{"id":8072,"date":"2015-04-29T00:51:48","date_gmt":"2015-04-29T03:51:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8072"},"modified":"2015-05-07T22:43:05","modified_gmt":"2015-05-08T01:43:05","slug":"cinquenta-anos-de-guerras-imperiais-resultados-e-perspectivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8072","title":{"rendered":"Cinquenta Anos de Guerras Imperiais: Resultados e Perspectivas"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/arabnyheter.info\/sv\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/James-Petras.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>James Petras<\/p>\n<p>16.Abr.15<\/p>\n<p>Este artigo constitui uma not\u00e1vel tentativa de sistematiza\u00e7\u00e3o dos processos atrav\u00e9s dos quais os EUA aspiram ao poder global. \u00c9 tanto mais interessante quanto permite constatar que a categoria \u201cimperialismo\u201d, mesmo quando abordada de um ponto de vista que diverge da concep\u00e7\u00e3o marxista-leninista, permite identificar tra\u00e7os e contradi\u00e7\u00f5es essenciais do estado atual do capitalismo. Coisa que n\u00e3o sucede com os ide\u00f3logos que v\u00eam tentando substituir o conceito de imperialismo pela palavra \u201cimp\u00e9rio\u201d.<\/p>\n<p><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 50 anos, os EUA e as pot\u00eancias europeias envolveram-se em in\u00fameras guerras imperiais em todo o mundo. A vontade de supremacia mundial revestiu-se da ret\u00f3rica de \u201clideran\u00e7a do mundo\u201d, cujas consequ\u00eancias foram devastadoras para os povos atingidos. As maiores, mais longas e mais numerosas guerras foram conduzidas pelos Estados Unidos. Presidentes de ambos os partidos dirigem e presidem a esta busca de poder mundial. A ideologia que informa o imperialismo varia do \u201canticomunismo\u201d no passado ao \u201cantiterrorismo\u201d de hoje.<br \/>\nA tend\u00eancia de Washington para o dom\u00ednio mundial utilizou e combinou muitas formas de belicismo, incluindo invas\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es militares, ex\u00e9rcitos de mercen\u00e1rios por procura\u00e7\u00e3o e golpes militares, financiamento a partidos pol\u00edticos, ONG\u2019s e amotina\u00e7\u00f5es de rua, para derrubar governos legalmente constitu\u00eddos. As for\u00e7as motrizes no estado imperial por detr\u00e1s da busca de poder mundial variam com a localiza\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica dos pa\u00edses a atingir.<br \/>\nO que resulta claro da an\u00e1lise do crescimento do imp\u00e9rio americano no \u00faltimo meio s\u00e9culo \u00e9 o relativo decl\u00ednio dos interesses econ\u00f3micos e o aumento das considera\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-militares. Isto \u00e9 em parte devido ao fim dos regimes colectivistas (URSS e Europa Oriental) e a convers\u00e3o ao capitalismo da China e dos regimes de esquerda asi\u00e1ticos, africanos e latino-americanos. O decl\u00ednio das for\u00e7as econ\u00f3micas como for\u00e7a motriz do imperialismo \u00e9 um resultado do advento do neoliberalismo global. A maior parte das multinacionais americanas e europeias n\u00e3o est\u00e3o amea\u00e7adas por nacionaliza\u00e7\u00f5es ou expropria\u00e7\u00f5es que possam desencadear interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do estado imperial. De facto, as empresas multinacionais s\u00e3o convidadas a investir, negociar e explorar os recursos naturais, at\u00e9 por regimes p\u00f3s-neoliberais. Os interesses econ\u00f3micos entram em jogo na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de estado imperiais, se e quando regimes nacionalistas emergem e desafiam as empresas multinacionais americanas, como no caso da Venezuela com o presidente Ch\u00e1vez.<br \/>\nA chave para o crescimento do imp\u00e9rio americano no \u00faltimo meio s\u00e9culo encontra-se na configura\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico, militar e ideol\u00f3gico que acabou por controlar as alavancas do estado imperial. A hist\u00f3ria recente das guerras imperiais dos EUA demonstrou que as prioridades militares estrat\u00e9gicas \u2013 bases militares, or\u00e7amentos e burocracia \u2013 se expandiram muito para al\u00e9m de quaisquer interesses econ\u00f3micos localizados. Al\u00e9m disso, as vastas despesas e as dispendiosas interven\u00e7\u00f5es militares do estado imperial dos EUA no M\u00e9dio-Oriente foram feitas \u00e0s ordens de Israel. A deten\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas estrat\u00e9gicas no ramo do executivo e no Congresso pela poderosa configura\u00e7\u00e3o de poder sionista nos EUA refor\u00e7ou a predomin\u00e2ncia dos interesses militares sobre os econ\u00f3micos.<br \/>\nA \u201cprivatiza\u00e7\u00e3o\u201d das guerras imperiais \u2013 o vasto crescimento e utiliza\u00e7\u00e3o de mercen\u00e1rios contratados pelo Pent\u00e1gono \u2013 levou \u00e0 grande pilhagem de dezenas de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares do Tesouro dos EUA. Empresas de grande dimens\u00e3o que fornecem combatentes militares mercen\u00e1rios tornaram-se uma for\u00e7a muito \u201cinfluente\u201d na concep\u00e7\u00e3o da natureza e nas consequ\u00eancias do crescimento do imp\u00e9rio dos EUA.<br \/>\nOs estrategas militares, os defensores dos interesses coloniais israelitas no M\u00e9dio-Oriente, as empresas mercen\u00e1rias militares e de informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o atores centrais do estado imperial e \u00e9 a sua influ\u00eancia na tomada de decis\u00f5es que explica porqu\u00ea as guerras imperiais dos EUA n\u00e3o t\u00eam como resultado um imp\u00e9rio politicamente est\u00e1vel e economicamente pr\u00f3spero. Em vez disso, as suas pol\u00edticas t\u00eam tido como resultado economias inst\u00e1veis, devastadas e em perp\u00e9tua convuls\u00e3o.<br \/>\nProsseguimos identificando as \u00e1reas e regi\u00f5es em mudan\u00e7a no crescimento do imp\u00e9rio dos EUA de meados dos anos 70 at\u00e9 \u00e0 atualidade. Examinaremos ent\u00e3o os m\u00e9todos, for\u00e7as motrizes e resultados da expans\u00e3o imperial. Voltaremos depois a descrever o corrente mapa geopol\u00edtico do crescimento do imp\u00e9rio e a natureza variada da resist\u00eancia anti-imperialista. Concluiremos examinando o como e o porqu\u00ea do crescimento do imp\u00e9rio e, mais particularmente, as consequ\u00eancias e resultados da expans\u00e3o imperial dos EUA durante meio s\u00e9culo.<br \/>\n<b>O Imperialismo no per\u00edodo p\u00f3s-Vietnam: Guerras por procura\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Central, no Afeganist\u00e3o e no sul de \u00c1frica<\/b><br \/>\nA derrota imperialista na Indochina marca o fim de uma fase do crescimento do imp\u00e9rio e o come\u00e7o de outra: uma mudan\u00e7a das invas\u00f5es territoriais para guerras por procura\u00e7\u00e3o. Uma opini\u00e3o p\u00fablica nacional hostil obstou guerras terrestres de grande escala. Iniciando-se durante as presid\u00eancias de Gerald Ford e James Carter, o estado imperial dos EUA passou a confiar cada vez mais em clientes por procura\u00e7\u00e3o. Recrutou, financiou e armou for\u00e7as militares por procura\u00e7\u00e3o para a destrui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios regimes e movimentos revolucion\u00e1rios nacionalistas e sociais nos tr\u00eas continentes. Washington financiou e armou for\u00e7as extremistas isl\u00e2micas em todo o mundo, para invadirem e destru\u00edrem o regime secular e modernizador apoiado pelos sovi\u00e9ticos no Afeganist\u00e3o, com apoio log\u00edstico dos militares e das ag\u00eancias de informa\u00e7\u00e3o paquistanesas e a sustenta\u00e7\u00e3o financeira da Ar\u00e1bia Saudita.<br \/>\nA segunda interven\u00e7\u00e3o por procura\u00e7\u00e3o foi no sul da \u00c1frica, onde o estado imperial dos EUA financiou e armou for\u00e7as por procura\u00e7\u00e3o contra os regimes anti-imperialistas em Angola e Mo\u00e7ambique, em alian\u00e7a com a \u00c1frica do Sul.<br \/>\nA terceira interven\u00e7\u00e3o por procura\u00e7\u00e3o teve lugar na Am\u00e9rica Central, onde os EUA financiaram, armaram e treinaram esquadr\u00f5es da morte assassinos nos regimes da Nicar\u00e1gua, El Salvador, Guatemala e Honduras, para dizimarem movimentos populares e revoltas armadas, resultando em mais de 300 mil mortes civis.<br \/>\nA \u201cestrat\u00e9gia da procura\u00e7\u00e3o\u201d do estado imperial dos EUA estendeu-se \u00e0 Am\u00e9rica do Sul: a CIA e o Pent\u00e1gono apoiaram golpes militares que tiveram lugar no Uruguai (general Alvarez), no Chile (general Pinochet), na Argentina (general Videla), na Bol\u00edvia (general Banzer) e no Peru (general Morales). O crescimento do imp\u00e9rio atrav\u00e9s de procuradores foi largamente por conta das empresas multinacionais americanas que foram os principais atores no estabelecimento de prioridades no estado imperial ao longo deste per\u00edodo.<br \/>\nA acompanhar as guerras por procura\u00e7\u00e3o, foram as invas\u00f5es militares diretas: a pequena ilha de Granada (1983) e o Panam\u00e1 (1989) com os presidentes Reagan e Bush S\u00eanior. Alvos f\u00e1ceis, com poucas baixas e despesas militares de baixo custo: ensaios para o relan\u00e7amento de opera\u00e7\u00f5es militares de envergadura no futuro pr\u00f3ximo.<br \/>\nO que \u00e9 not\u00e1vel sobre as \u201cguerras por procura\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 a desigualdade de resultados. Os resultados na Am\u00e9rica Central, no Afeganist\u00e3o e em \u00c1frica n\u00e3o conduziram a neocol\u00f3nias pr\u00f3speras, nem se provaram lucrativos para as empresas multinacionais americanas. Pelo contr\u00e1rio, os golpes por procura\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul levaram a privatiza\u00e7\u00f5es em grande escala e lucros para essas empresas.<br \/>\nA guerra por procura\u00e7\u00e3o no Afeganist\u00e3o levou ao crescimento e \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do \u201cregime isl\u00e2mico\u201d Taliban, que se op\u00f4s tanto \u00e0 influ\u00eancia sovi\u00e9tica como \u00e0 expans\u00e3o imperial dos EUA. O crescimento e consolida\u00e7\u00e3o do nacionalismo isl\u00e2mico desafiaram por sua vez os aliados dos EUA no sul da \u00c1sia e na regi\u00e3o do Golfo e levaram depois a uma invas\u00e3o militar americana em 2001 e a uma guerra prolongada (15 anos) e ainda por concluir e, muito provavelmente, a uma retirada e derrota. Os principais benefici\u00e1rios econ\u00f3micos foram os clientes pol\u00edticos do Afeganist\u00e3o, os \u201cempreiteiros\u201d militares mercen\u00e1rios americanos, os oficiais militares intermedi\u00e1rios e os administradores civis coloniais que pilharam centenas de milhares de milh\u00f5es do Tesouro dos EUA em transa\u00e7\u00f5es ilegais e fraudulentas.<br \/>\nA pilhagem do Tesouro dos EUA n\u00e3o beneficiou de nenhuma forma as empresas multinacionais n\u00e3o-militares. De facto, a guerra e o movimento de resist\u00eancia minaram qualquer entrada de maior escala e de longo prazo do capital privado dos EUA no Afeganist\u00e3o e nas regi\u00f5es fronteiri\u00e7as adjacentes do Paquist\u00e3o.<br \/>\nA guerra por procura\u00e7\u00e3o no sul da \u00c1frica devastou as economias locais, especialmente a economia agr\u00edcola nacional, deslocou milh\u00f5es de trabalhadores e agricultores, e privou as empresas petrol\u00edferas americanas de penetra\u00e7\u00e3o por mais de duas d\u00e9cadas. O resultado \u201cpositivo\u201d foi a desradicaliza\u00e7\u00e3o da anterior elite revolucion\u00e1ria nacionalista. No entanto, a convers\u00e3o pol\u00edtica dos \u201crevolucion\u00e1rios\u201d do sul da \u00c1frica ao neoliberalismo n\u00e3o beneficiou tanto as empresas multinacionais dos EUA como os dirigentes transformados em oligarcas cleptocr\u00e1ticos que montaram regimes patrimoniais em associa\u00e7\u00e3o com uma cole\u00e7\u00e3o diversificada de empresas multinacionais, especialmente da \u00c1sia e Europa.<br \/>\nAs guerras por procura\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Central tiveram resultados diversos. Na Nicar\u00e1gua, a revolu\u00e7\u00e3o sandinista derrotou o regime de Somoza apoiado pelos EUA e Israel, mas enfrentou logo em seguida um ex\u00e9rcito contra-revolucion\u00e1rio mercen\u00e1rio, financiado, armado e treinado pelos EUA com base nas Honduras (os \u201cContras\u201d). A guerra dos EUA destruiu muitos dos projetos econ\u00f3micos progressistas, minou a economia e mais tarde levou a uma vit\u00f3ria eleitoral da cliente pol\u00edtica apoiada pelos EUA Violeta Chamorro. Duas d\u00e9cadas mais tarde, os procuradores dos EUA foram derrotados por uma coliga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desradicalizada encabe\u00e7ada pelos sandinistas.<br \/>\nEm El Salvador, na Guatemala e em Honduras, as guerras dos EUA por procura\u00e7\u00e3o levaram \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de regimes clientes presidindo \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da economia produtiva e \u00e0 fuga de milh\u00f5es de refugiados de guerra para os Estados Unidos. O dom\u00ednio imperial dos EUA corroeu as bases para um mercado de trabalho produtivo que originou o crescimento de gangues da droga assassinos.<br \/>\nEm resumo, as guerras dos EUA por procura\u00e7\u00e3o conseguiram na maior parte dos casos evitar o aparecimento de regimes nacionalistas de esquerda, mas levaram tamb\u00e9m \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das bases econ\u00f3micas e pol\u00edticas de um imp\u00e9rio est\u00e1vel e pr\u00f3spero de neocol\u00f3nias.<br \/>\n<b>O Imperialismo Americano na Am\u00e9rica Latina: Mudan\u00e7a na Estrutura, Conting\u00eancias Externas e Internas, Altera\u00e7\u00e3o de Prioridades e Constrangimentos Globais<\/b><\/p>\n<p>Para se entender as opera\u00e7\u00f5es, a estrutura e o desempenho do imperialismo dos EUA na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer a constela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de for\u00e7as em competi\u00e7\u00e3o que conformaram as pol\u00edticas do estado imperial. Ao contr\u00e1rio do M\u00e9dio-Oriente, onde a fac\u00e7\u00e3o sionista-militarista conseguiu hegemonia, na Am\u00e9rica Latina as empresas multinacionais desempenharam um papel proeminente na dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de estado imperial. Na Am\u00e9rica Latina, os militaristas desempenharam um papel mais apagado, constrangidos por (1) o poder das empresas multinacionais, (2) as mudan\u00e7as no poder pol\u00edtico na Am\u00e9rica Latina da direita para o centro-esquerda e (3) o impacto das crises econ\u00f3micas e o boom de mercadorias.<br \/>\nEm contraste com o M\u00e9dio-Oriente, a configura\u00e7\u00e3o do poder sionista teve pouca influ\u00eancia sobre a pol\u00edtica de estado imperial, visto que os interesses de Israel est\u00e3o focados no M\u00e9dio-Oriente e, com a poss\u00edvel exce\u00e7\u00e3o da Argentina, a Am\u00e9rica Latina n\u00e3o \u00e9 uma prioridade.<br \/>\nDurante mais de s\u00e9culo e meio, as empresas multinacionais e os bancos americanos dominaram e ditaram a pol\u00edtica imperial dos EUA para a Am\u00e9rica Latina. As for\u00e7as armadas dos EUA e a CIA foram instrumentos de imperialismo econ\u00f3mico atrav\u00e9s da interven\u00e7\u00e3o direta (invas\u00f5es), \u201cgolpes militares\u201d por procura\u00e7\u00e3o ou uma combina\u00e7\u00e3o de ambos.<br \/>\nO poder econ\u00f3mico imperial dos EUA na Am\u00e9rica Latina atingiu o pico entre 1975-1999. Os estados-vassalos e a clientela dirigente foram impostos atrav\u00e9s de golpes militares por procura\u00e7\u00e3o, invas\u00f5es militares diretas (Rep\u00fablica Dominicana, Panam\u00e1 e Granada) e elei\u00e7\u00f5es controladas civil e militarmente.<br \/>\nOs resultados foram o desmantelamento do estado social e a imposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas neoliberais. O estado imperial conduzido pelas empresas multinacionais e seus ap\u00eandices financeiros internacionais (FMI, BM, IDB) privatizou sectores econ\u00f3micos estrat\u00e9gicos lucrativos, dominou o com\u00e9rcio e projetou um esquema de integra\u00e7\u00e3o regional que iria codificar o dom\u00ednio imperial dos EUA.<br \/>\nA expans\u00e3o econ\u00f3mica imperial na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o foi simplesmente um resultado da din\u00e2mica interna e das estruturas das corpora\u00e7\u00f5es multinacionais, mas dependeu de (1) a receptividade do pa\u00eds \u201chospedeiro\u201d ou, mais precisamente, da correla\u00e7\u00e3o interna das for\u00e7as de classe na Am\u00e9rica Latina, que por sua vez giravam \u00e0 volta (2) do desempenho da economia \u2013 seu crescimento e susceptibilidade \u00e0s crises.<br \/>\nA Am\u00e9rica Latina demonstrou que conting\u00eancias como a perda de regimes clientes e classes colaboradoras podem ter um profundo impacto negativo na din\u00e2mica do imperialismo, minando o poder do estado imperial e invertendo o avan\u00e7o econ\u00f3mico das empresas multinacionais.<br \/>\nO avan\u00e7o do imperialismo econ\u00f3mico americano durante o per\u00edodo 1975-2000 foi manifesto na adop\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas neoliberais, na pilhagem de recursos naturais, no aumento de d\u00edvida il\u00edcita e na transfer\u00eancia do estrangeiro de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares. Contudo, a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e propriedade precipitou uma profunda crise socioecon\u00f3mica atrav\u00e9s da regi\u00e3o que mais tarde levou ao derrube ou afastamento de colaboradores imperiais no Equador, na Bol\u00edvia, na Venezuela, na Argentina, no Brasil, no Uruguai, no Paraguai e na Nicar\u00e1gua. Poderosos movimentos sociais anti-imperialistas, especialmente no campo, emergiram no Brasil e nos pa\u00edses andinos. Movimentos urbanos de trabalhadores desempregados e sindicatos de funcion\u00e1rios p\u00fablicos na Argentina e no Uruguai foram pontas de lan\u00e7a para altera\u00e7\u00f5es eleitorais, trazendo ao poder regimes de centro-esquerda que \u201crenegociaram\u201d as rela\u00e7\u00f5es com o estado imperial dos EUA.<br \/>\nA influ\u00eancia das multinacionais americanas na Am\u00e9rica Latina desapareceu. N\u00e3o podiam contar com a bateria completa de recursos militares do estado imperial para intervir e voltar a impor clientes neoliberais devido \u00e0s suas prioridades militares noutros pontos: M\u00e9dio-Oriente, sul da \u00c1sia e norte de \u00c1frica.<br \/>\nAo contr\u00e1rio do passado, as multinacionais americanas na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o tinham dois apoios essenciais do poder: o apoio completo das for\u00e7as armadas dos EUA e clientes civis-militares poderosos na Am\u00e9rica Latina.<br \/>\nO plano das empresas multinacionais americanas para a integra\u00e7\u00e3o centrada nos EUA foi rejeitado pelos regimes de centro-esquerda. O estado imperial voltou-se para acordos de com\u00e9rcio livre bilaterais com o M\u00e9xico, o Chile, a Col\u00f4mbia, o Panam\u00e1 e o Peru. Como resultado das crises econ\u00f3micas e colapso da maior parte das economias latino-americanas, o \u201cneoliberalismo\u201d como ideologia da penetra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica imperial ficou desacreditado. Os advogados neoliberais foram marginalizados.<br \/>\nAs mudan\u00e7as na economia mundial tiveram um profundo impacto no com\u00e9rcio entre EUA e Am\u00e9rica Latina e nas rela\u00e7\u00f5es de investimento. O din\u00e2mico crescimento da China e a subsequente explos\u00e3o da procura e o aumento de pre\u00e7o das mercadorias levaram a um s\u00fabito decl\u00ednio do dom\u00ednio americano dos mercados latino-americanos.<br \/>\nO diversificado com\u00e9rcio dos estados latino-americanos procurou e conquistou novos mercados estrangeiros, especialmente na China. O aumento dos rendimentos da exporta\u00e7\u00e3o criou maior capacidade para o autofinanciamento. O FMI, o BM e o IDB, instrumentos econ\u00f3micos de alavancagem das imposi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas americanas (\u201ccondicionalidade\u201d) foram postos de lado.<br \/>\nO estado imperial dos EUA enfrentou regimes latino-americanos que abra\u00e7aram diferentes op\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, mercados e fontes de financiamento. Com poderoso apoio popular interno e comando unificado civil-militar, a Am\u00e9rica Latina moveu-se a pouco e pouco para fora da esfera de dom\u00ednio imperialista dos EUA.<br \/>\nO estado imperial e as suas empresas multinacionais, profundamente influenciadas pelo seu \u201c\u00eaxito\u201d nos anos 90, responderam ao decl\u00ednio de influ\u00eancia continuando por \u201ctentativa e erro\u201d em face dos constrangimentos negativos do s\u00e9c. XXI. Os estrategos pol\u00edticos apoiados pelas empresas multinacionais do estado imperial continuaram a apoiar os regimes neoliberais em colapso, perdendo toda a credibilidade na Am\u00e9rica Latina. O estado imperial falhou na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as, agudizando a oposi\u00e7\u00e3o de regimes populares e de centro-esquerda aos \u201clivres mercados\u201d e \u00e0 desregula\u00e7\u00e3o dos bancos. N\u00e3o foi preparado qualquer programa de ajuda econ\u00f3mica de grande escala para vencer o centro-esquerda que fosse compar\u00e1vel ao esfor\u00e7o do presidente Kennedy para contrariar a atra\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da revolu\u00e7\u00e3o cubana pela promo\u00e7\u00e3o de reformas sociais atrav\u00e9s da \u201cAlian\u00e7a para o Progresso\u201d, provavelmente devido a restri\u00e7\u00f5es or\u00e7amentais resultantes das dispendiosas guerras noutros pontos.<br \/>\nA queda dos regimes neoliberais, cola que mantinha unidas as diversas fac\u00e7\u00f5es do estado imperial, levou a propostas rivais sobre como recuperar o dom\u00ednio. A \u201cfac\u00e7\u00e3o militarista\u201d virou-se para e reviveu a f\u00f3rmula do golpe militar para a restaura\u00e7\u00e3o desse dom\u00ednio: foram organizados golpes na Venezuela, no Equador, na Bol\u00edvia, nas Honduras e no Paraguai\u2026 todos derrotados com exce\u00e7\u00e3o dos dois \u00faltimos. A derrota dos procuradores dos EUA levou \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o dos regimes de centro-esquerda independentes e anti-imperialistas. Mesmo o \u201c\u00eaxito\u201d do golpe americano nas Honduras resultou numa grande derrota diplom\u00e1tica, visto que todos os governos o condenaram e ao papel dos EUA, isolando ainda mais Washington na regi\u00e3o.<br \/>\nA derrota da estrat\u00e9gia militarista deu for\u00e7a \u00e0 fac\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-diplom\u00e1tica do estado imperial. Com aberturas positivas a regimes ostensivamente \u201ccentro-esquerda\u201d, esta fac\u00e7\u00e3o ganhou peso diplom\u00e1tico, manteve as liga\u00e7\u00f5es militares e aprofundou a expans\u00e3o das empresas multinacionais no Uruguai, no Brasil, no Chile e no Peru. Com os dois \u00faltimos pa\u00edses, a fac\u00e7\u00e3o imperialista econ\u00f3mica do estado imperial garantiu acordos bilaterais de com\u00e9rcio livre.<br \/>\nUma terceira fac\u00e7\u00e3o multinacionais-militar, sobrepondo-se \u00e0s outras duas, combinou arranjos pol\u00edtico-diplom\u00e1ticos com Cuba com uma estrat\u00e9gia agressiva de desestabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica visando a \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d (golpe) na Venezuela.<br \/>\nA heterogeneidade das fac\u00e7\u00f5es do estado imperial e das suas orienta\u00e7\u00f5es rivais reflete a complexidade de interesses envolvidos no crescimento do imp\u00e9rio na Am\u00e9rica Latina e resulta em pol\u00edticas aparentemente contradit\u00f3rias, fen\u00f3meno menos evidente no M\u00e9dio-Oriente onde a configura\u00e7\u00e3o de poder militarista-sionista domina a decis\u00e3o pol\u00edtica imperial.<br \/>\nPor exemplo, a promo\u00e7\u00e3o de bases militares e de opera\u00e7\u00f5es de contra-revolu\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia (prioridade da fac\u00e7\u00e3o militarista) \u00e9 acompanhada por acordos bilaterais de livre com\u00e9rcio e negocia\u00e7\u00f5es de paz entre o regime de Santos e a revolu\u00e7\u00e3o armada das FARC (prioridade da fac\u00e7\u00e3o multinacionais).<br \/>\nA recupera\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio imperial na Argentina envolve (1) promover as possibilidades eleitorais do governador neoliberal de Buenos Aires, Macri, (2) apoiar o conglomerado de meios de comunica\u00e7\u00e3o pr\u00f3-imperiais Clarin a resistir \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o que acaba com o seu monop\u00f3lio, (3) explorar a morte do procurador e colaborador da CIA-Mossad Alberto Nisman, para desacreditar o regime Kirchner-Fernandez, e (4) apoiar o fundo de investimento (abutre) dos especuladores de New York que tenta extrair pagamentos de juros exorbitantes e, com a ajuda de duvidosa doutrina jur\u00eddica, bloquear o acesso da Argentina aos mercados financeiros.<br \/>\nTanto a fac\u00e7\u00e3o militarista, como a das multinacionais do estado imperial convergem no apoio \u00e0 estrat\u00e9gia de m\u00faltiplo efeito eleitoral-golpista, que procura restaurar no poder regimes neoliberais controlados pelos EUA.<br \/>\nAs conting\u00eancias que evitaram a recupera\u00e7\u00e3o do poder imperial na d\u00e9cada passada est\u00e3o agora a atuar ao contr\u00e1rio. A baixa nos pre\u00e7os das mercadorias enfraqueceu os regimes p\u00f3s-neoliberais na Venezuela, na Argentina e no Equador. O retrocesso dos movimentos anti-imperialistas resultante da t\u00e1ctica de coopta\u00e7\u00e3o do centro-esquerda fortaleceu os movimentos e manifestantes de rua de direita apoiados pelo estado imperial. O decl\u00ednio do crescimento chin\u00eas enfraqueceu as estrat\u00e9gias latino-americanas de diversifica\u00e7\u00e3o de mercados. A balan\u00e7a interna das for\u00e7as de classe inclinou-se para a direita, para os clientes pol\u00edticos apoiados pelos EUA no Brasil, na Argentina, no Peru e no Paraguai.<\/p>\n<p><b>Reflex\u00f5es Te\u00f3ricas sobre o Crescimento do Imp\u00e9rio na Am\u00e9rica Latina<\/b><\/p>\n<p>O crescimento do imp\u00e9rio americano na Am\u00e9rica Latina \u00e9 um processo c\u00edclico, refletindo as mudan\u00e7as no poder pol\u00edtico e a reestrutura\u00e7\u00e3o da economia mundial \u2013 for\u00e7as e fatores que \u201cultrapassam\u201d o estado imperial e a tend\u00eancia do capital para a acumula\u00e7\u00e3o. A acumula\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o do capital n\u00e3o dependem simplesmente das for\u00e7as impessoais \u201cdo mercado\u201d, porque as rela\u00e7\u00f5es sociais sob as quais o \u201cmercado\u201d funciona operam segundo as condi\u00e7\u00f5es da luta de classes.<br \/>\nA pe\u00e7a central das atividades do estado imperial, designadamente as guerras territoriais prolongadas no M\u00e9dio-Oriente, est\u00e1 ausente da Am\u00e9rica Latina. A for\u00e7a motriz da pol\u00edtica do estado imperial dos EUA \u00e9 a procura de recursos (agrominerais), for\u00e7a de trabalho (trabalhadores por conta pr\u00f3pria de baixo sal\u00e1rio) e mercados (dimens\u00e3o e poder de compra de 600 milh\u00f5es de consumidores). Os interesses econ\u00f3micos das empresas multinacionais s\u00e3o a raz\u00e3o da expans\u00e3o imperial.<br \/>\nAinda que, de um ponto de vista da vantagem geoestrat\u00e9gica, as Cara\u00edbas, a Am\u00e9rica Central e tamb\u00e9m a Am\u00e9rica do Sul estejam localizadas bastante pr\u00f3ximo dos EUA, s\u00e3o os objetivos econ\u00f3micos e n\u00e3o militares os que predominam.<br \/>\nContudo, a fac\u00e7\u00e3o militar-sionista do estado imperial ignora estas raz\u00f5es econ\u00f3micas tradicionais e escolhe deliberadamente atuar segundo outras prioridades \u2013 controle das regi\u00f5es produtoras de petr\u00f3leo, destrui\u00e7\u00e3o de pa\u00edses ou movimentos isl\u00e2micos, ou simplesmente elimina\u00e7\u00e3o de advers\u00e1rios anti-imperialistas. A fac\u00e7\u00e3o militar-sionista conta os \u201cbenef\u00edcios\u201d para Israel e a supremacia militar no M\u00e9dio-Oriente mais importantes do que garantir a supremacia econ\u00f3mica dos EUA na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 este claramente o caso, se medirmos as prioridades imperiais pelos recursos estatais despendidos na prossecu\u00e7\u00e3o de objetivos pol\u00edticos.<br \/>\nMesmo considerando o objetivo da \u201cseguran\u00e7a nacional\u201d, interpretada no seu sentido mais vasto de garantir a seguran\u00e7a do territ\u00f3rio nacional do imp\u00e9rio, o assalto militar americano aos pa\u00edses isl\u00e2micos impulsionado pela correspondente ideologia islamof\u00f3bica, as resultantes matan\u00e7as em massa e a desloca\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es nos povos isl\u00e2micos levaram a um efeito de resposta: o terrorismo rec\u00edproco. As \u201cguerras totais\u201d americanas contra civis provocaram assaltos isl\u00e2micos contra cidad\u00e3os ocidentais.<br \/>\nOs pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina visados pelo imperialismo econ\u00f3mico s\u00e3o menos beligerantes do que os pa\u00edses do M\u00e9dio-Oriente visados pelos militaristas dos EUA. Uma an\u00e1lise custo\/benef\u00edcio demonstraria a natureza totalmente \u201cirracional\u201d da estrat\u00e9gia militarista. Contudo, se tivermos em considera\u00e7\u00e3o a composi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e os interesses que motivam particularmente os estrategos pol\u00edticos do estado imperial, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de \u201cracionalidade\u201d perversa. Os militaristas defendem a \u201cracionalidade\u201d das dispendiosas e infind\u00e1veis guerras referindo as vantagens da apropria\u00e7\u00e3o das \u201cportas do petr\u00f3leo\u201d e os sionistas referem o seu \u00eaxito no aumento do poder regional de Israel.<br \/>\nEnquanto a Am\u00e9rica Latina foi durante mais de um s\u00e9culo uma regi\u00e3o priorit\u00e1ria para a conquista econ\u00f3mica do imp\u00e9rio, no s\u00e9culo XXI perdeu a sua primazia para o M\u00e9dio-Oriente.<\/p>\n<p><b>O Desaparecimento da URSS e a convers\u00e3o da China ao Capitalismo<\/b><\/p>\n<p>O maior impulso para o \u00eaxito da expans\u00e3o imperial americana n\u00e3o teve lugar atrav\u00e9s de guerras por procura\u00e7\u00e3o ou invas\u00f5es militares. Em vez disso, o imp\u00e9rio dos EUA atingiu o seu maior crescimento e conquistas com a ajuda de l\u00edderes pol\u00edticos clientes e de organiza\u00e7\u00f5es e estados vassalos ao longo da ex-URSS, da Europa ocidental, dos estados b\u00e1lticos, dos Balc\u00e3s e do C\u00e1ucaso. A penetra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a longo prazo e em larga escala dos EUA e da UE junto com financiamento conseguiram derrubar os regimes coletivistas hegem\u00f3nicos na R\u00fassia e na URSS e instalar estados-vassalos. Iriam rapidamente servir a OTAN e ser incorporados na Uni\u00e3o Europeia. Bonn anexou a Alemanha Oriental e dominou os mercados da Pol\u00f3nia, Rep\u00fablica Checa e outros estados centro-europeus. Os banqueiros dos EUA e de Londres colaboraram com os oligarcas-g\u00e2ngsteres russo-israelitas em parcerias pilhadoras de recursos, de ind\u00fastrias, de propriedades e de fundos de pens\u00e3o. A Uni\u00e3o Europeia explorou dezenas de milh\u00f5es de cientistas, t\u00e9cnicos e oper\u00e1rios altamente qualificados, importando-os e privando-os das suas prote\u00e7\u00f5es e direitos laborais e explorando-os como reserva barata de for\u00e7a de trabalho no seu pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>O \u201cconvidado imperialismo\u201d, recebido pelo regime vassalo de Ieltsin, apropriou-se facilmente da riqueza russa. As for\u00e7as militares do ex-Pacto de Vars\u00f3via foram incorporadas numa legi\u00e3o estrangeira para guerras imperiais americanas no Afeganist\u00e3o, no Iraque e na S\u00edria. As instala\u00e7\u00f5es militares foram convertidas em bases militares e bases de m\u00edsseis cercando a R\u00fassia.<\/p>\n<p>A conquista imperial do Leste criou um \u201cmundo unipolar\u201d no qual os decisores e os estrategos de Washington, como poder mundial supremo, acreditaram poder intervir em qualquer regi\u00e3o impunemente.<\/p>\n<p>O alcance e profundidade do imp\u00e9rio mundial dos EUA foi ampliado pela adop\u00e7\u00e3o do capitalismo pela China e pelo convite dos seus dirigentes \u00e0s empresas multinacionais dos EUA e da UE para entrarem e explorarem o trabalho barato dos chineses. A expans\u00e3o global do imp\u00e9rio americano conduziu a um poder sem limites encorajando os seus dirigentes para exercerem poder contra qualquer advers\u00e1rio ou competidor.<br \/>\nEntre 1990 e 2000, os EUA expandiram as suas bases militares at\u00e9 \u00e0s fronteiras da R\u00fassia. As empresas multinacionais americanas expandiram-se para a China e Indochina. Os regimes apoiados pelos americanos na Am\u00e9rica Latina desmantelaram as economias nacionais, privatizando e desnacionalizando mais de cinco mil empresas estrat\u00e9gicas lucrativas. Todos os sectores foram afetados: recursos naturais, transportes, telecomunica\u00e7\u00f5es e finan\u00e7a.<\/p>\n<p>Os EUA continuaram ao longo dos anos 90 a expandir-se atrav\u00e9s de penetra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e for\u00e7a militar. O presidente George H.W. Bush desencadeou uma guerra contra o Iraque. Clinton bombardeou a Iugosl\u00e1via e a Alemanha e a UE juntaram-se aos EUA na divis\u00e3o da Iugosl\u00e1via em \u201cmini-estados\u201d.<\/p>\n<p><b>O Ano-charneira de 2000: Auge e Decl\u00ednio do Imp\u00e9rio<\/b><\/p>\n<p><a name=\"_GoBack\"><\/a> A expans\u00e3o imperial muito r\u00e1pida e extensa entre 1989-1999, as f\u00e1ceis conquistas e as correspondentes pilhagens, criaram as condi\u00e7\u00f5es para o decl\u00ednio do imp\u00e9rio americano.<br \/>\nO saque e empobrecimento da R\u00fassia levou \u00e0 ascens\u00e3o de uma nova lideran\u00e7a com a vontade do presidente Putin de reconstruir o Estado e a economia e acabar com a vassalagem.<br \/>\nA lideran\u00e7a chinesa transformou a sua depend\u00eancia do Ocidente em investimentos de capital e tecnologia em instrumentos de cria\u00e7\u00e3o de uma poderosa economia exportadora e crescimento de um din\u00e2mico complexo produtivo p\u00fablico-privado nacional. Os centros imperiais da finan\u00e7a que floresceram sob uma regula\u00e7\u00e3o laxista faliram. As funda\u00e7\u00f5es nacionais do imp\u00e9rio foram severamente abaladas. A m\u00e1quina de guerra imperial rivalizou com o sector financeiro para os subs\u00eddios e despesas or\u00e7amentais federais.<br \/>\nO f\u00e1cil crescimento do imp\u00e9rio levou \u00e0 sua sobre-extens\u00e3o. M\u00faltiplas \u00e1reas de conflito, refletiram um ressentimento e uma hostilidade globais perante a destrui\u00e7\u00e3o trazida pelos bombardeamentos e pelas invas\u00f5es. Os clientes pol\u00edticos e colaboradores do imp\u00e9rio enfraqueceram. O imp\u00e9rio mundial excedeu a capacidade dos EUA policiarem com \u00eaxito os seus novos estados-vassalos. Os entrepostos coloniais exigiram novas incorpora\u00e7\u00f5es de tropas, armas e fundos numa altura em que press\u00f5es internas contr\u00e1rias pediam a redu\u00e7\u00e3o de gastos e a retirada.<br \/>\nTodas as conquistas recentes fora da Europa foram dispendiosas. O sentimento de invencibilidade e impunidade levaram os planificadores imperiais a sobrestimar a sua capacidade de expans\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o, controle e conten\u00e7\u00e3o da inevit\u00e1vel resist\u00eancia anti-imperialista.<br \/>\nAs crises e o colapso dos estados-vassalos neoliberais na Am\u00e9rica Latina aceleraram. Levantamentos anti-imperialistas espalharam-se da Venezuela (1999), para a Argentina (2001), Equador (2000-2005) e Bol\u00edvia (2003-2005). Regimes de centro-esquerda emergiram no Brasil, Uruguai e Honduras. Movimentos de massas em regi\u00f5es rurais entre comunidades \u00edndias e mineiras ganharam impulso. Os planos imperiais formulados para garantir a integra\u00e7\u00e3o com base nos EUA foram rejeitados. Em vez disso, proliferaram os pactos regionais com exclus\u00e3o dos EUA \u2013 ALBA, UNASUR, CELAC. A rebeli\u00e3o interna da Am\u00e9rica Latina coincidiu com a ascens\u00e3o econ\u00f3mica da China. O surto prolongado de mercadorias enfraqueceu seriamente a supremacia imperial dos EUA. Os EUA tinham poucos aliados locais na Am\u00e9rica Latina e compromissos super ambiciosos para o controle do M\u00e9dio-Oriente, do sul da \u00c1sia e do norte de \u00c1frica.<br \/>\nWashington perdeu a maioria autom\u00e1tica na Am\u00e9rica Latina: o seu apoio a golpes nas Honduras e no Paraguai, a sua interven\u00e7\u00e3o na Venezuela (2002) e o bloqueio a Cuba foram repudiados por todos os regimes, mesmo pelos aliados conservadores.<br \/>\nTendo estabelecido facilmente um imp\u00e9rio global, Washington deu-se conta de que n\u00e3o era t\u00e3o f\u00e1cil defend\u00ea-lo. Os estrategos globais em Washington encararam as guerras do M\u00e9dio-Oriente atrav\u00e9s do prisma das prioridades militares israelitas, ignorando os interesses econ\u00f3micos globais das empresas multinacionais.<br \/>\nOs estrategos militares imperiais sobrestimaram a capacidade militar dos vassalos e clientes, mal preparados por Washington para governarem pa\u00edses com crescentes movimentos de resist\u00eancia nacional armada. Guerras, invas\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es militares foram iniciadas em m\u00faltiplos s\u00edtios. I\u00e9men, Som\u00e1lia, L\u00edbia e Paquist\u00e3o juntaram-se ao Afeganist\u00e3o e ao Iraque. As despesas do estado imperial dos EUA ultrapassaram de longe toda a transfer\u00eancia de riqueza a partir dos pa\u00edses ocupados.<br \/>\nUma vasta burocracia civil-militar-mercen\u00e1ria pilhou centenas de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares do Tesouro americano.<br \/>\nA preval\u00eancia das guerras de conquista destruiu as funda\u00e7\u00f5es da infraestrutura econ\u00f3mica necess\u00e1ria para a entrada e para o lucro das empresas multinacionais.<br \/>\nUma vez entrincheirada nas concep\u00e7\u00f5es militares estrat\u00e9gicas do imp\u00e9rio, a lideran\u00e7a pol\u00edtico-militar do estado imperial preparou uma ideologia global para justificar e motivar uma pol\u00edtica de guerra m\u00faltipla e permanente. A doutrina da \u201cguerra ao terrorismo\u201d justificou a guerra em todo e qualquer lado. A doutrina era \u201cel\u00e1stica\u201d \u2013 adaptada a qualquer regi\u00e3o de conflito e convidando a novos envolvimentos militares: o Afeganist\u00e3o, a L\u00edbia, o Ir\u00e3 e o L\u00edbano foram todos designados como zonas de guerra. A \u201cdoutrina do terrorismo\u201d, de alcance global, forneceu uma justifica\u00e7\u00e3o para m\u00faltiplas guerras e para a destrui\u00e7\u00e3o massiva (e n\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o) de sociedades e recursos econ\u00f3micos. Acima de tudo, a \u201cguerra ao terrorismo\u201d justificou tortura (Abu Ghraib), campos de concentra\u00e7\u00e3o (Guant\u00e1namo) e alvos civis em todo o lado (via drones). Foram retiradas e depois reenviadas tropas para o Afeganist\u00e3o e Iraque quando a resist\u00eancia nacionalista avan\u00e7ou. Milhares de For\u00e7as Especiais estiveram ativas em in\u00fameros pa\u00edses, espalhando a morte e o caos.<br \/>\nAl\u00e9m disso, a desloca\u00e7\u00e3o violenta, a degrada\u00e7\u00e3o e a estigmatiza\u00e7\u00e3o de povos isl\u00e2micos inteiros levaram \u00e0 difus\u00e3o da viol\u00eancia nos centros imperiais de Paris, Nova Iorque, Londres, Madrid e Copenhagen. A globaliza\u00e7\u00e3o do terror do estado imperial conduziu ao terror individual.<br \/>\nO terror imperial suscitou o terror interno: o primeiro \u00e0 escala das massas sustentadamente abrangendo civiliza\u00e7\u00f5es inteiras e conduzido e justificado por funcion\u00e1rios pol\u00edticos eleitos e autoridades militares, o \u00faltimo atrav\u00e9s de um entrecruzar de \u201cinternacionalistas\u201d que se identificam diretamente com as v\u00edtimas do terror do estado imperial.<br \/>\n<b>O Imperialismo Contempor\u00e2neo: Perspectivas Atuais e Futuras<\/b><br \/>\nPara perceber o futuro do imperialismo americano, \u00e9 importante recapitular e avaliar a experi\u00eancia e as pol\u00edticas do passado quarto de s\u00e9culo.<br \/>\nSe compararmos o crescimento do imp\u00e9rio americano entre 1990 e 2015, \u00e9 evidente o seu decl\u00ednio econ\u00f3mico, pol\u00edtico e mesmo militar na maior parte das regi\u00f5es do mundo, embora o processo de decl\u00ednio n\u00e3o seja linear, nem provavelmente irrevers\u00edvel.<br \/>\nApesar das palavras em Washington sobre a reconfigura\u00e7\u00e3o das prioridades imperiais de forma a ter em conta os interesses econ\u00f3micos das multinacionais, pouco foi conseguido\u2026 O chamado \u201cpiv\u00f4 da \u00c1sia\u201d de Obama resultou em novos acordos sobre bases militares \u00e0 volta da China com o Jap\u00e3o, a Austr\u00e1lia e as Filipinas e reflete uma inabilidade para realizar acordos de com\u00e9rcio livre que excluem a China. Entretanto, os EUA recome\u00e7aram militarmente a guerra e reentraram no Iraque e no Afeganist\u00e3o, al\u00e9m de lan\u00e7arem novas guerras na S\u00edria e na Ucr\u00e2nia. \u00c9 evidente que a primazia da fac\u00e7\u00e3o militar \u00e9 ainda o fator determinante no desenho das pol\u00edticas do estado imperial.<br \/>\nA deriva militar imperial \u00e9 mais evidente na interven\u00e7\u00e3o dos EUA em apoio ao golpe da Ucr\u00e2nia e no subsequente financiamento e armamento da junta de Kiev. A tomada imperial da Ucr\u00e2nia e os planos para a sua incorpora\u00e7\u00e3o na UE e na OTAN representam agress\u00e3o militar na sua forma mais descarada. A expans\u00e3o das bases militares americanas, as manobras militares nas fronteiras da R\u00fassia e as san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas iniciadas pelos EUA prejudicaram seriamente o com\u00e9rcio e o investimento da UE na R\u00fassia. O crescimento do imp\u00e9rio americano continua a dar prioridade \u00e0 expans\u00e3o militar mesmo \u00e0 custa dos interesses econ\u00f3micos imperiais do Ocidente na Europa.<br \/>\nOs bombardeamentos da L\u00edbia pelos EUA e UE destru\u00edram os florescentes acordos de com\u00e9rcio e investimento entre as multinacionais imperiais do petr\u00f3leo e do g\u00e1s e o governo de Khadafi\u2026 Os assaltos a\u00e9reos da OTAN destru\u00edram a economia, a sociedade e o ordenamento pol\u00edtico, convertendo a L\u00edbia num territ\u00f3rio dominado por cl\u00e3s guerreiros, gangues, terroristas e criminosos armados.<br \/>\nNo meio s\u00e9culo que passou, a lideran\u00e7a e as estrat\u00e9gias pol\u00edticas do estado imperial mudaram completamente. Durante o per\u00edodo entre 1975-1990, as empresas multinacionais desempenharam um papel central na defini\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica do estado imperial: alavancando mercados na \u00c1sia, negociando aberturas de mercados com a China, promovendo e apoiando regimes militares e civis neoliberais na Am\u00e9rica Latina, instalando e financiando regimes pr\u00f3-capitalistas na R\u00fassia, na Europa de Leste, no B\u00e1ltico e nos Balc\u00e3s. Mesmo nos casos em que o estado imperial recorria \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar, como na Iugosl\u00e1via e Iraque, os bombardeamentos levaram a oportunidades favor\u00e1veis economicamente para as empresas multinacionais americanas. O regime de Bush S\u00eanior promoveu os interesses americanos no petr\u00f3leo atrav\u00e9s de um acordo de comida por petr\u00f3leo com Saddam Hussein no Iraque.<br \/>\nClinton promoveu regimes de livre mercado nos mini-estados resultantes do desmembramento da Iugosl\u00e1via socialista.<br \/>\nContudo, a lideran\u00e7a e as pol\u00edticas do estado imperial mudaram dramaticamente durante os \u00faltimos anos 90 para a frente. O estado imperial do presidente Clinton era composto por representantes de longa data das empresas multinacionais, banqueiros da Wall Street e funcion\u00e1rios sionistas militaristas em recente ascens\u00e3o.<br \/>\nO resultado foi uma pol\u00edtica h\u00edbrida na qual o estado imperial promoveu ativamente oportunidades para as empresas multinacionais em regimes neoliberais nos pa\u00edses ex-comunistas da Europa e na Am\u00e9rica Latina e expandiu as liga\u00e7\u00f5es dessas empresas com a China e o Vietnam, enquanto lan\u00e7ou interven\u00e7\u00f5es militares destrutivas na Som\u00e1lia, na Iugosl\u00e1via e no Iraque.<br \/>\nO \u201cbalan\u00e7o de for\u00e7as\u201d dentro do estado imperialista mudou dramaticamente a favor da fac\u00e7\u00e3o militarista-sionista com o ataque terrorista do 11 de Setembro de duvidosa origem e as demoli\u00e7\u00f5es de falsa bandeira em Nova Iorque e Washington serviram para firmar os militaristas no controle de um aparelho de estado imperial vastamente expandido. Como consequ\u00eancia do 11 de Setembro, a fac\u00e7\u00e3o militarista-sionista do estado imperial subordinou os interesses das empresas multinacionais \u00e0 sua estrat\u00e9gia de guerras totais. Isto, por sua vez, levou \u00e0 invas\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o das infra-estruturas civilizacionais no Iraque e no Afeganist\u00e3o (em vez de a ligar \u00e0 expans\u00e3o das empresas multinacionais). O regime colonial dos EUA desmantelou o estado iraquiano (em vez de o reordenar ao servi\u00e7o das empresas multinacionais). A assassina OTAN e a emigra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de milh\u00f5es de profissionais especializados, gestores e oficiais da pol\u00edcia e do ex\u00e9rcito inviabilizaram qualquer recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica (em vez de os incorporar ao servi\u00e7o do estado colonial e das empresas multinacionais).<br \/>\nA ascend\u00eancia militarista-sionista no estado imperial introduziu altera\u00e7\u00f5es importantes na pol\u00edtica, na orienta\u00e7\u00e3o, nas prioridades e no modus operandi do imperialismo americano. A ideologia da \u201cguerra global ao terrorismo\u201d substituiu a doutrina de promo\u00e7\u00e3o da \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica\u201d das multinacionais.<br \/>\nAs guerras perp\u00e9tuas (os \u201cterroristas\u201d n\u00e3o ficaram confinados a determinado lugar ou \u00e9poca) substitu\u00edram as guerras ou interven\u00e7\u00f5es limitadas dirigidas para a abertura de mercados ou a mudan\u00e7a de regimes que pusessem em pr\u00e1tica pol\u00edticas neoliberais favor\u00e1veis \u00e0s empresas multinacionais.<br \/>\nO l\u00f3cus da atividade do estado imperial mudou da explora\u00e7\u00e3o de oportunidades econ\u00f3micas na \u00c1sia, na Am\u00e9rica Latina e nos pa\u00edses ex-comunistas da Europa de Leste para as guerras no M\u00e9dio-Oriente, no sul da \u00c1sia e no norte de \u00c1frica, visando pa\u00edses mu\u00e7ulmanos que se op\u00f5em \u00e0 expans\u00e3o colonial de Israel na Palestina, na S\u00edria, no L\u00edbano e noutras zonas.<br \/>\nA nova concep\u00e7\u00e3o da configura\u00e7\u00e3o do crescimento do imp\u00e9rio do poder militarista requer vastas despesas de milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares, sem atender ou pensar no retorno de capital privado. Em contraste, sob a hegemonia das multinacionais, o estado imperial intervinha para assegurar as concess\u00f5es de petr\u00f3leo, g\u00e1s e minerais na Am\u00e9rica Latina e no M\u00e9dio-Oriente. Os custos da conquista militar eram mais do que compensados pelo retorno para as empresas multinacionais. A configura\u00e7\u00e3o militarista do estado imperial pilhou o Tesouro dos EUA para financiar as ocupa\u00e7\u00f5es, o vasto ex\u00e9rcito de colaboradores coloniais corruptos, os \u201cempreiteiros militares\u201d de mercen\u00e1rios privados e, rapidamente milion\u00e1rios, os funcion\u00e1rios do aprovisionamento (sic) militar americano.<br \/>\nAnteriormente, a explora\u00e7\u00e3o ultramarina dirigida para as empresas multinacionais conduzia a elevado retorno para o Tesouro dos EUA, tanto em termos de pagamento de taxas diretas, como no rendimento gerado no com\u00e9rcio e processamento de mat\u00e9rias-primas.<br \/>\nNa passada d\u00e9cada e meia, os maiores e mais est\u00e1veis retornos para as empresas multinacionais tiveram lugar em regi\u00f5es e pa\u00edses onde o estado imperial militarizado esteve menos envolvido \u2013 China, Am\u00e9rica Latina e Europa. As multinacionais tiveram menos lucros e perderam mais em \u00e1reas de maior envolvimento do estado imperial.<br \/>\nAs \u201czonas de guerra\u201d que se estenderam pela L\u00edbia, Som\u00e1lia, L\u00edbano, S\u00edria, Iraque, Ucr\u00e2nia, Ir\u00e3 e Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o s\u00e3o as regi\u00f5es onde as empresas multinacionais imperiais sofreram maior decl\u00ednio e abandono.<br \/>\nOs principais \u201cbenefici\u00e1rios\u201d das atuais pol\u00edticas do estado imperial s\u00e3o os empreiteiros de guerra e o complexo seguran\u00e7a-militar-industrial nos EUA. No estrangeiro, benefici\u00e1rios estatais incluem Israel e a Ar\u00e1bia Saudita\u2026 Al\u00e9m desses, os governantes-clientes da Jord\u00e2nia, Egito, Iraque, Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o encaixaram dezenas de milhares de milh\u00f5es em contas banc\u00e1rias privadas em para\u00edsos fiscais.<br \/>\nOs benefici\u00e1rios \u201cn\u00e3o-estatais\u201d incluem mercen\u00e1rios e ex\u00e9rcitos de procura\u00e7\u00e3o. Na S\u00edria, no Iraque, na L\u00edbia, na Som\u00e1lia e na Ucr\u00e2nia, dezenas de milhares de colaboradores das organiza\u00e7\u00f5es \u201cn\u00e3o-governamentais\u201d tamb\u00e9m se aproveitaram.<\/p>\n<p><b>O C\u00e1lculo Custo-Benef\u00edcio ou o Crescimento do Imp\u00e9rio sob a \u00c9gide do Estado Imperial Militarista-Sionista<\/b><\/p>\n<p>Passou j\u00e1 tempo suficiente sobre a \u00faltima d\u00e9cada e meia de dom\u00ednio militarista-sionista do estado imperial para que possa ser feita a avalia\u00e7\u00e3o do seu desempenho<br \/>\nOs EUA e seus aliados ocidentais, em especial a Alemanha, expandiram com \u00eaxito o seu imp\u00e9rio na Europa de Leste, nos Balc\u00e3s e no B\u00e1ltico sem dispararem um tiro. Estes pa\u00edses foram convertidos em estados vassalos da UE. Os seus mercados foram dominados e as suas ind\u00fastrias desnacionalizadas. As for\u00e7as armadas foram recrutadas como mercen\u00e1rias da OTAN. A Alemanha Ocidental anexou a Alemanha Oriental. For\u00e7a de trabalho qualificada e barata fez, como imigrante e for\u00e7a de reserva, aumentar os lucros das multinacionais da UE e dos EUA. A R\u00fassia ficou temporariamente reduzida a estado vassalo entre 1991-2001. O seu n\u00edvel de vida afundou-se e os programas sociais foram reduzidos. As desigualdades entre classes aprofundaram-se. Milion\u00e1rios e multimilion\u00e1rios apanharam os recursos p\u00fablicos e juntaram-se \u00e0s multinacionais imperiais pilhando a economia. Os dirigentes e partidos socialistas e comunistas foram reprimidos ou cooptados. Em contraste, a expans\u00e3o imperial militar do s\u00e9c. XXI foi um fracasso ruinoso. A \u201cguerra no Afeganist\u00e3o\u201d foi dispendiosa em vidas e bens e levou a uma retirada ignominiosa. O que ficou foi um fr\u00e1gil regime-fantoche e um corpo militar mercen\u00e1rio pouco fi\u00e1vel. A guerra EUA-Afeganist\u00e3o foi a mais longa guerra da hist\u00f3ria dos EUA e um dos seus maiores fracassos. No final, os movimentos de resist\u00eancia nacionalista isl\u00e2micos, os chamados talib\u00e3 e os grupos aliados de resist\u00eancia nacionalista anti-imperialista e etno-religiosos, dominam o campo, penetram repetidamente e atacam centros urbanos e preparam-se para tomar o poder.<br \/>\nA guerra do Iraque e a invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o de uma d\u00e9cada pelo estado imperial dizimaram a economia. A ocupa\u00e7\u00e3o fomentou a guerra etno-religiosa. Os funcion\u00e1rios civis do Bath e os militares profissionais juntaram-se aos islamitas nacionalistas e formaram depois um poderoso movimento de resist\u00eancia que derrotou o ex\u00e9rcito mercen\u00e1rio Shia apoiado pelo imp\u00e9rio durante a segunda d\u00e9cada da guerra. O estado imperial foi for\u00e7ado a regressar e a envolver-se diretamente numa guerra prolongada. O custo da guerra disparou para mais de 1 milh\u00e3o de milh\u00f5es de d\u00f3lares. A explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo tornou-se mais dif\u00edcil e o Tesouro dos EUA despejou dezenas de milhares de milh\u00f5es para manter uma \u201cguerra sem fim\u201d.<br \/>\nO estado imperial americano e a UE, junto com a Ar\u00e1bia Saudita e a Turquia financiaram mil\u00edcias armadas mercen\u00e1rias isl\u00e2micas para invadirem a S\u00edria e destru\u00edrem o regime secular, nacionalista e antissionista de Bashar Assad. A guerra imperial abriu as portas \u00e0 expans\u00e3o do Estado Isl\u00e2mico (ISIS) na S\u00edria. Os curdos e outros grupos armados apoderaram-se do territ\u00f3rio, fragmentando o pa\u00eds. Ap\u00f3s cerca de 5 anos de guerra e custos militares crescentes, as multinacionais dos EUA e da UE foram expulsas do mercado s\u00edrio.<br \/>\nO apoio dos EUA \u00e0 agress\u00e3o de Israel contra o L\u00edbano levou ao aumento de poder da resist\u00eancia armada anti-imperialista do Hezbollah. O L\u00edbano, a S\u00edria e o Ir\u00e3 representam agora uma alternativa s\u00e9ria ao eixo EUA, EU, Ar\u00e1bia Saudita, Israel.<br \/>\nA pol\u00edtica americana de san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3 n\u00e3o conseguiu minar o regime nacionalista e comprometeu totalmente as oportunidades econ\u00f3micas de todas as principais empresas multinacionais do petr\u00f3leo e g\u00e1s dos EUA e UE, assim como dos exportadores industriais americanos. Foram substitu\u00eddas pela China.<br \/>\nA invas\u00e3o da L\u00edbia pelos EUA e UE levou \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da economia e \u00e0 perda de milhares de milh\u00f5es de investimentos das multinacionais e ao fim das exporta\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA tomada do poder pelo estado imperial dos EUA atrav\u00e9s de um golpe por procura\u00e7\u00e3o em Kiev, provocou uma poderosa revolta anti-imperialista conduzida pela mil\u00edcia armada no Leste (Donetsk e Luhansk) e ao dizimar da economia da Ucr\u00e2nia.<br \/>\nEm resumo, a tomada de poder militar-sionista do estado imperial levou a guerras prolongadas e onerosas que n\u00e3o se podem vencer e que minaram os mercados e os locais de investimento para as empresas multinacionais americanas. O militarismo imperial minou a presen\u00e7a econ\u00f3mica imperial e provocou movimentos crescentes de resist\u00eancia anti-imperialista de longo prazo, assim como pa\u00edses invi\u00e1veis, ca\u00f3ticos e inst\u00e1veis fora do controle imperial.<br \/>\nO imperialismo econ\u00f3mico continuou a aproveitar-se em parte da Europa, da \u00c1sia, da Am\u00e9rica Latina e de \u00c1frica, apesar das guerras imperiais e das san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas prosseguidas pelo altamente militarizado estado imperial noutros s\u00edtios.<br \/>\nNo entanto, a tomada do poder na Ucr\u00e2nia pelos militaristas americanos e as san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia corroeram o lucrativo mercado e os investimentos da Uni\u00e3o Europeia na R\u00fassia. A Ucr\u00e2nia, tutelada pelo FMI, UE e EUA, tornou-se uma economia endividada e quebrada conduzida por cleptocratas totalmente dependentes de empr\u00e9stimos estrangeiros e da interven\u00e7\u00e3o militar.<br \/>\nO estado imperial militarizado, ao dar prioridade ao conflito e \u00e0s san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia, Ir\u00e3 e S\u00edria, perdeu no aprofundamento e expans\u00e3o dos la\u00e7os econ\u00f3micos com a \u00c1sia, a Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica. A conquista pol\u00edtica e econ\u00f3mica da Europa de Leste e partes da URSS perdeu significado. As guerras perp\u00e9tuas e perdidas no M\u00e9dio-Oriente, norte de \u00c1frica e C\u00e1ucaso enfraqueceram a capacidade do estado imperial para o crescimento do imp\u00e9rio na \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina.<br \/>\nO esbanjar de riqueza e o custo das guerras perp\u00e9tuas erodiram as funda\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do crescimento do imp\u00e9rio. S\u00f3 uma altera\u00e7\u00e3o fundamental na composi\u00e7\u00e3o do estado imperial e uma reorienta\u00e7\u00e3o de prioridades no sentido de se centrar na expans\u00e3o econ\u00f3mica pode alterar o atual decl\u00ednio do imp\u00e9rio. O perigo \u00e9 que, \u00e0 medida que o estado imperial militarista sionista continue a perder guerras, possa entrar em escalada, aumente a parada e se decida a uma grande confronta\u00e7\u00e3o nuclear: um imp\u00e9rio no meio de cinzas nucleares!<\/p>\n<p><i><b>Tradu\u00e7\u00e3o: Jorge Vasconcelos<\/b><\/i><\/p>\n<blockquote data-secret=\"u2OU2ija9k\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3618\">COL\u00d4MBIA: Di\u00e1logos pela Paz com Justi\u00e7a Social<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3618\/embed#?secret=u2OU2ija9k\" data-secret=\"u2OU2ija9k\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;COL\u00d4MBIA: Di\u00e1logos pela Paz com Justi\u00e7a Social&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8072\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-8072","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-26c","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8072"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8072\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}