{"id":8111,"date":"2015-05-05T17:04:58","date_gmt":"2015-05-05T20:04:58","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8111"},"modified":"2017-08-24T23:05:04","modified_gmt":"2017-08-25T02:05:04","slug":"crime-de-lesa-humanidade-a-ue-quer-as-riquezas-de-africa-mas-nao-quer-as-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8111","title":{"rendered":"Crime de Lesa Humanidade: a UE quer as riquezas de \u00c1frica, mas n\u00e3o quer as pessoas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/inmigrantesitalia.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Cecilia Zamudio<\/p>\n<p>O recente naufr\u00e1gio em que mais de 900 migrantes africanos perderam a vida no estreito da Sic\u00edlia \u00e9 mais um tr\u00e1gico epis\u00f3dio de uma infind\u00e1vel sucess\u00e3o de trag\u00e9dias semelhantes. A UE e a dita \u201ccomunidade internacional\u201d choraram as habituais l\u00e1grimas <!--more-->de crocodilo. Tentam ocultar a sua criminosa responsabilidade neste desesperado \u00eaxodo, que resulta directamente da rapina das riquezas africanas e da sistem\u00e1tica agress\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>Milhares de pessoas falecem todos os anos na sua tentativa de chegar \u00e0 Europa. Pessoas fugindo da mis\u00e9ria a que o saque perpetrado pelo grande capital transnacional submete a \u00c1frica. N\u00e3o v\u00e3o \u00e0 procura do \u201csonho europeu\u201d, fogem do Pesadelo em que as transnacionais converteram a \u00c1frica; seguem o percurso que previamente seguiram as imensas riquezas extra\u00eddas dos seus pa\u00edses. Mas a UE quer as riquezas de \u00c1frica, mas n\u00e3o quer as pessoas. A Ditadura do Capital obriga as pessoas a empreender \u00eaxodos terr\u00edveis, em condi\u00e7\u00f5es de perigo extremas.<\/p>\n<p>Na madrugada de 19 de Abril 2015 um barco com mais de 900 pessoas migrantes afundou-se no estreito da Sic\u00edlia: tentava levar centenas de pessoas da L\u00edbia para It\u00e1lia. A Procuradoria da Cat\u00e2nia indicou que se estima que poderiam ter falecido umas 950 pessoas; os procuradores dizem que \u201dainda \u00e9 imposs\u00edvel determinar com precis\u00e3o o n\u00famero de mortes\u201d(1). Foram encontrados 24 cad\u00e1veres, e somente 28 sobreviventes. Carlotta Sami (ACNUR It\u00e1lia), informou que o barco se afundou a uns 110 Km da costa. A Guarda costeira italiana tinha recebido um apelo de socorro durante a noite, avisando-a de que o barco se encontrava em perigo. Mas, segundo informou a guarda costeira, quando se iniciou a opera\u00e7\u00e3o de resgate, o barco naufragou porque todos os que iam a bordo se colocaram do mesmo lado no desespero por sobreviver (2).<\/p>\n<p>Um mar surpreendido tragou a vida de outras 900 pessoas. No mesmo m\u00eas de Abril de 2015 mais de 400 pessoas migrantes desapareceram e umas 150 sobreviveram, ap\u00f3s naufragarem na sua viagem clandestina rumo a It\u00e1lia, no dia 15. O Mediterr\u00e2neo converteu-se numa imensa tumba. No total umas 90 mil pessoas o cruzaram para a Europa entre 1 de Julho e 30 de Setembro de 2014, e pelo menos 2.200 perderam a vida. No trimestre anterior foram 75 mil pessoas e 800 mortes, segundo a ACNUR.<\/p>\n<p>Estas tragedias representam um grande sofrimento para os familiares das v\u00edtimas; e por outro lado d\u00e3o lugar a uma larga sucess\u00e3o de malabarismos medi\u00e1ticos para os pol\u00edticos da UE, que v\u00eam tentar tapar o sol com uma peneira. Querem tapar que o saque e as \u201cguerras humanit\u00e1rias\u201d perpetradas pela UE e os EUA contra a \u00c1frica t\u00eam como consequ\u00eancia l\u00f3gica o \u00eaxodo massivo. V\u00eam os pol\u00edticos, os representantes das institui\u00e7\u00f5es internacionais, a ver qual \u00e9 mais \u201ccaritativo\u201d, qual mais \u201clegalista\u201d, qual mais ufano a propor solu\u00e7\u00f5es. E cada solu\u00e7\u00e3o \u00e9 menos solu\u00e7\u00e3o que a anterior.<\/p>\n<p>Concentram as suas diatribes contra as supostas \u201cmafias\u201d de transporte de pessoas, quando \u00e9 bem sabido que em muitas ocasi\u00f5es o suposto \u201cmafioso\u201d n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um pescador que j\u00e1 n\u00e3o pode sobreviver da pesca num mar saqueado pelo arrasto das grandes transnacionais, reconvertido em condutor de embarca\u00e7\u00f5es que tentam passar clandestinamente as fronteiras da Europa fortaleza. Inclusive, e ainda que possa ser certo que muitos transportadores destas viagens clandestinas se aproveitam das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de \u00eaxodo, estes transportadores n\u00e3o podem ser tidos como os respons\u00e1veis por esta tragedia, por estes crimes de Lesa Humanidade. A menos que se queiram ocultar os verdadeiros respons\u00e1veis. Alguns j\u00e1 v\u00eam at\u00e9 dizer que h\u00e1 que bombardear as embarca\u00e7\u00f5es nas costas de onde saem: o fascismo da Uni\u00e3o Europeia deixa cair completamente a m\u00e1scara.<\/p>\n<p>Entre os sobreviventes da tragedia de 19 de Abril, os media escolheram j\u00e1 os dois homens que lhes servem de bode expiat\u00f3rio: dois membros da tripula\u00e7\u00e3o ser\u00e3o o alvo de todo o \u00f3dio; bodes expiat\u00f3rios perfeitos para ocultar os verdadeiros respons\u00e1veis destes crimes contra a humanidade. S\u00e3o acusados de homic\u00eddio em massa, e os media do grande capital tentam responsabilizar as supostas \u201cmafias do tr\u00e1fego de pessoas\u201d pela continuada trag\u00e9dia do Mediterr\u00e2neo e do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Esta trag\u00e9dia do falecimento atroz de centenas de pessoas provenientes da L\u00edbia \u00e9 tamb\u00e9m uma das consequ\u00eancias da invas\u00e3o contra a L\u00edbia, perpetrada pelos \u201caliados\u201d e sua OTAN em 2011.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da L\u00edbia foi uma interven\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do Grande Capital Transnacional que a OTAN empreendeu com a ajuda de mercen\u00e1rios paramilitares infiltrados em L\u00edbia a partir dos servi\u00e7os secretos europeus e estado-unidenses. Esta invas\u00e3o articulou-se com a total cumplicidade do aparelho medi\u00e1tico do capitalismo transnacional, que chamava \u201drebeldes\u201d aos paramilitares mercen\u00e1rios com a finalidade de justificar a invas\u00e3o e o genoc\u00eddio contra o povo l\u00edbio e o seu governo de ent\u00e3o, de Muammar Al Kadhafi. Durante o governo de Kadhafi, a L\u00edbia era o pa\u00eds com o mais alto n\u00edvel de vida de toda a \u00c1frica; raz\u00e3o pela qual se fixaram na L\u00edbia muit\u00edssimos africanos de outras regi\u00f5es de \u00c1frica. Estes africanos juntam-se hoje aos que tentam chegar \u00e0 Europa fortaleza: a essa UE que saqueia as riquezas de \u00c1frica, mas que depois n\u00e3o quer as pessoas.<\/p>\n<p>A L\u00edbia foi alvo da cobi\u00e7a capitalista por v\u00e1rias raz\u00f5es: tem no seu solo um petr\u00f3leo dos mais superficiais do mundo e um potencial produtivo estimado em mais de 3 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios. Desde 2009 Kadhafi desenvolvia um plano para nacionalizar o petr\u00f3leo l\u00edbio. O plano de nacionaliza\u00e7\u00e3o foi impedido por opositores no pr\u00f3prio seio do governo. Muitos destes opositores \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o mascararam-se de \u201cchefes rebeldes\u201d ao servi\u00e7o dos interesses das transnacionais.<br \/>\nPara al\u00e9m disso a L\u00edbia possui uma imensa reserva h\u00eddrica subterr\u00e2nea, estimada em 35.000 quil\u00f3metros c\u00fabicos de \u00e1gua, que faz parte do Sistema Aqu\u00edfero N\u00fabio de Arenisca (NSAS), a maior reserva f\u00f3ssil de \u00e1gua do mundo. Nos anos oitenta a L\u00edbia iniciou um projecto de grande escala de aprovisionamento de \u00e1gua: o Grande Rio Artificial da L\u00edbia, considerado um dos maiores projectos de engenharia, que distribu\u00eda \u00e1gua a partir dos aqu\u00edferos f\u00f3sseis. Uma vez conclu\u00eddo, o sistema cobriria L\u00edbia, Egipto, Sud\u00e3o e Chade, e potenciaria assim a seguran\u00e7a alimentar de uma regi\u00e3o afectada pela escassez de \u00e1gua para a agricultura. Isso evitaria que esses pa\u00edses recorressem aos fundos do FMI: algo que se opunha \u00e0 aspira\u00e7\u00e3o por parte do Ocidente ao monop\u00f3lio global dos recursos h\u00eddricos e alimentares.<\/p>\n<p>Por outro lado, a L\u00edbia possu\u00eda 200 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares de reservas internacionais que foram confiscadas pelos seus agressores. Foram estes os m\u00f3biles do crime contra a L\u00edbia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a agress\u00e3o imperialista a L\u00edbia ficou destru\u00edda, sem infra-estrutura aqu\u00edfera nem vi\u00e1ria, nem escolas, nem hospitais, uma vez que at\u00e9 estes foram bombardeados. Antes da invas\u00e3o imperialista, as mulheres na L\u00edbia viviam com muito mais liberdade do que em outros pa\u00edses da regi\u00e3o; ap\u00f3s a invas\u00e3o, uma das primeiras medidas do governo de mercen\u00e1rios instalado pela OTAN foi decretar a lei da Sharia, atrozmente cruel para com as mulheres, tudo isto sob os aplausos da UE e EUA. Outra das consequ\u00eancias da invas\u00e3o da L\u00edbia \u00e9 o surgimento de grupos de terrorismo paramilitar em diferentes pa\u00edses da regi\u00e3o: os mercen\u00e1rios empregados pelos servi\u00e7os secretos europeus e estado-unidenses reciclam-se em outras opera\u00e7\u00f5es do terror. Destas opera\u00e7\u00f5es surge o Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>A L\u00edbia foi torturada por aquilo que os media mentirosos tiveram o cinismo de chamar \u201cbombardeamentos humanit\u00e1rios\u201d. Toda a direita europeia e inclusive parte da dita esquerda europeia fez-se c\u00famplice desta aberrante opera\u00e7\u00e3o de neocolonialismo visando apropriar-se dos imensos recursos petroleiros e aqu\u00edferos da L\u00edbia. As transnacionais ampliaram as suas fortunas na base da tortura do povo L\u00edbio.<\/p>\n<p>O capitalismo \u00e9 o respons\u00e1vel por estas tragedias, e concretamente os grandes capitalistas que lucram com o suor alheio e o saque do planeta: s\u00e3o eles os criminosos de Lesa Humanidade. Esses que os media nos apresentar\u00e3o como \u201cempres\u00e1rios de sucesso\u201d. 85 multimilion\u00e1rios possuem uma riqueza igual \u00e0 que 3.570 milh\u00f5es de pessoas partilham, pessoas que sobrevivem exploradas em infernais barrac\u00f5es, tendo que vender os seus \u00f3rg\u00e3os, tendo que trabalhar em f\u00e1bricas que as sepultam vivas, tendo que prostituir-se desde a inf\u00e2ncia, ou tendo que empreender \u00eaxodos terr\u00edveis, cuja culmina\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 outra sen\u00e3o a morte por afogamento, ou o afogamento em vida, tendo que trabalhar a troco de migalhas na Europa fortaleza, caso sobrevivam \u00e0 viagem.<\/p>\n<p>Hoje s\u00e3o milhares de homens jovens, mulheres e crian\u00e7as, que o mar tragou. Um mar cujas ondas v\u00e3o e v\u00eam entre \u00c1frica e Europa, testemunhas silenciosas do genoc\u00eddio capitalista, lambendo as praias dos pa\u00edses saqueados e tamb\u00e9m aquelas praias que s\u00e3o as portas do cinismo mais absoluto.<\/p>\n<p>NOTAS:<br \/>\n(1) http:\/\/eldia.es\/agencias\/8061022-INMIGRACI-N-MEDITERR-NEO-ITALIA-Prevision-Italia-busca-respuestas-naufragio-Cuantos-eran-que-hundieron<\/p>\n<p>(2) http:\/\/www.telesurtv.net\/news\/Barco-con-700-inmigrantes-se-hunde-en-costas-de-Libia-20150419-0010.html<\/p>\n<p>Fonte: www.elmuroinvisible.blogspot.com<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=3631\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=3631<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cecilia Zamudio O recente naufr\u00e1gio em que mais de 900 migrantes africanos perderam a vida no estreito da Sic\u00edlia \u00e9 mais um tr\u00e1gico \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8111\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[177,18,38],"tags":[],"class_list":["post-8111","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-s22-europa","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-26P","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8111"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8111\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}