{"id":783,"date":"2010-09-03T17:25:44","date_gmt":"2010-09-03T17:25:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=783"},"modified":"2010-09-03T17:25:44","modified_gmt":"2010-09-03T17:25:44","slug":"ivan-pinheiro-faz-campanha-em-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/783","title":{"rendered":"IVAN PINHEIRO FAZ CAMPANHA EM SANTOS"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Veja entrevista para o jornal TRIBUNA DE SANTOS e fotos da palestra em Universidade local<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jornal A Tribuna: <\/strong>Ele n\u00e3o acredita em vit\u00f3ria: do contr\u00e1rio, acha que a petista Dilma Rousseff ser\u00e1 eleita presidente da Rep\u00fablica no primeiro turno. Mas o carioca Ivan Martins Pinheiro, de 64 anos, mant\u00e9m a rotina de visitar de seis a sete cidades por semana. Concorrente \u00e0 sucess\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, o secret\u00e1rio-geral do PCB percorre o Pa\u00eds na tentativa de mostrar um \u201ccontraponto ao pensamento \u00fanico burgu\u00eas e capitalista\u201d. Em 88 anos de exist\u00eancia do Partid\u00e3o, Pinheiro \u00e9 o terceiro comunista candidato ao Pal\u00e1cio do Planalto. Ele cr\u00ea na reestatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os privatizados ou concedidos \u00e0 iniciativa privada e no controle do Estado sobre os meios de produ\u00e7\u00e3o para se tirar do Brasil uma \u201cmedalha de bronze ao contr\u00e1rio\u201d: o terceiro lugar em desigualdade social no mundo. A seguir, um resumo da entrevista concedida a Arminda Augusto, editora-executiva do jornal A Tribuna, de Santos:<\/p>\n<p><strong>Tribuna:<\/strong> <strong>Nas atuais campanhas eleitorais, os candidatos mais cotados t\u00eam procurado mostrar aos eleitores que, se eleitos, n\u00e3o vai haver uma altera\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o de vida deles. E puxam isso, sobretudo, pelo lado econ\u00f4mico, do acesso aos bens, ao dinheiro, credi\u00e1rios. Como fazer que as pessoas se conven\u00e7am da necessidade de outras formas de produ\u00e7\u00e3o, de organiza\u00e7\u00e3o do Estado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan: <\/strong>As campanhas dos candidatos principais, dos que foram escolhidos para ser os candidatos principais, n\u00e3o foram escolhidas \u00e0 toa: foram escolhidos porque eles n\u00e3o apresentam riscos para o sistema; as diverg\u00eancias s\u00e3o pontuais, de como administrar o capitalismo. No Brasil, h\u00e1 uma manipula\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande que h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o, na popula\u00e7\u00e3o, de que a economia vai bem.<\/p>\n<p><strong>Tribuna: N\u00e3o vai bem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan: <\/strong>N\u00e3o. Para n\u00f3s, n\u00e3o vai bem. Ela vai muito bem para os banqueiros, para o agroneg\u00f3cio, os grandes capitalistas, e vai p\u00e9ssima para o povo. O Brasil tirou o terceiro lugar no Pnud (Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento) em mat\u00e9ria de desigualdade social. O discurso dos dois candidatos \u00e9 de manuten\u00e7\u00e3o dessa ordem, com o pressuposto de que essa ordem \u00e9 de interesse da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Essa sensa\u00e7\u00e3o (de que a economia vai bem) \u00e9 causada por alguns fatores. Primeiro, uma pol\u00edtica compensat\u00f3ria, talvez nunca vista no Brasil e em poucos pa\u00edses, que \u00e9 o Bolsa Fam\u00edlia, com 12 milh\u00f5es de fam\u00edlias recebendo menos de R$ 100,00. Pelo menos, os tiram da mis\u00e9ria absoluta, mas n\u00e3o lhes permitem condi\u00e7\u00f5es de superar aquele status. A outra quest\u00e3o \u00e9 o est\u00edmulo ao consumo: n\u00f3s temos hoje, no Brasil, talvez o maior \u00edndice de endividamento particular e familiar de toda a hist\u00f3ria. O consumo \u00e9 alimentado pelo cr\u00e9dito consignado, o empr\u00e9stimo que voc\u00ea faz a si pr\u00f3prio, e vai numa ciranda muito grande. Achamos que, se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos mais espa\u00e7o, n\u00f3s poder\u00edamos, n\u00e3o digo, ir ao segundo turno, mas, claro, ter muito mais votos do que vamos ter com uma proposta que interessa ao povo brasileiro. N\u00f3s estamos tentando dizer ao povo brasileiro, com a pouca inser\u00e7\u00e3o que temos, o seguinte: primeiro, temos que mudar a pol\u00edtica econ\u00f4mica, sobretudo numa medida que consideramos fundamental para enfrentar problemas sociais no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Tribuna: Qual?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan:<\/strong> A suspens\u00e3o imediata do pagamento da d\u00edvida, para fazer uma auditoria. N\u00e3o estou dizendo que n\u00e3o vamos pagar. Estamos dizendo que far\u00edamos uma morat\u00f3ria, uma suspens\u00e3o de pagamento de juros e servi\u00e7os da d\u00edvida, para fazer uma auditoria. Esse \u00e9 um movimento crescente na Am\u00e9rica Latina: tem, inclusive, um movimento chamado auditoria cidad\u00e3 da d\u00edvida. J\u00e1 teve uma experi\u00eancia bem-sucedida no Equador: foi feita uma auditoria da d\u00edvida do Equador, inclusive, com monitoramento de organiza\u00e7\u00f5es internacionais, e se chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que aquela d\u00edvida do Equador era apenas 24% do que se alegava. A outra coisa, mais importante, e se o povo pudesse entender, tiv\u00e9ssemos dez minutos na televis\u00e3o, como alguns t\u00eam, e espa\u00e7o na m\u00eddia: n\u00f3s estamos querendo que o Estado passe a funcionar a servi\u00e7o da maioria do povo, e n\u00e3o das elites. O Estado, hoje, est\u00e1 a servi\u00e7o da minoria, est\u00e1 a servi\u00e7o dos capitalistas, e n\u00e3o do povo. Ent\u00e3o, n\u00f3s defendemos, por exemplo, a reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale do Rio Doce; a reestatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras, que n\u00e3o \u00e9 estatal: hoje, \u00e9 32% estatal e 68% privada; as suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o vendidas na Bolsa de Nova Iorque. E todas essas propostas que aparecem na televis\u00e3o, de solu\u00e7\u00e3o para o problema da Sa\u00fade, da Educa\u00e7\u00e3o, do saneamento, se n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a profunda na pol\u00edtica econ\u00f4mica do Brasil e do car\u00e1ter do Estado, nenhuma delas vai resolver nada: \u00e9 pura demagogia. N\u00f3s estamos vinculando a retomada da estatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras e de outras empresas \u00e0 possibilidade de resolvermos esses problemas sociais. Por exemplo, na quest\u00e3o do pr\u00e9-sal: n\u00f3s defendemos que seja, todo ele, da Petrobras, estatal, e seus rendimentos sejam distribu\u00eddos aos estados na raz\u00e3o inversa do IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano) de cada um: quanto mais pobre o Estado, mais recebe per capita.<\/p>\n<p><strong>Tribuna: Algumas dessas mudan\u00e7as dependem de uma pactua\u00e7\u00e3o com governos estaduais e prefeituras, que t\u00eam autonomia sobre determinados servi\u00e7os, parte deles sob concess\u00e3o privada. Como articular essas diferentes esferas de governo para que esse projeto funcionasse?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan:<\/strong> Voc\u00ea tem toda raz\u00e3o: todas as propostas do PCB, praticamente, encontrariam uma resist\u00eancia num cen\u00e1rio de um presidente da Rep\u00fablica eleito&#8230; O PCB vai tomar posse; todas as nossas propostas iriam ser bombardeadas pela burguesia brasileira e pelas institui\u00e7\u00f5es. N\u00f3s \u00edamos ter uma esmagadora maioria no Congresso Nacional contra todas as nossas propostas, inclusive de governadores, de estados, dos interesses privados, das grandes multinacionais: todos. Mas tem uma parte importante que pode estar do nosso lado, que \u00e9 o povo brasileiro, se entender que nossas propostas s\u00e3o importantes para eles. Ent\u00e3o, s\u00f3 tem uma maneira, uma op\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a seguinte: o Lula poderia ter feito algumas mudan\u00e7as. Na hora em que o Lula tomou posse, ele podia ter optado ou por mobilizar o povo, com os 60 milh\u00f5es de voto que ele teve, para implantar mudan\u00e7as ou procurar os parlamentares para ter maioria. Mas o governo dele acaba, na pol\u00edtica interna, sendo uma continuidade do Fernando Henrique. Ele foi para o balc\u00e3o de neg\u00f3cios negociar uma maioria e acabou ficando prisioneiro dessa maioria. Hoje, ele \u00e9 um prisioneiro do PMDB, que \u00e9 um partido das oligarquias regionais. Mas n\u00f3s temos exemplos, aqui na Am\u00e9rica Latina, de presidentes que foram eleitos sem maioria parlamentar; teve at\u00e9 caso extremo, sem nenhum parlamentar, do Fernando Lugo (presidente do Paraguai); o Evo Morales (Bol\u00edvia), que, na primeira elei\u00e7\u00e3o, deve ter eleito apenas dois ou tr\u00eas, num Congresso de 150; e teve o extremo maior, que foi o Rafael Correa (Equador), eleito presidente da Rep\u00fablica no mesmo dia da elei\u00e7\u00e3o parlamentar e n\u00e3o elegeu um deputado. E o Hugo Ch\u00e1vez (Venezuela), tamb\u00e9m, quando foi eleito da primeira vez, tinha minoria no Congresso. O projeto deles n\u00e3o passava pela institucionalidade, pela governabilidade institucional. E eles foram garantir as mudan\u00e7as pela governabilidade social: chamaram o povo para a rua para o povo implantar aquele processo. Aqui no Brasil, n\u00f3s ir\u00edamos mobilizar o povo para convocar uma Assembleia Nacional Constituinte.<\/p>\n<p><strong>Tribuna: Para um Pa\u00eds do tamanho do brasileiro, em que o sr. prop\u00f5e a participa\u00e7\u00e3o popular ampla nas decis\u00f5es nacionais, a reestatiza\u00e7\u00e3o de empresas e, at\u00e9, a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os: quanto tempo o sr. acha que levaria esse processo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan:<\/strong> N\u00e3o tenho a menor ideia. Se eu dissesse aqui qualquer coisa, eu estaria sendo demagogo, porque a Hist\u00f3ria n\u00e3o se mede assim, n\u00e3o \u00e9 uma coisa cabal\u00edstica. \u00c9 um processo complicado, existe uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na sociedade, h\u00e1 uma luta de es intensa&#8230; O caso da Venezuela, tamb\u00e9m: n\u00f3s achamos que, a depender de alguns fatores, aquela revolu\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 socialista, ainda, ao nosso ver, a chamada revolu\u00e7\u00e3o bolivariana, pode transitar para o socialismo. Mas pode tamb\u00e9m regredir. Isso \u00e9 uma luta. N\u00e3o vamos ligar a televis\u00e3o num dia com a manchete de que acabou o capitalismo no dia anterior. Ele n\u00e3o vai cair de podre: ele vai ser derrubado ou, ent\u00e3o, continuar\u00e1 explorando as maiorias e fomentando guerras, destruindo o meio ambiente, que \u00e9 isso que o capitalismo faz.<\/p>\n<p><strong>Tribuna: Na hip\u00f3tese de o PCB ganhar, n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil implantar um m\u00ednimo que seja com o Congresso do jeito que \u00e9, com os governos estaduais do jeito que s\u00e3o, enfim, todos os poderes contra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan:<\/strong> Isso me fez lembrar uma coisa: quando o Lula estava para ganhar a elei\u00e7\u00e3o, havia uma luta interna dentro da campanha do Lula. Na primeira elei\u00e7\u00e3o do Lula, o PCB estava na coliga\u00e7\u00e3o, e era uma coliga\u00e7\u00e3o de esquerda: n\u00e3o tinha nem o PL (hoje, PR) do Jos\u00e9 Alencar (atual vice-presidente). Eram PCB, PC do B, PSB, PDT e PT. E esses cinco partidos queriam fazer uma mudan\u00e7a muito mais profunda. E constitu\u00edmos, quando parecia fact\u00edvel a vit\u00f3ria do Lula, uma comiss\u00e3o para fazer um programa de 100 dias \u2013 essa hist\u00f3ria tem que ser contada, um dia, por escrito. No programa de 100 dias, o Lula ia chegar arrebentando, tomando decis\u00f5es, assim, que iam desde o rompimento com o Fundo Monet\u00e1rio (Internacional, FMI), suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, atrav\u00e9s de medida provis\u00f3ria, para ver o que dava depois. S\u00f3 que, no meio disso, tinha uma luta interna. E, quando a vit\u00f3ria do Lula passa a ficar mais fact\u00edvel ainda, um setor da campanha, naturalmente com a complac\u00eancia do pr\u00f3prio Lula, faz um acordo com o sistema financeiro que gera a A\u00e7\u00e3o da Cidadania e gera aquela famosa Carta ao Povo Brasileiro \u2013 que devia se chamar Carta aos Banqueiros, porque diz que vai manter a pol\u00edtica econ\u00f4mica. Daqui a 30, 40 anos, o Lula vai ser reverenciado como o cara que alavancou o capitalismo no Brasil, destravou o capitalismo no Brasil. Mais do que qualquer um. A ideia era ser um governo do tipo do Evo Morales. Acho, at\u00e9, que numa propor\u00e7\u00e3o menor, mas a ideia era essa. Nesse cen\u00e1rio, imaginemos que o candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica do PCB ganhe a elei\u00e7\u00e3o. Ele fica um m\u00eas aqui no Brasil, agitando o povo, conscientizando o povo de sua proposta, e tomando medidas concretas, algumas atrav\u00e9s de medida provis\u00f3ria, e outras n\u00e3o. A quest\u00e3o do fim da autonomia do Banco Central, o presidente da Rep\u00fablica novo, se quiser, n\u00e3o precisa fazer nada. Juridicamente, n\u00e3o existe autonomia: \u00e9 s\u00f3 ele botar algu\u00e9m que n\u00e3o seja a raposa para tomar conta do galinheiro. A suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida, claro que ia dar uma confus\u00e3o muito grande, mas sairia. N\u00e3o sai mais um centavo: vamos fazer uma auditoria, e tentar convencer o povo de que isso era correto. N\u00f3s ir\u00edamos mandar uma medida provis\u00f3ria para o Congresso Nacional, com redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o salarial, que tinha possibilidade de passar no Congresso, at\u00e9 porque tem setores da burguesia para os quais isso n\u00e3o afeta muito: pode, at\u00e9, dividir o parlamento burgu\u00eas. E come\u00e7ar\u00edamos uma campanha de agita\u00e7\u00e3o em torno do pr\u00e9-sal e da reestatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras, que tamb\u00e9m n\u00e3o me pergunte como vai ser, porque vai depender da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Se tiver massa na rua, passa um rolo nos acionistas e depois v\u00ea como \u00e9 que paga. Depois disso, iria ao Haiti retirar todas as tropas brasileiras e substituir por m\u00e9dicos, por engenheiros. Iria a Cuba, claro, dar solidariedade \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista; a Caracas (Venezuela), para aderir \u00e0 Alba (Alian\u00e7a Bolivariana das Am\u00e9ricas); \u00e0 Col\u00f4mbia, ajudar a construir um di\u00e1logo de paz, que acabe com aquele conflito que dura 50 anos e n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o militar. A\u00ed, ir\u00edamos \u00e0 Faixa de Gaza, na Cisjord\u00e2nia, para dar solidariedade ao povo palestino.<\/p>\n<p><strong>Tribuna: A respeito de quest\u00f5es estritamente nacionais, o programa de governo menciona algo como modifica\u00e7\u00f5es no sistema de aposentadorias, com o fim do fator previdenci\u00e1rio; isen\u00e7\u00e3o de Imposto de Renda por sal\u00e1rios dos trabalhadores; e medidas que o sr. j\u00e1 anunciou que faria, se pudesse, como a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Tudo isso dependeria da arrecada\u00e7\u00e3o de impostos. Como equilibrar essa conta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan:<\/strong> N\u00f3s far\u00edamos a reforma tribut\u00e1ria, mas totalmente ao contr\u00e1rio do que \u00e9 defendido pelos economistas do grande capital. N\u00f3s \u00edamos tributar o sistema financeiro, que tem lucros escandalosos \u2013 no Governo Lula, tiveram 470% de lucro, mais do que no tempo do Fernando Henrique Cardoso. Eu fui, durante 30 anos, banc\u00e1rio: fui presidente do Sindicato dos Banc\u00e1rios do Rio de Janeiro. O an\u00fancio disso, antigamente, daria uma greve no dia seguinte. Os sindicatos iam se juntar e dizer assim: \u201cQueremos a nossa parte!\u201d. S\u00f3 que os piores males que o Lula fez \u00e0 esquerda no Brasil e aos trabalhadores foi cooptar os movimentos sociais. A CUT (Central \u00danica dos Trabalhadores), hoje, n\u00e3o \u00e9 sombra do que foi. E o sindicalismo banc\u00e1rio est\u00e1 todo controlado pela CUT. Vou dar um dado que voc\u00ea deve ter melhor do que eu: os bancos, hoje, pagam a folha de pagamento dos seus empregados com as tarifas banc\u00e1rias. N\u00e3o mexem num centavo de lucro. At\u00e9 o Banco do Brasil, que j\u00e1 se bradescalizou h\u00e1 muito tempo. Quem \u00e9 que paga, portanto, o sal\u00e1rio dos banc\u00e1rios? N\u00f3s. Isso \u00e9 um esc\u00e2ndalo. N\u00f3s \u00edamos tributar o sistema financeiro, grandes lucros, grandes fortunas&#8230; O dinheiro para isso ia sair da reestatiza\u00e7\u00e3o dessas empresas, de colocar o produto da venda das nossas riquezas naturais a servi\u00e7o do povo.<\/p>\n<p><strong>Tribuna: A candidata Dilma Rousseff, como favorita nas pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto, tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de segmentos mais conservadores da sociedade, para os quais, caso ela assuma o Governo, poder\u00e1 provocar uma esp\u00e9cie de revolu\u00e7\u00e3o como a que o sr. diz que pretende fazer se for eleito. O sr. acredita nisso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan: <\/strong>Francamente: a burguesia que faz campanha contra o Lula, ainda, preconceituosa, \u00e9 muito burra. Porque n\u00e3o tem ningu\u00e9m melhor do que o Lula para fazer o capitalismo se alavancar, crescer, cooptando o movimento social e dizendo para o trabalhador apertar o cinto. O ideal para a burguesia era o terceiro mandato. E eu acho que a burguesia brasileira, hoje, se divide entre os dois candidatos principais (Dilma e Jos\u00e9 Serra). O PCB tem uma avalia\u00e7\u00e3o de que as diferen\u00e7as entre o PSDB e o PT est\u00e3o diminuindo. H\u00e1 uma diferen\u00e7a na pol\u00edtica externa, e n\u00e3o \u00e9 que a pol\u00edtica externa do Governo Lula seja socialista ou de esquerda, anti-imperialista, mas ela tem uma diferen\u00e7a que, ao nosso olhar, \u00e9 melhor do que a pol\u00edtica externa tucana, n\u00e3o tem a menor d\u00favida. Nos levou, inclusive, em 2006, a optar pelo Lula contra o Alckmin, mas mantendo a oposi\u00e7\u00e3o ao Lula. Agora, voc\u00ea vai ver o seguinte: o Lula arrecadou mais dinheiro do que o Alckmin em sua campanha eleitoral. E essa arrecada\u00e7\u00e3o \u00e9 de onde? Dos militantes do PT? S\u00e3o os empres\u00e1rios. A Dilma j\u00e1 arrecadou quatro vezes mais que o Serra. \u00c9 claro que tem a ver, tamb\u00e9m, com as inten\u00e7\u00f5es de voto: a burguesia n\u00e3o joga dinheiro fora. Mas \u00e9 uma candidata da ordem, tamb\u00e9m da burguesia. Pessoalmente, e a\u00ed n\u00e3o \u00e9 o partido, acho que ela j\u00e1 ganhou no primeiro turno. O Lula conseguiu transferir esses votos. Ela vai fazer um governo mais capitalista e conservador. Se n\u00f3s assum\u00edssemos a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, uma das medidas seria a suspens\u00e3o imediata da constru\u00e7\u00e3o da Usina de Belo Monte, a suspens\u00e3o imediata da transposi\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do Rio S\u00e3o Francisco e a suspens\u00e3o imediata de todas as obras do PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento). Vamos fazer uma auditoria e ver o que tem algum sentido social e o que n\u00e3o tem. Porque a maioria das obras do PAC \u00e9 para melhorar a infraestrutura pensando no desenvolvimento do capitalismo.<\/p>\n<p><strong>Tribuna: Havendo segundo turno, o sr. apoiaria quem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan:<\/strong> Veja s\u00f3, se eu fosse um candidato demagogo, eu diria: \u201cMas eu estarei no segundo turno\u201d (risos). Eu n\u00e3o estarei no segundo turno&#8230; Essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil para n\u00f3s. Primeiro, porque n\u00f3s achamos que as diferen\u00e7as entre o Lula e o Alckmin eram maiores do que as diferen\u00e7as entre Serra e Dilma. Ter\u00edamos que ver essa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. E o \u00fanico aspecto, e eu posso falar em nome do partido, que tem um pouco de diferen\u00e7a a favor, no caso do PT, no nosso ponto de vista, \u00e9 a pol\u00edtica externa. Mas a pol\u00edtica interna n\u00e3o tem nenhuma diferen\u00e7a. E h\u00e1 desconfian\u00e7a de que o Governo Dilma pode ser um governo mais conservador do ponto de vista dos comunistas, e vai ser mais moderno no olhar dos capitalistas.<\/p>\n<p>*Jornalista<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/hotsites.atribuna.com.br\/atribuna\/blogdepolitica\/?idBlog=63\" target=\"_blank\">http:\/\/hotsites.atribuna.com.br\/atribuna\/blogdepolitica\/?idBlog=63<\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nRafael Motta*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/783\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-783","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c73-eleicoes-2010"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-cD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=783"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/783\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}