{"id":780,"date":"2010-09-02T19:08:01","date_gmt":"2010-09-02T19:08:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=780"},"modified":"2010-09-02T19:08:01","modified_gmt":"2010-09-02T19:08:01","slug":"o-governo-do-ps-participa-ativamente-em-guerras-coloniais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/780","title":{"rendered":"O governo do PS participa ativamente em guerras coloniais"},"content":{"rendered":"\n<p>A decis\u00e3o do ministro da Defesa de enviar espi\u00f5es para o Afeganist\u00e3o foi recebida com um sentimento de repulsa por quantos condenam a agress\u00e3o ao povo daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Alega o senhor Augusto Silva que o objectivo \u00e9 garantir a seguran\u00e7a das tropas portuguesas integradas no ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o que a Nato ali mant\u00e9m.<\/p>\n<p>O pretexto invocado \u00e9 t\u00e3o hip\u00f3crita como os utilizados para \u00abexplicar\u00bb a presen\u00e7a de for\u00e7as militares portuguesas nas guerras do Iraque e do Afeganist\u00e3o em miss\u00f5es definidas como de paz, com ou sem o aval do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, mas que na realidade configuram participa\u00e7\u00e3o em agress\u00f5es do imperialismo.<\/p>\n<p>S\u00f3crates e o seu ministro \u2013 tal como antes Dur\u00e3o Barroso e Santana Lopes \u2013 utilizam argumentos diversificados para justificar o envolvimento do Ex\u00e9rcito e de elementos da For\u00e7a A\u00e9rea nessas guerras condenadas pela humanidade progressista. Tudo serve para mentir ao povo na tentativa de transmutar um crime em acto de defesa da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental e crist\u00e3 contra a barb\u00e1rie e o terrorismo, que se concretiza no \u00e2mbito de compromisso com os \u00abnossos aliados da NATO\u00bb.<\/p>\n<p>Com alguma frequ\u00eancia membros do Governo deslocam-se a Kabul, e, reunidos ali com tropas portuguesas, debitam discursos farisaicos em cerim\u00f3nias rid\u00edculas, com ampla cobertura dos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social lusos.<\/p>\n<p>O espect\u00e1culo que a TV oferece quando entrevista militares de contingentes do Ex\u00e9rcito ou da GNR que embarcam para Kabul ou da\u00ed regressam \u00e9 indecoroso. Ofende a intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Oficiais, sargentos e soldados repetem com varia\u00e7\u00e3o m\u00ednima o mesmo discurso. Alguns j\u00e1 cumpriram miss\u00f5es \u00abhumanit\u00e1rias e de paz\u00bb na B\u00f3snia e no Kosovo. Lamentam o distanciamento das fam\u00edlias, mas insistem na responsabilidade de uma tarefa colectiva integrada na luta global contra o terrorismo num pa\u00eds onde a NATO e os EUA tudo fazem para implantar a democracia e educar o povo, libertando as mulheres.<\/p>\n<p>Na s entrevistas realizadas no Afeganist\u00e3o em \u00e9pocas festivas \u00e9 especialmente penoso ouvir soldados muito jovens debitar asneiras sobre o que fazem, viram e sentiram num pa\u00eds cuja hist\u00f3ria e cultura desconhecem.<\/p>\n<p>Nessas lengalengas n\u00e3o faltam alus\u00f5es \u00e0 P\u00e1tria que serviriam e aos valores que a NATO defenderia no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um discurso robotizado que traz \u00e0 memoria o que durante as guerras coloniais do fascismo os media divulgavam, com oficiais seleccionados para o efeito, a expressar o seu orgulho por defenderem nas savanas e florestas africanas a integridade do \u00abterrit\u00f3rio nacional\u00bb amea\u00e7ada por hordas de bandoleiros e assassinos.<\/p>\n<p>Uma agravante: o ex\u00e9rcito hoje \u00e9 profissional e os militares enviados para o Afeganist\u00e3o s\u00e3o volunt\u00e1rios que recebem sal\u00e1rios elevados.<\/p>\n<p>Muitos comportam-se e falam como mercen\u00e1rios.<\/p>\n<p>A PERDA DA MEM\u00d3RIA<\/p>\n<p>Perten\u00e7o a uma gera\u00e7\u00e3o que viveu o horror da guerra colonial. Por me encontrar exilado, tive a oportunidade de acompanhar sob uma perspectiva diferente o andamento dessa trag\u00e9dia. Desde o in\u00edcio mantive contactos com os movimentos de resist\u00eancia. Conheci pessoalmente Amilcar Cabral, Aristides Pereira, L\u00facio Lara, Am\u00e9rico Boavida, Paulo Jorge e outros dirigentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7o que nesses anos lideres revolucion\u00e1rios como Agostinho Neto, Am\u00edlcar, Samora Machel eram apelidados de terroristas pela gente de Salazar enquanto os generais que no terreno comandavam a matan\u00e7a dos guerrilheiros eram glorificados como her\u00f3is e recebiam as mais altas condecora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Abril assinalou o fim dessas guerras repugnantes. O povo portugu\u00eas, que contra elas se manifestara, teve a ocasi\u00e3o de conhecer e aclamar os revolucion\u00e1rios africanos que se tinham batido pela independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o olhar sobre a Hist\u00f3ria abriu-se numa guinada de 180 graus. Dirigentes africanos a que antes colavam o r\u00f3tulo de terroristas, discursaram sob aplausos na Assembleia da Rep\u00fablica e alguns dormiram em Queluz em camas dos antigos reis de Portugal.<\/p>\n<p>O AFEGANIST\u00c3O DELES E O REAL<\/p>\n<p>No Portugal desgovernado pela direita, o apagamento da mem\u00f3ria relativa \u00e0 guerra colonial favorece o reaparecimento do discurso abjecto sobre \u00aba luta contra o terrorismo em defesa da liberdade e dos direitos humanos\u00bb para justificar o envolvimento vassalo nas guerras do imperialismo norte-americano.<\/p>\n<p>Os crimes do fascismo em \u00c1frica s\u00e3o branqueados e a defesa da ac\u00e7\u00e3o \u00abcivilizadora\u00bb de Portugal nas antigas col\u00f3nias est\u00e1 na moda.<\/p>\n<p>Poucos jovens sabem hoje que quase 10 000 portugueses morreram na guerra colonial e nela foram feridos ou mutilados uns 30 000. E menos ainda t\u00eam conhecimento de que o total das v\u00edtimas do lado africano \u00e9 avaliado, por baixo, em mais de 100 000.<\/p>\n<p>Essa ignor\u00e2ncia dos crimes do colonialismo, estimulada por filmes e reportagens supostamente isentos, mas amb\u00edguos, tem como complemento o bombardeamento medi\u00e1tico que apresenta os EUA investidos em campe\u00f5es mundiais da luta contra o terrorismo.<\/p>\n<p>Tal como ocorreu com o Iraque, invadido e destru\u00eddo por, segundo Bush, acumular armas de exterm\u00ednio maci\u00e7o (afinal inexistentes), uma propaganda torrencial caluniosa apresentou o Afeganist\u00e3o como uma amea\u00e7a para a humanidade porque os talib\u00e3s acolhiam Ben Laden, guindado a inimigo n\u00famero um dos EUA, e a sua quase m\u00edtica Al Qaeda.<\/p>\n<p>E o Afeganist\u00e3o foi bombardeado, ocupado e o seu povo tratado como conjunto de perigosos selvagens. O motivo verdadeiro da agress\u00e3o permaneceu inconfessado. Washington n\u00e3o podia revelar que a cordilheira afeg\u00e3 encerra no ventre uma riqueza fabulosa em min\u00e9rios.<\/p>\n<p>Bases americanas foram constru\u00eddas sobre ru\u00ednas de campos arqueol\u00f3gicos em lugares que foram ber\u00e7o de grandes civiliza\u00e7\u00f5es da antiguidade. Onde os veteranos de Alexandre da Maced\u00f3nia edificaram h\u00e1 2300 anos cidades maravilhosas, no Nordeste, na Bactriana, pr\u00f3ximo da China, a soldadesca dos EUA e da NATO passeia hoje a sua arrog\u00e2ncia de conquistadores.<\/p>\n<p>Mas o objectivo n\u00e3o foi atingido. O Afeganist\u00e3o martirizado (somente nos meses posteriores \u00e0 invas\u00e3o mais de 100 000 pessoas morreram de fome quando a ONU suspendeu o envio de alimentos) resiste.<\/p>\n<p>Segundo a imprensa dos EUA e da Europa, quantos se op\u00f5em \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira s\u00e3o qualificados de \u00abrebeldes\u00bb, ou \u00abinsurrectos\u00bb. E todos os que pegam em armas contra os invasores s\u00e3o \u00abtalib\u00e3s\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 outra mentira perversa.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o o pa\u00eds, respeito a sua cultura e admiro a coragem espartana dos afeg\u00e3os.<\/p>\n<p>O sujeito colectivo da resist\u00eancia \u00e0 barb\u00e1rie dos ex\u00e9rcitos de ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o povo afeg\u00e3o. Os talib\u00e3s s\u00e3o uma parcela da resist\u00eancia. Sem o indom\u00e1vel esp\u00edrito de luta das tribos pachtuns, tajiques, usbeques, hazaras, turcomanas, os comandantes das tropas da NATO e dos EUA n\u00e3o reconheceriam que nove anos transcorridos da invas\u00e3o do pa\u00eds, os \u00abrebeldes\u00bb controlam a maioria das prov\u00edncias.<\/p>\n<p>O presidente Obama \u2013 para o qual a vit\u00f3ria no Afeganist\u00e3o era uma prioridade da sua pol\u00edtica externa \u2013 foi j\u00e1 for\u00e7ado a demitir o general McChrystal por criticar a sua estrat\u00e9gia no pa\u00eds onde exercia a fun\u00e7\u00e3o de supremo comandante militar. A situa\u00e7\u00e3o tornou-se, por\u00e9m, t\u00e3o ca\u00f3tica, que o substituto, Petraeus, tamb\u00e9m discorda publicamente de Obama, tal como outros generais. Os factos parecem indicar que o Pent\u00e1gono tem hoje mais poder real do que o Presidente no que respeita \u00e0s guerras asi\u00e1ticas.<\/p>\n<p>S\u00e3o guerras criminosas, apodrecidas que inspiram repulsa \u00e0 maioria da humanidade.<\/p>\n<p>\u00c9 tempo de que o povo de Portugal, que na arrancada da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril p\u00f4s fim a uma guerra colonial monstruosa, assuma o dever de se manifestar activamente contra a repugnante guerra no Afeganist\u00e3o e de exigir nas ruas a retirada dos militares portugueses que ali servem a ambi\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio universal do imperialismo estadounidense<\/p>\n<p>V.N. de Gaia, 30 de Agosto de 2010<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/\" target=\"_blank\">www.odiario.info<\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nPor Miguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/780\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-780","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-cA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=780"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/780\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}