis entre si.<\/p>\n<p>Para Washington trata-se de conquistar a Venezuela, nem mais nem menos. N\u00e3o para instaurar uma nova ordem colonial e sim para parasitar livremente sobre o caos, para saquear riquezas navegando no meio da desarticula\u00e7\u00e3o violenta de uma sociedade estrategicamente submetida. Para visualizar o futuro venezuelano desejado por Washington n\u00e3o \u00e9 preciso ler velhos textos acerca da ascens\u00e3o do fascismo na It\u00e1lia ou dos neofascismos militares mais recentes da Am\u00e9rica Latina \u2013 basta dar uma olhadela ao Iraque ou \u00e0 L\u00edbia de hoje.<\/p>\n<p><strong> O anzol da paz <\/strong><\/p>\n<p>Uma pe\u00e7a chave na conquista da Venezuela \u00e9 o ex\u00e9rcito colombiano, a for\u00e7a armada regular com maior experi\u00eancia de combate da regi\u00e3o, com 460 mil pessoas (incluindo as tr\u00eas armas mais a pol\u00edcia nacional). Trata-se de longe do maior aliado militar com que contam os Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina, \u00fatil tanto para a realiza\u00e7\u00e3o de incurs\u00f5es r\u00e1pidas como para uma invas\u00e3o em grande escala e como aparelho de retaguarda no caso de uma guerra prolongada na Venezuela. A estas for\u00e7as profissionais \u00e9 preciso acrescentar v\u00e1rias dezenas de milhares de paramilitares operacionais no imediato ou de recrutamento f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Mas essa for\u00e7a agressiva potencial est\u00e1 manietada no territ\u00f3rio colombiano por uma insurg\u00eancia que n\u00e3o p\u00f4de ser subjugada depois de meio s\u00e9culo de repress\u00e3o e que, no caso de uma guerra civil ou de invas\u00e3o da Venezuela, poderia converter-se no n\u00facleo principal de uma vasta guerra popular abrangendo ambos os pa\u00edses \u2013 ou pelo menos num aliado estrat\u00e9gico decisivo dos combatentes venezuelanos. Para os estrategas do Imp\u00e9rio, retirar essa insurg\u00eancia da cena regional \u00e9 um objectivo priorit\u00e1rio. N\u00e3o conseguiram faz\u00ea-lo pela via militar, tentam agora alcan\u00e7\u00e1-lo atrav\u00e9s de uma complexa opera\u00e7\u00e3o que envolve press\u00f5es diretas e indiretas e ofertas tentadoras combinadas com a amea\u00e7a (e a pr\u00e1tica) permanente do garrote b\u00e9lico.<\/p>\n<p>Tentam converter a crescente debilidade (e decrescente legitimidade) do regime colombiano numa esp\u00e9cie de armadilha letal colocada aos p\u00e9s da insurg\u00eancia, <em> &#8220;permitindo&#8221; <\/em> sua extens\u00e3o (que tende \u00e0 sobre-extens\u00e3o) pol\u00edtica mais ou menos legal com a finalidade de criar-lhe ataduras sist\u00e9micas de todo tipo (institucionais, pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas, sociais, etc) que a impe\u00e7am de sair da rota do apaziguamento. Ao enquadramento local acrescenta-se um n\u00e3o menos embrulhado jogo de press\u00f5es regionais e extra-regionais mais ou menos &#8220;amistosas&#8221; para completar o cerco psicol\u00f3gico. Apaziguar, deslocar, adormecer, penetrar esse fator perturbador extremamente perigoso constitui a obsess\u00e3o desses manipuladores de alto n\u00edvel. A estrat\u00e9gia tem algo de ci\u00eancia e algo de p\u00f4ker porque se baseia principalmente na capacidade (dif\u00edcil de medir) de absor\u00e7\u00e3o (de degrada\u00e7\u00e3o politiqueira) do regime colombiano cuja evolu\u00e7\u00e3o articula-se cada vez mais em torno de duas din\u00e2micas inter-relacionadas que podem ser maquiadas, ornamentadas com garantias democr\u00e1ticas ilus\u00f3rias mas n\u00e3o eliminadas uma vez que constituem o n\u00facleo duro, sobredeterminante da reprodu\u00e7\u00e3o do sistema, da sua inser\u00e7\u00e3o no capitalismo global.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar o aparelho militar, cujo sobredimensionamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade colombiana corresponde \u00e0 longa guerra interna que protagoniza<\/p>\n<p>, assim como \u00e0 sua vincula\u00e7\u00e3o-depend\u00eancia ao aparelho militar norte-americano e \u00e0s suas estrat\u00e9gias coloniais. Atravessado por neg\u00f3cios mafiosos pr\u00f3prios e la\u00e7os diretos com o imp\u00e9rio, o aparelho militar disp\u00f5e de margens de autonomia significativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s camarilhas burguesas locais com as quais compartilha interesses. N\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m que os Estados Unidos contam com as for\u00e7as armadas da Col\u00f4mbia para suas futuras opera\u00e7\u00f5es militares regionais e extra-regionais. S\u00f3 algum progressista iludido pode acreditar que o Imp\u00e9rio e seus lacaios locais possam alguma vez aceitar pacificamente a democratiza\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o significativa dessa estrutura criminosa.<\/p>\n<p>Em segundo lugar a crescente hegemonia econ\u00f3mica na Col\u00f4mbia do complexo agro-mineral exportador (agricultura quase sem camponeses e minera\u00e7\u00e3o ultra-extrativista) expulsor de popula\u00e7\u00e3o e destruidor do meio ambiente. Este modelo vai-se impondo na Am\u00e9rica Latina, tanto em pa\u00edses com governos neoliberais como progressistas, e responde \u00e0 l\u00f3gica global do capitalismo, dos seus p\u00f3los imperialistas (decadentes mas poderosos) decididos a saquear os recursos naturais da periferia.<\/p>\n<p>A elimina\u00e7\u00e3o ou subordina\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica desse n\u00facleo duro equivaleria em termos concretos \u00e0 quebra da espinha dorsal do capitalismo colombiano. Custa a crer que os donos do sistema se resignem a perd\u00ea-lo enquanto o Imp\u00e9rio exacerba sua guerra planet\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong> Os cr\u00e1pulas transparentes <\/strong><\/p>\n<p>Os Estados Unidos expandem seu desdobramento militar pela Am\u00e9rica Latina, secundados pelos seus aliados da NATO (OTAN) .<\/p>\n<p>Vejamos algumas not\u00edcias recentes. No Paraguai acaba de desembarcar um contingente de peritos brit\u00e2nicos em intelig\u00eancia militar, segundo foi informado pelo governo desse pa\u00eds, os quais assim se somam a um n\u00famero desconhecido de &#8220;assessores&#8221;norte-americanos formais e de mercen\u00e1rios de diferentes origens [1] . Em Honduras, os Estados Unidos decidiram instalar (na base de Palmerola) uma denominada <em> &#8220;For\u00e7a-Tarefa de Finalidade Especial Ar-Terra de Fuzileiros Navais \u2013 Sul&#8221; <\/em> que, dotada da mais alta tecnologia, estar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de operar rapidamente em qualquer zona da regi\u00e3o considerada &#8220;em situa\u00e7\u00e3o de crise&#8221; [2] . No Peru, em 2015, est\u00e3o a chegar 3200 fuzileiros navais <em> (marines) <\/em> norte-americanos, prolongando as tarefas de apoio que j\u00e1 realizavam destinadas, segundo a informa\u00e7\u00e3o oficial, <em> &#8220;a combater as amea\u00e7as insurgentes&#8221; <\/em> [3] .<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dupla Col\u00f4mbia-Venezuela, as not\u00edcias n\u00e3o podem ser mais claras. Em princ\u00edpios deste ano foi anunciada a instala\u00e7\u00e3o no departamento de La Guajira, fronteiri\u00e7o com a Venezuela (pr\u00f3ximo de Maracaibo) de uma unidade blindada capaz de deslocar-se rapidamente chamada <a href=\"http:\/\/ejercitodecolombia.blogspot.pt\/2015\/01\/ejercito-activa-la-fuerza-de-tarea-de.html\" target=\"_blank\"> <strong>&#8220;For\u00e7a-Tarefa de Armas Combinadas Medianas&#8221;<\/strong><\/a> (FUTAM). A nova unidade militar dispor\u00e1 de blindados da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Segundo a publica\u00e7\u00e3o especializada <strong> <a href=\"http:\/\/defensa.com\" target=\"_blank\"> &#8220;defensa.com&#8221;<\/a> <\/strong> , no ato oficial de entrega dos mesmos<\/p>\n<p>, o ministro da Defesa da Col\u00f4mbia, Juan Carlos Pinz\u00f3n, <em> &#8220;referindo-se a um cen\u00e1rio futuro de p\u00f3s conflito perante a possibilidade de chegar \u00e0 paz com a guerrilha das FARC, ressaltou que as For\u00e7as Armadas da Col\u00f4mbia &#8216;t\u00eam hoje capacidade de inter-operar com outras do mundo, especialmente com as de outros pa\u00edses com padr\u00f5es internacionais e com miss\u00f5es que busquem garantir a paz global&#8217;&#8230;&#8221;. <\/em> Os &#8220;outros pa\u00edses&#8221; s\u00e3o em primeiro lugar os Estados Unidos e seus s\u00f3cios da NATO &amp; Co. que &#8220;garantem a paz&#8221; (?) com suas guerras na L\u00edbia, Iraque, Afeganist\u00e3o, I\u00e9men, S\u00edria, Palestina, Ucr\u00e2nia&#8230;<\/p>\n<p>Isto coincide com o que se verificou na &#8220;mesa de peritos&#8221; convocada pelo ministro Pinzon acerca do tema do futuro das for\u00e7as armadas colombianas. Ali, Mary Beth Long, ex-subsecret\u00e1ria da Defesa dos Estados Unidos, assinalou que <em> &#8220;os militares (colombianos) est\u00e3o estudando outras amea\u00e7as na regi\u00e3o que podem representar seus vizinhos como a Venezuela, preparar-se para essas eventualidades e os felicito por isso porque h\u00e1 outros desafios no horizonte, e sua for\u00e7a p\u00fablica, sua lideran\u00e7a e sua pol\u00edcia j\u00e1 se est\u00e3o a preparar para isso&#8221; <\/em> [4] .<\/p>\n<p>Mas o departamento de La Guajira n\u00e3o \u00e9 apenas o lugar de uma base operativa destinada a agredir a Venezuela. H\u00e1 poucos dias a ag\u00eancia de not\u00edcias ADITAL informava: <em> &#8220;Desde que o principal rio da regi\u00e3o foi represado e a sua \u00e1gua privatizada pela ind\u00fastria agr\u00edcola e pela maior explora\u00e7\u00e3o da mina de carv\u00e3o a c\u00e9u aberto do mundo, a maior comunidade ind\u00edgena da Col\u00f4mbia, constitu\u00edda pelos povo Way\u00fau, morre de fome e de sede. Situada no extremo norte do pa\u00eds, na pen\u00ednsula des\u00e9rtica de La Guajira, a popula\u00e7\u00e3o sofre devido \u00e0 desnutri\u00e7\u00e3o, subindo a pelo menos 37 mil as crian\u00e7as ind\u00edgenas desnutridas. H\u00e1 dados a assinalar que cerca de 14 mil meninos e meninas j\u00e1 morreram de inani\u00e7\u00e3o&#8221;. <\/em> <strong> (1) <a href=\"http:\/\/hispantv.com\/newsdetail\/Sudamerica\/24647\/Expertos-britanicos-proveen-asistencia-de-inteligencia-en-Paraguay\" target=\"_blank\"> &#8220;Expertos brit\u00e1nicos proveen asistencia de inteligencia en Paraguay&#8221;<\/a> , HISPANTV, 19 de marzo de 2015 <\/strong><\/p>\n<p><strong> (2) <a href=\"http:\/\/anncol.eu\/index.php\/mundo\/politica-economia\/item\/122-eeuu-creara-fuerza-especial-para-america-latina-con-sede-en-honduras\" target=\"_blank\"> &#8220;EEUU crear\u00e1 fuerza especial para Am\u00e9rica Latina con sede en Honduras&#8221;<\/a> , ANNCOL, 3 de Abril de 2015 <\/strong><\/p>\n<p><strong> (3) <a href=\"http:\/\/www.defensa.com\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=14742:arribo-al-peru-el-segundo-contingente-de-soldados-de-eeuu&amp;catid=55:latinoamerica&amp;Itemid=163\" target=\"_blank\"> &#8220;Arrib\u00f3 al Per\u00fa el segundo contingente de soldados de EEUU&#8221;<\/a> , <a href=\"http:\/\/defensa.com\" target=\"_blank\">defensa.com<\/a>, 19 de febrero de 2015 <\/strong><\/p>\n<p><strong> (4] <a href=\"http:\/\/noticiasunolaredindependiente.com\/2015\/03\/28\/noticias\/exsubsecretaria-de-defensa-dice-que-colombia-se-prepara-para-eventuales-conflictos-con-venezuela\/\" target=\"_blank\"> &#8220;Exsubsecretaria de Defensa dice que Colombia se prepara para eventuales conflictos con Venezuela&#8221;<\/a> , noticias-uno, 28 de marzo de 2015 <\/strong><\/p>\n<p><strong> (5) Marcela Belchior, <a href=\"http:\/\/site.adital.com.br\/site\/noticia.php?lang=ES&amp;cod=84561\" target=\"_blank\"> &#8220;Privatizaci\u00f3n de r\u00edo provoca 14 mil muertes de ind\u00edgenas por inanici\u00f3n&#8221;<\/a> , ADITAL, 5 de Abril de 2015 <\/strong><\/p>\n<p>[NR] Mas em 08 de Abril um subordinado de Obama desmentiu a &#8220;Ordem executiva&#8221; do seu chefe. Ver:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/04\/08\/venezuela-ahora-el-gobierno-de-eeuu-dice-que-no-dijo-lo-que-dijo-su-presidente\/\" target=\"_blank\"> Venezuela: Ahora el gobierno de EEUU dice que no dijo lo que dijo su Presidente<\/a><\/p>\n<p><strong> *Doutorado em economia e professor catedr\u00e1tico das universidades de Buenos Aires e C\u00f3rdoba, na Argentina, e de Havana, em Cuba. \u00c9 autor de <em> Capitalismo senil: a grande crise da economia global, <\/em> publicado no Brasil pela editora Record (2001). Dirige o Instituto de Pesquisa Cient\u00edfica da Universidade da Bacia do Prata e publica regularmente em <em> Le Monde Diplomatique <\/em> (em castelhano). <\/strong><\/p>\n<p><strong> Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\"> http:\/\/resistir.info\/<\/a> . <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\u2013 Venezuela e Col\u00f4mbia, dois processos associados na estrat\u00e9gia regional do Imp\u00e9rio\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7675\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1ZN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}