{"id":7926,"date":"2015-04-27T15:53:38","date_gmt":"2015-04-27T18:53:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7926"},"modified":"2017-08-24T22:56:02","modified_gmt":"2017-08-25T01:56:02","slug":"basta-de-ilusoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7926","title":{"rendered":"Basta de ilus\u00f5es!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/espanha\/imagens\/nova_s_democracia.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><\/p>\n<p><strong>\u2013 A &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; da pequena burguesia<\/strong><\/p>\n<p>por Julio D\u00edaz [*]<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Na sempre complicada gest\u00e3o das alternativas pol\u00edticas num mundo em convuls\u00e3o e em crise, s\u00e3o muitos os fen\u00f3menos que se mostram sob um aspeto bem diferente do que \u00e9 a sua verdadeira realidade.<\/p>\n<p>Trataremos neste texto de desmascarar algumas das verdadeiras identidades desses movimentos emergentes que se apresentam como a alternativa necess\u00e1ria \u00e0 ordem dominante, mas que no essencial reivindicam um falso movimento aparente que n\u00e3o altera em nada as bases materiais desta ordem que, eles mesmos, reconhecem como profundamente injusta.<\/p>\n<p>Indo mais fundo, no seu programa permanentemente alterado e nos seus fr\u00e1geis princ\u00edpios modificados \u00e0 for\u00e7a das declara\u00e7\u00f5es dos seus l\u00edderes, tentando conseguir alguma identidade real de suas propostas e objetivos, chegamos rapidamente \u00e0 conclus\u00e3o de que a sua verdadeira tarefa hist\u00f3rica se limita ao que t\u00e3o claramente define o fil\u00f3sofo e membro de Podemos, Santiago Alba Rico, ao afirmar numa entrevista recente que &#8220;faz falta uma revolu\u00e7\u00e3o, uma revolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o acabar\u00e1 com todas as fontes de opress\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o, mas que nos permitir\u00e1 ser, finalmente, algumas vezes reformistas e quase sempre conservadores&#8221;.<\/p>\n<p>Uma defini\u00e7\u00e3o magistral que, al\u00e9m de marcar os limites reais da sua proposta pol\u00edtica, evidencia com meridiana clareza o seu car\u00e1ter de classe. Uma pequena e m\u00e9dia burguesia n\u00e3o olig\u00e1rquica, condenada \u00e0 extin\u00e7\u00e3o num acelerado e progressivo processo de concentra\u00e7\u00e3o capitalista e que, sofrendo na pr\u00f3pria pele a multiplicidade de contradi\u00e7\u00f5es sociais que um capitalismo decadente cria e agrava, pondo em causa a pr\u00f3pria exist\u00eancia da vida no Planeta, trata de menosprezar a Hist\u00f3ria e negar as necessidades do capitalismo para continuar a reproduzir-se como sistema hegem\u00f3nico. Um capitalismo com rosto humano, de livre concorr\u00eancia, onde os monop\u00f3lios se verguem \u00e0s necessidades dos lojistas e comissionistas e em que estes, em benef\u00edcio da conviv\u00eancia entre cidad\u00e3os brancos e iguais, cedam parte dos seus lucros, atrav\u00e9s de impostos progressivos diretos, para que se mantenham uns bons servi\u00e7os sociais e doa\u00e7\u00f5es significativas para as ONGs para, com isso, tentar conter a onda de famintos que nos destroem o bem-estar burgu\u00eas e a patriarcal mesa familiar de domingo, com o facto de saltarem a cerca de Melilla ou de se afogarem no Mediterr\u00e2neo. Idealismo interessante que, em concorr\u00eancia direta com as necessidades hist\u00f3ricas da classe que tudo produz, \u00e9 aproveitado e\/ou originado pela intelig\u00eancia do sistema para se perpetuar, reproduzindo ilus\u00f5es de alternativa social real e poss\u00edvel \u00e0 margem da acumula\u00e7\u00e3o progressiva de for\u00e7as na luta de classes e da tomada do poder pela classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>O Podemos \u00e9 isto, esta nova socialdemocracia que temos vindo a analisar e que, com seu omnipresente c\u00edrculo roxo, tanto nos faz lembrar as famosas revolu\u00e7\u00f5es coloridas que, desde a Ge\u00f3rgia at\u00e9 \u00e0 Venezuela, passando pela Bielorr\u00fassia e a Ucr\u00e2nia, refletiram a estrat\u00e9gia do imperialismo nas chamadas primaveras \u00e1rabes, nas quais, com diferen\u00e7as significativas entre o que aconteceu no Egito, Tun\u00edsia, L\u00edbia e S\u00edria, ao fim e ao cabo foi o povo que sofreu os mortos, enquanto o imperialismo saiu refor\u00e7ado na sua posi\u00e7\u00e3o geoestrat\u00e9gica. Uma t\u00e1tica imposs\u00edvel, com um percurso t\u00e3o curto como o dos seus irm\u00e3os gregos (Syriza), negociando com a Comiss\u00e3o Europeia e o BCE, e que, para sobreviverem, mais cedo que tarde, ter\u00e3o de assumir as estrat\u00e9gias da oligarquia e do imperialismo para poderem manter-se como altern\u00e2ncia poss\u00edvel dentro do sistema.<\/p>\n<p>Na tese defendida por Esteban Hern\u00e1ndez no seu livro O fim da classe m\u00e9dia e resumida pelo pr\u00f3prio Alba Rico em que esta, a classe m\u00e9dia, se converte num obst\u00e1culo econ\u00f3mico e ideol\u00f3gico para o desenvolvimento do capitalismo e que a esquerda \u00e9 obrigada a considerar e orientar com cariz libertador, no car\u00e1ter &#8220;resistente&#8221; e &#8220;conservador&#8221; desta classe m\u00e9dia, que j\u00e1 n\u00e3o serve para nada, encontra-se a m\u00e3e ideol\u00f3gica desta corrente pol\u00edtica que transita por todo o mundo ganhando adeptos \u00e0 mesma velocidade com que aumenta a sua presen\u00e7a nas telas de televis\u00e3o e a desideologiza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e das suas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais.<\/p>\n<p>S\u00e3o estas as chaves mestras para o debate que hoje deveria ser a conversa de qualquer ativista anticapitalista; e \u00e9 \u00e0 discuss\u00e3o destas chaves mestras que os e as comunistas convidam toda a nossa classe e os outros setores populares, para se iniciar uma aut\u00eantica contraofensiva contra o sistema que, para garantir a sua reprodu\u00e7\u00e3o, nos sonega tudo o que ganh\u00e1mos pela luta. Este quadro, que n\u00e3o contempla atalhos e que, sem d\u00favida, \u00e9 dif\u00edcil e requer compromissos, \u00e9 o \u00fanico que nos permitir\u00e1 avan\u00e7ar no caminho da verdadeira liberta\u00e7\u00e3o social e o \u00fanico capaz de incorporar todos os embates colaterais que se expressam nesta sociedade, como fonte global da Revolu\u00e7\u00e3o e sustent\u00e1culos da principal contradi\u00e7\u00e3o entre o capital e o trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 por isto que, se consideramos que as ideias s\u00f3 se constituem como for\u00e7a no momento em que penetram nas massas, temos de definir como tarefa urgente dotar o movimento comunista internacional com a capacidade de incorporar o projeto de luta pelo Socialismo e pelo poder oper\u00e1rio e popular em largas camadas da popula\u00e7\u00e3o objetivamente prejudicadas pelo capitalismo na sua fase atual de desenvolvimento (imperialismo). Objetivo que nos impele, na hora de intervir publicamente, a ultrapassar os nossos pr\u00f3prios limites e, desde a defesa do nosso programa consequentemente revolucion\u00e1rio, desenvolver uma t\u00e1tica que se sintonize plenamente com o interesse humano geral (objetivamente anticapitalista) e alcan\u00e7ar, assim, a incorpora\u00e7\u00e3o real da classe oper\u00e1ria e dos setores populares na tarefa revolucion\u00e1ria, porque a identificam com a defesa consequente das suas necessidades e interesses concretos. Isto n\u00e3o tem nada a ver com o confusionismo program\u00e1tico reformista, que, oferecendo novas e constantes oportunidades ao sistema, apela aos trabalhadores e ao povo a que tomem parte no projeto coletivo de gente que, sem sombra de d\u00favida, dirige taticamente a pequena e m\u00e9dia burguesia no imediato, mas norteiam e definem estrategicamente o imperialismo e os grandes monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Obama, Syriza, Podemos, Hollande, Dilma, Maidan, Tahrir, Altamira, Homs, Benghazi, cada qual com as suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, dependendo do papel previamente planificado que o povo deveria desempenhar (enchendo pra\u00e7as, derrubando s\u00e1trapas obsoletos, mudando governos nas urnas, provocando golpes de estado ou pegando em armas), unem as suas vozes sob o mesmo grito interclassista de Yes We Can para reformar o sistema e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida de toda a &#8220;gente&#8221;. Seria um bonito sonho n\u00e3o fosse o caso de no capitalismo, em crise, a realidade nos demonstrar de imediato os limites das reformas e obrigar cada um a desempenhar o papel atribu\u00eddo, sem se afastar um mil\u00edmetro do previsto.<\/p>\n<p>Desde 1789 que nas ruas da Fran\u00e7a revolucion\u00e1ria o povo encheu as pra\u00e7as de cad\u00e1veres para levar a ent\u00e3o burguesia emergente no poder; j\u00e1 foram muitas as experi\u00eancias, bem como os mortos, que o povo trabalhador deu para benef\u00edcio \u00faltimo da burguesia. Acabemos com esta espiral destrutiva, na qual se instalaram todos os derrotados que n\u00e3o concebem a possibilidade de, seguindo o caminho aberto pela Comuna e confirmado em 1917, tomar o c\u00e9u de assalto e levar a classe oper\u00e1ria ao Poder, com a miss\u00e3o hist\u00f3rica de destruir este sistema e, sob as suas cinzas, construir o novo e verdadeiro paradigma emancipador e libertador que t\u00e3o urgentemente a Humanidade precisa.<\/p>\n<p>Combatamos a nova socialdemocracia.<\/p>\n<p>31\/Mar\u00e7o\/2015<\/p>\n<p>[*] Do Partido Comunista dos Povos de Espanha (PCPE)<\/p>\n<p>O original encontra-se em www.unidadylucha.es\/&#8230; e a vers\u00e3o em portugu\u00eas em www.pelosocialismo.net<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em http:\/\/resistir.info\/ .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u2013 A &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; da pequena burguesia por Julio D\u00edaz [*]\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7926\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[97],"tags":[],"class_list":["post-7926","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c110-espanha"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-23Q","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7926\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}