{"id":7677,"date":"2015-04-09T18:09:54","date_gmt":"2015-04-09T18:09:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7677"},"modified":"2015-04-09T18:09:54","modified_gmt":"2015-04-09T18:09:54","slug":"projeto-identifica-cientistas-perseguidos-pela-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7677","title":{"rendered":"Projeto identifica cientistas perseguidos pela ditadura militar"},"content":{"rendered":"\n<p>A hist\u00f3ria de 471 cientistas perseguidos durante a ditadura militar foi pesquisada e pode ser consultada no <a href=\"http:\/\/www.ciencianaditadura.net\/\" target=\"_blank\">site do Projeto Ci\u00eancia na Ditadura<\/a>. Esta \u00e9 a primeira fase do trabalho feito pelo pesquisador titular da Coordena\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia do Museu de Astronomia e Ci\u00eancias Afins (Mast,) Alfredo Tiomno Tolmasquim, e pelos professores Gilda Olinto e Ricardo Pimenta, do Instituto Brasileiro de Informa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia (Ibict).<\/p>\n<p>\u201cQuando se completou 50 anos do golpe militar em 2014, nos demos conta de que n\u00e3o existia um balan\u00e7o do impacto da ditadura militar na ci\u00eancia brasileira. Existem muitos estudos de qualidade do que aconteceu em uma ou outra universidade ou no Instituto de Manguinhos da Fiocruz [Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz], mas n\u00e3o havia um panorama completo. At\u00e9 para dizer quantos foram atingidos e qual impacto [a ditadura] causou na atividade acad\u00eamica do Brasil\u201d, disse Tolmasquim.<\/p>\n<p>Ele explicou que os cientistas que foram perseguidos s\u00e3o de diversas \u00e1reas, por exemplo, da f\u00edsica, qu\u00edmica, matem\u00e1tica, de ci\u00eancias pol\u00edticas e da biologia. Para o pesquisador, o mais triste \u00e9 que entre eles h\u00e1 pessoas que tinham atividade pol\u00edtica, alguns professores universit\u00e1rios ligados a partidos pol\u00edticos, outros ligados ao governo Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo Tolmasquim, existem os que n\u00e3o tinham atividades pol\u00edticas, mas foram perseguidos por cr\u00edticas feitas ao regime em coment\u00e1rios a colegas na universidade. Isso, de acordo com pesquisador, era suficiente para que fossem aposentados ou prejudicados na vida acad\u00eamica.<\/p>\n<p>\u201cEm 1965, na Universidade de Bras\u00edlia, houve um processo forte de demiss\u00f5es. Alguns professores n\u00e3o concordaram e pediram demiss\u00e3o da UnB, muitos deles foram para outras universidades, mas, em 1969, foram demitidos compulsoriamente em uma esp\u00e9cie de revanchismo. Essa era uma caracter\u00edstica deste per\u00edodo de repress\u00e3o. Criar medo e evitar que as pessoas expressassem as suas ideias\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Tolmasquim acredita que, agora, com a divulga\u00e7\u00e3o do<a href=\"http:\/\/www.ciencianaditadura.net\/\" target=\"_blank\"> site do Ci\u00eancia na Ditadura<\/a>, vai come\u00e7ar uma outra etapa da pesquisa com a inclus\u00e3o de novas informa\u00e7\u00f5es que podem ampliar tanto o n\u00famero de atingidos pelo regime quanto acrescentar dados sobre os j\u00e1 identificados, que foram presos, torturados, assassinados, exilados, demitidos, aposentados, submetidos a inqu\u00e9ritos militares ou sofreram boicotes relacionados a trabalhos cient\u00edficos e intelectuais. \u201cTem o site, o e-mail <a href=\"mailto:ciencianaditadura@mast.br\" target=\"_blank\">ciencianaditadura@mast.br<\/a> e a<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ciencianaditadura?fref=ts\" target=\"_blank\"> p\u00e1gina no Facebook<\/a>. Eu imaginei que o grande atrativo seria o site, mas errei. Na verdade, o n\u00famero de visitas e de participa\u00e7\u00f5es por meio do Facebook tem sido muito superior\u201d, disse.<\/p>\n<p>O pesquisador revelou que, durante o desenvolvimento do projeto, foram identificadas pessoas que sofreram viola\u00e7\u00f5es em sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica, como as que prestaram concurso ou concorreram a bolsas de pesquisas e n\u00e3o foram chamadas porque estavam em uma lista de procurados pelos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o. \u201cA nossa ideia com este site \u00e9 recolher esses depoimentos e estas contribui\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o fiquem esquecidas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Ele citou o caso da professora do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Ana Rosa Kucinski Silva e do marido Wilson Silva, em abril de 1974. Os dois, que integravam a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), foram dados como desaparecidos. A USP chegou a afirmar que houve abandono de emprego. Somente no ano passado, com os trabalhos da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, ficou comprovado que foram mortos por agentes da repress\u00e3o. \u201cForam assassinados e sumiram. S\u00e3o dois casos de pessoas que foram desaparecidas\u201d.<\/p>\n<p>O projeto apontou ainda a participa\u00e7\u00e3o de pessoas de dentro das universidades que se aproveitaram do momento de repress\u00e3o para tirar vantagem. \u201cHouve den\u00fancias, e aconteceu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na \u00e9poca Universidade do Brasil, antiga Faculdade de Filosofia. Tinha um decano que denunciou um grupo de desafetos como uma c\u00e9lula de comunistas dentro da universidade e, depois, se provou que n\u00e3o era verdade. Tentou se aproveitar para ter um ganho acad\u00eamico\u201d, disse.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Tolmasquim, a troca de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental para a amplia\u00e7\u00e3o do trabalho e at\u00e9 para a corre\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es. Ele citou o fato de um professor da Faculdade de Medicina da USP, que tinha sido submetido a um inqu\u00e9rito policial militar. \u201cRecebemos uma mensagem de uma pessoa da faculdade dizendo que, na verdade, ele era dedo-duro e acusou v\u00e1rias pessoas da faculdade que foram prejudicadas pelo depoimento dele. Em fun\u00e7\u00e3o disso, retiramos o nome dele. A nossa informa\u00e7\u00e3o era parcial. Sab\u00edamos que tinha passado pelo IPM [inqu\u00e9rito policial militar], mas n\u00e3o sab\u00edamos o que tinha acontecido a partir da\u00ed\u201d.<\/p>\n<p>O site foi lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (31), no dia em que se completam 51 anos da instala\u00e7\u00e3o da ditadura militar. \u201cNa verdade o golpe militar foi em 1\u00ba de abril, mas terminou ficando na hist\u00f3ria como 31 de mar\u00e7o, porque come\u00e7aram a dizer que n\u00e3o era verdade o golpe militar, porque era 1\u00ba de abril [conhecido popularmente como o dia da mentira] e, a\u00ed, os militares trouxeram para 31 de mar\u00e7o\u201d, disse.<\/p>\n<p>O pesquisador revelou tamb\u00e9m que, quando os verbetes relativos a cada cientista estiverem mais consolidados, e com mais informa\u00e7\u00f5es, a ideia \u00e9 publicar um livro. \u201cAcho que \u00e9 importante. A nossa ideia \u00e9 publicar um grande livro de cientistas perseguidos durante o per\u00edodo da ditadura\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7677\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-7677","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1ZP","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7677\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}