{"id":7848,"date":"2015-04-16T21:00:48","date_gmt":"2015-04-16T21:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7848"},"modified":"2017-08-25T00:47:56","modified_gmt":"2017-08-25T03:47:56","slug":"os-brics-e-a-ficcao-da-desdolarizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7848","title":{"rendered":"Os BRICS e a fic\u00e7\u00e3o da &#8220;desdolariza\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/chossudovsky\/imagens\/brics.jpg?w=747\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><strong>por Michel Chossudovsky <\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Nota dos Editores \u2013 o autor desmistifica o \u201cprogressismo\u201d dos BRICS, nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul:<\/strong><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u201c<em>Em muitos aspectos, a \u00cdndia, Brasil e \u00c1frica do Sul s\u00e3o (do ponto de vista monet\u00e1rio) estados servi\u00e7ais <\/em><em>(proxy) <\/em><em>dos EUA, firmemente alinhados com os ditames econ\u00f3micos do FMI-Banco-Mundial-OMC.\u201d <\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>No Brasil, as institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods e a Wall Street t\u00eam dominado a reforma macroecon\u00f3mica desde o in\u00edcio do governo de Lu\u00eds Inacio da Silva, em 2003.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Os media financeiros, bem como segmentos dos media alternativos, est\u00e3o a apontar um poss\u00edvel enfraquecimento do US d\u00f3lar como divisa do com\u00e9rcio mundial devido \u00e0 iniciativa dos BRICS (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China, \u00c1frica do Sul).<\/p>\n<p>Um dos argumentos centrais nestes debate sobre as divisas mundiais em competi\u00e7\u00e3o repousa na iniciativa dos BRICS de criar um banco de desenvolvimento o qual, segundo analistas, desafia a hegemonia da Wall Street e de Washington baseada nas institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods.<\/p>\n<p>O New Development Bank (NDB) do BRICS foi <strong>estabelecido para desafiar os dois principais gigantes ocidentais \u2013 o Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional. <\/strong>O papel chave do NDB \u00e9 servir como um fundo <em>(pool) <\/em>de divisas para projectos de infraestrutura dentro de um grupo de cinco pa\u00edses com grandes economias nacionais a emergirem \u2013 R\u00fassia, Brasil, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul. (RT, 09\/Outubro\/2014, \u00eanfase acrescentada).<\/p>\n<p>Mais recentemente foi enfatizado o papel do novo Asia Infrastructure Investment Bank (AIIB), da China, o qual, segundo informa\u00e7\u00f5es dos media, amea\u00e7a &#8220;transferir o controle financeiro global da Wall Street e da City de Londres para os novos bancos e fundos de desenvolvimento de Pequim e Shangai&#8221;.<\/p>\n<p>Tem havido um bocado de exagero dos media quanto aos BRICS.<\/p>\n<p>Apesar de a cria\u00e7\u00e3o do BRICS ter implica\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas significativas, tanto o AIIB como o proposto banco de desenvolvimento do BRICS (NDB) e seu Esquema de reserva de conting\u00eancia (Contingency Reserve Arrangement, CRA) s\u00e3o entidades denominadas em d\u00f3lar. <strong>A menos que sejam complementadas por um sistema de com\u00e9rcio e cr\u00e9dito com divisas m\u00faltiplas, n\u00e3o amea\u00e7am a hegemonia do d\u00f3lar. <\/strong>Muito pelo contr\u00e1rio, tendem a apoiar e estender empr\u00e9stimos denominados em d\u00f3lar. Al\u00e9m disso, replicam v\u00e1rias caracter\u00edsticas da estrutura de Bretton Woods.<\/p>\n<p><strong>Rumo a um esquema de divisas m\u00faltiplas? <\/strong><\/p>\n<p>Contudo, o que \u00e9 significativo de um ponto de vista geopol\u00edtico \u00e9 que a China e a R\u00fassia est\u00e3o a desenvolver um <em>swap <\/em>rublo-yuan, negociado entre o Banco Central Russo e o Banco Popular da China.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos outros tr\u00eas estados membros do BRICS (Brasil, \u00cdndia, \u00c1frica do Sul) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de <em>swaps <\/em>de divisas (real, rupia, rand) \u00e9 bem diferente. Estes tr\u00eas pa\u00edses altamente endividados est\u00e3o na camisa de for\u00e7a das condicionalidades do FMI-Banco Mundial. Eles n\u00e3o decidem sobre quest\u00f5es fundamentais de pol\u00edtica monet\u00e1ria e reforma macroecon\u00f3mica sem o sinal verde das institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais com sede em Washington.<\/p>\n<p>Swaps de divisas dos bancos centrais BRICS foram activados pela R\u00fassia para:<\/p>\n<p>&#8220;facilitar o financiamento do com\u00e9rcio e evitar totalmente o d\u00f3lar. Ao mesmo tempo, o novo sistema actuar\u00e1 tamb\u00e9m como um substituto de facto do FMI, porque permitir\u00e1 aos membros da alian\u00e7a destinarem recursos para financiar os pa\u00edses mais fracos&#8221;. (Voice of Russia).<\/p>\n<p>Apesar de a R\u00fassia ter levantado formalmente a quest\u00e3o de um esquema multi-divisas, a estrutura do Banco de Desenvolvimento actualmente n\u00e3o reconhece &#8220;oficialmente&#8221; uma tal estrutura:<\/p>\n<p>&#8220;Estamos a discutir com a China e nossos parceiros BRICS o estabelecimento de um sistema de <em>swaps <\/em>multilaterais que permitir\u00e3o transferir recursos para um ou outro pa\u00eds, se necess\u00e1rio. Uma parte das reservas de divisas pode ser destinada a isso [o novo sistema]&#8221;. (Governador do Banco Central da R\u00fassia, Junho de 2014, ag\u00eancia de not\u00edcias Prime)<\/p>\n<p><a name=\"_GoBack\"><\/a> A \u00cdndia, \u00c1frica do Sul e Brasil decidiram n\u00e3o acompanhar um esquema de m\u00faltiplas divisas, <strong>o qual teria permitido o desenvolvimento de com\u00e9rcio bilateral e actividades de investimento entre pa\u00edses BRICS, a operarem fora do \u00e2mbito do cr\u00e9dito denominado em d\u00f3lar. <\/strong>De facto eles n\u00e3o t\u00eam a op\u00e7\u00e3o de adoptar esta decis\u00e3o em vista das estritas condicionalidades de empr\u00e9stimos impostas pelo FMI.<\/p>\n<p>Pesadamente endividados e com o fardo dos seus credores externos, todos os tr\u00eas pa\u00edses s\u00e3o pupilos fi\u00e9is do FMI-Banco Mundial. Os bancos centrais destes pa\u00edses s\u00e3o controlados pela Wall Street e o FMI. Para eles, entrar num esquema de desenvolvimento banc\u00e1rio &#8220;n\u00e3o d\u00f3lar&#8221; ou &#8220;anti-d\u00f3lar&#8221;, com m\u00faltiplas divisas, exigiria aprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do FMI.<\/p>\n<p><strong>O Esquema de Reserva de Conting\u00eancia <\/strong><\/p>\n<p>O CRA \u00e9 definido como uma &#8220;estrutura&#8221; para proporcionar apoio atrav\u00e9s de liquidez e instrumentos cautelares em resposta a reais ou potenciais press\u00f5es de curto prazo na balan\u00e7a de pagamentos&#8221;. ( <a href=\"http:\/\/in.rbth.com\/world\/2015\/04\/07\/russia_to_invest_18_billion_for_currency_stabilization_of_brics_42465.html\">Russia India Report<\/a> , 07\/Abril\/2015). Neste contexto, o fundo CRA n\u00e3o constitui uma &#8220;rede de seguran\u00e7a&#8221; para pa\u00edses BRICS, ele aceita a hegemonia do US d\u00f3lar a qual \u00e9 sustentada por grandes opera\u00e7\u00f5es especulativas nos mercados de divisas e de <em>commodities. <\/em><\/p>\n<p>No essencial o CRA opera de um modo semelhante a um acordo de empr\u00e9stimo cautelar do FMI (ex.: Brasil, Novembro de 1998) tendo em vista permitir pa\u00edses altamente endividados manterem a paridade da sua taxa de c\u00e2mbio com o US d\u00f3lar, pelo reabastecimento das reservas do banco central atrav\u00e9s de dinheiro emprestado.<\/p>\n<p>O CRA exclui a op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do controle cambial por parte dos estados membros do BRICS. No caso da \u00cdndia, Brasil e \u00c1frica do Sul, esta op\u00e7\u00e3o est\u00e1 em grande medida afastada devido aos seus acordos com o FMI.<\/p>\n<p>O fundo CRA de US$100 mil milh\u00f5es, denominado em d\u00f3lares, \u00e9 uma &#8220;bandeja de prata&#8221; para &#8220;especuladores institucionais&#8221; do Ocidente, incluindo o JP Morgan Chase, Deutsche Bank, HSBC, Goldman Sachs et al, os quais est\u00e3o envolvidos em opera\u00e7\u00f5es a descoberto <em>(short selling) <\/em>no mercado Forex. Em \u00faltima an\u00e1lise, o fundo CRA financiar\u00e1 o ataque especulativo no mercado de divisas.<\/p>\n<p><strong>Neoliberalismo firmemente entrincheirado <\/strong><\/p>\n<p>Um esquema que utiliza divisas nacionais ao inv\u00e9s do US d\u00f3lar exige soberania na pol\u00edtica monet\u00e1ria do banco central. Em muitos aspectos, a \u00cdndia, Brasil e \u00c1frica do Sul s\u00e3o (do ponto de vista monet\u00e1rio) estados servi\u00e7ais <em>(proxy) <\/em>dos EUA, firmemente alinhados com os ditames econ\u00f3micos do FMI-Banco-Mundial-OMC.<\/p>\n<p>Vale a pena recordar que desde 1991 a pol\u00edtica macroecon\u00f3mica da \u00cdndia estava sob o controle das institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods, com um antigo respons\u00e1vel do Banco Mundial, Dr. Manmohan Singh, a actuar como ministro das Finan\u00e7as e posteriormente como primeiro-ministro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, apesar de a \u00cdndia ser um aliado da China e da R\u00fassia no \u00e2mbito do BRICS, ela entrou num <a href=\"http:\/\/articles.economictimes.indiatimes.com\/2015-03-13\/news\/60086433_1_defence-minister-manohar-parrikar-defence-cooperation-defence-technology\">novo acordo de coopera\u00e7\u00e3o com o Pent\u00e1gono<\/a> o qual \u00e9 (n\u00e3o oficialmente) dirigido contra a R\u00fassia e a China. E tamb\u00e9m est\u00e1 a cooperar com os EUA na tecnologia aeroespacial. A \u00cdndia constitui o maior mercado (ap\u00f3s a Ar\u00e1bia Saudita) para a venda de sistema de armas estado-unidenses. Todas estas transac\u00e7\u00f5es s\u00e3o em d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Analogamente, em 2010 o Brasil assinou com os EUA um acordo de defesa de longo alcance sob o governo de Lu\u00eds Ign\u00e1cio da Silva, o qual, nas palavras do antigo administrador-director do FMI, Heinrich Koeller, &#8220;\u00c9 o nosso melhor Presidente&#8221;. &#8220;&#8230;sou entusiasta [da administra\u00e7\u00e3o Lula]; mas \u00e9 melhor dizer que estou profundamente impressionado pelo Presidente Lula, realmente, e em particular porque penso que ele tem credibilidade&#8221; (IMF Managing Director Heinrich Koeller, <a href=\"http:\/\/www.imf.org\/external\/np\/tr\/2003\/tr030410.htm\">Press conference<\/a> , 10 April 2003 ).<\/p>\n<p>No Brasil, as institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods e a Wall Street t\u00eam dominado a reforma macroecon\u00f3mica desde o in\u00edcio do governo de Lu\u00eds Inacio da Silva, em 2003. Sob Lula, um executivo da Wall Street foi nomeado presidente do Banco Central, o Banco do Brasil estava nas m\u00e3os de um antigo executivo do CitiGroup. Se bem que haja divis\u00f5es dentro do partido dominante, o PT, o neoliberalismo prevalece. A economia e a sociedade no Brasil s\u00e3o em grande parte ditada pelos credores externos do pa\u00eds, incluindo o JPMorgan Chase, Bank America e Citigroup.<\/p>\n<p><strong>Reservas do banco central <\/strong><\/p>\n<p>A \u00cdndia e o Brasil (juntamente com o M\u00e9xico) est\u00e3o entre os mais endividados pa\u00edses em desenvolvimento do mundo. As reservas cambiais estrangeiras s\u00e3o fr\u00e1geis. A d\u00edvida externa da \u00cdndia em 2013 era da ordem de mais de US$427 milh\u00f5es, a do Brasil era de uns estarrecedores US$482 mil milh\u00f5es ( <a href=\"http:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/DT.DOD.DECT.CD\">World Bank, External Debt Stock, 2013<\/a> ). A d\u00edvida externa da \u00c1frica do Sul era da ordem dos US$140 mil milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Stock de d\u00edvida externa (2013): <\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"2\">\n<colgroup>\n<col \/>\n<col \/> <\/colgroup>\n<\/p>\n<tbody>\n<tr>\n<p><td>Brasil<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$482 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<tr>\n<p><td>\u00cdndia<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$427 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<tr>\n<p><td>\u00c1frica do Sul<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$140 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Todos os tr\u00eas pa\u00edses t\u00eam reservas nos bancos centrais (incluindo ouro e haveres forexs) <strong>que s\u00e3o inferiores \u00e0s suas d\u00edvidas externas. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Reservas no banco central: <\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"2\">\n<colgroup>\n<col \/>\n<col \/> <\/colgroup>\n<\/p>\n<tbody>\n<tr>\n<p><td>Brasil<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$359 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<tr>\n<p><td>\u00cdndia<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$298 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<tr>\n<p><td>\u00c1frica do Sul<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$50 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da \u00c1frica do Sul \u00e9 particularmente prec\u00e1ria, com uma d\u00edvida externa quase tr\u00eas vezes superior \u00e0s reservas do seu banco central.<\/p>\n<p>Isto significa que estes tr\u00eas estados membros dos BRICS est\u00e3o sob o dom\u00ednio dos seus credores ocidentais. Suas reservas no banco central s\u00e3o sustentadas por dinheiro emprestado. Suas opera\u00e7\u00f5es de banco central (ex.: tendo em vista apoiar investimentos internos e programa de desenvolvimento) exigir\u00e3o tomadas de empr\u00e9stimos em US d\u00f3lares. Seus bancos centrais s\u00e3o essencialmente esquemas &#8220;currency board&#8221;, suas divisas nacionais est\u00e3o dolarizadas.<\/p>\n<p><strong>O Banco de Desenvolvimento dos BRICS (NDB) <\/strong><\/p>\n<p>Em 15 de Julho de 2014 o grupo de cinco pa\u00edses assinou um acordo para criar o <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/New_Development_Bank\">Banco de Desenvolvimento BRICS<\/a> com US$100 mil milh\u00f5es, juntamente com um fundo em US d\u00f3lares denominado &#8220;reserve currency pool&#8221; de US$100 mil milh\u00f5es. Estes compromissos foram revistos ulteriormente.<\/p>\n<p>Cada um dos cinco pa\u00edses membros &#8220;espera-se que atribua uma fatia id\u00eantica de US$50 mil milh\u00f5es como capital inicial que ser\u00e1 expandido para US$100 mil milh\u00f5es. A R\u00fassia concordou em proporcionar ao banco US$2 mil milh\u00f5es, a partir do [seu] or\u00e7amento federal ao longo dos sete anos seguintes&#8221; (<a href=\"http:\/\/rt.com\/news\/238981-putin-signs-brics-bank\/\">RT<\/a>, March 9, 2015)<\/p>\n<p>Por sua vez, os compromissos para o Contingency Reserve Arrangement s\u00e3o como se segue:<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"2\">\n<colgroup>\n<col \/> <\/colgroup>\n<\/p>\n<tbody>\n<tr>\n<p><td>Brasil<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$18 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<tr>\n<p><td>R\u00fassia<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$18 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<tr>\n<p><td>\u00cdndia<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$18 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<tr>\n<p><td>China<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$41 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<tr>\n<p><td>\u00c1frica do Sul<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$5 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<tr>\n<p><td>Total<\/td>\n<\/p>\n<p><td>US$100 mil milh\u00f5es<\/td>\n<\/p>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Como mencionado anteriormente, \u00cdndia, Brasil e \u00c1frica do Sul s\u00e3o pa\u00edses pesadamente endividados com reservas de banco central substancialmente abaixo do n\u00edvel da sua d\u00edvida externa. A sua contribui\u00e7\u00e3o para as duas entidades financeiras BRICS pode ser financiada s\u00f3:<\/p>\n<p>&#8211; <strong>exaurindo suas reservas do banco central denominadas em d\u00f3lar <\/strong>e\/ou<\/p>\n<p>&#8211; financiando suas contribui\u00e7\u00f5es para o Banco de Desenvolvimento e o CRA <strong>atrav\u00e9s da contrata\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos, nomeadamente atrav\u00e9s do agravamento da sua d\u00edvida externa denominada em d\u00f3lar. <\/strong><\/p>\n<p>Em qualquer dos casos, a hegemonia do d\u00f3lar prevalece. Por outras palavras, aos credores ocidentais destes pa\u00edses ser\u00e1 exigido &#8220;contribu\u00edrem&#8221; diretamente ou indiretamente para o financiamento das contribui\u00e7\u00f5es denominadas em d\u00f3lar do Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica para o banco de desenvolvimento dos BRICS (NDB) e para o CRA.<\/p>\n<p>No caso da \u00c1frica do Sul que tem reservas do Banco Central da ordem dos 50 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, a contribui\u00e7\u00e3o para o NDB dos BRICS ser\u00e1 inevitavelmente financiada por um aumento da d\u00edvida externa do pa\u00eds (denominada no US d\u00f3lar).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00cdndia, Brasil e \u00c1frica do Sul, sua condi\u00e7\u00e3o de membros no Banco de Desenvolvimento BRICS foi sem d\u00favida objeto de negocia\u00e7\u00f5es a porta fechada com o FMI bem como de garantias de que n\u00e3o se afastariam do &#8220;Consenso de Washington&#8221; sobre a reforma macroecon\u00f3mica.<\/p>\n<p>Sob um esquema pelo qual estes pa\u00edses estivessem no pleno controle da pol\u00edtica monet\u00e1ria dos seus respectivos bancos centrais, as contribui\u00e7\u00f5es para o Banco de Desenvolvimento (NDB) seriam atribu\u00eddas na divisa nacional, ao inv\u00e9s de em US d\u00f3lares, sob um sistema multi-divisas. \u00c9 desnecess\u00e1rio dizer que sob um sistema multi-divisas o fundo de conting\u00eancia CRA n\u00e3o seria necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>As geopol\u00edticas por tr\u00e1s da iniciativa BRICS s\u00e3o cruciais. Se bem que a iniciativa BRICS desde o seu arranque tenha aceitado o sistema d\u00f3lar, isto n\u00e3o exclui a introdu\u00e7\u00e3o, numa etapa posterior, de um sistema de divisas m\u00faltiplas \u2013 o que desafiaria a hegemonia do d\u00f3lar.<\/p>\n<p>08\/Abril\/2015<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em <\/strong><a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/brics-and-the-fiction-of-de-dollarization\/5441301\"><strong>www.globalresearch.ca\/brics-and-the-fiction-of-de-dollarization\/5441301<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/resistir.info\/chossudovsky\/brics_08abr15.html\">http:\/\/resistir.info\/chossudovsky\/brics_08abr15.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Michel Chossudovsky Nota dos Editores \u2013 o autor desmistifica o \u201cprogressismo\u201d dos BRICS, nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7848\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-7848","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-22A","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7848\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}