{"id":7943,"date":"2015-04-27T16:04:55","date_gmt":"2015-04-27T19:04:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7943"},"modified":"2015-05-04T23:46:52","modified_gmt":"2015-05-05T02:46:52","slug":"carta-aberta-das-farc-ep-ao-presidente-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7943","title":{"rendered":"Carta aberta das FARC-EP ao Presidente Santos"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/assets\/01cba8447243083d6c83e8f01b9865c6449728ba.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/>No discurso de instala\u00e7\u00e3o da \u00faltima sess\u00e3o do Conselho Nacional de Paz, o senhor Presidente Santos manifestou que, pelos acontecimentos em 14 deste m\u00eas em La Esperanza, munic\u00edpio de Buenos Aires, Cauca, a bola fica do lado das FARC. Isto, certamente, referindo-se ao fato de que os comandantes guerrilheiros devem se manifestar e atuar. Isso \u00e9 o que supomos.<!--more--><\/p>\n<p>A este respeito, fomos claros ao manifestar, durante o t\u00e9rmino do ciclo 35 das conversa\u00e7\u00f5es de Havana, que o ocorrido tinha sido uma trag\u00e9dia. \u201cE o foi (afirmamos) porque a guerra \u00e9 uma enorme trag\u00e9dia. Em nossa p\u00e1tria uma trag\u00e9dia de mais de meio s\u00e9culo. Precisamente por isto nos encontramos em Havana\u201d. E colocamos de maneira serena tr\u00eas perguntas: \u201cO que aconteceu? Por que aconteceu? Como aconteceram os fatos do dia 14?\u201d. Isto com a inten\u00e7\u00e3o de manifestar que situa\u00e7\u00f5es de guerra da natureza que se deram precisam ser evitadas a todo custo. Por isso, a seguir, insistimos em reiterar a decis\u00e3o de manter o cessar fogo e de hostilidades unilateral por tempo indefinido. O pa\u00eds pode constatar os benef\u00edcios dessa nossa iniciativa que, para infelicidade da na\u00e7\u00e3o, foi recebida por alguns como \u201cuma rosa cheia de espinhos\u201d. Frase que desde o come\u00e7o nos fez entender que qualquer situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de guerra que possa se dar no caminho teria que ser cobrada sem considera\u00e7\u00f5es de tempo, modo e lugar. Continuamos defendendo a decis\u00e3o pol\u00edtico-militar j\u00e1 tomada. Por\u00e9m, no l\u00f3gico entendimento de que suspendido unilateralmente o fogo sem ter-se solucionado ainda o conflito, se mant\u00e9m o natural direito \u00e0 leg\u00edtima defesa. Ao que est\u00e1 quieto \u00e9 preciso deixar quieto.<\/p>\n<p>Bem registrou o Presidente Santos que \u201c\u00e9 f\u00e1cil, muito f\u00e1cil, continuar falando de guerra sentados em um escrit\u00f3rio ou das trincheiras das redes sociais\u201d. Magn\u00edfica frase para ser considerada quando qualquer contratempo que se apresente no magno projeto da paz leva os inimigos ocultos ou n\u00e3o ocultos da reconcilia\u00e7\u00e3o e os s\u00e1bios de \u00faltima hora em temas desconhecidos para eles a rasgar as vestes e a pedir que sejam mantidas suas comodidades a pre\u00e7o de litros de sangue alheio.<\/p>\n<p>As FARC-EP t\u00eam sido muito claras ao manifestar que a paz \u00e9 um imperativo. E que est\u00e1 em Havana para cumprir o acordado com o governo em 26 de agosto de 2012. Seu conte\u00fado \u00e9 claro. Est\u00e1 ao alcance de quem quer conhecer ou repass\u00e1-lo pelas m\u00eddias eletr\u00f4nicas de comunica\u00e7\u00e3o social. E colocamos a p\u00fablico porque comentaristas de of\u00edcio e v\u00e1rios burocratas, mais empenhados em agregar tempo \u00e0 sua carreira para a aposentadoria que em buscar solu\u00e7\u00f5es ao conflito, pontificam considerando seu pr\u00f3prio parecer sem sequer avaliar o ocorrido em nossa p\u00e1tria nos \u00faltimos sessenta anos.<\/p>\n<p>O processo de paz precisa ser removido pelo outro lado. E r\u00e1pido. Sem recorrer a artefatos habilidosos e sem dila\u00e7\u00f5es injustificadas. O Acordo Geral para o Fim do Conflito \u00e9 claro. Na Agenda encontram-se os instrumentos requeridos para chegar \u00e0 meta desejada. J\u00e1 que a bola est\u00e1 do nosso lado, nos dizeres do doutor Santos, prop\u00f5e-se a acelera\u00e7\u00e3o do processo no entendimento de que, sim, existe um tempo que n\u00e3o pode ser esquecido. A paz n\u00e3o se conquista com um cron\u00f4metro na m\u00e3o, mas sanando quest\u00f5es. No caso de se tratar de rapidez, desde o ciclo 34 de conversa\u00e7\u00f5es, temos todas as propostas referentes a v\u00edtimas sobre a mesa. Dito isto, consideramos, ent\u00e3o, que se devam adiantar alguns passos que precipitem o t\u00e9rmino do conflito, para o qual \u00e9 preciso deixar a subjetividade de lado e ser pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>1 \u2013 Sugerimos ao senhor Presidente, de maneira comedida, que o papel assumido de ativista da paz e fazedor da guerra corresponde mais a seu desejo de aplanar o caminho para uma solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel de reconcilia\u00e7\u00e3o e menos a sua necessidade de acender uma vela para Deus e outra para o diabo. A pol\u00edtica local n\u00e3o deve alterar sua rota. Reconhecemos que o senhor est\u00e1 sendo instigado (para empregar um termo j\u00e1 utilizado por n\u00f3s) e provocado por colunas de opini\u00e3o, microfone, sal\u00f5es sociais, cen\u00e1rios pol\u00edticos e, tamb\u00e9m, por reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como a Vice-presid\u00eancia, de onde se atrevem a indicar-lhe como deve proceder. \u00c9 indispens\u00e1vel a manuten\u00e7\u00e3o de sua serenidade.<\/p>\n<p>2 \u2013 N\u00e3o buscamos entender por que na Mesa se revisam ou postergam decis\u00f5es que foram resolvidas h\u00e1 meses. Exigimos apressar a marcha quando se trata de assuntos de total obviedade. Desde que come\u00e7amos a considerar a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Hist\u00f3rica do Conflito e suas v\u00edtimas at\u00e9 a data de sua integra\u00e7\u00e3o, transcorreu um ano e tr\u00eas meses. E, uma vez entregue o informe, foi imposs\u00edvel dar prosseguimento a suas conclus\u00f5es. O desgaste para conseguir algo t\u00e3o importante para o pa\u00eds e para o fim do conflito \u00e9 inexplic\u00e1vel. Muito mais quando ex-presidentes, o pr\u00f3prio Chefe de Estado e aqueles que sabem da hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia, reconhecem que o conflito se estendeu por mais de cinquenta anos. O afirmam e o reiteram.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe quem, conhecendo os informes dos comissionados \u2013 todos eles vindos de proced\u00eancias d\u00edspares e de origens ideol\u00f3gicas contrapostas \u2013, n\u00e3o conclua que se promove a responsabilidade do Estado por a\u00e7\u00e3o ou por omiss\u00e3o acerca da trag\u00e9dia surgida h\u00e1 d\u00e9cadas e que ainda persiste. Da\u00ed falar de um n\u00famero significativo de criminosos procedentes de setores diversos da sociedade colombiana.<\/p>\n<p>Assim s\u00e3o as coisas. Propomos ao pa\u00eds:<\/p>\n<p>a) Que se difunda massivamente o informe aludido. Imperante esta necessidade urgente, o mesmo deve ser enviado a todos os cantos do pa\u00eds para seu estudo e considera\u00e7\u00e3o. \u00c0s universidades, col\u00e9gios, escolas normais para que, assim, se responda ao fato de que o pa\u00eds retirou de seu curr\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica a hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia. Sem o conhecimento sobre o que aconteceu na p\u00e1tria nos \u00faltimos cinquenta ou sessenta anos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel criar uma consci\u00eancia e uma cultura da paz.<\/p>\n<p>b) Que o senhor Presidente conhe\u00e7a de maneira detalhada o dito documento, denominado <em>Contribui\u00e7\u00e3o ao Entendimento do Conflito Armado na Col\u00f4mbia<\/em>, (Comiss\u00e3o Hist\u00f3rica do Conflito e suas V\u00edtimas), de fevereiro de 2015, e convide a seu gabinete ministerial e funcion\u00e1rios com capacidade de decis\u00e3o para se ocuparem de sua leitura e estudo.<br \/>\nc) A integra\u00e7\u00e3o imediata \u00e0 Mesa de uma comiss\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o dos resultados do informe, do alcance de seu estudo para a paz e da responsabilidade do Estado. Urge faz\u00ea-lo para, precisamente, estabelecer as responsabilidades jur\u00eddico-pol\u00edticas derivadas de seu fundado conte\u00fado.<\/p>\n<p>d) A integra\u00e7\u00e3o imediata de uma comiss\u00e3o que conduza ao cumprimento do subponto 7 do ponto 3 da Agenda sobre o fim do conflito, que diz: <em>\u201c7. No marco do estabelecido no Ponto 5 (V\u00edtimas) deste acordo se esclarecer\u00e1, entre outros, o fen\u00f4meno do paramilitarismo\u201d<\/em>. A comiss\u00e3o a ser criada para informar sobre o fen\u00f4meno do paramilitarismo deve ser integrada na pr\u00f3xima rodada sem demora alguma.<br \/>\ne) N\u00e3o existiu um processo de paz no mundo no qual n\u00e3o se tenha conhecido verdadeiramente o ocorrido antes da assinatura do acordo final. Para isso, sem exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso previamente que se abram os arquivos dos diversos regimes. Por isto, pensando nas v\u00edtimas e no direito nacional e individual \u00e0 verdade, solicitaremos todos os dias e continuaremos insistindo cada vez mais aos plenipotenci\u00e1rios do governo, que sejam abertos os arquivos. Devem se tornar p\u00fablicas as atas dos conselhos de ministros que, desde os anos vinte do s\u00e9culo passado, s\u00e3o guardadas em segredo, como se fosse necess\u00e1rio esconder a hist\u00f3ria para que n\u00e3o existam julgamentos. Que sejam abertos os arquivos da pol\u00edcia secreta, dos agentes da intelig\u00eancia do Estado (SIC, DAS, for\u00e7a p\u00fablica em geral, Minist\u00e9rio da Guerra, hoje de Defesa, no que se refere ao conflito interno, e de Governo, hoje do Interior). Que os arquivos sejam abertos! Pedimos aos plenipotenci\u00e1rios do governo e ao Presidente Santos que no momento em que buscamos conjuntamente a paz, n\u00e3o tenham temor da verdade: que se abram os arquivos!<\/p>\n<p><strong>SECRETARIADO DO ESTADO MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP<\/strong><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No discurso de instala\u00e7\u00e3o da \u00faltima sess\u00e3o do Conselho Nacional de Paz, o senhor Presidente Santos manifestou que, pelos acontecimentos em 14 deste \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7943\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-7943","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-247","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7943\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}