{"id":80,"date":"2009-08-25T13:37:48","date_gmt":"2009-08-25T13:37:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=80"},"modified":"2009-08-25T13:37:48","modified_gmt":"2009-08-25T13:37:48","slug":"as-eleicoes-afegas-farsa-num-pais-ocupado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/80","title":{"rendered":"AS ELEI\u00c7\u00d5ES AFEG\u00c3S: FARSA NUM PA\u00cdS OCUPADO"},"content":{"rendered":"\n<p>Washington tinha manifestado a esperan\u00e7a de que as elei\u00e7\u00f5es seriam \u00ablimpas e massivas\u00bb. Foram sujas e a absten\u00e7\u00e3o foi enorme. Na maioria das Prov\u00edncias multiplicaram-se os ataques armados a lugares estrat\u00e9gicos. Segundo a Comiss\u00e3o Eleitoral Independente (assim se chama), registaram-se uns 135 \u00abincidentes\u00bb em 15 Prov\u00edncias. Balan\u00e7o provis\u00f3rio: 56 mortos. Alguns col\u00e9gios eleitorais foram atingidos por m\u00edsseis. Nas v\u00e9speras o Pal\u00e1cio Presidencial foi bombardeado.<\/p>\n<p>Hamid Karzai- ex funcion\u00e1rio de uma transnacional estadounidense apressou-se a proclamar a sua vitoria por maioria absoluta ,o que dispensaria uma segunda volta em Outubro. Mas o principal advers\u00e1rio, Abdullah Abdullah, tamb\u00e9m reivindicou a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Eleitoral esclareceu que somente come\u00e7ar\u00e1 a divulgar resultados parciais a partir da pr\u00f3xima semana. Os oficiais, n\u00e3o definitivos, n\u00e3o antes de meados de Setembro.<\/p>\n<p>Estavam aptos para votar, oficialmente, mais de 17 milh\u00f5es de cidad\u00e3os. Acontece que as estat\u00edsticas no Afeganist\u00e3o s\u00e3o fantasistas. Atribuem actualmente ao pais 33 milh\u00f5es de habitantes, mas h\u00e1 30 anos o governo revolucion\u00e1rio avaliou -a em apenas 16 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Eleitoral informou que funcionaram 95% das 6 500 sec\u00e7\u00f5es de voto. Ningu\u00e9m acreditou porque muitos dos 364 Distritos est\u00e3o sob controle das guerrilhas.<\/p>\n<p>Estranhamente 70% dos eleitores s\u00e3o do sexo feminino. O absurdo tem uma explica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os maridos que inscrevem as mulheres \u2013 com frequ\u00eancia tr\u00eas ou quatro \u2013 nos cadernos eleitorais. A lei n\u00e3o exige que elas se apresentem no acto de inscri\u00e7\u00e3o. Os cart\u00f5es de eleitor n\u00e3o t\u00eam, ali\u00e1s, fotografia, pelo que o controle \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Correspondentes de jornais europeus revelaram que no mercado negro foram vendidos centenas de milhares de cart\u00f5es, por um pre\u00e7o equivalente a seis euros. Um dos candidatos \u00e0 Presid\u00eancia, o milion\u00e1rio Ashrai Ghani, ex-ministro das Finan\u00e7as, afirma que Karzai recebeu uns 800.000 votos fict\u00edcios do eleitorado feminino.<\/p>\n<p>Como a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 analfabeta, pintavam um dedo aos iletrados ap\u00f3s a vota\u00e7\u00e3o. A tinta utilizada era, por\u00e9m, lav\u00e1vel o que permitiu ao mesmo cidad\u00e3o votar mais de uma vez.<\/p>\n<p>O n\u00famero de candidatos \u00e0 Presid\u00eancia merece registo no Guiness: quatro dezenas!<\/p>\n<p>Como, simultaneamente, 3.195 cidad\u00e3os disputaram as elei\u00e7\u00f5es locais, candidatando-se a conselheiros municipais, a corrup\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia espalharam-se pelo pais como lava a escorrer de um vulc\u00e3o.<\/p>\n<p>Os adeptos de Karzai e Abdullah envolveram-se numa guerra interna. Dezenas de candidatos foram assassinados. O director da campanha de Abdullah foi tamb\u00e9m abatido.<\/p>\n<p>O envolvimento da Presid\u00eancia num feixe de casos de corrup\u00e7\u00e3o (ao irm\u00e3o do chefe do Executivo foi apreendida em casa uma enorme quantidade de hero\u00edna) e a apropria\u00e7\u00e3o pelos seus colaboradores de centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares da \u00abajuda internacional\u00bb levaram Karzai nos \u00faltimos meses a uma revers\u00e3o de alian\u00e7as. Para receber o apoio de grandes chefes tribais que durante anos havia combatido ou deportado (como o uzbeque Rachid Dostum, um genocida) comprou-lhes a consci\u00eancia e os votos. <strong> A EUFORIA E O MEDO DE HAMID KARZAI<\/strong><\/p>\n<p>O Presidente temia o que iria passar-se no dia 20. \u00c0 cautela proibiu os meios de comunica\u00e7\u00e3o social de noticiar actos de viol\u00eancia nas v\u00e9speras e no dia das elei\u00e7\u00f5es. O acesso dos jornalistas \u00e0s sec\u00e7\u00f5es de voto foi tamb\u00e9m interdito e o governo esclareceu que os correspondentes estrangeiros que violassem a proibi\u00e7\u00e3o seriam expulsos.<\/p>\n<p>Logo na manh\u00e3 de sexta-feira, Karzai e os seus ministros principiaram a falar de aflu\u00eancia maci\u00e7a \u00e0s urnas. Alguns media estrangeiros difundiram a noticia. Era falsa. As longas filas de votantes nos col\u00e9gios eleitorais inexistiram.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado a Comiss\u00e3o Eleitoral informou que avaliava a absten\u00e7\u00e3o entre 45 a 50 por cento. Por outras palavras, mais de metade dos eleitores inscritos n\u00e3o teria votado apesar das formid\u00e1veis press\u00f5es oficiais e da atmosfera de intimida\u00e7\u00e3o que se respira num pais ocupado. Enviados especiais das ag\u00eancias Reuters e Efe e de grandes jornais europeus conservadores entre os quais Le Monde, Le F\u00edgaro e El Pais \u2013 sublinharam alias nas suas cr\u00f3nicas que uma gigantesca fraude retirava credibilidade aos resultados a serem divulgados.<\/p>\n<p>Diplomatas ocidentais, segundo Le Monde, avaliaram em 10% a participa\u00e7\u00e3o dos eleitores em certas regi\u00f5es do Sul.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio da UNAMA, a miss\u00e3o de Assist\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Afeganist\u00e3o, publicado no in\u00edcio de Agosto, manifesta grande preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro do pa\u00eds. Na sua opini\u00e3o, o clima de viol\u00eancia em que transcorreu a campanha, marcado por amea\u00e7as, o roubo dos fundos internacionais, assass\u00ednios e uma corrup\u00e7\u00e3o avassaladora desmente o optimismo daqueles que insistem em definir como \u00abdemocr\u00e1ticas\u00bb as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa evid\u00eancia n\u00e3o impediu Barack Obama de as definir como \u00abum \u00eaxito\u00bb logo que se encerraram as urnas.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera, discursando no Arizona, o Presidente dos EUA defendeu uma vez mais a guerra no Afeganist\u00e3o como uma prioridade estrat\u00e9gica, indispens\u00e1vel \u00e0 seguran\u00e7a do povo norte-americano e salientou que a grande tarefa dos militares do seu pais consiste agora na \u00abconquista dos cora\u00e7\u00f5es e do esp\u00edrito dos afeg\u00e3os\u00bb.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o real no pa\u00eds n\u00e3o confirma a esperan\u00e7a de contornos rom\u00e2nticos de Barack Obama.<\/p>\n<p>O novo secret\u00e1rio-geral da NATO, o dinamarqu\u00eas Anders Rasmunssen, manifestou tamb\u00e9m satisfa\u00e7\u00e3o pelo clima que envolveu a jornada eleitoral assegurada pelas \u00abfor\u00e7as de seguran\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o dos correspondentes estrangeiros a grande maioria dos afeg\u00e3os, de todas as etnias, detesta o militares estrangeiros que ocupam o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A popularidade de Karzai em Kabul seria muito baixa. O mesmo n\u00e3o acontece com a imagem dos antigos dirigentes da revolu\u00e7\u00e3o afeg\u00e3. Ren\u00e9 Girard, o enviado de Le F\u00edgaro, informa que na capital n\u00e3o se v\u00ea um retrato do ex-presidente Muhamad Najibullah. Mas isso n\u00e3o impede \u2013 escreve \u2013 que ele seja \u00abde longe o politico mais popular da hist\u00f3ria afeg\u00e3 contempor\u00e2nea\u00bb. <strong> INC\u00d3GNITA: A OP\u00c7\u00c3O DE WASHNGTON<\/strong><\/p>\n<p>O objectivo principal das elei\u00e7\u00f5es era a legitima\u00e7\u00e3o pelo voto da tutela imperial imposta pelos EUA ao povo afeg\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a alta percentagem da absten\u00e7\u00e3o expressou a condena\u00e7\u00e3o da guerra e da caricatura de democracia representativa implantada sob a protec\u00e7\u00e3o das baionetas americanas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de estranhar que a pr\u00f3pria imprensa dos EUA comece a questionar a estrat\u00e9gia de Obama para a Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Cabe recordar que o Presidente enviou para o Afeganist\u00e3o mais 21.000 soldados e alargou os ataques a\u00e9reos \u00e0s zonas tribais do Paquist\u00e3o, habitadas por pachtuns, alegando que funcionam como \u00absantu\u00e1rios dos talib\u00e3s\u00bb.<\/p>\n<p>A nomea\u00e7\u00e3o do general Stanley McChrystal como comandante-chefe na Regi\u00e3o foi alias o pr\u00f3logo da grande ofensiva na Prov\u00edncia do Helmand em que participaram 4.000 marines e tropas de elite brit\u00e2nicas. Entretanto o pr\u00f3prio general \u2013 um boina verde com curr\u00edculo de criminoso de guerra \u2013 reconheceu que essa ofensiva, tendente a criar condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a para as elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o atingiu os seus objectivos. Foi um fracasso militar e pol\u00edtico. As baixas foram muito elevadas. McChrystal abandonou a orat\u00f3ria triunfalista e fala agora de uma \u00abguerra de longa dura\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>A popularidade de Obama (pela primeira vez a rondar os 50%) ressente-se e a sua estrat\u00e9gia afeg\u00e3 \u00e9 cada vez mais contestada.<\/p>\n<p>As grandes cadeias de televis\u00e3o e os di\u00e1rios de influ\u00eancia nacional, como The New York Times e o Washington Post, est\u00e3o conscientes de que a elei\u00e7\u00e3o presidencial colocou a Casa Branca perante uma situa\u00e7\u00e3o dilem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas aumentaram as criticas de altas personalidades da administra\u00e7\u00e3o a Hamid Karzai. O presidente fantoche e corrupto tornou-se muito inc\u00f3modo. Mas em Washington teme-se a situa\u00e7\u00e3o de instabilidade que resultaria da necessidade de um segundo turno se Karzai n\u00e3o obtiver os 50% indispens\u00e1veis \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica.<\/p>\n<p>A resposta \u00e0 inc\u00f3gnita ser\u00e1 conhecida quando a Comiss\u00e3o Eleitoral anunciar o nome do vencedor das elei\u00e7\u00f5es e a vota\u00e7\u00e3o que obteve.<\/p>\n<p>Observadores internacionais acreditam, entretanto, que a decis\u00e3o sobre o nome do futuro presidente ser\u00e1 tomada em Washington.<\/p>\n<p>Houve tantas fraudes nestas fantasm\u00e1ticas elei\u00e7\u00f5es que mais uma, a maior e mais grave de todas, n\u00e3o \u00e9 improv\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>O POVO AFEG\u00c3O SUJEITO DA HIST\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n<p>Foi em l988 , h\u00e1 21 anos, que estive pela ultima vez no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o, abandonada por Gorbatchov, lutava ent\u00e3o para sobreviver.<\/p>\n<p>As \u00faltimas tropas sovi\u00e9ticas retiravam-se do pa\u00eds e a farinha e o petr\u00f3leo come\u00e7avam a escassear. Mas as For\u00e7as Armadas afeg\u00e3s batiam-se com bravura contra os bandos de mujahedines das Sete Organiza\u00e7\u00f5es Sunitas de Peshawar, armadas e financiadas pelos EUA. Reagan recebia na Casa Branca como \u00abcombatentes da liberdade\u00bb os seus chefes, quase todos milion\u00e1rios ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico da droga e a neg\u00f3cios mafiosos.<\/p>\n<p>Osama Ben Laden, ao tempo um desconhecido, era aliado dessa gente; a sua fam\u00edlia mantinha rela\u00e7\u00f5es de amizade com George Bush pai, o vice presidente dos EUA. Os talib\u00e3s ainda n\u00e3o haviam sido criados pela CIA e pelos servi\u00e7os secretos do Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse ano 88 as mo\u00e7as ainda eram mais numerosas do que os homens na Universidade de Kabul. Nos quart\u00e9is da Cordilheira, quando atravessei o Hindu Kush, falei com mulheres que lutavam pela Revolu\u00e7\u00e3o, de fuzil a tiracolo e rosto descoberto. Havia no Governo ministras.<\/p>\n<p>Guardo dessa visita e de outras anteriores recorda\u00e7\u00f5es inapag\u00e1veis.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o tinha expropriado os senhores feudais, entregado a terra e a \u00e1gua aos camponeses (num pais onde nada verde brota da terra sem a \u00e1gua das neves vindas da alta montanha), havia fundado universidades, instalado fabricas, constru\u00eddo milhares de escolas, dignificado as mulheres.<\/p>\n<p>Nem uma s\u00f3 capital das 34 Prov\u00edncias tinha sido conquistada pelos contra-revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso esquecer as vig\u00edlias passadas em Kabul falando da Revolu\u00e7\u00e3o e dos desafios dela insepar\u00e1veis com dirigentes do Partido Democr\u00e1tico Popular, a organiza\u00e7\u00e3o marxista que tomara o Poder uma d\u00e9cada antes. Recordo com saudade alguns desses companheiros, revolucion\u00e1rios exemplares que me ajudaram a compreender a hist\u00f3ria profunda dos povos que viviam h\u00e1 s\u00e9culos nas montanhas, vales e desertos daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Transcorridas duas d\u00e9cadas, tudo isso acabou.<\/p>\n<p>Em Portugal, lendo textos que jornalistas mercen\u00e1rios ou ignorantes escrevem sobre a elei\u00e7\u00e3o farsa n\u00e3o \u00e9 sem dor que imagino a terra afeg\u00e3, invadida ocupada e governada pelos EUA.<\/p>\n<p>Nasceu nas minhas passagens por ali um amor que quase se tornou paix\u00e3o pela hist\u00f3ria da amalgama de povos muito diferentes que somente no s\u00e9culo XVIII passaram a ser designados por afeg\u00e3os.<\/p>\n<p>Escrevi sobre a sua hist\u00f3ria centenas de p\u00e1ginas em livros e jornais.<\/p>\n<p>Ontem, ao ler o que sobre as elei\u00e7\u00f5es disseram o presidente Obama e o general McChrystal subiu em mim uma pergunta: Ter\u00e3o eles a no\u00e7\u00e3o, mesmo superficial, de que o Afeganist\u00e3o \u00e9 hoje talvez o museu arqueol\u00f3gico natural mais rico da humanidade, porque ali sob a terra, inexploradas, se encontram vest\u00edgios \u00fanicos de grandes civiliza\u00e7\u00f5es desaparecidas.<\/p>\n<p>Pensei em cidades Aquem\u00e9nidas da Bactria, ru\u00ednas das polis gregas fundadas pelos veteranos de Alexandre, em muralhas dos persas sass\u00e2nidas, nos Budas gigantes de Bamyan levantados pelos kuchanos vindos do Oriente, em tesouros da estatu\u00e1ria greco-bactriana, nos pal\u00e1cios soterrados dos gahznividas turcos, em mesquitas deslumbrantes dos saf\u00e9vidas, no pr\u00edncipe timurida Babur, fundador do Imp\u00e9rio do Gr\u00e3o Mogol, que em Kabul escreveu uma obra prima da literatura mundial.<\/p>\n<p>E perguntei-me se Obama e o general McChrystal saber\u00e3o que ao longo de vinte e cinco s\u00e9culos incont\u00e1veis gera\u00e7\u00f5es de povos de origem iraniana dos quais descendem os actuais pashtuns e tajiques se bateram pelo direito a serem livres nas montanhas e vales do actual Afeganist\u00e3o contra todos os invasores, desde os persas de Dario, aos americanos de Obama, passando pelos hunos heftalitas, os \u00e1rabes, os mongois de Gengis Khan, os turcos chagatai de Tamerl\u00e3o, os ingleses , os russos do imp\u00e9rio czarista.<\/p>\n<p>D\u00f3i-me escutar o Presidente dos EUA, um homem instru\u00eddo e talvez honesto, a debitar disparates sobre a necessidade de intensificar a guerra no Afeganist\u00e3o para defender a liberdade e a democracia.<\/p>\n<p>D\u00f3i-me, repito, imaginar a barb\u00e1rie ocidental que se abateu sobre a terra e os povos do Afeganist\u00e3o que aprendi a amar.<\/p>\n<p><em>Serpa, 24 de Agosto de 2009<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Miguel Urbano Rodrigues \nAs elei\u00e7\u00f5es presid\u00eancias e locais no Afeganist\u00e3o foram, como se previa, uma farsa dram\u00e1tica.\nMais de 300.000 soldados e pol\u00edcias (100.000 da NATO e da For\u00e7a \u00abLiberdade Duradoura\u00bb exclusivamente constitu\u00edda por tropas norte-americanas) foram mobilizados para garantir o car\u00e1cter \u00abdemocr\u00e1tico\u00bb do processo. Mas o espect\u00e1culo n\u00e3o se desenrolou de acordo com o programa.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/80\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-80","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1i","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}