{"id":8212,"date":"2015-05-10T02:00:43","date_gmt":"2015-05-10T05:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8212"},"modified":"2017-08-24T23:04:41","modified_gmt":"2017-08-25T02:04:41","slug":"ser-de-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8212","title":{"rendered":"Ser de esquerda"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/v_carvalho\/imagens\/sinal.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>por Daniel Vaz de Carvalho<\/p>\n<p><em>&#8220;Um socialista \u00e9 mais do que nunca um charlat\u00e3o social que quer, usando um conjunto de panaceias e todos os tipos de remendos, suprimir as mis\u00e9rias sociais, sem fazer o menor dano ao capital e ao lucro.&#8221; (Engels)<\/em><!--more--><\/p>\n<p>\u201cPara manter uma fic\u00e7\u00e3o de pluralismo, a oligarquia precisa de um partido que, nas v\u00e9speras eleitorais, se exiba como de esquerda\u201d.<\/p>\n<p>1 &#8211; A demanda do &#8220;Graal&#8221; capitalista por certa &#8220;esquerda&#8221; [1]<\/p>\n<p>A veem\u00eancia de Engels ganha maior relevo nos tempos atuais. Uma primeira evid\u00eancia \u00e9 designar-se como &#8220;esquerda&#8221; ideias e partidos que exibindo-se como &#8220;esquerda&#8221; n\u00e3o passam de m\u00e1scaras para o neoliberalismo e uma intransigente defesa do sistema capitalista, em suma pol\u00edticas de direita.<\/p>\n<p>Segundo Engels, &#8220;os chamados socialistas dividem-se em tr\u00eas categorias&#8221;. Os reacion\u00e1rios, que, pese embora a fingida compaix\u00e3o pela mis\u00e9ria do proletariado, esfor\u00e7am-se por restabelecer os privil\u00e9gios e o dom\u00ednio da aristocracia (atualmente financeira) e os donos da grande ind\u00fastria. Os comunistas lutar\u00e3o sempre contra esta categoria, pois n\u00e3o oferecem a menor perspectiva de liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Mostram os seus verdadeiros sentimentos cada vez que o proletariado se torna revolucion\u00e1rio, aliando-se \u00e0 burguesia contra o proletariado. A segunda categoria, os socialistas burgueses, s\u00e3o partid\u00e1rios da sociedade atual. Para suprimir os seus males prop\u00f5em grandiosos planos de reformas mantendo todas as bases dessa mesma sociedade. Trabalham de facto para os inimigos dos comunistas. A terceira categoria os social-democr\u00e1ticos, prop\u00f5em em parte medidas comuns aos comunistas, n\u00e3o como forma de transi\u00e7\u00e3o para a sociedade comunista, mas apenas como meio que seria suficiente para acabar com a mis\u00e9ria e males da sociedade atual. Os comunistas entender-se-\u00e3o com eles nos momentos de a\u00e7\u00e3o e no poss\u00edvel para ter uma pol\u00edtica comum sempre que n\u00e3o se coloquem ao servi\u00e7o da burguesia. [2]<\/p>\n<p>Encontramos evid\u00eancia das duas primeiras categorias no PS. A terceira categoria corresponde, parece-nos, ao Bloco de Esquerda. A social-democracia\/socialismo reformista, intitula-se de esquerda, mas apenas pretende gerir um modelo de capitalismo idealizado, sem antagonismos, economicamente racional, moralmente humanit\u00e1rio, ignorando e querendo que se ignore que a racionalidade capitalista reside exclusivamente na maximiza\u00e7\u00e3o do lucro e a sua moral social esvai-se na concorr\u00eancia, na anarquia da produ\u00e7\u00e3o, nas necessidades de recapitaliza\u00e7\u00e3o originadas pelas crises provocadas pelo capital monopolista e financeiro.<\/p>\n<p>Efetivamente, o &#8220;capitalista pode ser um cidad\u00e3o exemplar, mas enquanto capitalista \u00e9 capital personificado. A sua alma \u00e9 a alma do capital e tem um \u00fanico impulso vital, o de se valorizar, de criar mais-valia, de sugar a maior parte poss\u00edvel de sobretrabalho. [3]<\/p>\n<p>O PS \u00e9 um partido democr\u00e1tico, por\u00e9m a sua democracia radica numa &#8220;id\u00edlica abstra\u00e7\u00e3o dos antagonismos de classe&#8221; (Marx, A Luta de Classes em Fran\u00e7a ). O PS prossegue a miragem de um &#8220;bom capitalismo&#8221;, uma tese que o arrasta para toda a esp\u00e9cie de conservadorismos. As cr\u00edticas ao governo PSD-CDS limitam-se ao circunstancial, considerando-se capaz de fazer funcionar melhor o capitalismo. Esquece que a sua miragem dos anos 60, foi o resultado de duras lutas de classe, organizadas na base de sentimentos revolucion\u00e1rios, ap\u00f3s a derrota do nazi-fascismo e, claro, tamb\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o imperialista e neocolonial sobre os pa\u00edses dependentes. O Syriza \u00e9 o mais recente exemplo do fracasso da social-democracia na demanda de um &#8220;bom capitalismo&#8221;. [4]<\/p>\n<p>2 &#8211; A social-democracia esteio da pol\u00edtica de direita<\/p>\n<p>Se se chegou ao descalabro em que o pa\u00eds e a UE se encontram foi porque, como Engels salientou, nos momentos decisivos da luta de classes a social-democracia\/socialismo reformista se colocou ao lado do capital e do divisionismo das camadas trabalhadoras (como foi evidente no Portugal p\u00f3s-25 de Abril) at\u00e9 alinhar com o neoliberalismo, mascarando-o de &#8220;socialismo do s\u00e9culo XXI&#8221;. Nuns casos preparou o caminho para a direita, noutros prosseguiu e aprofundou essas pol\u00edticas, como T. Blair relativamente a Thatcher, Hollande relativamente a Sarkozy ou o PS relativamente ao PSD-CDS.<\/p>\n<p>Os partidos ditos socialistas, sociais em palavras, neoliberais na realidade, aliaram-se \u00e0 direita para entregar a soberania nacional aos ditames da UE e apoiam esse verdadeiro golpe de estado que \u00e9 a TTIP. [5] Para al\u00e9m das diatribes parlamentares, o PS alheia-se ou mesmo combate as lutas populares. As suas ced\u00eancias permitiram que a direita avan\u00e7asse para uma ofensiva fascizante, com que metodicamente procura destruir a Constitui\u00e7\u00e3o de Abril.<\/p>\n<p>A austeridade foi a forma de colocar os povos a pagar as consequ\u00eancias de um sistema em crise, com a arrog\u00e2ncia antidemocr\u00e1tica de que n\u00e3o h\u00e1 alternativa ao aumento das desigualdades e da pobreza, \u00e0 entrega da riqueza criada \u00e0 especula\u00e7\u00e3o financeira, aos monop\u00f3lios, \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es, etc. Uma moral que se limita a &#8220;espoliar a classe trabalhadora e dar alguma coisa aos pobres&#8221; (Jane Rockfeller). O resto s\u00e3o remendos or\u00e7amentais.<\/p>\n<p>Para manter uma fic\u00e7\u00e3o de pluralismo, a oligarquia precisa de um partido que nas v\u00e9speras eleitorais se exiba como de esquerda. Na realidade, a miss\u00e3o que lhe \u00e9 confiada \u00e9 a permanente divis\u00e3o das camadas trabalhadoras, de forma a impor uma pol\u00edtica de direita com o m\u00ednimo de sobressaltos. Foi assim que se estabeleceu o conceito de &#8220;partidos do arco da governa\u00e7\u00e3o&#8221;, eufemismo que designa o partido \u00fanico neoliberal, prioritariamente ao servi\u00e7o da oligarquia, em conformidade com a ideologia do grupo de Bildelberg, onde dirigentes e propagandistas do &#8220;arco da governa\u00e7\u00e3o&#8221; v\u00e3o receber o &#8220;crisma&#8221; da religi\u00e3o neoliberal.<\/p>\n<p>3 &#8211; Romper com a pol\u00edtica de direita<\/p>\n<p>De forma simples, uma pol\u00edtica de esquerda deve consistir em romper com a pol\u00edtica de direita no que ela tem de desigualdades, privil\u00e9gios ao capital monopolista e financeiro, leis antilaborais, liquida\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas do Estado, etc. No entanto, tudo isto \u00e9 posto em pr\u00e1tica por partidos que se designam de socialistas e de &#8220;esquerda&#8221;. Dizer que o governo PSD-CDS tem um programa de fundamentalismo ideol\u00f3gico, \u00e9 apenas dizer que criticando o fundamentalismo mant\u00eam a mesma ideologia.<\/p>\n<p>O PS apresentou um &#8220;cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico&#8221;. A palavra &#8220;cen\u00e1rio&#8221; \u00e9 adequada \u00e0 farsa do &#8220;arco da governa\u00e7\u00e3o&#8221;. Os partidos \u00e0 esquerda do PS fizeram consistentes an\u00e1lises que n\u00e3o cabe aqui reproduzir. Salientamos contudo alguns aspetos.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, as escolhas que passam por econ\u00f4micas na realidade s\u00e3o pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas. A vis\u00e3o da sociedade, os crit\u00e9rios pol\u00edticos s\u00e3o os mesmos do PSD-CDS: a aceita\u00e7\u00e3o acr\u00edtica dos dogmas da UE, do euro, do neoliberalismo. Por\u00e9m, aceitar os crit\u00e9rios da UE e pretender crescimento econ\u00f3mico e justi\u00e7a social \u00e9 querer escrever direito por linhas tortas. Claro que a desregula\u00e7\u00e3o do mercado financeiro, a recusa do planeamento e da soberania econ\u00f3mica e monet\u00e1ria impede que as previs\u00f5es possam ter qualquer grau de rigor.<\/p>\n<p>O &#8220;cen\u00e1rio&#8221; do PS ignora completamente o chamado tri\u00e2ngulo das impossibilidades em pol\u00edtica or\u00e7amental. &#8220;O Estado portugu\u00eas ter\u00e1 de escolher duas das tr\u00eas seguintes op\u00e7\u00f5es: (1) cumprir o Tratado Or\u00e7amental; (2) pagar a d\u00edvida p\u00fablica nos termos atualmente previstos; (3) preservar um Estado Social t\u00edpico de uma sociedade desenvolvida.&#8221; [6]<\/p>\n<p>A renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, a quest\u00e3o do euro como moeda \u00fanica, s\u00e3o tabu para o PS. A fiscalidade para o grande capital permanece intoc\u00e1vel, a austeridade mant\u00e9m-se &#8220;sobre os mesmos&#8221;: o que d\u00e1 agora, tira depois, o que \u00e9 tirado agora permanece. Declamando sobre a dignidade do trabalho, prop\u00f5e-se rever (novamente!) a lei laboral para facilitar os despedimentos\u2026sempre em nome do &#8220;crescimento e do emprego&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o vai t\u00e3o longe como o P-M franc\u00eas que apela \u00e0 &#8220;unidade da esquerda&#8221;, mas apresenta a lei Macron, em Fran\u00e7a a lei mais reacion\u00e1ria desde h\u00e1 70 anos, que sobrep\u00f5e a negocia\u00e7\u00e3o individual entre trabalhador e patronato \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o coletiva. \u00c9 como que o reestabelecer da famigerada Lei Chappelier, anulada em 1861 gra\u00e7as \u00e0 abnegada luta dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Os economistas ortodoxos \u2013 que o &#8220;cen\u00e1rio&#8221; segue \u2013 veem o mundo como uma m\u00e1quina complexa, mas que pode ser orientada conforme pretendido atuando sobre uma ou outra alavanca, conduzindo a um hipot\u00e9tico &#8220;equil\u00edbrio geral&#8221;. [7] Ora, o que cientificamente se sabe, \u00e9 que a aplica\u00e7\u00e3o de um determinado modelo em sistemas complexos \u2013 mesmo semelhantes \u2013 pode dar origem a comportamentos muito diferentes, dependendo das condi\u00e7\u00f5es iniciais. Simplifica\u00e7\u00f5es que ignoram estes factos servem de argumento aos &#8220;incentivos ao capital&#8221;, \u00e0 austeridade, \u00e0s sucessivas revis\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o laboral, a redu\u00e7\u00e3o dos impostos ao grande capital, etc.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de direita praticada pelo PS, PSD e CDS, \u00e9 defendida como &#8220;realismo&#8221;. Ser &#8220;realista&#8221; \u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o questionar essa mesma realidade, um conformismo reacion\u00e1rio para deixar intoc\u00e1veis os privil\u00e9gios da oligarquia. Compreende-se esta atitude por parte de propagandistas e dos que se amesendam em conselhos de administra\u00e7\u00e3o e sociedades de advogados consultoras, ora do governo ora de concession\u00e1rias, mas n\u00e3o de quem se pretende de &#8220;esquerda&#8221;.<\/p>\n<p>4 \u2013 Vis\u00e3o de uma pol\u00edtica de esquerda<\/p>\n<p>O neoliberalismo \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o em termos intelectuais: pretende aplicar crit\u00e9rios do liberalismo, estabelecidos para um universo de MPME, a uma economia dominada por megaempresas e monop\u00f3lios. Para fazer passar a sua agenda ideol\u00f3gica os propagandistas do neoliberalismo dizem que n\u00e3o faz sentido falar em &#8220;esquerda&#8221; e &#8220;direita&#8221;. Claro que se referem ao &#8220;arco da governa\u00e7\u00e3o&#8221;!<\/p>\n<p>N\u00e3o deixa tamb\u00e9m de ser curioso ver certos grupos que argumentando com a &#8220;unidade da esquerda&#8221; se fragmentam, evidenciando alguma ret\u00f3rica, mas pouca capacidade de organiza\u00e7\u00e3o. No essencial, d\u00e3o a ideia de querer converter o PS \u00e0 &#8220;boa nova&#8221; de um capitalismo minorado. Definem um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o solu\u00e7\u00f5es para as suas causas.<\/p>\n<p>Frederic Lordon d\u00e1-nos uma vis\u00e3o de requisitos duma esquerda consequente. Ser de esquerda, diz, \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao capital. N\u00e3o permitir o dom\u00ednio do capital sobre a sociedade. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o com o capital que assinala uma posi\u00e7\u00e3o de esquerda, \u00e9 portanto uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de poder, uma rela\u00e7\u00e3o que afirma a soberania de uma sociedade n\u00e3o capitalista. N\u00e3o permitir que um grupo social seja autorizado a converter o interesse geral no seu pr\u00f3prio interesse existencial. [8]<\/p>\n<p>Ser de esquerda n\u00e3o \u00e9 certamente fomentar a precariedade: &#8220;uma massa desprotegida, em total impot\u00eancia, oferecida ao despotismo do capital \u2013 como se isto representasse &#8220;efici\u00eancia&#8221;. N\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m, subordinar a sociedade ao excessivo poder da finan\u00e7a de tal forma que a exp\u00f5e \u00e0 alternativa de a salvar ou perecer com ela. Ser de esquerda \u00e9 portanto reconhecer e lutar pela necessidade imperiosa de mudar as estruturas financeiras e passa inicialmente pelo controlo p\u00fablico da banca. O esc\u00e2ndalo n\u00e3o foi salvar os bancos, foi terem sido salvos sem a menor contrapartida dando-lhes carta-branca para retomarem os seus tr\u00e1ficos. [8]<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 pol\u00edtica de esquerda defender a &#8220;democracia liberal&#8221;, que sempre consistiu na da repress\u00e3o das classes trabalhadoras e na desigualdade. N\u00e3o ser\u00e1 ser de esquerda, destruir, pelas privatiza\u00e7\u00f5es, a economia mista definida na Constitui\u00e7\u00e3o. Ser de esquerda, n\u00e3o \u00e9 certamente enfraquecer o Estado, tornar in\u00fatil ou ineficiente o controlo p\u00fablico sobre as grandes empresas e a finan\u00e7a e dizer que isto \u00e9 democracia. Tal como n\u00e3o \u00e9 chamar totalitarismo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o popular, ao combate \u00e0s desigualdades, \u00e1 subordina\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f3mico ao poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 pol\u00edtica de esquerda, considerar que as contradi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas do capitalismo podem ser resolvidas por uma reforma fiscal. Hemingway d\u00e1-nos em Por Quem os Sinos Dobram uma clara imagem do fracasso do reformismo, quando um combatente republicano responde a Jordan, internacionalista norte-americano: &#8221; Esses impostos parecem-me revolucion\u00e1rios. Eles (os grandes propriet\u00e1rios) v\u00e3o-se revoltar contra o governo quando se virem amea\u00e7ados, exatamente como os fascistas fizeram aqui&#8221;. Eis a raiz do neoliberalismo.<\/p>\n<p>O que pode distinguir uma esquerda consequente de meros palradores ou oportunistas \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do papel do Estado: o que controla, a favor de quem e de qu\u00ea. \u00c9 bater-se pela soberania como forma de defender os interesses nacionais e populares. \u00c9 defender o planeamento democr\u00e1tico e a an\u00e1lise econ\u00f3mica baseada na avalia\u00e7\u00e3o de custos e benef\u00edcios sociais.<\/p>\n<p>Pode-se ser de esquerda sem se assumir como marxista. O que n\u00e3o se pode, na nossa opini\u00e3o, \u00e9 pretender ser-se de esquerda e simultaneamente antimarxista. Sem o marxismo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender cabalmente o funcionamento do capitalismo nem a din\u00e2mica das suas crises.<\/p>\n<p>Ser de esquerda ser\u00e1 tamb\u00e9m lutar pela unidade patri\u00f3tica e popular contra o neoliberalismo fascizante, impulsionado pelas estruturas da UE. Ser\u00e1 tamb\u00e9m, garantir a iniciativa popular dentro e fora do parlamento, e lutar para que o socialismo seja uma realidade numa Republica democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><b>Notas<\/b><\/p>\n<p>[1] Na tradi\u00e7\u00e3o medieval a procura do &#8220;Santo Graal&#8221; \u2013 c\u00e1lice que teria recolhido sangue de Cristo \u2013 representava a tentativa de alcan\u00e7ar a perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e devolver a paz e a grandeza ao decadente reino do m\u00edtico rei Artur.<\/p>\n<p>[2] Engels, Princ\u00edpios do comunismo, Obras escogidas, Ed. Progreso, Moscovo, 1973, p. 96-97<br \/>\n[3] Marx, O Capital, Livro 1, Tomo I, Ed. Avante, p. 265-266.<\/p>\n<p>[4] Ver <a href=\"http:\/\/resistir.info\/v_carvalho\/acerca_de_negociacoes.html\" target=\"_new\"><u><b>Acerca de negocia\u00e7\u00f5es: li\u00e7\u00f5es do caso Syriza<\/b><\/u><\/a><b> , Vaz de Carvalho<\/b><\/p>\n<p>[5] <a href=\"http:\/\/resistir.info\/europa\/tratado_comercio_eua_ue.html\" target=\"_new\"><u><b>O tratado de com\u00e9rcio livre EUA-UE: a grande golpada<\/b><\/u><\/a><b> , Vaz de Carvalho,<\/b><\/p>\n<p>[6] Ricardo Pais Mamede, <a href=\"http:\/\/ladroesdebicicletas.blogspot.pt\/2014\/05\/o-triangulo-das-impossibilidades-da.html\" target=\"_new\"><u><b>O tri\u00e2ngulo das impossibilidades da pol\u00edtica or\u00e7amental<\/b><\/u><\/a><b> ,<\/b><\/p>\n<p>[7] Paul Ormerod, The Death of Economics, Ed. Faber and Faber, London, p. 36 e 41<\/p>\n<p>[8] Frederic Lordon, A esquerda n\u00e3o pode morrer, <i><b>Le Monde Diplomatique <\/b><\/i><b>(ed. portuguesa), setembro 2014. <\/b><\/p>\n<p>http:\/\/resistir.info\/v_carvalho\/ser_de_esquerda.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Daniel Vaz de Carvalho &#8220;Um socialista \u00e9 mais do que nunca um charlat\u00e3o social que quer, usando um conjunto de panaceias e \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8212\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-8212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-28s","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8212\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}