{"id":8090,"date":"2015-05-04T23:17:49","date_gmt":"2015-05-05T02:17:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8090"},"modified":"2015-05-11T22:11:50","modified_gmt":"2015-05-12T01:11:50","slug":"atilio-boron-denuncia-a-instalacao-de-armas-atomicas-na-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8090","title":{"rendered":"Atilio Bor\u00f3n denuncia a instala\u00e7\u00e3o de armas at\u00f4micas na Col\u00f4mbia"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/atilio_born.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Resumen Latinoamericano\/ Aporrea\/ 18 de abril 2015.- Ainda que o governo neoliberal de Juan Manuel Santos se vanglorie internamente de impulsionar um processo de paz com a insurg\u00eancia das FARC, sua pol\u00edtica internacional (ditada a partir de Washington), em contrapartida, aponta para a desestabiliza\u00e7\u00e3o da harmonia e da integra\u00e7\u00e3o regional. Assim deixou entrever durante a palestra magistral em 8 de abril passado, em Bogot\u00e1, o soci\u00f3logo e polit\u00f3logo argentino, Atilio Bor\u00f3n, no marco da C\u00fapula Mundial de Arte e Cultura pela Paz, organizada pela Prefeitura Maior da capital colombiana.<\/p>\n<p>Por um lado, Bor\u00f3n disse que \u00e9 um contrasenso que embora a emerg\u00eancia da China na geopol\u00edtica mundial esteja deslocando o protagonismo do Atl\u00e2ntico para o continente asi\u00e1tico, a Col\u00f4mbia se empenhe teimosamente em incentivar a Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, uma inven\u00e7\u00e3o de Washington para responder a presen\u00e7a cada vez maior de Beijing na Am\u00e9rica Latina e minar o processo integracionista da P\u00e1tria Grande. Por outro, acrescentou o fato de que o governo de Santos, de forma totalmente disciplinada, tenha aceitado as diretrizes do Pent\u00e1gono para que a Col\u00f4mbia ingressasse na Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN) e, ao mesmo tempo, existem s\u00e9rios ind\u00edcios de que o Comando Sul tenha instalado armamento nuclear neste pa\u00eds andino, o que d\u00e1 um claro sinal de amea\u00e7a para a paz da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O analista argentino enfatizou que a OTAN n\u00e3o \u00e9 mais que \u201ca for\u00e7a imperial de choque\u201d, a partir da qual Washington lan\u00e7a sua estrat\u00e9gia de ofensiva militar para diversos pa\u00edses ou regi\u00f5es do mundo, aos quais determina ou considera que constituam amea\u00e7as para seus interesses. Em consequ\u00eancia, apontou que o ingresso da Col\u00f4mbia a esta alian\u00e7a militar extracontinental n\u00e3o contribui em absoluto com a paz.<\/p>\n<p><b>O conflito colombiano \u00e9 pretexto para a militariza\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos<\/b><\/p>\n<p>Durante sua confer\u00eancia no Teatro Bogot\u00e1, Bor\u00f3n, com sua caracter\u00edstica capacidade dial\u00e9tica e did\u00e1tica, mostrou como na Col\u00f4mbia se leva a cabo um processo de paz com um ator armado como as FARC em meio de um mundo convulsionado por m\u00faltiplos conflitos, originados em boa medida pelo decl\u00ednio do imperialismo estadunidense.<\/p>\n<p>\u201cA paz na Col\u00f4mbia \u00e9 a paz de toda Am\u00e9rica Latina\u201d, foi o t\u00edtulo da palestra do renomado analista pol\u00edtico e catedr\u00e1tico universit\u00e1rio, atualmente diretor do Programa Latino-americano de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia (PLED) do Centro Cultural da Coopera\u00e7\u00e3o de Buenos Aires.<\/p>\n<p>No desenvolvimento de sua exposi\u00e7\u00e3o, Bor\u00f3n demonstrou o rotundo fracasso da interven\u00e7\u00e3o direta dos Estados Unidos em mat\u00e9ria de combate ao narcotr\u00e1fico e \u00e0 insurg\u00eancia na Col\u00f4mbia, h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas. Trouxe o exemplo do denominado Plano Col\u00f4mbia, assinado pelo ent\u00e3o mandat\u00e1rio Andr\u00e9s Pastrana com a administra\u00e7\u00e3o Clinton (toda uma estrat\u00e9gia de entrega da soberania a Washington).<\/p>\n<p>Dito Plano, vendido aos colombianos como uma \u201cajuda\u201d norte-americana, resultou um completo fiasco, pois como apresentou Bor\u00f3n em n\u00fameros tomados de informes das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o narcotr\u00e1fico em vez de diminuir, aumentou. Com efeito, teve um aumento exponencial de cultivos il\u00edcitos tanto no M\u00e9xico, como na Col\u00f4mbia e no Afeganist\u00e3o, pa\u00edses onde coincidentemente os Estados Unidos interveem diretamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a interven\u00e7\u00e3o direta do Pent\u00e1gono, da CIA, da DEA e do Departamento de Estado nos assuntos colombianos serve para o enriquecimento de empresas de armamento norte-americano e, ao mesmo tempo, para o financiamento de campanhas de congressistas estadunidenses (que fazem lobby a favor dos cons\u00f3rcios com quais se beneficiam), assim como para a presen\u00e7a de Israel.<\/p>\n<p>\u00c9 que a guerra interna na Col\u00f4mbia n\u00e3o favorece em grau superlativo apenas os Estados Unidos, mas tamb\u00e9m Israel, como bem apontou Bor\u00f3n. Desde 1960, o Mossad (servi\u00e7o de intelig\u00eancia) e organiza\u00e7\u00f5es de espionagem israelense que operam sob a fachada de seguran\u00e7a fazem presen\u00e7a no territ\u00f3rio colombiano assessorando grupos paramilitares e redes mafiosas de narcotr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Juan Manuel Santos, tanto como ministro de Defesa como agora na qualidade de primeiro mandat\u00e1rio, abra\u00e7a e aplaude a presen\u00e7a israelense na Col\u00f4mbia porque como assinalou em reiteradas ocasi\u00f5es, seria \u201cmuito positivo\u201d que este pa\u00eds \u201cfosse o Israel da Am\u00e9rica do Sul\u201d.<\/p>\n<p>Por todo o anterior, Bor\u00f3n disse ser poss\u00edvel que as negocia\u00e7\u00f5es de paz em andamento em Havana entre o governo de Santos e as FARC cheguem a um bom resultado porque o conflito colombiano \u00e9 o melhor pretexto para a militariza\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><b>O contexto geopol\u00edtico<\/b><\/p>\n<p>A conjuntura da realidade sociopol\u00edtica colombiana em meio a certas possibilidades de colocar fim a um conflito interno de mais de meio s\u00e9culo passa pelo decl\u00ednio do imp\u00e9rio estadunidense, o colapso europeu e o aparecimento, em consequ\u00eancia, de novos atores na cena da geopol\u00edtica mundial.<\/p>\n<p>Bor\u00f3n coloca em manifesto no atual cen\u00e1rio mundial o protagonismo da China e na \u00cdndia, o retorno da R\u00fassia, a queda da Uni\u00e3o Europeia, as alian\u00e7as regionais e a decad\u00eancia do imperialismo estadunidense, fatores que ter\u00e3o uma incid\u00eancia direta no devir pol\u00edtico da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u00c9 enf\u00e1tico em chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre o perigo que paira sobre o mundo e especificamente sobre a regi\u00e3o, o decl\u00ednio de Washington, pois sustenta que na fase de decomposi\u00e7\u00e3o, os imp\u00e9rios se tornam mais repressivos e sanguin\u00e1rios e traz exemplos hist\u00f3ricos como a etapa final do imp\u00e9rio otomano com o genoc\u00eddio arm\u00eanio (em 1915) ou o caso brit\u00e2nico com a brutal repress\u00e3o na \u00cdndia.<\/p>\n<p>No plano econ\u00f4mico, o polit\u00f3logo argentino demonstra como os Estados Unidos se encontram em um beco sem sa\u00edda: por um lado deve mais do que produz; do outro, \u00e9 cada vez mais progressiva substitui\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar no com\u00e9rcio internacional. E, para completar, fornece um dado mais: enquanto neste ano de 2015 a China construir\u00e1 15 mil quil\u00f4metros de vias f\u00e9rreas, em contraste, a na\u00e7\u00e3o norte-americana n\u00e3o construir\u00e1 nenhuma, com o que sua infraestrutura vi\u00e1ria se torna obsoleta.<\/p>\n<p>A isso, \u00e9 preciso acrescentar, diz Bor\u00f3n, a crescente desigualdade que vem sendo apresentada nos Estados Unidos com sua consequente quebra a respeito de sua integra\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o obstante, \u00e9 desorbitado seu gasto militar, assim como \u00e9 evidente tamb\u00e9m seu isolamento internacional cada vez maior, o qual fica refletido, por exemplo, nas \u00faltimas derrotas que a Casa Branca teve que engolir, precisamente, em sua principal zona de influ\u00eancia, Am\u00e9rica Latina. Com efeito, primeiro teve que aguentar que dois pa\u00edses latino-americanos, Equador e Bol\u00edvia, colocassem freio a sua infinita atitude de inger\u00eancia nos assuntos internos. O presidente equatoriano, Rafael Correa, fechou a base militar de Manta e o mandat\u00e1rio boliviano, Evo Morales, expulsou a miss\u00e3o diplom\u00e1tica estadunidense. Mais recentemente, na OEA (o Minist\u00e9rio das Col\u00f4nias, como denominou Fidel Castro), o governo de Obama perdeu de goleada quando prop\u00f4s sua interven\u00e7\u00e3o na Venezuela. Estes acontecimentos, acrescenta Bor\u00f3n, eram impens\u00e1veis h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<p><b>Os EUA lan\u00e7am a feroz reconquista da Am\u00e9rica Latina para assegurar recursos naturais <\/b><\/p>\n<p>Em meio ao incompar\u00e1vel desmoronamento do imp\u00e9rio estadunidense, Washington n\u00e3o resiste em seu prop\u00f3sito intervencionista na Am\u00e9rica Latina porque \u00e9 a maneira de assegurar, mediante artimanhas e enganos (tratados de livre com\u00e9rcio, golpes brandos, Alian\u00e7a para o Pac\u00edfico, terrorismo econ\u00f4mico, alian\u00e7as militares) o acesso (via saqueio e pilhagem) \u00e0 rica biodiversidade que produz esta regi\u00e3o para poder continuar mantendo seu descomunal padr\u00e3o capitalista de consumo.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, Washington implanta sua artilharia militar em todo o continente, como bem esbo\u00e7a Bor\u00f3n em seu magistral livro, Am\u00e9rica Latina en la geopol\u00edtica del imperialismo [Am\u00e9rica Latina na geopol\u00edtica do imperialismo], que conquistou o Pr\u00eamio Libertador de Pensamento Cr\u00edtico em 2013.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos, explica este renomado analista internacional, ancora sua estrutura militar na Am\u00e9rica Latina tanto na Col\u00f4mbia como em Honduras para lan\u00e7ar suas aventuras. O mar do Caribe est\u00e1 totalmente controlado militarmente pelo Pent\u00e1gono que, al\u00e9m disso, conta com cerca de 80 bases em torno do hemisf\u00e9rio. N\u00e3o foi gratuito, tampouco, que em 2008 o Comando Sul tenha ativado a IV Frota, coincidentemente pouco depois do ent\u00e3o governo brasileiro de Lula da Silva anunciar o descobrimento de uma grande jazida petrol\u00edfera submarina no litoral paulista.<\/p>\n<p>Obviamente que os pretextos para esta descomunal militariza\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos em torno do continente s\u00e3o o narcotr\u00e1fico, os populismos (como estigmatizaram os governos progressistas da regi\u00e3o), as calamidades naturais e a seguran\u00e7a continental. Fal\u00e1cias que ajudam a propalar os grandes oligop\u00f3lios midi\u00e1ticos de propriedade dos setores decadentes da ultradireita latino-americana. Por isso, Bor\u00f3n exorta a n\u00e3o se confundir: \u201co nome de tudo isto \u00e9 petr\u00f3leo\u201d e, desta maneira, explica porque toda a estrat\u00e9gia de desestabiliza\u00e7\u00e3o e sataniza\u00e7\u00e3o do governo da Venezuela e do presidente Nicol\u00e1s Maduro.<\/p>\n<p>Se a Venezuela fosse produtora de tomates ou batatas, os Estados Unidos tentariam derrubar o governo bolivariano da Venezuela com a ativa colabora\u00e7\u00e3o de seus lacaios da direita latino-americana?, se interroga o polit\u00f3logo argentino. N\u00e3o \u00e9 gratuito, portanto, o feroz ataque empreendido pela Casa Branca contra o processo pol\u00edtico inaugurado pelo comandante Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p><b>Os EUA t\u00eam armamento nuclear na Col\u00f4mbia?<\/b><\/p>\n<p>Bor\u00f3n encerrou sua confer\u00eancia em Bogot\u00e1 deixando no ar uma inquietante quest\u00e3o: \u201cA Col\u00f4mbia bem poderia ser hoje um pa\u00eds no qual os Estados Unidos instalaram armamento nuclear em aberta viola\u00e7\u00e3o ao acordo internacional regional, mediante o qual nossos pa\u00edses se comprometeram a manter a Am\u00e9rica Latina como uma nuclearizada zona de paz\u201d.<\/p>\n<p>Embora, acrescenta, o tratado assinado entre Uribe V\u00e9lez e Obama que autorizava a utiliza\u00e7\u00e3o de sete bases tenha sido declarado inexequ\u00edvel pela Corte Constitucional da Col\u00f4mbia, \u201co certo \u00e9 que este trope\u00e7o legal n\u00e3o impediu que os Estados Unidos tenham prosseguido operando militarmente nesse pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/04\/19\/atilio-boron-denuncia-instalacion-de-armas-atomicas-en-colombia\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8090\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34,38],"tags":[],"class_list":["post-8090","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-26u","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8090","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8090"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8090\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}