{"id":784,"date":"2010-09-03T17:37:03","date_gmt":"2010-09-03T17:37:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=784"},"modified":"2010-09-03T17:37:03","modified_gmt":"2010-09-03T17:37:03","slug":"exercito-monitora-movimentos-de-camponeses-em-honduras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/784","title":{"rendered":"\u201cEx\u00e9rcito monitora movimentos de camponeses em Honduras\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>O militante da Consulta Popular Ronaldo Pagotto acompanhou durante 40 dias as atividades dos movimentos de trabalhadores rurais em Honduras, passando pela capital Tegucigalpa e mais 12 cidades do interior.<\/p>\n<p>No dia 28 de junho de 2009, um golpe militar dep\u00f4s o presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, dentro de uma a\u00e7\u00e3o organizada pela burguesia local, com a ajuda dos Estados Unidos, para impedir avan\u00e7os sociais e reprimir as mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores hondurenhos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 impressionante o vigor e \u00e2nimo do povo hondurenho em lutar, mesmo passados esses meses e v\u00e1rias manobras dos golpistas em conluio com o Pent\u00e1gono, para desestabilizar e desestimular as mobiliza\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Pagotto.<\/p>\n<p>Desde o golpe, o povo hondurenho tem travado uma dura batalha. As massas enfrentaram diversas vezes o Ex\u00e9rcito, reivindicando a volta de Zelaya e pela realiza\u00e7\u00e3o da assembleia constituinte.<\/p>\n<p>Em novembro de 2009 foi organizada, pelo governo golpista de Roberto Micheletti, uma elei\u00e7\u00e3o ileg\u00edtima, com forte presen\u00e7a militar, que teve a vit\u00f3ria de Porf\u00edrio Lobo para a presid\u00eancia. No entanto, mais de 47% do povo virou as costas para as elei\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas, aderindo ao boicote.<\/p>\n<p>\u201cOs movimentos do campo sofrem um monitoramento especial do Ex\u00e9rcito, como no caso do Movimento Campesino de Agu\u00e1n (regi\u00e3o ao norte de Honduras), onde foi montado um posto permanente em um assentamento, com 10 homens fortemente armados\u201d, denuncia.<\/p>\n<p>Abaixo, leia a entrevista concedida direto de Honduras \u00e0 <strong>Pagina do MST<\/strong>, por correio eletr\u00f4nico, sobre a organiza\u00e7\u00e3o unidade e lutas da e trabalhadora hondurenha, a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores rurais e o avan\u00e7o do capital na agricultura.<\/p>\n<p><strong>Depois de um ano do golpe, como est\u00e1 a \u00e2nimo do povo e as organiza\u00e7\u00f5es da e trabalhadora?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 impressionante o vigor e \u00e2nimo do povo hondurenho em lutar, mesmo passados esses meses e v\u00e1rias manobras dos golpistas em conluio com o Pent\u00e1gono, para desestabilizar e desestimular as mobiliza\u00e7\u00f5es. As pessoas explicam que isso se d\u00e1, em parte, gra\u00e7as a um processo de mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o anterior ao golpe, quando a resist\u00eancia popular era direcionada a sustentar propostas populares do governo e tamb\u00e9m para fortalecer as lutas unit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Hoje a resist\u00eancia ao golpe conformou a Frente Nacional de Resist\u00eancia Popular, composta por amplos setores: estudantil, campon\u00eas, mulheres, juventude, sindical, professores, ind\u00edgenas, negros, artistas e outros. Est\u00e3o organizados nacionalmente em comit\u00eas estaduais, municipais e de bairros e comunidades.<\/p>\n<p><strong>Quais as lutas est\u00e3o em curso atualmente?<\/strong><\/p>\n<p>Nesse momento, h\u00e1 diversos setores em lutas espec\u00edficas e que se juntam nas mobiliza\u00e7\u00f5es mais gerais e nacionais. H\u00e1 um \u00e2nimo geral do povo para lutar, que \u00e9 incr\u00edvel. Professores do ensino m\u00e9dio e fundamental est\u00e3o em greve e fizeram manifesta\u00e7\u00f5es na capital com 18 mil professores (de uma base de 55 mil). As assembleias que alcan\u00e7aram at\u00e9 7 mil pessoas.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios p\u00fablicos do setor de registro civil est\u00e3o em greve por falta de ar condicionado, um motivo aparentemente pequeno e que n\u00e3o levaria muitos setores a se mobilizarem, mas resultou em uma greve que dura mais de uma semana. Outro aspecto que impressiona \u00e9 que essa frente nacional congrega todos os setores populares, com posi\u00e7\u00e3o contra o golpe, lidando com setores amplos e distintos. Nesse per\u00edodo, seguem juntos em luta.<\/p>\n<p><strong>O que representa a unidade dessas for\u00e7as nesse quadro?<\/strong><\/p>\n<p>Representa um fator central para esse vigor, capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o e de reconhecimento p\u00fablico como uma for\u00e7a pol\u00edtica. E se soma a esses pontos a capacidade de disputar ideias e contestar os meios de comunica\u00e7\u00e3o golpistas, como uma caracter\u00edstica geral dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, serem express\u00e3o da vis\u00e3o de mundo das oligarquias do campo e da cidade e dos interesses do imperialismo. Est\u00e3o disputando com programas de r\u00e1dio, uma rede de r\u00e1dios comunit\u00e1rias, programas di\u00e1rios de informa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise da conjuntura.<\/p>\n<p>Dessa forma, divulgam a agenda da resist\u00eancia assim como balan\u00e7os, entrevistas e momentos pedag\u00f3gicos para explicar a todo o povo o que ocorreu, os movimentos dos golpistas no presente e da resist\u00eancia, a situa\u00e7\u00e3o internacional e os desafios para os pr\u00f3ximos momentos.<\/p>\n<p><strong>Qual a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores rurais?<\/strong><\/p>\n<p>Assim como no nosso pa\u00eds, o tema do campo \u00e9 central na luta do povo hondurenho. N\u00e3o s\u00f3 por ter mais de 55% das terras agricultur\u00e1veis nas m\u00e3os de menos de 1% dos propriet\u00e1rios, mas tamb\u00e9m pela for\u00e7a desse setor dentro da pol\u00edtica nacional. Os conflitos e tens\u00f5es s\u00e3o t\u00edpicos e poder\u00edamos resumir principalmente em tr\u00eas eixos, que muitas vezes se combinam.<\/p>\n<p>O primeira \u00e9 a tomada de terras com o m\u00e9todo similar ao da grilagem, por\u00e9m mais escancarado, pelos grandes latifundi\u00e1rios. Nesse ponto, tem a press\u00e3o econ\u00f4mica e militar para que pequenos agricultores e ind\u00edgenas vendam suas terras, sempre sob press\u00e3o e buscando pagar literalmente pre\u00e7o de banana.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, h\u00e1 uma ofensiva do grande capital transnacional com projetos de hotelaria \u201cverde\u201d, de mineradoras e barragens. Honduras \u00e9 um pa\u00eds com muito min\u00e9rio, muita \u00e1gua e regi\u00f5es montanhosas atrativas para esse turismo verde.<\/p>\n<p>Por fim, a ofensiva com o monocultivo da palma africana e implementa\u00e7\u00e3o de propostas para a agricultura do Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com destaque para uma produ\u00e7\u00e3o voltada para a exporta\u00e7\u00e3o, de caf\u00e9, banana, azeite e manteiga (palma), com produ\u00e7\u00e3o utilizando grandes quantidades de veneno e outros insumos, transgenia. Pepe Lobo, atual presidente, \u00e9 o maior produtor de milho transg\u00eanico de Honduras.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es camponesas? <\/strong><\/p>\n<p>Os movimentos do campo sofrem um monitoramento especial do Ex\u00e9rcito, como no caso do Movimento Campesino de Agu\u00e1n (regi\u00e3o ao norte de Honduras), onde foi montado um posto permanente em um assentamento, com 10 homens fortemente armados, com a justificativa de conter uma suposta a\u00e7\u00e3o da guerrilha.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m o velho m\u00e9todo dos esquadr\u00f5es da morte, que tem vitimado diversos companheiros dos movimentos do campo, financiados pela pequena oligarquia. Um outro exemplo \u00e9 o que acontece com camponeses do Movimento Unificado Campesino de Aguan, que ocupam uma terra tomada dos camponeses pelo maior latifundi\u00e1rio do pa\u00eds Miguel Facusse. Ele exige uma indeniza\u00e7\u00e3o para devolv\u00ea-las aos camponeses. Esse sujeito tomou ilegalmente a terra de centenas de fam\u00edlias, com documentos falsificados.<\/p>\n<p><strong>O que aconteceu com as fam\u00edlias que viviam nessas terras?<\/strong><\/p>\n<p>Como precisavam sobreviver, esses camponeses trabalhavam nessas mesmas terras. Recebiam um sal\u00e1rio miser\u00e1vel, pago com dinheiro da venda da produ\u00e7\u00e3o. Ou seja, pago com o que era dos pr\u00f3prios camponeses. Esse caso absurdo tem gerado um intenso debate nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, com muitos golpistas da oligarquia hondurenha se manifestando em defesa do Estado de Direito.<\/p>\n<p>S\u00f3 se for o Estado de Direito para roubarem a terra, a produ\u00e7\u00e3o e ainda pagarem sal\u00e1rios que mais se assemelham a um trabalho servil. Mas esse movimento, organizado por fam\u00edlias na mesma situa\u00e7\u00e3o, ocupou as terras em dezembro de 2009 e l\u00e1 est\u00e3o at\u00e9 hoje, produzindo, estudando, vivendo, e prometem resistir para n\u00e3o sair mais.<\/p>\n<p><strong>E os ind\u00edgenas, tamb\u00e9m est\u00e3o organizados?<\/strong><\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas tamb\u00e9m s\u00e3o um exemplo de luta contra os projetos de barragens, mineradora, hotelaria verde, que n\u00e3o por simples coincid\u00eancia se voltam para atacar as terras ind\u00edgenas, territ\u00f3rios protegidos pelos povos ancestrais. Mesmo em condi\u00e7\u00f5es de vida muito simples, contestam as propostas de dinheiro, de trabalho nos futuros empreendimentos e as amea\u00e7as de uso da for\u00e7a.<\/p>\n<p>Os camponeses e movimento negro da costa Norte se mobilizaram para enfrentar esses projetos. Mesmo com tudo isso, os setores do campo s\u00e3o parte importante da resist\u00eancia e est\u00e3o fortalecendo a luta com muita mobiliza\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e estudo da realidade e unidade com os setores da resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 militantes sociais de outros pa\u00edses prestando solidariedade ao povo hondurenho?<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es e militantes da It\u00e1lia, Espanha, Inglaterra, Noruega, Estados Unidos, Canad\u00e1, El Salvador, Nicar\u00e1gua, Guatemala, Venezuela, Col\u00f4mbia, Uruguai, Chile e outros muitos, com destaque para Cuba, que mant\u00e9m mais de 250 m\u00e9dicos com trabalho di\u00e1rio nas comunidades mais pobres e carentes de Honduras, um exemplo para todos n\u00f3s e um legado da revolu\u00e7\u00e3o cubana.<\/p>\n<p>A solidariedade \u00e9 um gesto humano e revolucion\u00e1rio, \u00e9 uma forma de estabelecer la\u00e7os com organiza\u00e7\u00f5es populares, construir processos em conjunto e que fortale\u00e7am o trabalho popular, assim como demonstrar que esse povo, golpeado duramente com um golpe civil-militar, n\u00e3o esta s\u00f3. Demonstramos que o termo \u201cHermano\u201d na l\u00edngua espanhola tem significado efetivo.<\/p>\n<p><strong>O que as organiza\u00e7\u00f5es do Brasil podem fazer para prestar solidariedade ao povo e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es hondurenhas?<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das lutas populares e a constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es do povo s\u00e3o permeadas pela rela\u00e7\u00e3o de solidariedade. Em particular a hist\u00f3ria do MST, que \u00e9 um processo constru\u00eddo com a milit\u00e2ncia, com diversos setores em solidariedade e, sobretudo, com uma forte solidariedade internacional.<\/p>\n<p>Neste momento, somos convocados, desde o Brasil e outros povos, a apoiar a luta desse povo, seja declarando esse apoio, como tamb\u00e9m atuando ativamente para que essa luta seja vitoriosa. Isso inclui compartilhar experi\u00eancias de organiza\u00e7\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, de trabalho com amplos setores populares, de m\u00e9todos de trabalho popular.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/node\/10481\" target=\"_blank\">http:\/\/www.mst.org.br\/node\/10481<\/a><\/p>\n<p>*Da P\u00e1gina do MST<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Latuff\n\n\n\n\n\n\n\n\nPor Joana Tavares*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/784\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[30],"tags":[],"class_list":["post-784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c38-honduras"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-cE","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}