{"id":7783,"date":"2015-04-15T02:10:17","date_gmt":"2015-04-18T22:21:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7783"},"modified":"2017-08-25T00:47:56","modified_gmt":"2017-08-25T03:47:56","slug":"vale-deixa-legado-de-destruicao-ambiental-cultural-e-social-em-tres-continentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7783","title":{"rendered":"Vale deixa legado de destrui\u00e7\u00e3o ambiental, cultural e social em tr\u00eas continentes"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/BwJ6ymOKoG4RqQfpNbG_IImYl2Amn4S5OChFwJvx8HylqmBWt-Xqbhfy9wwcA-z2kAf3s3fOLGDOXi8c4j_WZSF9hYIVyuxevDfYHGJ2e0vxWrgjzTkxL9ycZefDb2iEbEytX1HyNc2zJirPkQaiuE2esF1fRA=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2015_04_denuncias-vale_legenda-2_foto-justica-nos-trilhos.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/>Marcela Belchior<\/p>\n<p><strong>Adital <\/strong><!--more--><\/p>\n<p>&#8220;Lucrar acima de tudo e todos, extraindo o m\u00e1ximo de recursos naturais, com os menores custos poss\u00edveis, a partir da desobstru\u00e7\u00e3o de qualquer entrave: legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e ambiental e direitos humanos\u201d. \u00c9 assim que a Articula\u00e7\u00e3o Internacional dos Atingidos pela Vale interpreta a atual participa\u00e7\u00e3o da empresa multinacional brasileira, que opera nos setores de minera\u00e7\u00e3o, log\u00edstica, energia, siderurgia e petr\u00f3leo. Para denunciar esta realidade, a entidade acaba de lan\u00e7ar o Relat\u00f3rio de Insustentabilidade da Vale 2015, no qual denuncia mais de 30 casos de viola\u00e7\u00f5es de direitos em tr\u00eas continentes.<\/p>\n<p>O conjunto de viola\u00e7\u00f5es de direitos se acumula no Brasil, sede da Vale, e em outros oito pa\u00edses da Am\u00e9rica, \u00c1frica e \u00c1sia, envolvendo toda a cadeia de produ\u00e7\u00e3o da Vale em diferentes pa\u00edses onde a empresa opera. O lan\u00e7amento do relat\u00f3rio acontece em conson\u00e2ncia com Semana de Mobiliza\u00e7\u00e3o Nacional Ind\u00edgena, a Jornada de Lutas pela Reforma Agr\u00e1ria e as mobiliza\u00e7\u00f5es pela manuten\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas e contra as terceiriza\u00e7\u00f5es no pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento, o maior investimento da Vale no mundo, a amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em Caraj\u00e1s, no Estado do Par\u00e1 (Brasil), conta com a duplica\u00e7\u00e3o da Estrada de Ferro Caraj\u00e1s (EFC), que est\u00e1 sendo feita com licenciamento irregular, sem a realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancias p\u00fablicas e de consulta pr\u00e9via, o que \u00e9 um direito assegurado \u00e0s comunidades pela Conven\u00e7\u00e3o 169, da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT). J\u00e1 em Itabirito (Minas Gerais), a Vale foi responsabilizada por submeter 309 pessoas a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas ao trabalho escravo.<\/p>\n<p>Com a participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria da Vale, o projeto da Usina Hidroel\u00e9trica de Belo Monte, que est\u00e1 sendo constru\u00eddo na bacia do Rio Xingu (norte do Par\u00e1) tem sido criticado por provocar grande destrui\u00e7\u00e3o social, ambiental e econ\u00f4mica. Pelo menos 20 processos judiciais s\u00e3o movidos pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Par\u00e1 (MPF-PA). O relat\u00f3rio aponta tamb\u00e9m casos de desperd\u00edcio de \u00e1gua. Isto se daria em tr\u00eas minerodutos que ligam Mariana (Minas Gerais) a Anchieta (Esp\u00edrito Santo), que gastam 4.400 metros c\u00fabicos por hora, o que seria suficiente para abastecer uma cidade de 586 mil pessoas por m\u00eas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta que nos Estados do Maranh\u00e3o, Esp\u00edrito Santo e Rio de Janeiro, no Brasil, al\u00e9m de Piura (Peru) e Perak (Mal\u00e1sia), pescadores locais denunciam que os processos de embarque do min\u00e9rio e a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas em portos da Vale comprometem sua sobreviv\u00eancia. J\u00e1 no Canad\u00e1, onde a Vale produz n\u00edquel na mina de Voisey&#8217;s Bay, o Lago Sandy foi convertido em uma bacia com mais de 400 mil toneladas de dejetos, de acordo com den\u00fancias de organiza\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>Por sua vez, a usina sider\u00fargica TKCSA, da qual a Vale \u00e9 acionista, elevou em 76% as emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico no Rio de Janeiro. Desde 2010, funciona sem licenciamento ambiental. Outro caso que chamou a aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionado \u00e0 espionagem. Segundo o levantamento, por meio de den\u00fancias de um ex-funcion\u00e1rio da Vale, um esquema de espionagem contra movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a rede Justi\u00e7a nos Trilhos (conjunto de movimentos, associa\u00e7\u00f5es e cidad\u00e3os em defesa da justa compensa\u00e7\u00e3o por danos causados pela Vale ao meio ambiente e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o) foi revelado. O caso j\u00e1 levou a uma audi\u00eancia p\u00fablica no Congresso Nacional, mas a empresa, at\u00e9 o momento, n\u00e3o foi responsabilizada.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Mo\u00e7ambique, o documento aponta que mais de 1.300 fam\u00edlias reassentadas pela Vale vivem, hoje, com dificuldade de acesso \u00e0 \u00e1gua, terra, energia, em terras impr\u00f3prias para a agricultura, al\u00e9m de n\u00e3o terem recebido, at\u00e9 o momento, as indeniza\u00e7\u00f5es integrais a que t\u00eam direito.<\/p>\n<p><strong>Falso discurso de sustentabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, a empresa atua em n\u00edvel global para &#8220;transformar recursos naturais em catalisadores de lucros, continuamente crescentes, para os acionistas, desconsiderando os direitos e expectativas dos trabalhadores, comunidades, popula\u00e7\u00f5es tradicionais e gera\u00e7\u00f5es futuras a uma vida digna\u201d. A Associa\u00e7\u00e3o dos Atingidos aponta na atua\u00e7\u00e3o da Vale uma atitude arrogante, acumula\u00e7\u00e3o global, sustentabilidade para os lucros e n\u00e3o para as pessoas, al\u00e9m de um legado de severa destrui\u00e7\u00e3o ambiental, cultural e social.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Adital, o economista Gabriel Strautman, membro do Instituto Pol\u00edticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), afirma que o principal valor do estudo \u00e9 desconstruir o discurso de sustentabilidade que a empresa difunde. &#8220;A Vale se diz comprometida com as melhores pr\u00e1ticas ambientais e respeito \u00e0s leis. No entanto, a pr\u00e1tica dela \u00e9 pressionar para que os licenciamentos sejam feitos sem estudo de impacto ambiental\u201d, exemplifica. &#8220;Como ela pode querer ser sustent\u00e1vel se n\u00e3o respeita as leis ambientais?\u201d, questiona o economista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ele afirma que o Estado \u00e9 c\u00famplice dessa situa\u00e7\u00e3o, uma vez que facilita, incentiva e fortalece esse tipo de opera\u00e7\u00e3o na empresa. &#8220;O mesmo Estado que, de um lado, fortalece a empresa com licenciamentos irregulares e isen\u00e7\u00f5es fiscais, \u00e9 omisso do outro, porque n\u00e3o vai a fundo na investiga\u00e7\u00e3o dessas den\u00fancias. Tem um duplo papel\u201d, exp\u00f5e Strautman.<\/p>\n<p>Segundo ele, governos locais tamb\u00e9m se coadunam com a Vale, j\u00e1 que possuem certa &#8220;depend\u00eancia\u201d dos royalties que paga a multinacional. &#8220;Ent\u00e3o, n\u00e3o se levantam contra a empresa\u201d, explica. &#8220;Embora a Vale reivindique o papel de uma empresa que compartilha o valor gerado, vemos uma empresa que n\u00e3o paga imposto, que amea\u00e7a comunidades. E essa \u00e9 uma pr\u00e1tica insustent\u00e1vel\u201d, defende o economista.<\/p>\n<p>Acesse relat\u00f3rio completo <a href=\"http:\/\/www.pacs.org.br\/files\/2015\/04\/Relatirio_pdf.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>http:\/\/www.adital.com.br\/site\/noticia.php?lang=PT&amp;cod=84743<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Marcela Belchior Adital\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7783\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-7783","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-21x","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7783"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7783\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}