{"id":8195,"date":"2015-05-08T14:18:19","date_gmt":"2015-05-08T17:18:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8195"},"modified":"2017-11-05T17:02:32","modified_gmt":"2017-11-05T20:02:32","slug":"nos-70-anos-da-vitoria-de-1945","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8195","title":{"rendered":"Nos 70 anos da Vit\u00f3ria de 1945"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-i7_j-t7XdoQ\/Vy-VRBZosUI\/AAAAAAAAGjc\/sDro3uaElh8QR6qIqR00pDQRd5_JfX62QCLcB\/s1600\/ur.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Jorge Cadima*<\/p>\n<p>O mundo mudou muito desde 1939. H\u00e1 hoje fortes pontos de contacto com a realidade de ent\u00e3o, tal como existem importantes diferen\u00e7as, sendo a mais relevante o <!--more-->desaparecimento da URSS. De novo o capitalismo global se mostra incapaz de gerir as suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es e crise. De novo ambi\u00e7\u00f5es de hegemonia planet\u00e1ria imposta pela for\u00e7a das armas fazem pairar o espectro de novo conflito mundial. Os principais perigos de guerra n\u00e3o v\u00eam hoje das pot\u00eancias emergentes, mas das velhas pot\u00eancias imperialistas (EUA e da UE) incapazes de estancar o seu decl\u00ednio relativo e de travar a ascens\u00e3o de outros pa\u00edses, nomeadamente extra-europeus. Importa aprender com as li\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria. Entre as quais a grande li\u00e7\u00e3o da II GM sobre o papel decisivo da luta dos povos, mesmo perante as maiores adversidades e quando tudo pode parecer perdido. Foi essa confian\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o que permitiu ao povo sovi\u00e9tico e ao seu Partido Comunista desempenhar o dif\u00edcil mas honroso combate que salvou a Humanidade em 1945.<\/p>\n<p>Assinalar o fim da II Guerra Mundial na Europa e a derrota do monstro nazi-fascista nunca \u00e9 mera formalidade. Trag\u00e9dia maior da Hist\u00f3ria humana, a II Grande Guerra (II GM) foi tamb\u00e9m, em m\u00faltiplos aspectos, um momento de viragem hist\u00f3rico. Mas a comemora\u00e7\u00e3o dos 70 anos de Maio de 1945 ganha import\u00e2ncia ainda maior. Confrontadas com uma crise do sistema capitalista de profundidade sem precedentes, boa parte das classes dominantes aposta de novo na guerra, na ditadura e na viol\u00eancia, como instrumentos para afirmar o seu poder. Conhecer o fascismo, as suas origens e patrocinadores, a sua realidade e tr\u00e1gicas consequ\u00eancias, \u00e9 um imperativo, n\u00e3o s\u00f3 para entender o passado, mas tamb\u00e9m o presente.<\/p>\n<p>A II GM \u00e9 insepar\u00e1vel da Grande Guerra de 1914-18, de que foi em certos aspectos a continua\u00e7\u00e3o; do ascenso nos anos 20 e 30 do nazi-fascismo \u2013 express\u00e3o mais brutal e violenta do capitalismo e causa directa da Guerra de 1939-45; e da grande crise do capitalismo iniciada em 1929, que alimentou o fascismo, em particular a sua variante mais violenta e perigosa, o nazismo. A primeira metade do S\u00e9culo XX foi de crise permanente, indissoci\u00e1vel do sistema capitalista e das suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na II GM morreram mais de 60 milh\u00f5es de pessoas \u2013 quase metade sovi\u00e9ticos \u2013 ou seja, mais de 3% da popula\u00e7\u00e3o mundial de ent\u00e3o e quase 15% da popula\u00e7\u00e3o da URSS. Em 2 mil dias do conflito registaram-se cerca de 30 mil mortos por dia. \u00c0 carnificina juntou-se a destrui\u00e7\u00e3o em larga escala do continente europeu \u2013 em especial da URSS (e da Alemanha), onde se travaram o grosso dos combates \u2013 e parte importante do Extremo Oriente. Quase toda a Europa continental chegou a estar sob o dom\u00ednio directo ou indirecto do nazi-fascismo e em 1942 parecia plaus\u00edvel que as pot\u00eancias fascistas vencessem a guerra.<\/p>\n<p>Tecnologia moderna foi usada para matar milh\u00f5es de seres humanos, com blindados, avia\u00e7\u00e3o e foguet\u00f5es como os V1 e V2 alem\u00e3es que semearam a morte e destrui\u00e7\u00e3o em Inglaterra, mas tamb\u00e9m com as bombas incendi\u00e1rias anglo-americanas (que em T\u00f3quio provocaram 100 mil mortos em 9 de Mar\u00e7o de 1943 e em Dresden 25 mil mortos em duas noites de Fevereiro de 1945) e sobretudo no bombardeamento at\u00f3mico pelos EUA das cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaqui, em Agosto de 1945. A barb\u00e1rie foi levada ao extremo nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazis, que eram n\u00e3o apenas campos de exterm\u00ednio de quantos eram incapazes de trabalhar, mas tamb\u00e9m campos de trabalho [1] onde a explora\u00e7\u00e3o era levada at\u00e9 \u00e0 morte, e que asseguravam a m\u00e3o-de-obra a custo quase nulo para que os grandes monop\u00f3lios que levaram Hitler ao poder (Thyssen, Krupp, IG Farben, etc. [2]) pudessem engordar e alimentar a poderosa m\u00e1quina de guerra nazi.<\/p>\n<p>O professor de Hist\u00f3ria Econ\u00f3mica nas Universidades de Cambridge e Yale, Adam Tooze, na sua grande obra sobre a economia da Alemanha Nazi, escreve: \u00abo primeiro campo a fornecer em grande escala os seus reclusos foi Auschwitz que, para al\u00e9m do estaleiro de constru\u00e7\u00e3o da IG [Farben] em Monowitz, tamb\u00e9m fornecia m\u00e3o-de-obra para projectos da ind\u00fastria pesada em toda a Sil\u00e9sia. Foi seguida por Oranienburg, que forneceu 800 reclusos \u00e0 Heinkel em Setembro de 1942, e Ravensbruck, que fornecia trabalhadoras \u00e0 Siemens. Em breve, Mauthausen estabelecera uma rela\u00e7\u00e3o com a Steyr Daimler Puch. Sacshausen abastecia a f\u00e1brica da Daimler-Benz em Genshagen. Dachau fazia neg\u00f3cio com a BMW. Outros parceiros not\u00e1veis das SS inclu\u00edam [\u2026] a f\u00e1brica da V[olks]W[agen] em Fallersleben\u00bb[3].<\/p>\n<p><b>A caminho da Guerra<\/b><\/p>\n<p>Os livros de Hist\u00f3ria indicam o come\u00e7o da guerra em Setembro de 1939 quando, ap\u00f3s a invas\u00e3o da Pol\u00f3nia pelas tropas nazis, Inglaterra e Fran\u00e7a declaram guerra \u00e0 Alemanha. Mas os anos anteriores haviam sido j\u00e1 anos de agress\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es por parte das pot\u00eancias fascistas. Em 1931 o Jap\u00e3o imperial, futuro aliado de Hitler e Mussolini, ocupa a Manch\u00faria chinesa. Em 1935 a It\u00e1lia fascista lan\u00e7ou a sua guerra de rapina contra a Eti\u00f3pia, \u00fanico pa\u00eds africano que havia mantido a sua independ\u00eancia durante a vaga de ocupa\u00e7\u00f5es coloniais. A Eti\u00f3pia foi abandonada \u00e0 sua sorte. \u00abO seu apelo \u00e0 Sociedade das Na\u00e7\u00f5es [antecessora da ONU \u2013 N. do A.] apenas foi apoiado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e alguns pequenos Estados. Os EUA, Inglaterra e Fran\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 se negaram a vender armas \u00e0 Eti\u00f3pia, como recorreram, na pr\u00e1tica, a um bloqueio contra ela\u00bb[4].<\/p>\n<p>Igual sorte teve a v\u00edtima seguinte, a Espanha Republicana, cujo governo democraticamente eleito foi impedido de se defender do golpe militar do fascista Franco \u2013 apesar do apoio militar que este recebeu de Mussolini e Hitler \u2013 pela vergonhosa pol\u00edtica da \u00abn\u00e3o interven\u00e7\u00e3o\u00bb, que na realidade representou uma luz verde das \u2018democracias ocidentais\u2019 \u00e0 vit\u00f3ria do fascismo espanhol. Apenas a URSS se manteve solid\u00e1ria com a Rep\u00fablica democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>No Extremo Oriente, o Jap\u00e3o, aliado desde 1936 \u00e0 Alemanha nazi e \u00e0 It\u00e1lia fascista no \u00abPacto Anti-Comintern\u00bb \u2013 que, como o pr\u00f3prio nome indica, assentava no combate \u00e0 Internacional Comunista e \u00e0 URSS \u2013 lan\u00e7ou-se numa nova fase de ocupa\u00e7\u00e3o da China em Julho de 1937. Em Mar\u00e7o de 1938 foi a vez de a Alemanha anexar a vizinha \u00c1ustria (o \u00abAnschluss\u00bb).<\/p>\n<p>Em seguida, Hitler virou-se para a Checoslov\u00e1quia, que foi retalhada pelos acordos de Munique, um dos mais s\u00f3rdidos epis\u00f3dios da pol\u00edtica colaboracionista das classes dirigentes de Fran\u00e7a e Inglaterra com o ascenso do nazi-fascismo. Em 29 e 30 de Setembro de 1938, os Primeiros-ministros ingl\u00eas e franc\u00eas, Chamberlain e Daladier, em conjunto com Mussolini e Hitler, desmembraram aquele pa\u00eds \u2013 com quem a Fran\u00e7a tinha um acordo de defesa m\u00fatua. De fora da confer\u00eancia ficou o Governo checoslovaco, que foi v\u00edtima das chantagens e amea\u00e7as anglo-francesas[5]. Nos dias seguintes a Alemanha nazi ocupou a zona dos Sudetas e a Pol\u00f3nia e Hungria ocuparam tamb\u00e9m parcelas de territ\u00f3rio checoslovaco. E em Mar\u00e7o de 1939 a Alemanha tomou conta do que restava do pa\u00eds. A Pol\u00f3nia viria a ser a pr\u00f3xima v\u00edtima dos apetites expansionistas de Hitler.<\/p>\n<p>Para compreender o compadrio das democracias burguesas com o ascenso do fascismo \u00e9 preciso ter presente as suas ra\u00edzes de classe. O fascismo emergiu das entranhas do sistema capitalista, como domina\u00e7\u00e3o sem entraves pelo grande capital e latifundi\u00e1rios, que se sentiam amea\u00e7ados pela ascens\u00e3o impetuosa do movimento oper\u00e1rio e popular na viragem do s\u00e9culo, pela Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e pelas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es e crises do sistema, que eram incapazes de controlar. Foi assim em It\u00e1lia[6], na Alemanha[7], em Espanha ou Portugal. E foi assim tamb\u00e9m em Fran\u00e7a, Inglaterra ou EUA, onde sectores importantes das classes dominantes eram simpatizantes do fascismo. Norman Montagu, Governador do Banco de Inglaterra (que, sendo o banco central, foi tamb\u00e9m um banco privado at\u00e9 1946), declarou numa confer\u00eancia em Nova Iorque em 1934: \u00abHitler e Schacht [Presidente do Reichsbank e Ministro da Economia de Hitler \u2013 NA] s\u00e3o na Alemanha basti\u00f5es da civiliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os \u00fanicos amigos que temos naquele pa\u00eds. Defendem o nosso tipo de ordem social contra o comunismo. Se eles fracassarem, os comunistas chegar\u00e3o ao poder na Alemanha e, nesse caso, tudo ser\u00e1 poss\u00edvel na Europa\u00bb[8].<\/p>\n<p>Mesmo Churchill, que mais tarde encabe\u00e7aria o sector da classe dirigente inglesa que fez frente ao nazi-fascismo, n\u00e3o o fez por convic\u00e7\u00f5es antifascistas. O seu bi\u00f3grafo ingl\u00eas Clive Ponting escreve: \u00abChurchill era um grande admirador de Mussolini, que chegara ao poder em It\u00e1lia em 1922. Saudava quer o anticomunismo de Mussolini, quer a sua forma autorit\u00e1ria de organizar e disciplinar os italianos. Visitou a It\u00e1lia em 1927 [\u2026] e encontrou-se com Mussolini, sobre quem proferiu rasgados elogios numa confer\u00eancia de imprensa [\u2026]. \u2018Se fosse italiano, estou seguro que estaria de todo o cora\u00e7\u00e3o ao vosso lado, desde o in\u00edcio at\u00e9 ao fim, na vossa luta triunfante contra os apetites e paix\u00f5es animalescas do Leninismo\u2019. Durante os dez anos seguintes, Churchill continuou a elogiar Mussolini\u00bb[9]. E sobre as simpatias de Churchill pelos golpistas espanh\u00f3is escreve Ponting: \u00abtodas as suas simpatias estavam com Franco e o lado nacionalista. [\u2026] Descreveu o governo leg\u00edtimo e a parte republicana como \u2018um proletariado pobre e atrasado que exige o derrube da Igreja, do Estado e da propriedade e a instala\u00e7\u00e3o dum regime Comunista\u2019. Contra eles erguiam-se \u2018for\u00e7as patri\u00f3ticas, religiosas e burguesas, sob o comando do ex\u00e9rcito [\u2026] em marcha para reestabelecer a ordem atrav\u00e9s da instaura\u00e7\u00e3o duma ditadura militar\u2019\u00bb [sic!].<\/p>\n<p>Em Fran\u00e7a, o \u2019susto\u2019 da vit\u00f3ria eleitoral da Frente Popular em 1936 levara \u00e0 fasciza\u00e7\u00e3o de largos sectores da burguesia, \u00abcome\u00e7ando[-se] a ouvir nos c\u00edrculos da classe alta em Paris um coment\u00e1rio que se tornou quase num c\u00e2ntico: \u2018antes Hitler que Blum\u2019\u00bb[10]). Nos meses que antecederam a invas\u00e3o nazi, a burguesia francesa dedicou-se a proibir e perseguir o Partido Comunista Franc\u00eas (que viria a ser a for\u00e7a dirigente da resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o) e a ultimar planos para um ataque militar \u00e0 URSS [10]! A \u00abop\u00e7\u00e3o pela derrota\u00bb (t\u00edtulo dum livro da historiadora francesa Annie Lacroix-Riz) haveria de conduzir \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o frente \u00e0 invas\u00e3o nazi em apenas seis semanas e \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do \u2018governo\u2019 colaboracionista de Vichy.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de coniv\u00eancia com Hitler, conhecida por \u00abappeasement\u00bb, era na realidade muito mais do que \u2018apaziguamento\u2019. As classes dirigentes das \u2018democracias ocidentais\u2019 que acolheram com simpatia o ascenso de Mussolini, Franco e Hitler, pensavam resolver as suas rivalidades, que um quarto de s\u00e9culo antes haviam conduzido \u00e0 guerra, \u00e0 custa da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, inimigo de classe comum. No seu livro de 1925-6 Mein Kampf, Hitler via a\u00ed o \u2018espa\u00e7o vital\u2019 (Lebensraum) para o povo alem\u00e3o. Em Munique, em Setembro de 1938, Chamberlain prop\u00f4s a Hitler \u00aba solu\u00e7\u00e3o do problema russo\u00bb[12]. Em Janeiro de 1939, o Chefe de Estado-Maior da Marinha francesa Darlan escrevia: \u00abDevemos antes de mais nada conservar o nosso Imp\u00e9rio. O resto \u00e9 secund\u00e1rio. Por isso [\u2026] devemos deixar a Alemanha livre de agir no Leste\u00bb[13]. O Leste, e a URSS em particular, seria o imp\u00e9rio colonial da Alemanha \u2013 que chegara tarde \u00e0 \u2018corrida para \u00c1frica\u2019 imperialista de finais do S\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Escreve o Prof. Tooze: \u00abNo Outono de 1941 Hitler voltou repetidamente ao exemplo americano ao discutir o futuro da Alemanha no Leste. O Volga, declarou, seria o Mississipi da Alemanha. E a conquista sangrenta do Oeste Americano dava \u00e0 Alemanha o direito de que necessitava para justificar a limpeza da popula\u00e7\u00e3o eslava. [\u2026] Uma popula\u00e7\u00e3o \u2019superior\u2019 de colonos iria deslocar uma popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u2018inferior\u2019 abrindo o caminho a uma nova era de possibilidades econ\u00f3micas\u00bb[14]. O anti-semitismo nazi n\u00e3o estava desligado desse objectivo. Escrevera Hitler no Mein Kampf: \u00aba ess\u00eancia e objectivo do Bolchevismo \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o das camadas da Humanidade que at\u00e9 aqui garantiram a lideran\u00e7a, e a sua substitui\u00e7\u00e3o pela Judiaria mundial\u00bb [15]. A \u00abconspira\u00e7\u00e3o judaico-bolchevique\u00bb era uma teoria ent\u00e3o popular no seio das \u2018instru\u00eddas\u2019 classes dominantes europeias e norte-americana, da qual mesmo Churchill se fez porta-voz [16].<\/p>\n<p>Escreve Tooze: \u00abA invas\u00e3o alem\u00e3 da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u00e9 [\u2026] a \u00faltima grande conquista territorial na longa e sangrenta hist\u00f3ria do colonialismo europeu. A destrui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o judaica era o primeiro passo para extirpar o Estado bolchevique. O que se seguiria seria uma gigantesca campanha de limpeza de territ\u00f3rio e de coloniza\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m envolvia a \u2018limpeza\u2019 da esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o eslava e a coloniza\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de hectares do Lebensraum oriental com colonos alem\u00e3es\u00bb [17]. A guerra era o desenlace inevit\u00e1vel destas concep\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m do facto de que a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica da Alemanha nos anos do nazismo assentara na militariza\u00e7\u00e3o acelerada. \u00abQuase metade (47%) do crescimento no produto nacional total da Alemanha entre 1935 e 1938 era resultado directo do aumento nas despesas militares do Reich\u00bb [18].<\/p>\n<p>Durante anos, a URSS desenvolveu uma ac\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica intensa, visando criar um sistema de seguran\u00e7a colectiva com acordos de n\u00e3o-agress\u00e3o e defesa m\u00fatua entre o maior n\u00famero poss\u00edvel de pa\u00edses. Em particular, procurou acordos deste tipo com as duas velhas pot\u00eancias capitalistas europeias, Inglaterra e Fran\u00e7a\u00bb [19], as principais pot\u00eancias coloniais de ent\u00e3o, e com a maior das pot\u00eancias capitalistas (EUA). Esta pol\u00edtica da URSS baseava-se numa an\u00e1lise sobre os perigos do ascenso do fascismo para a paz mundial e para os povos e sobre as possibilidades resultantes das rivalidades existentes.<\/p>\n<p>O grande dirigente b\u00falgaro da Internacional Comunista, Dimitrov, escrevia em 1937\u00bb [20]: \u00abH\u00e1 dois anos, em Agosto de 1935, o VII Congresso da Internacional Comunista, analisando a situa\u00e7\u00e3o internacional e procurando as vias e os meios de luta da classe oper\u00e1ria contra a ofensiva do fascismo, demonstrou a indissol\u00favel liga\u00e7\u00e3o entre a luta contra o fascismo e a luta pela paz. O fascismo \u00e9 a guerra, declarou o Congresso. [\u2026] Ao aceder ao poder, contra a vontade e os interesses do povo, o fascismo procura uma solu\u00e7\u00e3o para as suas dificuldades internas crescentes na agress\u00e3o contra outros pa\u00edses e outros povos, numa nova divis\u00e3o do mundo atrav\u00e9s do desencadeamento de uma guerra mundial\u00bb. Esta \u00abnova divis\u00e3o do mundo\u00bb, que as pot\u00eancias fascistas pretendiam impor pela guerra exprimia as mesmas rivalidades inter-imperialistas que conduziram \u00e0 I Guerra Mundial. A Internacional Comunista considerava que o perigo duma nova guerra mundial \u2013 para os trabalhadores e os povos, incluindo para a URSS socialista entretanto surgida com a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro \u2013 tornava necess\u00e1ria a unidade de toda a classe oper\u00e1ria, mas n\u00e3o s\u00f3: exigia \u00aba unidade de ac\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses interessados na manuten\u00e7\u00e3o da paz\u00bb. Mas a pol\u00edtica de paz da URSS n\u00e3o alcan\u00e7ou frutos imediatos: n\u00e3o era o fascismo que era visto pelas classes dirigentes dos pa\u00edses capitalistas como amea\u00e7a, mas sim os comunistas e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica socialista.<\/p>\n<p>Tentar fazer crer (como est\u00e1 hoje na moda) que a responsabilidade da guerra recai sobre a URSS por ter assinado, em 23 de Agosto de 1939, ou seja uma semana antes do ataque de Hitler \u00e0 Pol\u00f3nia, um Tratado de N\u00e3o-Agress\u00e3o com a Alemanha, \u00e9 fazer t\u00e1bua rasa da verdade hist\u00f3rica. O acordo permitiu evitar que a URSS viesse a encontrar-se isolada, combatendo simultaneamente em duas frentes: naqueles mesmos dias tropas sovi\u00e9ticas combatiam lado a lado com os seus aliados mong\u00f3is contra tropas japonesas invasoras, junto ao rio Khalkhin Gol. O acordo permitia ainda ganhar tempo precioso. Como escreve o gaullista De La Gorce: \u00abN\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida de que os acordos de Munique convenceram [os sovi\u00e9ticos] de que a Fran\u00e7a e a Gr\u00e3-Bretanha, perante o risco de uma guerra geral, preferiam um compromisso com Hitler e exclu\u00edam, em qualquer caso, a op\u00e7\u00e3o de lhe resistir com a ajuda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. N\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida de que eles foram sens\u00edveis a todos os ind\u00edcios que sugeriam que elas deixariam a Hitler as m\u00e3os livres no Leste e que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica deveria ent\u00e3o enfrentar, sozinha, as ac\u00e7\u00f5es alem\u00e3s, com o risco de ver Londres e Paris intervirem mais tarde, quando a Alemanha e a R\u00fassia se tivessem mutuamente destru\u00eddo. [\u2026] N\u00e3o \u00e9 correcto, como fizeram mais tarde os pa\u00edses ocidentais, invocar qualquer semelhan\u00e7a entre a URSS e a Alemanha para ver nisso o verdadeiro fundamento do pacto germano-sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>A hostilidade feroz para com o comunismo e a vontade de destru\u00ed-lo sob todas as suas formas estavam na pr\u00f3pria raiz dos movimentos fascistas. [\u2026] Foi o partido comunista alem\u00e3o que [Hitler] proibiu e esmagou em primeiro lugar\u00bb\u00bb [21]. Havia, ali\u00e1s, precedentes para acordos com Hitler: o acordo anglo-germ\u00e2nico sobre a d\u00edvida de 1934\u00bb [22]; o tratado naval anglo-germ\u00e2nico de 1935, assinado \u00abnas costas da Fran\u00e7a\u00bb\u00bb [23]; o pacto p\u00f3s-Munique Bonnet-Ribbentrop; ou o tratado de n\u00e3o-agress\u00e3o polaco-alem\u00e3o de 1934. Tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da \u2018ocupa\u00e7\u00e3o da Pol\u00f3nia oriental pelas tropas sovi\u00e9ticas\u2019 \u00e9 objecto de falsifica\u00e7\u00e3o. A URSS aproveita a conjuntura criada em Agosto de 1939 para recuperar territ\u00f3rios que haviam sido seus, chegando at\u00e9 \u00e0 linha de armist\u00edcio proposta na guerra polaco-sovi\u00e9tica em 1920 pelo ent\u00e3o MNE ingl\u00eas, Lord Curzon. Essa guerra fora iniciada pelas classes dirigentes polacas para, aproveitando as debilidades da jovem R\u00fassia sovi\u00e9tica, anexar territ\u00f3rio. A Linha Curzon \u00e9 hoje a fronteira da Pol\u00f3nia, e os territ\u00f3rios a leste (descritos como \u2018Pol\u00f3nia Oriental\u2019 pela propaganda anti-sovi\u00e9tica) s\u00e3o hoje territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia, Bielorr\u00fassia e Litu\u00e2nia. Incluem Vilnius, a capital da Litu\u00e2nia. Nessa regi\u00e3o, \u00abmesmo de acordo com as estat\u00edsticas oficiais polacas do per\u00edodo inter-guerras, os polacos n\u00e3o constitu\u00edam a maioria da popula\u00e7\u00e3o\u00bb [24]. \u00abMal tinha sido estabelecido pelos seus amigos ocidentais, [a Pol\u00f3nia] travou guerras contra a R\u00fassia, a Alemanha, a Litu\u00e2nia e mesmo a Checoslov\u00e1quia \u2013 em todos os casos para ocupar territ\u00f3rios em disputa\u00bb [25].<\/p>\n<p>O ditador polaco Pilsudski, e o seu Ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros Beck \u00abque tinha calorosas simpatias pela ditadura Nazi\u00bb aproveitaram os acordos de Munique para, a 1 de Outubro de 1939, ocuparem a regi\u00e3o checa de Teschen. Como em Fran\u00e7a e Inglaterra, foi a cegueira reaccion\u00e1ria dos dirigentes polacos que conduziu o seu pa\u00eds \u00e0 desgra\u00e7a e o mundo \u00e0 guerra. N\u00e3o \u00e9 preciso concordar-se com todos os aspectos da pol\u00edtica externa sovi\u00e9tica daqueles anos para perceber que a reescrita da Hist\u00f3ria que \u00e9 hoje moeda corrente procura escamotear as simpatias fascizantes de grande parte das classes dominantes da Europa dos anos 30 e as suas responsabilidades directas no abrir caminho para a cat\u00e1strofe de 1939-45.<\/p>\n<p><b>A Guerra<\/b><\/p>\n<p>Apesar de acordos de defesa m\u00fatua entre a Pol\u00f3nia e a Inglaterra e Fran\u00e7a, que obrigavam estes \u00faltimos a intervir militarmente em caso de agress\u00e3o \u00e0 Pol\u00f3nia, a verdade \u00e9 que \u00e0 invas\u00e3o nazi se seguiram sete meses de quase inactividade militar, no que ficou conhecido em ingl\u00eas por \u00abphoney war\u00bb, em franc\u00eas por \u00abdr\u00f4le de guerre\u00bb e em alem\u00e3o por \u00absitzkrieg\u00bb (\u2019guerra sentada\u2019). Esta \u00abfalsa guerra\u00bb prolongou-se mesmo durante a invas\u00e3o da Dinamarca e Noruega em Abril de 1940. Apenas em Maio, quando as tropas nazis invadem a B\u00e9lgica, Holanda, Luxemburgo e Fran\u00e7a, e quando Chamberlain \u00e9 substitu\u00eddo por Churchill, se pode falar de reais opera\u00e7\u00f5es militares envolvendo as tropas anglo-francesas.<\/p>\n<p>A Segunda Guerra, tal como a Primeira, come\u00e7ava como express\u00e3o das rivalidades inter-imperialistas. Hitler, receoso de ver a Alemanha entalada entre duas frentes como em 1914-18, desejoso duma desforra hist\u00f3rica [26] e consciente da receptividade que encontraria nas classes dominantes ocidentais, decide controlar a sua retaguarda para depois se dedicar ao objectivo estrat\u00e9gico de sempre: a URSS. O desastre de Dunkirk e a capitula\u00e7\u00e3o das classes dirigentes francesas permitiram que, em pouco tempo, Hitler controlasse o enorme potencial econ\u00f3mico da Europa Ocidental continental, factor nada secund\u00e1rio para o curso da futura guerra a Leste.<\/p>\n<p>Em Junho de 1941 come\u00e7a o ataque \u00e0 URSS. Foi nos gigantescos combates travados na Frente Leste que se decidiu a II GM. Por muito que custe \u00e0 fic\u00e7\u00e3o hollywoodiana, \u00abo ataque lan\u00e7ado pela Wehrmacht a 22 de Junho de 1941 foi a maior opera\u00e7\u00e3o militar de que h\u00e1 registo hist\u00f3rico\u00bb e \u00abnunca, nem antes, nem depois, uma batalha foi travada com tanta ferocidade por tantos homens, numa frente de batalha t\u00e3o extensa\u00bb [27]. \u00c9 imposs\u00edvel escamotear o facto hist\u00f3rico de que a grande maioria das for\u00e7as armadas nazi-fascistas estava concentrada na Frente Leste, e que a sua derrota determinou a derrota final do nazismo em 1945. \u00abAo longo do ano 1942 o Ex\u00e9rcito Sovi\u00e9tico combatia contra 98% do Ex\u00e9rcito Alem\u00e3o operacional \u2013 178 divis\u00f5es concentradas na frente leste \u2013 enquanto que os brit\u00e2nicos combatiam contra quatro no Norte de \u00c1frica\u00bb [28].<\/p>\n<p>\u00c9 n\u00e3o apenas falso, mas vergonhoso, negar ou escamotear os incompar\u00e1veis sacrif\u00edcios do povo sovi\u00e9tico, o hero\u00edsmo do seu Ex\u00e9rcito Vermelho, a determina\u00e7\u00e3o e firmeza dos dirigentes sovi\u00e9ticos, sem os quais o curso da Hist\u00f3ria teria sido incomparavelmente mais negro para a Humanidade. N\u00e3o se pode esquecer nem silenciar o hero\u00edsmo dos combatentes que, desde o primeiro dia da invas\u00e3o da URSS deram a sua vida para travar o avan\u00e7o da, at\u00e9 ent\u00e3o invenc\u00edvel, m\u00e1quina de guerra nazi. No final de 1941 os nazis foram travados \u00e0s portas de Moscovo, numa plan\u00edcie sem obst\u00e1culos geogr\u00e1ficos dignos de nota. Pela primeira vez, o caminho das tropas de Hitler fora travado [29]. Nos duros meses seguintes, e \u00e0 custa de incont\u00e1veis sacrif\u00edcios e pesad\u00edssimas baixas, a resist\u00eancia foi gradualmente assentando terreno e criando condi\u00e7\u00f5es para passar \u00e0 ofensiva.<\/p>\n<p>Cercada pelo avan\u00e7o das tropas fascistas em Setembro de 1941, a segunda maior cidade sovi\u00e9tica, Leninegrado, resistiu sem capitular 872 dias, at\u00e9 ao romper do cerco em Janeiro de 1944. A sua resist\u00eancia her\u00f3ica \u00e9 bem o espelho do sacrif\u00edcio sovi\u00e9tico. O cerco custou a vida a quase um milh\u00e3o de pessoas, das quais 650 mil morreram de fome, frio e doen\u00e7as provocadas pela redu\u00e7\u00e3o abaixo dos limites de sobreviv\u00eancia das ra\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Nos seus avan\u00e7os de 1941-42, as tropas nazis penetraram em territ\u00f3rio sovi\u00e9tico entre 850 e 1200 km, ocupando uma superf\u00edcie de quase 2 milh\u00f5es de km2 onde vivia cerca de 42% da popula\u00e7\u00e3o e com um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o industrial [30]. Nos territ\u00f3rios ocupados, concretizava-se a \u2018limpeza\u2019 de Hitler. Entre as v\u00edtimas contam-se os prisioneiros de guerra sovi\u00e9ticos que \u00aba Wehrmacht sistematicamente matava \u00e0 fome. At\u00e9 ao final de Dezembro de 1941, de acordo com os registos da pr\u00f3pria Wehrmacht, o n\u00famero de prisioneiros alcan\u00e7ara 3,35 milh\u00f5es. Destes, apenas 1,1 milh\u00f5es ainda estavam vivos e apenas 400 mil em estado f\u00edsico suficiente para trabalhar. Dos 2,25 milh\u00f5es que morreram, 600 mil foram fuzilados\u00bb [31]. Os nazis prometeram a sobreviv\u00eancia a quantos se juntassem aos bandos colaboracionistas do \u2018Ex\u00e9rcito Vlasov\u2019, \u00abmas a esmagadora maioria dos prisioneiros de guerra sovi\u00e9ticos recusou a oferta e cerca de 2 milh\u00f5es [\u2026] a quem foi dada a op\u00e7\u00e3o, entre 1942 e 1945, de colabora\u00e7\u00e3o ou morte pela fome, escolheram a morte em vez de ajudar os Nazis\u00bb [32].<\/p>\n<p>O recuo das tropas sovi\u00e9ticas retirou importante potencial econ\u00f3mico ao esfor\u00e7o de guerra sovi\u00e9tico. Foram tomadas medidas de fundo para enfrentar a emerg\u00eancia. Investiu-se nas vastas regi\u00f5es n\u00e3o ocupadas (Urais, Sib\u00e9ria, \u00c1sia Central) e empreendeu-se uma \u00e9pica desmontagem e transfer\u00eancia para Leste de \u00ab1523 empresas, entre elas 1360 grandes f\u00e1bricas, a maioria de material de guerra. Em pouco mais de cinco meses foram transportados por via-f\u00e9rrea cerca de um milh\u00e3o e meio de carruagens com instala\u00e7\u00f5es evacuadas\u00bb [33]. A superioridade do sistema socialista de planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica manifestou-se aqui em toda a sua plenitude. Nas palavras de Tooze: \u00abSe houve um verdadeiro \u2018milagre armamentista\u2019 em 1942, ele verificou-se, n\u00e3o na Alemanha, mas nas f\u00e1bricas de armas dos Urais.<\/p>\n<p>Apesar de ter sofrido perdas territoriais e perturba\u00e7\u00f5es que resultaram numa perda de 25% no produto nacional global, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1942 conseguiu produzir mais do que a Alemanha em praticamente todas as categorias de armamento. [\u2026] Foi esta superioridade industrial, contr\u00e1ria a todas as expectativas, que permitiu ao Ex\u00e9rcito Vermelho, primeiro absorver a segunda grande investida da Wehrmacht e depois, em Novembro de 1942, lan\u00e7ar toda uma s\u00e9rie de contra-ataques demolidores. [\u2026] os triunfos de Zhukov e seus colegas teriam sido imposs\u00edveis n\u00e3o fora o excelente material militar fornecido pelas f\u00e1bricas sovi\u00e9ticas. [\u2026] Quem teve um desempenho excepcional foi a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que em 1942 produziu o dobro das armas de infantaria, tantas pe\u00e7as de artilharia e quase tantos avi\u00f5es de combate e tanques quantos os Estados Unidos, o campe\u00e3o indiscut\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o industrial a n\u00edvel mundial. O milagre Sovi\u00e9tico n\u00e3o se deveu ao aux\u00edlio ocidental\u00bb [34]. A grande industrializa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica dos anos 30 foi decisiva para o desenlace da II GM.<\/p>\n<p>A viragem nos campos de batalha deu-se em Estalinegrado. Travado no seu avan\u00e7o para os grandes centros urbanos sovi\u00e9ticos, Hitler voltou-se para uma ofensiva mais a sul, visando o petr\u00f3leo do C\u00e1ucaso, as regi\u00f5es agr\u00edcolas do Volga e a ind\u00fastria do Donbass e Estalinegrado. \u00abNesta situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a grandiosa batalha do Volga, que durou desde 17 de Julho de 1942 at\u00e9 2 de Fevereiro de 1943. [\u2026] Em determinadas etapas participaram na batalha de ambos os lados mais de 2 milh\u00f5es de pessoas [\u2026]. O bloco fascista perdeu na batalha de Estalinegrado entre mortos, feridos, prisioneiros e desaparecidos, quase 1,5 milh\u00f5es de soldados e oficiais, cerca de 3000 tanques e canh\u00f5es motorizados, mais de 12 000 canh\u00f5es e morteiros, at\u00e9 4400 avi\u00f5es, ou seja, uma quarta parte das suas for\u00e7as que actuavam na frente sovi\u00e9tico-alem\u00e3\u00bb [35].<\/p>\n<p>Ap\u00f3s Estalinegrado, as tropas sovi\u00e9ticas passaram \u00e0 ofensiva. Haveriam de se seguir outras grandes batalhas, como Kursk no Ver\u00e3o de 1943. No final desse ano, metade do territ\u00f3rio sovi\u00e9tico ocupado fora j\u00e1 libertado. Por toda a Europa ocupada surgiam movimentos de resist\u00eancia popular armada, em que os comunistas desempenhavam papel determinante e que foram cruciais na liberta\u00e7\u00e3o da Jugosl\u00e1via, Gr\u00e9cia, Alb\u00e2nia, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e outros pa\u00edses. Em Julho de 1943 d\u00e1-se tamb\u00e9m a primeira ac\u00e7\u00e3o militar importante das pot\u00eancias ocidentais, com a invas\u00e3o da Sic\u00edlia, que conduziria a um golpe palaciano que derruba Mussolini. Quando em Setembro desse ano o novo governo italiano decide retirar o pa\u00eds da guerra, os alem\u00e3es invadem e mant\u00eam o centro do pa\u00eds sob ocupa\u00e7\u00e3o at\u00e9 meados de 1944 e o norte at\u00e9 aos dias finais da guerra.<\/p>\n<p>O desembarque da Normandia, apresentado como epis\u00f3dio decisivo da guerra, apenas se d\u00e1 em Junho de 1944, ou seja, ap\u00f3s todas as grandes batalhas que decidiram, na Frente Leste, o curso da guerra, e numa altura em que o Ex\u00e9rcito Vermelho completara praticamente a liberta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional e iniciava a liberta\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses vizinhos. A liberta\u00e7\u00e3o de Berlim pelas tropas sovi\u00e9ticas, em Maio de 1945, foi o epis\u00f3dio final da guerra na Europa e fez justi\u00e7a hist\u00f3rica. Fora realmente a URSS, o seu Ex\u00e9rcito Vermelho, povo e Partido Comunista, que tiveram o papel decisivo na derrota do nazi-fascismo.<\/p>\n<p>O p\u00f3s-guerra<\/p>\n<p>O papel determinante da URSS e dos comunistas na vit\u00f3ria sobre o nazi-fascismo alterou profundamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mundial. Por toda a parte, o prest\u00edgio dos comunistas refor\u00e7ou o movimento oper\u00e1rio e as suas organiza\u00e7\u00f5es, que alcan\u00e7aram, na nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, conquistas sociais e laborais sem precedentes, quer com a chegada ao poder de governos populares no Leste da Europa, quer em pa\u00edses onde o dom\u00ednio capitalista se manteve (nalguns com comunistas no governo). O movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional dos pa\u00edses colonizados ou semi-colonizados avan\u00e7ou de forma impetuosa, lan\u00e7ando as bases para a derrocada dos imp\u00e9rios coloniais. Pa\u00edses imensos como a \u00cdndia e a Indon\u00e9sia alcan\u00e7aram a independ\u00eancia. Noutros (China, Vietname, Coreia), a liberta\u00e7\u00e3o nacional e social fundiram-se com a vit\u00f3ria de revolu\u00e7\u00f5es que colocavam expressamente o objectivo do socialismo. Uma nova ordem mundial progressista, consubstanciada nos princ\u00edpios da Carta da ONU, aflorava no horizonte. Mesmo nos pa\u00edses do centro capitalista foi poss\u00edvel arrancar ao grande capital conquistas importantes, como nacionaliza\u00e7\u00f5es de sectores b\u00e1sicos da economia ou servi\u00e7os de sa\u00fade, ensino e seguran\u00e7a social em muitos casos gratuitos e universais. A derrota do nazi-fascismo revelava tamb\u00e9m o seu conte\u00fado de classe ao obrigar as classes dominantes a fazer concess\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o impens\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para travar o impetuoso movimento oper\u00e1rio e popular no plano mundial, antes mesmo do final da II GM as pot\u00eancias anglo-sax\u00f3nicas optaram por um realinhamento que incorporou os advers\u00e1rios fascistas da v\u00e9spera numa nova alian\u00e7a global, em nome do anticomunismo. Os crimes at\u00f3micos dos EUA em Agosto de 1945 j\u00e1 foram muitas vezes descritos como sendo, n\u00e3o o \u00faltimo epis\u00f3dio da II GM, mas o primeiro do que se convencionaria chamar \u00abGuerra Fria\u00bb. A tentativa das pot\u00eancias europeias de preservar os seus imp\u00e9rios coloniais (na Indochina francesa, na Mal\u00e1sia brit\u00e2nica, na Indon\u00e9sia holandesa, entre outras), fora acompanhada da op\u00e7\u00e3o pela conten\u00e7\u00e3o e, quando poss\u00edvel o esmagamento pela for\u00e7a, das grandes organiza\u00e7\u00f5es populares da resist\u00eancia antifascista.<\/p>\n<p>Na Europa, este esmagamento atingiu propor\u00e7\u00f5es brutais na Gr\u00e9cia, pa\u00eds em grande parte libertado pelo movimento de resist\u00eancia popular EAM-ELAS, no qual a influ\u00eancia dos comunistas era decisiva. Em Dezembro de 1944, ainda em plena II GM, tropas brit\u00e2nicas e antigos serventu\u00e1rios da ocupa\u00e7\u00e3o nazi disparam sobre manifestantes desarmados nas ruas de Atenas, provocando 28 mortos e centenas de feridos [36]. A guerra iniciada pelos brit\u00e2nicos haveria de durar cinco anos e a ditadura mais tr\u00eas d\u00e9cadas. Id\u00eantica alian\u00e7a com fascistas repetiu-se a n\u00edvel mundial, com especial relev\u00e2ncia nas for\u00e7as militares, policiais e repressivas de numerosos pa\u00edses. Salazar foi membro fundador da NATO (OTAN), em 1949, e s\u00e3o conhecidas as liga\u00e7\u00f5es da PIDE com a CIA.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s o fim da guerra, em campos de concentra\u00e7\u00e3o ingleses na Alemanha \u00absuspeitos comunistas eram torturados numa tentativa de colher informa\u00e7\u00e3o sobre as inten\u00e7\u00f5es militares sovi\u00e9ticas\u00bb, sendo \u00abpelo menos dois [\u2026] mortos \u00e0 fome e pelo menos um espancado at\u00e9 \u00e0 morte\u00bb [37]. Largas centenas de cientistas nazis, incluindo intervenientes directos nos mais s\u00f3rdidos crimes, foram recrutados para trabalhar nos EUA (opera\u00e7\u00e3o Paperclip [38]), com papel de destaque, entre outros, no programa espacial norte-americano. Milhares de colaboracionistas nazis foram igualmente reciclados. De especial import\u00e2ncia foi o recrutamento de toda a estrutura de espionagem militar nazi na URSS, chefiada por Reinhard Gehlen, que passou a trabalhar para a CIA no p\u00f3s-guerra [39], chegando a organizar opera\u00e7\u00f5es militares clandestinas em territ\u00f3rio da URSS. Em 1956, Gehlen foi nomeado como primeiro chefe da BND, os rec\u00e9m-criados servi\u00e7os secretos da Alemanha Federal.<\/p>\n<p><b>O perigo do fascismo hoje<\/b><\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria mostra que o fascismo torna-se uma amea\u00e7a s\u00e9ria quando as classes dominantes optam pelo exerc\u00edcio do seu poder atrav\u00e9s da viol\u00eancia extrema. Hoje, s\u00e3o evidentes os sinais de alarme.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de 2014 que um grande pa\u00eds europeu, a Ucr\u00e2nia, tem fascistas assumidos nos \u00f3rg\u00e3os de poder, chacinando popula\u00e7\u00f5es civis (como no martirizado Donbass ou no massacre de Odessa). Tal como os seus antecessores dos anos 20 e 30, imp\u00f5em pela viol\u00eancia e o terror as pol\u00edticas de classe e de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e dos povos, desta vez sob a bandeira do FMI e da UE. Reabilitam e idolatrizam os colaboracionistas e carniceiros que participaram no terror nazi de h\u00e1 sete d\u00e9cadas. A sua ascens\u00e3o ao poder e o seu reino de terror n\u00e3o acontecem \u00e0 revelia dos EUA ou da Uni\u00e3o Europeia. Pelo contr\u00e1rio. S\u00e3o m\u00faltiplos os fios que ligam os modernos fascistas ucranianos aos velhos nazis reciclados pelos EUA.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se trata apenas da Ucr\u00e2nia. No dia 16 de Mar\u00e7o, veteranos da divis\u00e3o let\u00e3 das Waffen-SS nazis e seus apoiantes desfilaram em Riga, capital da Let\u00f3nia, pa\u00eds que det\u00e9m actualmente a Presid\u00eancia rotativa do Conselho da Uni\u00e3o Europeia. Marchas an\u00e1logas t\u00eam-se realizado nos \u00faltimos anos tamb\u00e9m na Est\u00f3nia e Litu\u00e2nia, sem que tal facto perturbe as boas consci\u00eancias \u2018liberais\u2019 e \u2018democr\u00e1ticas\u2019. A coniv\u00eancia assumiu dimens\u00f5es at\u00e9 h\u00e1 pouco impens\u00e1veis em 18 de Dezembro de 2014, quando a Assembleia Geral da ONU votou uma resolu\u00e7\u00e3o russa condenando a glorifica\u00e7\u00e3o da ideologia nazi. A mo\u00e7\u00e3o foi aprovada por 115 pa\u00edses. Mas tr\u00eas pa\u00edses votaram contra: EUA, Ucr\u00e2nia e Canad\u00e1. E todos os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia (incluindo Portugal) abstiveram-se. Gradualmente, a falsa equa\u00e7\u00e3o entre nazismo e comunismo vai dando lugar \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o do nazi-fascismo em nome do combate ao comunismo.<\/p>\n<p>O mundo mudou muito desde 1939. Mas h\u00e1 fortes pontos de contacto com a realidade de ent\u00e3o. De novo o capitalismo global se mostra incapaz de gerir as suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es e crise. De novo, ambi\u00e7\u00f5es de hegemonia planet\u00e1ria imposta pela for\u00e7a das armas fazem pairar o espectro de novo conflito mundial. As analogias n\u00e3o excluem importantes diferen\u00e7as. Hoje a URSS, e tudo o que ela representava, desapareceu. E, como toda a realidade dos \u00faltimos anos revela \u00e0 saciedade, os principais perigos de guerra n\u00e3o v\u00eam hoje das pot\u00eancias emergentes, mas das velhas pot\u00eancias imperialistas (EUA e da UE) que, incapazes de estancar o seu decl\u00ednio relativo e de travar a ascens\u00e3o de outros pa\u00edses, nomeadamente extra-europeus, procuram pela via da for\u00e7a e da guerra manter o insustent\u00e1vel status quo.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio dos EUA, em particular, revela-se de grande perigosidade para a paz mundial, tendo em conta o imenso poderio b\u00e9lico da, at\u00e9 aqui, superpot\u00eancia capitalista. \u00c9 da maior import\u00e2ncia acertar na identifica\u00e7\u00e3o das linhas de clivagem existentes, mesmo entre pot\u00eancias capitalistas, que permitam criar uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mais favor\u00e1vel \u00e0 paz, aos trabalhadores e aos povos. Importa aprender com as li\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria. Entre as quais a grande li\u00e7\u00e3o da II GM sobre o papel decisivo da luta dos povos, mesmo perante as maiores adversidades e quando tudo pode parecer perdido. Foi essa confian\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o que permitiu ao povo sovi\u00e9tico e ao seu Partido Comunista desempenhar o dif\u00edcil mas honroso combate que salvou a Humanidade em 1945.<br \/>\n<i><br \/>\nNotas:<br \/>\n(1) Recorde-se a macabra inscri\u00e7\u00e3o que campeava na entrada de v\u00e1rios campos de concentra\u00e7\u00e3o nazis: \u00abArbeit macht frei\u00bb (\u00abo trabalho liberta\u00bb).<br \/>\n(2) Veja-se o livro \u00abHitler: ascens\u00e3o irresist\u00edvel?\u00bb de Kurt Gossweiler, ed. \u00abAvante!\u00bb, 2009.<br \/>\n(3) Adam Tooze, \u00abThe Wages of destruction \u2013 The making and breaking of the Nazi economy\u00bb, Penguin Books, 2007, p. 532. Tooze acrescenta: \u00aba constru\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica da IG Farben em Monowitz custou a vida a pelo menos 30 000 reclusos\u00bb (p. 445).<br \/>\n(4) G. Deborin, \u00abLa segunda guerra mundial\u00bb, ed. Progreso, 1977, p. 28.<br \/>\n(5) Uma descri\u00e7\u00e3o pormenorizada de Munique encontra-se no livro do jornalista norte-americano William L. Shirer, \u00abThe Rise and Fall of the Third Reich\u00bb, Arrow Books, 1998.<br \/>\n(6) Veja-se, e.g., o artigo \u00abFascismo: ra\u00edzes hist\u00f3ricas e amea\u00e7a actual\u00bb em O Militante, N.\u00ba 320, Setembro 2012, para uma discuss\u00e3o mais pormenorizada de como Mussolini chega ao poder pela m\u00e3o da burguesia \u2018liberal\u2019.<br \/>\n(7) Kurt Gossweiler, op. cit.<br \/>\n(8) Citado em \u00abBig business avec Hitler\u00bb, de Jacques R. Pauwels, ed. Aden, 2013, p. 162.<br \/>\n(9) Churchill, Clive Ponting, Sinclair-Stevenson, 1994, p. 350.<br \/>\n(10) L\u00e9on Blum, primeiro Primeiro-ministro ap\u00f3s a vit\u00f3ria da Frente Popular, e primeiro PM judeu de Fran\u00e7a. Cita\u00e7\u00e3o em \u00abThe collapse of the Third Republic\u00bb, de William L. Shirer, Pan Books, 1970, p. 359.<br \/>\n(11) Discuss\u00e3o em \u00ab1939-45, Uma guerra desconhecida\u00bb, de Paul-Marie de la Gorce, ed. Caminho, 2004.<br \/>\n(12) William L. Shirer, op. cit., p. 419.<br \/>\n(13) Paul-Marie De La Gorce, op. cit., p. 24.<br \/>\n(14) Adam Tooze, op. cit., p. 469.<br \/>\n(15) Idem, p. 220.<br \/>\n(16) Clive Ponting, op. cit., p. 230.<br \/>\n(17) Adam Tooze, op. cit., p. 462.<br \/>\n(18) Idem, p. 206.<br \/>\n(19) Ver e.g. \u00abL\u2019URSS dans la lutte pour la paix \u00e0 la veille de la seconde guerre mondiale \u2013 Documents et mat\u00e9riaux\u00bb, ed. du Progr\u00e8s, 1976. Vejam-se tamb\u00e9m as mem\u00f3rias do Embaixador sovi\u00e9tico em Londres, Ivan Majskij, \u00abPerch\u00e9 scoppi\u00f2 la Seconda Guerra Mondiale?\u00bb, Editori Riuniti, 1965.<br \/>\n(20) \u00abO fascismo \u00e9 a guerra\u00bb, em O Militante, N.\u00ba 335, Mar\u00e7o 2015.<br \/>\n(21) Paul-Marie de la Gorce, op. cit., pp. 47-48.<br \/>\n(22) Adam Tooze, op. cit., p. 87.<br \/>\n(23) William. L. Shirer, \u00abThe collapse of the Third Republic\u00bb, Pan Books, 1970, p. 449.<br \/>\n(24) Mark Mazower, \u00abHitler\u2019s Empire\u00bb, Penguin Books, 2009, p. 98.<br \/>\n(25) William. L. Shirer, op. cit., Pan Books, 1970, p. 462 e 464 para a refer\u00eancia seguinte.<br \/>\n(26) Hitler imp\u00f4s que a assinatura da rendi\u00e7\u00e3o francesa fosse feita na mesma carruagem de comboio onde a Alemanha derrotada havia assinado o armist\u00edcio em 1918.<br \/>\n(27) Adam Tooze, op. cit., p. 432 e 480.<br \/>\n(28) Clive Ponting, op. cit., p. 566.<br \/>\n(29) Jacques Pauwels, em \u00abBig Business avec Hitler\u00bb (ed. Aden, 2013, p. 137), considera que foi \u00e0s portas de Moscovo que se decidiu o curso da guerra.<br \/>\n(30) N\u00fameros em \u00abLa Gran Guerra Patria de la Union Sovietica\u00bb, comp\u00eandio de hist\u00f3ria 1941-45 do Instituto de Marxismo-Leninismo junto do CC do PCUS, ed. Progresso, Moscovo, 1975, p. 177.<br \/>\n(31) Adam Tooze, op. cit., p. 482.<br \/>\n(32) Em \u00abBlowback: America\u2019s recruitment of Nazis &amp; its effects on the Cold War\u00bb, de Christopher Simpson, Weidenfeld &amp; Nicolson, 1988, p. 19.<br \/>\n(33) \u00abLa Gran Guerra Patria de la Union Sovietica\u00bb, op. cit., p. 85.<br \/>\n(34) Adam Tooze, op. cit., p. 588.<br \/>\n(35) \u00abA verdade e a mentira sobre a Segunda Guerra Mundial\u00bb, op. cit., p. 141.<br \/>\n(36) \u00abAthens 1944: Britain\u2019s dirty secret\u00bb, The Guardian, 30.11.14.<br \/>\n(37) \u00abAs fotografias do p\u00f3s-guerra que as autoridades brit\u00e2nicas procuraram manter escondidas\u00bb,The Guardian, 3.4.06.<br \/>\n(38) \u00abOperation Paperclip, The secret intelligence program that brought Nazi scientists to America\u00bb, de Annie Jacobsen, ed. Little, Brown and Company, 2014.<br \/>\n(39) Descri\u00e7\u00e3o pormenorizada em \u00abBlowback\u00bb, obra j\u00e1 citada de Christopher Simpson.<\/i><\/p>\n<p><i>* Professor universit\u00e1rio e analista de pol\u00edtica internacional<\/i><\/p>\n<p><i>Este texto foi publicado em : O Militante N\u00ba 336 (jornal do Partido Comunista Portugu\u00eas) de Maio\/Junho de 2015.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jorge Cadima* O mundo mudou muito desde 1939. 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